This Love
9 I won't let you go.
Notas iniciais
When it's black
Take a little time to hold yourself
Take a little time to feel around
Before it's gone
James Morrison — I won't let you go
Pov Oliver.
— Scott derruba o tio Diggle – incentivo enquanto ele corre com a bola em disparada pelo centro do campo. Repreendo Diggle com olhar que revira os olhos e cai no chão quando Scott empurra-o com a mão livre. – Mais rápido – gargalho correndo ao seu lado.
— Faz você o touchdown— pediu nervoso jogando a bola para mim. Tommy entra no meu campo de visão com a expressão maléfica quase me derrubando no chão.
— Sai da minha frente Tommy – resmungo baixo. – Desde quando você virou o inimigo?
— Desde que estou na posição do inimigo nos treinos – explica confuso.
— Sai da minha frente – passo por ele correndo com a bola enquanto Scott já vai longe.
— Só não me diga que você vai querer entrar no meio das saias daquela mulher novamente – sussurra ao meu lado tentando pegar a bola. Desvio do mesmo derrubando Roy no percurso onde tentava me bloquear. – Eu sei que ela é gostosa, mas é chave de cadeia, ela escondeu seu filho de você todos esses anos.
— Tommy... – paro de correr olhando em seus olhos. – Onde quer chegar? – questiono ofegante passando a bola para Martin que correr em direção a Scott.
— Sou seu amigo – relembra. – Eu estava ao seu lado, quando você saiu da fossa chamada ‘’Felicity me deixou com um buraco no peito’’ — faz aspas com os dedos. – Eu estou aqui para te apoiar em tudo que você desejar, olhe para ele – aponta para Scott que brinca com Martin no final do campo. – Ele é a melhor coisa que pode ter acontecido em sua vida nesses últimos dias, mas a mãe dele é perigosa, uma versão da Elsa do desenho Frozen em 3D humana. – abre os braços com sarcasmo.
— Você tem medo que ela me magoe novamente? – suspiro.
— Sim. Ela agora usa salto fino pode ser ainda pior – argumenta, o que me faz revirar os olhos.
— Não se preocupe com isso – pisco com sorriso torto voltando a correr pelo o campo – Felicity não possui mais domínios sobre mim.
— Isso é o que você pensa agora porque está com raiva, até que ela esteja novamente em cima de você gritando seu nome loucamente, você muda de opinião – grita com sarcasmo. – Diggle.... Ai – geme com o tapa do mesmo em sua nuca.
— Tem uma criança em campo seu idiota – repreende dando outro tapa em Tommy. – Pare de sandices.
Me aproximo a Scott que grita touchdown bastante animado, dispenso Martin com aceno e fico ao seu lado.
— Podemos conversa? – questiono chamando sua atenção. Ele assente e senta na grama com os olhinhos brilhantes um pouco ofegante ainda por sua corrida anterior, olho em um ponto distante Ray conversar algo animado com Damien que verifica sua prancheta de jogadas e desempenho dos jogadores. Respiro fundo sentando para ficar de frente para Scott. – Eu sei que é tudo novo para você agora, descobrir que tem um pai, jogador de futebol onde você sempre foi fã – começo com suspiro mexendo na bola ao nosso lado.
— Mamãe disse que você foi namorado dela e que não sabia sobre mim – explica mexendo na grama um pouco nervoso.
— Eu não sabia.... – sorrio torto. – Mas agora que sei, prometo ficar ao seu lado todos os dias do resto da minha vida.
— Você não gosta da minha mamãe? – pergunta tristonho. Sua pergunta me pega desprevenido, não sei o que sinto por Felicity nesse momento, tantas coisas aconteceram desde que ela me deixou que fico um pouco desconfortável.
— Eu amei muito sua mãe Scott.... Mas hoje eu não sei o que sinto por ela – explico olhando em seus olhos com sinceridade. – Ela mentiu para mim, mas não a odeio, saiba disso.
— Eu amo minha mamãe Oliver, não vou deixar ela triste – fita um ponto qualquer.
— Muito bem – admiro seu gesto positivo sobre Felicity. Ela pode ter errado mil vezes, mas seu posto de uma ótima mãe nunca vai ser tirado dela. Nossas diferenças ficam entre nós dois. Scott não precisa passar por isso. – Você deve cuidar dela e ama-la como ninguém, isso é o certo a se fazer.
— Eu sempre quis um papai – sorri mostrando os dentinhos o que me faz sorri de volta com carinho.
— Eu sou seu pai – gargalho puxando-o para mim fazendo cócegas em seu corpo. – Pode me chamar de pai quando se sentir confortável – sussurro em seu ouvido.
— Papai.... – disse ficando em pé entre minhas pernas. – Eu gosto do meu papai – balbucia pressionando os dedos nas covinhas do meu sorriso.
— Você gosta de mim como seu pai? Ou como Oliver jogador de futebol? – questiono.
— Como meu papai – responde com sorriso gostoso escapando dos lábios. Ele de fato é especial, meu pedacinho, como não ama-lo? Em tão pouco tempo ele se tornou tudo para mim, como sua mãe foi um dia. Minha vontade é atirar Felicity em um poço como se faz na Índia, mas aquela mulher me deu tudo, amor e um filho, mesmo que ela não me ame mais e tenha mentido para mim, não consigo simplesmente odiá-la, o Oliver de tempos atrás, teria tirado Scott dela e teria feito de sua vida um inferno, mas o que me tornei hoje prova que não sou mais a mesma pessoa.
— Eu estou aqui por você agora – afirmo de coração puxando-o para um abraço forte. – Meu pequeno Queen.
Ele fica em silencio mais me abraça de volta com carinho, me afasto para olhar em seus olhos, ele beija minha face e começa a correr o mais rápido que consegue pelo o campo até chegar em Tommy e se jogar nas costas do mesmo, que gargalha e o puxa para o meio dos jogadores.
[.....]
O dia percorreu bem, depois do treino resolvemos sair para comer algo fora, sobre os protestos de Ray o que não abalou em nada. Então chegamos até uma lanchonete próxima ao estádio, Scott escolhe um hambúrguer com um suco de laranja.
— Segundas, terças e sextas, esses são os dias de inferno para mim – aponta Ray para si com sarcasmo. – E felicidade para Scott por ficar com você em seus treinos. – limpa as mãos com um guardanapo. Olho de relance Scott balbuciar algo para Tommy apontando para a vitrine para comprar algum tipo de doce.
— Então ela já decidiu os dias de visitas – ergo uma sobrancelha para Ray que fecha a cara. – Ela precisa fazer um acordo comigo, não preciso de garoto de recados.
— Não sou seu garoto de recados – retruca seco. – Mas como Felicity não quer você perto dela, sobra para mim repassar as informações, coisas que irá durar muito pouco tempo, não ficarei muito tempo nesse inferno.
— Sabe Ray.... Não me parece uma má ideia em tê-lo por perto, sempre nos amamos tanto – pisco com sarcasmo. Melhor punição para Ray não existe, dividir o mesmo espaço comigo. – Tenho planos para você no meu time.
— Jamais vou fazer algo para você – rosna irritado.
— Nossa amizade eterna só está começando – esclareço fazendo-o borbulhar de raiva. – Me aguarde Mr. Palmer! – sorrio já sabendo o que tenho em mente para Ray.
— Papai eu quero um pedaço daquela torta de maçã – pediu Scott ao meu lado com olhos pidões apontando para trás. – Tio Tommy não para de falar... – explica nervoso.
— Onde está seu tio Tommy? – questiono.
— Namorando – responde confuso apontando para Tommy que flerta com uma garota do caixa.
— Fique com seu tio – indico para Ray que puxa o mesmo para si, cochichando algo em seu ouvido, me aproximo a Tommy dando um tapa em sua nuca. – Pare de namorar.
— Oliver – revira os olhos. – Eu já estava indo – resmunga terminado de pagar a conta. Volto para meu assento, Scott pega a torta das mãos de Tommy e come relaxadamente nos braços de Ray. Com alguns minutos saímos da lanchonete, Tommy volta para o hotel de taxi, enquanto eu insisto em levar Scott para casa.
— Papai essa é minha casa – explica Scott pulando do carro assim que chegamos. Olho para a imensa mansão, vejo que ela tem uma vida confortável, de fato possui uma vida estável para nosso filho. – Entra. Entra – pediu balançando minha mão com leveza. Inclino meu tronco até que eu fique a sua altura, sorrio com sua pura inocência, fico feliz em saber que ele esboça a palavra pai com tanto carinho, o amor de Scott por mim apenas se ampliou.
— Não posso.... Preciso fazer algo – suspiro bagunçando seus cabelos. – Mas prometo entrar um dia – pisco.
— Tudo bem – assente risonho beijo sua testa observando ele se afastar com Silas para a casa. Ray para a minha frente com a expressão fechada.
— Sei o que tem em mente – franzi o cenho com as mãos nos bolsos. – Deixe eu apenas te adiantar, ela não é mais a mesma garota, acredite.
— Eu também não sou – afirmo dando-lhe as costas para sair do condomínio.
[.....]
Pov Felicity.
Resolvo preencher minha mente com meu trabalho, como não fui viajar, desmarquei todos meus compromissos. A sensação do meu filho está com o Pai me deixa inquieta e insegura, como não quero ficar no mesmo ambiente que Oliver, pelo menos por hora, deixo Ray de castigo como punição por ter deixado meu filho fugir, eu deveria ter matado Ray, mas como não sou nenhum tipo de criminosa, resolvo faze-lo de intermediário entre mim e Oliver, talvez assim o amor que Ray sentia por Oliver se amplie como foi no nosso passado.
— Srta. Smoak – chama Anny batendo no vidro com alguns toques adentrando na sala.
— Sim – mordo minha caneta ainda fitando os inúmeros papéis de finanças que acumularam por causa do Mr. Preguiçoso Palmer.
— A senhorita tem visita – informa calmamente o que não dou muita atenção.
— Anny não quero receber ninguém no momento estou muito ocupada, preciso....
— Precisamos conversar – interrompe a voz grossa, aquela mesma voz que me levou e trouxe umas mil vezes do inferno. – Agora – cruza a sala se apoiando na minha mesa com a postura rígida. Respiro fundo erguendo o olhar para encontrar seus olhos azuis. Como pode ser? Ele aos seus trinta anos de idade, não poderia estar perfeitamente sexy assim. Por que não ficou barrigudo e careca? Mas não, ele ficou o inverso do que já era, com cabelos curtos dentro de um boné virado para trás. Camiseta verde mostrando seus bíceps definidos e uma calça jeans escura caindo sobre os quadris mostrando um volume notável de saúde. Engulo em seco e aceno para que Anny saia da sala, a mesma assente e sai da sala em passos largos.
— Onde está meu filho? – questiono seca soltando a caneta.
— Nosso filho – corrigi batendo na mesa o que me arrepia um pouco mais não me abala. – Por que você foi embora sem falar nada? Seu irmãozinho ainda me odeia – bate mais uma vez na mesa o que começa a me irrita ainda mais.
— Que seja – retruco levantando da cadeira com uma distância segura entre nós dois. – Onde está Scott? – repito ignorando seus protestos sobre Ray. Minha punição para o mesmo está mesmo funcionando, afinal o amor entre Ray e Oliver sempre foi lindo.
— Ele foi para casa com seu irmão – responde gélido sentando na cadeira sem tirar os olhos de mim. – Como você impôs suas regras sobre meu relacionamento com meu filho, eu também tenho as minhas – aponta para si com sorrisinho falso nos lábios.
— Onde quer chegar Oliver? – suspiro encarando-o com olhar frio, mas por dentro estou aponto de morrer ou mata-lo.
— Segundas, quartas, sextas e domingos Scott fica comigo em seu tempo livre – afirma cruzando os braços sobre o peito relaxando os ombros. Impressionante sua petulância de entrar no ônibus família feliz e querer sentar logo do lado da janelinha.
— Segundas, terças e sextas – esbravejo, o que não desmancha sua postura. – Você acabou de conhece-lo, não pode me ditar regras alguma, os domingos são meus jamais abrirei mão deles. – franzo o cenho ofendida.
— Cinco anos fora da vida do meu filho por culpa sua – acusa erguendo o indicador. – Se fizermos os cálculos desse longo período, posso ficar com Scott mais tempo do que isso – sorri entediado baixando a mão. Ele adora jogar na minha cara os cinco anos que tirei Scott da sua vida, ele sabe como me ferir por hora. Filho da mãe.
— Eu aceito qualquer coisa que você fique longe de mim, mas os domingos eu não abro mão, não me teste sou capaz de te matar.... – respiro fundo contando todos os números que consigo mentalmente sentando novamente em minha cadeira. – Os domingos são meus.... – repito abrindo os olhos para vê-lo com a expressão animada. – Pode ficar todas as tardes com ele.
— Por que o domingo é tão importante para você? – pergunta curioso.
— Não é da sua conta – rosno impaciente fazendo-o revirar os olhos. – Agora não temos nada aqui em comum, você fica no seu campo e eu na minha empresa, você não invade meu espaço e eu não invado o seu, tudo que precisar saber fale com Ray, ele foi como um pai para Scott sabe de tudo sobre o mesmo. – explico forçando um sorriso.
— Acho difícil, já que você é mãe dele e eu sou o pai verdadeiro, não preciso do tio para nada, mas sim da mãe – sorri com uma piscadela me levando ao extremo da irritação.
— Se você acha que eu vou ficar no seu mundinho de jogador torcendo por você, está completamente enganado – gargalho olhando para tela do meu computador. – Não me dou ao luxo de ver idiotas com uma bola correndo até o final do campo.
— Bom Scott está comigo nessa, sou o melhor jogador em campo, todas as pessoas adoram, você ainda não viu de perto, assim que ver irá se apaixonar novamente por mim – deu de ombros, batendo na mesa com os dedos ainda me encarando com sarcasmo, sei bem que ele está observando cada detalhe do meu corpo, isso ele não mudou. Olhar cretino babaca irresistível.
— Está jogando meu filho contra mim? – reviro os olhos. – Não poderia ser menos de um jogador que sabe bem como jogar baixo.
— Na minha posição não costumo jogar baixo, mais sim por cima, como você teve o privilégio aos meus atributos alguns anos, sabe que sou um homem difícil de se abater – sorri me fazendo fervilhar por dentro. – Sabe muito bem que um jogador não se dá por vencido.... Então temos um acordo – bate na mesa novamente pela a milésima vez chamando minha atenção. Talvez Oliver ainda continue sendo o mesmo pervertido, está escrito nos seus olhos, mas eu mudei, esse joguinho não funciona mais.
— Não me interessa esse seu joguinho sádico – esclareço firme. – Mas como infelizmente você é o cafajeste pai do meu filho, não posso impedi-lo de ver Scott, pensando bem, a justiça não é um meio agradável para meu filho – explico com sorriso recebendo o mesmo. – Vou te dar uma chance de se redimir – devolvi suas palavras o que lhe fez fechar a cara. – Scott ficará com você esses dias, mas dorme em casa e o Ray será seu mais novo amigo/parceiro/companheiro.
— Não pode me obrigar a viver com o carrapato/cão de guarda do meu filho – rosna se erguendo da cadeira batendo na mesa o que tira o resto da minha paciência. – Preciso dos meus momentos pai e filho sem o carrapato.
— Primeiro; olha como você fala do meu irmão, segundo; pare de bater na mesa, pois sou capaz de te jogar pela janela se fizer isso novamente, terceiro; essa são as regras caso não goste procure seus direitos perante a lei – afirmo olhando dentro dos seus olhos. – Esse é o trato, não me procure – suspiro. – Ray é nosso intermediário – repito desligando meu computador e pegando minhas coisas.
—Não recebo ordens Felicity, e as únicas que recebo é apenas do Damien meu treinador, as suas são descartadas – bufa longamente jogando os braços para o ar. – Desde quando você se tornou assim? – acena áspero me seguindo.
— Assim como? – visto meu sobretudo sem lhe dar atenção.
— Fria – responde o que me faz parar abruptamente, giro sobre os calcanhares próxima o bastante para sentir seu cheiro invadir minhas narinas, ele ainda possui o mesmo calor acolhedor exalando pelo o seu corpo. Pior de tudo; ainda me afeta.
— Desde o dia em que fui tola em acreditar que você tinha parado de ser egoísta – respondo. – Você que me ensinou, agora aguente Sr. Queen – dou-lhe as costas seguindo para o elevador entediada.
— Não acredito em você – grita entredentes antes que as portas se fechem. – Essa Felicity que você criou é apenas alguém que tem medo de me enfrentar. Coloco o braço para impedir que as portas se fechem e saio do elevador com a raiva exalando por mim. Chega, já ouvi demais desse idiota hoje – Acho que agora tenho sua atenção – sorriu abrindo os braços.
— Escuta aqui Oliver, você não vai, nem pode entrar na minha vida desse jeito – grito irritada. – O que sou hoje é culpa sua – bato no seu peito com força. – Scott... Apenas Scott precisa de você.... Eu não preciso.... Então não me teste.... Não entre no meu caminho.
— Felicity. – suspira entredentes segurando meus pulsos puxando-os para si abruptamente. – A minha Felicity ainda está aí dentro, não quero falar com você, eu quero falar com ela – olho em seus olhos sentindo os meus marejarem. – Essa que você criou apenas diz o que pensa.... Não é ela, ainda posso ver a velha Felicity atrás do seu olhar. – afirma buscando em mim respostas para minhas ações.
— Ela morreu Oliver.... — sussurro triste pela primeira vez em sua frente, saindo do meu posto de durona. – Ela morreu quando você disse que ela estava morta.... Ela não vai mais voltar, então não tente chegar até ela porque não vai conseguir nada. – sussurro saindo do seu aperto. – Scott é tudo que você tem direito e precisa.... Não diga sua Felicity.... Não tem mais ela.
Me afasto voltando para o elevador, eu sempre soube que, bastasse ele voltar e invadir meu espaço, que eu perderia meu rumo, trabalhei nesse momento durante anos, buscando formas de não ter Oliver na minha vida, porque o medo de cair em seus braços novamente é maior do que qualquer outra coisa, já li em livros, já ouvi de várias pessoas que o amor é uma fraqueza, mas a verdade não é essa, não é o amor que me deixa fraca, mas sim Oliver Queen.
(.....)
Me sinto exausta e indignada, até quando vou passar por esse tormento? Ah! Sim lembrei! Até o resto dos meus dias, temos um filho, isso mesmo, um laço inquebrável, porque o Oliver não simplesmente me odeia e fica longe de mim, seria bem mais fácil. Me jogo no tapete ao lado de Ray que gargalha com Scott assistindo um desenho qualquer.
— Você está horrível – sussurra com uma careta para mim.
— Mamãe está linda – repreende Scott em minha defesa se jogando sobre mim. – Minha mamãe sempre vai ser linda. – sorriu beijando meu rosto passando todo o carinho e saudades do seu dia.
— Como foi seu dia? – pergunto já sabendo do óbvio. A animação é tanta que está em seus olhos.
— Papai me ensinou muitas coisas hoje – começa animado. Papai? Esperava que fosse levar mais tempo para chegar a esse nível, mas vamos pular essa parte. – Eu gosto do tio Tommy, tio Diggle e tio Roy – gargalha pegando sua bola oval.
— Você me paga Felicity – rosna Ray baixo com ciúmes revirando os olhos. – Todos esses anos, fui trocado por um bando de idiotas.
— Seu preço por ter deixado meu filho escapar de sua proteção e só está começando Ray – retruco empurrando-o para o lado irritada.
— Mas eu gosto muito mais do meu tio Ray – informa Scott pulando no pescoço do mesmo.
— Eu sei que sim, troquei suas fraldas garoto – gargalha Ray se fingindo de ofendido.
— Mamãe eu quero que você veja o papai jogar comigo – pediu meloso com resmungo jogando a bola para mim.
— Scott – gargalho. – Não gosto daquele time de.... – engulo minhas palavras. – De Star City – acrescento nervosa jogando a bola para longe.
— Não. Não – grita nervoso. Desde quando esse menino ficou assim? – Amanhã é domingo e o papai vai treinar, eu quero ir com você – confessa se encaixando entre mim e Ray que volta a fitar a TV nervoso.
— Scott eu e o.... – interrompe mal-humorado.
— Mamãe eu quero ver meu papai amanhã – choraminga passando as mãos no rosto.
— Você vai com seu tio Ray – argumento enquanto Ray nega com a cabeça.
— Não! Eu quero que você venha comigo – explica nervoso se pondo de pé beijando meu rosto utilizando de todas as chantagens que consiga esboçar. – Por favor, mamãe.
— Eu vou tomar um banho agora meu amor – desvio do assunto. – Eu preciso resolver umas coisas amanhã, não poderei ir com você, mas lembra? Tio Ray está de castigo por tempo indeterminado – sorrio dando-lhe um beijo casto no rosto e saindo quase correndo da sala para meu quarto antes que Scott ache alguma forma de me chantagear. Eu ir ver o Queen jogar? Nunca.
(......)
Dia seguinte.
— Olha mamãe aquele é tio Diggle – informa Scott com largo sorriso me puxando pelo o gramado. Isso mesmo, ele se negou a sair de casa comigo para outro lugar, fez todas as chantagens emocionais e todos os tipos de birras que uma criança pode fazer. Meu dia especial com meu filho foi trocado por um dia de exibicionista nível Queen. Mereço! – Tio Diggle – grita Scott animado soltando minha mão e correndo em disparada até o mesmo que gira sobre os calcanhares e solta uma larga risada lhe pegando nos braços para cochichar algo em seu ouvido.
— Vou comprar uma agua o dia vai ser longo.... – suspira Ray entediado se afastando. Corro o olhar pelo o local, mas só vejo o treinador, jogadores e o mais novo tio Diggle de Scott. O Queen não! O que me deixa aliviada, vai ver ele bebeu todas e não acordou, está no seu hotel com alguma vagabunda qualquer, espero só o momento em que Scott volte e peça para ir embora.
— Você me parece muito animadinha hoje srta. Smoak – informa Tommy me dando um susto, nem notei que estava sorrindo. – Isso tudo para ver Oliver jogando? – questiona animado ficando a minha frente com o capacete debaixo do braço esquerdo dentro do seu uniforme do time.
— Como? Eu animada? – gargalho sarcástica. – Meu poupe do seu sarcasmo, estou aqui pelo o meu filho, não por ele – aceno dando um passo para trás. – E seu amiguinho não está aqui, coisa que não me assusta, pois sei que não....
— Eu mudei – interrompe irritado, colido com sua parede de músculos definido chamado; corpo, o que me faz dá um passo para frente girando sobre os calcanhares para fita-lo dentro de uniforme que mostra o quão magnífico esse homem ainda pode ser. Por Deus. – Eu não vou mais repetir Felicity – acena passando por mim. – Eu mudei aceita que dói menos.
— Aceita que dói menos – repeti sorrindo. – Que você faça uma péssima partida hoje, amanhã, depois.... Depois – grito irritada observando ele se afastar com Tommy ao seu lado que anda de costas fazendo um coração para mim com as mãos. – Idiota! – praguejo me jogando no banco vazio.
— Você ainda não viu nada – cantarola Ray se fazendo presente com saquinho de biscoitos e uma garrafa de água.
— A culpa é sua sabia? – cruzo os braços impaciente. – Se não tivesse....
— Perdido o Scott, estaria fora dessa, blá, blá – interrompe comendo e dando de ombros. – Pesando bem.... Scott está na sua melhor fase, tem alguém melhor para se espelhar do que só nós dois – aponta para o campo com animação. Sigo seu olhar e vejo Scott beijando o rosto do pai com carinho, balançando a bola em que os mesmos vão jogar, Oliver diz algumas coisas para Scott que compreende e volta correndo para mim em disparada quase sem fôlego.
— Meu amor cuidado para não se machucar – pedi nervosa tomando a garrafinha de água de Ray antes que ele bebesse o líquido entregando para Scott que começa a beber cansado.
— Papai.... Disse que eu ficasse aqui – informa cansado sentando em meu colo. – Não posso ficar no campo agora mamãe – explica.
— Isso mesmo, os brutos.... Jogadores vão jogar e você não pode ficar no meio deles – aceno nervosa para o campo.
— Eu sei mamãe – concorda deitando de costas em mim. Beijo seu rosto e aperto seu corpo com delicadeza contra o meu alisando seus cabelos para o lado. Encosto meu queixo em seu ombro e ergo o olhar para o Queen. Vamos lá Oliver mostre o que você se orgulha em fazer durante esses anos.
Fale com o autor