This Must Be Love

27 Heaven Knows I'm Miserable Now.


Notas iniciais
Oh, Deus... Esse capítulo! Acho que o nome já diz tudo, não? :o
Não quero, e nem vou, prolongar isso aqui. Portanto, boa leitura! :)

— Ali, a música. — Resmunguei baixinho, deitada de costas em sua cama e com as mãos cobrindo meu rosto. Eu não estava me sentindo muito bem depois do que houve na casa do lago de Spencer, enquanto Ali parecia distraída, presa em seus próprios pensamentos, com o som ligado num volume doloroso aos meus ouvidos.

Claro, já havia se passado mais de duas semanas desde o ocorrido, mas eu ainda não tinha evoluído o suficiente para superar o que aconteceu. Eu estava tão chateada e decepcionada com Spencer que tudo o que fiz foi evitar falar com ela por cerca de uma semana. No entanto, algumas atitudes negativas de Ali me fizeram voltar atrás e repensar na maneira como eu a estava punindo. Ali já havia feito isso a denunciando para a polícia, o que, em partes, foi merecido.

Desde aquele dia, Spencer jurou que não havia feito uso de substâncias químicas novamente e que estava incontestavelmente arrependida de ter começado, em primeiro lugar, a usá-las. Além disso, insistiu de maneira persuasiva que não tinha colocado nada nas bebidas e que só sentiu a necessidade de se drogar depois que ela comeu os brownies que Aria havia feito. Eu também os comi. Todo mundo havia comido aqueles malditos brownies!

Alison? — Chamei, sentindo uma irritabilidade me atingir de supetão. Eu raramente a chamava assim, mas a sensação de que algo muito errado estava acontecendo não saía de mim. Ela me escondia alguma coisa, porém eu não fazia ideia do que poderia ser e isso parecia estar afetando as coisas entre nós.

O quê? — Respondeu insipidamente depois de alguns severos segundos, não se dando ao trabalho de olhar para mim. Senti uma melancolia brotar no profundo do meu íntimo. Era no mínimo estranha a forma como ela vinha me tratando nos últimos dias.

Você quer que eu vá embora? É só dizer. — Deixei claro, sentando na cama e tendo um pequeno vislumbre do que ela estava fazendo. Ali estava de costas para mim. Ela mexia nervosamente na alça do seu sutiã rosa rendado, quase numa obsessão de ajustar o vestido perfeitamente em seu corpo.

Você sabe que não, Em. — Suspirou, deixando seus ombros caírem devagar enquanto ela relaxava seus músculos rígidos. Tive a impressão de que ela havia dito mais alguma coisa, mas com a música ainda preenchendo todos os cantos do quarto ficava difícil saber o quê. — Qual é o problema? — Ela perguntou, olhando-me pelo espelho da sua penteadeira enquanto colocava os brincos. Arqueei as sobrancelhas levemente pasma, tentada em lhe fazer a mesma pergunta, mas, em vez disso, voltei a insistir no que estava me incomodando.

A música. — Soei sem emoção nítida no meu tom de voz, deitando de costas na cama outra vez. Ela riu e eu permaneci com o mesmo humor assíduo. Talvez, e muito provavelmente, eu precisasse de uma boa noite de sono, já que eu não dormia há algumas tortuosas noites.

O que tem a música, Em? — Ali se virou para mim. Com um sorriso iluminando seu rosto em formato de coração, ela se aproximou da origem do som e aumentou quando a música trocou para uma do Bruno Mars. — Assim está melhor? — Provocou com voz melosa e meio lasciva, pulando na cama e subindo em cima de mim.

Nem um pouco. — Sussurrei ainda com os olhos fechados, tentando não rir com as cócegas que as extremidades de seu cabelo tocando meu pescoço provocavam.

Eu gosto dessa música. — Ela disse. Então, começou a cantar baixinho no meu ouvido, ora rindo, ora sensualizando sutilmente. Subitamente meu humor voltou ao habitual, mesmo com o início de uma dor de cabeça, pelo simples fato de Ali cantar uma música que claramente expressava seus sentimentos. Ela cantava para mim. Todos os sentimentos envolvidos que ainda não foram declarados, mas que me pareciam transparentes ao som da bela melodia que ela incorporava tão genuinamente apenas para mim.

E eu gosto de você cantando! — Confessei, tirando, então, minha mão do rosto e levando à sua cintura. Puxei seu corpo para mais junto do meu e a beijei calorosamente, escorregando minhas mãos pelas suas pernas e levantando seu vestido devagar, enquanto seus dedos desciam da minha nuca ao meu pescoço.

Não podemos agora. — Ali segurou minha mão, que a essa altura já estava apalpando sua coxa interna e seu bumbum intensamente. Depois de alguns longos suspiros, ela sorriu, transmitindo todo o calor presente em seu estado emocional e, então, afastou-se.

Por que não? — Choraminguei quando ela cessou nosso contato físico, arrumando o cinto preto moldando sua cintura delineada. Seu vestido rosa claro destacava sua pele delicada e viciante. — O que houve com toda aquela incrível performance de Locked Out Of Heaven? — Levantei da cama e fui até ela, tomando o cuidado para não fazer nenhum movimento muito brusco e piorar as pontadas em minha cabeça.

Desculpe, mas eu tenho um compromisso e não posso me atrasar. — Argumentou enquanto encarava sua imagem através do espelho que a pegava de corpo inteiro. Coloquei-me atrás dela, visualizando nós duas, mas admirando apenas uma. De repente, Ali enrijeceu seu corpo e tencionou seus músculos, como se tivesse acabado de se dar conta de algo que a incomodava. Afastei seus longos e sedosos cabelos do seu pescoço e passei a beijá-lo suavemente, fazendo-a relaxar sob os toques dos meus lábios.

Por que ficou tão tensa? — Sussurrei contra seu pescoço, puxando sua cintura contra meu corpo e a abraçando carinhosamente enquanto ela ainda mantinha seus olhos no espelho à nossa frente. Ela suspirou pesadamente, colocando suas mãos de forma afável sobre as minhas.

Acho que vou trocar de vestido. — Inclinou sua cabeça para o lado, estudando a possibilidade com distração aparente. Eu sabia que sua modificação de humor não se dava à sua roupa. Algo estava a incomodando, mas eu não conseguia decifrá-la. No entanto, eu podia tentar dispersar um possível e, talvez, iminente conflito sob seu exterior impassível.

Você está deslumbrante! — Afirmei em baixo tom de voz, me sentindo fraca e, ao mesmo tempo, forte por estar tão perto dela, respirando o cheiro que exalava de sua pele macia e delicada. — Você, definitivamente, é a garota mais linda dessa cidade! — Soltei com um suspiro, roçando meu nariz contra sua orelha preguiçosamente. Mesmo com os olhos fechados, eu conseguia senti-la sorrir. Seu corpo relaxou, rendendo-se por completo nos meus braços ao seu redor.

Eu posso dizer o mesmo de você. — Devolveu quase no mesmo tom, virando-se para mim. Ela passou os braços pelo meu pescoço e me puxou para um beijo calmo e lento, vez ou outra deixando um sorriso escapar dentre nossos rostos colados. — Você é tão especial, Em! Não sei o que eu faria sem você... — Deixou escapar, selando meus lábios demoradamente e me abraçando forte logo em seguida. Meu coração se desmanchou com essa atitude inesperada. Eu nunca a senti tão vulnerável e entregue quanto ela estava agora.

Você sabe que não precisa ficar sem mim. — Afastei nossos corpos, fitando seus hipnotizantes e profundos olhos azuis. — Nunca! — Reafirmei com um sorriso torto, tocando seu rosto afavelmente. Seus olhos avivaram-se novamente, arriscando um sorriso quase sincero e motivador.

Não quero que esse momento entre nós acabe. — Replicou com voz doce, brincando com o zíper da minha jaqueta. — Nunca! — Ergueu os olhos novamente, soando firme e decidida. Sinceridade transbordava em seus olhos, deixando um nítido e sereno traço de tranquilidade restabelecida em sua face. Inclinei-me em sua direção e beijei seus lábios com ternura, roçando nossos lábios suavemente enquanto meus dedos brincavam com alguns cachos louros do seu cabelo. Empurrei seu corpo devagar contra a parede atrás dela, pressionando com gentileza e a beijando com candura estimada. Porém, isso não se prolongou, contando com o fato de que eu sentia necessidade excessiva de tocá-la o tempo todo, sentir o contato das nossas peles... Fazer amor vigoroso!

Mas, antes que eu pudesse tentar — ou começar — alguma coisa mais ousada, fui impedida por um barulho de carro parando na frente da casa dos DiLaurentis. Ali, quase como automaticamente, interrompeu nossas trocas de carinhos e me empurrou para longe, espiando pela janela bem ao nosso lado quem havia acabado de chegar. Uma sensação estranha me embalou por um instante, me levando indiretamente ao desapontamento quase que extremo.

Quem é? — Perguntei ao me aproximar da janela, tomando um cuidado especial e mantendo certa distância dela. Ali, no entanto, apenas me ignorou e correu para o seu celular quando este fez um bipe suave em cima de sua penteadeira.

Eu tenho que ir... — Ela murmurou com voz trêmula, ainda com os olhos na tela do seu iPhone. Eu não disse nada, e também não tinha certeza se eu podia fazê-lo, o sentimento de rejeição e tristeza parecia monopolizar minha capacidade de fala. Limitei-me a apenas olhar pela janela, observando o carro preto estacionado no meio fio da rua. Afinal, ela estava certa quanto a voltarmos ao que éramos.

Ir com quem? — Escapou inevitavelmente. Meus olhos ainda encaravam o lado de fora, rolando todo o perímetro à minha frente.

Cassie. — Respondeu rapidamente, erguendo seus olhos para mim. Um sorriso convincente moldou seus lábios, tornando sua expressão mais tolerável. Ela voltou para o espelho à sua frente, ajeitando seu cabelo louro brilhante e levemente ondulado nas pontas. Eu não tinha certeza se sabia quem era Cassie.

Oh! Cassie... — Fui tomada inesperadamente por uma surpresa desagradável ao me recordar de quem se tratava. — A garota que você acha incrível. — Murmurei, não controlando o tom enciumado em minha voz. Cassie Buckley tinha estado no time de hóquei de campo juvenil de Rosewood Day com Ali. Além disso, era a garota mais velha que Ali tanto se orgulhava em ter e passar seu tempo quando não estava com nenhuma de nós quatro. Ela sempre se derramava em elogios à Cassie, como se deixasse claro que podia me trocar a qualquer momento.

Você se lembra dela. — Ali sorriu para o espelho, com os olhos em mim. Ela passou um batom suave, deixando seus lábios rosados num tom mais acentuado e visivelmente natural.

Eu acho que você deveria ficar comigo. — As palavras fluíram tão rapidamente e de forma tão sem volta, que, de repente, não soube onde enfiar a cara. — Quase não ficamos juntas nesses últimos dias. — Acrescentei quando ela se virou para que pudesse me encarar. Eu não sabia ao certo o que tínhamos, mas devia ser algo, certo?

Eu realmente não posso agora, Em. — Tratou de avisar, pegando sua bolsa na cama. — Eu fiquei de ajudar Cassie com um problema familiar.

Que tipo de problema familiar? — Estreitei os olhos em sua direção, testando-a. Por mais que me doía, eu não acreditava nela. Ali estava mentindo para mim. E ela parecia fazer isso tão naturalmente. Como andar de bicicleta no parque.

Só um irmão problemático que está lhe dando dor de cabeça. — Forçou um sorriso desagradável, aproximando-se de mim. — Eu vou resolvê-lo e voltar correndo para você. Eu prometo! — Dessa vez, um sorriso gentil dançava em seus lábios rosados e bonitos. Seus dedos tocaram meu pescoço suavemente, puxando-me para um beijo lento e cheio de ternura. Seria correto dizer que essas repentinas mudanças de atitudes estavam mexendo de forma miserável e dolorosa com meu estado de espírito. Mas, ao invés de me afastar, tudo o que eu fiz foi beijá-la de volta, correspondendo fielmente a todos os sentimentos impostos nesse ato.

Posso esperá-la ainda hoje? — Sussurrei contra seus lábios, puxando-o de leve antes de me afastar. Uma linha de indecisão cruzou seu rosto, suavizando-se logo em seguida.

Eu não tenho certeza. — Estreitou os olhos devagar, movendo sua cabeça para o lado e olhando em direção às árvores farfalhando na parte da frente do seu quintal. Segui seu olhar e percebi que o carro não estava mais parado no meio fio. Ele havia desaparecido. E, por um segundo, pensei ter visto os arbustos do outro lado da rua se movimentarem ruidosamente, mas, quando atentei meus olhos, estavam imóveis.

Depois que saí da casa de Ali, segui em direção à casa dos Hastings. Já estava escurecendo e não havia ninguém transitando pela rua silenciosa. Spencer havia me mandado uma mensagem cerca de uma hora atrás, pedindo que eu passasse em sua casa antes de ir para a minha. E, por mais que eu não estivesse com disposição para o que Spencer queria de mim, assim eu o fiz. Era difícil dizer não a ela.

Há algo que eu quero dividir com vocês. — Começou depois que estávamos todas reunidas em volta da grande mesa de jantar da sua cozinha. Aria e Hanna fitaram-na curiosas, esperando. — Vocês acham que Alison tentaria me matar?

O quê? — Soamos todas juntas, estreitando os olhos em sua direção. Um traço de desapontamento e melancolia passou pelas suas características.

Eu tive uma overdose. — Desabafou, vacilando seu olhar entre cada uma de nós. Houve um minuto de silêncio antes que qualquer movimento ou sentença fosse feita. Eu estava prestes a abrir a boca e acusá-la de mentir para mim, mas ela rapidamente levantou a mão e me impediu. — Mas o problema, Emily, é que eu não usei droga nenhuma. — Ela concluiu com firmeza, olhando-me brevemente.

Spence, eu não acho que Ali faria nada contra nenhuma de nós. Somos suas melhores amigas! — Aria se encolheu em sua cadeira, abraçando seus ombros rígidos. Hanna olhou para os lados, com os braços cruzados sobre o peito e os lábios pressionados, como se estivesse ponderando algo.

Mas nós sabemos como ela pode ser cruel. — Protestou Spencer, com um olhar persuasivo e inteligente. Isso parecia ter sido o suficiente para me despertar.

Eu vou embora. — Declarei de repente, provocando seus olhares para mim. Desde que eu tinha chegado, não tinha dito muita coisa. Estava muito ocupada com meus pensamentos em Ali, e agora, com elas falando sobre coisas que não tinham o menor cabimento, eu não via mais sentido em ainda estar aqui.

O que houve? Você não parece muito bem. — Spencer se aproximou de mim, tocando meu braço com suavidade. Seus traços preocupados quase me comoveram por alguns segundos.

Eu só preciso dormir um pouco. — Usei de honestidade para me livrar do que estava por vir. Levantei depressa e me conduzi até a porta, não me incomodando com todas elas me chamando de volta. Eu não estava em condições para fazer aquilo. Não depois das minhas noites mal dormidas e todo o stress com as súbitas mudanças de Ali.

Ela estava tendo sérios problemas para dormir à noite, acordava agitada no meio da madrugada e sempre estava fora da cama quando eu acordava durante a noite. Aquilo, naturalmente, estava começando a me preocupar. Era bem óbvio para mim que Ali estava sendo afetada por algo que eu não fazia ideia e que não era de sua vontade compartilhar comigo suas aflições. E eu achando que tínhamos uma ligação especial...

Com tudo isso em mente, não demorei a pegar no sono depois que cheguei em casa e tomei banho. O cansaço parecia fazer parte do meu corpo, como um órgão dolorido e desgastado. Além disso, não havia vestígios de qualquer sonho passando pelo meu cérebro e se apossando completamente do meu subconsciente. Eu sentia como se estivesse num sono excessivamente profundo, com longa duração.

Por fim, quando estava, aos poucos, despertando, tive a terrível sensação de que não estava sozinha. Mas, onde eu estava? Era claro que eu sabia onde eu estava, porém não me lembrava. Foram precisos alguns severos minutos para que eu pudesse, finalmente, ter plena consciência de onde exatamente eu estava. Olhei ao redor algumas vezes, piscando fortemente na tentativa de manter meus olhos abertos. Meu quarto estava escuro, sendo a lua e o abajur ao lado da minha cama os únicos pontos de luz no ambiente. Havia, porém, um cheiro aromático e conhecido dançando pelos ares, brincando com meu olfato apurado. Movi minha cabeça um pouco mais para cima da cama e fui bruscamente surpreendida, tendo um sobressalto quase agressivo com o que me deparei bem à minha frente.

Ali? — Deixei escapar entre batidas aceleradas e desconfortáveis contra meu peito. O sobressalto foi tanto que, a essa altura, eu já estava sentada do outro lado da cama, encarando-a vertiginosamente.

Olá, Em. — Sorriu misteriosamente, aproximando-se da cama e se mostrando por inteira. Seus cabelos estavam lisos e seus olhos, sob a luz fraca da lua, aparentavam perdidos e vazios. — Você parece assustada. — Ela riu, me verificando de cima a baixo. Lentamente, meu coração foi desacelerando e voltando ao ritmo normal.

Não consigo imaginar a causa disso... — Resmunguei sarcasticamente, me sentindo irritada com a forma desagradável que ela me olhava e, ao mesmo tempo, me sentindo mal com o peso excessivo que a cercava. — O que houve? Você parece meio... Distorcida. — Soltei involuntariamente, logo recebendo uma pontada de remorso por permitir que um pensamento como esse tomasse forma dentro de mim. Ali estava bastante frágil e vulnerável por esses dias, portanto eu tinha que controlar minhas reações com o que vinha dela. Mesmo as coisas mais absurdas.

Então é por isso que está me olhando desse jeito? — Ela devolveu, aproximando-se um pouco mais e se sentando na cama. Recuei para fora da cama quase como automaticamente, não sabendo por que fiz isso.

De que jeito?

Como se eu fosse machucá-la. — Disse calmamente. De repente, percebi o quão ridícula eu estava sendo.

Desculpe, eu só estou muito cansada. E você realmente me assustou. — Suspirei lentamente, deixando meus músculos relaxarem devagar. Ela sorriu, parecendo compreensiva, deixando a cama e fazendo seu caminho até onde eu estava. Assim que se aproximou, o cheiro irrefutável de baunilha que emanava de sua pele ficou mais forte e ousado, chegando até a fazer cócegas em minhas narinas.

Você realmente é uma coisa muito sexy, não é? — Sussurrou calidamente, aproximando seu rosto do meu pescoço de forma lasciva. Um arrepio desordeiro traçou toda minha pele logo que seu toque me alcançou. Mas, então, me dei conta do que ela acabara de dizer. Coisa sexy. Como ela sabia disso? Apenas Samara me chamava assim. E eu tinha que confessar: eu gostava.

Eu sou? — Deixei uma risadinha escapar dos meus lábios, ecoando no quarto silencioso e escuro. Ela não respondeu. Deixou suas mãos escorregarem pelas minhas costas, parando na minha cintura e me puxando contra seu corpo. Rapidamente, seus lábios deslizaram pelo meu pescoço suavemente, então subiram para o meu rosto, onde procurou pelos meus lábios até capturá-los. Passei meu braço em volta de seu pescoço e aproveitei para aprofundar o beijo, esperando que ela desse abertura para minha língua.

Sua respiração estava começando a se desestabilizar quando ela me empurrou em direção à cama, deitando em cima de mim. Nosso beijo intensificou-se rapidamente, surtindo um efeito voluptuoso entre nossos corpos colados. Deslizei minha mão pelo seu corpo, acariciando as pouquíssimas partes expostas com visível deleite e ansiedade. Eu queria aquele corpo completamente exposto aos meus olhos. E queria já. Mas, antes que eu pudesse mover nossos corpos, ela se endireitou na cama, ficando de joelhos. Tirou seu casaco vermelho e o jogou de lado. Ela não estava mais com aquele vestido de mais cedo, agora parecia mais como uma camisola curta e rendada, o que certamente provocou um vulcão dentro de mim.

Minha respiração a essa altura já estava fora de ritmo, e tudo o que eu fiz foi puxá-la de volta para mim, pressionando sua cintura intensamente. Movi nossos corpos e fiquei por cima dela, suspendendo sua camisola enquanto acariciava suas coxas no processo. Ali deixou suas mãos vagarem pela minha barriga, logo puxando minha blusa para fora do meu corpo. Um gemido rouco escapou da sua boca quando pressionei meus dedos contra seu sexo por cima da calcinha, tentando arduamente manter nossos lábios colados.

Por fim, puxei a alça da sua camisola para baixo e a tirei de seu corpo, descendo com minha língua pelo seu colo até chegar ao seu abdômen rígido e levemente contraído. Deixei minhas mãos deslizarem por toda a extensão do seu corpo seminu, percebendo com lastimoso espanto a repentina falta de interesse que me atingiu tão inesperadamente, ao mesmo tempo em que tentava lidar. A fúria com que meus desejos agiam dentro de mim há poucos instantes estranhamente desaparecera, transformando-se numa grande força de vontade para continuar.

Vamos lá, Em! Eu sei que você quer. — Sussurrou bem baixinho ao pé do meu ouvido. Sua mão agora descia pelo meu abdômen devagar, arranhando a pele com lascívia enquanto beijava meu pescoço.

Desculpe, Ali, mas eu não consigo. — Afastei-me delicadamente, sentindo uma tontura me embalar. Minhas vistas se anuviaram e minha cabeça foi tomada por uma dor aguda. — Eu não estou me sentindo muito bem. — Murmurei fracamente, deitando ao seu lado na cama de maneira desmazelada. Eu não soube sua reação, pois minhas pálpebras já haviam sido seladas pelo sono. Como isso aconteceu, eu não saberia explicar.

Quando acordei no outro dia, me surpreendi ao olhar as horas no meu celular. Já se passava das quatro da tarde e eu ainda me sentia cansada e completamente indisposta. Ali não estava na cama comigo, ou em qualquer outro lugar do quarto, o que me fez cogitar a hipótese de que tudo o que aconteceu durante a madrugada não tenha passado apenas de um sonho. O sonho mais estranho e real que já tive em toda minha vida.

Emily? — Chamou uma voz conhecida, soando cansada e impaciente, como se estivesse fazendo isso há horas. — Emily, eu sei que está aí. Abre a porta! — Essa era... Spencer. Ela batia incessante na porta, mas só agora havia me dado conta de algum barulho. Era como se tudo ao meu redor tivesse sido pausado. Como se eu tivesse perdido o sentido da audição, olfato e tato. E, por alguns intermináveis instantes, eu não pude me mover — ou falar.

Portanto, quando finalmente consegui me conscientizar do que se passava ao meu redor, movi meu corpo com dificuldade para fora da cama. Então, aos poucos, fui recobrando minha força física até chegar à porta e destrancá-la. Spencer estava parada no batente, com a cabeça encostada. Ela rapidamente se ajeitou e me estudou por alguns segundos, seguindo meus passos para dentro do quarto novamente. Notei, então, que estava sem minha camiseta, apenas de sutiã e short. Não havia sido um sonho, afinal.

Meu Deus, até que enfim! — Ela soltou num suspiro aliviado. — Pensei que estivesse morta ou algo assim.

A sensação foi parecida. — Disse com simplicidade, tirando meu short e o jogando na cama. Olhei para ela e percebi que ainda me analisava cuidadosamente, como se tentasse detectar algo que lhe fosse desconhecido.

Você sabe que dia é hoje? — Ela perguntou, cruzando os braços sobre o peito e se aproximando de mim. Tentei fazer um cálculo mental, mas eu realmente não fazia ideia que dia era hoje. — Hoje é quinta-feira, Emily! Você saiu da minha casa na terça à noite. — Tornou claro, aumentando o tom de voz conforme as palavras fluíam de sua boca. Então, ela balançou a cabeça negativamente, parecendo alarmada. — Por favor, não me diga que você estava inconsciente todo esse tempo... — Eu estava perplexa demais para dizer alguma coisa. Eu realmente havia dormido esse tempo todo. O que tinha de errado comigo?

Você tem visto Ali? — Perguntei depois de um longo momento, ponderando com cautela algumas possibilidades. Spencer enrugou a testa, estranhando a pergunta.

Eu a vi hoje. E a vadia me disse que você estava bem. — Disparou irritada, movimentando-se de um lado para o outro. Ela parou por um momento, direcionando-me um olhar solidário. — Em, eu sei que você não vai gostar de ouvir isso, mas... Eu acho que Alison drogou você. — Spencer sentou na minha cama, cruzando as mãos sobre os joelhos e olhando diretamente para mim. Sua expressão parecia compreender o quão difícil estava sendo escutar essa hipótese. — E, bem, não seria a primeira vez. Eu tive uma overdose por causa de drogas que nem usei, esqueceu? E fiquei desacordada por mais de trinta horas num hospital xexelento de Nova Jérsei. — Fez careta desagradável ao se lembrar desse trágico ocorrido. Eu não estava dando muita atenção ao que ela falava. Eu não acreditava que Ali faria isso comigo. Mas, afinal, o que Spencer fazia em Nova Jérsei? Claro, a universidade dos seus sonhos ficava lá.

Eu não sei se você percebeu, mas eu não tive uma overdose. — Zombei, saindo do seu campo de visão e entrando no banheiro.

Claro! Porque as drogas foram diferentes. — Concordou rapidamente, aparecendo na porta com o semblante pensativo. — Talvez ela tenha dado algo só para você dormir. — Seu rosto estava inteligível, como se uma luz acabasse de irromper em seu cérebro. Tirei minhas últimas peças de roupa e liguei o chuveiro, colocando-me debaixo da água quente e pesada. Spencer continuava falando sem parar, andando de um lado para o outro do banheiro, porém eu não a ouvia. O barulho da água caindo sobre meu corpo monopolizava quase toda minha atenção.

O que está fazendo? — Perguntei assim que saí do banheiro e vi Spencer sentada na minha escrivaninha, anotando algo em um papel. Eu havia acabado de secar o cabelo dentro do banheiro, agora estava começando a me arrumar.

Anotando um endereço que acabei de receber por e-mail. — Respondeu incerta, olhando para o celular com confusão aparente em seus traços. Spencer me entregou o aparelho com o e-mail aberto. — Olhe só isso. — Passei meus olhos rapidamente pelo que estava escrito, e, sem conseguir chegar à uma conclusão do que se tratava, li-o outra vez.

Você está procurando na direção errada, Pequena Hastings. Vá até o galpão abandonado da sua família agora mesmo. Há algo que talvez você queira ver. Não faça alarde! Estão de olho em você. Tome isso como uma pequena cortesia de minha parte, ---A.

Spencer, o que é isso? — Perguntei, tentando a todo custo manter minha respiração estável. — O que significa esses três traços?

Talvez sejam três pessoas... A última mensagem que recebi havia apenas dois traços. Talvez quem esteja assinando essa mensagem seja o terceiro "A"... Eu não sei. — Murmurou com voz falhada e doída. Alguma coisa parecia a incomodar, como se ela soubesse que não se tratava de algo bom.

Vamos descobrir do que se trata. — Disse com determinação depois de um longo momento, terminando de colocar minha jaqueta college, seguido das minhas botas escuras e rasas.

Eu não acho que seja uma boa ideia, Em. E se for uma emboscada? Não sabemos quais são as intenções dessa pessoa. — Ponderou com sensibilidade, lançando-me um olhar quase suplicante. — Acredite, seja quem for essa vadia, já armou algumas situações desagradáveis para mim. Ainda me recupero de muitas delas. — Spencer começou a caminhar pelo quarto, em seguida sentou-se na cama, ficando de frente para mim. Uma fina linha de melancolia passou por seus traços, mostrando seu lado sensível e frágil. De fato, ela havia se metido em muitas encrencas desde o começo deste ano e ainda tinha que superar a repentina separação dos seus pais.

E se for sobre Ali, Spence? — Murmurei com um estalo de pressentimento ruim. A mesma dor aguda que me acometeu antes de eu adormecer profundamente naquela noite parecia se repetir, mas, dessa vez, no meu peito.

Você quer dizer algum segredo que "A" descobriu sobre ela? — Enrugou a testa, pensativa. Rapidamente, Spencer se iluminou, em seguida levantou-se depressa. — Vamos descobrir! — Ela parecia revigorada e disposta a me acompanhar até o galpão, mesmo que isso implicasse situações desagradáveis. Essa atitude me fez questionar suas reais intenções, e até onde ela iria para conseguir ferir Ali moralmente.

A noite já estava começando a aparecer quando chegamos à floresta próxima à propriedade dos Hastings e dos DiLaurentis. De tanto Spencer resmungar e se negar a ir até o galpão abandonado de sua família, que ficava no interior da floresta, acabou com ela mais animada com a ideia do que jamais imaginei. No entanto, Aria e Hanna também estavam à caminho do lugar indicado por "A". Inicialmente, Spencer não achou uma boa ideia envolver as meninas no que estávamos prestes a fazer, mas, então, mudou seu pensamento quando chegamos próximas do esquecido galpão dos Hastings. Ela parecia aliviada por não estar fazendo isso sozinha e, no fundo, eu sabia que ela adorava cavar coisas que não eram de sua alçada, principalmente se fosse algo sobre Ali.

Será que elas já estão chegando? — Spencer perguntou pela quarta vez quando já estávamos dentro do galpão mal iluminado. Ao que parecia, alguém estava fazendo uso do lugar. Havia muitas teias de aranha pelo caminho e a iluminação não ajudava nem um pouco. O lugar cheirava à mofo e cigarros, fora os barulhos inconvenientes que emitiam de alguns cantos indizíveis.

O que, exatamente, estamos procurando? — Parei por um segundo, olhando ao redor com minha lanterna. Spencer colidiu contra minhas costas, murmurando palavrões de baixo calão enquanto eu ria em algum lugar da escuridão, mal começando a me mover para longe dela.

Emily, espere! — Resmungou, alcançando-me rapidamente e agarrando meu braço. — Não me deixe sozinha nesse lugar. — Choramingou, tateando meu braço até encontrar minha mão e entrelaçar nossos dedos. Spencer arfava como se tivesse acabado de correr em uma maratona.

Medrosa. — Provoquei, olhando para o lado e rindo fracamente. Em troca, ela beliscou minha mão com força, fazendo-me soltar um gritinho por pouco não contido. Iluminei seu rosto com a lanterna e notei um sorrisinho satisfeito e zombeteiro, que logo ecoou como uma risada desvairada. — Podemos prosseguir sem mais gracinhas? — Tratei de me certificar depois que ela havia parado de rir. Ela concordou e começou a andar, guiando-me por conta própria.

Alguns minutos caminhando em silêncio e Spencer se afastou, alegando ter encontrado algo. Achei alguns desenhos estranhos na parede, produzidos com alguma coisa pontuda e afiada. Quem poderia ficar tanto tempo num lugar tão desconfortável e assustador como esse? Há quatro anos adorávamos brincar aqui nas manhãs de Halloween. Mas, hoje, algo parecia estar muito errado.

Oh, meu Deus! — Spencer gritou, chamando minha atenção imediatamente para todos os cantos, procurando a origem do som. Ela repetiu isso mais algumas vezes, então consegui localizar o lugar onde ela estava.

Spencer? — Chamei com a voz rouca, correndo até onde reconheci ser uma porta de madeira. Então, ela rapidamente apareceu na minha frente, empurrando-me para trás.

Você precisa sair daqui agora! — Ela exigiu, com os olhos assustados e lacrimejados. Observei sua expressão por alguns instantes, tentando compreender o que havia acontecido. — Vá, Emily! Você não pode ficar aqui!

Por quê? — Olhei por sobre seu ombro, notando uma fraca luz saindo pelas frestas da porta. — Spencer, o que tem lá? — Gritei, desesperando-me com a forma com que ela se portava. Ela soltou meus ombros e caiu de joelhos no chão, com a cabeça baixa, e desatou a chorar incontrolavelmente. Por um segundo, perguntei-me se ela estava drogada, mas, no segundo seguinte, percebi que havia algo de muito errado acontecendo.

Olhei para ela, de joelhos no chão, as lágrimas caindo furiosas dos seus olhos. Eu não sabia o que fazer. O desespero já havia tomado conta de todo meu cérebro e paralisado boa parte do meu corpo. No entanto, quando notei, Spencer tinha ficado para trás enquanto meus pés avançando depressa até a porta mais adiante. Empurrei a porta devagar, arrepiando-me com o barulho agoniante que ela fazia enquanto abria espaço. As vozes de Aria e Hanna ecoaram em todos os cantos, seguido dos passos apressados e pesados que as levaram até Spencer. Entrei no quarto e olhei ao redor com cautela, lutando para conseguir enxergar alguma coisa. As luzes piscavam furiosas, ora permitindo minha visão levemente anuviada, ora me cegando por completo.

Uma sensação terrível dominava todos os meus sentidos, uma dor estranha e inexplicável ameaçava se alastrar por cada célula presente em meu corpo. Meus olhos focaram em um canto afastado do quarto frio como a morte, porém as luzes não colaboravam para que eu pudesse enxergar. Aproximei-me com um grande pesar badalando forte e nítido como um relógio dentro da minha cabeça, correndo pelas minhas veias e se ajustando no meu coração, atrasando gradualmente as batidas. Pude escutar um gemido baixo, carregado de agonia, então a luz piscou mais uma vez, dessa vez forte, acentuando cada detalhe mórbido e pueril do quarto e me fazendo visualizar o que havia feito Spencer ter uma reação tão emocional. Enquanto o efeito que a imagem teve sobre mim não poderia ter sido menos angustiante e doloroso.

Ali... — Foi tudo o que consegui dizer, sentindo um rasgo em minha garganta assim que tive consciência da figura encostada na parede, visivelmente fraca. Minhas pernas automaticamente perderam as forças, todo meu corpo formigava de maneira cruel e desagradável e, em questão de pouquíssimos segundos, meus joelhos foram ao chão. Todos os meus sentidos haviam sido desligados.

Num segundo eu estava com os joelhos grudados no chão, incapaz de me mover, enquanto no outro eu estava debruçada na garota que tanto me fizera sorrir, mas que agora só provocava lágrimas de dor indizível. Mas aquilo não podia ser real. Não podia...

Alison, olhe para mim. Fale comigo! — Pedi com desespero, puxando seu corpo para o meu colo. Seu corpo estava escorregadio, então percebi que ela estava molhada, e agora eu também estava. Porém, o que eu implorava para ser água, suor ou qualquer coisa que aliviasse minha angústia, acabou que me jogando ainda mais para um fundo poço de desespero, ao olhar para minhas mãos e notar que era sangue. Ela estava toda ensanguentada; seu rosto, suas mãos, seu abdômen.

Em, eu... — Um sussurro exaurido ecoou dos seus lábios em meio a gemidos de dor e desgaste por se esforçar em falar. — É tão bom vê-la... Senti tanto sua falta.

Eu estou aqui, meu amor. Eu vou cuidar de você. — Um sorriso fraco cruzou seus lábios ao escutar eu chamá-la assim. Abracei seu corpo com força, sentindo as lágrimas caindo sem permissão em seu pescoço. Nada no mundo se comparava ao que eu estava sentido, e o céu inteiro testemunhava a dor que irrompia miseravelmente do meu ser. Era como se toda minha estrutura estivesse se desfazendo de maneira lenta e tortuosa. Eu mal podia respirar e as batidas fracas, quase ridículas, do meu coração apenas aumentavam minha convicção de que eu não aguentaria perdê-la.

Eu sonhei, Em... Você e eu em Paris, o vento no seu cabelo... Ainda estou sonhando... — Seus olhos abriam e fechavam rapidamente. Eu podia ver o esforço que ela fazia em manter-se acordada. — Me perdoe se eu não cumprir minha promessa de ficar com você para sempre.

Não. Alison! — Gritei, tirando minha jaqueta e cobrindo seu corpo que tremia do frio fúnebre que fazia ao nosso redor. — Você não vai fazer isso comigo. Você não pode...

Emily! — Alguém gritou atrás de mim. Uma voz muito conhecida, porém aguda e nasalada. Se Ali não estivesse nos meus braços, quase inconsciente, eu poderia jurar que era ela. Mas o que eu podia fazer se meu cérebro estava me pregando uma peça?

Nós vamos à Paris, meu amor. Nós vamos. Eu prometo! — Sussurrei, beijando seus lábios inchados, sentindo o gosto de sangue se espalhar por toda minha boca. As lágrimas insistiam em rolar dos meus olhos, e minha voz era apenas um fio, rouca e falha. Tudo doía; meu peito ardia como brasa, minha cabeça latejava com potência máxima. Então, rapidamente, tirei minha jaqueta de Ali e removi sua blusa ensopada de sangue fresco, deixando-a apenas de sutiã. Não olhei os ferimentos em seu abdômen, apenas fechei meus olhos e a envolvi com minha jaqueta novamente, puxando seu corpo para mim.

Emily, pare o que está fazendo agora. — A mesma voz soou de novo, dessa vez, estranhamente calma. Olhei por sobre meu ombro e meu coração parou. Voltei com meus olhos para a garota que estava nos meus braços, quase desacordada, gemendo fraco e engrolando palavras ininteligíveis. E, então, olhei a mesma garota por sobre meu ombro, vestindo o mesmo Casaco Vermelho que me lembrava da última vez em que estivemos juntas no meu quarto. Seu cabelo liso. — Você precisa deixá-la ir. Ela não é... — Começou, logo sendo cortada por uma violenta explosão do outro lado do galpão. Segui meu primeiro instinto e cobri o corpo de Ali com o meu, recebendo um zunido enlouquecedor em meus ouvidos. O cheiro de gasolina irradiou o lugar, assim como as chamas alaranjadas que se espalhavam do lado de fora do quarto. Ali suspirava dolorosamente em meus braços, dizendo que eu deveria ir embora, porque não era seguro.

Não se preocupe. Eu vou tirá-la daqui. — Prometi, ajeitando seu corpo na parede para que eu pudesse erguê-la, mas, antes que eu pudesse fazer isso, uma mão me puxou para longe.

Emily, não! Me escute, você não pode fazer isso! — Me atrevi a olhá-la pela primeira vez nos olhos, sentindo as lágrimas silenciosas escorrerem involuntariamente. O toque parecia tão real. Ela parecia real. — Eu sou Alison... Sua Ali. Você está vendo a pessoa errada. Ela não é quem você pensa que é. — Parei por um segundo, processando tudo o que estava acontecendo nesse meio minuto. Houve outra explosão e as vozes de Spencer e Hanna ecoavam do lado de fora do galpão. Elas gritavam meu nome e de Ali. — Essa vadia roubou tudo de mim. Ela roubou meu quarto, minhas roupas, meu nome. Minha vida!

Ela está mentindo, Em... — Escutei Ali dizer, abrindo os olhos arduamente e tentando se levantar, em vão. A garota que estava à minha frente a olhou por sobre o ombro, com um olhar desprezível e rancoroso. Em seguida, fez seu caminho até Ali. Meus olhos estavam começando a ficar embaçados. A fumaça começava a encher meus pulmões.

Eu estou lhe dando a chance, Em. — Notei que havia algo em sua mão, um recipiente, no qual ela derramava uma boa quantidade de líquido ao redor de Ali. Demorou alguns segundos até eu perceber o que estava acontecendo.

O que está fazendo? — Gritei, pulando em cima dela e a jogando para longe de Ali junto com a garrafa de gasolina. Um grito de dor misturada com fúria ecoou dos seus lábios quando ela aterrissou no chão, fazendo todo o líquido se derramar sobre ela. As chamas começavam a se espalhar depressa, causando mais algumas explosões. Algumas madeiras pesadas caíram sobre a garota de casaco vermelho com a violência da última explosão. Ela implorava por ajuda, tentando me convencer de que ela era Ali, mas eu não iria me deixar enganar. Eu estava apenas alucinando. — Vamos, Ali. — Fui até onde minha Ali estava e a puxei para os meus braços, erguendo seu corpo até que ela ficasse de pé, sendo sustentada pelos meus braços em volta de sua cintura. Então, a levei para fora, enfrentando o fogo que se alastrava e engolia todas as partes do galpão. Eu estava lutando comigo mesma para continuar de pé e ignorar o calor torturando minha pele. Me certifiquei de que Ali estava segura em meus braços, notando com alívio que ela estava.

Quer saber? Dane-se! Eu vou entrar lá agora mesmo. — Escutei Hanna gritar com Spencer, virando-se em minha direção. Eu havia acabado de cruzar o portão com Ali desacordada em meus braços e, assim que me viram, elas correram até mim.

Oh, meu Deus! Vocês estão bem? — Spencer perguntou, tirando Ali de mim. Minhas mãos ardiam por causa da brasa que o portão estava e eu tossia descontroladamente, sentindo minha visão escurecer aos poucos. Senti os braços de Hanna alicerçarem minha cintura, me ajudando a entrar no carro. Spencer e Aria diziam coisas que meu cérebro não conseguia captar. Minha audição parecia diminuir, até chegar a nada. Elas se moviam preocupadas, mas não se podia ouvir nenhum som sair de suas bocas. E, antes de tudo se apagar, vi Spencer dizer aflita: — Aria, ela não está respirando! — Logo, tudo ficou escuro.

Notas finais
Então, meus favos de mel? O que me dizem?
Como puderam perceber, deixei em aberto a Emily saber da gêmea ou não, mas vou acabar optando por não saber. A vida dela ficará muito mais fácil se ela não souber.
Esse capítulo eu me inspirei no final do Killer e Wanted, livros 6 e 8 de PLL. Espero que, apesar de tudo, vocês tenham gostado.
Enfim, até o próximo. ;) xx