This Isn't The End.

6 Lost in the forest.


Notas iniciais
-PedroDiAngelo.: "Heeeeeeeeeeeeeey (A quantidade de "e" do meu Hey é equivalente a minha animação elevada ao meu nível de retardagem variável [Observação que na verdade foi fruto dos meus estudos matemáticos super entediantes]) guys! Como estão? Bem, espero que estejam com tudo em cima (Será qual foi a origem dessa expressão... "tudo em cima"). E aqui temos um capítulo maravilhoso [Para variar] escrito pela Lu *-* Uma coisa que mudamos na nossa metodologia: Agora o capítulo é escrito por um de nós [Ela, por exemplo] e aperfeiçoado para uma 'Versão 2.0' por outro [Eu, por exemplo] assim teremos como resultado um capítulo mais coerente, melhor, e com os dois tipos de escritas [A minha e a dela *-*]. Só para atiçar a curiosidade geral aí: Tem uma mega surpresa minha no próximo capítulo narrado pelo Skye s2 Estejam preparados u.u Enfim, isso já tá ficando grande, então é isso. Boa leitura, abraços!" ------//------ -LuízaT.: ''Hey!! *-* Voltamos com mais um capítulo narrado pela Willow!! Espero que gostem, na minha opinião esse capítulo ficou muito legal com a ajuda do Pedro (*-*) e esperamos que esse novo ''método'' deixe a fic melhor ainda. Nem preciso dizer que estou amando escrever a fic né? Enfim, postaremos o próximo o mais rápido possível, um detalhe aqui e ali e ele logo está pronto, qualquer coisa é só deixar um comentário ou MP, adoramos vocês, sabe? Então é isso, boa leitura e beijinhos de panda!!''

''Look at the sky when you walk through life

So that tears won't overflow your heart

As we cry our way down the street

On this lonely, lonely night.

(Olhe para o céu enquanto você caminha ao longo da vida

Para que as lágrimas não inundem seu coração

Enquanto você chora pelas ruas

Nessa noite solitária.)''

– Quem esse garoto pensa que é? — Eu perguntei pela décima vez, olhando para o mesmo ponto das paredes.

Estava parecendo uma colegial que ficava fora de si com a provocação de um capitão do time de basquete, mas não estava ligando muito, Laureen me observava andando de um lado para o outro do quarto e dava sua opinião as vezes, eu ainda estava fervilhando de raiva pelo tal Skye; repetidas vezes pensava, e sussurrava, o quanto queria que ele estivesse errado.

Eu sabia que Marceline dissera a verdade: estávamos competindo para ver quem sofria mais, o cara que perdeu o amor ou a garota que perdeu a única pessoa que tinha no mundo. A diferença era clara: EU estava certa, mesmo não sabendo o que isso significava agora. Só queria que ele soubesse que perder meu pai não tinha sido nem um pouco simples.

–Esquece isso Wil, ele tem os problemas dele, devia estar estressado ou sei lá...

– Sério? Você está defendendo ele? — Quase gritei, incrédula, o olhar fixo nos olhos de minha amiga.

Laureen estava sentada na cama agarrada à um ursinho de pelúcia gigante. Ela estava realmente adorável. Perguntei-me se conseguia ficar brava com algo como aquilo, seus olhos verdes agora exibiam um olhar inocente, o cabelo loiro escuro solto caindo por sobre os ombros, as bochechas avermelhadas deixando a coisa mais difícil ainda. Concluí que não foi certo alterar o tom com ela.

– Não. Estou do seu lado, só pense no que ele está passando também, a garota devia ser importante pra ele, como o seu pai é para você e...-

Escondeu a cabeça no bichinho de pelúcia, continuava falando mas não conseguia entender mais nada; talvez fora proposital, talvez soubesse que não conseguiria mudar tão facilmente minha opinião.

– Mas acho que aquilo foi totalmente desnecessário. — Disse por fim, deixei ela sozinha no quarto indo para o meu.

Tentei dormir, esperando não ter pesadelos hoje.

–-----//------

– Obrigado pela ajuda William. — Marcus sorriu pra mim depois de fechar a lanchonete.

– Não foi nada — Forcei o sorriso de volta, ajuda-lo foi só uma das maneiras de deixar minha mente ocupada.

– Vamos? — Ele perguntou, estendendo o braço pra mim, aceitei e fomos andando juntos pela calçada, no caminho de volta para casa.

Marcus morava perto de meu apartamento dividido com Lau, em situações como essa normalmente íamos juntos, era um tempo a mais que tinha que fingir ser a ''William'' que ele conhecia. Doía muito ter que mentir daquele jeito, mas era melhor mentir um sorriso do que contar toda a verdade, eu não queria mais alguém me olhando com pena e pensando que era uma criança desamparada e sozinha, eu definitivamente não era.

Quando cheguei em casa, lembrei que as aulas estavam voltando, fato que não me ajudou a criar um bom humor. Eu odiava ter que ir à escola; era totalmente desnecessário e um lugar onde eu ficava imersa em pensamentos frequentemente, lembrando de meu pai e tudo o que eu normalmente fazia quando era deixada sozinha.

Sentia vontade de socar a parede quando lembrei de meu pai outra vez. Por que ele tinha me deixado sozinha? Teria ele pensado que eu não fosse sofrer pela perda dele? Que eu superaria tão facilmente a ponto de ter uma vida normal? Que eu o amava acima de tudo e que isso me impediria de viver normalmente o resto da minha vida? Eram tantas perguntas sem resposta, tantos pensamentos que faziam meu coração apertar. Eu só queria ter certeza que meu pai me amava também.

Não consegui segurar as lágrimas, abraçando minhas pernas e encolhida na cama eu estava chorando outra vez, a mistura de emoções que sentia era totalmente confusa, estava brava com ele por me deixar sozinha, estava decepcionada comigo mesma por não ter feito nada para evitar sua morte, me sentia triste, deprimida, vazia. E acima de tudo...

Eu ainda sentia falta dele.

–-----//------

Céus! O que diabos aquele garoto estava fazendo na escola? Já não bastava ele estar frequentando o tal grupo de apoio? Claro que não, ele tinha que vir parar na mesma sala que eu. Quase discutir com ele no meio da aula não ajudou nem um pouco, agora eu tinha mais vontade ainda de provar que ele estava errado.

Passei a aula inteira imaginando em minha cabeça como confrontar Skye, procurando argumentos que provassem que eu não era uma criança chorona. O relógio parecia não ajudar muito, o tempo passava devagar. Eu queria apenas ir embora e descontar minha raiva em um travesseiro, talvez.

Sentir o olhar dele em mim tornava tudo ainda mais irritante, o imaginava me observando com ironia e sarcasmo, pensando em mim como uma garota fraca, egoísta, ridícula. Por que isso me irritava tanto?

Acabei por conseguir me segurar, não responde-lo. Talvez o melhor argumento fosse o silêncio.

Laureen merece um prêmio; O esforço comunal que a garota fez para me tirar da cama no dia seguinte foi simplesmente louvável. Ela é versada na arte de me obrigar a fazer coisas que não quero fazer.

Mochila nas costas, expressão emburrada, olhar de ódio preparado para ser lançado; eu estava prontinha para ir para a escola.

Quando entrei na sala, minha mochila ainda nos ombros e um livro qualquer na mão, percebi Skye sentado no mesmo lugar que o dia anterior, assim que me viu franziu a testa para logo depois lançar um sorriso irônico, lancei meu melhor olhar mortal antes de sentar e tentar ignorá-lo.

– Bom dia pra você também. — Ele sussurrou pra mim, a ironia presente em cada palavra, me virei para encará-lo.

– Qual o seu problema? — Perguntei séria, seus olhos claros e parcialmente escondidos pelo cabelo escuro não pareciam realmente divertidos como seu sorriso sarcástico.

– Não sei, acho que quem tem problemas aqui é você.

– Querido, não estou chorando por um namoradinho não, tá?

Forcei uma risada, seu sorriso vacilou por alguns segundos antes de recobrar a postura.

– Seu pai morreu, aceite... — Ele ia dizendo, mas o professor entrou na sala, interrompendo a frase que provavelmente faria o meu ódio entrar em combustão. Outra vez, nossa discussão fora interrompida.

– Vejo que está se dando bem com o novato, Willow. Novas amizades! Sempre bom! – O professor sorria, fazendo seu bigode grisalho se contorcer sobre seus lábios finos.

Só olhei do professor para Skye como quem diz ''Sério mesmo?''.

– Claro. Novas amizades. Estamos nos dando muito bem – Eu disse, forçando um sorriso de canto de boca, absolutamente sem graça.

Peguei meu livro, abri em uma página aleatória; eu sabia que não conseguiria lê-lo.

“- Pequena? — Ouvia meu pai gritando à distância, ele me procurava desde que comecei a chorar, mas estar no meio da floresta não ajudava muito.

– Pa-pai... — Tentava dizer, minha visão estava embaçada pelas lágrimas e não conseguia falar direito.

Não sabia exatamente como, mas estava perdida, não reconhecia as árvores a minha volta; meus braços e pernas arranhados, exibindo fiapos de um líquido pegajoso, brilhante e vermelho intenso – meu sangue. Me sentia mais sozinha do que nunca, indefesa e insegura. Os gritos de papai parecendo distantes, a floresta nunca me pareceu tão assustadora, parecia me engolir, me comprimir, me sugar. E tudo começara a partir de uma brincadeira de esconde-esconde.

A barra de minha bermuda estava rasgada, minhas mãos manchadas de sangue, meu rosto provavelmente estava igualmente sujo. Eu sentia tanto medo; nunca em minha vida tinha experimentado algo do tipo, com os braços e pernas ainda ardendo tentei correr para algum lugar, procurando meu pai me joguei para o nada, correndo o mais rápido que conseguia, murmurando o nome de papai, sabia que podia estar me perdendo mais ainda, só que não aguentava ficar parada ali.

Com a visão turva, desviava de pedras, árvores e troncos, não sabendo ao certo pra onde ia, felizmente, podia ouvir papai mais perto. Não me recordo o quanto corri, nem pra onde fui, mas em algum momento fui envolvida por braços que reconhecia facilmente, meu pai tinha me achado.

Entre palavras de conforto e de repreensão podia sentir o quanto ele estava aliviado, assim como eu. Me sentir sozinha era horrível, estar machucada e perdida no meio da floresta era assustador para qualquer um, mesmo sem uma mãe, papai nunca tinha deixado eu me sentir daquele jeito, pensar na ideia de ficar sem ele me aterrorizava muito.

Não pude deixar de pensar que eu estava sozinha agora, machucada demais no meio de uma floresta de sofrimento e dor, me imaginava em minha aparência atual, as roupas rasgadas, os braços e pernas sangrando, sem rumo e completamente só. Sem um pai para me abraçar e me proteger dessa vez, minha vontade era de fazer aquilo acabar de uma vez.''

– Willow! — Acordei de meus devaneios com o professor gritando ligeiramente assustado para mim, meu rosto estava úmido e foi quando percebi que estava chorando.

Olhei a minha volta, todos me observavam atônitos e perguntavam o que diabos estava acontecendo comigo. Tentei secar as lágrimas o mais rápido possível, piscava e olhava para o teto, mas elas continuavam a vir, como uma cascata. E tudo o que eu precisava agora era chorar no meio da aula, não pensei duas vezes as antes de pegar minha mochila e livros e sair correndo da sala, consegui ver o rosto de Skye antes de sair, aparentemente inexpressivo não sabia se exibia seu típico sorriso, um olhar de pena, ou uma expressão de compreensão. Felizmente não fiquei para descobrir como ele reagiria.

"Você está sozinha." Ficava repetindo em minha mente.

"Só eu sei da minha tristeza...

Só eu sei da minha dor...

Só eu sei da minha verdade

Que não se esconde, para agradar ninguém...

Só eu sei da dificuldade que é caminhar...

Depois de cair de um lugar tão alto...

E mesmo sangrando por dentro, resistir...

Só eu sei como dói lembrar...

Do que poderia ter sido e talvez não será...

Só eu sei a força que tenho que fazer para de novo levantar...

Só eu sei...Só eu e mais ninguém..." (Nilza Rodrigues.)