Notas iniciais
LuízaT says: 'Hey!! Como foi o dia de vocês?? Parece que o Pedro se inspirou e escreveu um capítulo divoso u.u Espero que gostem desse capítulo, ficou muito bom *-* Se os estudos deixarem eu prometo postar o próximo logo okay?? Boa leitura e meus tradicionais beijinhos de panda!! // Luíza PedroDiAngelo says: Good night, morning, afternoon (Dessa vez eu consigo dizer boa tarde u.u). Estão todos bem? Capítulo novinho, espero que gostem. Meio que uma versão do Skye do ocorrido, acompanhada do segundo... encontro (?) dos dois. Boa leitura, abraços!

“And the tears come streaming down your face

When you lose something you can't replace

(Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto

Quando você perde algo que não pode substituir)”

─ A culpa é sua, Catherine, SUA!

É absurdamente raro ouvir meu pai perder o controle a ponto de gritar com minha mãe. E é ainda mais raro que eles briguem; mas, pelo jeito, eu não fui o único afetado pela morte da Suzana: a relação dos dois pareceu ter sido incrivelmente abalada.

─ Se você acha que a culpa do NOSSO filho estar em uma depressão é minha, tudo bem! Mas não é gritando comigo que você vai curá-lo!

Terapeutas tão renomados que não enxergam o óbvio. Carinho. É a única coisa que queria deles. Um abraço, um elogio, um sorriso sequer.

─ VOCÊ DEVERIA TER PENSADO NAS CONSEQUÊNCIAS QUANDO RESOLVEU QUE QUERIA UM FILHO!

Respirei fundo e afundei a cara no travesseiro. Não mudei tanto, pensei.

Talvez eu tenha perdido alguns quilos, perdido alguns poucos músculos que tinha. E, talvez, o meu gosto por preto tenha ultrapassado algum limite antiquado.

E foi ao fechar os olhos que lembrei de uma conversa que tive com Lily, mais cedo.

“─ Você VAI!

Ela disse quase em tom de uma daquelas mães rabugentas que se vê em filmes.

─ Poxa, é minha última semana nessa escola e vocês querem que eu passe meu enorme tempo vaga em um grupo de apoio? Isso é para alcoólicos, fumantes e todo esse povo...

─ A gente vai ir para a sua escola contigo. Pelo menos eu e Lily, o Chris não pôde. O pai dele e tal... ─ Interveio James, tentando amenizar a situação. Franzi as sobrancelhas e comprimi os lábios, teria sido um olhar muito, muito medonho caso eu não estivesse com o uniforme estrondosamente ridículo dos formandos da Academia Hillings. Rosa e branco. Para meninos e meninas.

─ Não...

Foi minha última tentativa: Fechei o armário com força e fiz um leve biquinho.

─ Eu vou com você. Até a porta. Esteja pronto as 15, vou te buscar na tua casa.

─ Eu sei dirigir, qual é, vou ter babá também? Você tem mais o que fazer, pode, por exemplo, ir para a casa da Lily, assistam um filme, se beijem, sei lá!

Lily corou, e James me olhou com mais veemência, com aqueles olhos castanhos autoritários. Resolvi não discutir mais. Estava disposto a fingir alguma doença muito digna, como uma diarreia.”

Olhei meu relógio e percebi que faltavam apenas quinze minutos para o horário estipulado por James. Me levantei da cama, e tirei os fones a tempo de ouvir o estopim da briga que se seguia:

─ CHEGA! Se você não quer aceitar o estado do Skye, tudo bem, eu entendo. Mas você não vai estar me aceitando junto. Pegue suas coisas e saia...

A voz engasgada e entremeada por soluços era da minha mãe. Meu pai poderia ser um grande homem, mas duvido muito que seja algo sem minha mãe. Não ouvi mais nada depois disso, e estava decidido a não ouvir.

Me troquei. All star, calça jeans, camiseta e uma pulseira; todos pretos.

Sai do quarto e vi um pai perdido, olhando e piscando para o teto, minha mãe de costas para ele, o rosto coberto. O barulho da porta os acordou de um profundo transe, foi quando perceberam que o motivo da briga, e do provável divórcio, estava escutando tudo. Se envergonharam ainda mais. Corri os olhos de um ao outro, e sai pela porta, ao mesmo tempo que o carro de James se aproximava de minha casa.

Meus pensamentos vagaram no carro. Por mais que eu não fosse íntimo dos meus pais, eles ainda o eram. Ouvir aquilo, que iriam se separar, trouxe à tona os mesmos sentimentos que me invadiram quando Suzana se matou. Em proporções menores, mas igualmente dolorosas.

(...)

Com a mochila nas costas, sobre apenas um ombro, as roupas pretas e um olhar percorrendo a multidão naquele corredor estranho. Foi assim que comecei o primeiro dia na escola nova.

Uma habilidade que desenvolvi desde a morte é ser invisível quando quero. Foi assim que entrei na sala sem ser notado. Mesmo o professor, barbudo e ligeiramente barrigudo, mal me notou.

A sala estava ligeiramente cheia. Os lugares vagos se dispunham à perto do grupinho do fundo, o primeiro lugar da segunda fila (provavelmente pertencente a alguém que não viera naquele dia) e o terceiro lugar da quinta fileira ─ contando a partir da porta.

E na minha frente, absorta em pensamentos (Deduzi porque, apesar de imensamente concentrada no livro que estava lendo, não folheava as páginas) estava a garota do grupo de apoio, Willow.

Sorri para mim mesmo. Apesar de nutrir um ódio meio ranzinza por ela, não acho que a discussão iniciada no grupo esteja, de fato, terminada.

O professor limpou a garganta, me olhando nos olhos. Entendi o recado, desviei o olhar, e segui em frente. Ela não me notou, nem mesmo quando encostei o quadril em seu livro.

Pensei em diversas formas de deixar claro a minha presença, de modo que despertasse na garota o máximo de indignação possível. Mas foi o professor barrigudo que o fez, por mim:

─ Então... pessoal... ─ interrompeu as poucas conversas da sala ─ temos aqui um novato. Seu olho é muito bonito, garoto ─ já percebi que o forte daquele professor nunca seria a delicadeza, ou mesmo a concentração em um assunto ─ Qual seu nome?

Limpei silenciosamente a garganta, e tentei soar o mais formal possível. Velhos hábitos.

─ Skye... ─ o espaço em que eu deveria dizer o meu sobrenome foi ocupado por um silêncio. O simples pensamento me fazia congelar. Suzana costumava incorporá-lo ao seu nome, em uma menção agradável de seu provável nome de casada. Minha boca entreaberta e meu olhar afetado surpreenderam até a mim. Não costumo exibir sinais de dor, ou depressão como diria minha mãe, na frente das pessoas.

─ Er... bem-vindo, Skye. Meu nome é Robert, e eu sou professor...

Não prestei mais atenção. Apenas sorri, educadamente, enquanto tentava recobrar a consciência e recolocar os pensamentos em ordem, porém fui, novamente, impedido.

­­─ Ah não ─ exclamou Willow, apoiando a cabeça na carteira.

Balancei a cabeça de um lado para o outro, rapidamente, pisquei algumas vezes. Levantei uma das sobrancelhas, sorri com o canto da boca e olhei para o professor, para me certificar que ele não estava me olhando ─sem broncas no primeiro dia.

─ Sem teatro, todo mundo sabe que você me ama ─ comentei, audível o suficiente para que só a garota me ouvisse. Me deliciei com a feição dela, uma mistura de raiva contida e um desejo insano de jogar algo em mim.

─ O garoto que perdeu a namoradinha e acha que é dor.

Não respondi. A olhei nos olhos e ergui, novamente, uma das sobrancelhas, em sinal de ironia.

─ 8 anos? Ainda sente dor, também, da perda das suas barbies?

Eu, confesso, fui hostil, egoísta e sem educação. E agradeço pelo que aconteceu depois.

─ Meu pai...

─ Silêncio, Willow. Silêncio, garoto dos olhos azuis.

Apenas dei uma piscadinha para a garota, meus lábios ainda contornados em um sorriso extremamente irônico. Não me lembro dela ter me olhado outra vez nesse dia.

Tua caminhada ainda não terminou...

“Não faças do amanhã

o sinônimo de nunca,

nem o ontem te seja o mesmo

que nunca mais.

Teus passos ficaram.

Olhes para trás…

mas vá em frente

pois há muitos que precisam

que chegues para poderem seguir-te.” (Charles Chaplin)