This Must Be Love
18 I Will Keep Us Together Whatever It Takes.
Notas iniciais
Numa tarde de domingo, enquanto o céu de Rosewood mudava de azul-escuro para púrpura pálido e o ar na varanda dos Fields cheirava à lavanda e mel, eu esperava pacientemente que Emily aparecesse. Ainda não havia dado os quarenta minutos que eu havia sugerido quando nos falamos mais cedo. Eu ansiava vê-la o mais rápido possível, as poucas horas que fiquei sem ela foram tristes e nostálgicas o suficiente para que eu pudesse vir correndo. Às vezes, penso que seria mais fácil se pudéssemos nos relacionar sem esperar nenhum tipo de sentimento além de uma bela amizade. Mas o amor é arrogante, não aceita se transformar. Escutei a porta se abrir atrás de mim e me virei rapidamente. Emily apareceu na varanda. Ela usava jeans escuros, uma jaqueta índigo e uma bolsa creme pendia no seu ombro direito. Seus cabelos caíam descuidados sobre os ombros, fazendo com que as pontas clareadas ficassem mais visíveis. Assim que ela me viu, me lançou um sorriso divertido e amoroso. Emily trancou a porta de sua casa e veio ao meu encontro, jogando seus braços em torno do meu pescoço. Abracei sua cintura e apertei seu corpo contra o meu de forma delicada. O cheiro delicioso dos seus cabelos invadiam minhas narinas juntamente com o cheiro inebriante de sua pele morena. Graças ao meu salto alto, eu estava alguns poucos centímetros mais alta que Emily.
— Você está adiantada. — Sussurrou no meu ouvido. Fitei seus olhos rapidamente e selei nossos lábios demoradamente, mas sem aprofundar o beijo. Apenas um selinho carente e amoroso. — Você está tão cheirosa. — Suspirou, enterrando seu rosto no meu pescoço com um riso gostoso. Ela deixou um beijo casto e voltou com sua face para perto da minha, me fitando nos olhos incisiva.
— Eu senti sua falta. — Comentei, afastando seus cabelos dos olhos. Ela sorriu, tombando sua cabeça graciosamente para o lado, me fitando desconfiada. — Verdade.
— Eu acredito. — Afirmou, brincando com as pontas onduladas do meu cabelo. Eu tinha uma pequena noção sobre seu declínio para com eles. Ri enquanto sentia seus dedos deslizarem dos meus cabelos até meu pescoço, alisando a pele com carinho. Meu coração batia descontroladamente com suas carícias delicadas e distraídas. Peguei sua mão, tirando-a com gentileza do meu pescoço, e a coloquei sobre meu peito, fazendo com que ela sentisse com nitidez as batidas descompassadas. Ela sorriu abertamente, parecendo contente e satisfeita com a novidade. Não dissemos nada uma para outra. Palavras seriam desnecessárias e inúteis, não aquietariam os diversos sentimentos bons que Emily me causava. Sua presença servia como combustível para minha ânsia de ter alguém especial ao meu lado. Ela me tirou da solidão que me enfiei desde que terminei a faculdade. Não havia um motivo específico para eu ter me afastado do convívio em sociedade. Ou teve. Desde que Faye me largou por algum motivo que até hoje desconheço, eu passei a viver numa espécie de hospício pessoal. Eu deveria ter acreditado demais que iríamos dar certo, e demos. Mas teve algo mais forte que impulsionou sua partida repentina e, por algum tempo, eu fiquei parada. Esperando e procurando por alguma coisa que talvez nunca estivesse de fato ali, ou talvez nunca existiu de verdade. Era só um tempo que ela precisava e ela o solicitou. Apenas para pensar, ela repetia as palavras, tentando colocar uma pitada de verdade, talvez. Eu me interrompia nessas palavras evasivas. O tempo era de mim. — Samara? — Chamou Emily. Senti sua mão no meu rosto, puxando-o levemente para que eu olhasse para ela. Seus olhos cheios de preocupação me comoveram.
— Desculpe, eu ainda estou um pouco lenta. — Disse, colocando minha mão sobre a sua. — Eu juro que não sei o que houve comigo ontem. — Vasculhei cada janela da minha mente à procura de algum fragmento sequer da noite passada, mas nada. Não era possível que eu pudesse simplesmente ter apagado e não me lembrar de nenhum detalhe sequer do que pode ter ocorrido. As poucas imagens que guardo no banco de dados da memória estão uma bagunça. Eu não sei se foi um sonho ou se aconteceu. Faye não pode ter aparecido tão de repente na minha casa, eu lembraria se fosse verdade. Foi apenas um sonho.
— Podemos esquecer isso? Por favor. — Ela pediu, fazendo biquinho. — Eu me envergonho da noite de ontem. — Murmurou quase inaudível. Franzi o cenho, intrigada.
— Mas você não disse que não se lembrava da noite passada? — Ela abriu a boca, parecendo desconcertada e arrependida pelo que disse, mas logo a fechou.
— Memórias fragmentadas. — Se corrigiu rapidamente, puxando minha mão para que começássemos a andar em direção ao carro. — Estão começando a surgir lentamente. — Assenti, passando os olhos pelo grande carvalho que ficava do outro lado da rua. Emily soltou minha mão e foi para o outro lado do carro, abrindo a porta e sentando-se no banco do passageiro assim que destravei as portas. Eu ri dos seus movimentos articulados e inconscientemente sedutores. Entrei no carro e me acomodei no banco do motorista ao seu lado, coloquei o cinto rapidamente enquanto ela fazia o mesmo.
— Aonde você quer ir? — Tamborilei os dedos no volante do meu Kia Sportage, distraída. Observei uma moça bem aperfeiçoada, com fones estrategicamente bem arraigados nos ouvidos e com uma jaqueta de corrida verde Puma enquanto fazia uma série de alongamentos apoiada no grande bordo do jardim da frente, e um senhor de idade passeando com seu Pastor Alemão na calçada mais adiante. Voltei minha atenção para Emily, que no momento estava colocando seu celular no modo silencioso. Ela me fitou sorridente e animada.
— Ao King James. — Provocou. Olhei para ela, intrigada.
— Mas não íamos almoçar? — Perguntei, tirando uma mão do volante e pegando a dela.
— Nós vamos. — Afirmou segura. — Mas primeiro vamos fazer compras. — Demorei alguns instantes para poder processar o que ela acabara de dizer. Emily não gostava de fazer compras. E eu não a julgava por tal fato, embora eu ficasse em cólicas quando ela se recusava a me acompanhar quando eu as fazia. Mas ganhei Hanna como uma boa aliada e companheira de compras e também da moda. Ela era uma espécie de caixinha de surpresas. Sua perspicácia e desenvoltura em relação à visão do quesito estilo e modernidade era notável. Eu não possuía essa familiaridade que ela possui quando tinha a idade dela.
— Não brinca. — Ri, me ajeitando no banco confortável para fitá-la nos olhos.
— Estou falando sério. — Ela abaixou os olhos para nossas mãos entrelaçadas, parecendo pensar no que diria a seguir. — Eu sei que você adora fazer compras, e eu só quero te fazer feliz. — Arqueei minhas sobrancelhas, surpresa e feliz ao mesmo tempo. Sua expressão de sinceridade não se alterou, o que me impulsionou a puxá-la para mais perto. Cheguei com meu rosto bem próximo do seu, beijando seus lábios com suavidade e um pouco de saudade. Sua mão veio de encontro ao meu pescoço, aprofundando ainda mais nosso beijo lento e cheio de calor. Senti a ponta de sua língua tocar a minha com cautela, como se ela estivesse apenas brincando. Eu ri no meio do beijo. Ela colocou seu joelho esquerdo no banco, logo pulando em cima de mim e sentando no meu colo. Senti seus dedos se emaranharem entre meus cabelos enquanto ela mantinha nossos lábios conectados e em movimentos. Levei minhas mãos para o seu quadril, puxando seu corpo contra o meu com necessidade. Seus lábios desceram para o meu pescoço, sugando a pele com força. Um gemido rouco escapou dos meus lábios quando senti suas mãos deixando meus cabelos e descendo pela minha barriga, ainda por cima da blusa.
— O que você aprontou? — Zombei, puxando seu lábio inferior com os dentes. Emily afastou seu rosto do meu vagarosamente. Seus olhos negros estavam profundos e expressivos. Meu coração pulsava devagar contra meu peito. Eu ainda duvidava de todos os sentimentos e sensações que ela me trazia, e de forma tão doce e natural. Seu olhar amoroso e cheio de condescendência me fez sentir as famosas borboletas no estômago.
— Eu devo desconfiar das vezes em que você me agradar? — Ela questionou com os olhos semicerrados. Eu ri, levando minha mão ao seu rosto e o afagando com polidez. Sua pele quente e macia fazia a ponta dos meus dedos formigarem. Com a minha outra mão, peguei a sua e entrelacei nossos dedos, deixando nossas mãos suspensas no ar.
— Meus olhos só estão em você. — Garanti, beijando seus lábios demoradamente. Ela sorriu. Um sorriso tímido e acolhedor, que servia de adrenalina para meu sangue. Emily desenlaçou nossas mãos e a levou para debaixo da minha blusa, tocando minha barriga lisa com seus dedos gélidos. Minha pele se arrepiou quase automaticamente com o poder do seu toque suave. Seu lábio inferior roçou preguiçosamente no meu superior, me dando margem para que eu pudesse sugá-lo. Ela se afastou e tirou sua jaqueta índigo, jogando no banco do passageiro. O enorme coração que havia estampado na sua camisa de manga comprida branca me chamou atenção. Eu sorri, achando-a um charme. — Podemos ir? — Perguntei, mordendo seu queixo devagar. — Eu não quero que você mude de ideia.
— Eu não vou. — Garantiu, beijando minha boca com ardor. Senti sua língua tocar o céu da minha boca devagar, num ritmo quente. Cada movimento que seus dedos faziam entre meus cabelos fazia com que uma pequena chama se acendesse dentro do meu ser. Levei minhas mãos às suas coxas, puxando e apertando com urgência. Deixei com que uma delas deslizasse até os botões da sua calça jeans, passando a desatar um por um, pacientemente. Emily escorregou sua mão do meu cabelo, descendo lentamente pelo meu peito e pairando sobre meu seio direito. Deixei um gemido abafado pelo beijo ecoar dos meus lábios quando senti suas carícias se aprofundarem. Assim que terminei de desatar os botões do seu jeans e fiz menção de tentar retirar sua calça, ela segurou minha mão e afastou seus lábios dos meus. Seu sorriso malicioso e provocativo aumentou ainda mais minha excitação. Emily ajeitou meu cabelo e passou seus dedos pelos meus lábios, tirando o excesso de brilho labial que ficara dos seus por conta dos beijos quentes. Ela não pareceu que iria continuar o que estávamos fazendo. Abri a boca em protesto, incapaz de formular uma frase sequer. Sentia meu corpo fervilhando de desejo e ela sabia desse efeito que teve sobre mim. Puxei seu corpo para perto do meu novamente, tentando algum contanto físico mais íntimo, mas ela se afastou. — Você não quer que eu mude de ideia, lembra? — Riu, beijando minha boca rapidamente.
— Emily... — Comecei, me sentindo quente e incapaz. — Você me provocou e agora quer sair de fininho? — Resmunguei, entornando sua cintura com firmeza quando ela fez menção de sair do meu colo para voltar ao banco do passageiro. Seus dedos deslizaram pela minha face, num gesto de carinho. E seus olhos estavam puros e calmos, o que fez meu coração bater fracamente.
— Eu quero sair com a minha namorada. — Disse, aproximando seu rosto do meu. — Fizemos sexo quatro vezes em menos de vinte e quatro horas. Temos que nos socializar. — Sussurrou. Seus lábios estavam quase tocando os meus, enquanto seus olhos fitavam fixamente os meus.
— Mas isso foi sexta-feira. — Tentei argumentar num alento. — Hoje é domingo. Faz um dia inteiro que não fazemos nada. — Ela riu da minha quase infantilidade. Suas mãos estavam segurando meu rosto com firmeza, forçando-me com gentileza a olhá-la nos olhos.
— Talvez mais tarde. — Ela deu a possibilidade, fazendo minhas expectativas se resumirem a nada. Eu odiava esse talvez. Emily se desprendeu dos meus braços e voltou para seu lugar ao meu lado com um sorriso de menina travessa. Muito a contragosto, dei a partida, pegando um caminho menos movimentado para o shopping. Vi, pela minha visão periférica, ela abotoando sua calça e ajeitando seus cabelos. Eu não estava contente, não mesmo. E ela sabia disso. Emily colocou um CD no som do Kia. Uma linha de violão encheu o carro, seguido de uma batida com ligeira melancolia e logo menos a voz fina e calma do cantor. Emily começou a cantar imediatamente.
— Justin Timberlake? — Ri incrédula.
— Melhor que Justin Bieber. — Respondeu distraída. — Eu sou obcecada pelo Justin desde que eu estava no sétimo ano. — Ela se movimentava de acordo com a batida lenta da música, o que me fez parar para observá-la enquanto o farol estava vermelho.
— Não vejo diferença entre ambos. Os dois são irritantes na mesma proporção. — Provoquei, olhando pela janela da sua porta. Ela, em contrapartida, deu de ombros enquanto murmurava o refrão. Quando parei o carro no estacionamento do Shopping King James, a música havia acabado e começado outra, mas, dessa vez, o ritmo que começou era dançante e envolvente. Shakira, talvez. Olhei a tela do som, La Tortura, podia-se ler. Eu não fazia ideia de como se pronunciava, mas Emily parecia saber a letra da música latina. — Essa música fez muito sucesso na Austrália quando eu tinha a sua idade. — Comentei distraída. Ela me fitou com uma expressão divertida no rosto e balançou a cabeça devagar, com um riso preso na garganta. Às vezes, eu me esquecia que Emily tem apenas dezesseis anos, e me perguntava se a nossa diferença de idade era tão gritante assim.
O estacionamento do shopping estava lotado. Havia uma loja Home Depot à esquerda, as portas da Bloomingdale's ao centro, e o setor de luxo, com lojas como Louis Vuitton e Jimmy Choo, ficava à direita. Quando saímos para o ar frio da tarde, ouvi um choramingo infantil. Uma garotinha loira que estava saindo do carro com seus pais implorava por um computador com as cores do arco-íris. Ela puxava a barra da blusa de sua mãe, que estava ao telefone, insistente, enquanto a mesma apenas fazia um sinal com a mão, como se estivesse pedindo para que ela esperasse. Eu observei a cena por mais alguns instantes até Emily tocar meu braço.
— Vamos. — Disse, lançando um último olhar para a menininha. Emily tinha recolocado sua jaqueta e a fechado. Começamos a andar e ela se aconchegou em mim com frio. Logo senti sua mão procurando pela minha e entrelaçando nossos dedos. Não consegui evitar um sorriso. Entramos na Otter, uma das minhas butiques favoritas, que ficava entre as lojas Cartier e Louis Vuitton, inalando o perfume das velas aromáticas. Uma música da Fergie tocava nos alto-falantes, e araras cheias de modelos Catherine Malandrino, Nanette Lepore e Moschino se estendiam à minha frente. Suspirei, me sentindo feliz. As jaquetas de couro eram brilhantes e luxuosas. Os vestidos de seda e as echarpes diáfanas pareciam tecidos em ouro. Emily olhava distraída para o lado de fora da loja, ainda com sua mão entrelaçada na minha. Sasha, uma das vendedoras, me viu e acenou para mim. A última vez que eu vim aqui foi com Hanna. E Sasha é a vendedora favorita dela. Emily soltou minha mão e foi para o outro lado da loja, enquanto Sasha puxava conversa comigo. Não podia negar que ela era a simpatia em pessoa, mas, segundo Hanna, ela estava flertando comigo. Agora, observando melhor, era possível dizer que ela poderia estar certa. Eu imediatamente selecionei alguns vestidos, deliciando-me com o som que os cabides de madeira faziam quando colocados juntos.
— Eu preparei uma sala com algumas das minhas escolhas favoritas. — Virei-me para trás e Emily estava parada bem ao meu lado. Seu sorriso empolgado e travesso me fez rir. Hoje seria um ótimo domingo. Dirigi-me até o único provador que tinha a cortina de veludo amarrada do lado. Algumas roupas pendiam do cabide próximo ao espelho. Havia um par de calças de couro pretas, justas e de cintura alta. Antes de conferir as outras, eu deixei uma gargalhada ecoar pelo provador. Emily me lançou um olhar pidão e malicioso.
— Não vou usar isso. — Ela fez uma cara decepcionada. Balancei a cabeça com descrença. — Vou escolher algumas coisas para você. — Disse. Ela fez que não, me fitando entediada.
— Não gostei de nada daqui. — Seus olhos inspecionavam o ambiente, parecendo desgostosa. Aquilo não fazia o tipo de Emily, mas, mesmo assim, ela se dispôs a vir comigo. Isso era uma prova e tanto de... Algum tipo bom de sentimento, certo? Fechei as cortinas e não pude evitar um sorriso. Coloquei minha bolsa de veludo cor de ameixa num banquinho de couro e tirei minha jaqueta e blusa, ficando apenas de sutiã, quando a cortina se abre e a cabeça de Emily aparece.
— Não aguentou esperar? — Ri, tentando desatar o fecho do meu sutiã, mas falhando. Ela entrou no provador e me ajudou, tirando a peça com cuidado. Senti sua mão deslizar pela minha barriga nua, fazendo a pele se arrepiar. Uma onda de excitação percorreu meu ventre quando senti seus lábios roçarem levemente contra minha nuca.
— Seria uma boa fazermos amor agora, não seria? — Ela sussurrou no meu ouvido, sua voz rouca denunciava certa necessidade. Vi aí uma chance de me vingar. Virei-me para ela e beijei sua boca com urgência. Minha língua invadia sua boca enquanto suas mãos desciam pelas minhas costas despidas. Emily me encostou na parede de mármore frio, descendo com seus lábios até meus seios expostos. Repreendi um gemido rouco quando senti sua língua tocar meu mamilo rígido e arrepiado. Seus dedos foram em direção ao zíper da minha calça, desatando o primeiro botão, o segundo e abaixando minha calça enquanto seus lábios desciam pela minha barriga. Eu sabia exatamente qual caminho eles iriam tomar e, por mais que eu quisesse e precisasse continuar, não era um bom lugar. Segurei seu rosto e o puxei para cima, fazendo com que seus lábios viessem de encontro aos meus. Ela passou seus dedos levemente entre minhas pernas, me deixando ainda mais excitada. Separei nossos lábios com dificuldade e fitei seus olhos, debochada.
— Talvez mais tarde. — Ela me lançou um olhar penoso, como se estivesse implorando silenciosamente. Eu neguei com a cabeça e me afastei, tirando a calça e pegando o vestido que eu havia escolhido. Ela bufou e saiu do provador com ligeira irritação. Eu ria sem conseguir esconder meu divertimento pela situação em si. Depois de alguns minutos, eu deixei o provador com os vestidos que eu havia provado e que me caíram bem pendurados no braço. Emily estava empoleirada no banco perto dos espelhos triplos. Sua cara emburrada e ressentida me causou certo pesar. — Você está zangada? — Perguntei, me aproximando dela.
— Estou. — Disse num tom gélido. Senti um nó se formar na garganta com a restrição na sua voz. Cheguei com meu rosto bem próximo do seu para lhe dar um beijo e ela virou o rosto, olhando indiferente para fora da loja. Um aperto forte tomou meu peito com seu gelo e apenas me afastei. Fui até o balcão pagar pelos vestidos e foi Sasha quem me atendeu. Seu sorriso amistoso e acolhedor fez com que eu me sentisse confortável. Enquanto ela passava o cartão e colocava os vestidos na sacola da Otter, Emily veio até mim e me puxou para ela. Seus braços entornaram minha cintura e ela beijou meus lábios rapidamente, com um olhar arrependido.
— Desculpa. — Pediu ela. — Eu não deveria ter sido cruel com você hoje mais cedo e nem ter agido como uma criança mimada e birrenta como eu fiz há poucos minutos. — Suas palavras me convenceram. Ela beijou minha boca com suavidade, afastando meus cabelos dos olhos. Eu sorri num gesto de remissão. Levei meus lábios até seu ouvido:
— Está tudo bem. — Sussurrei, mordendo sua orelha fracamente.
— Essa noite nós teremos o melhor sexo. Prometo. — Ela sussurrou de volta com sua voz rouca e sensual. Senti meu coração pulsar violentamente contra meu peito, e era sempre assim, meu coração sempre acelerava quando eu falava com ela ou quando eu apenas escutava sua voz. Os meus olhos estavam deslumbrados, toda vez que eu os fechava era o seu rosto que me aparecia. E sempre tão puro, calmo e angelical. Sempre de uma forma única que eu mesma criei. Emily não estava nos meus planos, assim como também não estava nos meus planos me apaixonar. Mas aconteceu. E mesmo que não ficássemos juntas para sempre. Mesmo que terminássemos semana que vem. Eu estava amando sentir todas essas sensações. Era bom se sentir viva e reinventada, e eu faria o que fosse preciso para nos manter juntas.
Notas finais
Até o próximo. (: xx
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