Thirteen Years Later
4 Capítulo 3 - Boas lembranças?
Notas iniciais
Espero que gostem e não deixem de comentar suas opiniões!
Ah sim, e obrigada pelos reviews! Eles me animaram bastante!
PS: Mais uma vez ficou difícil achar um nome pro capítulo. -q
Assim que saiu da casa de Sara, Lia se deparou com um figurão que só de olhar ela já passou a odiar. O homem que vinha andando na direção da casa era alto e forte, tinha pele morena e olhos claros. O cabelo havia sido cortado naquele típico corte militar, e o homem musculoso tinha cara de poucos amigos. Lia apenas entrou no carro em silêncio enquanto o desconhecido entrava na casa de onde ela havia saído há poucos minutos, fechando a porta sem lhe dar a mínima importância.
Se tinha algo que a loira queria naquele momento, com certeza era quebrar a cara daquele rapaz.
Sara estava lavando a louça quando Thomas chegou à cozinha. Ela imediatamente terminou de lavar os pratos e quando estava secando as mãos, sentiu os braços do marido lhe envolverem a cintura, causando-lhe arrepios.
- Quem era a guria lá fora? Ela parecia irritada. Alguma cobrança? — O homem distribuía beijos pelo pescoço da morena, enquanto suas mãos procuravam o fecho, botão ou qualquer coisa que abrisse aquele maldito vestido.
— Não, era apenas uma amiga de infância. Ela só estava um tanto cansada por causa da viagem, mas aposto que depois de um bom sono ela melhora. — Sara apenas respirou fundo e tentou se desvencilhar dos braços do homem, tentando alcançar o fogão. — Thomas, eu estou cansada e você precisa voltar ao trabalho daqui a pouco. Não é melhor você deixar eu colocar logo o seu almoço? Dá pra ver o quanto está faminto só de olhar pra esse seu rostinho, huh?
— Eu quero comer outra coisa, moça. — Thomas levantou e girou Sara, a deitando sem muito cuidado na mesa da cozinha e se colocando por cima dela. — E acho que você sabe muito bem o que é.
A morena tentou se esquivar mas teve seus lábios preenchidos pelo esposo, recebendo um beijo mais do que forçado. Deu-lhe alguns tapinhas na fútil tentativa de que ele parasse, mas tudo o que conseguiu foi que ele puxasse os botões do seu vestido com certa violência, finalmente o abrindo (o rasgando na grande maioria, mas ele não se importava). Ao ver os seios da esposa sendo cobertos somente pelo simples sutiã branco os instintos primitivos do homem ficaram a flor da pele, e a sua primeira reação foi apertar aqueles seios enquanto Sara parecia não muito contente.
- Thomas, não...
— Sim, Sara. — Ele ajeitou-se entre as pernas dela, soltando o cinto e abrindo o fecho da calça. — Já estou aguentando esses seus nãos há tempo demais.
Sara tentou dizer alguma coisa em defesa, mas Thomas a calou com um beijo, abaixando a calça jeans e posicionando-se melhor por entre as pernas da esposa que se debatia inutilmente. Ele já estava tirando a cueca quando alguns passos puderam ser ouvidos pela casa, e não foi por isso que ele parou.
- Mãe? — A voz de Daniel era puro choro. — Mamãe, os meninos na rua bateram em mim, só porque eu não quis emprestar meu carrinho pra eles... Mãe?
Daniel chegou na porta da cozinha e viu seus pais... Bem, quase fazendo o que não deviam na frente de uma criança. Quer dizer, Sara certamente não queria "fazer amor" com seu marido, ainda mais sendo forçada daquele jeito, por isso havia lágrimas em seus olhos. Thomas já estava pronto para começar quando seu filho felizmente os interrompeu.
- O que pensa que tá fazendo aqui, ô moleque? Quer levar umas porradas, é? — Thomas levantou as calças e dobrou o cinto na mão, o apontando para Daniel. — Vem aqui que eu vou te dar uma lição agora! Não quero moleque chorando porque levou um tapinha na rua, ainda mais me interrompendo quando eu tenho assuntos com a sua mãe! Vem aqui que eu te dou motivos pra chorar!
— Não! — Daniel saiu correndo em direção a sala. — Você não vai me bater, e não merece tocar na mamãe! Você tá fazendo ela chorar, não tá vendo?
Thomas andou furioso na direção do filho, pronto para lhe dar uma boa surra quando Sara interrompeu. A mulher saiu correndo pela casa, segurando os braços do marido e sendo empurrada pelo mesmo.
- Não ouse bater no meu filho! — Sara voltou a segurar os braços de Thomas, o empurrando na direção da parede e jogando longe o cinto que estava em sua mão. — Por favor, não encosta a mão nele.
— E por quê eu devia te dar ouvidos? É por causa disso que esse moleque tá tão mal criado! Você fica mimando ele demais, daqui a pouco ele vai virar uma mariquinha!
O garoto estava encolhido no chão da sala, com medo de que seu pai fizesse alguma coisa a ele ou a sua mãe. Sara certamente não conseguiria segurar Thomas por muito tempo...
- Sai logo daqui, Daniel! Pra rua, agora! — Sara gritou, e o garoto não podia fazer outra coisa além de obedece-la. Saiu correndo e se esquivou das mãos de Thomas que tentaram segura-lo em vão por um instante, mas que logo depois jogavam Sara violentamente no chão.
— O que você pensa que tá fazendo, hein, sua vadiazinha? O filho é meu e eu bato nele quando eu quiser, tá me entendendo? E eu vou atrás daquele pedaço de bosta é agora!
Thomas andou até a porta e quando estava prestes a abri-la, Sara o abraçou. Ele podia sentir a sua respiração que estava fora do ritmo por causa de toda a adrenalina, e quando ela finalmente se recuperou, deixou que ele virasse em sua direção e olhasse em seu rosto.
- Deixa o nosso filho, ele é só uma criança. — A frase saiu com um tom incrivelmente doce para quem estava desesperada até poucos minutos. — Por que não voltamos ao que estávamos fazendo antes, hein? Você vai ficar mais calmo assim?
Thomas ia responder quando Sara tocou seus lábios com o indicador, o guiando até o sofá e terminando de despir o vestido vermelho que agora estava em frangalhos. O homem voltou a sorrir e a beijou imediatamente, aproveitando da situação e fazendo o que tanto queria desde o princípio.
Sara não derramou uma lágrima sequer, mas também não expressou nenhuma reação. Era como se ela não estivesse ali naquele momento. Como se houvesse acionado algum botão para se desligar do mundo.
Ela nunca deixaria que ele visse suas lágrimas, por isso deixou-as invisíveis.
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- Ah, que saco...
Thalia estava sentada de cabeça pra baixo no sofá, admirando o teto que ainda tinha algumas teias de aranha. O sangue estava começando a descer até sua cabeça e ela quase caiu enquanto tentava sentar normalmente no sofá, o que fez com que ela soltasse um ou dois palavrões enquanto se ajustava. Não tinha gostado de sair daquele jeito da casa de Sara e muito menos de ver aquele cara chegando com todo aquele ar de rei da cocada preta, mas o que ela podia fazer? Quebrar a cara dele e arrastar Sara pra sua casa? Claro. Mas não sabia se a própria Sara queria isso.
- Que tédio filho da mãe! — A loira gritou logo depois de levantar-se e andar pela casa vazia. Decidiu então ouvir alguma música pra se acalmar, e acabou por encontrar um cd do Disturbed na sua caixa de coisas que ela ainda não tinha paciência pra organizar. — Okay, vai você mesmo. — Disse, colocando o cd pra tocar no velho rádio portátil que havia deixado na sala. Abriu então a porta que dava para a varanda e observou por um instante as pessoas na rua, antes de se entediar outra vez e caminhar dali até o quintal pra encontrar algo que marcara sua infância.
- Então você ainda está aí...
Lia sorriu ao rever a sua velha casa da árvore. Leve bastante em consideração a “velha”, pois o tempo parecia ter castigado aquele pequeno refúgio da mulher a ponto de fazê-lo desabar caso uma mosca posasse ali. A madeira estava um tanto podre e era mais do que óbvio que algumas das tábuas que haviam sido o telhado da casa tinham sido roubadas... Mas aquilo não importava muito para Lia. Ela ainda conseguia enxergar aquela casinha como ela sempre havia sido em sua infância, amarela com "telhado" laranja e com desenhos de flores e borboletas ao redor. Várias coisas boas da sua infância haviam acontecido naquele local, inclusive seu primeiro beijo...
- Ei Sara, você já beijou alguém antes?
— Como assim beijar? Na boca? — A garota fez uma cara feia ao imaginar uma cena daquelas. — É claro que não, mamãe diz que eu não tenho idade para isso, e todos os meninos daqui são chatos demais!
— Não precisa ser um menino pra você beijar. Já ouvi dizer de garotas que beijam outras garotas. — Thalia fechou os olhos e disse a frase como se aquilo fosse algo natural pra ela. — E então, quer tentar?
— Eu e você? Hm... — Sara pôs a mão no queixo, pensando um pouco. Só um pouco. — Okay, tudo bem.
Lia ficou um tanto envergonhada ao ver Sara fazer bico, de olhos fechados, esperando pelo tal beijo. Ficou parada ali por um tempo a olhando, com um misto de espanto com a aceitação tão fácil da amiga e alguma outra coisa que ela ainda não sabia ser o que era.
- Vai ficar aí olhando? Minhas pernas estão ficando dormentes porque eu tô sentada em cima delas. Vai logo, Lia!
A loirinha finalmente acordou de seu pequeno transe e uniu os lábios aos de Sara em um minúsculo, porém significativo selinho. A garota não conseguia parar de sorrir e quando Sara abriu os olhos ela perguntou, um tanto envergonhada:
- E então, o que achou? — Lia passou as mãos pelos cabelos, escondendo o rosto vermelho como um tomate.
— É, foi bom.
— Sério? Quer dizer, você não achou... Estranho ou coisa assim?
— E por que seria? Espera aí, você achou meu beijo estranho? Quer dizer que eu beijo mal, é? — Sara fez cara de choro, ameaçando descer da casinha amarela.
— Não, você beija bem! Tão bem que eu poderia até mesmo te beijar outra vez...
Agora era a vez de Sara ficar vermelha de vergonha, enquanto Lia balançava timidamente a perna esquerda para frente e para trás.
- E então, quer tentar outra vez?
— Tudo bem, mas só porque você disse que eu beijo bem...
Quando Lia voltou a si estava chorando de frente a árvore, e ao sentir as lágrimas descerem pelo seu rosto simplesmente riu perante a sua idiotice. Eram só memórias, não tinha motivo pra chorar por causa daquilo.
Era apenas o passado, algo que devia ter esquecido há tempos, e que ela achava que Sara já havia esquecido também.
- É melhor eu achar o que fazer. — Disse ao deixar a velha casa da árvore sozinha outra vez.
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