This Love
15 Drag Me Down.
Notas iniciais
I've got fire for a heart, I'm not scared of the dark
You've never seen it look so easy
I got a river for a soul and baby you're a boat
Baby, you're my only reason
Drag Me Down – One Direction
Pov Oliver.
Acordei com um peso sobre mim, minhas mãos deslizaram pela pele macia de Felicity, sobre o ondular das suas curvas perfeitas, puxei ela com delicadeza mais para cima, deixando um ajuste mais perfeito entre nós, escutando seus resmungos sonolentos, com a mão livre afastei mexas dos seus cabelos que caiam sobre o rosto, ela possui uma beleza que deveria ser estudada, pois não tem ninguém no mundo que possa ser comparada a ela, de maneira alguma.
— Bom dia. – sussurrei roucamente contornando seus lábios rosados. Com alguns minutos ela resolve abrir os olhos para me fitar com sorriso terno.
— Bom dia. – suspira umedecendo os lábios o que não passou despercebido por mim. Dentro de mim havia sentimentos intensos por essa mulher, não acredito que finalmente ela se rendeu a mim e voltou para seu lugar, em meus braços, onde nunca deveria ter saído. – Nossa! – exclama com uma careta saindo dos meus braços.
Observei ela se vestir com um short jeans curto e minha camiseta do time. Um silencio começou a se alastrar por nós dois, de certa forma eu temia que ela me dispensasse, mesmo com todo esse sexo e declarações, com os anos Felicity tornou-se um pouco imprevisível, e seus seguintes passos seriam mistério para mim.
— Oliver! – estalou os dedos sentando no meu colo me trazendo para a realidade. – O que houve? – indaga com preocupação.
— Não é nada. – sorri de canto com suspiro por fim. Seus olhos vagavam meu rosto procurando por uma resposta mais racional o que me deu por vencido. – Só não me diga que depois desse sexo todo e tudo que você me disse.... Não irá me afastar mesmo assim. – confesso com uma carranca.
— Então acredita que irei deixa-lo? – sorriu.
— Não é isso. – massageio as têmporas inquieto. – Mas eu não conheço a Felicity de agora, e isso me deixa um pouco confuso sobre suas próximas ações em relação a nós.
— De fato, não sou mais a mesma Felicity. – sorriu saindo do meu colo passando o polegar pelos lábios. – Mas ainda sou a mesma mulher que você amou um dia, apenas não sou mais uma menina Oliver, agora sou uma mulher.... Sou a mãe do seu filho.
— Eu sei disso. – arfo me erguendo para aproximar-me dela que sorri passando as mãos sobre meus braços até meus ombros como apoio, sem tirar os olhos dos meus. Me inclino um pouco mais para sentir o seu aroma floral exalar e me prender mais a ela. – Só não me afaste mais de você. – pedi com o coração aberto. Não suportaria sentir aquela dor novamente, seu abandono foi o fim para mim.
— Mesmo que eu deseje. – sussurra. – Não seria mais capaz de fazer isso novamente.
Antes mesmo que eu voltasse a tocar seus lábios com os meus, a porta se abriu de repente, fazendo a claridade adentrar o vestiário a nossa volta. Felicity gargalha ao ver um senhor nos fitar incrédulo.
— Acho melhor você se vestir meu jovem. – adverte o senhor com nervosismo. Desço o olhar notando ao que o senhor se refere. Merda!
[........]
Encaramos a porta da sua casa por alguns minutos. Eu estava nervoso! Porque eu estaria assim? Franzi o cenho.
— Oliver. – chama Felicity.
— Sim? – suspiro.
— Do que tem medo?
— Não sei, me diz você, a casa é sua e estamos aqui parados como duas colunas, esperando seu pai abrir a porta e começar um sermão. – sorri fazendo ela gargalhar.
— Não é isso. – disse com dificuldade. – Você teme que depois que eu passe por esta porta, eu volte a ser a dama de gelo e ignore você.
— Não é isso.... – interrompe com um beijo suave envolvendo meu pescoço com os braços. Enrosco meus dedos em seus fios loiros que estão soltos sobre os ombros.
— Venha me buscar as oitos. – sorriu me soltando com uma confiança branda.
— Está me convidando para sair senhorita? – ergo uma sobrancelha surpreso ao seu convite.
— Por que não? Afinal não conversamos nada até agora, apenas agimos. – pisca abrindo a porta ainda a me fitar com doçura.
— Posso ver o Scott? – sugiro querendo entrar.
— Scott está na escola, Oliver. – sussurra fechando a porta lentamente. – Tenha um bom dia Mr. Queen.
Olho ela uma última vez antes de partir. Minha ficha talvez ainda não tenha caído. Por Deus! Como posso amar tanto essa mulher assim?
Pov Felicity.
Sorri apaixonada deslizando pela porta segurando meus pertences com força contra meu peito, mas uma vez eu tinha me entregado a ele, não só de corpo, mas de coração como sempre fiz desde que o conheci. Como posso amar tanto um homem assim?
— Que noite agradável irmãzinha. – saio da minha bolha abrindo os olhos para fitar Ray com a cara descarada bebendo seu café do outro lado da sala em seu ponto magnata da mesa.
— Ray, seu filho da mãe. – berro jogando meu sapato nele. Pena que errei feio. – Como você pode? – esbravejo querendo seu sangue.
— Felicity Smoak, que coisa feia, dormindo fora como uma adolescente apaixonada. – gargalha saindo da mesa apressadamente. – Você tem um filho, sua louca. – debocha.
Atravesso a sala como um raio em busca desse malfeitor. Como ele pode fazer isso comigo? Sua única irmã. Onde ele deveria me proteger dos caras sexys perigosos.
— Você só pode ter nascido de uma chocadeira do capeta. – disparo jogando todas as frutas nele que apenas gargalha do outro lado do balcão desviando com agilidade.
— Como se você não tivesse gostado da noitada. – argumenta desviando dos meus ataques. – Olhe para você. – acena com uma risada. – É a mesma de cinco anos atrás. Só o Queen consegue despertar esses efeitos em você.
— Por que fez isso Ray? Foi mesmo apenas vingança? – indago com minhas frutas acabando. Merda!
— Você bem que mereceu. – sorriu mostrando a língua como o capeta lhe testando. – Espera! – berra apontando o dedo para mim o que me faz congelar no lugar. – Espera ai dona Felicity. – adverte com acusação.
— O quê? – franzo o cenho.
— Usou as camisinhas?
— Como? – engoli em seco.
— As camisinhas, usaram as mesmas?
— Mais que diabos de perguntas são essas Ray? – rosno pegando a bandeja de ovos para mim.
— Quer ser mãe solteira mais uma vez? Vai em frente. – incentiva como se me chamasse para um combate.
— Não usei. – jogo o primeiro ovo que infelizmente pega na parede atrás dele. – Porque estou tomando as pílulas seu idiota.
— Espera! – berra mais uma vez desviando do segundo ovo. – Então você já sabia que iria dormir com o Queen novamente. – argumenta com malicia, bufo e por fim consigo acerta um ovo em meio a sua testa fazendo a clara escorrer por todo seu rosto até o terno. – Merda Felicity! Esse Armani foi o único que me serviu bem hoje. – limpa os olhos pegando a outra bandeja de ovos.
— Eu pensei que voltaria com Michael. Então comecei a me cuidar devidamente. – confesso envergonhada com a voz engasgada.
— Ah danadinha. – sorriu jogando um ovo em mim. – Olha, nossa mãe deve estar se revirando no tumulo uma hora dessas.
— Ray. – repreendo.
— Desde que você conheceu o Queen, tornou-se uma pessoa mais ousada. – explica me tacando mais ovos onde faço o mesmo o que acaba todos e nos resta a farinha de trigo. Encaro ele como o mesmo faz, no fundo da mente posso ouvir a música que toca no velho faroeste. Quem pegar primeiro usa a arma e morre. – Você seria capaz de se apaixonar por ele mais uma vez? – ergue uma sobrancelha com divertimento.
— Acho que nunca deixei de ama-lo. – confesso com uma risada. Na minha bobeada Ray pega a farinha e joga em mim deixando-me completamente suja.
— Acho que o jogo virou. – pisca.
— Ainda não. – puxo de debaixo do balcão a farinha de rosca jogando nele o que deixa apenas seus olhos negros de fora. Gargalho observando ele contornar o balcão para ficar a minha frente.
— Desde quando somos adolescentes? – cruza os braços sobre os peito com uma carranca todo mascarado.
— Ray. – sorrio abraçando-o pela cintura. – Eu te amo. – suspiro fechando os olhos. – Sei que você não vai deixa-lo me magoar mais uma vez.
— Jamais Felicity. – acaricia meus cabelos com carinho. – Eu também te amo. – sorrir com abraço apertado.
— Mamãe – berra Scott descendo as escadas quase sem folego o que me deixa surpresa. – Mamãe. – chega até nós se agarrando em minhas pernas com sorriso gostoso nos lábios vestido com seu pijama de carrinhos.
— Scott? – sorri ficando de joelhos para fita-lo melhor. – Por que não está na escola? – franzi o cenho para Ray.
— A diretora ligou e disse que estão preparando algo esportivo na escola. – faz uma careta. – Só tem aula na próxima semana.
— Ah sim! Gincana escolar. – mordi o lábio ao lembrar.
— Por que está suja assim mamãe? – indaga Scott passando seu pequeno dedinho indicador sobre minha face tirando um pouco da farinha.
— Estava apenas me divertindo com seu tio Ray. – pisco para Scott que sorri abertamente enrolando meus cabelos com os dedinhos como seu pai fez hoje. Aquilo me fez aquecer por dentro de maneira reconfortante. – Ray! – praguejo com um ovo sendo quebrado na minha cabeça por fim arrancando uma risada gostosa do meu garotinho dos olhos azuis.
Ao me erguer novamente, escutamos a campainha tocar, estremeço ao notar que estou parecendo uma alienígena suja de farinha e fendendo a ovo.
— Vai atender – ordena Ray engolindo em seco.
— Eu não. – recuso sua oferta. E se fosse o presidente na minha porta? Ou um astro do cinema que ganhou vários Oscar ao longo da sua vida?
— Não é nenhum ator, muito menos o presidente Felicity. – debocha dos meus pensamentos Ray com uma carranca me jogando um pano na cara. – Scott! Vamos comigo, preciso que esfregue meus cabelos. – chama o mesmo que assente seguindo o tio pelas escadas animadamente.
— Ray! Ray. Não pode me deixar atender a porta assim, e não faça do meu filho seu escravo. – abro os braços incrédula. Como uma música dos infernos a campainha volta a tocar estridente pela casa.
— Se vira! Foi você quem começou com essa guerra doméstica e o Scott me deve isso, passei metade da noite brincando de carrinhos com ele. – bufa correndo pelas escadas.
Esbravejo limpando o rosto com o pano para tirar o excesso daquele, omelete que estava em meus cabelos, mesmo que eu passasse anos no banheiro aquele odor seria eterno. Inferno! Saio pisando duro me apegando a todos os santos, para ser só uma correspondência ou algo do tipo, porque minha situação naquele momento estava deplorável. Respirei o mais fundo que eu consegui e abri a porta para dar de cara com Michael. Um buraco! Um buraco para me enfiar dentro! Abri a boca e fechei várias vezes.
— Felicity. – sorriu com uma careta me estendo flores.
Enquanto ele mais parecia um príncipe da Grécia, eu estava mais para a bruxa do esgoto, merda! Fiquei estática por vários minutos, um musculo não mexeu do meu corpo, mesmo que o meu cérebro mandasse todos os comandos.
— Felicity. – chamou mais uma vez. – Você está bem? – indaga limpando a garganta.
— Sim, sim. – gaguejei balançando a cabeça sacudindo a farinha. Quanto mais eu fazia, mas pior ficava. – Desculpa Michael. – pedi nervosa.
— Esse é um novo tratamento de beleza? – sorriu com cavalheirismo o que me fez retribuir o gesto. Mesmo amando o Oliver incondicionalmente, eu e o Michael também tivemos uma história, não posso descarta-lo sem satisfação, afinal de contas até ontem eu odiava o Queen!
— Eu estava brincando com o Scott na cozinha. – menti dando de ombros. – Acabamos fazendo uma bela bagunça. – sorri por fim de maneira que fez o mesmo assenti.
— Não convida mais os amigos para entrar na sua casa? – questiona com divertimento.
— Oh! Sim. – pisquei freneticamente dando espaço para o mesmo entrar.
Com elegância o mesmo deslizou seu corpo malhado para dentro, sua camisa na cor bege dobrada até os cotovelos, deixando seus músculos bem flexionados e visíveis, a calça jeans destacando suas curvas moderadas, seus cabelos ligeiramente bagunçados como se ele estivesse sempre em um pós foda, e os olhos verdes como esmeraldas estavam no brilho intenso. Michael estava como um dos deuses da Grécia.
— Eu liguei para você ontem, mas só caiu na caixa postal. – quebrou o silencio ele enquanto eu mantinha distancia para não infecta-lo com meu odor de ovo.
— Desculpa, eu precisei resolver coisas pessoais, acabei esquecendo meu celular em casa. – forcei um sorriso.
— Não se preocupe com isso. – acenou sentando no sofá com a mesma elegância. Que inferno! Porque esse homem precisava ser meu ex gostoso.
— Mas o que você desejava de mim? – indago arregalando meus olhos. – Quer dizer, não de mim, mas sobre o quê? – engoli em seco. Ah Oliver! Saia da minha cabeça, voltei para minhas gafes por causa daquele malfeitor/pai do meu filho/homem da minha vida.
— Então! Como você fugiu esses dias, não pudemos conversar sobre as reuniões, ou algo relacionado a empresa, como o Ray não compareceu, eu fiquei sem saber o que fazer. – explica mordendo o lábio. – Temos uma festa beneficente para ir hoje! – informa com sorriso.
— Como assim uma festa beneficente? Não posso ir. – soltei lembrando que tenho um encontro com Oliver. – Ray pode ir no meu lugar. – sugiro quebrando o gelo.
— Não, não pode, porque eu recebi o convite e assinei, já que nenhum dos dois estava no local, você irá como minha acompanhante Felicity, se você faltar, perderá prestigio com alguns investidores importantes como o Sr. Wilson. – explica com cuidado, ele sempre em seus modos de me convencer, nesse momento eu pude ver que ele estava sendo sincero. – Não é obrigada a nada, mas se não for, pode começar a perder o que construiu com esforço um dia. – esclarece voltando a se erguer do sofá. – Não estou te forçando a nada sobre a festa. – sorriu deixando um beijo demorado em minha face mesmo suja. – A escolha é toda sua. – piscou antes de sair em direção a porta. Prendi a respiração, sabendo que eu tinha uma escolha a fazer, ir ao encontro com Oliver ou sair com Michael para uma festa onde estaria todos os sócios da minha empresa.
— Tenha um bom dia. – acenei confusa observando ele sair pela porta em passos largos. – Merda! Onde está meu celular? – berrei desesperada.
[......]
— Oliver você precisa ir para essa festa comigo. – declarei mordendo as unhas e revirando meu closet em busca de algo para me vestir para essa festa.
— Felicity, não gosto dessas festas são incondicionalmente entediantes. – esclarece com suspiro longo.
— Se você não for, o Michael estará comigo, como se sente sobre isso? – argumento nervosa em uma chantagem tosca.
— Eu mato ele se passar a mão em você. – informa perigosamente sexy.
— Então diga-me que vem para ir conosco. – pedi com carinho encontrando o vestido ideal que eu deveria usar nessa ocasião, vermelho, sempre foi minha cor favorita.
— Tudo bem. Eu vou – bufa dando-se por vencido! Pelo menos um ponto para mim.
— Ah obrigado querido! Eu te.... – interrompi a frase no meio. Eu ainda não estava pronta para dizer as palavras magicas novamente. – Eu te espero. – mordi o lábio tentando contornar.
— As oitos estarei aí. – sorriu por fim limpando a garganta.
Encerrei a ligação encarando o celular como se faltasse algo a ser feito ou testado entre nós, eu sabia o quanto exatamente amo Oliver, mas o medo de errar novamente ainda me rondava. Eu só queria passar uma borracha e esquecer tudo que passou, mas infelizmente eu não poderia, e talvez nem queria isso.
— Felicity. – chama Ray estridente adentrando ao meu quarto.
— O que houve? – saio do closet com meu vestido.
— Você vai com os dois para a festa? – indaga incrédulo tirando Scott de seus ombros. – Ficou maluca? Eles vão se matar.
— Não posso faltar, também não posso sair sozinha com Michael. – respondi nervosa. – Temo que Michael tente algo comigo, afinal de contas eles são meus exs. – explico por fim.
— Mamãe, eu quero ver o papai. – choraminga Scott chegando até mim.
— Ele vem hoje meu amor, não se preocupe. – pisco pegando ele para mim. – Desculpe se a mamãe sumiu ontem. – sorri ajeitando seus fios loiros para o lado de maneira terna.
— Tio Ray disse que você estava com o meu papai. – disse carinhoso com brilho extenso nos olhos.
Arregalei os olhos para Ray que desviou o olhar começando a assoviar pelo quarto, bufei longamente e voltei a sorrir para meu mini Queen, que prestava atenção em mim. Tínhamos que conversar, não os detalhes de tudo aquilo que estava acontecendo, mas tudo que estava ainda para acontecer.
— Eu e seu papai estamos conversando, coisas sobre você, por isso precisamos sair juntos algumas vezes. – esclareci para o mesmo que assentiu com sorriso fofo.
— Eu vou sair agora, antes da sua festa eu volto para ficar com Scott. – disse Ray saindo pela porta apressadamente.
— Mamãe, você está namorando o papai? – indaga me fazendo cair sentada na cama com ele ainda no meu colo.
— Scott! De onde você tira essas coisas? – questiono incrédulo. Esse menino tem uma inteligência artificial, só pode!
— Eu gosto do meu papai. – desvia do assunto sem intenção sentando ao meu lado com resmungo baixo. – Deixe meu papai dormi comigo aqui mamãe. – pede manhoso me fazendo derreter completamente. Como eu diria não para minha miniatura de Oliver?
— Vamos fazer um acordo? – ergui meu dedo para ele. – Seu papai pode dormir aqui quantas vezes ele quiser, mas só se você prometer que vai ser um garotinho bonzinho, fazer suas atividades e ser o orgulho da sua mamãe sempre.
— Eu prometo. – sorriu com covinhas no rosto enlaçando nossos dedos como uma promessa. – Eu gosto do meu papai.
— Eu sei que sim querido. – suspiro trazendo-o para mim. Ele boceja e se enrosca nos meus braços como quando tinha dois anos de idade. Aliso seu cabelos e começo a cantarolar sua velha música de ninar. Mesmo ele estando sem sono.
[......]
Pov Oliver.
— Nossa, isso tudo é para Smoak? – debocha Tommy me fitando pelo espelho. Sorri de canto voltando minha atenção para ele.
— Como estou? – abri os braços com desdém.
— Gatão, com cara de idiota. – revira os olhos bebericando sua bebida. – Oliver! – acena me fazendo esbarrar nele.
— O quê? – bufo por fim desviando dele.
— Felicity tem uma amiga gata, você poderia abrir caminho para mim. – sorriu me chamando atenção. – Eu conheci ela na noite em que trancamos vocês dois. – explica em defesa voltando a beber seu liquido.
— Sabe Tommy, ainda não entendi essa aliança com Ray. – franzi o cenho. – Pensei que você ainda estava achando que Felicity pisaria no meu coração com seu salto fino.
— Em minha defesa você está há muito tempo sem transar, e como só tem olhos para a Smoak, é melhor abrir caminho. – argumenta animado me fazendo revirar olhos novamente. Sigo até minha cama para pegar meus pertences. – E você é feliz quando está com ela, sou seu amigo. Não sou egoísta a ponto de ignorar isso – confessa por fim o que me deixa bastante feliz.
— Mesmo que ela pise em meu coração mil vezes, nada pode mudar o que eu sinto por aquela mulher. – sussurro voltando minha atenção para ele. – Então quem é a garota? – indago.
— Cait. – suspira como se estivesse vendo ela agora em sua frente. – Só diga a Felicity que sou um bom rapaz e que me ajoelharia nos pés da bela dama. – reflete. Faço uma careta para Tommy que não dá importância.
— Foi amor à primeira vista? – questiono sarcástico com Tommy perdido em seus pensamentos.
— Acho que sim. – se joga na poltrona. – Preciso dessa mulher antes que eu vá a plena loucura.
— Direi que seus sentimentos são platônicos pela bela dama. – solto uma risada indo para a porta. – Não faça nenhuma besteira em minha ausência Tommy. – ordeno antes de sair. Ele ergue o copo para mim e faz a carinha do gato de botas antes de sair do meu campo de visão.
[....]
Caminho em direção a porta com passos lentos, ainda faltam cinco minutos para as oitos, nada como uma bela pontualidade, aprendi ao longo dos anos como um profissional, uma partida perdida seria um fim de qualquer jogo nosso, comecei a dar valor as pequenas coisas. Eu tinha mudado, e isso sempre agradeceria a Felicity. Ao chegar na porta toquei a campainha sem pressa, com a postura rígida. Com alguns minutos Ray atende a porta, com a expressão fechada, fiz o mesmo.
— Entre. – foi tudo que disse. Dei um passo para dentro escutando a porta se fechar atrás de mim com pequeno estrondo. Não precisava disso, mas acho que nosso ódio mortal seguiria por muito anos ainda.
— Papai. – chamou Scott com gritinho agudo. Ergui o olhar para meu garotinho que estava nos braços de Michael, aquilo me fez queimar por dentro. Ah inferno. Sem dificuldade o diabo do Michael colocou meu pequeno no chão que saiu correndo até mim com sorriso gostoso nos lábios.
— Hey, meu amor. – sorri de canto pegando-o para meu colo. – Que saudades campeão. – sussurro em seu ouvido deixando um beijo casto em sua face. Scott volta seu olhar para mim com carinho. Deixo claro aqui que sou seu pai e você é só meu. Decretei em pensamentos, mas Scott parecia entender o que eu dizia, pois sorria animadamente para mim, pressionando suas pequenas mãos contra minha barba rala. – Eu te amo. – completei por fim.
— Eu te amo. – confessou para mim o que me deixou emocionado.
— Poe na testa que o Scott é só seu Queen. – debocha Ray me fazendo bufar longamente. – Eu sei que você quer o coração do Michael nas suas mãos. – sussurrou sarcástico. Olho para Michael que fita seu relógio de pulso sem nos dar atenção alguma. – Se Felicity ficar gravida novamente eu mato você.
— Serio Ray? – rosno baixo girando para fita-lo. – Eu posso ter quantos filhos eu quiser com ela. – retruco ácido.
— Eu vou ter um irmão? – questiona Scott fazendo-nos arregalar os olhos.
— Não. – respondi rapidamente.
— Nunca. – decreta Ray.
— Pensasse nisso antes de nos trancar no vestiário. – bufo para Ray.
— Você não me provoque Queen. – repreende seco.
— Não me teste Palmer. – alerto soltando faíscas.
— Papai. – choraminga Scott se enroscando em mim. – Eu quero ir para a festa com meu papai. – confessa meloso. Massageio suas costas. Ray dá de ombros e sai de perto parecendo um pavão. Ainda não acredito que Sara sente algo por esse capeta em forma de gente! – Posso ir? – pediu Scott baixo.
— Não pode porque só adultos estarão lá. – respondo sem magoa-lo. – Mas prometo ficar com você amanhã o dia inteiro.
— Tudo bem. – solta os ombros em derrota. A cena me fez sorrir abertamente. Ele se parece tanto comigo que chega a ser exagero, mesmo não convivendo comigo, é algo inexplicável, está no DNA apenas.
— Então você vai conosco? – indaga Michael. Olho sobre os ombros de Scott, disfarçando minha irritação, em saber que ele está mesmo no nosso caminho.
— Por que não? Tínhamos um encontro e ela acabou mudando para uma festa beneficente. – dei de ombros com desdém. – Pegue um pouco de agua para o papai. – pedi sussurrando no ouvido de Scott. O mesmo assentiu e saiu dos meus braços em direção a cozinha onde Ray já estava a tagarelar com a empregada.
— Mesmo que ela ame você, jamais desistirei dela. – confessa próximo a mim com a postura ofensiva. – Você fez ela sofrer um dia, isso não irá se repetir novamente, tem minha promessa.
— Eu jamais faria isso, como você mesmo sabe, Felicity é a mulher da minha vida. – rosno impactante. – Fique longe Michael, sua história com ela acabou.
— Tem mesmo certeza? – sorriu colocando as mãos nos bolsos de seu terno. – Ela ficou comigo, quando ainda sentia algo por você.
— Isso não é verdade! – rosno mais uma vez. Basta, esse babaca precisa de uma lição.
— Quem estava lá quando Scott deu seu primeiro passo? Quando adoeceu? Quando falou a primeira palavra? Quando foi a escola a primeira vez? – questiona me fazendo retesar o corpo. – Não foi você. – acusou.
— Porque ela mesmo não me deu a chance. – praguejo.
— Porque você foi um cretino com ela, várias e várias vezes. – sorri de canto. – Ela se entregou para mim quando ainda amava você, Mr. Queen.
Sem me conter acerto-o com um soco bruto fazendo seu rosto inclinar para o lado dando dois passos para o lado. Eu estava cansado de todos jogarem na minha cara o quanto eu errei no meu passado, Felicity sempre fez questão de lembrar isso, mas ouvir o Michael dizer que sempre esteve ao lado do meu filho, onde deveria ter sido eu, aquilo me fez me parti mil vezes por dentro, uma dor nova me consumia por dentro.
— Oliver. – repreende Felicity do topo de sua escada. Bem ali estava a mais bela de todas, vestida com vestido vermelho sem alças, que situava todas as suas curvas em uma seda fina. Os cabelos em um coque perfeito. Acho que nunca a vi tão bela assim.
Em silencio pude ver meu filho, como se estivesse em choque, parado no lugar olhando para nós com seus olhinhos azuis assustados, ele era apenas uma criança e estava presenciando uma cena de ciúmes ou de magoa do seu pai. Era demais para suportar naquele momento. Sem palavras eu segui até a porta, pois eu sabia que Felicity nos afastou porque não confiava em mim. Aquilo doeu, doeu muito, uma dor que jamais queria ter sentido antes.
Fale com o autor