This Love
19 Halo.
Notas iniciais
Você é tudo que eu preciso e mais
Isso está escrito em todo o teu rosto
Querido, eu posso sentir a sua aura
Rezo para que ela não desapareça
Beyoncé — Halo
Pov Oliver Queen.
Eu me sentia realmente feliz naquele exato momento, ao ver minha mãe após anos, interagir tão bem com meu filho de repente, como se tivéssemos voltado no tempo, ali estava eu com cinco anos de idade no lugar de Scott, ao modo como minha mãe me olhava de maneira terna e com suas mãos pequenas acariciando meus cabelos loiros, era o mesmo que acontecia com Scott, diferente de antes, agora eu estava completamente completo com minha família, meu filho e a mulher da minha vida, Felicity Smoak. Sorri torto para mim mesmo ainda observando ambos em sua interação animada, Moira Queen, simplesmente virou a melhor avó do mundo em apenas um dia, tudo aquilo tinha um efeito magico e surreal.
— Vovó. – gargalhou Scott com graciosidade após minha mãe fazer cócegas em sua barriga, por baixo do pano fino do seu uniforme escolar. Hoje seria um grande dia para meu pequeno, e era ao seu lado que eu estaria, sem hesitar.
— Você é muito fofo, pequeno Queen. – de maneira aveludada minha mãe sorriu para ele. – Me lembro como seu pai era teimoso e lindo como você é. – afirmou quase emocionada. – Tal pai, tal filho. – destacou piscando para mim, onde concordei com aceno simples de cabeça.
Observei mais um pouco a bolha dos dois, bebericando meu café, e Thea se pôs ao meu lado, em silencio sem querer estragar o momento bem a nossa frente.
— Admito que a reação dela, foi algo novo para mim. – sussurrou com sarcasmo me fazendo sorrir sobre a xicara. – Esperava ela querendo matar você com um cinto, ou te colocando de joelhos sobre o milho por anos, mas aceitar isso tudo tão bem, eu jamais poderia acreditar, de soberana a vovó Queen.
— Thea. – repreendi voltando a beber meu café ainda sorrindo.
— Sabe.... – ignorou me fazendo revirar os olhos. – Eu nunca pensei que você teria filhos com trinta anos. – sorriu mais uma vez. Ergui a sobrancelha para ela em questão, que acenou com desdém. – Mas fico feliz em ser tia daquele anjinho. – gargalhou indo em disparada até eles, entrando na brincadeira Thea trouxe Scott para seu colo, minha mãe cessou suas risadas, com a face rosada, sem nenhum momento tirar os olhos de Scott. – Preparado para vencer a gincana escolar hoje, Scott? – indaga.
— Sempre tia. – sorriu de maneira fofa. – Vou sempre ser um campeão como meu papai. – apontou para mim com brilho nos olhos, algo herdado por mim. Pisquei para ele com confiança.
— Uma família feliz.... – sussurrei para mim. Mas esse pensamento tomou conta de mim, pois eu queria algo a mais, eu tinha um filho, uma namorada que todos desejariam, porem algo dentro de mim estalava, e se ampliava, eu só precisava descobrir, o que realmente eu estava desejando naquele exato momento.
Puxei do bolso meu celular, com intuito de falar com minha bela dama. Felicity estava um pouco estranha, logo após acontecer tudo isso, quando voltei para meu quarto, após deixar minha mãe no quarto dela, encontrei Felicity pensativa e muito distante, eu acreditei inicialmente que ela estava processando tudo aquilo que nos envolvia, e que Scott estava encontrando muitas coisas novas, durante todo o caminho. Mas sei, que tinha algo a mais, enquanto nos amávamos, ela estava bem ali, mas era como se não estivesse inteiramente, e quando enfim o eu te amo saiu, foi de coração, e eu pude ver, que ela queria outra coisa. Disquei o número dela, onde chamou a primeira, segunda e terceira vez, onde caiu na caixa postal e não recebi retorno, respirei profundamente e repeti o processo, mas como antes, não fui atendido calorosamente, como tanto desejei, e aquilo me fez questionar ainda mais.
— Chegamos! – anunciou Tommy animadamente em um berro com os outros jogadores atrás de si.
[....]
Pov Ray Palmer.
— Qual o seu problema? – vociferou Felicity, desviei das suas mãos que ansiava em tocar próximo ao meu corte facial. – Por que não me ligou, idiota?
Olhei em seus olhos azuis, que tinha uma fina irritação mais profundamente preocupada comigo, o silencio alastrou entre nós, bebi um gole do meu suco, e ignorei seu olhar impaciente.
— Não foi nada. – respondi calmamente tentando não chegar no assunto que não quero mais relembrar. – Bati com o carro, levei três pontos na testa, e fim de papo.
— Não foi nada? Fim de papo? – debochou com uma risada abafada. – Você sofre um acidente, passa uma noite no hospital, e não foi nada Raymond? – questiona calculando com os dedos. – Sei que você nas horas vagas é um imbecil, mas hoje está se superando.
Quando ela chama meu nome completo em ironia, sinto o mundo se despencar, onde ela mostra ser uma irmã leoa, ou até mesmo malvada, Felicity sabe como ser humilde e carinhosa, mas ao longo dos anos, ela mudou, devido todos os sentimentos abalados, ela se apegou a proteger aqueles que lhe restaram. No fundo eu amo esse lado dela, um lado que só ela pode mostrar, em silencio, puxei ela até mim, deixando meus braços apertados envolta do seu corpo pequeno, incialmente ela ficou surpresa, mas descansou a cabeça sobre meu peito, soltando o ar aliviada.
— Sinto muito, querida. – falei baixo em seu ouvido. – Só não queria estragar seu momento em família, é algo novo para você, tenho que me acostumar com isso.
— Você é minha família. – resmungou encontrando meu olhar. – Todos esses anos, um cuida do outro, lembra? Não seria diferente agora. – afirmou seriamente com a pele um pouco corada por sua raiva anterior.
— Eu sei que sim. – fitei a mesma com a mesma sinceridade. – Eu estou bem.
A verdade era que; eu não estava bem, pelo menos fisicamente sim, mas emocionalmente não. Sara estava aqui, e eu a vi, queria que tivesse sido alguma miragem ou reflexo do passado sublime, e que tudo não passasse da minha cabeça danificada pela a batida, mas não foi, ela estava ali, olhando para mim com os olhos azuis que tanto desejei apagar da memória todos esses anos, eu fugi do hospital antes que ela entrasse na sala com o médico e reprimi meus sentimentos de saudades que me fez fraquejar por alguns minutos naquela ambulância, ela queria falar, conversar comigo, mas minha voz sumiu e todo meu sangue congelou, senti que isso ela percebeu, mas como antes o seu sorriso era o mesmo e Sara buscava em mim algo que jamais teria de volta, então recusei sua oferta de ser amiga e sai fora, antes que eu caísse de joelhos aos seus pés novamente. O babaca que ela manipulou já não é mais o mesmo. E como uma tempestade, tudo veio à tona novamente, deixando minha vida certinha, bastante bagunçada.
— Por que não me conta o que realmente aconteceu com você? – indagou Felicity quebrando o gelo e me fazendo baixar o olhar. – Sei que tem algo a mais nessa história, porque você está diferente, e isso não foi por causa do acidente. – acrescentou com nervosismo disfarçado por um sorriso meigo, esse sorriso outra pessoa possui; Scott. – Anda, eu conheço você a bastante tempo para saber que esconde algo de mim.
— Felicity. – repreendi soltando-a, indo em direção a pia para deixar meu copo quase vazio. – Não comece. – bufei.
— Não, não adianta se fechar, Ray. – suspirou ficando ao meu lado. – Sabe que só tenho paz, depois que você conversa comigo e se abre como o irmãozinho fofo que sempre foi. – seus olhos pidões me fizeram revirar os olhos, como se o mundo estivesse prestes acabar, eu resolvi me abrir com minha irmã postiça, como sempre fiz. Temos uma promessa, isso desde os quinze anos de idade, após nossos pais morrerem.
— Eu quase atropelei a Sara, desvie dela e me ferrei no muro de concreto. – soltei. – Sara, Saraaaaaaa – berrei querendo realmente matar alguém com minhas próprias mãos. – Ela sempre me fode!
Felicity me encarou animada, porem com alguns minutos ela começou a franzi o cenho, e piscar freneticamente, talvez confusa ou irritada.
— Sara?
— Sara.
— Que Sara?
— A Sara de Londres?
— De Londres?
— Ah, Felicity. – acenei sem paciência, passando por ela. – Melhor esquecer isso.
— Não! Espera Ray. – chamou me impedindo de seguir. Lancei um olhar irritado e ela permaneceu em uma bolha de confusão, mas gemi quando suas unhas se fincaram em minha pele. – Sara Lance? A mesma que estava com Oliver em Londres?
— Não a chapeuzinho vermelho ou a Frozen. – revirei os olhos começando a caminhar em direção ao meu quarto com Felicity grunhindo atrás de mim como uma loba selvagem. – Ou você acredita que teve outra Sara em minha vida, ao longo desses anos.
— Claro que me lembro dela, afinal todas as garotas que você transou esses anos, eram morenas, pelo o simples motivo de não querer lembrar dela. É patético, eu sei, mas lembro muito bem. – disse atrás de mim com pisadas estaladas por seus saltos. Respirei com dificuldade sabendo que aquilo era a grande verdade sobre mim.
— Obrigado pelo o lado que me conforta, saber que minha irmã regular minhas transas. – resmunguei entrando no meu quarto como um raio.
— Nunca vi você com uma loira, como; um mais um é igual a dois. – deu de ombros com uma careta me fazendo jogar as mãos para o alto. – Enfim.... Ray.
— Olha, eu não quero falar sobre Sara, estou cansado disso, sempre que ela entra no meu caminho algo ruim acontece, ela não é boa para mim, eu me fechei assim como você se fechou....
— Mas a única diferença é que eu e o Oliver temos um filho juntos...
— Sara e eu não temos nada em comum, o que nos leva a ter mais distância um do outro. – interrompi suprindo meus malditos sentimentos por aquela mulher. – E tem mais Felicity.... Ela está aqui, porque o Queen vai jogar, ou seja, levantar a bandeirinha para o ex amante. – sorri secamente fazendo-a arregalar os olhos com a boca aberta. – Vai ver os dois voltaram a ter um caso, e nós dois voltamos a ser os mesmos idiotas de antes.
— Ray.... Oliver mudou. – engoliu em seco processando as informações. – Jamais ele faria isso novamente.
— Já parou para pensar se no passado o Oliver estivesse no seu lugar o que ele teria feito? – indago com a postura rígida. Depois de anos resolvemos não discutir o que aconteceu entre nós todos como uma forma de não se magoar mais, porem com tudo de volta em jogo, não seria uma má ideia colocar o dedo na ferida. – Já parou para analisar esse quesito? – aceno com a mão esperando uma resposta decente de irmão para irmã.
— Onde quer chegar? – suspirou baixo desviando o olhar, mordendo o lábio inferior, uma de suas características peculiares, onde descreve a Felicity sem ação.
— Se você fosse a traidora no passado, ele teria perdoado você? Como você fez agora?
— Você está chateado com o que aconteceu com a Sara recentemente e está jogando a bola de fogo para mim, mas não vou cair nessa Ray. – negou-se a responder com medo do que seria a resposta de verdade. – Fizemos uma promessa de não magoar um ao outro.
— Eu respondo para você. – sorri com desdém. – Ele teria feito pior, teria te machucado e roubado Scott de você logo depois, sem nem pensar duas vezes, mas agora a única forma de ser racional com nós todos é....
— Eu fiz isso. – gritou irritada com olhos marejados me fitando com raiva. – Eu roubei Scott dele porque eu fui uma fraca, coloquei meus sentimentos acima de tudo e de todos, isso acabou magoando todo mundo, inclusivo meu filho, satisfeito? – engoli em seco. – Oliver poderia ter feito pior sim.... Mas mesmo assim eu ainda o amaria como agora, assim como você ama a Sara e está sendo um covarde.
— Felicity. – alerto.
— Não, Ray. – interrompe. – Você não vai conseguir colocar minhocas na minha cabeça, não depois de tudo que passamos, quer saber, eu não odeio a Sara, não odeio o Oliver, e nem ninguém, e se isso for fraqueza.... – suspira com pesar. – Eu me permito ser fraca.
Felicity estava longe de ser uma fraca, ela é a pessoa mais decente e forte que já deve ter existido, diferente de mim, Felicity conseguiu colocar suas escolhas em primeiro plano, criar o Scott, mesmo reprimindo todos os sentimentos por Oliver e só neste momento eu vejo o quão idiota estou sendo em culpa-la de algo. Mas tem algo dentro de mim que está me sufocando, talvez seja a ideia dos Queens e Lances, estarem por toda a parte.
— E agora, Scott está lá com a nova família dele, como se nada tivesse acontecido, depois de toda essa mentira que guardamos, Scott é apenas um garotinho de cinco anos, com seu amor platônico por todos aqueles que estão a sua volta, mas se isso acabar e ele se machucar, se seu relacionamento voltar a fracassar? Como vamos lidar com ele se envolvendo com todas essas pessoas que até ontem não faziam parte da vida dele. – praguejei fazendo-a dar um passo atrás. – Não percebe? Está tudo fácil demais aqui. Oliver virou o melhor pai do ano em apenas um mês, perdoou você como o padre perdoa o pobre pecador, a família dele chegou e já nos acolheu como uma grande família feliz sem falhas, e agora a Sara está aí para completa o ciclo imbatível.
— Ray, eu sei que todos esses anos você preferiu o ódio ao o amor, não estou aqui te julgando ou te pedindo para casar com a Sara, quero que apenas avance e perdoe, assim como eu fiz, mesmo que seja um erro....
— Não, eu não errei em nada. – interrompi soltando sua mão. – Eu apenas segui em frente apagando o meu passado e vai permanecer assim, os malditos jogos vão acabar e tudo vai voltar a ser como era antes, Oliver vai volta com o esquadrão dele de volta para a cidade, e acabou, fim de jogo.
— Não será assim. – negou magoada tentando forçar um sorriso convincente. – Temos um filho juntos, ele não pode nos deixar.
— Filho não prende ninguém Felicity, a única coisa que vai fazê-lo ficar é se realmente amar você e querer construir algo a mais, fora isso o Scott é livre para ficar e ver os pais quando bem quiser, e pelo o que vejo agora não vai demorar muito para ele escolher a família Queen. – suspiro tirando o curativo, pelo o esforço sinto meu rosto sangrar. – O que você acha? Oliver vai comprar um apartamento em Nova York ficar todos os dias com você, e fim de história.
Um silencio se alastra entre nós e ela pega um kit para refazer o curativo, entre protestos me sento a beirada da cama, e espero. Com o tempo posso notar que fui longe demais com essa discussão tola, claro que ela estava realmente feliz com o Queen e que o mesmo mudou ao longo dos anos, a raiva falou mais alto e o medo de perde-los me fez agir como um cretino nesse momento, mas a verdade é que eu apenas quero protege-la.
— Eu não quis magoar você. Sinto muito. – pedi com um gemido agudo quando sua mão pressionou com força minha pele ferida. – Só temos que nos preparar para qualquer eventualidade. – encarei seus olhos azuis que já estavam vermelhos pelas lagrimas que ainda não escorreram. – Desculpe, jamais o Queen faria isso com você. Estou sendo um idiota como sempre fui.
— Eu não quero perde-lo, Ray. – sussurrou com soluço. – Eu tenho medo, como você disse; Oliver tem jogos para cumprir pelo mundo, ele não é estável em um lugar, estamos juntos mais não discutimos nada do nosso futuro ainda.
— Não tenha medo. – afirmei segurando sua mão e trazendo para perto. – Eu estou paranoico e inseguro comigo mesmo, mas você não precisa passar por isso.
— E se você estiver certo... Scott pode querer ficar com o pai quando ele for embora no futuro. – fungou sentando ao meu lado apreensiva. – O que realmente somos então? Apenas duas pessoas que se amam, mas que não sabem o que fazer quando o sol nascer? E se a Moira querer levar o Scott para a outra cidade e ficar por lá, eles são mais ricos do que nós dois Ray. Posso ser processada por não ter apresentado Scott ao pai e a família durante todos esses anos.
— Hey, calma mulher, não precisa surtar. – seguro suas mãos geladas fazendo-a me olhar nos olhos em lagrimas. – Scott jamais será arrancado de você, por Moira ou Oliver. Sempre seremos os guardiões legais de Scott.
— Ray... – sussurrou cansada em um soluço. – O que eu devo fazer?
— Você quer casar como ele, é isso?
— Não. – engoliu em seco.
— Ah, quer sim Felicity, se não for casamento é pelo menos uma união literal entre duas pessoas sem compromissos oficias perante a lei de Deus. – apontei em acusação fazendo-a sorrir torto tirando sua tensão. – Olha não sei se aguento passar muitos anos ao lado do Queen, nossa guerra irá se estender até o tumulo, mais se faz você feliz, vai em frente e case com ele ou convivam juntos debaixo de um teto, assim você poderá ter os dois e garantia dele não fugir.
— Como assim case com ele?
— Pede ele em casamento ou sei lá... more com ele. – sorri recebendo um tapa no braço. – Estamos em um século, onde se pode tudo, até a mulher pedir a mão de um jogador chato em casamento, se ele ama tanto você assim, a resposta será sim, se for só um jogo ele dirá não.
— Ele não é chato, e claro que não vou fazer isso.
— Só nos seus lindo sonhos, maninha. – debochei trazendo-a para um abraço apertado. – Eu te amo, suas escolhas, são suas escolhas, eu estarei sempre ao seu lado, dependente do que seja.
— E Sara?
— Ela ficou no passado para mim. – suspirei me afastando sem querer voltar a bater na mesma tecla, apenas para nos ferir ainda mais. – Eu preciso tomar um banho, agora, se não se importa. – acenei já entrando no banheiro, soltando o ar que queimava em meus pulmões, deixando uma Felicity confusa no quarto. – Merda!
Horas depois.
Pov Felicity Smoak.
Encarei a papelada que estava a minha volta com pesar, tentei relaxar os ombros, mas ainda me senti completamente travada e exposta, era como se o céu estivesse todo escuro e nenhuma luz pudesse me guiar pelo longo caminho, as coisas estavam tensas e logo após a minha conversa com Ray, eu pude refletir sobre muitas coisas naquele dia. Uma delas, era como seria meu futuro logo depois dos jogos acabarem. Ele ficaria? Ou iria embora? O sem noção do meu irmão acabou me deixando insegura.
— Esse homem realmente é um príncipe do pepino. – escutei Curtis entrar na sala de arquivos com a revista próxima ao seu rosto entre risadas maliciosas. – Olha o tamanho desse....
— Curtis não quero saber o tamanho da masculinidade desse cara. – interrompi secamente fitando a revista que ainda estava próxima a sua face, com lentidão ele baixou e me fitou confuso.
— Chefa? – fez uma careta olhando para os lados. – O que faz aqui? – indaga ainda confuso.
— Estou organizando as finanças. – dei de ombros tentando pegar outra papelada que estava perto dos meus pés descalços. – Estava tudo uma bagunça.
— Que droga! – exclamou afastando com o pé a papelada antes que eu alcançasse as mesmas. – O que faz aqui? – repetiu mais de perto. – As papeladas estão tudo em dia, Anny já fez isso ontem para você, está tarde e quase todo mundo já foi embora, então o que você faz aqui, chefa?
— Sinceramente?
— Sim. – insistiu.
— Eu não sei. – joguei as mãos para o alto em rendição. – Minha vida está uma bagunça, e como não estou conseguindo organiza-la, talvez pelo menos a papelada da minha empresa eu consiga. – sorri com soquinho no ar.
— Como você pode sentir a vida bagunçada, transado com um jogador gostoso daquele? – piscou sentando ao meu lado. O chão frio já tinha deixado minha bunda dormente, o que eu não estava mais dando a mínima. – Pelo o amor de Deus, mulher! Eu no seu lugar, estava transando com aquele jogador loucamente, em todos os cômodos da sua casa, até que perdesse a voz e parasse no hospital de exaustão com garantia de estar com outro Queen, futuramente no meu ventre, formando meu time de futebol.
— Curtis. – inspiro profundamente, onde ele ignora e continua.
— Percebeu a genética daquele cara? Mais Queen´s no mundo por favor. – pediu com gemido.
— Acho que paramos só em Scott. – bufei comigo mesma. – Não que não estejamos transando o suficiente, mas creio que nesse momento, só Scott está bom para nós.
— Não estou dizendo isso para você prendê-lo de alguma forma, estou pensando em que você merece ser feliz, com uma família grande e feliz. – disse tranquilamente sem esboçar sarcasmo, foi ai que notei, que Curtis estava sendo sincero. – Precisa se estabelecer com alguém de verdade, já que não foi o Michael, pelo menos o Queen é um bom partido.
— O problema sou eu, não ele. – resolvi me abrir. Observando a conversa se encaixar, e eu poder me abrir com alguém, que não fosse meu irmão, já que foi ele que revirou meu cérebro com nossa discussão.
— Claro que o problema não ele. – sorriu. – Esse cara aqui, não deve nem chegar aos pés dele. – mostrou o modelo pelado o que me fez desviar a vista para longe com uma risada.
— Curtis.
— Chefa, se o sexo é bom, ele é um bom pai, qual é realmente o problema? – limpou a garganta ajeitando os óculos.
— Que isso tudo acabe um dia. – suspirei fazendo um coque desajeitado com meus cabelos que estavam soltos e bagunçados sobre os ombros. – E se ele....
— Felicity. – escutamos uma batida suave na porta. Sua voz grossa soou pelo o local, Curtis olha rapidamente para a porta assim como eu, onde um Oliver confuso nos procura, a visão me fez prender o ar. Oliver veste um terno preto, bem alinhado ao corpo, com a camisa branca aberta alguns botões sem a gravata. Senti cada pedaço do meu corpo se aquecer e se arrepiar.
— Meu Deus! Por que ele tinha que ser hétero e ainda querer transar com você, loira falsa. – resmungou Curtis em meu ouvido recebendo um tapa no braço. – Puta de uma injustiça, isso sim.
— Cale a boca, antes que eu desça seu cargo para porteiro. – reprendi baixo.
— Felicity. – mais uma vez Oliver me procurou pela enorme sala de arquivos.
— Aqui! – Curtis pulou do lugar mostrando onde nós realmente estávamos.
Oliver sorriu e desceu o olhar para mim, enquanto caminhava com elegância até nós.
— Espero não está atrapalhando nada. – disse ainda com sorriso. – Oliver Queen. – se apresentou estendendo a mão para Curtis que se derretia com os olhos brilhantes sobre Oliver.
— Curtis. – gemeu me fazendo revirar os olhos apertando as mãos. – Que bom que você chegou, espero que consiga tirar minha chefa disso aqui. – acenou para os lados. – Essa claramente nunca foi a especialidade dela.
— Espero que sim. – sorriu mais uma vez, porém o seu sorriso era para mim com uma fina confusão no olhar. Só enfim me dei conta que estava parecendo uma sem teto, com as roupas amarrotadas, maquiagem borrada e com fome, minha barriga já começava dá nó o que não passou despercebido por ambos.
— E alimente ela também. – franziu o cenho Curtis para mim. – Talvez um banho? – sugeriu.
— Curtis, portaria. – relembrei impaciente apontando para porta, esperando que ele desaparecesse logo das minhas vistas.
— Tudo bem. – sorriu com sarcasmo. – Nada de sexo na sala de arquivos, não quero correr o risco de pegar alguma papelada com....
— Curtis! – berrei incrédula.
— Estou indo. – fechou a cara. – Bom o prazer foi meu, senhor jogador Queen. – acenou indo em direção a porta. – Nada de gracinhas.
Enquanto Oliver me inspecionava com o olhar Curtis saiu dançando de maneira exagerada com sorriso malicioso ao fechar a porta com um baque alto deixando o silencio se alastrar entre nós.
— Por que não atendeu minhas ligações? – questionou baixo apoiando seu corpo na mesa a minha frente minutos depois. – Passou o dia todo na empresa, não esqueceu de nada? – ergueu uma sobrancelha para mim.
— Desculpe, devo ter deixado meu celular no silencioso. – suspirei me erguendo do chão sentindo todo meu corpo estralar. – De acordo com minha agenda semanal, não tinha nada marcado hoje. – fiz uma careta colhendo os papeis que ainda estava jogado no chão.
— Ah, não tinha. – refletiu enigmático, lancei um olhar duvidoso para ele que retribui da mesma maneira.
— Oliver...
— Felicity, hoje foi o dia da gincana escolar do nosso filho, onde passei horas ligando para você. – interrompeu irritado. – Eu liguei para Ray, e ele foi, mas disse que você tinha apenas vindo a empresa em busca de alguns papeis e logo iria nos encontrar.
— Merda! – exclamei fechando os olhos e soltando os malditos papeis no chão novamente, soltei os cabelos, começando a andar de um lado para o outro. – Por que não ligou para Anny?
— Sua secretaria está de folga hoje, lembra?
— Merda! – exclamei mais uma vez chateada comigo mesma, passei a manhã toda entrando pela a tarde na sala de arquivos esquecendo o principal de tudo; meu filho, onde não falhei uma única vez em todos esses anos. – Scott? Onde está?
— Ele está com seu irmão em casa. – suspirou me olhando nos olhos. – Ele não quis jogar, porque você não apareceu, mas Tommy e todos os outros deram o seu jeito, e mesmo com toda tristeza ele conseguiu fazer algo. – trincou o maxilar fazendo meu estômago despencar. – Ninguém sabia onde você estava, então ficamos sem saber o que fazer, depois que você saiu para ir ao banheiro um segurança viu você e nos ligou de imediato, e aqui estou eu. – soltou de maneira gélida. Estava explicito em seu olhar, que não era só Scott que eu tinha magoado, ele estava da mesma maneira comigo.
— Sinto muito.... eu... – ele acenou me fazendo parar.
— Quero saber o que está acontecendo com você? – disse direto me fazendo engolir em seco. Não era sobre isso que eu desejava conversar agora, tudo que importava, era Scott está em casa chateado comigo.
— Eu.... Preciso ver logo o Scott. – tremi a voz tentando pegar minhas coisas. – Podemos conversar depois.
— Precisamos conversar agora. – rosnou impaciente, onde apenas ignorei seguindo para a porta com passadas largas com Oliver atrás de mim, o peso de não está com Scott hoje em seu momento tão especial, me dilacerou por dentro, e só o perdão do meu filho me acalmaria naquele momento. – Felicity.
— Oliver, eu sei que estou diferente, mas agora não podemos falar sobre nós dois, Scott está magoado comigo, não posso suportar isso, eu nunca falhei com ele. – apertei o botão várias vezes para descer para a garagem apressadamente sem encara-lo que estava ao meu lado.
— Você falhou uma vez Felicity. – acusou me fazendo parar de apertar os botões. Gelei com seu tom forte e então nos encontramos nos olhares. – Você me deixou de fora da vida do meu filho por muitos anos, e se eu não tivesse encontrado ele? Ainda não saberia da verdade.
— Pensei que o processo de julgamento tinha acabado, quando você decidiu dar um passo e superar isso. – rosnei jogando meu sobretudo no ombro.
— Então chegamos ao ponto de início novamente. – apontou para nós com tristeza. – O que diabos está acontecendo com você? Primeiro me ignora, depois esquece do nosso filho. Qual é o problema realmente?
— Eu sou o problema. – gritei fazendo-o dar um passo para atrás assim que as portas se abriram. – Porque eu não sei o que iremos fazer quando tudo isso acabar, você vai estar aqui quando os jogos acabarem? Quando eu precisar de você na madrugada para alguma coisa sobre Scott, vai estar nas reuniões escolares dele, em tudo que envolva ele? E a mim? Vai estar aqui quando eu chamar por você? Isso tudo agora é apenas suas férias, eu não poderia sair pelo mundo ao seu lado, e muito menos deixarei o Scott sair sem rumo, sem antes construir um futuro. Então Oliver, o que seremos quando tudo isso acabar? Um casal de verdade como manda o figurino? Ou um casal que tem um filho em comum e nada a mais? Não estou te pressionando sobre nada, e muito menos quero você ao meu lado só por causa de Scott ser o seu filho, se for para ficar comigo, precisa ser por amor, como um homem ama uma mulher, e não por amar Scott, pois isso você já tem e jamais será tirado de você. – soltei com as lágrimas molhando meu rosto. – Então Oliver? O que realmente seremos quando tudo isso acabar? – indago com o coração nas mãos, minha respiração pesada, como se eu tivesse acabado de correr uma maratona. Sua expressão se fechou e ele permaneceu em silencio com olhar profundo, me estudando impassível, acabei de jogar uma bomba em seu colo, e pela primeira vez ele ficou desarmado. Com os minutos sem resposta eu finalmente falei o que a minha consciência jogava na minha cara. – Foi o que eu pensei. – limpei as lagrimas e sai em direção ao carro, sabendo que o amor que estava ali, era apenas porque Scott estava entre nós, deixei o restante das minhas lágrimas caírem, querendo apenas o perdão daquele que mais amo no mundo; Scott.
Eu jurei que nunca iria cair novamente
Mas não sinto como se estivesse caindo
A gravidade não pode esquecer
De me puxar de volta para o chão.

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