Notas iniciais
Vocês não vão entender direito ela no começo, por que ela começa "no meio", mas eu garanto que vale a pena acompanhar até o fim; onde os detalhes irão se encaixar ^^

Conseqüentemente, todos os medos escondidos por dentro tornam-se raiva.

Hora de esquecer o passado, pensar sobre sua vida e querer ser diferente deixando toda a verdade ir embora, por que isto é apenas um jogo. As circunstâncias mudaram desde que atentados terroristas invadiram o Reino Unido e deixaram vários rastros de destruição por onde passaram, eram perdas que não poderiam ser substituídas por palavras de conforto ou dinheiro, mas sim vingando todas as vidas que foram levadas naqueles intermináveis dias de terror. O ódio preencheria seus corações por um longo tempo. A verdadeira identidade do bandido mais procurado do mundo ainda não tinha sido revelada, as buscas continuavam sem nenhuma pista de quem poderia ser aquela criatura sanguinária e isso foi o que fez amenizar a situação, mas isso não significava que o conflito houvesse terminado, pelo contrário, acho que ele estava começando silenciosamente com uma armadilha camuflada. O maior choque foi quando descobriram que aquele mesmo bandido levava consigo uma cúmplice. Depois do incêndio na fábrica aos arredores de Windsor, os policiais tiveram a feliz expectativa de que os autores de tantos crimes estivessem mortos e queimados, mas para contrariá-los, infelizmente, tudo o que encontraram foi os vestígios do corpo do xerife mais consagrado da cidade, que se atreveu a encarar o bandido e retirar sua própria vida quando seu corpo já estava sendo consumido pelas chamas, pelo menos fora o que havia sido revelado à imprensa. Do outro lado do mundo e com outras identidades, lá estava o grupo de sobreviventes se mantendo seguros de qualquer suspeita, por que na pequena cidade na Tailândia as notícias pareciam nunca chegar, o que não era nenhum um pouco ruim. Estava uma noite escura quando Lenore não conseguiu dormir em paz e sentou-se aos pés da cama, observando com uma expressão vazia sua cúmplice Dakota, que dormia profundamente.

Depois que tanto tempo passou não restou nada a dizer entre elas, parecia que a chama de todo o amor que tinham estava se apagando gradativamente. Talvez fosse tudo culpa de Dakota por se sentir perdida e andando em círculos, ou talvez a culpada fosse Lenore por nunca ter se estabilizado em um relacionamento por mais de dois meses devido a sua vida “dinâmica” e concluindo que não sabia lidar com isso por ser muito frígida. Ela olhou com indiferença para o horizonte das montanhas através do vão da janela, que fazia com que o luar iluminasse uma parte do quarto onde ela estava, passou a mão pelos cabelos e se arrastou pelos lençóis até que pudesse chegar perto de Dakota para beijar os seus lábios devagar, afinal, não queria interromper seu sono e perder a chance de “escapar”. Levantou-se da cama e pegou sua jaqueta preta de couro pendurada no tripé próximo a escrivaninha no canto do dormitório, por fim acabou vestindo-a. Precisava de um tempo para respirar, para organizar seus pensamentos e por isto saiu do quarto por que precisava fazer isso sem uma companhia. Normalmente, Lenore se tornava agressiva quando contrariada da idéia de ficar sozinha por um instante.

( A revolution has begun today for me inside, the ultimate defence is to pretend!)

Ela desceu as escadas escuras após passar pelos corredores compridos e vazios, nos quais o vento que entrava pelos buracos na parede era mais alto do que qualquer outro barulho, nem mesmo o solado de seu tênis no assoalho eram capazes de se igualarem, a situação parecia difícil comparadas á uns tempos antecedentes.

(Does it feel like we've never been alive? Does it seem like it's only just begun?)


Chegando ao saguão em estado deplorável das paredes, móveis e sofás na desnecessária sala de espera, tudo o que Lenore encontrou fora o guarda armado, deitado e encolhido numa cadeira de plástico próxima as telas que mostravam as câmeras de segurança do bloco A e B, dentro da cabine. Ela pensou em fazer alguma brincadeira de mau gosto com ele que pudesse ofender sua profissão sendo desempenhada com extrema falta de responsabilidade, mas sorriu irônica e deu as costas ignorando sua vontade impertinente de ensinar lições aos outros, sendo que as suas próprias ela nunca aprendeu.

(The evolution is coming. A revolution has begun, it has begun!)

Chegou ao campo em frente à hospedaria no meio do nada avistando o vazio assemelhando-o com a sua alma, se é que ela tivesse uma. Enquanto a fria brisa da madrugada limpava sua mente, Lenore acendeu um cigarro e tragou encostada á uma pedra descansando. Seus vícios nunca foram deixados para trás com o passado de injustiças, para ela isto era a única característica que a fazia sentir que nada mudou dentro de si. Denotando que as coisas iam de mal a pior com a porcaria de vida que escolheu, duas mãos tocaram sua cabeça por trás. Quando ela virou-se, deu de cara com a expressão sempre gentil de Dakota.

- O que há de errado com você esta noite? – perguntou com um sorriso cheio de intenções, descendo suas mãos para os seios dela dentro da blusa. – Percebi que você não estava mais no quarto, então encontrei a porta aberta... Não quis deixar você aqui fora – ela dizia de modo confuso.

- Só queria ficar um pouco sozinha – confessou com meias palavras, para não revelar o que realmente queria. Tentou mudar de posição para que Dakota percebesse que estava incomodando seu momento "forever alone".

- Não quer queu eu te "anime" um pouco? — perguntou em seu ouvido num tom sedutor, continuando a tentativa de "animá-la" com seus "carinhos".

- Não, talvez outra hora — respondeu friamente, recuando de novo.

- Eu não acredito, sei há alguma errada coisa aí – Dakota insistiu, bagunçando seu cabelo devagar. — Diz logo

- Todo mundo precisa ficar afastado por uns minutos – Ela respondeu friamente, paralisada no mesmo lugar.

Já fazia um tempo que Lenore percebia que havia algo de desonesto consigo, parecia mentir para si mesma todo o tempo para se convencer de que não sentia a ausência de alguma coisa. E é claro que preferia não conversar com ninguém sobre isto, com medo das pessoas julgarem-na de maneira errada, principalmente as mais próximas. Ela nunca se sentiu desse jeito antes, insegura e com falta de autocontrole.

- Não me diga que está sentindo saudade da sua antiga vida Lenore, por que se for isso eu juro que... – Dakota foi interrompida inesperadamente.

- Você não tem o direito de me julgar pelos erros do passado – Lenore rebateu, tirando as mãos da garota de seu corpo. – Como se você fosse perfeita e nunca tivesse tomado a atitude errada – o tom se tornou agressivo enquanto ela se afastava da pedra onde esteve encostada.

- Eu jamais faria isso, só queria que conversasse um pouco sobre seus sentimentos... Comigo – ela explicou um pouco inconformada.

Lenore virou o rosto e mordeu o lábio inferior, incomodada.

- Está vendo só, ainda há uma barreira entre nós – Dake continuou a falar, balançando a cabeça negativamente.

- Sinto muito, você merecia alguém melhor.

- E eu que pensei que você houvesse mudado antes de chegarmos nesse fim de mundo – comentou Dake em um tom baixo, tocando o gramado e puxando as folhas com força.

- Tarde demais. Foi o que você quis, não foi? – Lenore aproveitou o silêncio de Dakota para prosseguir. – Conhecia as conseqüências e mesmo assim as aceitou – estreitou os olhos para que a outra não percebesse que lagrimas se formavam neles.

- Você tem razão, eu não imaginava que seria tão difícil, mas está tudo bem – tentava apaziguar.

- Sinceramente, você poderia ir embora e começar uma nova vida bem longe de toda essa confusão Dakota – sugeriu sem dó, mesmo que seu coração não quisesse que isso acontecesse em hipótese alguma.

- E te deixar?

- Eu não tenho a intenção de fazê-la sentir a minha dor, acho que é melhor se for embora amanhã bem cedo– supôs, botando as mãos na cintura para se distrair.

- Ainda tenho esperança quanto á você – dizia Dake procurando não fitá-la.

- Eu não tenho mais valor nenhum, minha vida acabou! – aumentou o volume de sua voz, fazendo-a ecoar pelo vale inteiro. Lenore levantou-se devido à ira.

- Não pense dessa forma. Eu jamais irei sair do seu lado, por mais que force para que eu o faça – deixou bem claro, ficando de pé também para discutirem frente á frente á metros de distância.

- Por que continua fazendo isso? É tão ridículo, não te dou motivos para gostar de mim e muito menos para aprovar minhas atitudes, me diga por que! – Lenore pedia, deixando que as lágrimas caíssem por seu rosto pela primeira vez. – Me diga...

- Quer saber, eu vou voltar lá para dentro – Dakota passou a mão pela testa, virando-se.

- Ótima idéia.

- Não vou deixar seu mau humor estragar meu dia! – deu uns passos á frente, distanciando-se.

- Você é esperta, não sabe o quanto – retrucou, secando o rosto e mordendo o lábio inferior.

Dakota olhou-a incrédula, parando no meio do campo há uns cem metros da hospedaria, mas ainda havia muito que queria dizer por que queria conscientizar Lenore das condições. Ela botou as mãos no bolso e tentou ser impassível.

- Eu podia realmente pegar minhas coisas nestes instante e deixar você se ferrar – pausou para respirar fundo, percebendo a frustração no rosto de Lenore. –Não se preocupe Lenore, pessoas simples como eu não irão ficar correndo atrás de você a vida inteira, muito menos perder tempo para te ouvir se persuadindo e sentindo dó de si mesma – trovejou.

Ao terminar da falar Lenore estava quase boquiaberta, nunca antes alguém se dirigiu daquele jeito a ela, todos pareciam temê-la de alguma forma. Ela ficou de pé surpreendida no mesmo lugar e refletindo. Dakota direcionou-se novamente para a hospedaria e iniciou o caminho, desaparecendo pela entrada. Lenore decidiu que deveria ir atrás dela e se talvez desculpar por estar sendo doentia neste últimos meses, aquilo não estava certo e ela não queria perdê-la, por que se continuassem naquele caminho isso seria a única coisa a acontecer. Então, antes que Lenore pudesse tomar qualquer decisão, um grito ecoou dentro da hospedaria junto disparos de uma arma desenfreada.

- Lenore! – a voz feminina e aguda de Dakota foi ouvida, trazendo Lenore de volta a realidade.

Notas finais
Música pra acompanhar: R-evolve - 30STMquer quer continuação? o/