Things We Lost in The Fire
20 4x20 - Save Him or Kill Him
Notas iniciais
Eu não consigo escapar desse inferno
Por muitas vezes eu tentei
Mas eu ainda estou preso dentro
Alguém me ajude a superar esse pesadelo
Eu não consigo me controlar
E se você pudesse ver meu lado obscuro?
Ninguém conseguiria mudar esse animal que eu me tornei
Ajude-me a acreditar que esse não é o verdadeiro eu
Alguém me ajude a domar este animal
(Esse animal, esse animal)
Eu não consigo escapar de mim mesmo
Por muitas vezes eu menti
Mas ainda há raiva dentro de mim
Alguém me ajude a superar este pesadelo
Eu não consigo me controlar
Three Days Grace
–Apenas deixe-me sair. Isso não é engraçado.
Dean olhou com tristeza para o irmão, atrás das grades. Era assim que ia terminar? John Winchester sempre esteve certo? Ou você o salva, ou você o mata. Sam estava furioso. Dean tinha passado completamente dos limites.
–Você tem razão – respondeu Dean, tentando ocultar a dor que sentia usando raiva. – isso não é engraçado. Você não vai sair até estar melhor.
–Olhe, eu sinto muito. Eu não deveria ter mentido para você. Apenas abra a porta.
–Você não tem que pedir desculpas – e nisso, Dean era sincero. Ele sabia muito bem quem era o único culpado pela aquela situação: Ruby. Sam sempre tinha sido bom demais, ingênuo demais e tinha confiado na pessoa errada. Mesmo tendo sido alertado inúmeras vezes. – não é sua culpa. Não é sua culpa que você mentiu para mim inúmeras vezes e de novo, e de novo. Eu entendo agora. Você não podia evitar.
Era um alivio poder culpar Ruby por todo o comportamento de Sam. A maldita tinha transformado ele num viciado, aproveitando-se de Sam. Tudo seria explicado.
Mas ainda assim, isso não diminuía em nada o sofrimento de Dean. Não diminuía nada a magoa que ele sentia por todas as mentiras de Sam.
–Eu não sou um viciado – falou Sam.
–Sério? Então você acha que eu não reparei o quanto mal você esteve ultimamente.
–Você realmente está transformando isso em algum tipo de intervenção ridícula por uso de drogas? – Sam quase gritou, irritado e impaciente. Dean realmente não era mais o mesmo desse que tinha voltado do Inferno. Aquilo era absurdo e ridículo.
–Se parece com um pato, anda como um pato e grasna como um pato... – falou Dean – então concluímos que é um pato.
–Dean, eu não estou bebendo sangue de demônio para ficar doidão. Eu estou querendo ficar forte o suficiente para lutar contra os demônios, matar Lilith e parar o apocalipse. – explicou Sam, como se estivesse ensinando Dean a contar.
–Forte? – Dean deu uma risada amarga – isso é o mais longe de forte que você pode estar. Tente fraco. Patético. Desesperado.
–Matar Lilith e parar o apocalipse é o que importa. Ou você está ocupado sendo certinho e esqueceu sobre ela? – continuou Sam com impaciência. Não ia deixar as ofensas de Dean o atingirem.
–Ah, Lilith vai morrer. Nós vamos mata-la. Mas você não vai participar disso. Parabéns, Sam, você acabou de ganhar um ingresso para assistir ao Apocalipse.
Eles ouviram os passos de Bobby, apressados, na escada.
–Alicia chegou – falou Bobby.
–Dean, espere! Bobby, por favor, não me deixe aqui! – gritou Sam. Eles realmente estavam falando sério em prende-lo lá. E claro, Alicia tinha resolvido aparecer. Grande surpresa.
Dean fechou a portinha de metal que cobria a janela com as grades. Gostaria de poder apagar tudo com a facilidade que fechou aquela porta e deixou Sam lá, gritando, a voz dele ecoando pelo metal.
–-
–Então você sabia? – perguntou Dean, desapontado.
–Há alguns dias ele me pediu ajuda. Foi logo após encontrarmos Adam. – confessou Alicia, olhando para o copo de whisky, não para Dean ou Bobby. Adam estava continuando com sua vida agora, fazendo faculdade e diariamente enviando mensagens para Dean afirmando que estava bem e que nada sobrenatural procurou por ele – eu prometi que eu não contaria. Ele estava bem desesperado e bem, o que eu posso dizer? Que eu confiei no que ele dizia de novo? Que eu acreditei que ele iria parar? Eu devia ter ficado ao lado dele. Mas eu não conseguia mais ficar ao lado dele. É doloroso demais.
Alicia parecia tão desesperada que Dean não conseguiu ficar chateado com ela.
Ela finalmente olhou para ele, os olhos muito vermelhos e brilhantes de lagrimas.
–Foi tão pouco tempo. Achei que ele estaria seguro com você até eu poder descobrir alguma coisa. Foi difícil. Ninguém fala sobre isso. É perigoso demais e poderoso demais. Dizem que tem poder de transformar uma alma humana em demônio ou algo mais forte que isso. Não há relatos sobre alguém consumindo isso, não que eu pude descobrir e ainda mais na frequência e quantidade que Sam estava utilizando. Eu não sei o que fazer.
Ela começou a chorar, deitando a cabeça sobre a mesa.
–Vamos desintoxica-lo, primeiro. – falou Bobby – quem sabe se ele tirar tudo isso do sistema dele ele fique bem.
–Ou talvez ele morra tentando – disse Alicia, levantando a cabeça. Ela tinha passado da tristeza para a raiva em segundos – mas não vou ficar aqui assistindo a isso acontecer. Vou achar Ruby e mata-la. Estou coletando rastros dela há meses, talvez se trabalharmos pesado eu consiga acabar. Sam pode morrer, mas não vou deixar Ruby continuar com a vida miserável dela.
Ela gostaria de ter avisado Dean antes. Gostaria de ter voltado antes, de ter prestado atenção nas mensagens que eles estavam deixando para ela. Mas, depois de tudo que ela descobriu sobre sangue de demônio, tudo o que ela queria era anestesiar a dor um pouquinho. Porque definitivamente, Alicia não estava conseguindo viver com ela. Ela queria poder ter ficado ao lado de Sam. Não devia ter deixado ele sozinho, sabia disso. Se ela fosse boa, ficaria ao lado dele e o ajudaria a passar por isso. Mas como dar amor para ele, se tudo que ele deu a ela foi um coração partido? Alicia percebeu o quanto Sam precisava dela e mesmo assim, escolheu ficar longe dele. Como salva-lo, se ela não sabia como salvar a si mesma? Como parar com a dor dele, se ela não conseguia lidar com a própria dor?
Como ficar do lado de Sam, se ele tinha a traído com um demônio?
Alicia sabia que aquele amor precisava morrer. E era justamente nesse momento que ela sentia que amava Sam mais do que nunca. Ela faria qualquer coisa para salvá-lo. Qualquer coisa.
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Sam não sabia por quanto tempo ficou rodando em círculos o quarto de pânico, irritado, tentando pensar em como convencer ele ser retirado dali. Até que as luzes começaram a piscar e um forte cheiro de enxofre preencheu o ambiente. Sam ficou apavorado, alguma coisa estava vindo e ele não tinha como se defender. Gritou por ajuda.
Alastair apareceu. Sam gritou. E de repente, ele se viu amarrado a uma cama.
–Olá, Sam – sorriu Alastair – é um prazer vê-lo novamente. Parece que eu tenho você toda para mim. Que maravilha. Como passaremos o tempo?
–Não! Não! Não, pare Alastair – gritava Sam – pare, por favor!
–Tão educado agora! – riu Alastair e se aproximou de Sam. Sam fechou os olhos, sentindo o demônio cortando sua pele profundamente. Ele gritou. E gritou mais. Alastair ria, deliciado, usando as mãos nuas para torturar, puxando intestinos para fora, fazendo Sam urrar de dor e desespero.
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–Pare! Pare! – gritava Sam em desespero. Bobby pegou um copo de whisky e serviu para Dean. Alicia tinha se trancado na biblioteca com um monte de ervas e outras coisas que pegou de Bobby. Ela não pediu ajuda e nenhum dos dois se ofereceram.
–Quanto tempo isso vai durar? – perguntou Dean, bebendo todo o liquido do copo de uma vez.
–Calma, deixe eu olhar no meu manual de Demônio-Detox. Espere. Ninguém jamais escreveu um. – respondeu Bobby, destilando ironia. – não tem como eu dizer quanto tempo vai demorar. Inferno, ou se Sam vai sobreviver a isso.
Dean se serviu de mais whisky. Eles sabiam, por Ash, que o penúltimo selo estava se quebrando naquele momento. Faltava muito pouco agora.
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–A resposta é sim. Você está alucinando – disse Bobby para Sam.
Alastair tinha sumido. Sam não estava mais amarrado nem torturado. Então Sam viu, parado ao lado dele, uma versão mais nova de si mesmo.
–Sim, sou eu, ou melhor é você – falou o Sam mais novo.
–Eu estou enlouquecendo.
–Definitivamente.
–O que você quer?
–Uma explicação. Como você pode fazer isso com a gente? Eu pensei que seriamos normais.
–Eu tentei. Eu realmente tentei. As coisas não saíram como o planejado. Sinto muito, garoto.
–“Sinto muito, garoto?” É isso que você tem a dizer? Era tudo que nós sempre quisermos. Estávamos tão perto. Você se livrou do pai. Parou de caçar. Superou Alicia. Você ia se tornar um advogado e ia se casar. Por que você jogou tudo isso fora?
–Olhe. Eles mataram Jessica.
–Sim. E se você não tivesse ido caçar com Dean e Alicia, você estaria lá para protege-la e ela ainda estaria viva.
–Eu sei. – respondeu Sam. Essa era a culpa que ele carregaria para sempre.
–Você acha que Jess iria querer ver você transformado nisso? Ela amou você. Ela ficaria feliz de ser usada como uma desculpa?
–Eu sinto muito. Eu realmente sinto muito. Mas a vida não sai da maneira que você esperava quando tem 14 anos. Nós nunca vamos sair disso. Nós nunca vamos ser normal. Cresça.
–Talvez você esteja certo. Talvez não haja escapatória. Afinal, como você pode fugir do que está dentro de você?
Os olhos do Sam mais novo se tornaram completamente amarelos.
–-
–O que aconteceu com os malditos anjos? – xingou Bobby pela milésima vez.
Alicia tinha se juntado a eles em volta da mesa. Já fazia alguns dias que Sam estava preso. Ela já tinha tentado todos os tipos de feitiço para localizar Ruby e era sempre um grande nada. Parecia que a maldita tinha desaparecido da face da terra. Não havia sinal dela e o desejo de vingança de Alicia foi diminuindo. Do que adiantaria matar Ruby agora? O estrago já estava feito. Sam estava pirado, o Apocalipse estava vindo. Alicia desistiu de lutar. O que ela faria agora era esperar. Pelo que, ela não sabia.
–Eu contei a vocês – ela falou, impaciente com Bobby – eles desistiram de lutar.
–Eu estava me perguntando – falou Bobby cuidadosamente — o apocalipse está chegando, será que é a melhor hora para termos esse pequeno drama domestico? Eu não gosto disso mais do que vocês gostam, mas Sam pode matar demônios. Ele tem uma chance de impedir o mundo de acabar...
–É isso que você quer, Bobby? – gritou Dean – sacrificar a vida de Sam, a alma de Sam, pelo bem maior? É isso que você está dizendo? Que as coisas estão tão feias, então vamos usar Sam como um homem bomba?
Alicia não disse nada. Apenas olhava para Bobby, perplexa.
–Eu sei que vocês me odeia por sugerir isso. Eu me odeio por sugerir isso. Eu amo esse garoto como um filho. Tudo que eu estou dizendo é que o único motivo por ele estar aqui agora e não no campo de batalha é porque nós o amamos demais.
Fez-se um silencio tenso.
–Allie, eu sei que você poderia estar lutando também – falou Bobby, no mesmo tom cuidadoso. Alicia andava bastante instável e a última coisa que ele queria era uma explosão – eu sei que você esteve lutando durante todo esse tempo, mesmo depois que os anjos desistiram. É pedir demais para que você não desista agora?
–Bobby, eu não vou deixar Sam – ela respondeu, encarando a porta que dava em direção ao quarto de pânico, de onde vinha os gritos dele – não mais. Nada importa mais para mim do que ele agora. Se ele chegou a esse ponto, é culpa minha também. Meu lugar é aqui. Nós não temos mais chance de salvar o mundo, eu já aceitei ainda. Mas eu preciso acreditar que ainda podemos salvar Sam. Eu posso sobreviver ao fim do mundo se ele estiver ao meu lado, mas não sem ele. Eu não vou mais lutar. Eu não vou fazer mais nada. Eu não ligo mais.
Do que adiantava salvar o mundo, se o motivo pelo qual Alicia queria continuar vivendo estava trancado no quarto de pânico, gritando e dominado por forças demoníacas?
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Sam abriu os olhos. Alicia estava sentada na beirada da cama.
–Oi, querido. – ela sorriu calorosamente – eu estou feliz que você acordou.
–Por que está aqui? – ela esticou a mão, acariciando delicadamente os cabelos de Sam. Ele suspirou com o toque dela. Queria mais.
–Porque está mais do que na hora de nós conversarmos. Escute, Sam. Como pode fazer isso com nós?
Os olhos dela se tornaram amarelos.
–Eu estive perdida desde o momento que eu nasci. Mas era para você ter me salvado. Por que você não me salvou, Sam? Por que você não me impediu de ir? Você deveria te me protegido. Você deveria ter me mantido ao seu lado. Você deveria ter cuidado de mim.
–Eu sei, Allie. Eu sinto muito.
–Sentir muito não adianta mais. Por que, Sam? Nós dois poderíamos ter sido felizes. Eu poderia ter ido para a faculdade também. Azazel nunca teria me machucado. Comigo, você poderia ter sua vida normal. Eu também poderia. Por que você me deixou ir, Sam? Por que não me salvou?
Sam fechou os olhos. Quando abriu, Alicia não estava mais lá.
–-
Dean passou horas berrando por Castiel. Começou com orações silenciosas e terminou gritando no quintal. Finalmente o anjo apareceu.
–Bem, já era hora.
–O que você quer? – respondeu Castiel, com sua nova postura distante.
–Você pode começar falando sobre que merda aconteceu em Illinois. E corte as mentiras. Você vai me dizer algumas coisas.
–Não é nada de importante.
–Você foi chamado de volta ao Céu e não é nada de importante?
–Dean, eu não posso. Eu sinto muito. Fale sobre a razão que você me chamou. É sobre, Sam, não é?
–Primeiro eu quero saber se Alicia é capaz de matar Lilith. Ela é poderosa o suficiente para isso? Porque eu estou disposto a pressioná-la a lutar se ela é capaz. Não posso deixa-la desistir.
–Lilith é o primeiro demônio. Alicia é jovem e não tem experiência. Ela poderia tentar, mas não sei dizer quem venceria. Tem coisas que são mais importantes que poder. Ela é poderosa, com certeza. É um poder que nunca antes existiu. Acho que ela ainda não tem noção da própria capacidade. Ela é instável emocionalmente. Ela não quer mais lutar. É uma combinação perigosa.
–O que você quer dizer com isso?
–Que Alicia poderia enfrentar Lilith e vencer. Mas isso seria sorte. E você precisa lembrar da profecia.
–O que tem a profecia?
–Alicia vem após o Apocalipse, não antes. Pode ser que mesmo que tentássemos, Alicia não conseguiria vencer Lilith porque ela não é a pessoa certa. E isso é uma profecia. Existem muitas profecias sobre o Apocalipse que precisam ser consideradas no resultado final.
–E Sam é a pessoa certa? Ele poderia deter Lilith?
–Sam pode matar Lilith. Mas ele teria que consumir uma quantidade de sangue que o mudaria para sempre. Muito provavelmente, ele se tornaria a próxima coisa que você gostaria de caçar. Não há razão para que isso aconteça. A pessoa que deve parar o apocalipse, que o Céu acredita que é a pessoa certa, é você Dean. Nós estamos perdendo sem você. Não podemos lutar sem você. Assuma seu papel.
–Se eu fizer, Sammy não vai precisar fazer?
–Se isso dá conforto a você.
–Cas, você tem sido um idiota ultimamente. Bom, eu estou dentro.
–Você doa a si mesmo para o sagrado serviço do Senhor e dos seus anjos?
–Exatamente.
–Diga isso.
–Eu dou a mim mesmo para o sagrado serviço do Senhor e dos seus anjos.
–Você jura que seguirá Sua vontade firme e forte?
–Sim, eu juro. E agora?
–Agora você espera e nós chamaremos você quando chegar a hora.
–-
Mary estava vestindo uma camisola branca.
–Sam, você parece horrível.
Sam riu.
–Vamos ouvir o que você tem a dizer. Vá em frente.
–O que você quer dizer?
–Você está desapontada. Você nunca pensou que eu acabaria assim. Eu sou um lixo de filho. Seu coração está partido. É mais ou menos isso?
–Não. Você está fazendo a coisa certa, Sam. O que você está fazendo é corajoso. Você não está sendo louco, você está sendo prático. Sam, eu tenho tanto orgulho de você. Seu irmão e as outras pessoas não entendem você. Eu fui criada como caçadora por uma longa linhagem. Eu entendo que haverá escolhas difíceis. E nós fazemos o que temos que fazer para ter o serviço feito. Sim, nossa família é amaldiçoada. Mas você, você transforma o poder num dom. Você pode usar contra eles.
–Para vingança?
–Não, para justiça.
–O que tem em mim, mamãe, é... Maligno. E se for mais forte que eu? E se todos estão certos?
–Dean nunca saberá o quanto forte você é, porque Dean é fraco. Veja o que ele fez com você. Trancar você aqui? Ele está apavorado. Você tem que seguir em frente sem ele. Você faz o que tem que fazer. Você tem que matar Lilith.
–Mesmo que me mate.
–Faça minha morte significar alguma coisa. Eu conto com você, Sam. Não deixe ninguém ou nada entrar em seu caminho.
Mary desapareceu. Sam abriu os olhos.
–-
–Corrija-me se eu estiver errado – dizia Bobby – mas você aceitou ser a vadia dos anjos? Depois de tudo que você disse, você confia neles agora?
–Vamos lá, Bobby, me de um pouco de credito. Eu nunca confiei neles, muito menos agora. Que outra opção eu tenho? Ou eu confio nos anjos ou eu deixo Sammy confiar em um demônio.
–Calem a boca, vocês dois. – falou Alicia bruscamente. Ela tinha acabado de perceber algo. – vocês estão discutindo há mesma coisa a horas. Ouçam isso. Ou melhor, não ouçam. Não perceberam que tudo ficou quieto de repente? Não está faltando alguma coisa?
Eles pararam. Os gritos de Sam tinham parado. Alicia saltou do sofá e saiu correndo para o porão. Dean e Bobby a seguiram. Ela abriu a janela da porta. Sam estava deitando no chão, se debatendo, como numa convulsão.
Alicia fez menção de abrir a porta, mas Dean segurou a mão dela.
–E se ele estiver fingindo?
–Você acha que ele faria isso?
–Eu acho que ele faria qualquer coisa.
Sam foi empurrado contra a parede por uma força invisível.
–Ele não teria como fingir isso – falou Bobby, abrindo a porta.
–-
Dean estava lá. Sam percebeu que estava algemado a parede.
–Nós tivemos que fazer isso – disse Dean– o sangue de demônio estava fazendo você se jogar por todo o quarto. Você lembra disso?
Sam lembrava da dor e de gritar até sua garganta parecer estar rasgando. Lembrava do desespero, do medo, de Alicia. E de sua mãe.
–Sam – continuou Dean – por que você fez isso consigo mesmo?
–Você sabe por quê. – porque ele achou que era o certo. Porque ele queria ajudar as pessoas. Porque ele acreditou que era o melhor.
–Para matar Lilith? Para conseguir o que, vingança pela minha morte? Se você não percebeu eu estou de volta e muito bem. Então qual é o motivo? Para o apocalipse? Essa é a minha missão, não sua. Os anjos me escolheram.
–-
–Eu vou perguntar mais uma vez. – falou Bobby, depois que eles amarram Sam. Voltaram para a sala, deixando Sam inconsciente lá embaixo – vocês estão certos em fazer isso?
–Bobby, você viu o que estava acontecendo com lá embaixo. O sangue de demônio estava o matando – disse Dean.
–Não, não está. –respondeu Alicia. Ela estava muito pálida e com uma expressão apavorada. – nós estamos o matando. Eu não vou negar mais, Dean. Isso que estamos fazendo, não está funcionando. Se ele não ter o que ele precisa, ele não vai durar muito mais.
–Não. Eu não vou dar sangue de demônio a ele. Eu não vou.
–E se ele morrer? – perguntou Alicia.
–Pelo menos ele morre humano! – gritou Dean. – eu morreria por ele num instante, mas eu não vou deixar ele fazer isso com ele mesmo. Eu não posso. Eu acho que achei minha missão de vida. Eu não vou deixar meu irmão se transformar num monstro.
–-
–Eu sei por que você tomou aquele sangue – dizia Dean para Sam – fazia você se sentir forte, invencível. Um lobo mal num mundo de porquinhos.
–Você está errado, Dean – respondia Sam. Ele se sentia muito fraco. Parecia que tudo dentro dele estava congelando.
–É mais do que isso, não é? É porque em toda sua vida, você se sentiu diferente, não é? Eu estou chegando perto, não estou? Não diferente porque você era solitário ou tinha uma família esquisita.
–Pare – implorou Sam. Parecia que seu sangue congelava em suas veias e o frio o queimava.
–Porque você é um monstro – afirmou Dean, cuspindo as palavras com ódio e nojo.
–Cale a boca! Apenas cale a boca! – gritou Sam, caindo no chão. As correntes que o prendiam machucaram seus pulsos.
–Monstro, Sam. Você é um monstro.
–Dean, não. – Sam implorou. Aquilo doía mais do que toda a dor que já tinha sentido. Lagrimas encheram seus olhos. Podia suportar qualquer coisa, menos aquilo. Alguém abriu a porta e Alicia entrou.
–E eu tentei tanto fingir que erámos irmãos. Que você não era uma das coisas nojentas que caçamos. Mas não somos nem da mesma espécie. Você não é nada para mim.
Alicia parou ao lado de Dean, olhando para Sam no chão com desprezo.
–Você é nojento Sam. Sugando sangue como um animal... Só um monstro como você para descer tão baixo assim.
–Não diga isso para mim. Não vocês. Não vocês.
O quarto estava vazio.
–Olá? Alguém por aqui? – ele falou, confuso.
A porta estava aberta.
–-
Algum tempo depois, Alicia desceu para verificar Sam. E encontrou a porta aberta e Sam não estava mais lá.
–Como Inferno ele saiu? – perguntou Dean.
–Talvez ele teve ajuda. – respondeu Bobby.
–Ruby? – falou Alicia – mas o quarto de pânico está cheio de armadilhas do diabo. Eu nem ao menos posso entrar dentro dele.
–Vocês não acham que ela conseguiria um jeito? – observou Bobby. – como ele saiu não é tão importante quanto para onde ele foi.
–Bom, eu espero que ele esteja com Ruby – falou Alicia – porque mata-la ainda é a próxima tarefa da minha lista. Agora que ela está com Sam, será mais fácil de localiza-los.
–Dean está esperando ser chamado para o dever dele com os anjos.
–Eu estou esperando. No meu carro, a caminho de matar aquela vadia.
–Sam não quer ser achado, o que vai ser quase impossível de fazer então. – falou Bobby.
–Veremos – disse Dean.
Foi então que Alicia simplesmente desapareceu no ar.
–-
Alicia piscou e quando abriu os olhos, tinha mudado de lugar. O que tinha acontecido? Tinha sido atraída por uma força, algo chamando ela. O lugar cheirava a ervas queimadas. Ela estava parada no meio de uma armadilha do diabo, mas não uma convencional. Uma feita com Guardiões. Em volta, havia chamas vermelhas cor de sangue e vários potinhos de argila com restos de animais e plantas. Nas paredes, havia desenhos em enoquiano, feito com sangue.
Alicia não tinha ideia de onde estava, mas uma coisa era certa. O impossível tinha acontecido: ela tinha sido capturada.
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