Think Twice
11 C11. Fuse
Notas iniciais
Oi, como vai você? ~
AUIDHIDASHUDASHDSA quanto tempo desde que eu dizia isso em todo capítulo de fanfic, véi.
Enfim, hoje o capítulo saiu pequeninin, porque eu dividi de um jeito erradinho os capítulos e um pedaço que era desse capítulo se encaixava mais no outro capítulo. Sem falar que esses capítulos finais vão ser um pouco menores, creio eu. >:
Enfim!
O Izaya aparecendo de novo, cenas ShizuoxTsugumi, minhas bizarrices de sempre... -v-
Eu não poderei recomendar apenas uma música, lamento pessoal. Eu ouvi várias músicas diferentes enquanto escrevia esse capítulo, dentre elas: Me Me She - RADWIMPS, Down Goes Another One - McFLY, Chizuru - the GazettE e MUITO Linkin Park. ~
escolham a música que preferirem e aproveitem a leitura ~
–Se acalmou? – Shizuo questionou-a com um tom de voz que era uma mescla entre braveza e preocupação – Vai me dizer o que aconteceu?
Tsugumi continuou a tomar seu leite calada e de cabeça baixa, apenas olhando seu mestre entre os fios de cabelo de sua franja, que impediam que ele a olhasse nos olhos; era complicado dizer o que se passava, principalmente no estado emocional em que se encontrava. Não demonstrava nenhuma das emoções, apenas tendo o gosto amargo de sua raiva na boca, mantendo o semblante neutro. Olhava ao redor discretamente, dando goles pequenos do líquido na caneca em suas mãos; de fato, não conseguia subjugar a curiosidade que tinha a respeito da casa de seu mestre.
Enquanto ele continuava a insistir que ela falasse, a menina mantinha seu olhar apenas voltado ao seu lado curioso, querendo saber sobre o lugar em que se encontrava, querendo recolher o máximo de informações que poderia a respeito de tal ambiente. Rolou os olhos por todo lugar, até fixar no balcãozinho acima da TV, onde viu de relance alguma coisa dourada, parecendo um papel de presente. Seria aquela a caixa que entregara para ele no Dia dos Namorados? Teria aberto um breve sorriso se tivesse sido capaz de sentir-se feliz de verdade. Todas as suas emoções se convertiam em ódio, que só a deixava pensar:
“Tenho de destruir os Lenços Amarelos antes que eles me destruam.”
Já fazia algum tempo que tinha essa ideia enrustida em sua cabeça; aquela gangue, mesmo que indiretamente, estava arruinando sua vida e sua família aos poucos. Dois anos antes, seu irmão mudara-se para Ikebukuro seguindo o sonho de tornar-se ator e mantivera contato apenas com a caçula entre todos os membros da família Amano; não era de se espantar, uma vez que atritos entre Kyouya e o resto da família eram constantes. Ele a mantivera a par de tudo que acontecia na cidade por seus e-mails, sendo totalmente sincero; não escondera nem o fato de ter entrado na gangue, assim como não escondeu nada a respeito dos conflitos entre o grupo que pertencia e outro grupo presente na cidade, os tais dos Quadrados Azuis. No começo, achou que aquilo era só brincadeira; que nomes bobos para gangues! Até chegara a brincar de criar nomes com as demais cores do arco-íris. O irmão, no início, dava risada.
Mas as coisas foram ficando mais sérias. Kyouya já parecia ter perdido cada pingo de sua vivacidade poucos meses depois que ingressara nos Lenços Amarelos. Estava muito sério com relação a tudo; “Você nunca poderia entender os demônios que tenho que enfrentar”, era o que ele mais dizia para Tsugumi, das vezes que ela tentava animá-lo — isso quando tinha a oportunidade de tentar, uma vez que os e-mails foram se tornando mais escassos.
E então, um ano depois que tudo começara, a menina deixara todo o respeito que tinha pela adoração que o irmão tinha por Ikebukuro.
–Volte para casa.
Depois disso, o irmão deixara de responder. Naquela noite, provavelmente uma noite de domingo, Tsugumi quebrou sua escrivaninha e sua cadeira de tanto descontentamento; e continuou quebrando vários dos objetos de seu quarto conforme as semanas sem notícias de Kyouya aumentavam. Começou a ficar preocupada com o que poderia estar acontecendo na área de Tóquio; e se o irmão tivesse se machucado? Essas atividades de gangues sempre causavam mortes e temia que a vitimada vez fosse ele. Foi quando decidiu pesquisar sobre a cidade.
Várias notícias apareceram em sua página de pesquisa na web, vindo de vários tipos de sites: os de notícias oficiais, tabloides e até blogs; todos eles dando mais e mais histórias improváveis que concordavam entre si – o que tornava tudo aquilo mais estranho. Todos relatavam coisas incríveis, como uma motoqueira sem cabeça que circulava pela cidade, um informante que mexia com a cabeça das pessoas, um homem de força sobrenatural e, é claro, os relatos dos conflitos entre os Lenços Amarelos e Quadrados Azuis narrados pelos próprios gangsters envolvidos. Enquanto lia, ia ficando cada vez mais boquiaberta; Ikebukuro parecia mais um circo de horrores, que ia consumindo todos que assistiam àquele festival de aberrações. Todos que viviam lá pareciam fazer parte disso, inclusive ela passara a fazer; então por que se surpreendera tanto ao descobrir que Misaki não havia escapado à regra?
–Vai ficar aí tomando leite e não vai dizer nada?! – Shizuo trouxe-a de volta à realidade, chamando-a bravo e acabando por deixar seu termômetro cair no chão; tivera a sorte daquele ser um eletrônico, senão haveria mercúrio para todo lado – Você sabe o tamanho da confusão que você criou?! Me dê um único bom motivo pra não lhe denunciar à polícia!
Permaneceu calada; sua vontade de falar era nula, duo ao fato de que tinha certeza de que o que ela ia dizer acabaria por irritá-lo. Sabia que seu mestre, mesmo sendo o homem mais forte de Ikebukuro, não era uma pessoa paciente; seus nervos eram fracos. Abriu um sorriso para si, mas obviamente sem qualquer alegria; era como se estivesse rindo de si e da situação em que se encontrava. Que destino cruel era aquele que fazia com que aquela maldita gangue sempre estivesse lá para tirar dela as únicas pessoas a quem já confiara o coração? Ao menos, podia se confortar com a certeza de que o homem amado jamais acabaria do mesmo jeito.
–Arigatou gozaimasu, Shizuo-san. – foram suas únicas palavras dirigidas ao mestre, tão repentinas e inesperadas como o tom calmo com o qual ela as pronunciou, deixando a caneca branca sobre o braço do sofá em que estivera sentada e logo em seguida levantando-se e andando na direção do anfitrião – Mesmo que não seja nada que você possa resolver, pude me acalmar o suficiente para conseguir pensar melhor no meu problema. – mirando-o calma, conseguiu fazer com que ele se abaixasse e colocou sua boca contra a testa de seu mestre, como uma mãe que beija a testa de seu filho – Agora se preocupe mais com o senhor, pois está bem quente.
Depois disso, foi em direção à porta da casa e saiu, sem esperar para ver a reação de seu mestre. Estava realmente preocupada com o estado dele, queria poder ficar e cuidar dele; mas ela tinha muito que fazer. Seu maior objetivo, naquele momento, era destruir aquela gangue maldita, e, para isso, teria de se preparar. Comprar ataduras, pesquisar a respeito da localização do “esconderijo” da gangue, ler algo que pudesse lhe ajudar a criar uma tática de invasão. Mas, antes de tudo isso, teve o ímpeto de ir desculpar-se com Erika pelas grosserias ditas; quem sabe não confidenciar-lhe algumas coisas, como fizera da primeira vez que se encontraram. Era impossível negar que tinham vários pontos em comum, principalmente pelo fato de terem a mesma pequena obsessão. Quem sabe, falando com ela, não encontrava algum tipo de ajuda.
Estava em conflito mental. Uma parte de si, tomada por ódio, queria realmente causar a aniquilação dos Lenços Amarelos o quanto antes e da forma mais eficaz que pudesse encontrar, sem medir seus custos pessoais; a outra parte, relativamente menor, pensava “aja como se não soubesse de nada, devolva a bolsa e siga sua vida como se aquilo fosse apenas um sonho ruim. Tem que ter um jeito mais pacífico de tirar o Kyouya de perto deles”, enquanto caminhava até a loja de anime com a cabeça abaixada. Uma pena que seu coraçãozinho não era forte o suficiente pra carregar aquele fardo; além de que sua alma já havia sido corrompida pelo seu ódio. O fato de uma nova guerra entre gangues estava ocorrendo dentro de Ikebukuro fê-la pensar que não seria difícil despedaça-los de novo; afinal, isso só poderia significar que haviam fraquezas dentro do grupo, e, dito isso, era só acha-las para que tudo viesse ao chão de novo.
Este era o foco de sua mente quando chegou à loja de anime, com uma aura tétrica rondando-a; Erika, que estava no balcão brincando com dois bonecos ainda etiquetados – provavelmente vindos da estante ao lado – veio logo em sua direção, com um olhar de preocupação. Abriu um singelo sorriso; mesmo depois do jeito rude com que a tratara, ela não demonstrou nada que pudesse indicar que tivesse se sentido ofendida. A mulher, mesmo que não entendesse, sorriu de volta.
–Qualquer dia desses, eu volto aqui pra conversarmos melhor. – Tsugumi disse, com uma expressão inocente, já na porta do estabelecimento, virando-se apenas para despedir-se.
–Estarei esperando, chibi-chan! ~ — A moça acenou animada detrás do balcão – Bye bye ~
Mesmo descontente com o apelido que lhe fora dado, partiu da loja com uma aura mais leve. Grande parte de sua negatividade vinha do fato de que estava com certo medo do que ia fazer, mas o sorriso de Karisawa, que soava como “força, você consegue”, trouxe um pouco de alívio ao seu espírito. De qualquer jeito, não tinha tempo para titubear; iria para casa e lá começaria a arquitetar seu plano, com ajuda de pesquisas na internet.
Andava pelas calçadas com as mãos tensas ao lado de seu corpo, em direção ao prédio em que morava; teria de atravessar uma grande porção da cidade, tendo o azar de que o bairro em que morava e o em que se encontrava naquele momento eram ligados apenas pelo hospital. Sentiu um arrepio na espinha ao passar em frente a tal prédio; por algum motivo, tinha muito medo de hospitais – e agradecia aos céus por nunca ter precisado voltar ao hospital depois que saiu da maternidade. Ficaria muito contente se não tivesse que entrar pelas portas de um lugar como aqueles antes que fosse sua vez de tornar-se mãe.
Estava quase em sua casa quando seu estômago começou a roncar constrangedoramente alto. Aproveitando que estava parada bem de frente para um mercadinho qualquer, resolveu comprar qualquer coisa para comer; afinal, não tinha lá grandes coisas para comer em casa e ainda não era horário de almoço, tirando-lhe a ideia de comer o que havia em seu obento. Foi andando entre os pequenos corredores, colocando dentro de uma cesta os vários tipos de macarrão instantâneo e doces que encontrara; era basicamente daquilo que ela sobrevivia nos fins de mês, quando o dinheiro que seus pais lhe mandavam estava no final.
Estava andando atoa entre os corredores, apenas querendo gastar um pouco de seu tempo, quando, passando pelo corredor onde estavam estocados os produtos “em pó”, deu-se com Shinra; manteve-se afastada, aproveitando que o doutor estava distraído lendo a embalagem de um recipiente com café instantâneo. Tsugumi colou em uma das paredes; bem quando não queria se encontrar com mais alguém, ela topa com ele, que sempre teve o hábito de fazer muitas perguntas – que contradizia sua imaturidade mental para certas ocasiões. Enfim, não queria que ele a visse. Pegou alguns copos com macarrão instantâneo e uma caixa de pocky, correu ao caixa e foi embora.
Não se deixou comemorar sua fuga bem sucedida; andava apressada pelas ruas, comendo um de seus pockys num ritmo nervosamente rápido. O trânsito, devido ao horário, estava aumentando; mantinha-se entre as pessoas durante a travessia das ruas sem e sem evitar o trânsito das calçadas, a fim de não acabar sendo percebida por ninguém que pudesse cruzar em seu percurso para casa. Aquele caminho, além de ser o para sua casa, passava por uma parte do bairro comercial que tinham algumas das lojas que mais lhe interessavam, algumas até onde havia feito amizade com as lojistas; mas havia um prédio por ali que não sabia do que se tratava e resolveu parar por ali para ver.
Aquele lugar que mais parecia um templo com um pilar vermelho erguido na entrada, possuía uma placa bem simples dizendo que aquilo era uma biblioteca. Tsugumi parou diante dos degraus que levavam à porta de entrada, interessada; provavelmente havia muitas bibliotecas espalhadas por toda Ikebukuro, mas aquela era a mais peculiar delas. Observou um pouco melhor e começara a se recordar de uma história de um senhor falecido de nome Kawahira, que era obcecado por todos os aspectos da cultura do país. Aquela deveria ser a biblioteca que ele deixara para seu filho quando morreu. Não sabia se era a biblioteca desse senhor, mas resolveu entrar.
Assim que entrou, passou pelo balcão de entrada, cumprimentando uma atendente que atendia por Kumiko. Deu uma conversada com ela, pediu informações; aquela era mesmo a biblioteca que pensara que era, e tinha uma grande variedade de livros – detalhe confirmado pelo número de estantes altas lá dentro. Havia tantas estantes que pareciam formar um labirinto. Com seus olhos brilhando de uma maneira infantil, deu seus primeiros passos em direção à sessão de livros que mais lhe chamou a atenção.
Acabou indo parar na sessão de livros e arquivos sobre guerras, numa tentativa de aprender algo sobre tática, assim que pegou um ou dois livros de ‘artes marciais para principiantes’; caminhava tentando se manter o mais focada e objetiva que conseguia, mas sua mente não demorava a começar com devaneios dependendo dos títulos que lia. Sempre havia entre os livros interessantes aqueles com os títulos indecifráveis, daqueles que não dão nada a entender.
O movimento do lado de fora da biblioteca chamou sua atenção, enquanto caminhava na direção das mesas de leitura. Havia um movimento do lado de fora que não conseguia entender; não deu muita bola e sentou-se numa mesa vazia, se distanciando um pouco de um rapaz que dormia numa das cadeiras. O que quer que fosse, não iria afetá-la; Tsugumi começou a ler os livros que pegara sem se importar. Conseguiu ler concentrada apenas as primeiras 10 páginas antes do som próximo do arrastar de cadeiras trouxesse-a de volta à Terra.
–Yare yare ~ , olha só quem eu encontrei aqui ao acaso! – disse Izaya, sentando-se na cadeira que acabara de puxar, apoiando os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos das mãos e apoiando o queixo neles – Não deveria estar na escola? ~
–O que eu deixo de fazer não é problema seu, Orihara-san. – sequer tirou os olhos do livro – Estou tentando ler, então agradeceria se você saísse da minha frente. – parou para pensar um pouco; é, a convivência estava fazendo com que ela pegasse a hostilidade de seu mestre para com o informante.
–Ah, livro de combate corpo-a-corpo. – agiu como se não tivesse escutado a última frase da menina, esticando o pescoço para ver o conteúdo do livro que ela lia – O que pretende fazer com esse tipo de conhecimento, Tsugumi-chan? ~
– E uma vez que eu responda sua pergunta, o que vai fazer com essa informação? – respondeu em tom mordaz – Aliás, você não tem trabalho pra fazer, não?
O informante soltou um longo riso, olhando para cima; parecia um psicopata rindo. Não demorou em voltar a olhá-la e explicar que chegara ali fugindo de Shizuo, uma vez que acabara cruzando com ele durante sua caminhada. Talvez tivesse duvidado de tal explicação se o moreno não demonstrasse sinais de cansaço, como o suor em sua testa e a respiração acelerada, mas não esboçou nenhuma emoção. Escondia por baixo de sua expressão neutra um medo; se o mestre acabasse encontrando ela ali... Levaria uma bronca. Arrepiou-se só de pensar. Mas não deixou também de pensar na febre que o loiro estava quando ela fora embora... Será que estava bem? Acabou soltando um suspiro de preocupação, que fez com que Izaya risse mais uma vez.
– Parece preocupada, Tsugumi-chan ~~ — levantou-se da cadeira e apoiou as mãos sobre as costas da cadeira, deixando o preso sobre os braços – Algo errado?
–N-Nada da sua conta! – droga, deixara sua preocupação transparecer! Voltou a olhar para seu livro, corando de leve – Vá embora!
–Por acaso aconteceu alguma coisa com Shizu-chan? – teria ouvido uma ponta de preocupação se não o conhecesse bem – Ele pareceu realmente diferente quando acabei “derrubando” um copo de água gelada nele.
–Você jogou água gelada nele?! – gritou, erguendo-se no ímpeto, batendo as mãos na mesa – Ele estava com febre! Ele deve ter piorado agora! Aho!
–Hahah, kawaii ne~~ — bagunçou os cabelos da menina, petulante – Não precisa se preocupar com ele, Shizu-chan já é crescido! ~
–Mas... Mas... Mas... ! – foi mexendo os dedos da mão nervosamente, se encolhendo um pouco – E-Eu não gosto de vê-lo doente...
–... – Izaya ficou algum tempo sem dizer nada, apenas observando Tsugumi com uma expressão de curiosidade; depois de um tempo, seus olhos carmesim passaram a olha-la penetrantemente, com sua crueldade realçada pelo largo sorriso em seu rosto – Você não está apaixonada pelo Shizu-chan, está? ~ — aquilo lhe rendeu uma engasgada bruta; ele começou a rir de novo – Você está sim! ~ Mas fique sabendo que não vou dividi-lo com você, entendeu? ~ Se ele começar a ficar mais tempo com você do que já está ficando, não vai mais ter graça irritá-lo! ~
– C-C-Como é?! – arregalou os olhos, ficando ainda mais corada – Iidota! De onde tirou essa ideia de eu ser apaixonada pelo Shizuo-kun?! – passou para uma expressão realmente brava – E ele nem é seu pra você dizer que não quer dividi-lo!
– A ingenuidade de uma adolescente me diverte! – dobrou-se de tanto rir; com certeza estava se divertindo muito com as expressões raivosas da menina à sua frente – Acha que sou bobo? Está escrito na sua cara! Só o bobo do Shizu-chan que não deve notar! Mas, de qualquer jeito, isso ainda não responde minha primeira pergunta ~~
Tsugumi calou-se, voltando a olhar para seu livro; hesitou em contar ao informante sobre o propósito de estar lendo aquilo. Esfregou as mãos nas maçãs do rosto tentando tirar a coloração vermelha. Franziu o cenho; aquele informante estava dando-lhe nos nervos. Tinha uma vontade absurda de batê-lo até que todos os dentes dele caíssem pra nunca mais ter de ver aquele sorriso petulante e cruel. Izaya, mesmo recebendo várias respostas grosseiras, continuava ali, perturbando-a com suas perguntas. Não desistia de saber o porquê dela estar lendo aquele tipo de livro, não desistia de perguntar o que ela fazia fora da Raira àquela hora. Estava pra explodir outra vez; olhou o redor e percebeu que a biblioteca continuava no mesmo estado desde que entrara: o rapaz dormindo e Kumiko catalogando livros, dirtraída do mundo. Então não se incomodou em tentar falar baixo. Contou ao moreno seu plano apenas para calá-lo.
Ao final da conversa, o informante abriu um sorriso com ar de satisfação, disse algumas palavras confusas; dissera alguma coisa sobre como os humanos o divertiam, alegação que não pôde compreender. Esse cara com certeza era um psicopata. Sua paciência tinha acabado; pegou os livros que havia tirado da estante, avisou a atendente que estaria levando-os para casa e se foi.
Sem nem perceber que o rapaz da mesa ao lado havia ouvido tudo e acompanhara-a com um olhar cortante até a porta.
Fale com o autor