This Must Be Love

10 She's Better Now.


Notas iniciais
Olá, sweets! :) Bem, esse capítulo ficou muito longo, então tive que dividir ele em duas partes. Sou muito detalhista.

Eu gostaria de postar os dois capítulos ainda hoje, mas tenho certeza de que não vou conseguir terminar a continuação ainda hoje por excessos de detalhes. ~risus~ E, como eu estava MUITO ansiosa para postar logo esse capítulo, não consegui esperar.

Boa leitura. (:

O dia amanheceu nublado e acinzentado, as nuvens negras e carregadas avisavam que iria chover novamente. O único fator realmente interessante em Rosewood é a capacidade de mudança de clima. Apesar de ainda ser primavera, a temperatura é inconstante e o frio e a chuva se fazem presentes pelas semanas afora. Não passava das sete e meia da manhã quando Samara apareceu na minha casa, surpreendo-me. Eu não estava dormindo quando ela tocou a campainha, eu havia acordado cedo e já estava pronta para ir para a escola mesmo faltando quase duas horas para a primeira aula começar. Ela estava incrivelmente linda. Usava um casaco preto com os três primeiros botões de cima desabotoados, mostrando sua camiseta branca por baixo com um decote generoso, calça jeans escura colada e botas de cano alto. Sua feição estava tranquila e gentil, enquanto seus olhos possuíam um tom de azul sereno e calmo, dando-me uma sensação de paz crescente.

Ei, você. — Cumprimentou-me com um sorriso amplo e meigo quando abri a porta. — Desculpe vir tão cedo, não resisti. — Seu corpo estava ligeiramente inclinado, como se estivesse sem jeito. Fitei-a por um momento, analisando-a.

Não precisa se desculpar por sentir minha falta. — Divaguei. Aquilo foi uma brincadeira que no fundo eu esperava ter veracidade. Ela riu, mas não negou minha presunção, o que me causou contentamento. Ela estava parada do lado de fora da porta, me olhando com a cabeça inclinada para o lado. Fitei-a, achando graça de sua pose graciosa. — Não vai entrar?

Estou esperando você me convidar. — Disse ela com voz doce e inocente. Deus, que ser humano seria capaz de resistir a isso? A forma com que ela se expressava e agia parecia ser algo tão natural, o que me deixava com o coração na mão. Dei um passo casto em sua direção, pondo minhas duas mãos em cada lado da gola de seu casaco e a puxando para mim. Seu corpo veio de encontro ao meu numa velocidade significante, assim como seus lábios que se chocaram contra os meus rapidamente. Seus lábios se partiram lentamente, convidando minha língua para entrar. Seus braços imediatamente agarraram minha cintura, puxando-me com força contra seu corpo macio e delicado. Minha mão esquerda foi parar em seu pescoço, enquanto a direita repousava em seu peito gentilmente. Eu podia sentir nitidamente seu coração batendo rapidamente contra a palma da minha mão. Nossas línguas se encaixavam perfeitamente, movendo-se num ritmo lento e quente. Um calor gostoso percorreu minhas entranhas, fazendo-me cortar o beijo e descer com meus lábios para seu pescoço quente e aromático. O gosto da sua pele era suave e estonteante, como o perfume que ela estava usando. Afastei seus cabelos para trás, junto com seu casaco, para que eu pudesse mordiscar e sugar a pele exposta. Ela deixou escapar um gemido de dor quando suguei com força exagerada seu pescoço. Dois dias que eu não pude ver Samara me causaram certa urgência e necessidade. Faz apenas um mês e meio que eu a conheço, mas sinto como se fossem anos. Já tínhamos certa liberdade uma com a outra, mas nada muito íntimo. Ela se afastou lentamente de mim, fazendo com que meu corpo sentisse frio. Pude ver que seus olhos não estavam mais claros e serenos, mas escuros e profundos. Era o meu tom de azul favorito. Samara selou meus lábios demoradamente, puxando meu lábio inferior com os dentes com delicadeza.

Bom dia. — Sorri, fitando sua boca inchada. Uma rajada de vento forte passou pela porta, lembrando-me de que ela ainda estava aberta. Fechei-a e conduzi Samara para a sala, onde ficamos sentadas no sofá conversando e trocando beijos lentos e gentis.

O que você ficou fazendo que nem quis me ver? — Questionou ela. Sua feição estava tranquila e calma e seus olhos no mesmo tom de azul-claro de mais cedo.

Quem disse que eu não quis te ver? — Beijei o canto de seus lábios docemente, fazendo-a sorrir. — Eu estava apenas resolvendo questões internas. — Ela me fitou com seriedade, inclinando a cabeça para o lado com graça, parecendo me analisar.

Algo com que eu deva me preocupar? — Indagou protetoramente. Sua pele clara reluzia perfeição e glória. Seus simples e singelos gestos me faziam querer tê-la para sempre ao meu lado e até mesmo colocá-la numa caixa e guardar a sete chaves para que ninguém tentasse me roubá-la. Mesmo eu amando Ali, era como se eu também pudesse sentir algo forte e sólido por Samara. É difícil explicar, porque algumas coisas não se definem com palavras, só sentindo para entender. Por um lado, eu fiquei feliz com a constatação de que eu podia gostar de outra pessoa da mesma forma que eu gosto de Ali. Ela aproximou seu corpo, inclinando-se em minha direção. Seu rosto estava bem próximo ao meu, e ela ainda esperava uma resposta.

Nem de longe. — Garanti a ela, seu sorriso meigo e sapeca se ampliou, fazendo-me sorrir. Sua mão esquerda pousou no meu joelho, puxando minha perna para cima da sua com gentileza. Seu nariz roçava no meu pescoço, subindo e descendo, sua voz melódica e suave soou como música no meu ouvido:

Então tudo bem. Mas, eu senti sua falta mesmo assim. — Eu não conseguia lidar com aquilo. Samara era de uma doçura e cordialidade sem tamanho.

Eu senti sua falta também. — Choraminguei, sentindo sua respiração lenta e tranquila contra meu pescoço. — Senti tanta falta desse seu sotaque perfeito! — Disse, levando minha mão aos seus cabelos louros e sedosos, brincando com as pontas onduladas. Samara é australiana; nasceu em Melbourne, mas se mudou para Sydney quando tinha apenas dois anos e viveu praticamente sua vida toda lá, se não fossem os contratempos que tivera em Rosewood, Filadélfia e Nova Iorque. Ela sorriu, logo em seguida mordendo a pele exposta do meu pescoço, o que me fez rir.

Você gosta do meu sotaque? — Sussurrou lasciva. Minha pele se arrepiou automaticamente. Senti um calor urgente acalentar meu coração. Seus lábios depositavam leves selinhos no meu pescoço, subindo para o rosto. Virei-o lentamente para onde seus lábios estavam e senti a ponta da sua língua tocar o canto dos meus lábios, inclinei-me mais para o lado, capturando seus lábios com os meus. Sua língua penetrou minha boca imediatamente, me dando margem para que eu pudesse sugá-la com vigor. Sua mão, que estava depositada na minha perna, subiu rapidamente, pairando sobre a minha barriga. Deixei um gemido escapar dos meus lábios quando senti seus dedos frios deslizarem sob minha camisa cinza escura. Não tinha segundas intenções em seus toques, era perceptivo que suas carícias eram involuntárias e cuidadosas. Seus lábios se separaram dos meus numa atitude polida.

Eu amo seu sotaque. — Confessei ofegante. Samara sorriu orgulhosa com a confirmação. — Ele é sexy e encantador como a dona dele.

Não é sexy. — Riu, exalando em meu pescoço.

Oh, não? — Arqueei as sobrancelhas, fitando-a.

Não. — Fez biquinho, entornando minha cintura e puxando-me para mais perto de si. — Eu acho normal. — Deu de ombros, apoiando sua cabeça em meu peito.

Eu acho super fofo. — Discordei, deixando um riso brincalhão ecoar pela sala. — Foi a primeira coisa que eu reparei quando conversamos pela primeira vez. — Murmurei contra seu ouvido.

Bem, a primeira coisa que eu reparei em você foi sua beleza. — Ela riu, me fazendo corar. Suas unhas arranhavam levemente o meu braço esquerdo, uma brincadeira bastante inocente para ela, mas que fez meu braço inteiro se arrepiar e meu coração saltar.

É bom saber disso, porque eu também reparei na sua beleza estonteante. — Sussurrei, brincando com uma mecha de cabelo louro dela. Ela enterrou seu rosto no meu pescoço, abafando um riso meigo. Era possível confundir Samara com uma criança boba às vezes. Sua respiração calma e tranquila batia contra meu pescoço, me trazendo sensações abrasadoras. Seu braço esquerdo envolvendo meu corpo protetoramente, enquanto sua mão direita deslizava pelas minhas costas carinhosamente.

Seu cheiro é embriagante, sabia? — Engrolou, mudando de assunto. Samara tirou seu rosto do meu pescoço e me fitou. Seus olhos de um azul penetrante que poderiam ser capazes de hipnotizar qualquer um. Quase como os de Ali, mas os de Ali raramente estavam claros e serenos como os de Samara. Eram sempre escuros e profundos, como se os segredos mais sombrios dela estivessem aprisionados dentro deles, impossibilitando a clareza nas íris azuis. Antes que eu pudesse responder, a campainha soou alta dentro da casa praticamente vazia. Olhei no relógio verificando que horas eram, mas ainda faltava pouco mais de trinta minutos para as aulas começarem. Olhei Samara rapidamente, pedindo silenciosamente para me libertar. Ela me deu um beijo lento e doce, fazendo meu coração pulsar fervorosamente. A campainha soou novamente, fazendo ela me soltar imediatamente. Eu ri, levantando-me e correndo para atender a porta da cozinha.

Até que enfim! Você está viva. — Gritou Hanna, entrando impaciente e desabando na bancada da cozinha. Spencer me fitou parecendo cansada, mas aliviada por me ver. Aria me deu um aceno com a sobrancelha como se tivesse dizendo que Hanna estava mal-humorada.

Achei que eu teria que chamar os bombeiros. — Brincou Aria. Hanna nos encarou confusa, pensando no que Aria acabara de dizer.

Mas aqui não tem fogo. — Hanna fez uma careta, encarando Spencer como se estivesse pedindo por uma explicação lógica para aquilo. Spencer, em resposta, suspirou desapontada com a falta de agilidade com que o cérebro de Hanna trabalhava.

É apenas força de expressão, Hanna. — O entendimento cruzou o rosto de Hanna, mas ela deu de ombros como se não se importasse. Aria escorou no armário, colocando os braços sobre o peito.

Bom dia para vocês também. — Fechei a porta, rindo. Spencer sentou-se ao lado de Hanna, que estava cutucando a cesta de frutas que havia sobre o balcão. — Eu já volto. — Disse caminhando para sala, onde Samara estava. Olhei para trás, certificando-me de que nenhuma das garotas me seguiria. Ela estava sentada no sofá com os joelhos cruzados, mexendo em seu iPhone branco. Sentei-me ao seu lado, depositando um beijo casto no seu rosto. Ela me fitou com um sorriso gentil e meigo nos lábios.

Ouvi um grito zangado. — Disse zombeteira.

É só Hanna sendo exagerada. — Sorri, mostrando condescendência.

Então acho que é melhor eu ir embora. — Levantou-se, guardando seu celular no bolso. Samara estava sendo tão maravilhosa comigo, ela ainda não me pressionara para que eu contasse sobre mim para as garotas. Ou sobre nós. Eu ainda não sabia o que tínhamos, mas deveríamos ter alguma coisa, certo?

O quê? — Olhei-a, desapontada. — Não! Você precisa conhecer minhas melhores amigas. — Levantei-me, pegando sua mão. Ela inclinou sua cabeça para o lado, com graça. Eu adorava quando ela fazia isso.

Você ganha. — Sorriu abertamente. — Eu só preciso ir ao banheiro.

Estaremos na cozinha. — Me virei, voltando para cozinha novamente. Aria e Spencer riam de alguma que Hanna dissera, provavelmente sobre roupas. Não demorou mais de dois minutos e Samara apareceu na cozinha com as mãos no bolso traseiro, parecendo meio sem jeito.

Olá, meninas. — Sorriu amistosa. Aria, Hanna e Spencer se viraram quase ao mesmo tempo, olhando para a origem do som.

Olá! — Exclamaram Spencer e Aria em uníssono, com um sorriso acolhedor. Hanna a analisou atenta, com um sorriso gentil nos lábios.

Oi, você. — Hanna saudou, soando afável.

Meninas. Samara. — Fui ao encontro de Samara, puxando-a pela mão e trazendo-a para perto de mim. — Samara. Meninas. — Disse, apresentando-as um pouco rápido demais.

É um prazer conhecê-las. — Samara disse com um sorriso gentil e complacente nos lábios.

É um prazer conhecer você também. — Hanna levantou-se com o rosto iluminado e animado. — E eu totalmente adorei sua bota e o seu casaco. LouisVuitton e Christian Dior, certo? — Lançou um olhar orgulho para Samara.

Hanna! — Chamei sua atenção junto com Aria e Spencer num coro. Ela se virou para nós, fazendo uma careta ofendida.

O quê? Não me julguem, ela tem estilo. — Samara riu. Uma risada gostosa e confortável.

Sim. Vuitton e Dior. — Confirmou, abaixando a cabeça sem graça.

Já gostei de você. — Hanna sorriu abertamente para ela. — É disso que eu estava falando, Spence. — Apontou para Samara. — Pessoas que saibam se vestir com graça e sabedoria. — Balançou a cabeça, como se estivesse cansada de repetir. Samara corou com a lisonja de Hanna.

E você está me dizendo isso porque...? — Spencer cruzou os braços sobre o peito, esperando uma resposta de Hanna.

Você ainda pergunta? — Surpreendeu-se Hanna, soando zombaria. — Sério, Spencer! Até minha avó se veste melhor que você. — Disse, parecendo desapontada. Sufoquei uma risada, assim como Aria e Samara.

O quê?! — Gritou Spencer. — Seu cérebro é menor do que o de uma minhoca, mas nem por isso eu digo que você não tem coerência. — Devolveu Spencer. Aria deixou um riso alto ecoar pela cozinha, mas logo o contendo quando Hanna a fuzilou com o olhar.

Em, o que é coerência? — Questionou Hanna baixinho, mas não tão baixo, já que Aria, Spencer e Samara escutaram. Aria revirou os olhos, perdendo o entusiasmo.

Parem, crianças. — Mandei, impaciente. Aria riu, deslocando-se de perto do armário e indo em direção a Samara, estendendo a mão.

Muito prazer, Samara. Eu sou Aria. — Sorriu acolhedora. Samara sorriu de volta docemente, aceitando de bom grado a mão de Aria. — Bem, essas duas aqui são Spencer e Hanna. — Aria lançou um olhar de advertência para elas, que sorriram sem jeito pela discussão desnecessária.

Então, Samara... — Começou Hanna, animada. — Espero que você tenha planos de ficar na cidade.

Por quê? — Quis saber. Hanna me lançou um olhar assassino.

Como assim por quê? — Impacientou-se ela. — Emily Catherine Fields. — Hanna pronunciou cada palavra pausadamente, tentando controlar a cólera. — Me diz que você não esqueceu do baile de máscaras que eu vou dar nesse final de semana! — Pediu, fechando os olhos e elevando a mão para o alto. Meus olhos se arregalaram com a constatação; claro que eu havia esquecido. Hanna havia me dito que iria dar um baile de máscaras há quase um mês, mas eu totalmente esqueci.

É óbvio que eu não esqueci, Han. — Coloquei a mão no peito, fingindo estar ofendida com a acusação completamente verdadeira. — Eu até já chamei a Samara. — Menti descaradamente, fitando Samara com um olhar penoso. Eu implorava internamente que ela confirmasse o que eu acabara de dizer. Hanna a fitou com um olhar calmo e alegre novamente.

Claro. — Ela confirmou com um sorriso doce nos lábios. — Eu estarei lá. — Garantiu.

Ótimo. — Bateu palmas, animada. — E Em... — Virou-se para mim. — Não se preocupe, Ben não será convidado. — Afirmou com contentamento em suas palavras. Hanna nunca gostou de Ben e esse sentimento piorou depois que Ben tentou me agarrar à força depois do meu treino de natação. Samara se aproximou de mim, tocando minha mão de leve.

Em, nós sentimos muito pelo seu término com Ben. — Disse Spencer, fazendo biquinho tristonho. Senti um desconforto com o assunto. Não queria discutir isso perto de Samara, mas as meninas não sabiam que tínhamos... Alguma coisa. Não tive coragem de olhar sua reação. Acho que ela não sabia que eu namorava... Com um Garoto.

Diga isso por você. — Hanna soou insensível, mas eu sabia que não era sua intenção. — Ben é um imbecil e Emily está muito melhor sem ele.

Mike disse a mesma coisa! — Gritou Aria, recebendo olhares assustados de todas, inclusive o meu. Mike era o irmão mais novo de Aria.

O quê? — Spencer fez uma careta confusa. — Seu irmão?

Ele é apaixonado pela Em desde quando estávamos no oitavo ano. — Aria disse, como se não fosse importante. Hanna arregalou os olhos, e Spencer riu. — Eu nunca disse isso a vocês? — Ela nos fitou pensativa. Balançamos a cabeça, negando. — Enfim, ele ficou sabendo que você terminou com Ben e disse que você é uma princesa e merece um príncipe. E que Ben é um babaca e não merecia você. — Terminou, buscando na memória se isso era tudo. Escutei Hanna suspirando apaixonada, como se tivesse achado aquilo mais bonito que um casaco Vuitton. Eu balancei a cabeça como se não estivesse me importando com todo aquele papo sem cabimento. Mike é tão novinho. E um fator importante: eu não me interesso por garotos.

Aria, não fique zangada. — Pediu Hanna, insegura. Aria encarou-a confusa, assim como Spencer. Fitei Samara por um momento e ela estava com a cabeça baixa, mexendo no pano de prato que eu havia deixado sobre o balcão minutos antes de ela aparecer. Ela deveria estar se sentindo incomodada com aquele assunto. Inclinei-me em sua direção, sussurrando em seu ouvido palavras doces, o que a fez sorrir.

Por que eu ficaria? — Aria riu, ligeiramente temerosa sobre o que Hanna se referia.

Noel Kahn disse que Emily é a garota mais quente da escola. — Hanna esticou as últimas quatro palavras mais que o necessário. Senti meu rosto ficar vermelho brilhante. Spencer arregalou os olhos, olhando para Aria. Elas deveriam estar pensando que eu estava super mal por ter terminado com Ben. — Mason Byers também, a propósito.

Eu não gosto mais do Noel. — Aria deu de ombros, ficando de costas para Hanna. — Estou em outra, muito obrigada.

Vocês já repararam no sotaque do Mason? — Hanna fez uma careta, pensativa. Aria e Spencer ignoraram a pergunta de Hanna. — Toda vez que ele abre a boca eu tenho vontade de arrancar as roupas dele. Sério, aquele sotaque mexe com a parte sul. — Spencer riu com o comentário de Hanna. Samara se inclinou, sussurrando no meu ouvido:

Eu tenho muitos concorrentes. — Disse em tom de brincadeira, mas senti que seu semblante estava um pouco caído. Fitei-a incisiva, meu coração palpitava sempre que seus olhos azuis eram dirigidos a mim.

Toda vez que você abre a boca, eu tenho vontade de arrancar suas roupas. — Repeti o que Hanna havia falado em seu ouvido. Seus braços estavam apoiados sobre o balcão, o que encadeou ela enterrar seu lindo e gracioso rosto entre eles, corando violentamente. Eu ri com sua reação super fofa.

Você é doente. — Pude ouvir Aria dizer a Hanna.

Onde você estuda, Samara? — Hanna ignorou o adjetivo que acabara que receber.

Oh, eu não estudo mais. — Respondeu, fitando minha mão acariciando a sua distraidamente. — Eu já me formei.

Em qual especialidade? — Spencer quis saber.

Designe. — O rosto de Hanna se iluminou. Ela se sentou no balcão, ficando de frente para nós duas. Seu rosto apoiado sobre suas mãos enquanto observávamos seus olhos brilhando. Spencer e Aria derem risinhos confortáveis com a expressão abobada de Hanna.

É o que eu quero fazer! — Exclamou empolgada.

Jura? — Animou-se Samara. — Bem, para quem gosta é bacana.

Como assim? Você não gostava? — Aria riu, curiosa. Samara deslizou seu dedo indicador suavemente pela palma da minha mão, fazendo cócegas. Aos olhos das garotas estávamos apenas perto uma da outra, porque elas não conseguiam ver a interação que estávamos tendo.

Na época não, mas agora... Eu suporto. — Disse, colocando uma mecha de cabelo para trás da orelha. O celular de Samara tocou, soando alto na cozinha silenciosa. Continuei prestando atenção em Hanna, que começara um diálogo paralelo com Aria. Samara deu um pulo, endireitando-se assim que pegou seu celular. Ela sibilou baixinho algo que não pude entender. — Eu tenho que ir. — Disse apressada, arrumando seu casaco em seu busto perfeito.

Algo errado? — Indaguei, fitando-a. Hanna parou o que estava dizendo para prestar atenção em nós duas, assim como Aria. Spencer continuou observando atenta.

Eu estou errada. — Começou, fitando-me de volta. Olhei-a confusa, pedindo silenciosamente para que ela explicasse. — Eu havia esquecido que eu tinha uma reunião importante agora. Minha mãe vai me matar. — Samara lastimou, verificando as horas.

Sua mãe está na cidade? — Quis saber. Ela começou a digitar em seu iPhone, mas logo parou.

Não. — Negou, rindo. — A reunião não é com ela, mas sim com a advogada que cuida dos interesses da família na Filadélfia.

Espere um minuto. — Pediu Spencer, parecendo confusa. — Quem é a advogada?

Verônica Hastings. — Respondeu, pausando para continuar digitando. — Ela é a melhor da cidade.

Então é melhor você correr, porque minha mãe odeia esperar. — Sugeriu Spencer, fazendo um biquinho complacente. Samara a fitou, parecendo surpresa com a descoberta. Eu ri com a ironia das casualidades. Samara também odeia esperar, assim como eu. E quem diria que a advogada dela na Filadélfia seria a Sra. Hastings? Seria cômico se não fosse trágico.

Que descoberta interessante. — Sorriu com graça.

Você seria a Srta. Cook? — Spencer riu, com os braços cruzados sobre o peito. Eu ainda não sabia o sobrenome de Samara, mas eu gostei.

Suponho que sim. — Samara respondeu, fingindo dúvida. — Bem, eu realmente preciso ir. — Falou em tom de desculpas, seguindo para a porta principal. Hanna, Aria e Spencer disseram que esperavam vê-la novamente, o que causou certo contentamento nela e uma alegria boba em mim. Eu a acompanhei até a porta, não querendo me despedir dela. Samara me deu um beijo casto no rosto em sinal de despedida.

Vejo você depois. — Ela sorriu. Quando ela fez menção de se virar para ir embora, peguei sua mão e a puxei para mim. Seu corpo veio de encontro ao meu e seu rosto ficou a apenas poucos centímetros do meu. Meus olhos, que estavam fitando os seus, desceram para sua boca e num rompante beijei-a na boca sem medo de que as meninas aparecessem e vissem tudo. Nossos lábios movimentavam-se lentamente enquanto a ponta da minha língua tocava a sua com delicadeza e ardor. Meus braços envolveram seu pescoço, enquanto os dela, a minha cintura. Senti seus braços me apertarem contra seu corpo com cordialidade, mas sem perder a urgência. Pude perceber um sorriso dentre nossos rostos colados. Seus braços se afrouxaram em torno de minha cintura conforme seus lábios iam se afastando dos meus.

Isso é uma despedida digna. — Corrigi com um sorriso bobo nos lábios. Ela me fitou, parecendo gravar cada detalhe do meu rosto. Seus olhos num azul-turquesa, cheio de carinho e doçura estampados neles. Despedi-me de Samara e entrei novamente na casa, encontrando Aria e Hanna discutindo sobre o baile de máscaras. Hanna queria porque queria uma corte composta por nós cinco. Aria, em discordância, dizia que isso era muito antiquado e desesperado.

Emily, diz que concorda comigo em termos uma corte no meu baile de máscaras. — Exigiu Hanna, não tirando os olhos de Aria.

Tanto faz. — Dei de ombros, pegando minhas coisas para irmos à escola. Hanna se levantou, bufando com a falta de apoio e pegando sua bolsa da bancada. Aria e Spencer fizeram a mesma coisa. Saímos pela porta da cozinha e seguimos para onde o carro de Spence e Han estavam estacionados. Aria preferiu ir para a escola no Hyundai de Spencer, enquanto eu optei por ir com Hanna em seu Prius. Durante todo o caminho, Hanna me fez várias perguntas sobre Samara, o que eu não estranhei até o momento em que ela disse que eu tenho o seu apoio. Perguntei-me sobre o que ela se referia, mas não tive a ousadia de questioná-la por receio de sua resposta. Depois de tal declaração, chegamos à escola num silêncio total. Entramos na escola, nós quatro, juntas como sempre fazíamos, e me perguntei onde estaria Ali, mas não quis levar meu questionamento aos ouvidos das meninas. Depois de tudo o que houve entre nós, não me surpreenderia se até sua amizade eu perdesse. Mas eu estou falando de Ali, aquela que não fica sem seguidoras ou servas. No fundo, eu sei, eu sou apenas isso: uma seguidora leal, a delegada que sempre a defende. Antes que eu pudesse arranjar mais adjetivos para mim mesma, nossos celulares tocaram. Todos ao mesmo tempo. Trocamos olhares assustados, pensando que fosse alguma mensagem de –A, mas quando fomos verificar, o nome que preenchia o remetente era “Ali”.

Não me esperem para a primeira aula. Chegarei, talvez, na terceira aula. Desculpem. Drama familiar. Não decidam nada sobre o baile de máscaras sem mim! xx

From: Ali.

A mensagem dizia. Pude ouvir sons baixos de alívio por não se tratar de quem suspeitávamos. Hanna jogou seu celular de volta na bolsa, olhando ao redor do corredor extenso. Aria fez o mesmo. Spencer continuou encarando o celular, parecendo analisar a mensagem. Eu apenas guardei meu celular no bolso da minha jaqueta cinza escura e caminhei para dentro da sala de aula, sendo seguida por Hanna e Spencer. Agora teríamos aula de Economia, enquanto Aria teria aula de Inglês Avançado.

Eu ainda acredito que seja Ali quem esteja nos mandando essas mensagens anônimas. — Comentou Spencer baixinho, apenas para Hanna e eu ouvirmos. Deixei um gemido de incômodo sair de minha boca. Hanna não respondeu, apenas tomou seu lugar em umas das carteiras disponíveis, ficando na minha frente.

As duas aulas que tínhamos de Economia passaram lentamente. Eu olhava o relógio a cada dois minutos, o que começou a me deixar agoniada e frustrada por demorar tanto para a hora do intervalo. Minha cabeça estava pulsando, trazendo à tona uma irritação crescente dentro de mim. Não tocamos mais no assunto de –A, mas a tensão que Spencer criara ao trazer esse assunto de volta ainda estava palpável. Ali não chegou na terceira aula como havia previsto, mas sim na hora do intervalo. Estávamos, nós quatro, sentadas no refeitório quando ela finalmente deu o ar de sua graça. Ela, como sempre, reluzia delicadeza e graça. Desde o sétimo ano que eu reparo em cada movimento seu: a forma com que ela inclina a cabeça, o seu andar e até como ela come. Ali se sentou de frente para mim.

Agora podemos organizar o baile de máscaras adequadamente. — Começou, ignorando os bons modos de um bom cumprimento. Eu não ousei olhá-la. Assim que eu a vi se aproximando de nós, abaixei minha cabeça, mas meus planos de continuar sem fitá-la foram colina abaixo quando senti a ponta do seu sapato alto tocar minha perna sensualmente. Um arrepio gostoso percorreu toda a extensão da minha perna, subindo mais um pouco. Nossos olhos se encontraram e Ali piscou lascivamente para mim. Não conseguia evitar as borboletas no estômago com os olhares e sorrisos que ela me enviava. Ali tinha esse dom de fingir que nada aconteceu. Ela agia como se eu não tivesse jogado em cima dela algumas dores, mágoas e pesos. Mas, se ela queria assim, assim eu o faria. Afinal, eu estou melhor agora.

Notas finais
Então, é isso. Devo dizer que a continuação está começando a esquentar? Ok, a continuação está HOT em todos os sentidos. ~risus~ Me digam o que acharam desse capítulo, porque eu realmente gostei. O que acharam da interação das garotas? Vocês já repararam no sotaque perfeito feat sexy da Claire?

Enfim, até o próximo. xx ;** ♥