Things We Lost in The Fire
19 4x19 - Save Sammy
Notas iniciais
Eu sei como você age
Só virá perto quando você souber que eu preciso disso
Corta meu coração e me deixa em pedaços
Mas você é a única que desperta o demônio
Você coloca o demônio para fora
Como pílulas, você pega uma parte de mim
Uma pancada só me faz querer mais
Até nos estarmos em um quarto de motel
Trancados atrás de portas fechadas
Three Days Grace
Onde seria longe o suficiente da dor? Quanto mais ela podia fugir até a dor finalmente parar?
Alicia despertou banhada em suor, vinda de um sonho em que Sam pingava sangue. Era seu pesadelo frequente desde a confissão que ele tinha feito. Sam, de olhos negros e reinando sobre as chamas.
As batidas não eram do seu sonho, vinham da porta. Alguém socava a porta do motel em que ela estava, gritando palavras em uma língua estranha.
Claro, Alicia estava em Hong Kong. E ainda não era longe o suficiente de Sam.
Ela se levantou. Uma breve olhada no espelho rachado próximo a porta revelou que a noite passada – do qual ela não se lembrava – provavelmente tinha sido difícil. Havia delineador preto em seu nariz e o batom vermelho estava borrado. Os cabelos estavam uma confusão de cachos embaraçados. Alicia também não se lembrava de ter uma calça de moletom cinza que usava. E ela estava só de sutiã.
Isso não era bom. Nada bom.
A camareira queria o dinheiro pelo quarto. Alicia pagou. Bem, pelo menos ela não tinha sido roubada. Em cima da cômoda, encontrou a caixa de calmantes. Bem, isso explicava porque ela não se lembrava de nada. O gosto em sua boca indicava que ela tinha bebido também – ela sabia que precisava de quantidades absurdas de álcool em geral misturados com outras coisas para conseguir algum efeito.
Também não era boa a mensagem de um cara chamado Thomas no seu celular, dizendo que teve que sair porque foi trabalhar. O cara a chamava de Deborah, ou seja, além de tudo, ela tinha dado um nome falso. As coisas estavam melhorando: agora ela já sabia mais do que sabia quando acordou.
Das coisas que eu nunca quis pensar é no que eu faria se eu fosse traída. Porque a única pessoa com que eu teria um relacionamento seria Sam. E Sam nunca me traria. E eu nunca teria que me preocupar com isso.
Mas agora eu tenho. Mas não por muito tempo. O fim está próximo.
Não terei paz.
Sam reinará sobre os demônios.
E eu estarei lutando contra ele.
Alicia preferia estar morta. O Inferno seria melhor do que aquilo.
–-
Sam sabia que tinha prometido a ela que iria parar.
Ele mostraria a Alicia que ele ainda tinha salvação.
Mas ele não dormia mais. Não conseguia mais comer direito. Não conseguia mais raciocinar.
Só pensava em uma coisa.
Temia e esperava pelos momentos que enfrentavam demônios. Ficava aliviado por não ter cedido e depois arrependido quando a vontade ficava mais intensa. Estava perdendo a precisão dos movimentos: nos últimos dias, tinha começado a tremer.
Mas tinha prometido para Alicia. Alicia prometeu ajuda-lo. Ela iria dar um jeito naquilo.
Era uma sede que nunca era saciada. Uma fome que nunca parava. Uma ânsia que nunca era aliviada. Era uma dor constante e irritante.
Ele estava ficando louco, sabia.
Mas tinha prometido para Alicia.
Não iria ceder, não iria decepciona-la.
Ela precisava achar uma solução e rápido. Ele iria enlouquecer.
Não vou ligar para Ruby, não vou ligar para Ruby. Eu posso resistir. Eu tenho que resistir.
–-
É claro que Alicia estava tentando saber mais sobre sangue de demônio. Mas era um assunto que era difícil as pessoas falarem. Era um tema proscrito, um tabu. Todos se recusavam a falar. E quando falavam, o que diziam não era nada bom.
No que o idiota do Sam tinha se metido? Era o fim.
–-
3 de maio de 2009.
Dean estava pescando tranquilamente a beira de um lago.
Castiel apareceu.
–Nós precisamos conversar.
–Eu estou dormindo, não estou?
–Não é seguro aqui. Precisamos ir em algum lugar mais privado.
–Mais privado? Você está dentro da minha cabeça.
–Exatamente. Alguém pode estar ouvindo.
–Cas, o que está errado?
–Me encontre aqui – respondeu Castiel, colocando um papel na mão de Dean. – vá, agora!
–-
As coordenadas davam para uma floresta em Illinois. Aliais, o local era muito próximo de onde Dean tinha voltado da morte. A cabana era de dois cômodos: uma sala e cozinha ampla, e nos fundos, um quarto. Assim que entraram, perceberam que houve luta ali. Estava tudo destruído e em uma das paredes, havia pintado em sangue fresco o símbolo para espantar anjos.
Cuidadosamente, Sam abriu a porta do quarto. Castiel estava deitado numa cama.
–Cas? Castiel? – chamou Dean. O anjo abriu os olhos, confuso.
–O que... O que está acontecendo?
–Só vai com calma – falou Dean.
–Cas, você está bem? – perguntou Sam.
–Não. Não sou Castiel. Sou eu.
–Quem é eu? – falou Sam.
–Jimmy.
–Onde inferno está Castiel? – perguntou Dean.
–Ele se foi.
–-
Quarto de motel.
Jimmy mastigava o segundo hambúrguer. Uma porção enorme de fritas com bacon estava a sua frente. Sam observava, mas não estava realmente ali. Seus pensamentos estavam descontrolados, um monte de imagens passando como flashes: lembranças de exorcismos que ele tinha realizado e como ele tinha se sentido bem com isso. Sua cabeça doía e seus ombros estavam tensos. Sentia um aperto no peito. A cada segundo, sua respiração ficava mais curta. Sam inspirou e soltou o ar devagar, tentando controlar os pensamentos.
Não funcionou. Ele pegou o celular, indo até os contatos, procurando Ruby.
Não ia ligar para ela.
–Então – falou Dean, juntando-se a eles, com uma expressão preocupada – eu liguei para Alicia, para ver se ela podia ajudar, mas o celular dela está indisponível. Todos os números dela. Será que aconteceu alguma coisa?
Sam sentiu que Dean o culpava pelo sumiço de Alicia. Mas ele também estava preocupado. Fazia tempo que não tinha noticias dela. Sabiam que dia era hoje: era três de maio. Segundo Ash, o Selo da Morte começaria a ser quebrado aquele dia. Assim que soubesse de alguma coisa, Ash entraria em contato.
Talvez Alicia também estivesse ocupada com aquilo. Ou talvez o sumiço de Castiel pudesse a ver com a quebra do penúltimo selo.
–Você se importa de ir devagar? – falou Dean para Jimmy, obviamente mudando de assunto. Dean nunca conversava com Sam sobre Alicia. – você está me dando angina.
–Eu estou com fome. Faz meses que eu não como.
–O que aconteceu lá? – perguntou Sam, interrompendo os murmúrios de Jimmy, feliz com a comida. Ele queria voltar ao assunto principal da conversa, para ver se distraia com outros problemas que não os dele – parece que ocorreu uma batalha entre anjos.
–Tudo que eu me lembro é de um flash de luz e eu era eu novamente. Eu também não lembro direito sobre estar possuído. Um anjo dentro de você, é como ser possuído por um cometa.
–Cas disse que tinha que nos contar algo importante. Por favor, me diz que você lembra o que é.
–Tudo que eu me lembro é que meu nome é Jimmy Novak. Eu sou Pontiac, Illinois. Eu tenho uma família.
A família de Jimmy era composta por Amelia, sua esposa e Claire, a filha dele. Eles eram uma família com muita fé em Deus. E assim, coisas estranhas começaram a acontecer. Jimmy não sabia, mas estava sendo contatado por Castiel.
–-
Sam e Dean não conseguiam decidir o que fazer. Dean queria manda-lo de volta para a família dele, mas Sam não tinha certeza. Estava desconfiado que Jimmy poderia saber de alguma coisa. Ou mesmo estar mentindo. E havia o fato que os demônios poderiam achar que Jimmy sabia alguma coisa sobre os planos dos anjos.
Ele não ficou feliz em descobrir que não poderia ir para casa. Ele estava cansado de anjos e demônios, de terem atirado nele e o esfaqueado, e em seguida curado, e ter o corpo arrastado por toda Terra. Para ele, tinha acabado e ele queria ir embora.
Dean adormeceu e Sam ficou responsável por vigiar Jimmy. Jimmy parecia adormecido. Sam estava suando frio e suas mãos estavam tremendo visivelmente. Será que ele ia morrer? Ou iria ficar dependente de sangue de demônio para o resto da vida dele? Sabia que alguma coisa estava errada, mas não conseguia se preocupar com isso. A única coisa que ele pensava era que se tomasse só um pouquinho, ele iria ficar melhor. Saiu para o estacionamento e tentou ligar para Ruby, três, quatro, dez vezes e até mais. Ela não atendeu nenhuma vez. Sam sentiu uma angustia intensa, o aperto no seu peito começando a se contrair. Ele precisava de ajuda, de sangue de demônio, de qualquer coisa. Não iria falar com Dean, não queria lidar com o julgamento do irmão. Ligou para Alicia, então. Ela tinha que ter encontrado uma solução, qualquer uma. Começou a chorar de desespero. Alicia também não atendia o telefone. Será que tinha errado em confiar nela? Será que no fundo, talvez ela realmente não se importava com ele e não ligava mais. Talvez ela só tivesse desaparecido pelo mundo mais uma vez, para voltar dali alguns meses ou anos como se nada tivesse acontecido. Era o que ela sempre fazia.
E toda a angustia se transformou em ódio. Não conseguia mais tolerar tudo isso sozinho. Ele sempre esteve sozinho. Fazia de tudo para agradar Dean e Alicia e nunca era o suficiente. Já chega. Ele podia tomar suas próprias decisões no que era melhor para ele.
Dean não conseguia ver o lado dele. Alicia não se importava. Era a vida de Sam e as escolhas dele e ele estava sozinho. Completamente sozinho, como sempre esteve.
Enquanto isso, Jimmy aproveitou a ausência de Sam para fugir.
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Castiel tinha pedido para Jimmy provar sua fé: colocando a mão dentro de uma panela de água fervendo. Jimmy ouvia Castiel na estática dos rádios e da televisão. Sua esposa, Amelia, ficava assustada. Para Jimmy, era um milagre.
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Dean e Sam pegaram a estrada, perseguindo Jimmy até Pontiac. No meio do caminho, Anna apareceu no banco de trás do Impala. Isso assustou Dean, que quase perdeu o controle.
–Você já pensou em avisar que estava vindo? – perguntou Dean, irritado.
–Eu gosto do elemento surpresa. Vocês deixaram Jimmy ir embora?
–Fale com o idiota ali.
–Sam. Você está diferente – observou Anna. A mesma diferença que Alicia tinha percebido, Anna também podia ver. – então, o que Jimmy contou para você? Ele se lembra de alguma coisa?
–Por quê? O que está acontecendo?
–É o Cas. Ele foi chamado de volta para o Céu. Bem, ele foi arrastado até lá. Isso é muito ruim. Doloroso, horrivelmente ruim. Ele deve ter irritado alguém seriamente.
–Cas disse que tinha alguma coisa para me contar. Alguma coisa importante. Eu não sei o que é.
–Jimmy sabe?
–Eu não sei. É por isso que estamos atrás dele.
–Isso é o porquê vocês nunca deveriam ter deixado ele fugir. Ele está provavelmente morto agora.
–-
Amelia achou que Jimmy estava com esquizofrenia ou outra psicose. Levou-o até um psiquiatra, mas Jimmy se recusava a tomar a medicação: não estava doente. Tinha sido escolhido por Castiel. Castiel falava com ele. Era uma questão de fé. Jimmy era especial, estava no sangue dele. Deus o havia escolhido por um motivo maior. A vontade de Deus. Jimmy não deveria questiona-la. Era uma benção. A coisa mais importante que já tinha acontecido com ele.
Mas Amelia continuava assustada.
Cansado das discussões com ela, Jimmy vestiu seu sobretudo e saiu para o jardim.
–Então, eu quero ajudar você – falou Jimmy para o nada – eu estou prestes a perder minha família se você não me disser como... Por favor, Castiel, fale comigo. O que você quer de mim?
Jimmy se lembrava de ver a luz surgindo do meio das nuvens e o iluminando. Ele lembrou dos sussurros, de Castiel falando com ele.
–Sim, eu entendo – Jimmy respondeu – prometa que minha família vai ficar bem e eu farei isso... Então, sim.
Então a luz ficou mais forte e intensa e tudo dentro dele queimava.
A luz sumiu e a porta da casa abriu, revelando uma garotinha loira.
–Papai?
Castiel lançou um olhar confuso para a menina.
–Eu não sou seu pai.
E desapareceu.
Então, ali estava sua casa.
Ele estava de volta.
–Eu pensei que você estava morto – foram as primeiras palavras de Amelia quando viu o marido parado à porta de casa. Ela estava chocada, mas também com muita raiva. Como um dia ele poderia ter ido embora sem nunca ter dado noticias, por todos aqueles meses? Era melhor que ele estivesse morto.
–Nós paramos de procurar por você. – Amelia se explicou, conduzindo Jimmy até a sala de casa. Claire, a garotinha loira, se aproximou para ver o que estava acontecendo. Amelia a mandou para o quarto.
–Eu nem ao menos posso vê-la? – perguntou Jimmy, com coração partido. Claire estava tão crescida! Todas as coisas que ele tinha perdido e ele nunca poderia recuperar.
–Foi quase um ano, você sabe? – respondeu Amelia, agressiva. – talvez você devesse ter pensado que sua filha queria que você estivesse bem.
–Eu estava numa clínica. Eu apenas queria ter certeza que eu estava bem antes de entrar em contato com vocês.
–Você podia ter ligado.
–Eu sei, você está certa, Amelia. – Jimmy não sabia como se explicar. A verdade não era uma opção, porque a verdade era absurdamente louca – agora eu estou realmente bem. Eu estava confuso, eu estava delirando completamente. Eu pensei... que Deus estava me chamando e que eu era importante, e eu estava tão errado. Eu fui um grande idiota. Céu, Inferno... Nada disso importa. A única coisa importante para mim é você e a Claire. Eu não posso desfazer o que eu fiz. Eu só quero voltar para casa.
A pior parte disso, era que não era totalmente mentira. Jimmy tinha sido enganado por Castiel. Ele não tinha sido chamado por Deus e não era importante.
Ele era apenas uma casca, sem direito a ter sentimentos, desejos ou vontades. E ele nunca perdoaria Castiel por ter feito ele acreditar em tais mentiras. E por abandonar sua família.
Mas agora Jimmy estava em casa novamente. E ele só queria jantar com sua esposa e filha.
Os demônios vieram do mesmo jeito. Vieram durante o jantar, possuindo os corpos de um casal de vizinhos e amigos. Roger revelou para Jimmy o que realmente era e Jimmy o atacou, pensando em proteger Amelia e Claire.
Amelia não entendeu o que estava acontecendo. Ficou chocada ao ver o marido tranca-las num armário, rodeando de sal. Jimmy não estava melhor. Continuava falando sobre demônios e tinha tentando matar o melhor amigo. Ele estava tão, tão doente. Amelia só queria manter Jimmy longe de Claire, para que ele não assustasse a filha.
Então Roger atacou a ambas e ele deveria estar morto, mas não estava. Mesmo machucado na cabeça, ele estava vivo. E tinha os olhos completamente negros.
–-
Sam e Dean chegaram bem a tempo de salvar a vida dos Novak, os colocando dentro do Impala e dirigindo com pressa.
Eles se esconderam numa construção abandonada na área central da cidade.
Jimmy odiava ver que Sam e Dean estavam certos a respeito do risco que ele tinha colocado sua família. Por que tinha dado ouvidos a Castiel, a principio? Ele nunca mais teria mais, nem Amelia, nem Claire.
Sam, Dean e Jimmy saíram do Impala, e Amelia continuou no banco de trás com Claire.
–Eu realmente não sei de nada – falou Jimmy.
–Infelizmente, os demônios não vão acreditar em você – disse Sam – e mesmo que acreditem, você é um receptáculo. Eles ainda vão querer descobrir o que faz de você especial para os anjos.
–O que quer dizer que eles vão arrancar seus órgãos para fora, se eles estiverem de bom humor. – comentou Dean, num tom amargo.
–Você está colocando sua família em perigo. – repetiu Sam – você tem que vir conosco.
–Por quanto tempo? – Jimmy ainda perguntou, mesmo sabendo qual era a resposta.
–Você não entende? – falou Sam, perdendo a paciência. – para sempre. Os demônios nunca vão parar. Você nunca poderá estar com sua família. Ou você fica o mais longe possível deles ou você coloca uma bala na sua cabeça. E é assim que você vai manter sua família segura. Mas não tem como sair dessa e ir para casa.
–Bom – disse Dean, surpreso com a maneira que Sam colocou as coisas. Sam costumava ser o mais gentil e compreensivo. Agora ele tinha mudado. Mas havia algo quase cruel na maneira que ele disse as coisas para o Jimmy, como se houvesse uma raiva dentro dele que ele não pudesse controlar – não seja doce demais, Sam.
–Eu só estou falando a verdade! Alguém tem que dizer a verdade para ele.
A verdade de Sam era sobre a dor dele, sobre tudo o que ele tinha perdido.
Jimmy voltou para o Impala.
–Eu acho que eu te devo a maior desculpas de todas – falou Amelia.
Amelia insistiu muito para que a família ficasse reunida novamente. Mas agora Jimmy entendia o perigo que elas corriam por causa deles. Quando Jimmy foi embora com Sam e Dean, Claire perguntou:
–Por que papai está indo embora de novo?
Amelia deu um tapa na cara de Claire.
–Porque não é meu dia de sorte, sua vadiazinha.
Amelia era um demônio.
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Enquanto dirigiam para longe, Jimmy adormeceu no banco de trás. Assim, Dean aproveitou para conversar com Sam sobre uma coisa que tinha acontecido enquanto eles lutaram contra os demônios mais cedo: Sam tinha quase desmaiado ao tentar os demônios que possuíam Roger e a esposa.
–Eu não desmaiei – desconversou Sam — eu fiquei um pouco tonto.
–Você pode chamar isso do que você quiser, mas você costumava ser forte o suficiente para matar Alastair. E agora você não pode nem exorcizar um demônio de terceira categoria? Eu não estou tentando começar uma briga, é que você... Você está me assustando.
–Eu estou me assustando – as palavras escaparam da boca de Sam. Sim, ele estava com medo, muito medo, do que estava acontecendo. Estava enlouquecendo e enfraquecendo. Antes que Dean respondesse, o celular de Sam tocou. Era Amelia, a esposa de Jimmy.
Sam o acordou e passou o celular para ele. Quando desligou, Jimmy estava apavorado.
Amelia e Claire estavam na mão de demônios. Eles precisavam voltar.
–-
Voltaram ao prédio abandonado. Eles queriam que Jimmy fosse sozinho.
Sam e Dean tinham um plano.
Sam não estava bem, nada bem. Não conseguia mais se concentrar em nada. Tinha ondas de calor e sua cabeça rodava. A proximidade com demônios aumentava a fissura que ele sentia pelo sangue. Só conseguia pensar nisso e mais nada, estava perdendo o controle. Suas mãos formigavam e sua cabeça estava pesada demais.
–Castiel, seu filho da puta! – gritou Jimmy, enquanto andava para encontrar a filha – você me prometeu que minha família ficaria bem! Você me prometeu que você tomaria conta deles! Eu dei tudo que você me pediu para dar. Eu dei mais para você. Esse é o agradecimento que eu tenho? É isso que você faz? Esse é seu Céu? Você prometeu, Cas. Apenas me ajude!
Não houve resposta.
Amelia estava de pé, e Claire estava inconsciente e amarrada a uma cadeira.
–Olá, querido. Você está em casa – disse o demônio que possuía Amelia.
–Eu estou implorando. Por favor, deixe minha família ir. Eles não são parte disso.
–Elas são grande parte disso. E por falar nisso, você deveria ter vindo sozinho.
Cinco demônios entraram, levando Sam e Dean. Um deles levantou a faca de Ruby, indicando que tinham pego a arma.
–Sabe o que é divertido? – falou “Amelia” – que isso tudo foi ideia minha, capturar um receptáculo vazio. Eu espalhei a noticia e no fim vocês acabaram no meu colo.
–Você tem a nós, deixe essas pessoas irem! – falou Sam. Sua cabeça doía muito. Ele podia sentir o cheiro, ouvir o sangue dos demônios correndo nas veias deles.
–Oh, Sam. É melhor implorar agora que seus superpoderes não estão funcionando! Mas sabe o que vai acontecer? Todo mundo vai morrer.
Amelia atirou em Jimmy, que caiu no chão, sangrando.
De repente, Claire acordou e se soltou das cordas, colocando uma das mãos na cabeça de Amelia. Uma luz brilhou forte e Amelia caiu no chão.
–Castiel – reconheceu Jimmy. O anjo tinha possuído Claire. Sam aproveitou a confusão para bater no demônio que segurava a faca de Ruby, a única arma que eles tinham.
Sam conseguiu pegar a faca de Ruby e sem se conter, se jogou contra um demônio, derrubando o no chão, cortando seu pescoço e bebendo o sangue. O alivio foi imediato. Ele não se importava mais com nada, aquilo era tudo que ele desejava... Não conseguia mais pensar. O gosto era metálico e intenso, exatamente como se lembrava. Ele não queria parar, mas mais tarde ele teria mais tempo para isso. Podia sentir o poder voltado a ele, aquela sensação de intensa. Ele estava forte de novo, ele se sentia como ele mesmo.
Com seus poderes recarregados e com a boca suja de sangue, Sam se levantou para exorcizar o resto dos demônios.

Castiel, no corpo de Claire, se aproximou de Jimmy, que estava morrendo.
–É claro que mantemos nossas promessas – disse o anjo – é claro que você tem a nossa gratidão. Vocês nos serviu bem. Seu trabalho está concluído. É hora de ir para casa, sua casa real. Você vai descansar para sempre nos campos do Senhor. Descanse, Jimmy.
–Não. – respondeu ele – Claire?
–Ela está comigo agora. Ela é escolhida, está no sangue dela como está no seu.
–Por favor, Castiel. – implorou Jimmy – deixe ela ir. Me escolha, por favor, me escolha.
–Eu quero que você entenda – falou o anjo – você não vai morrer ou envelhecer. Se o último ano foi doloroso, imagine cem como esse. Ou mil anos.
–Não importa. Me escolha, por favor, me escolha. Deixe Claire ir.
–Se é seu desejo – respondeu o anjo e houve uma luz brilhante, Claire caiu desacordada.
Castiel estava de volta no corpo de Jimmy.
–Cas, espere – falou Dean – o que você ia contar para mim?
–Eu aprendi a minha lição – respondeu o anjo, sério e frio – eu sirvo o Céu, não sirvo os homens e com certeza não sirvo você.
E o anjo desapareceu.
–-
Sam se sentia melhor. Tinha sido uma coisa boa ele usar os poderes dele e novamente, ele se via pensando se Dean e Alicia não eram exagerados. Dean não tinha falado nada sobre ele ter tomado o sangue. Dean podia falar o que quisesse, Sam não iria mudar sua decisão. O sangue o deixa forte, poderoso e ele podia usar isso para uma coisa boa. Ele tinha tentado parar por Alicia, mas ela não tinha ajudado ele em nada. Do que adiantava lutar contra isso? Essa força contra os demônios era o único poder deles contra o apocalipse cada vez mais iminente.
Ele não conseguia parar e para falar a verdade, não queria parar. Gostava de se sentir dessa maneira: forte, poderoso, no controle. Ele estava controlando o próprio destino e não sendo usado. Estava fazendo suas próprias escolhas. Mesmo que ninguém confiasse nele, ele tinha que confiar em si.
E tinha que ligar para Ruby, dizer que estava de volta, que ia caçar Lilith e mata-la. Todas as famílias como a de Jimmy Novak, que tinham sido destruídas pelo Apocalipse, Sam tinha o poder para parar isso... E era uma estupidez sem tamanho não usar de esse poder.
Dean tinha que entender.
Alicia tinha que entender.
Sam sabia que dessa vez eles entenderiam. Só ele podia fazer isso. O penúltimo selo estava se quebrando. Era a última chance deles. Antes do último selo. Antes de Lucifer ser solto.
Sam tinha que deter Lilith.
–-
Dean parou no primeiro motel. Ele não via mais luz no fim do túnel. Sam deitou e dormiu, pela primeira vez em muito tempo.
Sangue de demônio. Quando Dean ficou sabendo o que Azazel tinha feito com Sam, quando este era apenas um bebê, parecia a pior coisa do mundo. E agora Sam ingeria isso, de livre e espontânea vontade e achava que estava tudo bem. Ele tinha que fazer alguma coisa. Sam estava fora de si, para tomar sangue de uma jugular como um animal. Dean viu a transformação dele, viu o que o sangue fez com ele e o que a falta de sangue fez com Sam.
John avisou que Dean talvez tivesse que matar Sam. Mas Sam não era um monstro, ainda.
Mas estava se transformando em um e Dean precisava fazer alguma coisa. Proteger seu irmão mais novo, era isso que ele tinha feito a vida toda. Cuide de Sam. E ele tinha ido pro Inferno e não tinha cuidado de Sam, e era isso que tinha acontecido.
Talvez não fosse tarde demais. Ele ligou para Alicia, deixando um recado sobre o que estava acontecendo.
E em seguida ligou para Bobby.
Eles tinham que fazer alguma coisa.
Precisavam salvar Sam. Querendo ele ou não ser salvo.
Dean nunca tinha estado tão desapontado em sua vida. Tão traído. Tão cansado. Entendia porque Alicia tinha sumido. Ele queria sumir também...
Mas precisava salvar seu irmão mais novo. De novo. Porque era isso que Dean Winchester fazia.
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