This Is It
5 This Is a Ride
Damon sonhou com Elena. Sonhou que quando acordasse, ela estaria ali, do seu lado, do mesmo modo que havia colocado ela na noite interior. Que um dia, eles ficariam juntos.
Mas quando o sol bateu na janela de seu quarto, no andar de cima, ela já não estava mais lá, já havia ido embora. Estava sozinho.
Jenna chegou, batendo a porta.
– Stefan? Stefan, você está aí?
Stefan sentou no colchão que havia passado a noite. Sua cabeça doía. Ele estava tonto. Deitou-se de novo.
Jenna entrou feito um furacão.
– Graças a Deus. — ela disse, quando encontrou o filho – Vamos, levanta os dois, vamos tomar café. — ela saiu do quarto, e Stefan a seguiu.
Deitado ali sozinho, Damon ficou pensando em sua casa. Como a diferença havia ficado clara. Olhou para cama vazia onde Elena tinha dormido. Damon lembrou da noite anterior, e de todas as vezes que sua mãe bebeu até cair, de como ela era irresponsável com os filhos, e os deixavam por conta própria. As suas brigas com o namorado, que lhe dava uma bofetada todos os dias, e não deixava de fora ele e seu irmão Klaus. Suas faltas no trabalho, na qual ele ligava para inventar alguma doença para justificar sua falta, enquanto ela ficava em casa bebendo. Aquela não era a sua mãe. Não a que ele amava. Não aquela que ele via do lado de seu pai.
Naquele dia, ele não faria nada. Não queria ter que enfrentar mais algum problema. Queria esquecer de tudo o que passou.
Damon desceu para tomar café, ainda com sua cabeça cheia de coisas.
– Bom dia, querido. Dormiu bem? — Jenna perguntou sempre hospitaleira.
– Bom dia, tia – ele respondeu, já se acomodando na mesa do café da manhã, olhou para os lados, mas Stefan não estava mais ali.
– Então o que você achou de Elena?
Ele não estava esperando por aquela pergunta. Na verdade, ele não sabia como responder aquilo.
Ele queria saber por que ela tinha bebido tanto e ficado tão entorpecida. O que ele podia fazer para aliviar sua dor. Queria dizer a ela, que ela tinha a sorte por ter o mundo aos seus pés. Poderia ter tudo o que quisesse.
– A vizinha aqui do lado? — Ele disse, não parecendo se importar, enquanto passava alguma coisa no pão. — Ela parece ser legal.
Na casa ao lado, Elena ainda estava deitada na cama, agradecendo por não ter sido descoberta. Não sabia o que teria sido pior, cair bêbada, ou deixar Damon ver isso. Mais que isso, ela queria saber quem era ele de verdade. Descobrir quem era o verdadeiro Damon. O que o tinha feito voltar? E dizer, que ele era diferente. Mesmo que não tivesse feito nada por ela. Além de salva-la na noite passada. Mas tudo isso, parecia ser impossível depois da noite anterior.
– Elena? Hey, Elena? — John chamou, batendo e já abrindo a porta.
Elena entrou em pânico, pulou para de baixo das cobertas, e puxou as cobertas até a cabeça.
John entrou no quarto. Elena estava deitada, imóvel, fingindo estar dormindo.
– Pai? — ela fingiu estar acordando meio sonolenta – Já é de manhã?
– Ainda estava dormindo, Elena? — John sentou-se ao pé da cama.
– Estava... — Agora ela sentou e se espreguiçou – Então, o que foi?
– Filha, esse assunto é meio delicado... É sobre eu e sua mãe.
Elena ficou nervosa. O que eu não estava sabendo?
– Pai, seja o que for, eu sei que vocês vão se resolver...
– Filha, não é bem assim.
Era isso que ele achava? Elena pensou, enquanto ele continuava.
– Eu e sua mãe estamos passando por uma fase difícil, e...
– Olha só... — Ela disse, se aproximando mais de seu pai. — É você e a mamãe, e seja lá o que for, eu sei que vocês vão dar um jeito.
Não era bem aquilo que John esperava ouvir, mas também não era aquilo que Elena queria que acontecesse. Eram seus pais. Por mais que tivessem seus defeitos, ainda eram seus pais.
– O.K. filha. — ele disse meio decepcionado, dando um beijo na testa da filha – Venha, vamos tomar café. — ele disse, e se levantou – Já está atrasada para escola.
– Já estou indo, pai.
– Não demore.
E assim a porta se fechou, e Elena saltou da cama, indo direto para o banheiro lavar o rosto, tentando aliviar a dor de cabeça. John mal sabia da ressaca que a filha estava, logo de manhã cedo.
– Seu primeiro dia, na escola Mystic Falls High School. Como está se sentindo? — Stefan perguntava para Damon, enquanto saiam de casa, pegando seu skate.
– Meu primeiro dia, de novo! — Respondeu colocando mochila nas costas, já caminhando até o portão.
Atrás dele, Damon ouviu um barulhinho do alarme de um carro sendo desativado. Quando se virou, viu Elena, caminhando pela entrada de carro de sua casa.
Ele ficou imóvel, em choque. Não sabia se devia se esconder, ou fugir. Deu um passo em direção aos arbustos, mas Elena o viu.
Ela ficou olhando para Damon, sem saber o que dizer. Obrigada, talvez? Seus olhos se cruzaram, assim como da primeira vez.
– Oi! — Damon disse, ao sair dos arbustos. Não podia se esconder para sempre.
– Oi! — Elena parou um minuto para organizar seus pensamentos – Estão indo para o colégio? — Ela queria dizer várias coisas, mas não conseguiu. — Ah, obrigado... Sabe, por aquela noite.
Mas Damon Não queria ouvir um “Obrigada”, ele queria saber outra coisa:
– Você sempre bebe, daquele jeito?
Ela queria fugir daquela pergunta, como ele já sabia que ela faria, e como sua mãe sempre fez.
– Vai ficar aqui por muito tempo?
– Não sei. Talvez. — ele começou – Acho que esse cenário de Mystic Falls não combina muito comigo...
– Sei o que quer dizer... — ela respondeu enquanto pensava em Matt, em suas amigas, e na monotonia de sua vida. Ela olhou para ele. Mas você...Você é diferente. Ela queria que ele ficasse.
– E por que continua saindo com eles? — Damon perguntou, já sabendo das atitudes de Matt, e da sua melhor amiga.
Ele tinha feito uma boa pergunta, mas será que também tinha uma resposta?
– Alguma ideia melhor?
Damon estava prestes a responder. Dizer que podia ajuda-la, tira-la daquele mundo, mas Stefan veio descendo pela entrada de carro com seu skate.
– Tudo certo. Você está pronto para... — Congelou ao ver Elena. — Ah, oi Elena!
– Humm. — Elena não respondeu – Vocês querem uma carona? Também estou indo para a escola...
Damon e Stefan hesitaram por um segundo, sobre aceitar ou não. Não fazia parte do manual de Stefan aceitar uma carona de Elena, até por que, alguns dias atrás, ela nem sabia de sua existencia.
Mas Damon sorriu para ela e disse:
– Então, você já devia ter ido, tenho certeza que tem alguém te esperando.
Mas Elena não saía. Ela queria fazer aquilo. Queria ter mais um tempo com ele. Não importa o que eles fizessem, ela sabia exatamente o que fazer: Ela tinha um carro.
Os três andaram de carro a uns 5 minutos, e Elena queria aproveitar aquele tempo, já que a escola não era muito longe. Damon no banco do passageiro e Stefan no banco de trás, inclinado para frente, pra não ficar de fora de nada do que acontecesse.
Elena aumentou o volume do rádio, ignorando o silencio constrangedor que estava ali. Estava tocando The Killers. Virou-se para Damon e perguntou:
– Gosta deles?
Damon não estava prestando muita atenção. Estava atormentado com a proximidade de Elena.
– Gosto. Eu acho.
– Do que você gosta? — Elena queria conhece-lo.
– De tudo. Sei lá. Não ouço muita música.
Elena olhou para ele surpresa. Esse cara era realmente misterioso. Quem não ouvia música? Até Stefan achou aquela resposta estranha.
Damon percebeu que eles estavam olhando para ele, e perguntou para ela a mesma coisa.
– Deixa eu ver... No momento, punk.
– Não... Avril Lavigne não conta como Punk.- Stefan disse para ela.
– Então... Que tal Death Cab? Feist? The Killers,? The Cure?
Stefan estava pasmo. Ela tinha ganhado.
– Ouço as mesmas coisas de Elena Gilbert – Stefan voltou a se sentar mais para trás, feliz.
Mas agora, Damon estava curioso.
– Punk?
Ela sorriu para ele.
– Sou brava!
Ele gostou.
As escola já estava bem movimentada, quando eles chegaram. Damon desceu do carro e deu uma boa olhada. Elena olhou em volta, a procura de Matt, mas ele ainda não havia chegado, e ela também agradeceu por isso. Não suportaria, mais alguma pergunta sobre o novo rapaz desconhecido, que poderia dizer, que Matt já odiava. Stefan desceu com seu skate nos braços, e sua mochila no ombro.
– Venham. — Elena os chamou, os levando para uma parte mais deserta.
– Isso não é ruim para a sua reputação? — Stefan perguntou, com um tom sarcástico.
– Não se preocupe. — Elena virou-se para Damon, ignorando Stefan. — Aqui, é onde eu venho, quando quero ficar sozinha.
Era um lugar que Stefan conhecia bem, sempre ficava ali, durante os horários livres. Era uma construção abandonada, nos fundos do colégio, onde ninguém ia. Não se tinha muita coisa por lá, mas continha o que Stefan chamava de lugar perfeito para andar de skate.
Damon sentou-se na beirada do banco, e chamou Elena para sentar-se do seu lado, enquanto Stefan andava de Skate por ali.
Ficaram lá, constrangidos por um momento. Nenhum dos dois sabia exatamente o que falar, mesmo tendo tantas coisas que queriam dizer um para o outro, e não conseguiam dizer nada. Esperavam que o outro tomasse iniciativa.
– Então... — Damon começou.
– Então... — Elena repetiu.
O silencio flutuou sobre os dois. Uma sensação estranha. Então Elena não conseguiu controlar.
– Da onde você é, de verdade? Não éis realmente de Seattle, éis?
– De verdade?
– É, de verdade...
– Sou de Mystic Falls. — ele começou, ainda decidindo se contaria tudo – Meu pai, irmão do pai de Stefan, morreu quando eu tinha 10 anos – Ele não tinha certeza se ela iria acreditar nele, mas resolveu que deveria tentar – Então minha mãe não conseguiu nos manter aqui, e nos levou embora... Para Seattle. Ela começou a beber, parou de trabalhar, começou a namorar um bêbado, que batia nela, um dia ele ameaçou a mim e a meu irmão, e eu esfaqueei ele... Meu irmão estava com uma arma, e foi preso. Então minha mãe me expulsou de casa. — Damon fez uma pausa, pressionou os dedos contra a sola do sapato – mas você já ouviu essa história antes.
Elena ficou desconfortável com a situação. Ela percebeu que tudo que ele havia contado naquela noite era verdade. Sentiu-se mal por ter perguntado. Ela não conseguia imaginar como seriam as coisas, se algum dia seus pais fossem embora. Qualquer um dos dois.
O silencio voltou.
Olharam-se. Ela queria tocar nele, e absolver toda a dor que ele senta.
Stefan interrompeu o silencio, quando voltou com o seu skate.
– Sentiram minha falta? — Stefan perguntou, enquanto fazia alguma manobra de skate. Damon sorriu para Stefan. Elena riu.
Stefan fez um ollie com o skate, e ficou indo de um lado para o outro. Deixando Elena e Damon sozinhos.
– Então, sua mãe... Um dia você vai voltar pra ela, certo? — Elena perguntou, não sabendo se queria exatamente que isso acontecesse. Ela não sabia como era a vida que Damon levava.
– Não sei, minha mãe é como um trem desgovernado, depois que meu pai morreu – Damon respondeu. Mas ele queria dizer mais. Queria dizer de como ela bebia, sobre o namora violento, e alerta Elena, sobre o caminho em que ela estava entrando. Mas não podia, ele mal a conhecia.
– A minha também... — Elena confessou. Ela pensou nos próprios pais. Na forma como Isobel a criticava e como ela era a minininha do papai. — Parece que temos que ir. — Ela disse, assim que ouviram o sinal bater.
– Nos vemos depois da aula? – Ela perguntou enquanto se encaminhava para a sala de aula.
Damon olhou para Stefan, e não sabia o que aquele olhar queria dizer, mas como não estava em condições de negar um convite de Elena...
– Claro, nos vemos depois.
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