This Must Be Love
22 One More Step Before I End It All.
Notas iniciais
O tempo em Rosewood parecia melhorar conforme os dias passavam, deixando o ar um pouco menos pesado e fazendo com que o céu ameaçasse abrir espaço para um verdadeiro e agradável sol. Por mais que o tempo frio e levemente úmido me fosse agradável, eu também apreciava os raios de sol penetrando minha pele pálida, deixando o ar mais quente. Seria certo dizer que meu lugar favorito no mundo era onde eu morei durante boa parte da minha vida. Eu nasci e cresci na Austrália, onde minha família ainda reside. Emily estava sempre me lembrando de que minha cultura está se americanizando rapidamente, começando com meu sotaque que está amenizando conforme os meses passam e permaneço onde estou. Eu amava meu país, e sentia falta também, assim como eu amava Rosewood. Mas talvez eu amasse essa cidade por ser onde Emily vive, onde eu a conheci e por mais agradável que Rosewood fosse, a única razão de eu permanecer por tanto tempo aqui é ela.
***
— Ei, Samara! — Chamou uma voz familiar, puxando minha atenção para frente. Ergui meus olhos e vi Spencer e Aria caminhando em minha direção, ambas carregando o mesmo livro nas mãos. Então percebi que os alunos já haviam saído de suas respectivas salas, apressados e barulhentos, alguns entrando no refeitório e outros indo para cafeteria de Rosewood Day. Afinal, o sinal anunciando o quarto período havia tocado enquanto eu esperava Emily aqui mesmo no refeitório e eu nem me dei conta. Guardei meu celular no bolso e me endireitei na cadeira.
— Soltaram você? — Perguntou Spencer com uma leve elevação no tom de voz assim que se aproximou de mim e tomou um lugar na mesa juntamente com Aria. Eu não respondi de imediato, pois não sabia o que exatamente aquilo significava e tentei não levar sua arrogância para o lado pessoal. Abri a boca na intenção de dizer algo, mas fechei-a logo em seguida. Aria pareceu perceber minha confusão e lançou um olhar meio repreensivo a Spencer, que fingiu não notar — ou realmente não notou.
— Foi uma piada. — Aria riu como se desculpando, fazendo um movimento involuntário para o lado. — Spencer quis dizer que faz tempo que não vemos você, senhorita Ocupada. — Explicou ela num tom brincalhão, fazendo o entendimento cruzar minhas feições rapidamente.
— Oh, eu acabei de voltar de Nova Iorque. — Informei casualmente, cruzando as pernas sobre o joelho. Contei dolorosamente os sete longos dias que passei sem Emily em Nova Iorque. Eu não sabia dizer como eu consegui me manter equilibrada por uma semana inteira sem ela, me contentando apenas com ligações rápidas de madrugada quando eu chegava dos intensos e exaustivos eventos a que participava com minha autoritária e controladora mãe. O meu único conforto nisso tudo era saber que aquilo duraria apenas uma semana.
— E qual foi a pegada em Nova Iorque? — Spencer quis saber, cruzando os braços sobre o peito. Enruguei a testa, desconhecendo o sentindo que servia para “pegada”. Talvez fosse alguma gíria que eu não estava por dentro. Não eram todas as gírias americanas que eu conhecia, o que dificultava o entendimento de algumas coisas simples.
— Apenas eventos fúteis de Manhattan. — Disse por fim, não tendo certeza se era essa a resposta que ela esperava ouvir. Spencer assentiu satisfeita, puxando um livro enorme de sua bolsa.
— Você parece cansada. — Aria observou atenta depois de uma curta pausa. Fiz um grande esforço para mandar o cansaço embora e parecer um pouco mais animada, mas era mais difícil do que eu pensava. Ainda mais depois de eu ter dormido por apenas três horas. — Oh, é mesmo! Você veio de Nova Iorque... Certo! — Exclamou ela um pouco confusa e desconcertada, torcendo os lábios para o lado.
— Por que Emily não saiu com vocês? — Perguntei finalmente, fitando-as incisiva.
— Ah! Hanna e ela ficaram presas na sala com a Sra. Penton. — Explicou com os olhos vacilando entre Spencer e eu. — A nova professora de Inglês Avançado, sabe? — Direcionou a Spencer distraída, tomando um gole de seu café expresso e voltando seus olhos para frente, passando a me encarar. Aria arregalou os olhos, fazendo com que suas sobrancelhas tocassem o alto de sua cabeça. Seu queixo caiu levemente, o que a fez afastar sua boca da beirada do copo. Era como se um estalo a tivesse atingido. Antes que eu pudesse perguntar o que houve, Spencer agiu primeiro, mas com outra questão.
— Por quê? — Perguntou ela, mostrando-se confusa e desorientada. Aria se recompôs e lançou um olhar óbvio a Spencer, que balançou a cabeça sem entender.
— Elas ficaram trocando bilhetinhos durante a aula inteira. — Spencer encarou Aria, provavelmente se perguntando por que por tão pouco.
— Você deu seu número para ele? — Pude ouvir Hanna dizer assim que ela apareceu na entrada do refeitório com os tornozelos firmes sobre seus sapatos de salto alto. — Eu não julgaria você, sabe? Quero dizer, ele é lindo! Mas você sabe... — Prosseguiu soando meio incerta, caminhando sem olhar para frente em nenhum momento, somente para a figura que estava ao seu lado, ocupada e distraída com seu celular. Meu coração saltou assim que me dei conta de quem se tratava. Emily caminhava junto de Hanna e não parecia prestar atenção no que ela falava.
— Por que, em nome de Deus, Hanna é tão sem noção? — Spencer grunhiu para Aria, que balançou os ombros como se não soubesse e nem se importasse. Eu não conseguia me decidir para onde eu olhava, então apenas fiquei encarando o nada pacientemente. Puxei o ar para dentro com força, e o soltei fracamente, tentando controlar as batidas do meu coração. Eu não sou uma pessoa ciumenta e isso conferia por eu já ter muitas vezes presenciado outras pessoas admirando ou até mesmo dando em cima de Emily. E em nenhuma dessas ocasiões tive meu humor e educação alterados bruscamente, sendo Alison a prova viva disso.
— É claro que não, Hanna! Por que eu daria? — Respondeu Emily indiferente, como se essa ideia fosse incompreensível. Ouvir aquilo com certeza fortaleceu meu coração no mesmo instante. Conforme ela se aproximava do centro do refeitório ao lado de Hanna, pude ver o quão estonteante ela estava, usando calça jeans escura e colada, botas da mesma cor e uma camisa solta e cheia de detalhes sob sua jaqueta de couro cinza com um cachecol envolvendo seu pescoço delicadamente. Seus cabelos caíam alinhados nos ombros sob um gorro preto, mostrando apenas as mechas claras.
— Olha quem está adiantada. — Soou Hanna surpresa, assim que entrei no seu campo de visão e em um segundo eu já estava de pé, indo em direção às duas. Assim que me aproximei toquei o braço de Emily suavemente, observando sua atenção no celular silenciosamente. Não pude conter um sorriso quando ela ergueu seus olhos e me lançou um olhar inesperado, mas logo sorrindo calorosamente.
— Sentiu minha falta? — Indaguei com um sorriso sólido e simples, sentindo seus braços envolverem meu pescoço no mesmo instante. Ela me abraçou com força e saudade e eu a correspondi na mesma intensidade.
— Pensei que você fosse chegar mais tarde. — Disse ela, esboçando animação e surpresa positiva. Então balançou a cabeça logo em seguida como se aquilo não tivesse importância. Afastando-se, ela me direcionou um olhar sincero e afável. — Deus sabe o quanto eu senti sua falta, meu amor. — Sussurrou melancólica, desviando seus olhos para o meu cabelo. Ela sempre fazia isso quando estava nervosa ou não sabia o que dizer. Notei relutante que havia algo de pesado circulando ao seu redor, me chamando a atenção para ela mais do que o normal.
— Você está bem?
— Sim. — Ergueu seus olhos para mim, sorrindo assim que viu minha expressão oscilar. — Agora que você está aqui, estou completamente bem! — Suspirou, assumindo uma expressão firme e verdadeira. Emily pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos, e me puxou até onde suas amigas estavam. Assim que se aproximou da mesa, ela pegou suas coisas com Hanna, dizendo que não ficaria para o quinto período. Uma chama ardente irradiou meu peito, eu ansiava por algum tempo sozinha com ela. Sete dias longe e sem nenhum contato físico me deixaram extremamente carente e necessitada de qualquer contato íntimo que eu pudesse ter com ela.
— Vamos sair daqui. — Disse claramente, aproximando seu corpo do meu, com nossas mãos ainda conectadas. — Eu tenho um plano. — Sussurrou no meu ouvido, sua voz cálida e misteriosa me fez sorrir. Envolvi meus braços ao seu redor e a beijei nos lábios suave, mas demoradamente, até ouvir uma voz meramente familiar chamando meu nome.
— Sam! — Soou novamente uma voz feminina, só que dessa vez mais perto, interrompendo meu breve momento feliz. Virei meu rosto para trás de imediato, logo sendo tomada por um choque repentino. Precisei me concentrar e me lembrar de como respirar. Faye vinha em minha direção, desfilando confortável e com um sorriso rebelde moldando seu rosto impecável. Uma onda de confusão me cegou por alguns segundos, fazendo com que eu a encarasse com curiosidade.
— Ótimo! Era só o que me faltava. — Emily resmungou baixinho, soltando minha mão e afastando alguns passos. Antes que eu pudesse formular qualquer frase, Faye se aproximou o suficiente para me envolver num abraço aparentemente simbólico.
— Mas que surpresa deliciosamente agradável! — Exclamou ela, sorrindo e me olhando de cima a baixo. Seus olhos, verdes como folhas, exaltavam a malícia quase contida. Percebi que ela tinha cortado seu cabelo e que também o descoloriu, deixando algumas mechas em um tom de louro claro e as pontas repicadas. Suas roupas continuavam as mesmas: calça skinny escura, jaqueta de couro e sapatos de salto alto, que dessa vez possuíam uma estampa de onça bem provocante para a ocasião atual. Segurei a respiração por alguns segundos e, quando soltei finalmente, seu cheiro me intoxicou por completo. Ela ainda usava o mesmo perfume de quando nos conhecemos. Um sentimento estranho e indescritível me apunhalou, seguido de nostalgia momentânea.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntei me sentindo um tanto quanto embaraçada assim que ela me soltou e sorriu com ligeira lascívia. — Pensei que você estivesse em Londres. — Concluí pensativa, tirando sua mão do meu pescoço.
— Ah, isso foi antes. — Deu de ombros, fazendo biquinho manhoso de quando pensava em algo inadequado. Um arrepio desconfortável correu pela minha nuca, fazendo com que eu me afastasse educadamente. — Eu estou em Rosewood há semanas, me admira você não saber disso. — Riu insinuante, olhando para além de mim.
— Eu não fazia ideia da sua presença aqui. — Respondi beirando a desdém, mas logo me arrependendo e suavizando novamente quando percebi um fino traço de tristeza e melancolia passar por seus traços, partindo meu coração momentaneamente. — Você está me perseguindo, Faye? — Perguntei com um sorriso presunçoso, porém agradável, assim que ela mudou sua expressão para uma mais amável.
— Isso me tornaria ainda mais irresistível? — Perguntou ela, esboçando um sorriso pretensioso. Nossos olhares ficaram conectados por alguns instantes, me trazendo todas as lembranças peculiarmente felizes que tivemos. Mas tratei de afastá-las da minha mente e pensar em quem realmente importava e que estava tão perto de mim. Escutei alguns cochichos logo atrás de mim, e rapidamente reconheci as vozes como sendo de Aria e Spencer.
— Um pouco assustadora, na verdade. — Disse baixinho, apenas para ela escutar. Faye abriu a boca para dizer algo, mas antes que qualquer palavra saísse, seu celular fez um bipe, tomando sua atenção por alguns instantes. Seu semblante mudou deliberadamente, deixando sua expressão com um misto de raiva e preocupação. Enquanto isso, Emily voltou para mais perto de mim e me puxou um pouco para trás, resmungando alguma coisa que não consegui distinguir ao certo. Ao contrário do que pensei que ela fosse fazer, ela apenas enlaçou meu braço suavemente, fazendo meu pulmão falhar, e deitou sua cabeça no meu ombro, voltando sua atenção para seu celular. Assim que ela o movimentou para cima, pude ver com quem ela estava conversando. Alison.
— Eu preciso ir agora, mas vejo você depois. — Declarou Faye, me tirando a atenção do celular de Emily e me fazendo voltar para ela instantaneamente. Seus olhos voaram para a forma com que Em estava apoiada em mim. E eu não pude decifrar cem por cento sua expressão, quase enciumada, mas ao mesmo tempo perversa. — Você me deve um café, Sam. Mas não se preocupe, eu sinto que vamos nos encontrar com frequência de agora em diante. — Comentou assim que seu olhar correu para mim novamente, sorrindo maliciosa logo em seguida. Ela digitou algo rapidamente em resposta a mensagem que havia acabado de receber e caminhou na direção oposta em que estava vindo, desaparecendo entre os alunos em questão de segundos.
— Sam? — Emily quis saber, me direcionando um olhar exigente. Por um segundo inteiro eu perdi totalmente a fala, não sabia o que dizer. Aquilo era realmente algo que eu não esperava e muito menos imaginava. Então, para que não houvesse incidentes, escolhi utilizar a oração dos sábios: o silêncio.
***
Depois que deixamos seu colégio, Emily não disse uma palavra até eu puxar um assunto qualquer e banal durante o caminho para minha casa. Eu havia ficado fora da cidade e longe dela por uma semana inteira, mas isso não pareceu ser um grande problema para ela. Pelo menos nesse momento pós-Faye. Tentei iniciar um diálogo simples e descompromissado, recebendo em troca respostas quase sempre vagas e indiferentes. O mesmo ar pesado e estreito que eu havia visto circulando ao seu redor mais cedo ainda pairava sobre ela. Eu não queria e nem iria tocar no assunto de Faye estar na cidade, há quanto tempo eu não sei.
— Você sabe que eu não sou ciumenta, certo? — Disparou repentinamente depois de um longo momento de silêncio absoluto. Sua voz soava meio incerta e insegura. Concordei silenciosamente, apenas balançando a cabeça. Eu sabia que ela não queria que eu dissesse alguma coisa, então permaneci calada, escutando-a. — Não sou mesmo... Mas, mesmo assim, eu não gosto dela e não gostei da forma que ela se insinuou para você. — Sua voz saía calma, porém atônita e um pouco enciumada. Eu queria rir, mas segurei fortemente o riso na garganta. Ela se ajeitou, recostando-se no banco, parecendo melancólica assim que parei no sinal amarelo. Alguns pedestres atravessaram apressados na faixa, deixando a rua um pouco mais movimentada.
— Eu não acho que ela estava se insinuando. Aquela é só a forma dela se expressar. — Argumentei suavemente, desviando meu olhar rapidamente do farol vermelho para ela. Talvez eu devesse apenas ficar quieta e não palpitar, deixá-la livre para fazer qualquer tipo de julgamento sobre minha ex-namorada que lhe fosse cabível naquele de, segundo ela, não ciúmes. Houve mais uma pequena pausa e, antes que ela voltasse a falar, tentei mudar o rumo da nossa conversa, sugerindo qualquer coisa para fazermos juntas hoje. Ela concordou em ficar assistindo ao que eu quisesse na TV à cabo. Não achei que ela tivesse realmente escutado o que eu havia dito, assim como não esqueceu o assunto anterior, pois sempre entrávamos em conflito sobre a que assistir. Apesar de Emily adorar todos os tipos de romances possíveis, ela era uma grande fã de filmes sobre zumbis e vampiros que, ao meu ver, eram tecnicamente a mesma coisa: todos mortos-vivos.
— Qual a idade dela? Ela parece ter uns vinte... Não acho que ela tenha mais. — Divagou, cerrando os olhos. Balancei a cabeça fracamente, não contendo um riso. — Samara, cadê a graça? —Encarou-me impaciente, mas ao mesmo tempo sentida. Minha ex-namorada estar de volta à cidade parecia estar afetando-a de alguma forma.
— Você fica uma graça com ciúmes. — Sorri com suavidade, voltando minha atenção para o farol ainda vermelho. Assim que o sinal abriu, seu celular vibrou em cima do painel, chamando sua atenção para ele. Um silêncio confortável se instalou no carro, até eu virar a rua do meu condomínio. Quando chego ao portão, Trisha, a segurança com mais expressão facial de todos os turnos, sorri espontânea assim que abaixo o vidro.
— Boa tarde, Srta. Cook. — Cumprimentou-me ela e logo o portão se abriu. E quando subi a colina, percebi que Emily continuava entretida com seu celular, o que começou a me incomodar.
— Em, com quem você está conversando? — Perguntei suavemente, ainda com a atenção voltada ao trajeto que estava fazendo até a garagem subterrânea do meu prédio.
— Hanna. — Respondeu uniforme, sem nenhum tom vacilante em seu tom de voz. — Ela está saindo com um médico... Ex-namorado das irmãs Hastings. — Comentou vagamente, digitando rapidamente no teclado do seu celular. Pensei a respeito por alguns instantes, digerindo e assimilando o que ela acabara de dizer.
— Ele namorou Spencer e a irmã dela? — Tentei não soar tão surpresa e chocada, mas receio ter vacilado. Emily parou de digitar, deixando seu celular de lado e me fitando pacificamente.
— Na verdade, Wren e Melissa estavam noivos. Spencer o namorou depois que eles romperam o noivado. — Explicou rapidamente, tentando enfiar algum pouco de lógica naquela informação resumida. Tentei não tirar nenhuma conclusão precipitada ou fazer um pré julgamento com base na informação que acabei de receber, mas aquilo era no mínimo interessante.
***
Já estava quase escurecendo quando acordei do meu cochilo e percebi que Emily não estava mais deitada comigo no sofá. Todas as luzes estavam apagadas, fazendo com que o ambiente não ficasse totalmente escuro apenas pelo foco de luz que vinha da televisão e do quarto no andar superior. Levantei rapidamente do sofá, recebendo um golpe forte de vertigem, e meu celular começou a tocar sobre a mesinha de centro, porém não voltei para pegá-lo. Assim que subi as escadas e cheguei até o quarto, vi Emily deitada de lado com uma revista qualquer sobre design artístico perto dela. Apaguei a luz e tratei de me juntar a ela debaixo dos edredons, reparando então que ela não usava mais aquelas roupas pesada de mais cedo, tendo substituído por shorts e camisa de tecidos leves e confortáveis.
— Você demorou. — Reclamou baixinho quando puxei seu braço para minha cintura com cuidado.
— Você me abandonou lá embaixo, no sofá. — Retruquei no mesmo tom, contendo um riso. Ela abriu os olhos lentamente e, com a pouca claridade que ainda restava do dia, consegui enxergar toda sua pureza refletir em mim.
— Mas eu te chamei para vir para cama. Dormiu o suficiente? — Ela quis saber, aproximando seu corpo do meu. O propósito era assistirmos a algum programa que estivesse passando na TV à cabo, já que havia algum tempo que não fazíamos isso, mas eu acabei adormecendo nos primeiros minutos do que quer que estivesse passando no momento.
— Acho que sim... — Respondi um pouco incerta.
— Como foi em Nova Iorque, aliás? — Perguntou interessada, parecendo impedir que a pergunta fugisse de sua mente. Hesitei por um instante, tentando me decidir por qual melhor parte começar, mas me surpreendi ao perceber que não tinha.
— Quer mesmo saber? — Ri fraco, tocando meus lábios nos dela suavemente e acariciando seus cabelos. Não era como se ela realmente quisesse ouvir coisas das quais não entenderia. — Senti muito sua falta. — Sussurrei calidamente para ela, e em menos de dois segundos seu corpo já estava em cima do meu, pressionando firme. Nossos lábios se encontraram imediatamente, enroscando nossas línguas com extrema volúpia e necessidade. Desci minhas mãos pelas suas costas até suas coxas, pressionando-as contra meu corpo quente. Seus lábios logo deixaram os meus, tomando posse do meu pescoço e sugando a pele com força. Deixei um gemido fraco e baixo ecoar dos meus lábios, emaranhando meus dedos entre seus cabelos.
— Podemos resolver isso. — Provocou, afastando-se de mim e sentando sobre os joelhos. Não estava tão escuro a ponto de eu não conseguir enxergá-la, pelo contrário, com alguns focos de luz entrando pela janela exposta eu conseguia ver a figura rígida de Emily diante de mim. Rapidamente, ela tirou sua camisa e a jogou de lado, logo me puxando para cima dela. Assim que meu corpo repousou no seu, senti minha excitação aumentar rapidamente; ela estava sem sutiã. Sem pausas, logo senti seus lábios tomarem os meus e suas mãos descerem com pressa pela minha barriga até chegar ao cós do meu short, onde ela desatou rapidamente os botões. Num movimento rápido e articulado, ela tirou meu short e, então, minha blusa. Estávamos indo muito depressa e, por mais que eu quisesse fazer devagar e com calma, meu corpo correspondia com intensa necessidade aos ousados toques de Emily.
— Posso me livrar disso? — Sussurrei suavemente, mas deixando transpassar todo meu desejo e luxúria. Ela sorriu e afastou seu corpo rapidamente, me dando espaço para fazer o mesmo que ela havia feito. Tiramos o que restava de nossas roupas e encostei nossos corpos novamente, beijando sua boca com extrema sensualidade e malícia. Emily levou sua mão à minha nuca, puxando e arranhando de leve enquanto sua mão livre passeava entre nossos corpos, alisando minha barriga e descendo até minha virilha, onde não vacilou e me penetrou assim que afastei minhas pernas para ela. Deixei um gemido rouco e baixo escapar contra sua boca, mordendo seu lábio com força, pressionando ainda mais meu corpo contra o seu e sentindo seus dedos se aprofundarem em mim. Nossas línguas roçavam eroticamente, assim como meu corpo no seu. Da mesma forma que minhas mãos agiam, meus lábios desciam e voltavam dos seus até o pescoço, sugando e mordendo a pele com força enquanto minhas mãos buscavam o máximo desse contato direto até chegar num momento onde nossas respirações e gemidos não se distinguiam mais, tornando-se um só. Emily gemia baixo contra meu seio, o que me motivou arranhar seus braços e costas com força extrema. Minha umidade apenas aumentava conforme seus movimentos ficavam mais firmes e contínuos, me levando rapidamente a um intenso e forte orgasmo.
Deixei meu corpo desabar sobre o seu no intuito de descansar, sentindo meu coração batendo violento e fora de ritmo. Beijei sua boca novamente e nossas línguas voltaram a se encontrar, movendo-se lentamente enquanto tentávamos estabilizar nossas respirações. Enrosquei minha mão no seu cabelo, acariciando seu corpo suavemente. Eu podia sentir meu corpo cansado, mas não a ponto de me sentir completa e satisfeita, então recomecei todas as carícias novamente.
— Podemos ir para o chão dessa vez. — Sugeriu Emily docemente, acariciando meu rosto devagar. Pressionei meu corpo ainda mais no dela, deslizando minha mão pela sua coxa nua enquanto meu olhar mantinha o seu. Antes que eu pudesse responder, seu celular começou a tocar em cima do criado mudo ao lado da cama, desfocando sua atenção para o aparelho. Eu estava começando a perceber que grande problema seu celular estava me saindo.
— Melhor atender. — Tentei esmagar a decepção no meu tom de voz assim que ela me lançou um olhar de quem perguntava se eu me importava. Fiz um grande esforço para balançar a cabeça negativamente, passando por cima do meu desejo. Saí de cima dela sem me preocupar em mostrar desânimo enquanto ela foi rapidamente apanhar seu celular, atendendo-o quase na mesma rapidez.
— Ei, Spence. O que foi? — Disse ela, sentando-se na cama de costas para mim. Eu claramente estava sendo beneficiada com a visão de suas costas nuas para mim. Pensei em continuar deitada esperando, mas, quando dei por mim, eu já estava junto dela, afastando seu cabelo para o lado e beijando sua nuca devagar. Suguei seu pescoço com força, voltando para sua nuca e deslizando meus lábios pelas suas costas, agora toda arrepiada. Emily parecia bem equilibrada enquanto respondia as perguntas de Spencer, o que me motivou a intensificar meus carinhos e levar minhas mãos à sua barriga, arranhando de leve e subindo até seus seios firmes, onde apertei e massageei intensamente. Eu quase pude sentir Emily contendo um gemido rouco e baixo. — Espera só um pouco, amor. — Pediu com dificuldade, virando seu rosto para mim.
— Oh, droga! Vocês estão... — Escutei Spencer dizer ligeiramente incrédula do outro lado da linha. Eu estava tão perto de Emily que eu podia escutar tudo o que ela falava, mas não fazia questão de prestar atenção, já que não era da minha alçada. Levei minha boca até seu outro ouvido, roçando meu lábio inferior no seu lóbulo e sussurrando:
— Oh, nós estamos! — Confirmei, deixando meu sotaque australiano transparecer, já que eu sabia esse era o ponto fraco dela. Emily não conseguiu conter um riso, que durou apenas dois segundos antes de voltar a ficar séria. Mas, mesmo assim, mexeu-se contra meu corpo, colando ainda mais nossas peles e aumentando meu nível de excitação.
— Spencer, não se preocupe, está bem? Amanhã eu passo na casa dela. Tenho que desligar agora. — Despediu-se apressada, largando o celular de qualquer jeito e voltando para mim. Envolvi sua cintura e a puxei para um beijo, colando nossos corpos. Rocei meu lábio inferior no seu, deslizando minhas mãos pelo seu corpo e apertando a parte de trás das suas coxas com força, resultando em gemidos fracos ecoando de nossos lábios. Eu estava tão ansiosa para o que estava por vir que sussurrava tudo o que viesse à minha mente, mas sem fazer ideia do que realmente acabara de dizer. Deitei-a de costas na cama, ficando por cima e roçando nossos corpos fracamente.
— Quero sentir seu gosto, amor. — Sussurrei com a voz cheia de malícia e lascívia, beijando sua boca na mesma intensidade e, logo em seguida, descendo com meus lábios por toda a extensão do seu tronco, onde mordi e suguei sua barriga com força, ciente de que ficaria marcado. Afastei suas pernas delicadamente, estimulando-a com o dedo primeiro e sentindo sua umidade aumentar rapidamente. Então eu soube que, uma vez que eu a tocasse com a minha língua, seu ápice não demoraria. Levei minha mão ao seu seio, acariciando e massageando intensamente enquanto minha língua deslizava pela sua coxa interna, fazendo-a gemer sonoramente.
— Vá em frente. — Gemeu ofegante, abrindo ainda mais suas pernas e mostrando ser muito mais do que um convite. Isso foi o suficiente para me fazer tocá-la instantaneamente, sentindo sua umidade aumentar conforme pressionava minha língua contra seu sexo quente e rígido. Emily gemeu alto, arqueando seu corpo com força e arranhando meu braço na mesma intensidade impulsiva, provocando uma ardência quase no mesmo segundo. Comecei a fazer movimentos rápidos e precisos, vez ou outra, forçando na sua entrada úmida e apertada, buscando por luxúria mais lubrificação. Da mesma forma que ela arranhava meu braço, eu arranhava sua coxa e puxava seu corpo para baixo, pressionando ainda mais minha língua no seu sexo e recebendo diversos gemidos sonoros e violentos arranhões em troca. Eu poderia chegar ao orgasmo somente com os sons que Emily emitia de seus lábios. Como eu previa, não demorou muito para que o clímax do seu prazer chegasse, fazendo seu líquido escorrer entre suas pernas e deslizar pela minha língua, logo me dando margem para poder absorvê-lo rapidamente.
Subi com meus lábios até seu seio, roçando meu lábio inferior no seu mamilo já rígido e suguei com força, logo em seguida mordiscando de leve enquanto Emily controlava sua respiração ofegante aos poucos. Minhas mãos percorriam toda a extensão de seu corpo com carícias profundas e inquietas, procurando por algo mais. Ela pegou meu rosto entre suas mãos e me puxou para um beijo lento e dedicado, emaranhando seus dedos entre meus cabelos úmidos pelo suor. Correspondi ao beijo com a mesma intensidade, repousando meu corpo quente sobre o seu. Parei o beijo e a estudei por alguns instantes, reparando o quão pensativa ela estava.
— No que está pensando? — Perguntei suavemente, sorrindo para a sensação dos seus dedos brincando distraidamente com algumas mechas do meu cabelo.
— Seu cabelo cresceu. — Sussurrou com a voz nitidamente rouca, observando os longos fios atentamente. Enterrei meu rosto no seu pescoço, inspirando seu cheiro de lavanda preguiçosamente e sentindo a vontade de nunca mais sair de perto dela. — Hanna já te perguntou se você pinta o cabelo?
— Já. — Abafei um riso contra seu pescoço, mordendo a pele carinhosamente em seguida, fazendo-a rir também. — Ela me perturbou com isso durante semanas. — Emily deixou uma risada mais aguda ecoar dos seus lábios, concordando com a cabeça. Selei seus lábios suave e demoradamente, sentindo seus braços envolverem meu pescoço e sua mão arranhar minha nuca de leve. — Eu amo sua risada. — Confessei, fitando-a nos olhos. Ela suspirou cansada, mas ao mesmo tempo graciosa, e beijou minha testa afavelmente.
— Eu detesto quebrar esse clima pós-sexo maravilhoso, mas estou com fome. — Resmungou sem quebrar o contato visual e parar as carícias que fazia no meu rosto. Levei meus lábios até seu ouvido, sussurrando calidamente:
— O que você quer comer? — Pude sentir seu corpo se arrepiando por inteiro e logo em seguida sua mão se deslocando do meu quadril até meu seio e massageando devagar, porém com ritmo intenso. Não consegui conter um gemido rouco e forte contra seu ouvido com o toque ousado. Deslizei meu lábio inferior pelo seu pescoço, subindo novamente até seu rosto e beijando sua boca de língua. Encostei ainda mais meu corpo no dela, colando e roçando intensamente nossas peles.
— Eu quero pizza. — Interrompeu o beijo, me fitando com os olhos calmos e brilhantes. Abri a boca para protestar, mas uma ideia perfeita para saciar meu desejo me ocorreu antes que qualquer palavra saísse.
— Tudo bem, então, vamos tomar banho. — Sorri animada, selando seus lábios rapidamente e saindo de cima dela, levantando-me logo em seguida.
— Pode ir primeiro. — Virou para o outro lado, aconchegando sua cabeça no travesseiro e suspirando profundamente.
— Você está brincando, certo? — Perguntei esperançosa, voltando para cama novamente e me deitando ao seu lado. Ela virou seu tronco para trás, me fitando com um sorriso zombeteiro e pulou em cima de mim.
— É claro que estou! — Afirmou suavemente, aproximando seus lábios dos meus e os selando demoradamente, transmitindo uma carga elétrica por todo meu corpo.
***
Assim que terminamos de tomar banho e saciei a fome de comida que Emily sentia, sentamos sobre o tapete felpudo branco da sala e começamos a jogar um de seus jogos favoritos, Uno. Essa noite Emily estava visivelmente mais agitada do que de costume, o que me fez ficar de olho nas suas diferentes formas de insinuar suas vontades. Como eu nunca havia jogado Uno em toda minha existência, ela deixou claro antes que começássemos a jogar que aquilo não afetaria nossa relação e que era apenas um jogo. De início, claro, eu não entendi o que isso poderia significar, mas comecei a compreender conforme todo o drama de perder e ganhar se desenrolava. Na maior parte das vezes eu ria escandalosamente quando ela não colocava crença sobre minhas vitórias limpas, julgando saber que eu havia trapaceado.
— Você agiu de má fé! — Acusou ela, chateada por eu ter jogado um “+4” quando ela não tinha a mesma carta para devolver. Eu não podia conter as enormes gargalhadas com suas indignações sobre a forma que eu jogava. — Estou falando sério, Samara, tem alguma coisa acontecendo. Você não era assim.O que houve com sua genuína gentileza?
— Você sabia que eu não tinha amarelo e jogou essa cor só para eu comprar mais cartas e você poder ganhar.Vamos analisar novamente quem está agindo de má fé aqui. — Rebati calmamente, arrumando minhas cartas por ordem numérica e erguendo os olhos com um sorriso sólido moldando meus lábios. Ela se calou por alguns instantes, corando fracamente e dando de ombros em seguida. Outras rodadas vieram trazendo mais discórdia contida entre nós, mas que eu sabia que poderia se resolver depois que acabássemos o jogo. Emily se mostrava uma autêntica viciada em sempre querer vencer, não aceitando suas derrotas como uma honrada competidora. Conforme o jogo transcorria, eu fazia questão de mexer com seu humor para melhor, fazendo-a rir e tornando o momento agradável e confortável.
— É só um jogo, de qualquer forma. — Fingiu indiferença quando percebeu que eu estava com treze vitórias à frente das suas sete. Ela abandonou suas cartas e foi para o sofá, sentando-se de frente para mim, ainda no chão. Ajoelhei-me de frente para ela, apoiando meus braços na beirada do sofá.
— Certamente, minha menina adorável. — Sorri sincera, suspendendo meu corpo e a beijando nos lábios suavemente. Ela levou sua mão à minha nuca, aprofundando nosso beijo e me puxando para ela de modo me fez ficar entre suas pernas. Apertei sua coxa delicadamente, deslizando minha língua pelo seu lábio inferior, descendo seu queixo e chegando ao seu pescoço, onde suguei e mordi com violência contida. Pressionei seu corpo contra o sofá, colando nossas peles no processo. Voltei a beijar sua boca com mais urgência e fervor, sugando sua língua na mesma intensidade. Abri meus olhos e afastei meu rosto do dela, visualizando um brilho diferente em suas íris negras. — Eu quero perguntar uma coisa... — Disse fracamente, suspirando como se tivesse corrido dois quilômetros incessantes numa maratona.
— O quê? — Ela quis saber, ajeitando-se no encosto do sofá e acariciando meu cabelo.
— Se você tivesse que escolher entre Alison e eu... Quem seria? — Sussurrei com dificuldade, sentindo meu coração prestes a explodir com tamanha adrenalina. Emily arqueou as sobrancelhas, mostrando-se despreparada e completamente desarmada. Desviei meus olhos dos dela e fixei sua mão sobre a minha, acariciando seu dedo indicador. Eu temia sua resposta por talvez já conhecê-la.
— Eu não posso escolher entre minha namorada e minha melhor amiga. — Respondeu com os olhos cravados em mim. Um bolo inquebrável se formou na minha garganta, me forçando a fechar os olhos e absorver aquilo em silêncio por alguns segundos.
— Nós duas sabemos quem são suas melhores amigas e Alison não está entre elas. — Retruquei estranhamente calma, sentindo meu coração se dividir em pedaços. Meu pulmão parecia estar preso entre ferragens, sendo impedido de liberar ar. — Apenas seja sincera. Quem você escolheria?
— Eu... — Pausou, aparentemente relutando a responder.
— Obrigada. Isso era tudo o que eu precisava ouvir. — Disse friamente, me afastando e deixando sua companhia. Fui para o quarto carregando a sensação de que havia perdido um órgão. Eu sentia como se Emily fosse parte de mim. Sabia da minha capacidade de torná-la melhor e independente, tirando-a sutilmente das sombras de Spencer e Alison. Porque crescer significa isso: independência. E por mais que eu soubesse da minha capacidade de fazê-la crescer, eu também sabia do risco que eu corria de ser deixada novamente depois de tudo feito. Foi assim com Faye e poderia ser assim com Emily. Alguns finais podem levar um tempo para se revelarem, mas isso não os torna mais fáceis de ignorar — ou suportar.
Notas finais
O que acharam? Compartilhem seus sentimentos/pensamentos, porque meu coração está literalmente em pedaços, juro. Sou uma shipper Samily ASSUMIDA e estou meio que sofrendo agora. Enfim, até o próximo.
Fale com o autor