Thirteen Years Later
5 Capítulo 4 - Excesso de sentimentos
Notas iniciais
'Cês acreditam que o Nyah! registrou 16 leitores, mas nenhum deles mandam as suas opiniões sobre os capítulos e o que acham da história?
Triste.
Bem, espero que gostem e boa leitura.
Haviam se passado três ou quatro dias desde a mudança de Lia. Eu digo três ou quatro porque ninguém se interessou em contar ou lembrar, muito menos essa que vos narra. A vida de todos continuava do mesmo jeito desde então, exceto a da senhora Hills que agora fazia questão de mandar biscoitos para Thalia toda manhã, sempre dando a desculpa de que havia feito mais do que o necessário. A gentil senhora também gostava de fazer bolos e dividí-los com seus vizinhos, pois dizia que fazia bem para o coração e espantava um pouco a solidão de sua vida. De vez em quando, Lia não acreditava que alguém tão gentil poderia existir.
Já com Sara... Bem, as coisas continuavam instáveis. Quase todo dia ela e Thomas brigavam, e quase todo dia ela deitava-se com ele contra a própria vontade. Lógico que aquilo não fazia nada bem para a mente da mulher, que sempre sentia-se suja e só se acalmava depois de mergulhar seu corpo em agua quente, quente até demais pra ela suportar. Queimava, claro, mas era só fazendo aquilo que ela sentia-se digna de pôr os pés no chão outra vez. E ela tinha que suportar aquilo, querendo ou não. Tinha que aguentar tudo por seu filho.
Naquela manhã Sara havia ido fazer compras com Daniel, e depois decidiu fazer uma visita para a senhora Hills. A simpática velhinha a recebeu alegremente com seu filho em casa e os ofereceu cookies com gotas de chocolate e um ótimo chocolate quente. O tempo estava incrivelmente frio lá fora e bem, não tinha como eles recusarem.
- Está sumida, pequena Sara. Como andam as coisas na sua casa? — A velhinha se aconchegou na sua cadeira de balanço que ficava na sala e continuou seu tricô, enquanto Sara e Daniel sentavam no macio sofá e aproveitavam os quitutes. Principalmente Daniel, claro. — E esse pequeno rapaz, está cuidando bem de você?
— Ah, sim... Está tudo bem conosco. — A frase não saiu tão empolgante quanto devia. — E o Daniel... Ah, esse rapaz sabe muito bem como proteger a mãe, não é?
O menino sorriu enquanto tinha os cabelos afagados pela mãe, e logo depois voltou a assoprar seu chocolate quente. Sara havia deixado sua caneca em cima da mesinha da sala, esperando que o líquido esfriasse um pouco, ajeitando por um momento o vestido azul que usava junto com o casaco cinza. Era incrível como Sara parecia gostar apenas de vestidos.
- Mas e a senhora? Está tudo bem ficar sozinha nesse frio? Não tem nenhum problema para subir ou descer aquelas escadas? Eu fiquei preocupada só de pensar que pode precisar de algum remédio ou coisa assim, tem de se cuidar para não pegar nenhum resfriado...
— Ah, mas eu não fico sozinha, minha pequena. A Lia sempre vem aqui pra me ajudar... Falando nisso, esqueci de levar biscoitos pra ela!! Oh, céus... Será que você pode fazer esse favor pra mim? Ela deixou uma cópia da chave de casa comigo, pois se ficar chamando na porta só será atendida no ano que vem... Aquela garota sabe dormir como ninguém!
— Eu não sei se é uma boa ideia, não posso sair entrando na casa dos outros assim, sem ser convidada...
A senhora levantou-se da cadeira de balanço e foi pegar a chave que estava em um pote na estante, e aproveitou pra pegar a porção de biscoitos que estava separada para Lia. Depois voltou para a sala e os entregou para Sara, sorrindo.
- Minha pequena, você não faria uma velha senhora cheia de dores andar lá fora nesse frio, não é?
— Não...
— Então faça esse favor para mim. Quando voltar terá uma porção de biscoitos separados pra você levar pra casa também.
Sara suspirou e levantou sorrindo, ajeitando outra vez o vestido azul. Pediu para que Daniel ficasse ali e se comportasse, ajudando a senhora Hills caso ela precisasse de alguma coisa. O menino concordou com a cabeça e continuou a comer seus biscoitos enquanto a mãe saía daquela casa.
Estava bastante frio nas ruas, e o vento corria solto arrastando folhas de árvores e poeira. Sara segurava o vestido que não ficava parado de jeito nenhum, e sentiu-se bem mais aliviada depois de chegar na casa de Lia. Trancou a porta e recuperou o fôlego por alguns momentos, observando quão bagunçado era aquele lugar. Roupas estavam jogadas para todos os lados e no sofá da sala, envolta em várias cobertas, Lia dormia. Sara não pôde esconder o pequeno sorriso que surgiu em seus lábios, e foi caminhando com cuidado até a cozinha para deixar ali os biscoitos.
- Vejamos o que temos aqui...
A morena achou uma lata com pó de café e decidiu preparar um pouco para quando Lia acordasse, e acabou por lavar a louça que estava acumulada na pia e limpar o cômodo por completo. Ela havia ficado tão distraída que nem sequer notou Lia na porta a observando enquanto escovava os dentes.
- Ainda tô sonhando? Porque é só nos sonhos que você aparece pra cuidar de mim. Cadê meu beijo de bom dia? — A loira correu para o banheiro por alguns instantes pra terminar a sua escovação, e logo depois voltou com o rosto brilhante e mesmo assim sonolento.
— Você parece animadinha demais pra quem acabou de acordar, mocinha. Só vim trazer seus biscoitos e já vou embora.
— Não... — Lia foi até Sara e a abraçou gentilmente por trás, encostando a cabeça em seu ombro. — Não vá embora, fica aqui comigo. Eu não gosto de ficar sozinha.
A respiração de Lia em seu pescoço era algo que Sara tentava ignorar, mas isso ficava mais difícil a cada maldito milésimo de segundo. A mulher apoiou as mãos na bancada da pia e respirou fundo, fechando os olhos e esperando que Lia se tocasse e parasse com tudo aquilo. Mas parecia que a loira havia percebido a situação e decidido se aproveitar dela...
Os lábios de Lia tocaram levemente a fronteira entre seu ombro e seu pescoço, fazendo a garota tremer de susto. Antes que pudesse abrir a boca para reclamar a morena já estava com as pernas bambas, e era difícil até mesmo respirar enquanto Lia fazia questão de distribuir beijos por cada cantinho do seu pescoço, chegando até sua orelha e a mordendo levemente, indo fazer a mesma coisa do outro lado logo depois.
- Você ainda me ama? — A frase foi gentilmente sussurrada nos ouvidos de Sara e certamente faria qualquer garota derreter-se ali mesmo. Lia podia ouvir muito bem o som das unhas da morena arranhando levemente a bancada e gostava de saber que fazia tal reação aparecer na pessoa que ela amava. Ela queria saber o que Sara faria se estivessem fazendo outro tipo de coisa.
— E-eu tenho de ir agora...
— Eu te amo mais que tudo nesse mundo. Você ainda me ama?
Aquela Lia... Ela com certeza jogava sujo. Sara se virou para olhar em seus olhos e meu deus, como eles brilhavam. Ela sabia que os olhos de Lia sempre brilhavam quando ela dizia a verdade e queria que acreditassem nela, e o jeito que a loira lhe olhava era tão fofo... Era praticamente impossível negar qualquer coisa pra ela naquele momento. A mulher passou as mãos pelos cabelos negros de Sara e depois acariciou seu rosto, para por fim lhe envolver em um abraço pela cintura.
- Você me ama?
Sara queria dizer que sim, mas falar era difícil demais. Seu coração e sua mente estavam num enorme conflito naquele momento, e ela não sabia qual deles ouvir... Era tudo confuso demais, estranho demais... Por que diabos Lia tinha que voltar do nada e mexer assim com a sua cabeça outra vez?
A loira encostou gentilmente sua testa na de Sara, olhando em seus olhos. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios enquanto ela levava gentilmente a mão direita até o rosto da morena e tocava seus lábios com o polegar, ainda mantendo o contato visual. Sara sentia que seu coração estava prestes a parar ou coisa parecida, e quando os lábios de Lia encontraram os seus... Bem, ela apenas se deixou levar. Fechou os olhos assim como a loira havia feito e simplesmente deixou que ela a guiasse por aquele beijo, enquanto suas mãos foram gentilmente apoiadas nos ombros de Lia, que segurava seu rosto gentilmente. As línguas se encontraram de maneira tímida e Lia manteve o ritmo lento, como se tivesse medo de machucar Sara ou coisa parecida. Pouco a pouco a loira foi explorando a boca da outra mulher, enquanto suas mãos já estavam na cintura de Sara e aos poucos a morena era pressionada contra a pia da cozinha.
- Você ainda... Não respondeu...
Pouco a pouco as mãos de Lia desceram pelas coxas de Sara e as acariciaram, causando um arrepio desnecessário na morena. Ela imediatamente abriu os olhos e tentou parar Lia, mas a outra estava ocupada demais com suas mãos que passavam por baixo do vestido de Sara enquanto beijava-lhe toda a extensão do pescoço.
- Lia, não... Me solta, eu não quero isso... Eu não quero!!! — Sara respirou fundo e empurrou Thalia, que só então olhou em seus olhos e viu o quão assustada Sara aparentava estar. Okay, grande parte daquilo era culpa da mente da própria Sara, que havia tratado de puxar todas as lembranças ruins que tivera com Thomas justo naquela hora. E convenhamos, Lia também havia sido um tanto apressadinha. -Eu tenho de ir, até mais.
— Espera, Sara! Eu não quis te assustar, me desculpa! Sara... — Lia não pôde nem ao menos terminar a frase, pois Sara havia corrido para fora daquela casa rapidamente. Ela sentia vontade de chorar, de bater em Lia, de voltar lá e pedir desculpas, só para ser beijada de forma tão doce mais uma vez... Argh! Por que tudo era tão complicado na mente dela?
Enquanto andava até a casa da senhora Hills, Sara pôde ouvir os gritos de Lia pedindo pra ela voltar. Ainda ventava bastante e Lia estava apenas com uma regata branca e uma calça de moletom azul, mas aquilo não a impedia de correr atrás de sua amada. Depois que Sara entrou na casa da gentil senhora não demorou muito pra que Lia chegasse, e antes que ela pudesse abrir a boca foi impedida pela morena.
- Não aqui. — Sussurou a mulher. — Não na frente de quem não tem nada a ver com isso, muito menos o meu filho.
— Algum problema, meninas? Sara demorou um pouco mais que o esperado pra voltar, Daniel já estava preocupado. Não é, meu jovem? — A senhora Hills sorriu gentilmente para as duas, ainda no seu tricô.
O garoto correu até a mãe e o abraçou, com a boca suja de chocolate e o rosto repleto de migalhas. Ao ver Lia simplesmente deu a língua para a mulher, e se escondeu atrás do vestido da mãe ao ver que a loira havia ameaçado atacá-lo. A senhora Hills apenas riu da situação, e depois de alguns minutos de conversa Sara acabou por ir embora com o filho. Mas Lia ainda não estava satisfeita.
Ao chegar em casa, Sara foi para a frente do fogão e preparou o almoço enquanto seu filho se arrumava para a escola. Serviu a comida dele no prato e preparou seu lanche, fazendo questão de deixa-lo muito bem agasalhado por causa do frio lá fora e de ver o prato do filho vazio. Depois de estar tudo pronto, ela despediu-se dele e o garoto foi sozinho pra escola como fazia todo santo dia.
Mas dessa vez tinha alguém esperando por ele.
- E aí, boneco de testes? Que tal a gente conversar um bocado antes de você ir pra escola, hein? — Lia estava encostada na velha pick-up, ajeitando o gorro do casaco enquanto olhava para o garoto. — Tem umas coisas que eu tô querendo saber e sua mãe não vai querer me contar.
— Sai daqui! Não sei como você tem coragem de falar com a mamãe com essa boca suja! Você trata a gente igual a ele!
Lia já ia dar um tapa na cabeça do garoto, mas parou ao ouvir aquilo. Então voltou-se a ajeitar-se encostada na pick-up e olhou para o garoto, curiosa.
- Não seria igual ao idiota do seu pai, né, tampinha? Você não gosta dele?
— É claro que não, ele não é meu pai! Muito menos merece ser casado com a mamãe!
— Okay, entra aí. — A mulher abriu a porta do carro e fez um sinal com a cabeça para que ele entrasse no carro. O garoto teve medo, mas decidiu que era melhor ir com ela. Pela primeira vez ele sentiu que devia obedecê-la. — Pois é, tampinha. Eu quero saber mais sobre esse cara que não é o seu pai, e o que ele anda fazendo com a Sara.
Naquele momento, Daniel sentiu que de alguma maneira Lia se preocupava com ele e com a sua mãe. E Lia sentiu que tinha acabado de conseguir um belo de um aliado.
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