This Isn't The End.

1 O Sorvete de Chocolate.


Notas iniciais
-PedroDiAngelo.: "Hey! Então, sou o Pedro, e estou aqui tendo a honra de escrever com a Luíza s2 Cada um de nós irá narrar de um personagem, no meu caso é o Skye. Espero que gostem, boa leitura e abraços!" ------//------ -Luíza T.: ''Hey!!Bom,eu sou a Luíza,estou tendo o prazer de escrever uma songfic com o lindo do Pedro ♥ Esse capítulo foi escrito por ele narrando como Skye,o próximo será feito por mim e narrado pela Willow,bom é uma nova fic,uma nova emoção,espero mesmo que gostem e entendam. Gente,esse capítulo ficou divo *-* Comentários são legais...Nós gostamos deles sabe?? Bom...É isso,meus habituais Beijinhos de Panda pra vocês!!

“... E, acima de tudo, Skye, quero que não tenha medo; de viver sem mim, de se apaixonar novamente, de ser o garoto inteligente e popular, que conciliava a isso a humildade e inocência”.

Já não sei quantas vezes reli o mesmo pedaço de papel, já amarelado e desgastado. A caligrafia fina, quase artística, aparentemente fora escrita em uma hora inoportuna; manchas de tinta e ondulações incomuns.

As sensações de se ler algo escrito por alguém que não tenho mais vão além de um vazio comumente descrito; o vazio, a dor, sobrepõe os momentos felizes: mas eles ainda continuam lá. Basta fechar os olhos e relembrar.

Uma doce lembrança que costumo me recordar, e me ater como se fosse a única coisa que me impede de afundar, aconteceu há um ano e meio.

Eu ria, sem peso, sem preocupação ─ talvez com a preocupação de uma assustadora prova de cálculos que fecharia o trimestre ─; meu sorvete preferido, de creme, derretia; simplesmente o esquecera. As trapalhadas de Lily e James, entonadas pelas imitações fantásticas de Christopher e Brad do professor de história: tão velho quanto seria humanamente possível, a voz fraca era perfeitamente imitada pelos garotos, talvez o porte de jogadores do time os impedisse de uma imitação perfeita.

Os rápidos beijos e carícias afetuosas de Lily e James me provocavam algo que nunca soube bem explicar. Um misto de vazio, com uma pontada de inveja; se amavam tanto ─ embora a pouca idade, apenas 16 anos àquela altura.

Foi quando o assunto sobre o namorico secreto entre o professor barrigudo de Ginástica ─ um cara que tem tanta moral quando um nutricionista obeso, ou uma cabelereira careca ─ esfriou que pude, finalmente, olhar ao meu redor. Costumava me situar, saber onde estava; no ensino fundamental eu era ligeiramente esquisito. Um garoto com cabelos realmente muito grandes, desgrenhados e descuidados; era muito magro, esquio e devido a uma anemia que me abateu na época, tinha os lábios e a pele ligeiramente amarelos. Por isso me acostumei a observar, e não fazer parte ─ até conhecer Lily e James.

E, foi então que a notei. Estava sentada sozinha, em uma mesa de quatro lugares. Julguei que estaria esperando alguém, mas mudei de ideia; lia Harry Potter e a Ordem da Fênix em uma concentração tão profunda que posso jurar que ela não estava nem mesmo sentindo o gosto do sorvete que tomava.

Sorri para mim mesmo, não foi uma boa ideia; estava com sorvete na boca, não me sujei, mas a pontada de dor que senti no dente foi incômoda.

De certa forma eu estava sobrando na nossa mesa; Lily e James discutiam algo sobre uma festa no fim de semana, Brad e Christopher táticas que poderiam ser usadas contra o forte time que enfrentariam nas quartas de final do campeonato.

Me levantei furtivamente. Apenas Lily percebeu meu movimento, acompanhando a linha do meu olhar, que ia direto à garota sentada, ela apenas sorriu com o canto da boca, me encorajando, talvez.

O piso da sorveteria estava úmido, eu estava nervoso e me senti tentado a voltar; cair de bunda não seria algo que eu queira fazer.

Uma verdade, um pouco constrangedora, é que nunca beijei uma garota, mesmo tendo 16 anos. Pelo menos nunca intencionalmente ─ longa história que envolve uma infância estranha, uma garota estranha, um punhado de brincadeira de adultos, e duas sessões com um terapeuta amigo da minha mãe terapeuta.

Me sentei no banco à sua frente; o estofado fofo e o espaço para duas pessoas pareciam desconfortáveis e realmente pequenos, e ao mesmo tempo a mesa de metal espelhado dava a impressão de ser estranhamente muito larga.

Ela não me notou. Continuava segurando firmemente o livro com a mão esquerda, e levando a colher com sorvete de chocolate à boca, em intervalos regulares, com a mão direita.

─ Hm... Oi ─ Foi tudo que consegui dizer; ela abaixou o livro, virando a capa para a mesa, me olhou com um olhar sem expressão. Os olhos eram azuis-acinzentado, o cabelo cor de mel estava preso em um rabo de cavalo e o rosto, delicado, exibia claras sardas um pouco mais escuras que sua pele.

Ela não respondeu. Tornou a levantar o livro, ignorando minha presença e seja lá qual fosse o objetivo que tinha me levado até ali.

Me virei, pronto para levantar; Meu olhar encontra o de Lily. Suas sobrancelhas se aproximam, compondo uma expressão de intensa reprovação.

“Ótimo!” pensei, ao notar todos os quatro integrantes da minha ex mesa me olhando, com expressões que somavam ansiedade e impaciência.

Me virei, pude sentir seus pés a poucos centímetros dos meus.

Mordi o lábio inferior. Não sabia o que dizer.

Olhei mais atentamente a capa do livro, então me ocorreu uma ideia, que provavelmente poderia nutrir uma raiva intensa sobre mim, mas eu não tinha nada mesmo a perder:

─ Sirius morre.

A garota bateu o livro com força na mesa, a colher a meio caminho da boca, o sorvete ameaçando derreter.

Sua feição era de espanto, somado com algo que julguei ligeiramente perigoso.

Ela fechou os olhos por alguns segundos, tornou a levantar o livro, comprimindo os lábios.

─ Logo depois de Você-Sabe-Quem criar uma armadilha na mente de Harry, e antes disso a Nagine ataca o Art...

─ Qual é a sua!?

A sua voz era doce, meiga, mas soou em um tom perigosamente ameaçador.

─ Eu normalmente não gosto quando as pessoas não respondem o meu Oi.

Acho que eu estava tentando ser morto; Ergui as sobrancelhas em uma expressão de desafio.

Ela revirou os olhos, mas não reergueu o livro, apenas tomou outra colherada de sorvete de chocolate.

─ Chocolate, livros, cabelo preso em rabo de cavalo, você deve ser uma nerd tímida.

Eu, confesso, já estava soando quase arrogante; mas algo em mim estava se divertindo com a situação.

─ Além de um maldito distribuidor de spoilers, você ainda é do FBI ou algo assim?

Ela se permitiu um sorriso.

─ Qual seu personagem favorito?

Ela pareceu considerar.

─ A coruja.

Com uma sonora gargalhada, eu emendo:

─ ELA MORRE!

─ Eu tomo todo o cuidado para falar um personagem que tenho certeza que tem um destino feliz e você me vem com essa.

─ Me chamo Skye.

─ Meu nome é Suzana.

A conversa se arrastou por alguns minutos, não muitos. A risada dela me encantava; suave, despreocupada e quase infantil. A mania de sempre colocar os cabelos atrás da orelha me chamava a atenção.

Ela consultou o relógio, comprimiu os lábios.

─ Tenho que ir ─ disse, se levantando, arrumando a camisa que usava; tinha estampa do escudo do Capitão América. ─ E isso... é pelo seu método incomum de se aproximar de uma garota ─ completou, me sujando o nariz com sorvete de chocolate derretido. Ela saiu, rindo.

E, se eu achava que me aproximar dela fora difícil, os passos rumo à mesa dos meus amigos, me olhando com sorrisos realmente acusadores e olhares que poderiam muito bem ser legendados com um simples e sonoro “HMMMMM”, foram difíceis, longos e tortuosos.

─ Então, além de nerd, bonitão, popularzinho, ainda é pegador?

Christopher me deu uma cotovelada, de leve, quando me sentei ao seu lado. Pude sentir meu rosto ficar ligeiramente quente. Apenas sorri.

“Eu amo tudo o que foi

Tudo o que já não é

A dor que já me não dói

A antiga e errônea fé

O ontem que a dor deixou,

O que deixou alegria

Só porque foi, e voou

E hoje é já outro dia.” (Fernando Pessoa)

Notas finais
-Luíza T.: Esse capitulo ficou legal mesmo *-* Eu tinha que repetir.