This Love
21 Home.
Notas iniciais
I’m a phoenix in the water
A fish that’s learnt to fly
And I’ve always been a daughter
But feathers are meant for the sky
So I’m wishing, wishing further
For the excitement to arrive
It’s just I’d rather be causing the chaos
Than laying at the sharp end of this knife.
Home — Gabrielle Aplin
Pov Felicity Smoak.
Já estávamos no quarto e último período do jogo, Oliver e seu time estavam vencendo com uma vantagem de três pontos à frente. Eu me sinto inquieta, tudo que nos envolve está dentro e fora de campo, tentei canalizar minhas inseguranças ou medos, em motivos que ainda nos faz ficar juntos, o amor que sentimos um pelo o outro, é forte e único, e mesmo que estejamos passando por um momento perturbador, sempre há esperança. Eu sei, o quão difícil e duvidoso pode ser, abrir mão de tudo aquilo que ele construiu até agora, é o seu próprio império, algo que ele ama fazer, eu jamais iria tirar isso dele, mesmo que partisse meu coração no fim no processo.
— Mamãe. – Chamou Scott com sorriso bobo nos lábios, ainda com seus lindos olhos azuis grudados em cada movimento do pai em campo. As pessoas a nossa volta, estavam loucas, muita gritaria e pula-pula, como era oficial, não podíamos ficar na beirada do campo, só pessoas autorizadas como; os técnicos de time, paramédicos e jogadores, mesmo sendo família, o lugar mais próximo era a arquibancada do estádio crossfit.— O papai não deu nenhum beijo em você, porquê? – seu tom de voz saiu desconfiado e manhoso me deixo nervosa. Nos intervalos, Oliver se limitou a chegar a mim de maneira carinhosa, como gosta de fazer sempre que estamos juntos, ele por si, ficou mais tempo com Scott e os outros jogadores discutindo coisas que eu não entendia, as vezes fazia um aceno simples para mim e desviava sua atenção para longe...
Isso realmente magoa uma mulher, um dia ser tratada como uma rainha, no outro como uma mera amiga ou desconhecida, mas sei o preço, era alto a ser pago. Esqueci do dia importante de Scott, despejei meus sentimentos duvidosos em cima dele, e ainda exigi um compromisso. Eu não tinha esse direito de colocar várias regras em cima dele, sem direito de resposta, eu me recoloquei na Felicity que transformei depois que o deixe há cinco anos atrás, querendo o controle de tudo novamente, nisso eu acabei estragando tudo! Foi todo o meu erro.
– Ele está ocupado com o jogo, meu amor. – Sorri acariciando seus cabelos. – Temos muito tempo ainda, para estarmos juntos carinhosamente. – pisquei, querendo que Scott confiasse em mim.
— Mamãe... o papai está estranho com você. – Scott com toda sua inteligência revidou. Respirei com dificuldade, procurando algum meio de fazê-lo esquecer isso, o que raramente aconteceria. – Papai ama você, ele não é assim. – Sussurrou colocando o boné com nervosismo.
— Assim como eu também amo ele, então não se preocupe com isso, estamos em uma fase difícil, Scott. – murmurei mais grave. – Venha cá, sua mamãe precisa dos seus carinhos. – Sorri puxando-o para mim, fazendo cocegas e dando-o vários beijos.
Com uma risada gostosa ele ficou em meio as minhas pernas, me dando toda atenção do mundo, beijando meu rosto com toda sua fofura, sua pele estava mais corada, devido ao sol, mesmo debaixo do boné e de todo o protetor solar que passei, meu pedacinho de tudo, minha vida inteira se resumi em cada passo de Scott, e com o tempo adquiri o mesmo amor por Oliver, o homem com quem quero passar o resto dos meus dias, mesmo que para ele não seja o mesmo.
— Chocolate ou morango, Scott? – Ray se aproximou com dois sorvetes, seguido por Cait e Thea, nos assentos mais abaixo de onde eu estava.
— Chocolate. – Scott respondeu esticando sua mãozinha para pegar. Ele voltou para mim, sentando no meu colo e encostando-se em mim, dando lambidas pequenas em seu sorvete, inalei o cheiro do seu cabelo sedoso, direcionando o olhar para Oliver.
Em campo, ele poderia ser considerado várias coisas, o homem mais lindo do mundo, forte e poderoso, jogador de ótima qualidade e um capitão de time de dar inveja. Tudo era e não era meu ali, eu queria ser a melhor torcedora para ele, retribuir todo o amor que ele me deu durante todo esse tempo, está ali em todos os momentos da sua vida, sejam ruins ou bons, eu só queria ser dele, apenas dele, como jamais seria para outra pessoa, mas Oliver não pensava da mesma maneira, o silencio que ele deixou naquele elevador, ainda corta meu coração por dentro e o medo de perde-lo, só me fazia afundar ainda mais no peito. Com alguns minutos faltando, quebrando minha bolha, o tempo acaba levando os Green´s Donald´s a vitória. Eu sorri abertamente e Scott deu seus pulinhos, mas alguma coisa em campo estava errada, eu podia ver todo o xingamento do jogador dez, tirando o capacete e jogando-o no chão, seu nome na camisa era Tyler, time oposto, ele parecia agressivo e desejava de alguma forma atingir Oliver naquela confusão que já se formava, tanto fisicamente como psicologicamente. Damian, o técnico do time, dava instruções para Oliver concentrar-se a sair de campo e deixá-los de mão, nossos olhares se encontraram e eu acenei como Scott, com a visão de vê-lo suado e ofegante, com o mais belo dos sorrisos no rosto, esse era meu garotão, porem sua atenção voltou para o acumulo de jogadores atrás de si, Tyler o capitão do outro time grunhiu alto, eu sabia que Oliver estava em todo seu autocontrole para não revidar, mas diferente dele, Tommy respondia a altura e não suportou agressão verbal, mesmo que fosse divertimento, era agressivo.
— Vai se ferrar! – Tommy rosnou empurrando Tyler para longe. Uma briga começou em campo e os dois rolaram pela a grama, Scott soltou o sorvete e todos nós ficamos em pé, apreensivos com o que víamos.
Todos os jogadores foram para cima, tornando uma batalha naval no gramado, seguranças e técnicos dos times correram e foram amenizar a situação que se alastrava, o público acabou indo a loucura, virei a tempo de ver uma grade lateral que nos separavam dos torcedores do outro time romper, com um barulho estridente, tornando os assentos mais imprensados perto de nós, puxei Scott para meu colo abruptamente. Fiquei nervosa com toda aquela confusão, eu faria de tudo para proteger meu filho daquele mar de gente que pulava a grade para ir em direção ao campo, onde os jogadores já estavam sendo retirados, Ray viu o pânico tomar de conta de meu rosto e começou a empurra algumas pessoas, para nos alcançar.
— Felicity! – Chamou Ray pegando Scott para seus braços logo abaixo, onde continha mais espaço. Mas antes que eu pudesse me mover para perto deles, alguns caras altos da torcida oposta, passaram por mim como um furacão, me arrastando assim como outras mulheres que estava ao meu lado, empurrando-nos com muita força para longe, eu gritei esticando a mão para meu irmão, mas o acumulo de pessoas só aumentava, me sufocando e me jogando para o mais longe possível, eu senti meu pé torcer quando pisei no degrau atrás de mim, e assim que cheguei ao chão bati com força a cabeça em uma das cadeiras que era fundida ao concreto, eu gemi e senti a escuridão me engolir, tudo que eu ouvi, foram os gritos de Scott, chamando meu nome um pouco distante.
— Mamãe...
[.....]
Oliver Queen.
— Eu sinto muito, Oliver – Pediu Tommy em tom desesperado, puxando os cabelos para os lados. – A culpa foi minha, eu comecei a briga e todos se envolveram, junto com a torcida. – Disse ele com angustia passando as mãos nos cabelos.
Eu andava de um lado para outra com Scott no meu colo, ele já tinha parado de chorar, devido ao susto de sua mãe inconsciente, Cait, clínica geral, ainda não tinha saído da sala de avaliação onde Felicity estava, meu coração estava aponto de sair pela boca, quando a encontrei, ela estava caída no chão com a testa sangrando, sujando todo o seu rosto de anjo, estava tão vulnerável. Se tinha algum culpado, esse seria eu, ela não queria ir ao jogo, e mesmo assim foi para não me deixar decepcionado, e para manter aproximação a mim, acabou ficando perto da torcida oposta, meu filho estava lá caralho, se algo tivesse acontecido com ele, eu jamais me perdoaria e com certeza eu tinha matado muita gente nesse dia.
— Eu quero minha mamãe. – Choramingou Scott fazendo meu coração congelar.
— Ela vai ficar bem. – Sussurrei em seu ouvido apertando-o contra meu corpo. – Eu estou aqui, vai ficar tudo bem, eu prometo isso a você. – Afirmei soltando o ar.
— Mas que porra. – Tommy ainda parecia fora de si. – Maldito sejam aqueles jogadores filhos da...
— Tommy. – Cortei serio onde ele parou e me encarou por alguns instantes. – A culpa não é sua cara, sempre brigamos em campo, o estádio não tinha como ocupar todas aquelas pessoas, mesmo assim a administração vendeu mais que o solicitado, pondo em risco a vida de todo mundo, e sabíamos que tinha torcedores malucos, que acabariam invadindo o campo, cedo ou tarde, mesmo assim a culpa não foi sua. – Inspirei com cuidado, alisando as costas de Scott, que ainda estava nervoso.
— Sim, sim foi minha Ollie. – Grunhiu em frustação. – Eu comecei e acabou gerando tudo aquilo, porra.
— Silencio no meu hospital. – Cait saiu da sala com suspiro cansado, vestida com o jaleco branco e seus cabelos em um rabo de cavalo. – Ou eu chuto seu traseiro para fora daqui, Thomas. – Ela avisou com uma carranca assassina.
Ray ficou ao meu lado, assim como Thea, que se mantinham em silencio, estávamos todos assustados com tudo que aconteceu.
— Cait, minha irmã? – Questionou Ray com a voz profunda de preocupação. — Não minta para mim.
— Ela está bem. – afirmou paciente. – Ela torceu o pé, e está com inchaço na cabeça devido a pancada, precisa de repouso e observação por enquanto, quando ela acorda, faremos mais exames.
— Posso entrar? – Pedi aflito encarando a porta atrás dela. – Por favor, eu preciso está lá, quando ela acordar.
— Eu quero ver minha mamãe. – Scott olhou para Cait com os olhos banhado de lagrimas.
— Você ainda não pode vê-la, meu pequeno, por isso fique um pouco comigo e seus tios. – Cait sorriu pegando-o para seu colo. – Assim que a mamãe acordar, ela irá para o quarto, enquanto isso, só Oliver está autorizado a entrar. – Ela olhou para mim com carisma. – Não fique na cama, e não tente acorda-la. – Ordenou dando um passo para o lado. – Sei que vocês dois estão passando por uma situação difícil no momento, então não deixe ela passar por estresse, isso pode ser prejudicial para a saúde dela, e realmente você não vai querer me ver como uma medica inimiga, sei meios de mata-lo lentamente. – Avisou Cait segurando meu pulso enquanto eu tentava girar a maçaneta.
— Eu prometo não fazer nada de errado. – Afirmei com sinceridade. Dei um beijo em Scott que estava de cara fechada, com os bracinhos cruzados sobre o peito. – Hey campeão? Confia no seu papai? – perguntei buscando seu olhar. – Assim que eu sair dessa sala, eu trago você para vê-la. – sorri ele assentiu não muito confiante, deitando no ombro de Cait. – Agora, posso? – apontei para a porta, mesmo desconfiada ela assentiu, voltando-se para Tommy e os outros.
— Vamos tomar um café, galera. – Chamou com aceno. – Vocês parecem bonecos quebrados.
— Eu já estive pior. – Suspirou Tommy passando a mão nos cabelos. – Ela pode morrer? – sua pergunta me congelou.
Cait rosnou e deu um tapa na nuca dele, puxando-o pela mão como se Tommy fosse um menino rebelde.
— Claro que não seu idiota! – Exclamou em passos largos. – Minha amiga é forte o bastante e você ainda vai levar muitas patadas dela. – Sorriu saindo com meu velho amigo e os outros atrás de si, entre as portas de emergência.
Suspirei pesado e entrei no quarto, ele é branco com cinza, uma poltrona ao lado da cama, e alguns aparelhos com bipes. Direcionei meu olhar para a mulher da minha vida, vestida com avental do hospital e o coberto até sua cintura, sua expressão era cansada, um grande curativo estava no lado esquerdo da sua testa, ela dormia tranquilamente com a respiração normal. Me aproximei com todo o cuidado, e peguei em sua mão com leveza, estava quente como o habitual, macia e pequena, a minha era muito maior e áspera, envolvi completamente na palma da minha mão, puxei a cadeira sem fazer barulho e fiquei ao seu lado, em total silencio, estudei e gravei na minha mente cada pedacinho do seu rosto, por mais que Felicity fosse uma mulher vivida e mãe de Scott no auge de seus vinte e cinco anos, ela ainda parecia uma menina frágil e apaixonada. Passei muito tempo em silencio, apenas escutando as batidas do seu coração e a respiração. Foi quando eu resolvi dizer tudo, eu precisava dizer tudo aquilo que ela precisava ouvir para entender, que a amo de toda as formas, mesmo que ela não me ouvisse agora.
— Quando eu te encontrei naquela boate, eu pensei; porra, é a mulher mais linda que eu já tenha visto em toda minha vida, por que não faze-la minha? Aqui e agora? – sorri torto encarando sua pele corada, a suavidade da sua aparência a torna tão sensível e única, que me faz querer ainda mais do que ela possa me proporcionar. – Para aqueles que me conheciam, diriam; claro que ela é linda, Oliver! Você diz isso para todas. – Revirei os olhos. – Mas a verdade é que, eu não vi apenas a beleza física em você, eu pude ver seu coração como ele é, o que você poderia fazer apenas com um simples sorriso ingênuo. Você estava lá em meio aquelas pessoas, segura de si, mais também perdida e com medo, não era lugar onde você costumava frequentar, eu quis aproveitar o momento e jogar uma cantada, era um desafio, mas você me aceitou tão facilmente, quando ficamos na sala vip, fazendo sexo por horas, eu pude me apaixonar por você inúmeras vezes. Toda sua doçura e simplicidade, o brilho nos seus olhos, e o desejo incansável de me sentir até o fim...
Senti meus olhos queimarem, meu coração estava aberto para ela, sempre foi para ela, nunca imaginei que poderia sentir algo tão forte assim, Felicity era dona de mim, tem sido assim desde a nossa primeira noite onde eu jurei a mim mesmo, que ficaria ao seu lado para sempre, mesmo com todas as falhas, o destino meu deu uma segunda chance, e eu seria eternamente grato.
— ... cada minuto ao seu lado, eu descobria uma nova forma de viver, deixar de ser o Oliver imaturo e inconsequente, você aos poucos me tornou o homem que sou hoje, autoconfiante e responsável – Senti a lagrima escorrer e tocar sua mão, a medida que encostei meus lábios na pele delicada de sua mão. – Eu a amei desde então, mesmo você indo embora, partindo meu coração ao meio, escondendo um filho de mim, eu jamais seria capaz de deixar você, de não ama-la, minha vida é você Felicity, e você precisa saber... que eu sempre vou estar com você, por toda minha vida, então abra os olhos e me diga. – Me aproximei apertando sua mão de leve. – Você e o Scott, são as melhores coisas que possa ter me acontecido, eu te amo mais do que a minha própria vida, eu preciso e quero você ao meu lado, pelo resto da minha vida, porque sem vocês dois não sobra nada. – eu queria está dizendo isso olhando nos olhos delas, observar sua emoção transbordar, esperar cuidadosamente quaisquer de suas reações... só me ouça, amor, é tudo que peço.
– Oliver. – Ela gemeu abrindo os olhos, piscando freneticamente, inalando o ar, senti meu coração disparar, assim como todo meu corpo acelerar, ela tinha me ouvido.
— Amor... – gaguejei ficando em pé prontamente. – Fique quieta, preciso chamar Cait, ela...
— Oliver. – mais uma vez ela chama com gemido baixo, apertando minha mão com mais força, buscando o ar como algo preciso. Observei lagrimas molharem seu rosto frágil, enquanto ela me olhava inquieta e emocionada. – Baby, eu te amo. – Com uma careta de dor, ela sorriu puxando-me para mais perto, tateando em busca da minha camisa, encontrando-a e puxando-me para si, sorri encostando nossos lábios. – Me beije. – ordena com a voz rouca.
— Minha princesa. – Sussurrei sentindo o gosto dos seus lábios rosados e macios. – Eu também te amo.
— Desculpe. – Funga ainda chorando. – Desculpe, eu... eu... fui irracional jogando tudo aquilo em você. – ela gagueja baixo fechando os olhos.
— Hey, não precisa se desculpar. – Discordo puxando-a com gentileza para mim. Inalo o perfume dos seus cabelos sentindo um tremor se dissipar do corpo. – Eu entendo você.
— Sinto muito, eu tive medo de você ir embora. – Choraminga baixo molhando minha camisa. Aliso suas costas com carinho, passando todo o carinho e amor para ela, da maneira que sempre tive vontade de fazer. Para a mulher que amo. – Agora eu sei como foi sua dor, ao me ver ir embora. – ela se afasta e busca meu olhar. – Eu passei por cima de você como um rolo compressor, eu sou uma pessoa má.
— Nada disso Felicity. – Suspiro serio. – Nosso passado é a coisa mais bela que já existiu, eu era um cafajeste e fiz coisas muito ruins para conseguir o que eu queria, pisei em corações se me importa, mas depois que encontrei você tudo mudou, então não vamos nos julgar, erramos e é isso, é quem somos, humanos e suas falhas. – limpo com a mão livre suas lagrimas. – Eu não disse nada no elevador porque fui um covarde, o medo tomou conta de mim e eu me isolei deixando você sozinha nessa, mais saiba que eu fui um babaca egoísta, e que ama você incondicionalmente, acredite você é minha vida, eu jamais deixaria a pessoa que mais amo no mundo.
— Eu te amo sobre todos os defeitos Oliver.
— Eu te amo sobre todas as coisas. – Sorri puxando seu lábio com os dentes. – Você me assustou hoje.
— Sinto muito, acho que alguém passou por cima de mim com um rolo compressor. – Deu de ombros com sarcasmo.
— Não tem nada engraçado nisso. – rosno.
— Você fica sexy, quando é autoritário. – Pisca tentando ao máximo me pressionar contra si.
— Quieta! Quieta! – exclamo alarmado. – Todos estão lá fora, qualquer um pode entrar aqui e nos pegar em uma cena erótica.
— É uma das minhas fantasias. – sorri dando beijos nos meus lábios.
— E quantas você tem? – questiono incrédulo.
— Uma delas é você de terno, eu nunca vejo você usando um. – Suspira em reprovação olhando para minhas roupas. Um jeans desbotado e uma camisa do time. – Sexy, mas preciso de mais.
— Os remédios estão deixando você excitada?
— Não, você que me deixa. – sorri dando-me um beijo profundo. Suavizo o aperto em sua cintura e deixo-a se inclinar sobre mim, até que escuto um gemido de dor escapar dos seus lábios.
— Não, Felicity não. – afasto-me dela com sorriso. – Está machucada mulher, não vou fazer isso aqui.
— Estou muito tempo sem você. – Sorri caindo de encontro com o colchão, soltando gemidos mais agudos. – Meu pé. – Direciono o olhar para a bota que já foi posta.
— Você torceu o pé e bateu com a cabeça. – informo olhando seu rosto formar uma careta. – Nada de movimento muitos bruscos. – ordeno.
— Nosso bebê Oliver? – ela berra olhando para os lados. – Scott!
— Está com os outros lá fora. – conforto beijando suas mãos. – Ele ficou assustado, mas está bem.
— Oh, meu Deus! – Exclama preocupada. – Percebeu que ultimamente sou a mãe mais descontrolada que já existiu? Meu filho vai crescer com trauma.
— Não seja louca. – repreendo com uma risada. – Você é uma mamãe perfeita. – afirmo inclinando o tronco até alcançar seus lábios. Ela embala meu rosto com as mãos buscando meus lábios com uma pressão profunda, como eu senti saudades, e nem faz tanto tempo assim.
— Saia de cima da minha paciente. – Cait solta uma risada com sua ordem cortante. – Nada de sexo com meus pacientes, jogador!
Aceno mando ela ir embora sem encara-la, ainda me deliciando com os lábios de Felicity, que me agarra pelo pescoço para aprofundar o nosso beijo.
— Seus tarados. – Cait acusa me puxando. – Caia fora, preciso verificar minha paciente.
— Eu te amo. – sorrio olhando sobre Cait.
Felicity acena e sorri enxugando as lagrimas, eu nunca vou amar tanto como amo ela. Minha Felicity.
Pov Ray Palmer.
Que se foda! Eu reunia forças para acusar o Queen, de todas as coisas ruins que tem acontecido durante todos os anos em que ele se meteu em nossa vida, mas agora, eu tinha ninguém a culpar, Felicity o ama, e sempre vai ama-lo como todos os seus malditos defeitos! E saber que ela é feliz ao lado dele, me deixa a sensação de dever comprido, não é só mais eu e ela contra o mundo, com toda a tristeza do nosso passado, agora nossa família aumenta, porra, eu sou grato a todas coisas boas que tem acontecido, finalmente o buraco negro está se fechando e a luz pode finalmente nos guiar.
— Ray. – escuto a voz suave de Sara me invadir. Sua pequena mão envolver meu ombro antes tenso, agora mais tenso ainda. Vejo o quão longe estou de todos os outros.
Oliver brinca com Scott que está sentado em cima da mesa, comendo chocolates, agora feliz em saber que sua mãe está bem. Tommy parou de se martirizar pelas merdas em campo e voltou para seu habitual tom de divertimento, alegrando todos aqueles que nos acompanham. Thea namora com Roy em um canto mais afastado, Diggle dá tapas na nuca de Tommy repreendendo-o quando o mesmo deixa escapas palavrões perto de Scott.
— Eu sei que eu sou a última pessoa no mundo que você deseja ver agora, mas precisamos conversar. – ela continua contornando a mesa para ficar a minha frente. Prendo a respiração com o maxilar trincado, volto para minha postura defensiva, observando seu lindo corpo deslizar a cadeira a minha frente.
— Não temos nada para conversar, Sara. – discordo em voz baixa.
— Por favor. – pediu um pouco triste. – Eu só preciso conversar com você, todos esses anos tem sido difíceis.
— Você achou que voltando para casa e pedindo desculpas para sua irmã e seu pai, resolveria a merda que você fez? – ergo uma sobrancelha sabendo que acabei de jogar sal em sua ferida. – Sinto muito, baby, mas a merda quando feita, não tem como correr e disfarçar.
— Eu sei o quão eu magoei você, mas nós não tínhamos mais nada Ray, eu era só sua quando...
— Não, não, não. – interrompo sem paciência. – Você mentiu e pisou em mim de todas as maneiras, eu estava bem sem saber nada sobre você, e estou ótimo em saber que você vai entrar no avião e sumir para qualquer lugar onde você se meteu todos esses anos. – bufo massageando as têmporas, eu sou um babaca da pior espécie, mas não vou permitir que ela entre, e que me faça de otário mais uma vez.
— Eu sei que você me odeia com todas suas forças, mas Ray eu preciso que você me perdoe, precisamos seguir em frente sem remorsos.
— Eu estou seguindo sem remorsos. – lato encontrando seu olhar.
— Não precisa ser grosso, você nunca foi assim. – ela encolhe os ombros me fazendo exalar raiva. Maldita Sara que permanece nos meus pensamentos todos esses anos, mesmo com toda minha fuga, ela está nos mais profundo dos meus pensamentos.
— Desculpe. – suspirei desviando dos seus olhos. – Sei que mesmo que você tenha sido consideravelmente traidora, devo permanecer com meu cavalheirismo, porque ainda sou a porra de um homem bom.
— Eu não te traí, caramba, será que é tão difícil de entrar na sua cabeça? – ela rosna me desafiando com os olhos azuis. – Eu não estava mais com Oliver quando decidi ficar você, será que é tão difícil de entender, que eu me apaixonei por você?
— Me prove Sara – ergo uma sobrancelha deixando a confusa. – Me prove de alguma maneira que todo o tempo que passamos juntos você foi só minha, de corpo e alma. – desafio ela a me enfrentar e colocar tudo para fora.
— Nada que eu diga, você vai acreditar. – ela funga enxugando as lagrimas.
— E por que não tenta?
— Porque você é um imbecil!
— O mesmo que você amou!
— O mesmo que eu ainda amo. – ela grita chamando atenção de todos. – Você deseja uma admissão de tudo que eu passei? É isso? Então Ray, eu quero que você vá se ferrar, eu já me humilhei bastante, em vir até aqui te perdi perdão por algo que nós todos fizemos. – ela chora saindo da mesa em passos apressados em direção ao corredor que dá para a saída.
Escuto os murmúrios de todos, e sinto meu peito inchar, maldita Sara! Por que ela veio até aqui para apenas provar o quão ainda sou louco por ela e não quero admitir. Merda! Mil vezes merda! Me levanto sem encarar ninguém e sigo rapidamente pelo o percurso que ela fez, empurro a porta de vidro que dá para a entrada do hospital, respiro o ar de Nova York com dificuldade. Corro o olhar pelo o espaço que separa o hospital da rua, e com alguns minutos vejo ela encostada em um poste, soluçando com as mãos no rosto, eu me vejo a pior pessoa do mundo em fazer isso com ela, assim que a conheci, ela me mostrou a quão forte era e desafiadora, me fazia rever minhas regras e me abrir para alguém após a morte da minha noiva Anna. Engulo em seco, e com passos silenciosos sigo até ficar atrás dela, sei que ela notou minha presença, seus ombros visivelmente relaxam e seus fungados se tornam baixos. Espero e sei exatamente o que ela irá fazer, caso nada tenha mudado esses anos. Porra Ray! Claro que tudo mudou, só você ainda é cego o bastante para ver isso.
— Ray... eu sinto muito. – ela ainda chora de costas para mim, tão pequena e frágil que faz meu sangue ferver nas veias. – De todos as pessoas que magoei, você foi o único que me fez sentir, a pessoa desprezível que eu fui, eu jamais magoaria você, e eu me arrependo todos os dias de não ter dito a verdade logo no início.
— Por que você voltou, Sara? – corto em voz baixa, afinal eu precisava saber, ela não estava apenas atrás de perdão meu.
— Quando Thea contou que Oliver tinha encontrado Felicity, uma chama dentro de mim se acendeu, pois, eu sabia que eu podia encontrar você também. – responde baixo voltando-se para mim com os olhos e o rosto avermelhados pelas as lagrimas. – Mesmo que você me odeie e nunca queira me ver realmente, eu precisava ver você mais uma vez, pela a última vez, talvez...
— Por que me ama? Ou por que sente culpa?
— Porque ainda me sinto ligada a você de todas as formas. Fisicamente e emocionalmente. – funga com sorriso torto.
— Te conforta em saber que eu sinto o mesmo? – abro um sorriso de um milhão fazendo-a sorrir de volta.
— Sério? – seu olhar desconfiada me faz relaxar. – Não quero sua pena Raymond.
— Aceita outra coisa? Talvez um sexo casual novamente? – solto atrevido fazendo seus olhos brilharem. Como por impulso abro os braços como convite, fazendo minha pequena Sara, me estudar por um longo momento.
Ela sorri mais uma vez e se joga em mim, se agarrando como um bebê chimpanzé, beijando todo o meu rosto, suas mãos delicadas adentrando em meio as minhas roupas até encontrar a pele do meu peito, me sinto em casa mais uma vez, e vejo que nem tudo mudou para nós, posso conviver com isso e sei que todos nós já superamos nossas merdas. Inclino meu tronco para baixo, buscando seus lábios em um sorriso satisfeito. Com um gosto suave de café ela corresponde me dando um beijo profundo fazendo tudo a nossa volta desaparecer. Ergo uma das minhas mãos para embalar seu rosto deixando gravado tudo dela que posso tirar e guardar só para mim.
— Eu senti sua falta. – choraminga se afastando buscando o ar. Olho nos seus olhos transmitindo o mesmo.
— Temos algum filho que eu não saiba? – sorrio para ela.
— Oh, não, não. – sorri com carinho. Vejo que foi só a louca da minha irmã a passar por isso.
— Não tem ninguém com quem posso me preocupar? – ergo a sobrancelha querendo enfim levar um não sonoro pela a rua.
— Não. – sorri deixando beijos castos em meus lábios. – Sempre foi você, do início ao fim.
— Bom... saber. – sorrio amistosamente trazendo-a para mim.
— Ray?
— Sim?
— E eu preciso me preocupar com algo? – sua vez de questionar erguendo as sobrancelhas.
— Não. – balanço a cabeça com uma risada atônita. – Depois de você, eu fui apenas um cafajeste. Sem compromisso.
— Você ainda pretende ser um?
— Acho que não. – sorrio selando nosso lábios deixando as perguntas para depois. Selando nossas feridas, fechando as portas que dão para a escuridão, deixando apenas o nosso amor nos guiar, sempre foi o certo a se fazer, eu que fui um idiota em acreditar que meu destino se limitava apenas em ser um homem sozinho cuidando de Felicity e Scott que já estão em casa com sua família formada.
Porra Ray! Acho que as coisas agora estão em seus devidos lugares.
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