Notas iniciais
-PedroDiAngelo.: "Cumprimentos, terráqueos! E aqui temos um capítulo maravilhoso, tipo, muito mesmo, escrito pela Luíza. O primeiro encontro (?) da Willow e do Skye [Muito apaixonante e fofo, diga-se de passagem]. Espero que gostem, pq eu amei u.u Vejo vocês no próximo capítulo (POV do Skye), abraços. //Pedro" ------//------ -LuízaT.: ''Hey!! Como vão seus lindos?? Por sorte conseguimos postar mais um capítulo antes da volta as aulas me pegar por completo, sério, eu devia estar estudando agora mas enfim... Espero de coração que gostem desse capítulo, eu amei escrevê-lo e acho que ele pode acabar com algumas dúvidas que vocês possam ter, se tiver alguma coisa que vocês não estão entendendo é só perguntar, eu e o guri ali estamos aqui a disposição okay?? Boa leitura e beijinhos de panda pra vocês!! ^^ ''

''I Know i took the path

That you would never want for me

I know i let you down, didn't I?

(Sei que peguei o caminho

Que você nunca quis pra mim

Sei que te decepcionei, não foi?)''

Caminhava distraidamente para o trabalho, minha mente já vagava outra vez para longe e pensei em como isso acontecia com frequência, pelo menos desde aquilo; Eu nunca fora uma criança muito atenta, preferia viver na minha realidade alternativa onde conhecia todos os animais do campo e falava com as árvores e plantas da floresta, mas não preciso dizer que meus devaneios tem aumentado muito recentemente, a diferença é que estão mais obscuros do que nunca.

O vazio que sentia no peito nunca me deixara, parecia tão antigo quanto minha própria existência, eu só sentia vontade de encolher-me e me isolar em uma batalha eterna contra minha própria escuridão, sabia que devia superar tudo aquilo, passei anos ouvindo isso de todos a minha volta, ouvindo que meu pai não gostaria de me ver daquele jeito.

''Ele está morto!'' queria gritar, ''Não pode desejar mais nada!'', eu sabia o quanto egoísta isso soava até pra mim, mas eu não conseguia nem queria esquecer, não queria vencer aquele sentimento, voltar a viver normalmente, eu estava sozinha no mundo e não tinha certeza se já aceitara tal fato.

Quando voltei de meus devaneios já estava próxima a pequena construção em que trabalhava, um amarelo desgastado coloria as paredes externas, as janelas amplas e limpas proporcionavam uma bela visão do interior da lanchonete e pude perceber que tínhamos muitos clientes hoje, o que significava um dia agitado, contornei a lanchonete até a entrada dos fundos, avisando a Todd, meu chefe, que havia chegado fui até os vestiários vestir o uniforme, antes de sair respirei fundo e estampei um sorriso animado no rosto, brevemente me perguntei há quanto tempo fazia aquilo, não esperei pela resposta e deixei o lugar calmamente, como se estivesse verdadeiramente bem.

Na cozinha, encontrei Marcus se preparando para sair em direção ao salão, a pele ligeiramente morena e os cabelos encaracolados e escuros o deixavam com uma aparência simpática pra mim, quando ele abria a boca, qualquer um podia ter certeza de sua personalidade elétrica e bem humorada, ele se interrompeu e parou no caminho, carregando uma bandeja com vários tipos de pratos do cardápio.

–Pensei que não chegaria nunca, William.-Ele exibiu um sorriso radiante, segurando o riso.-Ande logo, preciso de ajuda.

–Ainda não entendo porque me chama de Willam.-Forcei a risada.

–Porque William e Willow se parecem muito na minha opinião. Vamos?

–Estou indo Marcus.-Ri mais um pouco, logo comecei a ajuda-lo no salão.

Não era tão difícil, eu sorria, perguntava o que as pessoas queriam comer, buscava os pratos e aguentava as piadinhas de Marcus, fazia isso o dia inteiro, honestamente, não havia muito necessidade de eu estar trabalhando, era na maior parte do tempo sustentada por meus parentes que moravam na antiga fazenda de papai, talvez fosse um modo de provar a mim mesma alguma coisa que eu ainda não entendia bem o que era.

Pensei rapidamente em Marcus enquanto levava alguns pedidos para o salão, o alegre garçom que era enganado a cada dia por meus sorrisos fracos, pensei em todos a minha volta que vinham sendo gentis desde minha chegada a quase um ano atrás. Assombrada por um fantasma antigo eu podia ser feliz?

Tirei os pensamentos ruins de minha mente, antes que interferissem em meu trabalho.

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O que Laureen me sugeriu ontem de manhã me deixou um pouco assustada, tinha refletido o dia todo sobre o tal grupo de apoio, mas claro que eu não pensava que ela me levaria logo no dia seguinte!Se eu estava brava? Claro, mesmo sabendo que quem estava certa era ela. Tinha uma noção do quão egoísta eu estava sendo, mas lá estava eu vestindo uma roupa as pressas com Lau gritando da sala.

–Willow vamos!- Ela dizia.-Vai chegar atrasada.

Laureen me levou de carro até um prédio pequeno de 4 andares no centro da cidade, era uma construção cinza e simples, nas paredes externas, podia ver vários cartazes e placas, a maioria indicando algo como um escritório de um advogado chamado Spencer Crawford aparentemente no segundo andar ou como o consultório de um dentista no quarto, a maioria estava desgastada, feia e assustadora, eu, francamente, não gostaria de entrar no consultório daquele cara.

–É só subir até o terceiro andar.- Laureen disse me dando um panfleto que era, aparentemente, do Grupo de Apoio, não prestei muita atenção nele, estava assustada por saber que Lau não iria comigo.

–Você não vai?

–De onde tirou essa ideia?

Ela se esticou para abrir a minha porta, hesitei um pouco mas nem tive tempo para sair do carro direito antes que Laureen corresse em disparada para longe, fiquei parada observando até o veículo sair de meu campo de visão.Eu podia simplesmente virar e voltar pra casa, mas sabia que não seria justo com Laureen, não estava recusando a ajuda dela, mas também não aceitava de bom grado.

Admitia estar um pouco aterrorizada, eu nunca tinha procurado ajuda, nunca pedi a alguém que me ouvisse e tentasse me confortar, mas agora estava indo para um grupo de apoio. Realmente muito legal...

Ainda hesitando entrei no prédio cinza, uma escada de madeira branca e velha me convidava a subir, pensei rapidamente no que teria que enfrentar aqui hoje antes de dar o primeiro passo, o prédio estava silencioso, sem nenhum sinal de vida, queria me encolher a cada rangido da madeira sob meus pés, o som me incomodava muito o que me deixou meio irritada, a escada antiquada devia estar brincando com a minha cara.

Devo ter demorado o dobro do tempo normal para subir até o terceiro andar, me retraía a cada degrau e subia lentamente, quando finalmente me encontrei no andar certo parei um pouco para respirar e recobrar a postura, eu não estava ofegante, estava envergonhada. Observei ao redor, as paredes eram do mesmo cinza sem graça do lado de fora do prédio, mas não tão desgastado. Um corredor longo e espaçoso contava com portas em intervalos regulares. Ótimo, em que sala eu deveria entrar? Não me lembro de Laureen ter mencionado esse detalhe.

Por sorte a primeira porta a esquerda se encontrava aberta, percebi algumas vozes bem baixas vindo dela e me aproximei, devagar. Observei o interior da sala rapidamente, um grupo enorme de carteiras escolares amareladas disposto em círculo ocupava quase toda a sala, aproximadamente 8 pessoas estavam sentadas nelas, do outro lado da sala, um cara com camiseta de estampa florida e bermuda jeans que parecia bem acabado era o mais próximo de mim, embora ainda estivesse a várias cadeiras de distância, parece que por aqui ninguém curtia muito sentar perto da porta.

Ainda meio intimidada a entrar bati suavemente na porta para ''chamar a atenção'', antes de falar, suspirei pesadamente.

–Com licença, vocês estão aqui para o grupo de apoio?

–Sim, estamos.- Disse o carinha de camiseta florida, virando pra mim, seu rosto pálido marcado pelos anos, ele não era tão velho, mas também não estava na flor da idade, honestamente.

–Muito obrigado.- Falei antes de caçar uma cadeira afastada, sentei desconfortavelmente.

Fiquei encarando minhas mãos entrelaçadas, não sabia ao certo o que fazer e estava tão insegura que só podia sentar e esperar algo acontecer. Me perguntei se teria que revelar alguma coisa profunda para um bando de desconhecidos hoje, não seria nada fácil, ainda mais que eu não estava aqui por livre e espontânea vontade, mas eu não podia simplesmente dizer: ''Não, eu não quero compartilhar com vocês''.

–Qual o seu nome moça?-Perguntou uma voz distante, demorei um pouco a perceber que estavam falando comigo e notei uma mulher olhando-me nos olhos com expectativa. Fiquei um pouco desconcertada antes de responder.

–Meu nome é...Willow.

–Muito prazer Willow, meu nome é Marceline e esse é o Artie.- Marceline tinha os cabelos pintados de um loiro bem claro,era liso e escorria pelos ombros ficando pouco acima da cintura, parecia ter a mesma idade que o cara com a camiseta florida que, nas palavras delas, se chamava Artie.

–O prazer é meu.- Respondi educadamente.

–Então... Willow... O que faz aqui? Uma moça tão jovem frequentando um lugar desse...- Ela disse com o que parecia um pouco de desprezo. Reparei em seus olhos castanhos escuros com um rápido lampejo de divertimento.

–Deixe a garota em paz, Marceline.- Resmungou Artie.

–Eu só perguntei!- Defendeu-se ela.

–Ela já vai contar isso na frente de todos daqui a pouco, não a deixe mais assustada. Apenas fique quieta!

Com isso os dois se calaram, Marceline não parecia ofendida, apenas... Entretida? Isso me deixou irritada, mas esse sentimento sumiu assim que um cara que aparentava ter seus 25 anos entrou na sala, ele sorria ressaltando duas belas covinhas e dando uma aparência alegre aos olhos verdes escuros por trás do óculos, o cabelo castanho arrepiado combinava com suas feições.

–Boa noite a todos!- Exclamou, cumprimentando a todos os outros na sala, quando virou pra mim seu sorriso aumentou.-Temos uma visitante hoje? Que legal...Seja bem vinda...?

–Willow.- Respondi forçando um sorriso.

–Seja bem vinda Willow, sinta-se em casa. Qualquer coisa é só chamar o Jared.- Ele disse apontando com os polegares para si mesmo. Ele era até que bem animado pra quem ia em grupos de apoio.

–Obrigado.

Vejo outra figura passando pela porta, era um garoto da minha idade, magro e pálido com os cabelos negros e grandes que escondiam parcialmente os olhos azuis cristalinos, o tal carinha andou cabisbaixo até uma cadeira meio distante a minha direita, vestia roupas escuras e pesadas e não parecia muito a fim de estar ali, como eu.

Encarei o garoto por mais alguns segundos antes de voltar a atenção para minhas mãos, ele não encarava ninguém, pude perceber. Mais alguns minutos se passaram até as pessoas começarem a aparecer, não sei como aguentei ficar 20 minutos parada esperando algo acontecer, mas sei que foi torturante, a ansiedade me corroía aos poucos.

Jared deu as boas vindas a todos logo que não havia mais ninguém em pé ou conversando, ele pronunciou um discurso meio ''Eu era um depressivo que foi ajudado e agora quero ajudar os outros'' o cara era legal mas...Não estava nem um pouco a fim de ouvir aquilo, depois das boas vindas algumas pessoas começaram a ''compartilhar'' seus problemas e os outros davam sua opinião e ajuda. A primeira foi uma mulher de pele meio escura, cabelos encaracolados e curtos que tinha depressão desde a pré-escola, parecia que seu nome, Georgia, era motivo de chacota para todos. Meio fútil, mas lembrei que não estava na posição de julgar ninguém aqui.

Artie foi um dos primeiros também, ele tinha problemas com álcool no passado e sua esposa e filha o abandonaram por isso. Compreendia agora o motivo de seu rosto ser tão marcado pela tristeza, eu não falei uma vez sequer, embora sentisse vontade de consolar Artie de algum modo. Depois de mais uma ou duas pessoas Jared olhou em meus olhos, esboçou um sorriso e eu sabia o que estava prestes a acontecer.

–Vamos...Willow não é? Não precisa se acanhar, quer compartilhar o motivo de estar aqui hoje?- Disse, docemente.

–Bom, eu achei que precisava de ajuda, não sei se aguento superar mais meu fardo sozinha.-Tentei parecer o mais sincera possível pra alguém que estava mentindo na cara dura.

–Quer compartilhar?- Perguntou Jared, esperançoso.

–Eu nunca tive uma mãe, ela morreu durante meu parto por ter uma saúde muito frágil, até os 8 anos fui criada somente por meu pai, até que ele se suicidou do nada, eu nunca superei isso, mudei para a cidade na esperança de melhorar mas ainda assim não foi uma grande evolução, resolvi buscar ajuda, coisa que não tinha feito até hoje, espero que as coisas melhorem sabe?

–Muito bo...- Dizia Steven, mas foi interrompido...

–Só isso?- Falou seco o garoto magro de olhos azuis.-Uma coisa tão simples e não superou até hoje...

O tom do garoto me irritou um pouco, era a primeira vez que ele se manifestava e foi pra isso? Um turbilhão de coisas passavam pela minha mente naquele momento mas ainda estava procurando a moral do garoto para dizer algo daquele jeito.

–Pra mim não é tá simples assim, cada um tem seu jeito de lidar com seus problemas, estou certa?- Disse, tentando parecer firme.

–Eu vou saber?- Ele dá um sorriso sarcástico que não chegava a seus olhos carregados de...Tristeza talvez?

–Desculpe mas...Não sei onde quer chegar me confrontando desse jeito.

–Não sei, você passou 8, talvez 9 anos da sua vida sem superar a morte de alguém que nem se lembra direito?- Disse o magrelo, se inclinando um pouco para a frente.

–Não me lembro em momento algum de ter dito que não me recordava de meu pai.- Minha voz já estava carregada de raiva, eu tinha vindo aqui hoje pra ser julgada?

–Ainda me parece meio egoísta.-Ele disse, me olhava nos olhos com as sobrancelhas erguidas, a voz carregada de determinação em me fazer parecer ridícula.

–Se você está aqui é porque tem um problema também, não é? Aposto que não veio só pra passear.

O garoto recuou minimamente para recobrar a postura logo depois, Jared já estava pronto para apartar a discussão, tentava dizer coisas como "Não devemos julgar aqui" ou "Vamos com calma, pessoal" mas eu realmente não ligava, algo naquele garoto estava me incomodando demais.

Tentei visualizar toda e qualquer lembrança que tinha de meu pai, só desejava provar para aquele cara que estava errado, queria provar para mim mesma que tudo aquilo que ele dissera era uma grande mentira.

"Então está entrando na defensiva?" dizia uma voz sarcástica em minha mente.

Olhando fundo nos olhos claros do garoto percebi que ele também estava.

–Talvez eu tenha mesmo.- Ele disse, finalmente. Não deixou de sorrir ao fim da frase.

–Então conte-nos, diga a todos qual é!- O garoto franziu a testa antes de começar.As mãos inquietas em seu colo.

–A pessoa que eu mais amo no mundo se foi.- Ele disse muito rápido, mas consegui entender.

Não pude conter uma risada irônica, ele estava brincando comigo?

–Sério mesmo?-Falei, carregando todo sarcasmo que consegui em minha voz.

Aquilo chegava a ser divertido.

–Willow e Skye acho que já podemos acabar com essa briguinha de quem sofre mais não é?- Falou Marceline, ela nos observava entretida, sua voz, porém, saiu muito firme. Então o nome do garoto era Skye?

–Skye, querido...Vai me dizer que perder essa pessoa foi simples pra você? Acha que é o único que perdeu alguém especial?Acha ser o único que pode sentir saudades de alguém?

Te peguei, pensei triunfante.

–Não, não acho, apenas questionei o fato de que em 8 anos você continua a mesma criança chorona.- Dessa vez ele não sorriu, não usou sarcasmo ou ironia, foi honesto e isso me deixou atônita.

Estava prestes a retrucar, mesmo que ainda abalada por seu último comentário, Jared se levantou, colocando-se no meio de nós dois, ou pelo menos essa era a ideia, não parecia mais tão animado assim e depois de uma demorada olhada em cada um de nós dois começou a nos repreender, não queria admitir que estava errada, mas apenas fiquei quieta, concordando com a cabeça de vez em quando.

Quando ele terminou a bronca e a reunião continuou, eu e o tal Skye continuamos a trocar olhares hostis em vez de prestar atenção, como se na verdade anda estivéssemos tentando provar quem estava certo, em um momento ele desviou o olhar para não me encarar mais, já estava decidida a nunca mais voltar aqui ou fazer coisa do tipo, praguejando e amaldiçoando a tudo e a todos enquanto esperava aquela coisa acabar.

Eu estava realmente estressada e Laureen errada, por mais que eu apreciasse sua tentativa de me ajudar. Eu não precisava de alguém para tentar me deixar pior e mais confusa.

A reunião finalmente tinha acabado, mas antes que eu pudesse me levantar e ir embora correndo, o que eu tinha muita vontade de fazer, Jared chamou a mim e a Skye para o canto oposto da sala. Eu juro que quase ignorei aqueles dois, talvez por ser tão educada eu tenha ido até Jared, não sei o que ele quer de mim mas deve ser, provavelmente, um pedido de desculpas.

–Não teve um bom primeiro dia aqui, estou certo Willow?- Jared perguntou, sorrindo tristemente.

–Não, não tive.- Encarei Skye nos olhos, ele estava inquieto, braços cruzados, sua expressão não devia estar melhor que a minha, mas me olhava nos olhos também.

–Mas os dois disseram coisas muitas feias aqui hoje.- Jared disse, como se fosse o professor de duas crianças de 3 anos.

–Ela...- Começou Skye, Jared o cortou na hora.

–Os dois estão errados, e sabem muito bem disso. Skye, não se julga as pessoas desse jeito, cada um tem seu tempo, e Willow, o mesmo cabe a você. Quero que voltem aqui na próxima semana sem nenhum ressentimento, entenderam? Peçam desculpas agora.

–Me desculpe.- Disse logo, não adiantava tentar me defender, sabia que seria uma tentativa ridícula.

–Eu não vou...- Tentou Skye novamente, seus olhos faiscavam de raiva.

–Peça!- Disse Jared, seu tom bem firme me surpreendeu um pouco, nem parecia mais o cara alegre que entrara pela porta.

–Desculpe.- Ele disse, muito baixo.

–Resolvido?- Jared fala, a aparência alegre retornando ao seu rosto.

–Claro.- Me virei, indo em direção a porta, me interrompi brevemente quando Jared falou, um pouco mais alto:

–Te vejo semana que vem Willow.- Ele parecia me convidar a vir na próxima reunião.

Mentalmente, ria sarcástica do homem de olhos verdes e cabelo arrepiado, nem Laureen conseguiria me trazer aqui de novo. Enquanto descia as escadas ouvi outros passos e rangidos acima de mim, Skye descia as escadas despreocupadamente, não prestando atenção em mim, como se não estivesse ali, seus pensamentos, provavelmente, estavam em outro lugar. Quando saí do prédio cinza notei o carro vermelho de Laureen estacionado alguns metros a minha direita, tinha pensado que teria de ir para casa sozinha.

–Como foi?- Ela perguntou animada assim que entrei no carro.

–Não quero falar agora.

Ela entendeu o recado, no momento eu só queria um momento para ficar sozinha, me encolher na cama e lembrar de meu pai. Lembrar dos nossos bichinhos na fazenda, lembrar da árvore com nossos nomes marcados, invocar todas as memórias que tinha, só para me machucar mais e mais. Tentei segurar as lágrimas que ameaçavam cair, a agonia que sentia era como cacos de vidro descendo pela minha garganta, por mais que eu tentasse segurar, chorei silenciosamente no caminho para casa.

'' A risada de meu pai soava mais alta que a minha, enchendo o ar de imensa alegria, eu encarava meu macacão todo sujo de terra e me lembrava do que tinha feito hoje com papai, sob uma árvore solitária na colina enterramos nossa caixinha de memórias, com fotos, lembranças, cartinhas....

Não sabia se a ideia de meu pai era que um dia eu voltasse para desenterrá-la, não sabia se naquela época ele já pensava em suicídio, mas gosto de acreditar que aquela risada era real, que naquele dia ele se sentia realmente feliz como eu. Ele olhava para o horizonte, observando as plantações, a estrada, a floresta bem longe a nossa esquerda, parecia distante, mas brincava com meu cabelo ou com minha roupa a cada 30 segundos, me fazendo rir até ter dor de barriga.

–Eu te amo, pequena.- Ele disse, calmamente, não olhava para mim, continuava encarando a paisagem a nossa volta.

–Te amo papai.- Eu falei, em meio as gargalhadas.

Aquelas palavras ainda doem demais. ''

''Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz .'' (John Turner e Geoffrey Parsons.)