This Isn't The End.

2 Lembranças do Campo.


Notas iniciais
-PedroDiAngelo.: "Heeey pessoal! E aqui temos um incrível, e particularmente encantador, capítulo escrito pela Luíza. Só relembrando que, como prometido, cada um de nós vamos nos ater a um personagem. Espero que gostem da Willow. Boa leitura, e abraços!" ------//------ -LuízaT.: ''Oie!!!Chegou minha vez de escrever o capítulo e fiquei bastante ansiosa, estou narrando a personagem Willow e espero que gostem, de verdade.Gostei muito de escrever esse, espero que tenham uma noção de como a Willow se sente e o que ela passou.Comentem se achar que merecemos e boa leitura!! Beijinhos de Panda!! ^^

–Pai!!-Gritei, estendendo a mão para o vazio, como que para agarrar algo.

Notei que estava no meu quarto, deitada na minha cama, segura. "Era só um pesadelo" tentava dizer a mim mesma, minha mente a mil lembrando do sonho que tive. O relógio digital na escrivaninha mostrava 3 horas da manhã.

Estava suando frio, respirando desesperadamente e mesmo assim, sabendo que estava acordada agora, minha mente se lembrava claramente do mesmo pesadelo que tinha a muito tempo. Era como se aquela arma ainda tivesse sendo disparada em minha mente.

Sentei, abraçando minhas pernas, tentando ficar cada vez mais minúscula e acabar com a dor que sentia no coração, não sei mais se era emocional ou física, mas o desespero que sentia era enorme. Depois de alguns minutos minha respiração começou a voltar ao normal, eu tentei me acalmar aos poucos, minha mente, no entanto, continuava agitada.

Laureen bateu suavemente na porta antes de entrar, acendendo as luzes, demorei alguns segundos para me acostumar com a claridade.

–Hey! -Ela disse, sentando na ponta da cama. -Aquele pesadelo outra vez?

Apenas mexi um pouco a cabeça em sinal afirmativo.

–Vai ficar tudo bem Willow, já passou. -Sentia seus olhos em mim, mas não conseguia encará-la.-Wil?Olhe pra mim.

Sua voz mansa me convenceu a olhar em seus olhos verdes vivos como a grama, eram tão intensos e profundos, toda vez que ela me obrigava a olhar em seus olhos sentia que ela sabia de tudo, de toda a dor em meu coração, dos nomes de todos os demônios na minha mente, de todas as coisas terríveis que eu guardava dentro de mim.

–Você precisa entender que já aconteceu. Precisa entender que queremos ajudá-la, ver você feliz.

–L-Lau...E-eu...

–Seque essas lágrimas, tome um banho e tente dormir outra vez. Amanhã vamos conversar sobre isso.

Ela estava saindo do quarto quando consegui murmurar um pedido de desculpas, Laureen sempre saia prejudicada por causa de meus pesadelos, perdia horas de sono comigo e mesmo assim era sempre tão compreensiva, já tinha me acostumado com seu jeito de me ajudar há muito tempo, o quão frio e insensível ele possa parecer, sabia como ela se preocupava comigo de verdade.

Eu juro que tentei fazer o que ela pediu, mas não consegui dormir outra vez, depois de quase uma hora tentando dormir eu simplesmente sentei em frente a janela e fiquei observando a lua enquanto minha mente vagava até o passado.

''

Eu observava a borboleta voando delicadamente perto de mim, borboletas me fascinavam muito, ainda mais as que tinhas cores claras, como aquela que me rodeava, tudo parecia tão normal, reconhecia o som dos grilos e cigarras, ouvia os animais e tudo o que eu assemelhava ao campo, o sol estava forte e alto no céu azul sem nuvens, era só mais um dia calmo na fazenda...

Um som tão diferente e esquisito ecoou pelas colinas ao redor, cortante e forte, de primeira eu não reconheci, estava ocupada demais balançando e observando a borboleta a minha volta, mas logo lembrei que já o tinha ouvido antes, era um tiro.

Curiosa mas não muito preocupada iniciei o longo caminho até minha casa, que parecia ter sido o lugar de origem do som. Eu corria o quanto podia, somente para saber qual animal meu pai teria abatido dessa vez. Não gostava muito que ele matasse os animais, era algo cruel e, na minha opinião, desnecessário mas ele fazia isso uma vez ou outra. Já conseguia ver a construção branca e gigante ao longe, um casarão rústico de dois andares largo e espaçoso se estendia a minha frente.

A grande e pesada porta da frente estava aberta como sempre e nada parecia diferente, eu não tinha motivos para suspeitar de que algo fora do comum estava acontecendo. Meus pés já doendo e minha respiração já bem acelerada me deixaram um pouco devagar quando finalmente alcancei as dependências da casa.

Quando entrei percebi que estava totalmente vazia, o que era um pouco incomum, mas nada muito alarmante, passei por vários cômodos, cozinha, sala de jantar, lavanderia, o escritório de meu pai, mas não via ninguém, corri para os fundos da casa na esperança de encontrar meu pai.

Ninguém.

Não estava entendendo muito bem, a casa estava vazia,de onde viera o disparo?Foi quando lembrei dos quartos, ainda correndo subi as escadas largas de madeira, lembrando rapidamente das várias vezes que caí dali, ao me encontrar no segundo andar observei momentaneamente o corredor comprido cheio de cômodos, andei lentamente até a última porta do lado direito, os quadros em intervalos regulares me encarando. Eu tinha chegado ao quarto do meu pai.

A porta entreaberta não me permitia ver totalmente o quarto, mas um vermelho escuro incomum me chamou a atenção no chão, devagar fui abrindo a porta, só para descobrir algo que me afetaria por muito tempo. O sangue se espelhava pelo chão,manchando o carpete e as roupas do corpo sem vida de papai."

–Willow! -Laureen me acorda dos meus devaneios.-Cozinha. Agora. Estamos atrasadas.

Enquanto corria para me arrumar Laureen provavelmente preparava algo para o café da manhã, já estava pronta pelo que pude ver.

–Precisamos conversar! -Ela gritou da cozinha. Quando já estava arrumada, me dirigi até lá.

–Lau...Me desculpe.

–Olha Wil...Eu sei que não é culpa sua, mas pelo seu próprio bem acho que...Você deveria ir para um lugar onde possa conversar com pessoas que passam pelo mesmo problema que você.

–Está querendo chegar aonde?

–Wil...Acho que você deveria frequentar um Grupo de Apoio.

''Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...''(Pablo Neruda.)