Notas iniciais
Boa tarde meus amores! Aqui está mais uma atualização dedicada especialmente para ThayThay, por sua belíssima recomendação o que me deixou muito feliz, li e reli umas mil vezes emocionada. É muito gratificante para mim, receber algo assim sabendo que minha história está agradando a ambos. Muito obrigada flor espero que goste do capitulo. Boa leitura!

In the night I hear 'em talk,
The coldest story ever told,
Somewhere far along this road
He lost his soul
To a woman so heartless...
How could you be so heartless?
How could you be so heartless?

Heartless -- The Fray

Pov Oliver.

— Oliver Queen, pai do Scott – estiquei a mão com uma carranca assassina soltando faíscas com os olhos para o indivíduo a minha frente a quem Scott apresentava muito carinho.

— Michael Willians. Padrinho de Scott, ou seja, segundo pai – devolveu o aperto com a expressão fechada. Talvez um machado para parti essa criatura ao meio fosse a solução, mas afastei meus pensamentos assassinos e mantive quieto por meu filho.

— Em todo lugar – disse Felicity para o tal Michael que sorriu para ela como se compreendesse algo. Eu olhava para ele como se fosse uma aberração da natureza, aquela aproximação dos dois me deixava inquieto, no fundo eu sinto que algo aconteceu ou acontece entre os dois. – Cadê meu beijo? – questionou se direcionando para Scott que sorriu dando um selinho na mãe com muito carinho.

— Mamãe o papai vai comigo para casa – esclareceu Scott chamando minha atenção e a do Michael. – Tenho tarefa da escola e ele prometeu que vai me ajudar – sorriu saindo dos braços de Michael para perto de mim. Esse era realmente meu garoto.

— Eu ajudo você Scott – sorriu nervosa para o mesmo sem querer me encarar. – Sempre fiz isso – acrescentou.

— Eu sei, mas hoje eu quero o meu papai me ajude – disse meloso passando o braço por minha perna. Baguncei seus cabelos e soltei um sorriso acolhedor para meu filho.

— Tudo bem – assentiu ela com um longo suspiro passando a mão por seu vestido no tom negro que estava acentuado em seu corpo.

— Então vamos – chamei segurando a mão de Scott antes que eu enfim mande essa criatura chamado Michael para o inferno. – Te espero em casa, querida – pisquei com sarcasmo para ela que parecia borbulhar de raiva com minha frase. – Prazer em conhece-lo Michael – sorri forçadamente mantendo minha compostura de Sr. Educação pois por dentro eu estava aponto de joga-lo pela janela. Por que eu ainda sentia resquícios de ciúmes dela? Ela tinha seguido em frente e eu também. Éramos apenas pais do Scott, poderíamos ser pelos menos amigos, mas ela só quer distância disso tudo, e isso as vezes machuca por dentro.

— O prazer foi meu Sr. Queen – devolveu com sorriso de deboche. Fechei a cara e segui para o elevador com Scott ao meu lado acenando para o mesmo. Felicity parecia desconfortável, mas não se moveu para ir conosco a lugar algum. Essa banca de durona não combina com ela, como eu sinto saudades da velha Felicity, mesmo com todas as mentiras e desencontros fomos felizes um dia. Eu não tinha como negar, ainda sentia algo por ela, mesmo com todas essas coisas acontecendo entre nós.

— Papai – chamou Scott entrando no elevador.

— Sim? – suspiro um pouco atônito encostando no metal frio.

— Minha mamãe não gosta do Michael – disse um pouco nervoso, era como se me revelasse segredos.

— Como tem certeza disso? – questiono curioso.

— Porque ela gosta de você – respondeu com sorriso fofo mostrando todos os dentinhos brancos, com os olhinhos azuis em animação.

— Scott – repreendi baixo. Não queria que ela pensasse que Scott fosse apenas uma ponte entre nós dois.

— Verdade papai – balbucia puxando um boneco da mochila. – Ela tem uma foto olhando para você – revelou me deixando de boca aberta brincando com o boneco na parede.

— Que foto? – questiono procurando seu olhar.

— Ela disse que foi quando vocês dois namoravam no passado – respondeu sem me dar atenção ainda brincando com seu boneco. Abri a boca para falar algo, mas as portas se abriram e ele saiu correndo em direção a Silas, seu motorista que sorriu e falou coisas para o mesmo animadamente. Parecia que o tempo tinha congelado, saio do elevador para acompanhar o mesmo mais meus sentimentos estavam no passado.

Amor vamos tirar uma foto – chamo uma Felicity risonha que segurava um balde de pipocas olhando para os cartazes.

— Nossa sessão já vai começar Oliver, melhor não – negou nervosa seguindo para a fila.

Temos tempo ainda – argumento puxando-a comigo para a cabine de fotos ao lado.

Antes que os flashes saíssem, puxei ela para meu colo que sorria para a câmera, seus olhos azuis brilhavam cobertos pela maquiagem negra deixando-a bela, mas ela era, de todas as formas possíveis. Seus cabelos negros estavam em um rabo de cavalo, puxei a presilha para liberta-los, gostava deles soltos combinava mais com ela.

Começamos nossas sessões de fotos para a câmera, sempre que eu olhava para ela encontrava um olhar apaixonado, Felicity era de fato diferente de todas aquelas que um dia tive algo. Felicity era um sonho realizado, eu ficaria ao seu lado pelo o resto dos meus dias. Eu a amava como nunca amei ninguém no mundo. Disso, em tão pouco tempo não tinha dúvidas.

— Diga X Oliver – ordenou me roubando um beijo doce com o ultimo flash.

— Papai – puxou minha camisa Scott um pouco confuso despertando-me da lembrança. – Papai – chamou mais irritado.

— Sim.... – suspiro ainda quebrado pela lembrança daquele olhar que hoje já não era mais o mesmo para mim. – Estou aqui Scott.

Seguimos para o carro com ele dando alguns pulinhos e falando coisas sem sentido, isso ele herdou dela não tinha dúvidas.

[....]

— Onde está seu tio Ray? – questiono assim que chegamos em sua casa. Não lembro de ter visto Ray na empresa, gostaria de perturbá-lo, depois do jogo deplorável feito pelo o mesmo não nos encontramos mais.

— Hoje é quarta papai, ele joga polo com alguns amigos da empresa – respondeu Scott tirando os sapatos e seguindo para as escadas em disparada.

— Obrigado – sorri ao motorista que me entregava a mochila de Scott.

— Se precisar de algo, basta chamar senhor – disse Silas com sorriso torto.

— Tudo bem – assenti e o mesmo fechou a porta. Corri o olhar pelo espaço da casa vazia, onde só tinha eu e Scott, era um lugar bonito, a decoração era de bom gosto e muito espaçosa, creio que Scott teve muitos momentos bons por aqui.

— Papai – chamou Scott do alto das escadas sem a camisa apenas com o short do uniforme da escola e as meias. – Vamos brincar no meu quarto – sorriu.

Subi as escadas apressadamente antes que ele saísse correndo novamente.

— Esse quarto é do tio Ray – apontou para uma porta fechada. – Esse é o meu – apontou para o outro da frente que também estava fechada. – Esse é meu também – sorriu para outra porta próxima.

— Dois quartos? – franzi o cenho sem entender.

— Um de dormir e o outro de brinquedos – respondeu com desdém.

— Ah! Sim – concordo baixo.

— Aquele é para visitas – fez uma careta para o fim do corredor.

— E esse é da sua mamãe? – sugeri olhando para a porta entre aberta.

— Isso – sorriu balançando a cabeça positivamente. Eu queria entrar e vasculhar aquele quarto até encontrar a foto, mas claro que eu não faria isso. Scott me puxou para seu quarto e mostrou tudo para mim, era divertido a forma como ele explicava as coisas para mim, não tinha insegurança e estava feliz comigo ao seu lado, com algum tempo depois dei um banho nele para tirar a sujeira do dia de brincadeiras na escola e segui para a cozinha encontrando uma garota morena. Ela já tinha preparado o almoço de Scott e me passou informações dizendo que o mesmo só come na mesa quando os patrões estavam em casa, se não estivessem ele comeria no quarto ou na sala.

— Scott – chamo enquanto ele apenas queria brincar e não desejava comer com birra.

— Não quero – resmunga jogando a bola para cima.

— Mais precisa comer – informo calmamente. – Você só tomou café da manhã e não quis o lanche – esclareço chamando sua atenção por um momento. – Venha, precisa se alimentar.

— Não quero comer papai – passou as mãos nervoso no rosto sentando no chão.

— Não é apenas uma questão de querer Scott – sento a sua frente com sorriso torto. Eu quando tinha a idade dele deixava minha mãe de cabelos brancos, não me assusta sua negação, eu só queria sanduíche e refrigerante nessa idade. – Sabe.... Meu professor – comecei me referindo ao nutricionista do time. – Disse que era para eu me alimentar muito bem, assim eu ganharia todos os jogos do GD – sorri deixando-o curioso. – Se eu não ingerir os alimentos saudáveis e necessários, não poderei ganhar nenhum jogo – indiquei para o prato onde continha uma salada leve entre outras coisas.

— Verdade?

— Sim – apertei os lábios observando ele ceder e começar a comer.

— Então eu vou ganhar os jogos – sorriu de boca cheia.

— Vai sim – pisquei passando as mãos sobre seus cabelos loiros.

Com minutos depois ele finalmente comeu tudo o que me deixou aliviado, segui para sua cama com ele ao meu lado, ensinei sua tarefa onde não continha nada demais para ensinar, apenas preencher alguns espaços vazios e pintar alguns desenhos. Scott já sabia fazer seu nome e isso me deixava orgulhoso como ele mesmo se sentia, então escrevi meu nome em uma folha limpa, com animação ele começou a reescrever letra por letra sempre com atenção, colocando Queen no final do seu nome. Com o tempo ele foi relaxando e desligando seu motorzinho interior, fiquei ao seu lado observando-o dormir tranquilamente na cama. Eu olhava para ele como se não acreditasse ainda que Felicity tinha mesmo tirado ele de mim, era uma dor fina no peito, era algo que ainda me sufocava por dentro. Olhei para o lado e vi sua gaveta um pouco aberta, segui até a mesma para fecha-la. Mas antes notei um álbum dentro, com uma curiosidade peguei o mesmo para vê-lo melhor. Sentei na poltrona ao lado e comecei a folheá-lo, o que eu via me fazia sorri e chorar internamente, Scott ao nascer e todo o seu processo de crescimento estava ali, primeiros passos, sorrisos com dois dentinhos, aniversários, sempre ao lado dela que esboçava sorrisos belíssimos, aquilo me machucava por dentro, pois eu tinha perdido tudo sem ao menos ter tido uma chance de reivindicar.

[......]

Pov Felicity.

Scott saia da frente da TV, estou tentando assistir o noticiário – ordenou Ray nervoso do outro lado da linha. – Você Felicity traga-me o sorvete de menta, acabou o meu e se você não trouxer eu devoro o seu – rosna me fazendo revirar os olhos.

— Tudo bem – suspirei entediada desligando meu computador. – Deseja mais alguma coisa Sr. Palmer? – peguei meu casaco e minha bolsa. – Anny deixe tudo pronto para a reunião as oito da manhã por favor – ordenei para mesma que sorriu e concordou com a cabeça.

— Tenha uma boa noite Srta. Smaok – disse amigavelmente.

— Obrigada – acenei com a cabeça. – Então Ray onde estávamos?

Meu sorvete – berrou irritado. Sei que ele ainda me odeia pelo ocorrido no jogo e o gelo. – Antes que eu coma o seu – repetiu.

— Certo. Certo eu compro – avisei com uma risada baixa.

— Mamãe eu quero meus chocolates – pediu Scott pegando o telefone de Ray.

— Com castanhas? – sorri sabendo que era seu favorito.

— Isso – soltou um gritinho animado. – Scott pare de pular no sofá com os sapatos – disse Ray pegando o celular de volta. – Esse menino desde que conheceu o Queen, está mais....

— Feliz – suspirei. – Prometo não demorar – encerrei a ligação indo para o elevador. – Como não estaria? – mordi o lábio apertando no botão que indicava a garagem do prédio. Michael e eu conversamos por um longo tempo com xícaras de café bem forte, eu já estava esquecendo como ele era um grande amigo para mim, planejamos tudo sobre a nossa filial, a mesma que deixei de comparecer para resolver meus problemas pessoais, mais a imagem de Oliver com aparência de ciúmes não saia da minha cabeça, mesmo que eu não quisesse sua presença ou algo do tipo ele ainda mexia comigo e isso me deixava frustrada internamente. Eu estava mesmo voltando a sentir algo pelo o Queen? Balancei a cabeça afastando meus sentimentos e saindo em direção a Silas com a expressão cansada.

– Srta. Smoak – cumprimentou assim que cheguei perto do mesmo.

— Olá Silas – cumprimentei de volta deixando-o surpreso. A rainha do gelo como todos me chama, ainda tinha uma chama do bem dentro de si. Só não queria deixar transparecer. – Me leve antes ao supermercado – pedi com sorriso torto e o mesmo assentiu.

Dias depois.

— Michael ela é muito histérica, nos sites de fofocas dizia que ela era louca – soltei uma risada sarcástica olhando para meu tablet. – Tem certeza que você dormiu com ela? – gargalho apontando para a foto de uma modelo bonita com os olhos cor de esmeralda, pele pálida com cabelos loiros cumpridos.

— Diz ela que eu dormi com a irmã gêmea – deu de ombros com um sorriso galanteador. – A outra falava pouco, por isso que dormi pensando que era essa – piscou com sarcasmo em seus olhos verdes totalmente brilhantes.

— Homens – reviro os olhos jogando o tablet sobre minha mesa. – Então o que temos para hoje? – questiono.

— Duas reuniões com os acionistas e o pessoal de design já foram finalizadas, por hoje acabamos nossos compromissos com a empresa – disse colocando as mãos nos bolsos. – E um jantar? – ergue as sobrancelhas em sugestiva.

— Não lembro de nenhum jantar – refleti por um momento. – Ou estou sendo convidada para jantar? – ergui uma sobrancelha para o mesmo que sorriu em resposta. – Me parece uma ótima ideia – olhei para o relógio que marcava cinco da tarde.

— As oito? – alisou o queixo animado.

— As oito – afirmei.

— Passo para buscar você em sua casa – informou contornando a mesa, inclinou-se e me deu um beijo casto no rosto onde devolvi, a tempos não saio com alguém para relaxar um pouco, Michael me parecia a companhia perfeita.

— Estarei esperando – sorri torto observando ele se afastar.

— Felicity – berrou Curtis entrando na sala como um raio. – Eu ouvi dizer que você vai sair para jantar com o gostoso sócio— sorriu maliciosamente.

— Escutou atrás da porta quer dizer – retruquei organizando os papeis acima da mesa. Ele sorriu abertamente para mim onde relaxei na minha cadeira para escutar tudo o que ele tinha para dizer no momento sobre meus relacionamentos complicados.

Meu celular começou a tocar onde apareceu a foto de Ray, atendi de imediato.

— Ray – chamo.

— Felicity, venha para casa – disse sério.

— O que aconteceu? – pulo da cadeira já pegando minhas coisas e ignorando Curtis.

— Scott não para de chorar – suspirou o que fez meu coração disparar com medo.

— O que houve como meu filho? – berro correndo para o elevador.

— Quando você chegar ele mesmo explica, mas adianto não é nada fisicamente e sim emocionalmente – informou cansado. – Oliver como sempre...

[.....]

Entrei em casa como um raio, jogando minhas coisas no sofá e subindo a escada o mais rápido que eu podia. Abri a porta encontrando Scott chorando baixo sobre a cama ao lado de Ray.

— O que houve meu amor? – chamo sua atenção empurrando Ray para o lado com nervosismo. Scott notou-me e se encaixou em meus braços com soluços baixos.

— Papai não gosta mais de mim – chorou triste em meu ouvido.

— O que ele fez? – soltei procurando seu olhar. – O que ele fez? – repeti enxugando suas lágrimas.

— Ele. Ele não foi me buscar na escola e não quer falar comigo dois dias – confessou voltando a chorar. – Ele me deixou – disse dramático. Se não fosse a situação eu reviraria os olhos, mas a situação era mais tensa do que qualquer normal, meu filho parecia machucado, nem mesmo quando cai ou quando lhe nego algo ele fica triste dessa maneira. Abraço ele fortemente tentando acalma-lo.

— Não chore meu amor, sua mamãe está aqui – afirmei com carinho passando as mãos por seus cabelos e enchendo-o de beijos carinhosos. Mesmo assim ele permanecia em sua bolha de desilusão.

— Eu liguei várias vezes para o Oliver mais ele não atende desde ontem – informou Ray com uma carranca. – Ele ligou um pouco mais cedo para Silas e pediu que o mesmo fosse buscar Scott na escola, depois disso evaporou, não queria dizer isso, mas desde que Oliver saiu daqui alguns dias ele me parecia.... Estranho – suspirou Ray pensativo.

— Ligue de novo – ordenei ainda com Scott nos meus braços. – Não chore meu amor. – sussurro nervosa para um Scott que não parava de chorar.

— Ele não gosta de mim mamãe – soluçou em pânico. A cena me partia o coração.

— Hey – ergui seu queixo com o dedo. – Ele ama você sim, não deixamos de gostar do nosso filho do dia para o outro – afirmei com seriedade. – Vamos descobrir o que aconteceu – falei decidida me erguendo da cama e pegando o mesmo para o chão. Vesti seu casaco fofo, seus sapatos e uma touca.

— Não atende – cantarolou Ray balançando o celular.

— Vai atender – esbravejei saindo do quarto com Scott ao meu lado. – Quem ele pensa que é para entrar na vida do meu filho, impor regras e depois deixa-lo assim – soltei irritada.

— O que pretende fazer? – perguntou Ray vindo atrás de mim.

— Onde está o endereço do hotel em que ele está? – perguntei borbulhando de raiva.

— Aqui – respondeu Ray me entregando uma agenda de contatos importantes. Hotel Locrono. Fitei o papel e sai com Scott ao meu lado.

— Mamãe onde estamos indo? – questionou tristonho.

— Encontrar seu pai – falei direto. Ele que prepare o caixão porque eu não estou para brincadeira hoje, mexeu com meu filho eu me viro no próprio diabo se for preciso. – Ele tem muito que dizer – rosnei para mim. Silas veio até nós rapidamente, passei o endereço. Seguimos o caminho todo com um Scott nervoso, meus pensamentos estavam a mil. O Queen morreria se caso tivesse tentando me atingir com isso, eu deixei claro que a guerra era apenas entre nós e não com Scott.

— Chegamos Srta. Smoak – informou Silas estacionando o carro.

— Não vou demorar Silas – falei saindo do carro segurando a mão de Scott que fitava o nome do hotel um pouco tremulo ao meu lado.

— Sim senhorita – assentiu ficando no carro. Segui até a recepção onde continha uma garota alta de cabelos crespos e sorriso amigável.

— Boa noite gostaria de falar com Sr. Queen – anunciei formalmente para a mesma.

— Seu nome?

— Felicity Smoak – apresentei-me sem sorriso apenas com toda a formalidade necessária.

— Sim Srta. Smaok, sua passagem é livre assim ordenou Sr. Queen alguns dias – esclareceu ela olhando para computador o que me deixou surpresa. – Quarto duzentos e quatro – ofereceu uma chave extra, aceitei a mesma receosa e segui para o elevador em passos largos.

— Mamãe – chamou Scott puxando minha saia enquanto eu encarava a chave em minhas mãos.

— Estou ouvindo meu amor – balbucie olhando para ele em seguida.

— O papai não quer me ver? – seus olhinhos azuis banhados em lágrimas me deixavam mais nervosa.

— Scott vamos ver o que aconteceu primeiro – esclareci.

— Certo mamãe – assentiu se agarrando a minha perna. Respirei fundo voltando a pegar em sua mão e a sair do elevador até o quarto do mesmo. Bati na porta mais ninguém atendeu, então resolvi invadir, girei a chave e entre primeiro na enorme suíte. Corri o olhar logo pela sala, mas tudo estava apenas escuro e fechado.

— Fique aqui – ordenei para Scott apontando para o sofá. Ele concordou e ficou quieto, não queria entrar no quarto, pois temia encontrar alguma cena constrangedora no processo, mesmo assim segui em passos largos chamando pelo o nome do malfeitor. – Oliver – quase gritei entrando no quarto. Ele estava deitado debruço com a coberta até a altura da cintura, sua pele facial brilhava pela a luz do abajur. – Oliver – chamei irritada.

No mínimo bebeu todas e esqueceu que tem um filho, me aproximei, mas parei de andar ao ver ele abrir os olhos com a expressão cansada, notei que sua testa suava molhando toda sua camisa e travesseiro.

— Felicity – sussurrou inaudível.

— O que aconteceu com você? – sussurrei colocando a mão na sua testa impulsivamente onde queimava como o inferno. – Você está ardendo em febre – franzi o cenho.

— Sinto muito por não ter ido buscar Scott na escola – pediu com a voz fraca.

— Desde quando você está assim? – pergunto mais perto. Seu rosto estava avermelhado assim como seus olhos, ele parecia exausto.

— Desde ontem – respondeu voltando a fechar os olhos.

— Por que não chamou um médico? Cadê os idiotas dos seus amigos – soltei exasperada.

— Estão no jogo da cidade vizinha, eu não fui – esclareceu com os lábios secos. – Era uma partida importante para o time não podia deixar Tommy e Roy perde-la – sorriu o que me fez sorrir de volta.

— Papai – choramingou Scott aparecendo com receio e os olhos marejados.

— Hey campeão – sussurrou esticando a mão para o mesmo. – Sinto muito por não ter ido hoje.

— Você não gosta mais de mim? – soltou nervoso pegando na mão de Oliver com as duas.

— Nunca pense isso de mim – pediu com carinho. – Eu amo você, nunca vou deixa-lo – piscou com sorriso torto, mas sua palidez e fraqueza era notável, parecia que ele tinha enfrentado uma guerra. – Assim que eu liguei para Silas meu celular descarregou deixei-o carregando na sala e apaguei aqui – acenou para cama mudando de posição.

— O que você está sentindo? – soltei preocupada.

— Só estou com cansaço, febre e vômitos, é uma infecção intestinal, a medica do time me examinou e passou alguns remédios, mas voltei a sentir febre – respondeu cansado fitando Scott.

— A mamãe pode cuida de você, papai – arregalei os olhos para Scott que sorria abertamente para mim.

— Como tem toda essa certeza? – franzi o cenho incrédula.

— Porque ele é meu papai, e você sempre cuida de mim quando estou doente – respondeu nervoso deixando um beijo casto no rosto do pai.

— Não toque nele agora – ordenei receosa. – Ele está com febre – lancei um olhar para Oliver que sorriu.

— Não – resmungou Scott subindo na cama.

— Sua mãe tem razão – acenou para si murchando por um momento o sorriso de Scott. – Fique aqui – puxou-o para deitar a cabeça do mesmo sobre sua barriga coberta pelo coberto.

— Só um minuto – indiquei para sala. – Vou ligar para uma amiga – avisei já discando o número da mesma, ele assentiu acariciando os cabelos de Scott com carinho.

Me afastei mordendo a unha, eu estava nervosa e preocupada com ele, mesmo com todos os meus defeitos ele é pai do meu filho, e foi o homem que eu mais amei um dia, eu sentia a imensa vontade de cuidar dele sobre os protestos da minha consciência e os desejos do meu coração.

[......]

— Eu lembro quando Scott teve isso, só precisava de um ponto de vista medico – suspirei para Cait minha melhor amiga e medica.

— Isso mesmo – concordou com sorriso. – Ele só precisa beber muito líquido para evitar a desidratação devido aos vômitos, por exemplo água e sucos de frutas naturais. Faça com que ele tenha bastante repouso, coma alimentos leves, como; frutas, legumes cozidos e carnes magras e brancas. Sem alimentos indigestos e gordurosos.

— E sobre a febre? Está muito alta, temo que ele tenha algum tipo de convulsão – mordi o lábio fitando ele brincar com Scott mostrando algo no celular.

— Faça compressas frias no tronco e nos membros usando toalha úmida ou bolsa térmica se caso tiver alguma por aí. Mas lembre-se: caso ele se queixe de muito frio e se sinta mal em contato com a umidade, não faça mais as compressas, isso pode piorar o estado dele. – ordenou. – Dê também uma dose de paracetamol, como ele foi atendido por outra medica anteriormente, ela deve ter deixado o remédio próximo a ele.

— Eu consigo – afirmei.

— Ele ainda continua o mesmo gostoso?

— Cait – repreendi.

— Diga logo Smoak – gargalhou.

— Sim – encerrei a ligação, nem ao menos eu sabia o que estava fazendo ou dizendo naquele exato momento. Respirei o mais profundo que eu conseguia e voltei para o quarto em passos largos. Tirei os saltos que incomodavam meus pés e segui até a cama acabando com a brincadeira dos dois. – Sente-se na beirada da cama – ordenei para Oliver com receio. Ele concordou e sentou. – Ajude a mamãe Scott – pedi ao mesmo que ficou atrás do pai, orientei ele a puxar a camisa do Queen para cima, prendi a respiração ao ver todo o seu abdômen malhado. Meu Deus! Controle-se Felicity. Por Deus! Controle-se. Encontrei seu olhar azul que brilhava de maneira intensa o que me aquecia por dentro, Scott passava a camisa sobre a pele do pai enxugando os pontos onde continha todo o suor.

— Obrigado – sorriu Oliver segurando minha mão por um breve momento, eu pude sentir aquela velha eletricidade percorrer todo meu corpo. Soltei o ar e me afastei até o banheiro para pegar uma toalha, molhei a mesma com agua fria, passando o dorso da minha mão por cima. Ele suportaria a frieza, eu que não suportaria dividir o espaço, eu estava voltando a sentir tudo aquilo que desejei esquecer um dia.

— Mamãe – berrou Scott irritado o que me fez sair dos devaneios.

— Estou indo – falei voltando para o quarto. – Coloque aqui e aqui, tudo bem? – ordenei para Scott apontando para a testa e os ombros do pai. Ele achava divertido cuidar de Oliver. Segui para a cozinha atrás de uma garrafinha de agua natural para enfim dar o remédio.

— Scott, não estou vendo nada – gargalhou Oliver o que me fez sorri observando Scott tampar todo o rosto do pai com a toalha.

— Mamãe disse que é para baixar a febre – reaprendeu nas pontas dos pés pressionando a toalha em todo o rosto do mesmo. Me aproximei para pegar o remédio que estava na cômoda próximo a cama, contei as gotas e voltei para o mesmo.

— Pode tirar a toalha Scott, coloque nos ombros dele – sorri. Ele assentiu e tirou envolvendo em todo o pescoço de Oliver que sorriu animado para o filho. Mediquei o mesmo e aguardei. Com um longo tempo já deitado Oliver parecia melhor, sua febre baixou o que me deixou aliviada, entre brincadeiras Scott dormiu ao lado do mesmo. – Bom. Agora que está bem, está na hora de....

— Fique – pediu receoso alisando os cabelos de Scott. – Quero que Scott durma comigo hoje – acrescentou.

— Oliver – repreendi olhando para os lados.

— Felicity, por hoje demos uma trégua – sorriu.

— Não vou dormir com você – lancei um olhar mortal.

— Não vou arrancar suas roupas – revirou os olhos. – A não ser que você queira.

— Eu não quero – acenei nervosa. Ele ergueu uma sobrancelha em questão e afastou a coberta onde mostrou parte do corpo de Scott. Assenti, com cansaço se espalhando por todo o meu corpo, liguei para Silas e ordenei que o mesmo fosse para casa e passasse as informações para meu irmão. Me deitei na cama com receio, com Scott entre nós dois, ele fechou os olhos e relaxou. Mas eu mesma não conseguiria dormi, eu estava de volta a uma cama com o cretino que mais amei um dia com nosso filho entre nós, quantas vezes imaginei isso? Nenhuma das vezes, aquilo era novo para mim, eu deveria admitir; eu estava cedendo a Oliver Queen.

Notas finais
ENTÃO? QUE TAL DEIXAR OS COMENTÁRIOS, ADORARIA SABER O QUE AMBOS ACHARAM DO CAPITULO!