This Is War!

3 La Nuit du chasseur


Com seu coração já acelerado, ela respirou fundo e correu até lá sacando as armas (uma em cada mão), pronta para mais um confronto contra aqueles que se atrevessem a cruzar o seu caminho. Nestes casos sua autoconfiança retornava e ela sabia que poderia muito bem vencer este desafio, nada poderia abalá-la. Entrou na hospedaria chutando a porta de madeira entreaberta, o que fez o segurança acordar assustado.

- Santo Deus!

- Deveria ver quando esse tipo de atentado acontecesse, mas você prefere dormir, ignorando a segurança dos hospedes nesse lugar em “perfeito” estado – Lenore ofendia, procurando um vestígio de ódio nos olhos do segurança.

- Quem você pensa que é para criticar o meu desempenho? – ele levantou-se da cadeira, visivelmente ofendido.

Lenore não se intimidou ao vê-lo tocar na arma, ela conhecia esse tipo de segurança que queria bancar o “herói” eles não tinham coragem de matar um ser humano, não tinham o espírito assassino consigo, pois aceitavam aquela profissão apenas por que não tinham chance em nenhuma outra. Ela sorriu torto.

- Alguém que não irá hesitar quando for matar você – ela se inclinou no balcão da cabine, dizendo em tom baixo e ameaçador.

- O que pensa que está fazendo com essas armas? – ele perguntou sem

- Cale a boca e fique na sua – ela o ameaçou, apontando uma delas em sua direção. – Largue sua arma e chute-a pra cá! Agora idiota! Não está me ouvindo? – ordenou se afastando da cabine suja.

No mesmo segundo, ele largou-a no chão com as mãos trêmulas e chutou rapidamente, levantando as mãos para o alto. Lenore sorriu satisfeita com a frustração do homem com a sua presença.

- Sua coragem para me enfrentar me impressionou – ela zombou, pegando a pistola automática no chão, checando se havia munição, por fim guardando-a no cinto preso á calça e cobrindo-a com a blusa.

(Pray to your god, open your heart. Whatever you do, don't be afraid of the dark. Cover your eyes, the devil's inside!!)

Sabendo que o guarda não se atreveria a reagir, Lenore prosseguiu teimosa. Chegando ao meio do corredor próximo a escadaria mais uma série de tiros foram ouvidos. Ela subiu pulando de dois em dois degraus, para adiantar. O primeiro andar, no corredor do lado esquerdo aparentava estar vazio e tranqüilo, mas quanto ao segundo ela avistou um homem encapuzado segurando com seu braço Dakota pelo pescoço e apontando uma arma de pequeno porte para sua cabeça.

- Lenore, me ajude! – ela gritava enquanto era levada até o elevador, se debatendo.

- Se você se aproximar, eu a matarei! – ele ameaçou, destravando sua arma.

- Desgraçado... Maldito!

Lenore disparou na direção do elevador, na direção daquela pessoa, mas para sua surpresa a porta do elevador se fechou no mesmo segundo, deixando furos na porta de metal dourado. Olhando para cima, ela viu que a tela iluminada indicava que eles iriam parar no terceiro, e último, andar. Sentiu uma mão tocar seu ombro, ela virou prestes a se enfurecer de novo.

- Calma! Não faça nada – ele pediu, com espasmos.

Os dois se entreolharam.

- Edgar, sua sobrinha foi capturada – ela informou, como se ele não soubesse disso, mas seu nervosismo era tanto que perdeu a noção do quanto estava sendo precipitada.

- É... Eu sei disso. Faz idéia para onde eles estão indo? – Edgard rolou os olhos, dobrando o corredor junto com Lenore.

- Para o terceiro andar.

Lenore empurrou a porta de saída de emergência e deu de cara com uma escadaria escura.

- Esses imbecis deveriam por iluminação nessa merda! Mas pelo contrário, não pensam que pode acontecer realmente uma emergência. Isso aqui está decepcionante – xingou, tateando o corrimão para subir.

- Nada me surpreende nesse prédio, daqui a pouco ele desaba – Edgar acendeu uma lanterna.

(One night of the hunter. One day I will get revenge. One night to remember. One day it'll all just end!)

Lenore fitou-o com um sorriso, como se ele fosse um salvador. Com os degraus iluminados, foram subindo depressa até que eles chegaram a uma porta com a placa “3º piso”. Edgar foi o primeiro a entrar sem fazer alarde, precisava encontrar o homem que capturou Dakota sem que o mesmo notasse sua presença e fizesse algo imprudente. Eles andaram com passos leves pelos corredores, procurando algum quarto que estivesse com a porta entreaberta, assim saberia exatamente onde o bandido estava com a garota de refém.

- Esse cara entrou pelos fundos e a encontrou no corredor do seu quarto, eu não sei o que ele quer de nós – Edgar informou, sacando a arma.

- Mas eu sei – ela respondeu friamente, avistando uma porta encarada no final do corredor de carpete vermelho e paredes amareladas.

Ela caminhou destemida e com as armas abaixadas para dentro do quarto. Edgar a observava em dúvida, mas acabou seguindo-a todo arrepiado com a idéia de que o bandido pudesse atirar na sobrinha Dakota na frente deles e ainda matá-los, Edgar ainda não confiava em Lenore a tempo de confiar sua vida aos seus truques de assassina nata. Atravessando o dormitório, um cheiro de insenso enjoada de rosas brancas invadia suas narinas, o que não deixava sombras de dúvidas de que alguém esteve ali a uns minutos atrás por que o cheiro ainda estava muito forte e ainda nem havia se espalhado pelo corredor. Lenore observou os lençóis bagunçados da cama e os tocou para ver se estavam quentes, mas tudo o que conseguiu deduzir foi de que o hóspede tinha pulado pela janela depois de ouvir os disparos repentinos.

- Eu vou matar o desgraçado que fez isso, na exata hora em que ela voltar para as minhas mãos — Ela bufou, preocupada com Dakota, agachada ao lado da cama desarrumada.

Ficou de pé, com a ajuda da mão de Edgar.

- Claro, é épico seu isto — ele simplesmente esboçou um sorriso.

Lenore silenciou-o com o olhar; não por Edgar ter dito aquilo, mas por ele só vê-la como uma pessoa sem coração, e ela estava mudando.

- Vamos procurar na cobertura — ela ia correndo para fora do dormitório, mas fora interrompida por uma pergunta curiosida.

- Por que estavam brigando lá? — Edgar franziu a testa.

- Não é problema seu, agora vamos andando antes que o pior aconteça — Lenore deu as costas, por que não queria mais conversar sobre as duas, parecia incomodar agora, saber que o próprio tio esteve ouvindo e assistindo aquela cena apelativa.

- Ok, nunca é problema de alguém os seus problemas, mas você já parou para pensar: "E se essa pessoa se importar?" — ele supôs, sendo amável, mas ela o ignorava.

- Por que se importaria? Eu não mereço consideração alguma — Ela arqueou as sobrancelhas, voltando para perto de Edgar impertinentemente.

- Se pudesse deixar uma brecha para Dakota avaliar os seu sentimentos, talvez vocês não estivessem em crise...

- Ah, e agora você deu para ficar espionando a vida dos outros? — rebateu diminuindo o tom de voz e botando as mãos na cintura. — Você é mesmo muito bom nisso, olhe para o seu passado! — ela satirizou. — Você matou a sua esposa sem ter um motivo válido! Como quer que eu ouça os seus conselhos? — exaltou-se.

- Estou tentando lhe ajudar — Edgar explicou, sempre calmo e sem perder as estribeiras.

- Jura?! Mas adivinha só: Eu não preciso da ajuda de ninguém, muito menos da sua! — Lenore o disse, estreitando os olhos para não ser tão superficial.

- Eu conheço ela melhor do que você — retrucou, sério.

Os dois se encaram por um segundo, em silêncio, olhos nos olhos. Então quando a atmosfera se tornou suspeita demais, um tiro fora disparado contra Edgar, que rapidamente abaixou-se empurrando Lenore no chão para se proteger. O único estrago feito, por sorte, foi um vaso laranja estourado em mil pedaços pelo quarto, até que caíssem no chão e não passassem de lixo. Pelo o que Edgar conseguia capturar no seu campo de visão limitado graças ao criado-mudo, o atirador estava nas escadas dos fundos (e sozinho) fugindo rapidamente.

(Honest to God I will break your heart, tear you to pieces and rip you apart... Honest to God I will break your heart, tear you to pieces and rip you apart...)

- Porra! — ela xingou, se arrastando para pegar a sua mão derrubada, e quando conseguiu alcançá-la levantou-se e correu até a janela que dava numa escada enferrujada.

- Esse covarde está mesmo na cobertura — Edgar dava à Lenore toda a razão.

- Não por muito tempo — disse ela confiante, enquanto pulava os jogos de escadas com bastante pressa.

Com a escada velha se partindo, tentou dobrar a velocidade do seu passo, por que não restaria muito tempo até que aquela porcaria se partisse e tudo estivesse perdido. Por fim, chegou a cobertura do prédio, onde ficavam as antenas, o chão empoeirado, restos de sacos de cimento e fios de alta tensão. Olhou ao redor e tudo o que avistou foi a imensidão do horizonte e uma cidadezinha ao norte. Começou a se irritar, por estar fazendo parte daquele jogo sujo; por estar sendo feita de idiota.

- Apareça logo, seu bastardo! — gritou, deixando visível sua falta de paciência. — Não preciso perder meu tempo com isso, não preciso perder meu tempo com um noob igual á você — menosprezou.

Uma risada maléfica e masculina surgiu atrás de uma placa velha próxima ao fim do chão, onde chamaremos de "precipício", por mais que três andares não fosse uma altura tão perigosa. O homem mascarado resurgiu desarmado.

- Você acha mesmo que eu sou um principiante? — ele perguntou, puxando a mascara negra e mostrando o seu rosto, seu cabelo loiro e seus olhos azuis que pareciam brilhar no escuro daquela noite.

Lenore sacudiu a cabeça com um sorriso irônico, afirmando.

- Está sendo ridícula — murmurou.

- Quem é você mesmo?! — ela indagou.

- Meu nome é Jared, e ao contrário do que disse não sou um bastardo qualquer — Ele fazia pequenas pausas, andando lentamente ao redor de Lenore, para ganhar tempo.

- E daí?

- Daí que se você não fizer o que eu digo, matarei você — ele respondeu impassivo.

- Pfff...Estou tremendo — ela zombou olhando-o por debaixo dos cílios, enquanto destrava sua arma da mão esquerda e direita.

- Aposto que você ficaria frustrada se eu resolvesse escolher para ser morta primeiro a sua namorada — ameaçou, se deliciando com a frustração em seu rosto.

- Seu imbecil! — Lenore sentiu seu coração ficar apertado e um sufocamento extremo, só com o pensamento de perder a pessoa que mais significava tudo para ela.

- Lenore! Não faça nada! Está me ouvindo? — a voz abafada de Dakota foi ouvida há uns metros da outra.

- O que você fez com ela? — Lenore perguntou se aproximando e puxando Jared agressivamente pela camisa.

- Está se precipitando, linda -

- Vai se ferrar e me diga o que você fez com ela — Lenore tentou mobilizar os braços de Jared, mas não conseguiu por que estava com as mãos ocupadas com as duas armas, então apontou-as para o peito dele decidada em mais um dos crimes que iria cometer.

- Não!

- Você está pedindo para morrer, vadia — Jared puxou a arma do bolso detrás da sua calça, prestes a puxar o gatilho e matá-la, quando de repente...

Notas finais
Night of the Hunter - 30STM - Quem quer mais um capítulo? o/