Notas iniciais
Olá! Queria dedicar o capítulo para a Hunter Pri Rosen, que fez uma recomendação linda! Obrigada, querida! Espero que gostem. Penúltimo capítulo. Fim de semana que vem eu posto o último, junto com alguma coisinha sobre a quinta temporada. Ai vai ter uma pausa de não sei quanto tempo porque eu quero adiantar alguns capítulos. Boa leitura!

Me acolha

Estou sangrando há muito tempo

Bem aqui, agora mesmo

Vou parar isso de alguma maneira

Eu farei isso ir embora

Não pode mais continuar assim

Parece que esse é o único jeito

Ou logo estarei acabado

Esses sentimentos irão embora!

Agora eu percebo que os tempos mudaram,

Partir não parece tão estranho

Espero um dia poder encontrar

Onde deixar minha dor para trás

Toda essa merda que eu pareço suportar

Sozinho eu pareço quebrar

Eu tenho vivido o melhor que eu posso

Isso não faz de mim um homem?

Korn

Alicia foi deixada ali por algum tempo, ela não soube exatamente quanto. Cansada de ficar de pé, simplesmente se sentou entre as chamas, as pernas cruzadas. Ela podia pensar em muita gente que gostaria de prendê-la. Mas ela tinha uma forte suspeita, considerado que Sam também tinha desaparecido. O que ela não entendia é como tinha sido capturada tão facilmente. Não entendia como tinha chegado até ali. Ela se sentia um pouco nervosa, o coração acelerado. Sabia que estava vulnerável.

As luzes foram acesas e ela pode ver melhor onde estava: parecia no subsolo, uma garagem vazia. Passos ecoaram. Alicia se levantou.

Para ver Ruby, sorridente, andando até ela.

–Eu achei engraçado que você passou meses me perseguindo sem nunca conseguir me pegar. E eu consegui te pegar tão, tão fácil. – sorriu a demônio.

–O que você fez com Sam? Como ele escapou? – jogou direito a pergunta. Como ela odiava Ruby. Tudo que havia de ruim no mundo estava concentrado nela. Como alguém podia ser tão desprezível? E como Sam não podia ver isso?

Ruby pareceu surpresa e isso não passou despercebido para Alicia. Será que era possível que Ruby não soubesse de nada? Não, concluiu Alicia. Ela era apenas dissimulada mesmo. É claro que ela era culpada do sumiço de Sam. Ela era culpada de toda merda que tinha acontecido até ali com Sam.

–Então – continuou Alicia, fingindo tédio. Ela sabia que estava com sérios problemas e não tinha ideia de como se livraria daquilo, mas não ia ceder fácil. Não ia demostrar medo ou fraqueza. Morreria mostrando que era melhor que aquela vadia – agora é a parte em que você conta vantagem de como me pegou? Estou louca para ouvir.

–Como alguém tão poderosa como você pode ser tão ingênua? Nunca te ensinaram a nunca atender quando te invocam? Eu não fiz isso antes porque eu achava que você nunca cairia nessa. E eu não tinha ideia de como invocar uma criatura como você, ou como prende-la; então resolvi combinar, anjo e demônio. Demorou um tempo para dar certo.

Alicia realmente tinha sido pega desprevenida. Era possível, com os rituais certos, invocar qualquer tipo de criatura. Mas nem sempre elas apareciam. Agora ela tinha descoberto por que: se elas não quisessem responder a invocação, existia um jeito de resistir.

Alicia nunca imaginou que ela seria invocada, muito menos ainda tinha parado para pensar em como resistir a invocação.

–Você tem sido um pé no meu saco há meses – continuou Ruby – o que me deixa louca é que Sam realmente ama você, não importa quantas vezes você pise em cima dele, toda vez ele ainda vai correr para você como um cachorrinho. Você sabe o quanto é irritante ter que ouvir ele falar de você o tempo todo? Mas mesmo assim, ele ainda traiu você. Comigo. Eu sou realmente boa...

Alicia revirou os olhos. Não ia cair naquele clássico papo de demônio. Sabia que Ruby falava aquilo só para magoa-la. Não ia demonstrar que estava magoada, de forma alguma.

–Você pode, por favor, me poupar disso? O que você vai fazer? Me matar?

–É, é exatamente isso que eu vou fazer – ela sorriu malignamente. Ela estalou os dedos e Alicia sentiu uma força invisível derruba-la no chão, bem no centro do ciclo, braços e pernas abertas. Exposta. Vulnerável.

Mas ela não iria demonstrar fraqueza em frente a Ruby. Ia morrer lutando. Se é que Ruby conseguiria mata-la.

–Ah, não se preocupe – falou a bruxa, rindo – eu sei exatamente como mata-la. O único ritual que funciona. E não farei errado, como certo padre fez. Os cortes não são fundos, sangrar não adianta. É só um desenho e a magia faz o trabalho. É, exatamente, Allie. Enquanto você estava me caçando, eu estava conhecendo meu inimigo. Eu sei tudo sobre você. E agora, você não pode vencer. Eu criei essa armadilha em qual você está presa especialmente para você. Porque além de um demônio muito esperta, eu sou também uma bruxa incrível. Eu sou maravilhosa.

–Você realmente tem um auto-estima boa, hein? – falou Alicia, entre os dentes. Se ela conseguisse sair dali, ela ainda não sabia o que faria com Ruby, mas ia doer. Maldita demônio. E maldito Sam, por ter colado essa diaba na vida deles para começo de conversa. Alicia e Dean deviam ter acabado com ela quando tiveram a oportunidade.

–E você é realmente estupida, falando comigo desse jeito e fingindo que não vai morrer. Porque você vai. E eu vou buscar Sam, ele vai me ouvir, porque é isso que ele faz. Ele me ouve, ele segue o que eu digo. E Lúcifer vai andar livre pela Terra. Será maravilhoso. Pena que você não estará aqui para ver. Para alguém tão poderoso, tão especial, tão importante na história do mundo, até que eu acabei com você rapidinho. Porque você é uma farsa. Deixou as lendas subirem na sua cabeça e agora se acha muito importante. Sabe quem você me lembra? Asmodeus. Vocês dois são igualzinhos.

Ruby sabia como atingi-la. Alicia sabia disso. Sabia que ela estava atacando justamente no que mais machucaria ela. Mas ela não ia demostrar nada. Não ia dar esse gostinho para Ruby.

Ruby atravessou as chamas vermelhas como se não houvesse nada. Ela carregava uma faca enorme, cinza fosco, com diversos Guardiões desenhados em toda sua lamina e cabo, que era de uma pedra azul marinho.

–Agora fiquei quietinha. Eu prometo que não vai doer... Muito. Por enquanto. Porque vai ficar cada vez mais doloroso com o tempo. Allie, a rainha, acaba aqui, lenta e dolorosamente.

Ela levantou a blusa de Alicia. O rosto e o corpo dela estava coberto de suor por causa das chamas. Não doeu quando ela começou a desenhar no abdômen dela com a faca, os cortes não eram profundos.

Era esse o fim então. Ruby terminou rapidamente os desenhos e depois foi embora. Aparentemente, aquela armadilha do diabo não a prendia. O cheiro das ervas queimadas incomodavam o nariz de Alicia. Ela podia sentir o seu sangue escorrendo, quente. Ardia de leve. Fechou os olhos, sabia que estava perdendo a consciência. Pensou em Sam. Então era assim que tudo acabava. Pelo menos ela não precisava mais viver com a angústia.

Não seria tão rápido, ela sabia.

Mas quem poderia salvá-la?

Só esperava que Dean conseguisse impedir Ruby de chegar até Sam. Dean tinha que salvar Sam.

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11 de maio, manhã, Cold Springs, Minnesota, hotel.

Ruby abriu a porta. Ela nem precisou procurar por Sam: ele tinha procurado por ela.

Excelente.

–Bom hotel, suíte de lua-de-mel? Estou lisonjeada. – ela disse, assim que entrou no quarto.

–Você me tirou daquele quarto? – perguntou Sam. Bem, isso ela não gostava nele. Sempre tão focado em trabalho.

–Como eu poderia, Sam? A coisa toda é construída para me prender.

–Então como eu sai de lá?

–Eu não sei. Eu não quero saber. Você está fora, é isso que importa. Eu estou feliz que você esteja aqui.

–É? Onde você esteve nos últimos tempos, Ruby? Você me deixou sozinho para lidar com toda essa merda. Sem mensagens, sem telefonemas. – acusou Sam, quase gritando. Durante um longo tempo, Sam esteve com medo do que estava acontecendo com ele e a única pessoa que poderia ter dado respostas era Ruby.

–Talvez você não saiba, mas sua namora andou me caçando. Achei que era prudente eu me esconder.

–Alicia não é minha namorada. – resmungou Sam, virando-se de costas para Ruby.

–Eu sinto muito, Sam. – ela se aproximou, colocando a mão no ombro dele. — Eu nunca pensaria que Dean faria isso com você.

–Eu também não. – disse Sam em voz baixa. Nem teve certeza que Ruby ouviu.

–Você não pegou esse quarto apenas para me impressionar, não foi? – Ruby caiu em si do que realmente estava acontecendo ali.

–Dean vai vir me procurar. – respondeu Sam, virando-se para ela novamente — Ele sabe meus hábitos, meus nomes falsos, tudo. Ele sabe exatamente o tipo de motel que eu procuraria. Vou fazer qualquer coisa para confundi-lo.

–Não vai ser fácil. Quero dizer. Ele te conhece melhor do que ninguém.

–Não tão bem quanto ele pensa.

–Sabe, é triste. Ver o quanto as coisas ficaram ruins entre vocês. – ela se aproximou, acariciando os cabelos dele. Sam a empurrou na cama, procurando por uma faca. Ele cortou o braço dela.

Finalmente.

Ruby sorriu. Era ótimo o quanto tudo estava dando certo.

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Enquanto isso, Dean e Bobby tentavam localizar Sam. Dean não tinha ideia do que tinha acontecido com Alicia. Não conseguiam contato. Tudo o que podiam esperar é que ela tivesse um plano.

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Algum tempo depois.

Sam e Ruby estavam na cama, agora com menos roupas do que antes.

–Seu apetite aumentou muito – comentou Ruby.

–O que isso quer dizer? – perguntou Sam, já na defensiva.

–Sam, relaxe. Está tudo bem. Significa que você está ficando mais forte. Que você está forte o suficiente para matar Lilith. Porque há apenas um selo faltando. E eu descobri uma coisa importante. O selo 66 não pode ser quebrado por qualquer demônio. Aparentemente, apenas a primeira de Lucifer pode fazer isso, ou seja, Lilith. Se você mata-la, Lucifer nunca sairá da sua prisão. Eu não estive apenas me escondendo, Sam. Eu acho que posso achar Lilith.

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Sam e Ruby se uniram para capturar um demônio que estava possuindo enfermeiras há alguns meses, por todo o país. Isso acontecia porque Lilith gostava de se alimentar de bebes recém nascidos e esse demônio era responsável por roubar esses bebês.

–Ela vai nos dar a informação. É do ciclo intimo de Lilith – disse Ruby, enquanto observavam ela entrar no hospital – e se você quiser estar forte para matar Lilith, vai precisar mais do que eu posso dar.

Sam engoliu em seco.

–Vamos lá, Sam. Está tudo bem.

–Eu sei que vou precisa de mais. Eu sei que está OK. Eu queria que eles confiassem em mim, sabe? Quando tudo isso acabar, eu espero que possamos consertar as coisas.

Se eu sobreviver, pensou Sam. Se ele queria fazer isso, brigar com Dean, Alicia e Bobby, sua própria família? Mas ele não tinha escolha. Ele era o único que poderia deter Lilith e parar com o apocalipse e eles não entendiam isso. Tinham medo demais. Sam sabia que o sangue de demônio era algo maligno, sabia que no fim ele se transformaria de vez no monstro que sempre foi. Mas ele estava fazendo isso para impedir o apocalipse. O que era a vida dele em frente a vida de bilhões de pessoas?

Nada, não era nada.

–-

Quando Sam e Ruby voltaram para o quarto de motel após localizarem a enfermeira, encontraram Dean parado lá dentro. Bobby tinha alertado Dean para não afastar mais Sam e sim aproxima-lo. Mas ver Ruby ali fez Dean fervilhar de raiva. Imediatamente, Sam empurrou Ruby para que saísse. Sabia que a presença dela ali só irritaria Dean e ele queria resolver as coisas com o irmão.

–Bom – falou Dean, mais agressivo que devia – deve ser uma maravilhosa festa essa a de vocês dois, considerando o quanto você tentou me manter longe. Mas, infelizmente, aqui eu estou.

–Dean, eu estou feliz que você esteja aqui – disse Sam, sinceramente. Ele queria ter a sua família ao seu lado. Queria que Alicia estivesse ali. Onde ela estaria? – vamos apenas conversar sobre isso.

–Assim que Ruby estiver morta, podemos falar sobre tudo o que você quiser. – falou Dean. – ela é um veneno, Sam.

–Dean, isso não é o que você pensa.

–Veja ela o que fez a você – implorou Dean – ela desaparece. Alicia mesmo diz que você quis parar, você ficou um lixo por semanas.

–Ela estava fugindo de Alicia. Alicia estava caçando Ruby.

–Você pode culpar a Allie? Ela estava fazendo a coisa certa. Essa vadia está te manipulando.

–Você está errado, Dean. – falou Sam, com firmeza. Ele teve inúmeras provas de que Ruby estava do lado dele. Confiar em Ruby era a escolha dele. Dean não via as coisas como ele via, para ele era tudo preto no branco.

–Sam, você está mentindo para si mesmo. Eu só quero que você fique bem. Você faria o mesmo por mim. – disse Dean, mais gentilmente.

–Apenas me ouça – pediu Sam, cansado. Por que Dean tinha que ser tão teimoso e tentar protege-lo quando ele não queria ser protegido? Era um sacrifício. Mas Sam sentia que era a obrigação dele. Ele tinha o poder de evitar a morte de bilhões de pessoas e tudo bem, isso poderia trazer consequências ruins para ele. Ele conseguia lidar com isso. Mas Dean não. – nós temos uma pista num demônio que é próximo de Lilith. Venha com a gente, Dean. Podemos fazer isso junto. Onde está a Alicia? Ela devia vir junto também.

–Alicia está ocupada – desconversou Dean. A última coisa que ele queria era Sam pirado porque Alicia tinha desaparecido sem explicações, de novo. – se livre da vadia, somos eu e você. Seria ótimo.

–Eu não posso, Dean, eu preciso da ajuda dela para matar a Lilith. Eu sou o único quem pode fazer isso.

–Não. Você não é quem vai fazer isso.

–Eu esqueci – falou Sam, sentindo raiva ao se lembrar das coisas que Dean disse a ele enquanto ele estava no quarto de pânico. Ele estava tentando tão fortemente não se lembrar do desprezo que Dean e Alicia sentiam por ele, tentando consertar as coisas, mas era tão difícil! – os anjos pensam que é você.

–Você não acha que eu consigo?

–Não, você não consegue. Você não é forte o bastante. Nem Alicia é. Ela nem ao menos tenta, já reparou? Ela conhece o lugar dela.

–Alicia poderia. – teimou Dean, sentindo muita raiva do comportamento arrogante de Sam. Era obvio que ele estava doidão com o sangue, mas Dean não tinha mais paciência para toda aquela grosseria – mas não é ela a pessoa escolhida para isso. Quem inferno é você?

–Eu estou sendo prático aqui, estou fazendo o que precisa ser feito– falou Sam, se agarrando as coisas que a mãe dele tinha dito. Isso não fazia muito sentido. Ele não sabia o que era realidade e o que não era. Mas era prático: precisavam matar Lilith. Ele tinha que se arriscar para fazer isso. Ele o faria. Estava tudo bem, pagaria o preço. Por que Dean tentava impedir?

–Você não vai fazer merda nenhuma.

–Pare de mandar em mim, Dean – Sam não queria mais ouvir. Estava cansado de Dean. Não era obrigado a aguentar tudo aquilo. – minha vida toda, você tomou a direção, você deu as ordens e eu confiei em você porque você é meu irmão. Agora eu estou pedindo para você, pelo menos uma vez, confiar em mim.

–Não, você não sabe o que está fazendo.

–Sim, eu sei. – falou Sam, quase sem paciência para explicar de novo o que era tão claro. Sam sentia o poder do sangue correndo por suas veias, tornando o forte, tornando-o capaz de enfrentar tudo. Ele podia. Ele faria. Porque era a coisa certa.

–Então é pior ainda – Dean estava novamente com aquele olhar de desprezo.

–Por quê? – falou Sam, exasperado. Se ao menos Dean pudesse entender...

–Porque então não é algo que você está fazendo, é algo que você é.

–O que? – falou Sam. – diga.

Diga o que você já disse antes. Diga o que você tem tanta certeza, de que eu sou um monstro e isso termina de me partir em pedaços. Por que você não pode apenas confiar em mim? Me dar uma chance de fazer a coisa certa?

–Então significa que você é um monstro.

Uma lagrima escorreu pelo rosto de Dean, mas Sam nem reparou, porque o socou. Enquanto estava no quarto de pânico não podia reagir, mas agora ele podia. Estava cansado de ser tratado como um esquisito, um monstro a vida toda. E se era isso que todos pensavam dele, então ele agiria como um.

Ele era mais forte que Dean. Era melhor que Dean.

–Você não me conhece – dizia Sam, enquanto batia no irmão – você nunca me conheceu. E nem vai me conhecer.

Porque Dean o resumia a um monstro. Mas ele era muito mais que isso, não era? Nem que morresse tentando matar Lilith, provaria que era melhor do que Dean pensava. Morreria fazendo algo bom para o mundo.

Sam largou Dean, pronto para ir embora.

–Se você passar por aquela porta, não volte nunca mais – falou Dean, do chão.

Sam parou na porta. Da mesma forma que John o rejeitou, agora Dean também o rejeitava. O que tinha de tão ruim nele que ninguém o queria? Ninguém o entendia, o aceitava. Em nenhum lugar ele se encaixava. Ninguém confiava nele. Um monstro, era isso que ele sempre tinha sido. Lutou para fugir disso a vida toda e nunca conseguiu.

Sam estava completamente quebrado. Mas sabia que tinha que ser forte o suficiente para fazer a coisa certa e deter Lilith e o Apocalipse.

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Alicia estava entre em algum lugar entre a consciência e a falta dela. Podia sentir a poça de sangue, agora gelado e gosmento, em torno dela. Seus dedos formigavam. Parecia que alguma coisa martelava sua cabeça. Havia manchas pretas em sua visão. Começou a sentir alguma coisa subindo no seu corpo.

Aranhas. Milhares delas. Subindo nela.

Alicia tentou se acalmar, pensando que aquilo era uma alucinação. Começou a gritar mesmo assim. Ela estava morrendo.

Ninguém ia aparecer para salvá-la.

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12 de maio de 2009, manhã cedo. Casa de fazenda abandonada.

Sam e Ruby estacionaram um velho carro roubado em frente a uma fazenda que Ruby tinha encontrado. Um lugar isolado, ideal para o que eles iam fazer: tortura.

Ruby abriu a porta do carro, determinada, mas Sam não se mexeu.

–Sam? Sua cabeça está aqui?

–Eu estou bem. Vamos.

–Você está ok?

–Eu acabei de dizer que eu estou.

Ele não podia parar de pensar em Dean e Alicia. Ele nunca mais os veria. E nem teve a chance de se despedir adequadamente. De pedir desculpas por todos os erros que cometeu, por todas as mentiras que contou, por não ser bom o suficiente para nenhum dos dois.

–Eu não sou boa nessas coisas, mas Dean estava errado dizendo o que ele disse para você.

–Não, ele estava certo. Eu quero dizer, eu não o culpo por isso depois do que eu fiz.

–Bom, depois que terminarmos, vocês vão arrumar as coisas. Vocês sempre se entendem.

–Você fala como se houvesse um depois para mim.

–Não diga isso.

–Eu posso sentir, Ruby. Eu mudei... De vez. E não tem como voltar atrás.

Sam sabia muito bem que ele tinha se transformado nos últimos meses e agora, depois do todo sangue que estava tomando, que ele não era mais ele mesmo. Ele tinha feito sua escolha, afinal de contas. Perder a si mesmo para deter o Apocalipse. Ele não era tão importante assim. Era uma questão de prioridades, de ser prático.

–Sam... – dizia Ruby. Ela o olhava intensamente, mas Sam mal conseguia vê-la. Ele queria ver Alicia pela última vez, garantir que ela entendesse os motivos dele, mesmo que nunca o perdoasse. Gostaria que ela soubesse o quanto ele sentia muito por não ter se esforçado o suficiente.

–Olha, eu sei o que tenho que fazer. Eu estou dizendo, eles estão melhor longe de mim. Não importa, apenas vamos fazer isso.

–-

12 de maio de 2009, manhã, casa de Bobby.

–Dean? Dean! Seu idjit, você ouviu uma palavra do que eu disse?

–Sim, eu ouvi você. Eu não vou ligar para ele. – disse Dean e em seguida mudou de assunto — Você conseguiu falar com Alicia? Eu odeio quando ela faz isso. Por que ela continua fazendo esse tipo de coisa? Espero que ela reapareça com um plano.

–Ligue para o Sam. Não me faça pegar minha arma.

–Nós estamos a poucos segundos do fim do mundo, não acha que temos problemas maiores no momento?

–Eu sei que você está furioso. E eu não estou dando desculpas pelo que ele fez, mas ele é seu...

–Sangue? Ele é meu sangue? Era isso que você ia dizer?

–Ele é seu irmão. E está se afogando.

–Bobby, eu tentei ajuda-lo, eu tentei, e olha o que aconteceu.

–Então tente de novo.

–É tarde demais.

–Não, droga! Eu tenho que encarar os fatos. Sam nunca quis fazer parte dessa família. Ele odiou essa vida enquanto crescíamos. Fugiu para Stanford na primeira chance que teve. É a mesma história de novo. Bom, eu estou cansado de ficar correndo atrás dele. Foda-se, ele pode fazer o que quiser.

–Você não quis dizer isso.

–Sim, eu quis, Bobby. Sam se foi. Ele se foi. E eu nem tenho certeza se ele é ainda meu irmão, se é que um dia foi.

Bobby bufou, e dando um soco na mesa, empurrou todos os livros e papeis para o chão, fazendo um forte estrondo. Dean recuou, assustado. Bobby começou a gritar.

–Seu estupido, estupido filho de uma puta! Bom, eu sinto muito que seus sentimentos estejam machucados, princesa! Você acha que família é para você se sentir bem? Fazer para você uma torta de maçã, talvez? Eles devem fazer você se sentir miserável! É por isso que eles são família.

–Eu disse a ele que se ele fosse embora, não era para voltar. E ele foi embora do mesmo jeito. Foi a escolha dele!

–Você soa como um mimizento. Pior, você soa como seu pai. Bom, deixa eu te contar uma coisa. Seu pai era um covarde.

Dean ficou surpreso.

–Meu pai era um monte de coisas, Bobby, mas covarde?

–Ele preferia afastar Sam, que era apenas um garoto, enquanto seu pai era adulto, a aproximá-lo! Para mim, isso não parece corajoso. Você é um homem melhor do que seu pai jamais foi. Então faça para nós dois um favor, não seja como ele.

Dean fez menção de pegar o celular.

E então ele foi transportado para uma sala, cor creme e dourada, decorada com quadros de anjos.

–Olá, Dean. – disse Castiel – está quase na hora.

Em cima da mesa de madeira, havia um balde cheio de gelo e muitas cervejas e um prato cheio de hambúrgueres. Dean pegou uma garrafa de cerveja.

–Olá, Dean – Zachariah anunciou sua presença – você parece acomodado.

–Olha só. The Suite Life of Zach and Cas.* – falou Dean, parodiando o seriado. – enfim… Onde inferno eu estou?

–Nós chamamos isso de Quarto Verde – falou um sorridente Zachariah – estamos nos aproximando do grande final. Queremos que você fique seguro. Coma um hambúrguer. É seu favorito, daquele restaurante perto do mar em Delaware. Você foi lá com 11 anos.

–Eu não estou com fome. – respondeu Dean. Não estava disposto a aceitar nada dos anjos, não gostava da maneira que eles trabalhavam. – vamos nos manter ao plano, certo?

–Não se preocupe com o plano. Queremos que você fique focado, relaxado...

–Bom, eu estou irritado e querendo ir embora, então é melhor você começar a falar.

Zachariah fez uma expressão de quem gostaria muito de bater em Dean.

–Todos os selos quebraram, exceto por um. O último selo é diferente. Apenas Lilith pode quebra-lo. E será amanhã, a meia noite. Nós ainda estamos tentando descobrir onde.

–Vocês são realmente um sucesso, não?

–Poupe-me do sarcasmo, considerando que foi você quem começou tudo isso.

–E como exatamente eu irei detê-la?

–Tudo na hora certa.

–Agora não é a hora certa?

–Tenha fé, Dean.

–Em que, em você? Me de uma razão pela qual eu deveria ter fé em você.

–Porque você jurou obediência – Zachariah foi extremante grosso – então, obedeça.

–-

Dean não tinha ideia de quantas horas se passaram, então pegou o celular. Ele iria ligar para Sam. Se aquele era o fim do mundo, ele não morreria sem resolver as coisas com o irmão. Isso era família.

Sem notícias de Alicia. Esperava que ela já tivesse entrado em contato com Bobby. O que Inferno ela estava fazendo?

Sam não atendeu o celular, por isso Dean deixou recado.

–Sam, eu vou ir direto ao ponto... Eu ainda estou puto da vida... E eu devo a você uma surra. Mas eu não devia ter dito o que eu disse. Você sabe, eu não sou o pai. Nós somos irmãos. Você sabe, nós somos família. E, não importa o quanto ruim fique, isso não muda. Sammy, eu sinto muito.

Notas finais
então... Alicia chegará viva ao final? ou será que acabou para ela? a Hunter Pri Rosen acertou que era a Ruby quem tinha sequestrado a Allie. comentem. vcs gostaram? até semana que vem :D Baseado em 4x21 – When The Levee Breaks e 4x22 – Lucifer Rising