Think Twice
21 C21. Rainy Days and Mondays
Notas iniciais
Como vocês estão indo? Tá boa a vida?
Bom, eu, felizmente, melhorei do meu enjôo constante. Provando às minhas amigas gozadoras que eu não fiquei grávida de tanto assistir anime e fangirlizar, como elas ficam insistindo.
Vocês devem estar estranhando o fato de que está saindo uma atualização com menos de 20 dias da anterior, mas isso se dá ao fato de que eu estava obstinada a terminar essa fanfic antes do meu aniversário, mas como não deu certo, quis ao menos postar alguns dias anets do meu aniversário, e minha época de inspiração coincidiu com os cinco dias antes deste.
Esta quarta-feira estarei fazendo 15 anos. Me sinto meio velha, mas finalmente atingi a idade da minha personagem o/ Sugoi ne?
Eu não tenho realmente uma música pra recomendar dessa vez. Fica a escolha de quem lê.
Ja nee~
Acordou a ouvir o som da chuva a cair lá fora pesadamente. Abriu seus olhos e o quarto estava escuro como se ainda fosse cedo demais para se despertar e pensou em fechar os olhos de novo, mas resolveu que antes iria dar uma olhada no relógio ao seu lado para descobrir que já era o horário de se levantar e ir para a escola. Estava um pouco atrasada, até.
Tsugumi, entretanto, não se apressou. Sentou-se devagar, se espreguiçou e se demorou a se levantar. Era segunda-feira, então não fazia realmente questão de chegar cedo à escola ou qualquer coisa parecida. Se dependesse apenas dela, faltaria todas as segundas-feiras. Ficar dormindo. Mas aí, o começo da semana seria terça-feira e este então assumiria o cargo de dia infernal, então não tinha muito que fazer para mudar aquilo a não ser tentar pensar positivo sobre aquilo – o que já não era muito viável.
Algum tempo depois, Haruko veio chama-la para o café da manhã com estranho ânimo. Por algum motivo, a mãe sempre estava de bom humor de manhã, todo seu estresse parecia se canalizar apenas quando a lua caía. Quase como um lobisomem. Nos outros dias isso até era aceitável, mas a adolescente achava que numa segunda-feira aquilo era deveras estranho. Resolveu não prestar atenção naquilo e seguir com sua rotina.
Depois de trocada e já de estômago cheio, calçou seus sapatos que estavam no batente da porta, pegou seu guarda-chuva mesmo que a contragosto da mãe e se foi. Não que desejasse que a filha se molhasse, afinal aquilo a deixaria doente, o problema era o guarda-chuva que ela estava levando. Era um guarda-chuva de ursinho, todo marrom, com as orelhas feitas de lona erguidas e olhos desenhados. A menina havia comprado outro dia mesmo numa loja cheia de coisas fofas. A mãe nunca iria entender o quanto aquilo era fofo e que aquilo não fazia dela uma pessoa infantil e não seria pela mãe que deixaria de usá-lo.
Caminhou para a escola pelo caminho de sempre, cruzando caminho com Misaki na mesma esquina de sempre. Começaram a manhã com o cumprimento de sempre e retomaram o caminho. Não havia nada de diferente naquele dia, tirando o fato de que tinha aquela chuva totalmente fora da estação. Não era estação de chuvas nem nada.
–Deve ser chuva trazida do mar. – a ruiva, ao perceber a menor a encarar insistente e irritadamente para as nuvens cinza sobre suas cabeças, constatou ao concluir que aquela talvez fosse a dúvida de sua amiga.
–A-Ah...! –seus olhos cor de violeta expressaram de forma até meio exagerada sua surpresa. Ela tinha lido sua mente ou o que?
–Não tinha nem pensado nisso, não é, bebê? – ela riu, bagunçando todos os cabelos da outra com a mão- A maior parte da chuva cai sobre o mar, deve ter sido uma nuvem de lá trazida pra cá pelo vento.
–Mas por que será que a chuva cai mais no mar? – por um breve momento, fez uma expressão de dúvida.
–Por que será né?! – abriu um sorriso meio zombeteiro, encarando-a com um olhar igualmente gozador.
–Não fica zoando de mim! –esbravejou, batendo pé na calçada e levantado um pouco de água, que molhou sua canela.
–Tsu-chiin, mas a resposta é muito óbvia! – protestou – Onde tem mais água no planeta?
–No mar!
–Então! Pra chover, tem que evaporar mais água, e onde mais tiver água, mais vai chover!
–Soookkka!
A ruiva então riu mais uma vez, fez algum comentário capcioso como sempre e as duas voltaram a conversar banalidades. Todo dia começava com algum tipo de discussão e acabava em risadas. Não era nada além de seu cotidiano, e provavelmente deixaria uma sensação estranha no dia se não acontecesse daquele jeito. Tsugumi até gostava que as coisas fossem daquele jeito. Mesmo sendo uma discussão, o fato de aquilo ser rotina a deixava com a sensação de que sua vida estava readquirindo estabilidade. Sem falar que aquele dia, já tão cedo, indicava que iria ser sem graça. Dias chuvosos e segundas-feiras são sempre sem graças, quando juntas fica ainda pior. Tinha de ter algum elemento que agitasse aquele dia, senão iria morrer por overdose de tédio.
Chegaram à escola, deixavam os guarda-chuvas na entrada junto ao armário de sapatos e seguiram para a sala, onde as aulas decorreram tranquilamente. Do sinal do início ao do final das aulas, tudo correu muitíssimo bem. Passaram o intervalo como sempre, comeram no ritmo normal e novamente o sinal interrompeu algo que Misaki ia falar como sempre faz. O máximo de diferente que fez foi mostrar a foto que havia tirado com Shizuo na sexta-feira que havia passado.
Como esperava, a foto havia recebido vários comentários zombeteiros. Ficou irritada, claro, mas no fundo não se importava. Aquela era a única foto que tinha com o rapaz e, por tanto, amava aquela foto. Mesmo que ela própria parecesse incrivelmente feia – e tinha que concordar -, era uma foto engraçada, não conseguia parar de olhá-la toda vez que pegava o celular na mão. Sem falar que, mesmo que não tivesse gostado daquela foto, não iria conseguir outra. Seu mestre não iria deixar ela tirar outra, já que não tinha sequer gostado realmente da ideia de tirar uma primeira foto.
Estava pensando nisso enquanto saía para o corredor da escola, andando junto da ruiva e de seus outros dois amigos, Masaomi e Mikado. Conversavam a respeito de saírem naquela noite, proposta do loiro, que havia recebido algum dinheiro dos pais e queria gastar em diversão. Queriam animar aquela segunda-feira do jeito que podiam. Pelo menos, a chuva havia parado. Já era o começo para um dia que talvez não fosse tão ruim.
–Gente, eu até dava uma resposta agora, mas tenho que ir pra casa. –Tsugumi disse com um ar desanimado, enquanto saíam do colégio.
–Ora, mas por quê? ~ -perguntou o loiro, com um tom petulante- Tem algo importaaante pra fazer? ~
–N-Não, seu tonto! –brigou, corando um pouco. Sabia exatamente no que ele estava pensando pelo tom de voz- A bateria do meu celular acabou! Preciso ir pra casa pra falar com a minha mãe!
–Você está vivendo com a sua mãe? –o moreno, até então ausente da conversa, se intrometeu – Pensei que morasse sozinha, Amano-san.
–Eu morava... –riu, meio sem graça- Mas depois das coisas que aconteceram, minha mãe não quis mais me deixar sozinha na cidade e veio pra cá...
–Sokka... – o de olhos azuis fez uma expressão de entendido.
–Aposto que sua mãe deve ser tão adorável quanto você, Tsugumi-chan~~ — Masaomi disse em tom zombeteiro- Você tem que ter tido alguém de quem herdar.~
–E-Eu detesto minha mãe! – bateu pé, com as bochechas assumindo um tom rosado- Ela só me envergonha, fica fazendo piada de tudo!
–Mães tem um dom incrível de humilhar os filhos em público... – Misaki disse, complementando-a, com um ar negativo- A gente tem que se acostumar.
Continuaram conversando um pouco mais enquanto caminhavam pela rua, até que seus caminhos se convergiram e cada um seguiu numa direção para agora caminharem cada um tendo a companhia apenas de sua própria sombra.
A franzina não fora exceção. Por várias quadras, caminhou em silêncio, apenas olhando ao redor, vendo desconhecidos passando por ela como se não acontecesse nada. Tantas pessoas que nunca havia visto e que provavelmente nunca iria conhecer. Cidades grandes são cheias de pessoas que você jamais iria conhecer. Mas, mesmo com isso em mente, sorriu. Haviam muitas pessoas, mas as mais interessantes foram aquelas que ela conheceu. Seus amigos eram os melhores e conhecia todo tipo de lenda urbana que ouvia pela cidade. Sua vida não poderia estar mais interessante, embora seu dia poderia. Será que ele ficaria daquele jeito, tão insosso, até o cair da noite?
Ao menos, tinha a esperança de que a noite seria melhor. Seus amigos estavam planejando sair, fazer alguma coisa, e muito provavelmente sua mãe a deixaria ir. Sua vida social estava começando agora, e Haruko vivia lhe dizendo que adorava vê-la feliz quando saía com os amigos. Estava praticamente tudo certo.
Era aquilo que pensava até chegar em casa.
Chegou ao seu andar e já estranhou. Estava silencioso no andar, completamente silencioso. Como se não tivesse ninguém em casa, e sua mãe não era de sair. Ela sempre estava em casa quando voltava da escola, e sempre estava assistindo alguma coisa na TV. Mas sem nenhum som. Absolutamente nenhum. Apenas o som da chuva, que voltara. Tsugumi pensou que a mãe pudesse ter voltado a dormir depois do café da manhã e estava adormecida ainda, e tentou se convencer daquilo para poder ficar tranquila e então entrou em casa. Deu tempo de tirar os sapatos ao lado do batente antes de perceber sua mãe sentada no sofá.
–Ah, Oka-san! –abriu um sorriso- Cheguei!
–Filha... –ela falou com um tom sério, quase sem emoção alguma. Estava, até então, sentada com a postura ereta no sofá, olhando para a mesinha de centro. A adolescente não entendeu até olhar para a mesa e ver ali seu diário, aberto, e a carta que havia recebido do Izaya – A gente tem que conversar...
–M-Mãe... – Sua voz saiu falha, tremendo nas bases, deixando a bolsa da escola escorregar de sua mão e se chocar contra o chão.
–Eu estava arrumando seu quarto e encontrei essas coisas, todas abertas e espalhadas pela sua escrivaninha. – Finalmente olhou a filha, agora com um ar um tanto irado- Você pode me explicar o que significa tudo isso, Tsugumi?
Abriu a boca para falar alguma coisa, mas travou. Um vento vindo do lado de fora penetrou pela porta aberta que dava para a varanda veio em sua direção, chocou-se contra seu rosto e contra a porta atrás de si, terminando de fecha-la. Seus olhos se arregalaram. O coração martelava contra seu peito. Por vários segundos, tentou dizer alguma coisa, tentou se explicar de todas as maneiras, tentando gesticular ou falar algo, mas nenhuma palavra saía de sua boca e nenhuma conclusão podia ser tirada dos movimentos nervosos que suas mãos faziam.
Sua mãe começou, em tom irado, a ler páginas de seu diário, do começo até o fim, pulando alguns dias, mas, basicamente, lhe contando tudo aquilo que havia escrito. O que sabia do irmão, seus treinamentos com Shizuo, o que sentia por ele, as confusões com os Lenços Amarelos, com os amigos, tudo. A chuva engrossava, assim como o desespero da menina aumentava. Começava a se arrepender de não ter arrumado o quarto na noite anterior. Maldita preguiça. Mas não poderia voltar atrás, só queria era achar alguma maneira de acalmar sua mãe, o que, àquela altura, era inútil.
–É isso que você tem feito aqui, Tsugumi?! –ela fechou o diário com força, jogando-o sobre a mesa de centro- Você tem entrado em brigas?! Se metido com gangues?! Se envolvido com gente cada vez mais perigosa?!?! Se tornado íntimas delas?!?! –ia se aproximando da filha, que tentava recuar, mas estava com as costas contra a porta. – É isso?!
–Mãe... – seus ombros tremiam, assim como todo seu corpo. Estava assustada.
–.... – Haruko respirou nervosa, se afastando e logo levando uma das mãos à testa. – Eu sabia desde o começo que isso não era uma boa ideia...
–Eh? – Não sabia se realmente não estava entendendo, mas queria que a mãe explicasse melhor o que ela estava dizendo.
–Eu sabia que não era uma boa ideia te deixar vir pra cá... – Tirou a mão do rosto e voltou a mirar a menor – Essa cidade é perigosa. Eu sabia disso quando seu irmão quis vir e também quando você resolveu fazer o mesmo, mas deixei... Foi um erro deixar... –fez uma breve pausa- Eu via você tão feliz com seus amigos, com o Heiwajima-kun... Achando que vocês tinham uma amizade bonitinha... Mas vejo tudo isso que era algo muito além do que eu imaginei...
–... O-Onde quer chegar dizendo isso....?
–No final desse mês eu e você vamos voltar para casa. –seu tom de voz era tranquilo, mas suas palavras causaram impacto- Eu tenho que resolver algumas coisas por lá agora, então irei voltar para te buscar depois.
–M-Mas e o colégio?! – Estatelou os olhos.
–Eu vou fazer uma transferência de emergência. Alegar que teve de se mudar por causas familiares. – tentou se aproximar, primeiramente colocando a mão no ombro da filha, com o olhar de quem estava fazendo um ato de altruísmo. — Vamos voltar para casa logo, filha. Você não vai mais ter que conviver com nenhuma dessas pessoas, você vai estar segura.
–...NÃO! – Com um tapa, tirou a mãe de perto de si, com um olhar de desespero- Eu não quero ir, mãe! De jeito algum!
–Isso vai ser melhor para todos nós. –insistiu na aproximação, fazendo uma estranha cara de compaixão, como se tivesse pena dela- É pelo seu bem!
–NÃO! EU NÃO VOU, MÃE! – começou a gritar, com os olhos em lágrimas- Eu NUNCA me senti em casa até eu chegar aqui! Você não tem o direito de tirar de mim o meu lar!
–EU SOU SUA MÃE, VOCÊ TEM QUE ME OBEDECER! – dirigiu-se novamente à filha com um tom irado, mirando-a bem nos olhos, em seguida, prosseguindo com um tom de voz mais calmo – Eu já perdi um filho meu! Não vou deixar que essa cidade tire-me outro!
–Você já perdeu, mãe. Você já perdeu. – abriu a porta atrás de si com a intenção de sair.
–Um dia você vai me agradecer.
Tsugumi bateu a porta atrás de si e partiu dali, desimpedida e em pranto. Algo dentro de si havia se rompido, e não mais tinha controle sobre ela própria. Descia os degraus da escada com passos desgovernados, gritando em meio às suas lágrimas a amaldiçoar o céu inutilmente. O fato de não estar calçando sapatos, apenas suas meias, ajudavam com que escorregasse, mas conseguiu chegar à saída do prédio sem se machucar.
Continuou sua caminhada pela chuva sem se importar com mais nada. A mescla com o ódio que sentia de sua mãe com o profundo sofrimento criado pela perspectiva de perder tudo aquilo que amava, que estava tudo naquela cidade que teria de forçadamente abandonar, não a deixava pensar em mais nada. Não pensava em doença, não pensava em qualquer tipo de consequência daquilo que estava fazendo. Esbarrava nas pessoas, pisava em poças, tropeçava em tudo. Apenas tentava achar um culpado para aquilo.
Parou um pouco um momento. Sentou-se no banco da praça da fonte, que estava vazia por motivos compreensíveis, e olhou o céu. Havia ela feito alguma coisa para que tirassem-lhe tudo dela? Quem faria tal coisa para ela? Maldito fosse o destino. Se tivesse se lembrado de levar a carta consigo...
Sim. Se a carta não tivesse sido achada, não estaria passando por aquilo.
Algo a fez repentinamente pensar que aquilo talvez fosse parte de algum plano do Izaya. Claro, pelo que ela sabia, aquele estranho homem estava sempre aprontando uma. Até tinha aquele tabuleiro misterioso em sua mesa, que imaginava que ele poderia usar para planejar as coisas. Não duvidava nada, do jeito que era louco. Talvez, tudo aquilo que estava passando fosse culpa dele, assim como poderia também não ser, mas ela precisava de alguém para responsabilizar por sua desgraça.
E então, levantou-se de novo. Ainda chorava, mas estava mais amargurada agora que nunca. Por algum motivo, aquilo que em sua mente começara como uma hipótese de repente se transformara numa certeza, e agora caminhava diretamente ao escritório do informante, onde quase certamente iria encontra-lo. Queria acertar as contas. Não apenas acertar as contas; queria socar a cara dele até ele perder todos aqueles dentes brancos que mostrava toda vez que sorria.
A caminhada seria longa e sofrida. Seu coração não parava de doer não importa o que tentava dizer a si mesma. Nada do que falava numa tentativa de auto piedade iria conseguir tirá-la daquele estado deplorável de tristeza em que se encontrava, além de que suas pernas e braços doíam. Não estavam completamente sarados, apesar de já ter saído do suposto período de recuperação. Mas aquilo não importava. Já que iria embora, não perderia nada se fosse diretamente até a casa do maldito informante acabar com a graça dele de ficar tramando pra cima dos outros. Não iria embora daquela cidade antes de lhe dar um soco.
Depois de algum tempo andando, ficando cada vez mais ensopada, chegou ao endereço de que se lembrava e só de olhar para cima, pôde ver o moreno pela janela, sentado em seu computador. Aquilo lhe facilitava muitas coisas. Não se deu ao trabalho de tocar campainha nem nada, pulou o portão e entrou no prédio passando escondida do porteiro. Não tomou o elevador, preferiu ir de escada.
Namie, com sua expressão tipicamente ríspida e indiferente, estava indo levar uma xícara de café ao seu chefe quando a menina chegou, com os olhos raivosíssimos sem mais lágrimas seguras nas pálpebras, nem se incomodando em dar explicação ou bater na porta. O barulho dos ferrolhos da porta fez o rapaz alerta e ele logo dirigiu sua atenção para aquela direção.
–Ara, Tsugumi-chan~ — levantou-se e, como se não percebesse a expressão azeda no rosto molhado dela, se aproximou – Está toda molhada. Por acaso gosta tanto de mim ao ponto de vir até aqui sem guarda-chuva? –debochou – Aliás, o que veio fazer aqui?
–Ahhh, você deve saber MUITO bem o que eu vim fazer aqui! – não pôde conter a raiva que sentia, deixando-a transparecer em sua voz.
–Veio aqui pedir algum conselho? Me pedir alguma informação? –sentou-se no braço do sofá de couro de sua sala- Ou então esse era o lugar mais próximo e veio me pedir uma toalha emprestada?
–Não se faça de idiota! – bateu a mão com um soco na estante de livros ao seu lado, logo fincando seus dedos na madeira – Você sabe muito bem pelo que eu vim!
–...Foi pela carta, não foi?~ -ele riu com um ar cruel- Te ajudou na recuperação? ~
–Eu perdi TUDO por causa da sua maldita carta! –pegou uma porção de livros e jogou-os de uma vez na direção dele, errando a mira todas as vezes.
–Ora ora, e o que eu tenho com isso? ~ — ele sorria petulantemente, desviando dos objetos que lhe eram jogados – Sem falar que, mesmo se eu tivesse alguma coisa a ver com isso, nós somos amigos, e amigos não se agridem desse jeito! ~
–... Então você REALMENTE pretendia algo com essa carta! – ela se aproximou rapidamente, segurando-o pela gola da camisa.
–Vou chamar o segurança do prédio. – Namie disse, caminhando em direção ao interfone.
–Não precisa~ -Izaya disse em tom tranquilo, erguendo uma das mãos como se indicasse para que a outra parasse. – Eu resolvo isso. – voltou a mirar a adolescente – Agir igual ao Shizu-chan não vai resolver nada, sabe? ~ E eu não consigo entender o que eu fiz de errado! –continuava com aquele sorriso no rosto.
–Sua carta acabou com tudo! – lhe deu um soco bem dado na face esquerda- Por causa dela, eu vou ter que ir embora! Por causa dela, eu perdi tudo que eu tinha e que eu amava! – continuava socando-o – Por causa dela, eu-
–Você nunca mais vai poder ficar com o Shizu-chan, não é? –aquilo fez com que ela parasse completamente – Mas olhe, você é que foi boba de ter ficado com a carta. – Seu sorriso assumiu uma forma mais cruel- Se você tivesse somente lido o que eu escrevi e jogado fora, você estaria muito bem agora~ -as mãos dela foram perdendo força, soltando a camisa dele – Mas devo admitir que eu já esperava por isso, e até que demorou pra isso acontecer.~
–Ora, seu... – a menina ameaçou soca-lo de novo, mas não lhe restava mais forças.
–Agora você vê que deveria ter pensado duas vezes antes de ficar com ela, não é? –ele se afastou, pegando os livros para arrumá-los na estante de novo como se nada tivesse acontecido – Ai ai, -suspirou, ao ver a expressão de choque no rosto da franzina- Você é mais previsível do que eu pensei. Agora, fique paradinha aí que eu já volto com uma toalha. ~ -colocou os livros na estante e subiu ao andar de cima em seguida.
O rapaz não demorou para voltar com uma toalha limpa. Era grande para ela, mas provavelmente normal para ele. Tsugumi enrolou-se na toalha e ficou a se secar lentamente, sentada no chão, olhando para frente com os olhos vazios de emoção, que não pareceu surpreender muito a secretária quando ela entrou novamente no quarto trazendo uma bolsa de gelo para Izaya. Ela apenas comentou que parecia uma pedra sem brilho e saiu do quarto novamente.
De fato, não parecia ter nenhum brilho em seus olhos violeta. Nada, nada. Nem vida seus olhos pareciam ter. Tinham um aspecto opaco de tão pouca vivacidade. Parara ali para refletir sobre aquilo que havia acontecido até então. As discussões que teve de participar. As brigas. As tristezas. No final, toda a culpa caía sobre ela e sua impulsividade. Tudo aquilo que fizera até então foram atos de impulsividade, mesmo aqueles dos quais não se arrependia. Ela era tão inconsequente assim...?
Pôs-se de pé. A maneira como estava lhe dava o aspecto de uma boneca sem vida, assim como demonstrou seu andar até a porta. Seus passos eram lentos, demorando-se para dar outro e pisando com força.
–Já vai embora?~ -ele perguntou, tirando a bolsa de gelo de seu rosto um instante para falar; não recebeu resposta alguma – Bom, se cuide~
–Vá para o inferno. –fechou a porta atrás de si e se foi.
Aquele definitivamente era um dos piores dias de todos.
Notas finais
Eis que cumpro minha promessa e começo a complicar tudo de novo, jogando bombas em você, dando tapas na cara das sociedades!
Espero que, com isso que o Izaya disse, esteja claro o motivo do título da fanfic inteira, e que agora esteja decretado que o final está próximo... ;_;
Claro que tudo vai depender do meu nível de procrastinação, e às vezes ele é altamente grande e perigoso para o andamento das fanfics, mas sempre darei um jeito de dar uma enrolada nas bagacinha.
Até mesmo o número de palavras dos capítulos depende do meu nível de procrastinação. Por isso, esse acabou sendo mais condensado. Tive de dar uma apressada na porra toda.
Espero que não venham atrás de mim com ancinhos e tochas.
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