This Must Be Love
15 All These Things That I've Done.
Notas iniciais
Demorei, né? Peço desculpas, não estou tendo muito tempo para escrever. Só consigo escrever durante à noite, quase de madrugada. Gostaria de agradecer pelas reviews maravilhosas que recebo, estou adorando escrever para vocês. Um obrigada especial para a Psych pela recomendação fantástica e querida que ela fez à fic. Muitíssimo obrigada! Sintam-se à vontade para seguirem o exemplo dela. Façam o meu dia! Enfim, espero que gostem desse capítulo. Boa leitura. (:
Você já desejou voltar no tempo e desfazer os seus erros? Não estou falando de voltar no tempo para não colocar o uniforme sujo de hóquei na máquina de lavar junto com as lingeries Victoria’s Secret da sua mãe, para evitar levar uma bronca severa na frente das suas melhores amigas, ou não fazer com que uma de suas melhores amigas lesse um bilhete de amor que Mona Wanderwaal escrevera para Lucas Gottesman nos anúncios de manhã em Rosewood Day, ou até mesmo não ameaçar o pai de sua melhor amiga com o terrível segredo que ele esconde da sua família. Não. Estou falando sobre sua alma gêmea. A garota sobre quem você sabe tudo. A garota que sabe melhor do que ninguém como você se sente. Eu quero dizer voltar no tempo e mudar a forma como costumava fazer piadas inconvenientes sobre sua sensibilidade... Sexualidade. Parar de se aproveitar do fato que ela tem sentimentos profundos e talvez um pouco cegos. Eu deveria mesmo querer poder voltar no tempo e conseguir desfazer alguns erros bobos e supérfluos.
A fria manhã de sábado não demorou a chegar à sempre tão pacata e idílica Rosewood, uma das cidades mais ricas e endinheiradas do sul da Pensilvânia, a mais ou menos trinta quilômetros da Filadélfia. As nuvens negras e pesadas que cobriam o céu acinzentado da cidade avisavam que iria chover. Eu podia perfeitamente sentir o cheiro da grama úmida no jardim da minha casa, assim como podia ver pela janela do meu quarto a Sra. Hastings saindo do quarto de Spencer com a feição pouca amistosa. Perguntei-me o que Spencer havia feito de errado, com certeza teria algo a ver com Melissa, sua irmã mais velha, que possuía a necessidade de parecer perfeita e alinhada. Os Hastings aparentavam ser aquela típica família modelo, mas as pessoas, até mesmo Melissa e Spencer, mal sabem que a grande família perfeita esconde um segredo escabroso que seria capaz de destruir a vida perfeita e harmoniosa que todos pensam existir naquela casa. Eu sei tudo sobre essa cidade, sei os segredos sujos que todos guardam. A vida é tão mais divertida quando se sabe os segredos dos outros. Como eu previa, Spencer me mandou uma mensagem perguntando se eu já estava pronta para irmos à casa de Emily. Respondi um simples “sim”. Peguei minha jaqueta índigo Giorgio Armani e a vesti, caminhando porta afora. A grama do jardim dos Hastings estava molhada e pegajosa, fazendo meu salto alto Gucci afundar. Na minha casa não havia ninguém. Meus pais saíram cedo para trabalhar e Jason também. Por incrível que pareça, Jason estava tomando jeito e até conseguir um emprego ele conseguiu; ao que parece, ele seria um conselheiro em Rosewood Day. A ironia, às vezes, se torna cômica para não ser trágica. Avistei Melissa retirando as compras das sacolas e colocando-as sobre o balcão assim que entrei pela porta da cozinha na casa principal dos Hastings. Spencer estava sentada na bancada ao lado de Ian Thomas, seu futuro ex-atual-cunhado. Ela havia me dito que Melissa pretendia voltar a namorar Ian depois que ela terminou seu noivado repentinamente com Wren Kingston. Era quase como se Spencer esperasse por alguma reação negativa de minha parte me contando isso. Mas, ao contrário do que ela esperava, eu apenas dei de ombros.
— É quase uma certeza universal que tanta beleza está sendo desperdiçada do lado de Melissa. — Havia dito desdenhosa, escorregando a mão pelos meus cabelos louros e brilhantes. Spencer assentiu, fitando-me com desconfiança. Eu ri por dentro de sua tolice. Era difícil não ter uma paixonite por Ian. Ele tinha cabelo louro e encaracolado, dentes brancos e perfeitos e olhos azuis surpreendentes, e não posso me esquecer de um jogo de futebol quando estávamos no sétimo ano, no qual ele trocara de camisa no intervalo e, por cinco gloriosos segundos, tivemos a visão de seu peito nu. Ian me lançou um sorriso lascivo quando viu eu me aproximar, enquanto Spencer perguntava alguma coisa sobre o treino de hóquei que fora cancelado. Seu olhar parecia querer me despir, o que não passou despercebido por Spencer. Eu sufoquei um riso com sua quase sutileza.
— Vamos logo, Ali. — Apressou-me ela, fitando Melissa entretida com suas compras com um olhar ressentido. — Já está ficando tarde e temos muito o que fazer hoje. — Ressaltou, pegando sua bolsa na bancada e as chaves do seu SUVHyundai sobre a mesa. Melissa, de repente, me fitou com um olhar ameaçador. Como se soubesse de alguma coisa. Seus olhos voaram de Ian para mim. Lancei um sorriso doentio para ela em resposta. Eu sei que eu deveria gostar de Melissa, mas isso é impossível; seu ar de puritana era irremediavelmente irritante. Ajeitei minha bolsa no ombro e caminhei para fora da casa ao lado de Spencer. Meu carro estava estacionado em frente de casa, enquanto o dela estava na enorme garagem de sua casa.
— Vamos em carros separados. — Avisei quando ela me fitou instigada. — Tenho coisas para fazer.
— Tudo bem. — Cantarolou ela, desaparecendo na garagem. Caminhei em direção ao meu Audi vermelho que ganhei do meu pai esse ano. Um vento gélido soprou no meu rosto, fazendo com que alguns fios de cabelo esvoaçassem. Senti um arrepio estranho percorrer minha coluna espinhal. Eu tinha a sensação de que havia alguém me observando. Escutei o ruído de alguns galhos se quebrando, vindo da direção do quintal dos Hastings, mas, quando fui verificar, não era nada, apenas o vento batendo contra as árvores. Balancei a cabeça com força, tentando dissipar a paranoia de que havia alguém me observando e entrei no carro, sentindo rapidamente o ar quente acalentar meu corpo. Liguei o carro e dei a partida, logo percebendo Spencer atrás de mim. Ultimamente estávamos indo com frequência na casa de Emily. Spencer insistira que deveríamos vigiar Em de perto. Como se eu já não estivesse fazendo isso por conta própria. Eu ri com essa constatação. Não demorou seis minutos e já estávamos na casa de Emily. Notei que o Prius de Hanna estava estacionado do outro lado da rua, em frente aos grandes e velhos carvalhos. Ela já havia chegado. Estacionei em frente à casa de Em e Spencer atrás de mim. Saímos do carro quase ao mesmo tempo e, em dois segundos, ela estava andando ao meu lado.
— Onde está Aria? — Quis saber, cruzando os braços.
— Está a caminho. — Respondeu distraída, olhando incisiva para a casa dos Cavanaugh. Toby Cavanaugh estava na varanda, apoiado no parapeito com um olhar vago no rosto. A lembrança da noite em que cegamos Jenna ainda me assombrava. Aquela noite não saiu como eu havia planejado, deu tudo errado. — Por que ele voltou? — Murmurou Spencer com a voz vaga e falha.
— Porque ele pode. — Respondi, observando Toby desaparecer dentro de casa. Spencer me fitou inquisitiva. — Já pagou o que devia. — Ela engoliu em seco com o que eu acabei de dizer. Minhas palavras caíram como uma granada em sua consciência.
— Ele deve nos odiar... — Pensou alto, abaixando a cabeça. — Toby pagou por algo que nós quebramos, Ali. — Sussurrou, inclinando-se em minha direção. Sua voz soava desespero e certa culpa.
— Aquela noite nunca aconteceu. — Respondi rapidamente, com o tom severo. Avistei o carro de Aria se aproximando e estacionando atrás do carro de Spencer, que olhou para trás quando escutou a porta bater. Aria acenou para nós duas, se aproximando com suas botas camurça, pisando firme e segura enquanto tirava o celular de sua bolsa.
— Perdi alguma coisa? — Questionou, querendo rir enquanto nos fitava. Spencer me lançou um olhar estranho que não soube identificar, que em resposta apenas ignorei e caminhei para a casa de Emily. Assim que me aproximei da porta da cozinha, escutei os risos de Hanna ecoarem pelo corredor. Spencer e Aria estavam logo atrás de mim. A porta estava destrancada e não hesitei em entrar. Parei. Esperava encontrar Emily na cozinha, mas quem eu vi foi alguém completamente desagradável. A responsável por bagunçar a cabeça e o coração de Em. O que ela fazia na casa da minha Emily tão cedo? Lancei um olhar indiferente e desdenhoso para ela, recebendo de volta um olhar de pena misturado com vitória. Pensei a respeito por alguns segundos antes que Aria e Spencer aparecessem atrás de mim com suas risadinhas inconvenientes e fora de hora.
— O que você está fazendo aqui? — Quis saber, tentando manter o tom de voz firme e uniforme. Não estava nos meus planos perder a calma. Cruzei os braços sobre o peito, lançando um olhar desconfiado e severo para ela. Hanna me lançou um olhar reprovador, enquanto Spencer e Aria desviaram de mim e entraram. Samara não parecia se importar com minha presença. Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas Spencer a impediu.
— Que pergunta, Ali. — Riu, indo em direção à geladeira. — Olhe as roupas dela; Samara dormiu aqui. — Disse com um sorriso malicioso no rosto, recebendo um olhar cúmplice de Hanna. Fitei suas roupas com mais atenção e um pouco de hesitação. Seus cabelos louros, mais claros que os meus, estavam úmidos e suas roupas eram pijamas de frio. Eu acharia bonito se eu não a odiasse. Senti uma onda de raiva misturada com um sentimento de posse tomar conta de mim. Aria lançou um olhar temeroso para Spencer, como se estivesse mandando ela não se meter. Meu peito ficou pesado e senti pontadas abstratas o perfurando. Emily está se desligando de mim mais rápido do que eu pude perceber.
— Eu não sei se eu gosto disso. — Disse pensativa, com o ódio aparente em meu tom de voz. Aproximei-me do balcão, sentando-me ao lado de Hanna e ficando quase de frente para ela. — Quero dizer, eu não gosto de você. — Sussurrei entre dentes, com desdém. Eu podia sentir as garotas prendendo a respiração com o que poderia vir a seguir. Aria parou com a caixa de leite na mão, próxima ao armário. Spencer havia acabado de despejar café numa xícara e também estava parada, não sabendo para quem olhar. Eu não deveria fazer isso na frente delas, mas eu não estava me importando com os espectadores. Samara me fitou curiosa, com um sorriso divertido no rosto. Era como se ela não desse a mínima para o que eu acabei de dizer. Será que a vadia não escutou o que eu falei?
— Eu não entendo por que você não gosta de mim. — Começou, rindo. — Mas, felizmente, eu não preciso do seu aval para namorar a Emily. — Destacou, sorrindo. É oficial, a vadia está me desafiando.
— Ela não é a sua namorada. — Disparei, recebendo olhares receosos das meninas.
— Ali... — Tentou Aria, mas eu não a deixei falar.
— Não se iluda. Você é apenas um escape para o coração partido dela. — Avisei, sentindo um tremor causado por minhas palavras. Eu tinha consciência de que eu magoei Emily e que fiz com que ela pensasse que poderíamos ter algo, mas eu falhei. Eu prometi que iria recompensá-la por isso. — Eu só preciso estalar os dedos e ela vem correndo para mim. — Soltei as palavras tão rapidamente que logo me arrependi por tê-las proferido. As meninas fizeram um barulho estranho e, de repente, Samara abaixou a cabeça torcendo os lábios.
— Alison. — Chamou Aria com a voz firme, entre dentes. Olhei para ela nervosa, pronta para gritar alguma coisa, mas, antes que eu pudesse fazê-lo, ela indicou a porta com a cabeça e os olhos arregalados. Então, me dei conta; Emily estava parada, com o corpo encostado no batente da porta e com os braços cruzados sobre o peito, me observando. Sua feição estava ressentida e desapontada. Ela havia escutado o que eu tinha acabado de dizer.
— Eu não quis dizer isso... — Tentei me justificar, falhando. Em suspirou, parecendo bastante cansada.
— Apenas pare de tentar sabotar o meu relacionamento. — Pediu com a voz rouca e fatigada. — Você já está passando dos limites. E eu estou ficando de saco cheio disso. — Afirmou, saindo do batente da porta e indo até Samara. — Samara, isso não é... — Começou, sendo interrompida no meio da frase com um beijo surpresa. Abri a boca, espantada pela sua audácia. Eu seria capaz de perfurar cada centímetro do seu rosto com um bisturi. Pena que eu não me rebaixo a tanto.
— Não se preocupe, Em. — Começou Samara, tomando as mãos de Em e colocando-as em sua cintura, beijando seus lábios rapidamente. — Eu já percebi que Alison é implicante e não me importo com o que ela diz. — Sorriu com inocência, como se estivesse dizendo “Você não vai conseguir arruinar meu namoro”. Senti um nó se formar em minha garganta. Eu não gostava de como meu nome soava em sua voz. Emily a fitou com um sorriso doce e amável nos lábios, o que fez meu coração afundar. Pude notar um sorrisinho contente e orgulhoso da parte de Spencer e Hanna. Aria não possuía expressão alguma. Ela não iria querer comprar uma guerra comigo. Mas essas duas estavam sendo encaminhadas para a minha grande e famosa lista negra. Eu tenho que dar um jeito de fazer Samara desaparecer. Emily se afastou da vadia loira e foi até o armário, tirando de lá um copo. Apesar do frio, Em, como de costume, estava de shorts e camiseta preta. Ela abriu a geladeira, pegando uma jarra de água e despejando um pouco dentro do copo. Samara olhava os movimentos de Emily com um brilho especial nos olhos, o que me fez tremer de raiva. Ela não podia olhá-la dessa forma. Emily é minha por direito. Eu fui o primeiro beijo dela e o primeiro amor. E ainda sou.
— Você me conhece. — Forcei um sorriso, fitando suas mãos por breves segundos. Notei que ela usava um anel no dedo anelar da mão direita, mas não dei muita importância, afinal, eu também uso um com a inicial do meu nome que eu havia ganhado da minha mãe quando fiz treze anos.
— Emily, se você não cuidar da sua namorada, eu juro que roubo ela de você. — Disse Spencer em tom de brincadeira. Percebi que sua intenção era amenizar o clima, mas, com esse comentário, ela provavelmente apenas o piorou. Samara lançou um olhar divertido e lisonjeado para ela.
— Ei, eu vi primeiro. — Manifestou-se Hanna, parecendo ofendida. — Se alguém for roubar Samara da Emily, esse alguém é merecidamente eu. — Gabou-se Hanna, piscando para Samara. Bufei com a cretinice dessas duas desmioladas.
— Por que você? — Provocou Spencer, soando mais malvada do que ela provavelmente gostaria de ter soado. Emily e Aria assistiam à ceninha das duas com curiosidade e divertimento, enquanto Samara observava inquisitiva.
— Porque nós nos conectamos. — Começou, fechando os olhos, mostrando seriedade em suas palavras. Samara riu da idiotice crescente.
— Parem de ser ridículas. — Repreendi severa. Aquelas duas seriam capazes de me deixar doente dos nervos. Era incrível como meu ódio pela vadia loira apenas multiplicava. Minhas abelhas a aprovavam. Será isso sinal de pulso mole?
— Bem, fico envaidecida com o gesto estranho de carinho. — Disse pensativa, com um riso entalado. — Mas Emily está sabendo cuidar direitinho de mim. — Ela puxou Em pelas mãos, depositando um beijo calmo nos seus lábios. Pude ouvir as outras suspirarem com o chamego exagerado de ambas.
— Se importam de se afastarem? — Perguntei tentando não soar possessiva, puxando Emily pela mão para o meu lado. Senti algo pesado e grosso roçar na palma da minha mão. Então, eu percebi. Emily usava um anel parecido com o de Samara no seu dedo anelar da mão direita, era praticamente impossível não reparar, já que era bem chamativo. Corri com meus olhos para a mão de Samara novamente, e então me dei conta de que se tratava de uma aliança. De Compromisso. Meus olhos arderam e meu coração pareceu parar de bater por longos segundos com a possibilidade. Era difícil aceitar o fato de que nosso laço estava se desfazendo lentamente, e é doloroso perceber que Em está se apaixonando por outra pessoa. Confesso que essa não é a realidade que eu esperava encontrar. — Emily, vem aqui que eu quero conversar com você. — Chamei com empáfia, saltando da bancada e caminhando em direção às escadas. Não olhei para trás para me certificar de que ela havia me obedecido, apenas segui para o seu quarto me sentindo enjoada e enciumada. Emily não pode estar levando essa aventura estúpida e passageira tão a sério. Como eu não percebi a ameaça se aproximar? Eu havia mantido Emily fora do alcance de todos que se interessavam por ela. Paige McCullers foi a mais difícil, já que ela é obcecada pela Em desde que estávamos no sétimo ano. Consegui fazer com que ela não se aproximasse, intimidando-a e a ameaçando. Porque é o que eu sei fazer de melhor. O que eu preciso fazer para tirar a vadia loira do meu caminho? Cheguei ao quarto de Emily sem nem perceber, reparei que o quarto estava em ordem e somente a cama estava desarrumada. O cheiro do perfume enjoativo de Samara estava presente por todo o quarto. Conheço bem esses tipinhos que usam NinaRicci; a vadia veio para seduzir. Ai, que vontade de vomitar. Inspecionei o quarto inteiro com amargura. Esse lugar costumava ser um santuário meu. Emily guardava tudo o que eu lhe dava... Era como se o seu quarto fosse dedicado inteiramente a mim. Ela possuía fotos minhas que eu nem mesmo sabia existir. Abri a gaveta onde eu sabia que ela guardava todas as coisas que eu havia dado a ela. Achei o bilhete que eu havia escrito para ela às pressas há dois dias. Reli cada palavra do que eu havia escrito e, de repente, muitas recordações amargas ressurgiram frescas e fortes. No sétimo ano, estávamos reunidas na pomposa sala de estar da casa de Spencer, com uma caixa de Popsicle, uma garrafa grande de Dr. Pepper diet sabor cereja com baunilha, com nossos celulares largados na mesinha de centro.
— E se nós filmássemos um talk show? — Aria havia sugerido. Ela se considerava a cineasta oficial do grupo. Uma das coisas que queria ser quando crescesse era o próximo Jean-Luc Godard, um desses diretores franceses abstratos. Eu sempre achei Aria a mais esquisita, mas, hoje, a vejo como uma pessoa autêntica. Claro que nunca diria isso para ela. — Ali, você é a celebridade. E, Spencer, você é a entrevistadora. — Ela havia determinado. Spencer se jogou no sofá ao meu lado, com sua tiara de diamantes que mais parecia uma coroa.
— Eu serei a maquiadora — Ofereceu-se Hanna, remexendo sua mochila para encontrar a bolsinha de maquiagem de vinil estampada com bolinhas. Hanna sempre teve um grande declínio para maquiagem, principalmente para a moda. Eu sempre fiquei abismada com os toques que ela me dera no sétimo ano.
— Eu serei a cabeleireira. — Emily ajeitou o cabelo atrás das orelhas e foi para perto de mim. — Você tem um cabelo maravilhoso, chérie — Elogiou, fingindo um sotaque francês. Tirei o Popsicle da boca e levantei o rosto para fita-la.
— Chérie não quer dizer namorada? — As outras começaram a rir, mas Emily empalideceu. Eu sabia que não era esse o significado de chérie, mas não quis perder a oportunidade de lembrá-la do seu amor por mim.
— Não, isso é petite amie. — Disse, levando a mão ao rosto, constrangida. Naquele verão, Em andava meio sensível em relação às minhas piadas. Ela não costumava ser assim. A sétima série foi o ano em que eu mais fui cruel com Emily; eu fazia piadinhas frequentes sobre sua paixão não tão recôndita por mim.
— O que você queria falar comigo, Ali? — Emily surgiu no quarto de braços cruzados, me arrancando das minhas lembranças. Ela fitou o papel rosa clarinho na minha mão, depois fitou meus olhos com segurança. Seu rosto estava calmo e sereno, porém cansado. Meu coração estava acelerado e demorou três batidas para que eu voltasse à realidade. Olhei para o bilhete em minhas mãos enquanto passava os olhos pelas palavras escritas com letras de forma redondas e ligeiramente desalinhadas.
— “Eu devo dizer o quanto eu sinto por ver você se desprender tão rapidamente de mim?”. — Li em voz alta, sentindo meu peito responder a esse estímulo de dor. Fitei seu rosto por alguns segundos, observando sua face tomar uma forma ressentida e incerta. Ela fechou a porta e caminhou em minha direção, parando a poucos centímetros de mim.
— Você me afastou. Sempre foi assim, desde que você percebeu o que eu verdadeiramente sentia por você. — Sussurrou, parecendo cansada demais para falar no seu tom normal.
— Isso não é verdade. — Discordei, balançando a cabeça de modo afetado. — Eu prometi nunca me separar de você. Não importando o que houvesse, ficaríamos juntas para sempre. — Repeti as palavras com convicção. Eu tinha certeza de que ela se lembrava disso. Assisti às reações que seu rosto tomava com a queda das recordações sobre sua mente. Prometemos fugir de Rosewood juntas quando estávamos no sexto ano. Emily havia me dito que tinha vezes em que ela se imaginava fugindo de Rosewood para ser quem ela quisesse ser sem se preocupar com o que as pessoas iriam dizer, porque já a conheceriam assim. Eu prometi para ela que fugiríamos juntas. Paris e Havaí eram os lugares mais mencionados por ela.
— Por que Paris? — Perguntara a ela com curiosidade quando ela mencionou o lugar. Seus olhos brilhavam com a intensidade da nossa conversa. Naquele dia, eu estava especialmente tranquila e suave. Eu geralmente me portava dessa forma com Emily. Ela sempre foi a única com quem eu me permitia ser assim.
— Porque eu quero conhecer a cidade do amor com você. — Deixou escapar, se punindo por tal falha. Suas maçãs do rosto tomaram uma coloração de vermelho brilhante, tornando-a mais bonita. Seus lábios estavam rosados e ligeiramente trêmulos. Eu deixei uma risadinha confortável ecoar pela casa na árvore. Naquele tempo, eu já desconfiava que Em possuía sentimentos além da amizade por mim.
— Vamos conhecer a cidade do amor então, porque não importa o que aconteça, estaremos sempre juntas. — Afirmei com um sorriso certo, tocando sua mão de leve. Minhas intenções não estavam claras naquele momento, mas, hoje, eu vejo o quanto Emily me fazia bem e o quanto eu gostaria de sua companhia. Eu não precisava fingir quando estava com ela, era algo tão natural e simples.
— Você se lembra... — Murmurou ela, parecendo espantada. — Achei que apenas eu mantinha essa lembrança viva na memória. — Riu incrédula. Tomei sua mão e entrelacei nossos dedos de forma tranquila. Senti uma dor acalentar meu peito com o peso que a aliança no seu dedo causava na minha mão.
— Não olhe agora, mas alguém está se desfazendo de sua promessa. — Ri sarcástica, fitando nossas mãos com um pouco de amargura. — Você está se desligando de mim, Em. E não vai demorar muito para que você não sinta mais nada por mim. — Murmurei, sentindo o peso das minhas palavras caindo com violência sobre mim. Ela desenlaçou nossas mãos, me fitando incisiva. O que eu acabei de proferir era tão verdade. Ela se aproximou ainda mais de mim, seu rosto tão perto do meu. Eu podia sentir sua respiração leve e tranquila contra minha face. Seus lábios, então, tocaram os meus de leve. Levei minha mão até a sua nuca, puxando seu rosto para mais perto do meu, na intenção de aprofundar nosso beijo. Seus dedos deslizaram pelos meus cabelos, enquanto sua outra mão afagava meu rosto com carinho. Seus lábios se abriram e nossas línguas se tocaram com cautela. Um bilhão de explosões aconteceram no meu peito com sua iniciativa. Com um braço, entornei sua cintura com segurança, puxando seu corpo contra o meu. O ritmo com que nossos lábios se moviam foi diminuindo e Emily sugou meu lábio inferior com leveza, afastando seu rosto do meu.
— Eu não estou quebrando minha promessa, porque eu nunca vou abandonar você. Mesmo você sendo impossível, eu sempre vou te amar e, por mais que eu tente, eu não consigo me desligar de você, Alison. — Garantiu vertiginosamente. Meu coração palpitou com sua declaração, mas eu sentia que ali havia um “mas” oculto.
— Antes de você acrescentar um “mas”, que eu sei que está a caminho, eu preciso que você me ouça. — Em ainda estava nos meus braços, com seus dedos brincando com meu cabelo de forma doce e inocente. Meus lábios ainda formigavam por conta do beijo. Seus olhos possuíam um brilho de confusão e incerteza. De repente, entendi seu olhar. A lembrança do que ela havia me dito na sala do zelador me atingiu com força. Você não é mais a única que tenho acolhida no meu peito. Suas palavras foram duplamente devastadoras. Mas eu prometi que não iria desistir e que iria recompensá-la por ter sido cruel com ela. — Eu me arrependo por ter sido tão cruel com você. Eu estava com medo. Fui estúpida. Eu agi como idiota. Mas você só sonhava com um futuro com cerca branca para nós, porque eu também sonhava e te mostrava isso. Mas não de forma tão clara e entendível. — Ela me fitou inquisitiva, questionando-me silenciosamente como eu sabia disso. — Eu li a carta que você escreveu para mim, mas que não teve coragem de me entregar.
— Você revirou minhas coisas? — Ela quis saber, corando levemente.
— Foi preciso. — Me defendi. — Mas isso não importa agora. — Desabotoei minha jaqueta e a abri, pegando sua mão e a colocando no meu peito para que ela pudesse sentir meu coração que batia descompassadamente contra a palma de sua mão. Seus olhos desceram para meu busto, que estava coberto por uma blusa branca, quase transparente. Eu ri. — Eu estou tentando manter minha promessa de que te recompensarei por eu ter agido como idiota com você, mas você não está facilitando. — Ela fitou meus olhos com seriedade.
— E o que você quer que eu faça? — Perguntou, colocando meu cabelo para trás da orelha.
— Termine com ela. Fique comigo. — Pedi de forma doce. Seus olhos tomaram um brilho de surpresa. Beijei seus lábios com suavidade e ela correspondeu ao beijo. Meu coração batia tão rápido e de forma violenta contra meu peito. Deslizei meus dedos entre seus cabelos negros e sedosos.
— Por que eu faria isso? — Sussurrou contra os meus lábios, com a respiração pesada. Fitei seus olhos deixando transparecer todo meu amor e ternura. Eu precisava de Emily e não estava nos meus planos perdê-la.
— Porque você me ama, Em. — Ela riu, logo se afastando de mim. Seus olhos correram para a porta ainda fechada. Ela deveria estar verificando se não corria o risco de Samara entrar no quarto e nos flagrar. Eu ficaria grata se isso, de fato, acontecesse. Ela caminhou até a cama, sentando-se na beirada.
— Não é o suficiente. — Disse, colocando as palmas das mãos sobre os joelhos. — Você está sempre me relembrando que eu te amo, mas você nunca proferiu essas três mágicas palavrinhas. — Observou, fazendo um coração no edredom. Eu me aproximei da beirada da cama, ajoelhando-me diante dela.
— Eu já supri essas três palavrinhas mágicas, mas não com palavras significativas. — Desenhei um coração invisível na palma da sua mão. Ela me fitou incisiva, sorrindo fraco. Emily não assimilou o que eu tinha acabado de dizer.
— Dessa vez, será preciso muito mais do que você estalar os dedos para eu correr de volta para você. — Afirmou com segurança no seu tom de voz. Pressionei os lábios, pensando sobre suas palavras. Eu havia me expressado mal e estava recebendo as consequências não muito injustas por tal falha. Eu sou egoísta o suficiente para fazer o que é preciso ser feito.
Notas finais
Expressem seus sentimentos e opiniões. Novamente, façam o meu dia!
Uma observação: Eu adoro a minha Emily, porque a da série me irrita. Então, quero saber: quem é que gosta do ship Paily? Alguém gosta do Híbrido Paige? Se houver alguém que, assim como eu, a odeia mais do que respira, se juntem ao meu clube! ~risus~ Até o próximo! :)
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