Things We Lost in The Fire

10 4x10 - This Isn't Your Life


Notas iniciais
Viram o episódio de Supernatural dessa semana? Vocês viram o DEAN TOMANDO SUCO VERDE? Ta ai uma coisa que eu nunca achei que ia ver na vida. Não sei se funciona pra marca de caim, mas esse suco é ótimo pra pele e pra quem incha, tipo eu kk Esse é um capítulo que eu não planejava fazer. Mas, estava arrumando algumas coisas, escrevendo algumas ideias aleatórias e percebi que ficaria muito legal usar esse capítulo aqui, para aproveitar e colocar alguns detalhes a mais sobre Sam e Alicia. Importante: Queria indicar uma fic que ta no comecinho, mas desde o primeiro capítulo me conquistou completamente: Demons Inside (http://fanfiction.com.br/historia/583178/Demons_Inside/) . É uma história muito bem escritas e com personagens interessantes, fico presa em todos os capítulos. boa leitura!

Não sei, não sei, não sei, não

Eu não sei a verdade

Não sei, não sei, não sei, não

Quero ninguém mais além de você

Eu quero cair, cair bem longe

Eu quero cair, cair para valer

E chamar isso de mágica

E chamar isso de verdade

Eu chamo isso de mágica

E seu você perguntasse para mim,

Depois de tudo que passamos

“Ainda acredita em mágica?”

Sim, eu acredito

É claro que eu acredito

Coldplay

O despertador tocou, indicando que mais um dia começava. Sam abriu os olhos, para descobrir que não tinha dormido, mais uma vez, em seu apartamento.

Mais uma noite passada na casa de sua colega de trabalho Alicia Kavanagh, que estava ali, adormecida do lado dele.

Ele não esperava se envolver tão rápido em outro relacionamento, após Mandison ter terminado o noivado. O novo emprego e a nova cidade eram para ser um recomeço e ficar um pouco longe de relacionamentos.

Logo no primeiro dia de trabalho, há um mês, Sam tinha conhecido Alicia. Ela também estava começando naquele dia, como secretária e eles se encontraram no elevador, indo embora da empresa. A atração que Sam sentiu por ela foi instantânea. Ela o convidou para ir jantar com ele, porque também era nova na cidade. Conversaram a noite toda e isso se repetiu a semana toda. Parecia que se conheciam há anos e quando eles se beijaram a primeira vez, foi o beijo mais incrível que Sam já teve em toda sua vida. Eles estavam juntos desde então, não se separando de forma alguma, perfeitamente apaixonados um pelo outro...

Era como mágica. Nenhum dos dois jamais tinha pensado em viver um relacionamento tão intenso, ainda mais em tão pouco tempo. Já não sabiam mais ficar um sem o outro. Sam não se considerava particularmente romântico, mas, se ele acreditasse nessas coisas, Alicia seria sua alma gêmea.

–Bom dia, amor – ela diz, a voz suave e feliz. Sam sorriu de volta para ela e a beijou. – ei, por mais que eu gostaria de ficar na cama com você o dia todo, temos que ir trabalhar.

–-

Dean chegou ao seu escritório. Sorriu para a placa em sua mesa: DEAN SMITH – DIRETOR DE VENDAS E MARKITING. Estava no topo de sua carreira e não podia estar mais satisfeito de onde tinha chegado. O dia se passou, como sempre. Foi parabenizado por seu chefe: estava na empresa há menos de um mês e já estava fazendo uma grande diferença.

No fim do dia, recebeu uma ligação de uma velho colega de faculdade, que lhe contou sobre uma dieta que tinha feito ele perder 15kg em um mês e se sentir muito melhor: Master Cleanse, onde tudo que você podia comer por alguns dias era suco de limão, pimenta caiena e xarope de bordo e isso limpava o organismo e te deixava mais saudável*.

Finalmente, chegou o fim do expediente. Dean entrou no elevador, indo para o mercado para comprar os ingredientes da dieta. Dentro do elevador, havia um jovem casal de mãos dadas, ele com a camiseta amarela da assistência técnica, ela com a típica roupa de secretária.

Fez um comprimento rápido com a cabeça e voltou a atenção para o celular.

–Eu conheço você? – perguntou o homem.

–Eu acho que não – respondeu, Dean, distraído e meio incomodado com a conversa.

–Desculpe, é que você é realmente familiar.

Felizmente, o elevador parou no primeiro andar da garagem e Dean saiu sem dizer mais nada.

–Ele não te lembra alguém? – perguntou Sam a Alicia.

–Sim – ela respondeu – eu tenho certeza que o conheço de algum lugar.

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Alicia fez macarrão com almondegas de janta. Enquanto isso, Sam lavava a camisa do uniforme.

–Preciso passar no meu apartamento pegar roupas – ele falou, quando Alicia veio até a pequena área de serviço para avisar que a comida estava pronta. Ela sorriu com a visão do namorado sem camisa.

–Por que você não pega todas suas coisas? – ela falou, num impulso.

Sam olhou para ela, surpreso. Mais uma vez, estava surpreso com a intensidade do sentimento que tinha por ela em tão pouco tempo. Ela estava com as mangas da camisa do uniforme dobradas, de saia até os joelhos e sem sapatos, andando de meia calça direto no chão. Os cabelos estavam muito ondulados depois de passar o dia usando coque e a maquiagem já estava degastada. Olhando para ela, tudo que Sam podia perceber é que queria passar o resto da vida com ela. Ele já tinha tido muitos relacionamentos, já tinha quase se casado com Mandison e nunca sentiu nada parecido antes.

–Quer dizer... Mudar para cá?

–É. Quero dizer, você já está aqui o tempo todo. E meu apartamento é mais perto do local que trabalhamos.

–Não acha que estamos indo rápido demais? – ele teve que falar, mesmo que não achasse isso.

Alicia andou em direção a ele, tocando o rosto dele.

–Não, não acho. Parece que eu o conheci a minha vida toda. Quero ficar com você e não tenho dúvida que isso vai dar certo.

–Eu sinto o mesmo – respondeu Sam, pegando Alicia no colo e a colocando sentada em cima da maquina de lavar. Ele começou a beijá-la apaixonadamente e ela correspondeu na mesma intensidade.

–-

No dia seguinte, Sam interrompe seu trabalho para tomar um café com seu colega de trabalho Ian. Eles chamam outro colega, Paul, mas este está estressado e nervoso, porque pegaram ele vendo pornografia no horário de trabalho e no dia anterior ele tinha sido chamado no Recursos Humanos.

–Sam, tem tido um daqueles sonhos ultimamente? – perguntou Ian, animado.

–Eu nunca deveria ter contato para você sobre isso.

Desde que começou seu relacionamento com Alicia, Sam tinha sonhos de estar matando monstros, muitas vezes na companhia dela. Em seus sonhos, Alicia não era a doce secretária com uma vida comum. Ela tinha poderes sobrenaturais e tatuagens em todo o corpo. Ele não tinha confessado esses sonhos para ela. Não sabia como dizer. Tinha medo de assustá-la com o conteúdo violento.

Mal sabia ele que Alicia também estava tendo os mesmos sonhos.

–-

Durante aquele dia, Sam começou a ter flashes das tais caçadas e pior: além de Alicia, Dean Smith estava presente nelas também. Será que estava ficando louco? Será que aquilo era uma doença? E por que não conseguia se livrar da sensação que conhecia Alicia e pior ainda, Dean Smith de algum lugar?

Naquele dia, Alicia teve que trabalhar até mais tarde. Então Sam sairia, buscaria boa parte das coisas dele no apartamento dele e iria para o apartamento dela. No elevador, de novo, ele encontrou Dean.

Sam lembrou-se dos flashes que teve durante o dia e da sensação incontrolável de conhecer Dean muito bem. Não resistiu.

–Posso te perguntar uma coisa? – falou.

–Você é maluco?

–Cara, para com isso, eu só quero te perguntar uma coisa – falou Sam, sem querer admitir que ele mesmo temia que estivesse louco.

–Claro – falou Dean, sem saída. Aquele elevador era lerdo demais.

–O que você pensa de fantasmas? – disse Sam, observando a reação de Dean. – você acredita neles?

–Nunca pensei muito nisso – respondeu, rindo. Era uma piada? Pegadinha né?

–Vampiros?

–Não. Por quê?

–Porque eu tenho tido alguns sonhos estranhos ultimamente – contou Sam. Ele sabia que estava agindo esquisito, mas não conseguia parar de fazer perguntas.

–Cara, vou fazer um serviço de utilidade pública e avisar para você que você está dando informação demais. Certo? Tchau.

Felizmente o elevador tinha chegado ao andar de Dean.

–-

Naquela noite, contou tudo para Alicia: sabia que ela iria compreender. Estavam profundamente apaixonados. Tudo que Sam falasse ela iria entender, sabia disso.

Alicia não só entendeu, como confessou que o mesmo acontecia com ela.

Havia algo estranho acontecendo com eles.

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O dia seguinte foi terrível. Paul cometeu suicídio enfiando a cabeça no micro-ondas aceso, depois do seu computador travar e acidentalmente apagar todo os arquivos.

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Dean achou tudo isso muito esquisito. Acessando a ficha de Paul Dunbar em seu computador, descobriu que ele se aposentaria em duas semanas. Então, por que tanto sofrimento por causa do RH? Nunca o demitiriam faltando duas semanas para a aposentadoria. Ele também não se mataria por uma bobagem qualquer. Havia alguma coisa estranha acontecendo ali.

Sem saber porque, Dean se lembrou do casal que tinha encontrado no elevador e de todas aquelas coisas estranhas que o cara tinha falado. De repente, não pareciam mais tão absurdas assim.

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–Ei, Ian. – falou Sam, por cima da divisória de cubículos dele – por que alguém se mataria faltando duas semanas para a aposentadoria? Ele estava quase livre, devia estar feliz.

–Eu estou trabalhando. Não tenho tempo para isso. O trabalho é importante.

Sam pensou que Ian estava agindo estranho também; tão estranho quanto Paul antes de morrer.

–-

Ian foi chamado até a sala de Dean, pois tinha cometido um erro muito comum e básico, que ele poderia corrigir facilmente. Mas, quando Dean apontou o erro, Ian super reagiu, falando de como tinha feito uma coisa horrível e que era imperdoável. Dean estranhou a reação. Tentou acalma-lo, mas Ian saiu correndo da sala. Preocupado, Dean o seguiu para dentro do banheiro.

Ian estava resmungando coisas incompreensíveis na frente do espelho. Não estava gelado, por isso Dean ficou surpreso ao ver que sua respiração se condensava no ar. Ele sentiu arrepios.

Chorando muito, Ian tirou uma caneta do bolso e enfiou em sua jugular, sangue espirrando em todas as direções.

–-

Depois de dar o depoimento a policia, Dean sentou-se, inquieto, no seu escritório. Não conseguia trabalhar. Começou a ter flashes de cenas imagináveis e estranhas com aquele Sam, e a garota secretária, Alicia. Toda vez que passava por ela na recepção, tinha certeza que a conhecia de algum lugar.

Ligou para os dois e pediu para que o casal viesse até sua sala.

Alicia já estava dentro da sala quando Sam chegou. Ele ficou preocupado em vê-la ali.

–Quem inferno é você? – perguntou Dean para Sam.

–Eu não tenho certeza se sei – respondeu.

–O que inferno você quer dizer com isso?

–Sam Wesson. Eu comecei aqui há um mês.

–Um mês? Eu também. – falou Dean, surpreso. – e você começa a falar de fantasmas no elevador, e agora...

–Você viu alguma coisa enquanto estava no banheiro com Ian? – perguntou Alicia, direta.

–Eu não sei. Eu não sei o que eu vi.

–Você está dizendo que viu um fantasma? — perguntou Sam.

–Eu estava surtando. O cara enfiou uma caneta no pescoço.

–Você viu – afirmou Alicia, com certeza. Podia ver no rosto de Dean Smith a verdade estampada.

–E se todos esses suicídios, não fossem suicídios, e sim algo sobrenatural? – sugeriu Sam.

–Então, fantasmas são reais, e são responsáveis por essas mortes por aqui? É isso que vocês estão me dizendo?

Os três se encararam por alguns instantes.

–Eu sei que soa louco – falou Sam, mal acreditando no que dizia – mas é isso que estamos dizendo.

–Baseados em que? – interrogou Dean. Mas ele sabia que era verdade. E tinha certeza absoluta que conhecia Sam e Alicia há muito tempo.

–Instinto – falou Alicia.

Sim, era instinto. Todos os três tinham o mesmo instinto: havia algo de errado lá e eles sabiam que era um fantasma causando aquelas mortes. Simplesmente sabiam.

Sam, já investigando, tinha descoberto uma ligação entre Paul e Ian, ao hackear os emails, foram convocados pelo Departamento de Recursos Humanos até a sala 1444. O problema: o Departamento de Recursos Humanos ficava localizado no sétimo andar, e não no décimo quarto.

Todos eles estavam ansiosos para verificar aquela sala. Não puderam esperar.

–-

Dean, Sam e Alicia andavam pelo corredor, quando ouviram gritos. Eles se apressaram então: os gritos estavam vindo justamente da sala 1444. A porta estava trancada, mas Sam deu um chute, abrindo a porta.

–Uau – falou Alicia.

Uma prateleira tinha caído sobre o homem que estava gritando, e eles correram ver se o homem estava bem. Felizmente, ele estava vivo, só atordoado. As luzes piscavam e os monitores que mostravam as imagens das câmeras de segurança tinham a imagem toda tremida. De repente, um homem velho surgiu: era um espirito. Dean reconheceu como o homem que pensou ter visto quando assistiu o moço se suicidar no banheiro. Dean se viu procurando alguma coisa para deter o espirito, mas não podia ser qualquer coisa, tinha que ser de ferro. Ele localizou uma chave inglesa e quando a atirou no espirito, ele sumiu. As luzes pararam de piscar e as imagens na tela voltaram ao normal.

–Como você sabia fazer isso? – perguntou Alicia.

–Eu não tenho ideia.

Apartamento de Dean.

Dean bebia da garrafa que tinha a mistura que era permitida por sua dieta. O apartamento dele era obviamente caro, assim como seus ternos e carro.

–Foi mal, não tenho nada aqui – falou Dean – estou na Cleanse, eu joguei fora todos os carboidratos.

Sam e Alicia se entreolharam. Não sabiam porque, mas ambos achavam que aquela coisa de dieta e aquele apartamento carro não combinava com ele.

–Como você sabia que fantasmas tem medo de chaves inglesas? – perguntou Alicia.

–Louco, não é? E você, Sam, bom trabalho chutando a porta também. Aquilo foi muito Jet Li. Você é faixa preta ou algo do tipo?

–Não. Eu não tenho ideia de como fiz isso. É como se eu já tivesse feito isso antes.

–Como assim, antes? Como em outra vida? – perguntou Dean, confuso.

–Não. Eu apenas não consigo evitar o sentimento que eu não pertenço a esse lugar. Você sabe? Como se eu devesse estar fazendo alguma coisa melhor do que ficar sentado num cubículo.

–Acho que a maioria das pessoas que trabalham num cubículo tem esse sentimento – observou Dean.

–Não. É mais que isso. Eu não gosto do meu trabalho, eu não gosto dessa cidade, nem das minhas roupas. Eu não gosto do meu sobrenome. A única coisa que faz sentido é Allie, e ela tem esse mesmo sentimento que eu tenho.

– Eu não sei como explicar isso, mas parece que devíamos estar fazendo alguma coisa a mais. Alguma coisa que está no nosso sangue. Como se fossemos destinados a algo maior. – falou Alicia.

–Eu não acredito em destino. Eu acredito em lidar com que está a nossa frente, no entanto.

–Então o que faremos? – perguntou Sam.

–Nós pesquisamos, Sammy.

–Você acabou de me chamar de Sammy?

–Eu chamei?

–Chamou — confirmou Alicia, mas tudo aquilo era estranhamente familiar: aquelas pessoas, o fantasma, a pesquisa.

–Desculpa.

–-

Eles acabaram encontrando um site de verdadeiros caçadores de fantasmas, chamado GHOSTFACERS. Havia dicas de como caçar um fantasma. Com a pesquisa, acabaram descobrindo que o fantasma que eles viram, o fundador da empresa. Havia um artigo sobre a morte dele e como a sala 1444 era considerado o centro das operações dele, e que durante a época dele foi o topo da empresa.

Até aquele dia, nenhum deles sequer tinha pensado muito em fantasmas. Mas nenhum deles achava absurdo estar investigando um caso de fantasma.

Descobriram que em 1929, quando houve uma grande crise econômica, houve 70 suicídios no prédio. Concluíram que sempre que havia um período de recessão, o fantasma se tornava ativo e atuava em funcionários preguiçosos, que poderiam prejudicar a empresa, os transformando em bons funcionários, tão dedicados a empresa que cometeriam suicídio a qualquer erro mínimo.

Felizmente, o site do Ghostfacers também ensinava como matar fantasmas: com sal, ferro e queimar os restos mortais. O homem havia sido cremado, mas o site também indicava o que fazer nesses casos: procurar onde poderia estar o material genético do cara.

Obviamente, concluíram que poderia haver algo no quarto 1440. Assim, pegaram um rifle que Dean tinha em casa, o encheram de sal e foram para lá.

Dean e Alicia entram no quarto e Sam ficou próximo a porta, seu rifle visível pela porta encostada. Um segurança passou por lá o viu.

–O que você está fazendo aqui? – perguntou o homem, irritado. Dean e Alicia se esconderam o melhor possível. O homem não quis ouvir explicações e levou Sam para “ele explicar para a polícia”.

Mesmo angustiados com o destino de Sam, Dean e Alicia confiaram que ele conseguiria se resolver disso. Era instinto. A prioridade ali era o fantasma. Eles encontraram algumas fotos que indicavam que o fundador da empresa adorava beisebol. Alicia se lembrou que no último andar da empresa, havia um museu com peças do fundador e outras coisas da história da empresa.

Eles encontram um par de luvas. Havia grandes chances de haver algum antigo material genético lá: pedaços de unhas ou de pele.

Sam ligou para eles e foi encontraram. Chegou com grandes manchas de sangue na camisa. Ninguém pediu explicações nem ele deu.

Quando se preparavam para queimar as luvas, o fantasma apareceu e os atacou. Eles lutaram, como se tivessem lutado contra fantasmas a vida toda. Simplesmente sabiam o que fazer e como fazer. Queimaram a luva, e na frente deles, o fantasma também queimou.

–-

Escritório de Dean.

–Eu nunca me diverti tanto na minha vida!

–Eu também não – riu Alicia – acho que deveríamos continuar fazendo isso.

–Eu sei – falou Dean.

–Eu realmente quero fazer isso – falou Alicia

–Há outros fantasmas por ai – concordou Sam

–Seriamos como os Ghostfacers – falou Dean.

–Estou falando sério – explicou Sam.

–Você quer dizer largar nossos trabalhos e cair na estrada? – perguntou Dean, sabendo que devia achar a ideia um absurdo, uma loucura... Mas não achava. Aliais, parecia uma excelente ideia.

Mas ele não daria o braço a torcer. Era loucura. Tinha que ser.

–Vocês tem que estar brincando comigo. Como iriamos viver? Com cartões de credito roubados? Comendo comidas de restaurante cheia de gordura saturada? Dormindo em quartos de motéis ruins toda a noite?

–São apenas detalhes – falou Alicia. Nada daquilo parecia ser um obstáculo para ela.

–Detalhes são tudo! Isso é loucura – falou Dean, querendo acreditar que era mesmo.

–É mesmo? Pense por um instante. Todos aqueles sonhos que eu e Allie tivemos... E se nós só pensarmos que essa é a nossa vida, mas na verdade não é?

–Você realmente perdeu a cabeça né?

–Tudo que eu sei – disse Alicia – é que aqui não somos quem devíamos ser.

–Eu sou Dean Smith. Sou Diretor de Vendas e Marketing. Eu fui para Stanford. Meu pai é Bob, minha mãe é Ellen e minha irmã é Jo. Vocês são loucos.

–Qual foi a última vez que você falou com eles? – perguntou Alicia, séria. Ela também tinha memorias de uma família que não parecia a dela.

–Vocês estão tentando me dizer que minha família não é real? Que tudo isso são memorias falsas na minha mente?

–No fundo sabemos que você sente isso também! – disse Sam.

–Acho melhor vocês irem embora. – falou Dean. Mas estava pensativo.

–-

Manhã seguinte.

Adler, o chefe de Dean, o procurou para parabeniza-lo por todo o trabalho que ele estava fazendo. Ele ganhou uma bonificação em dinheiro e Alder veio falar sobre a possibilidade de carreira que ele teria se trabalhasse duro nos próximos anos.

Mas Dean tinha outra coisa em mente.

–Obrigado, senhor, mas... Eu estou dando meu aviso prévio.

–Isso é uma piada. Você está brincando comigo, certo? – ao perceber que Dean estava sério, logo perguntou – é alguma outra empresa? Eu cubro a oferta deles.

–É difícil de explicar. É que... Hm, de repente, eu descobri que não é isso que eu deveria estar fazendo.

Adler começa a rir, para a surpresa de Dean.

–Dean, Dean, Dean. Finalmente.

Ele encosta dois dedos na testa de Dean.

–Que inferno? Por que eu estou usando um terno? Deus, eu estou com fome.

–Bem vindo de volta.

–Espere. Eu acabei de ser tocado por um anjo, não foi?

–Sou Zachariah.

–Ótimo, a última coisa que eu preciso é mais um de vocês.

–Eu não sou mais um, Dean. Eu sou o superior de Castiel. Acredite em mim, eu não gostaria de estar aqui usando uma dessas coisas fedidas. – ele indicou o próprio corpo — Mas, depois da situação com Anna, eu precisei interferir. Você desobedeceu a ordens expressas do Céu e começamos a ficar preocupados que você talvez não fosse nosso homem.

–Muito criativo. Nós alucinamos tudo isso?

–Lugar real, fantasma real. Mas, como vocês estão muito bem escondidos e não podemos encontra-los, tudo isso está acontecendo dentro da cabeça de vocês. Não podíamos encontra-los no mundo real, então encontramos vocês a partir de seus sonhos.Para provar para vocês, que o que você é está verdadeiramente em seu sangue. Você é um caçador. Não porque John Winchester os criou assim. É quem você é. Sua essência. E eu precisava mostrar isso para você também. Para você saber qual é sua missão e seu destino: combater o Mal.

–Anjo ou não, vou esfaqueá-lo na cara. O que eu sou destinado a fazer? Parar o apocalipse?

–Você vai fazer o que tem que fazer, na hora certa. Salvar pessoas, talvez até o mundo. Tudo isso enquanto dirige um carro clássico e fornica com mulheres. Isso não é uma maldição, é um presente. Olhe em volta, há centenas de destinos piores que os seus. Eu queria que você vesse isso. Então, você está comigo? Ou quer continuar se matando de fome nessa dieta? Ou está pronto para ser quem realmente é?

Dean preferiu ignorar.

–E Sam e Alicia? O que eles têm a ver com tudo isso?

–Eu já conversei com eles. Eles foram se lembrando muito mais depressa que você, talvez por estarem juntos, talvez por serem quem são. Esse é o ponto: ambos estão indo para um caminho muito perigoso para o mundo. A única proteção que eles têm agora é o amor que sentem um pelo outro. Você sabe, amor é uma forma de magia. Se é verdadeiro. Sam e Alicia são destinados um ao outro, em um milhão de vidas, se apaixonaram todas as vezes. Eu precisava que eles vessem isso, antes que cometessem mais erros. Juntos, eles e o mundo estão a salvo. Separados, são perigosos e seriam melhores mortos. A escolha é deles. Ou melhor, é a escolha de Alicia. Nunca ouviu falar que ela é nascida em batalha e tem uma escolha? O destino de Sam é muito mais fixo que o dela.

–O que você quer dizer com essa merda toda?

–Que Alicia precisa se salvar para salvar Sam. E que Sam precisa querer ser salvo de si mesmo. Por ela. Não é romântico? Assim que acordarem, vão se lembrar de tudo isso. Se eles decidirem procurar a terapia, apoie a decisão. É o melhor para o planeta. Ah, e não se preocupe com Anna. Temos problemas maiores que uma anja rebelde agora. Ela foi desligada do Céu, para valer dessa vez. Agora ela é só mais um humano fedido.

Zachariah desapareceu.

Dean piscou. Assim que abriu os olhos, estava olhando para o teto do quarto de hospedes em Rhode Island.

Saiu do seu quarto, andando apressadamente até o quarto onde estava Sam e Alicia. Assim que chegou, a porta se abriu e saiu Alicia, de pijama e cabelos despenteados, parecendo tão desorientada quanto Dean se sentia. Ao mesmo tempo que Dean falava “Anjos filhos da puta”, Alicia falava “mas que merda foi essa?”.

–Como está Sam? – perguntou Dean.

–Acordou, está bem, mas voltou a dormir há uns minutos. Eu não conseguia ficar parada. Quero dizer... Eles não podem nos tocar no real, mas podem nos pegar em sonhos? O que querem dizer com isso? Isso foi uma ameaça?

–Eu não tenho a mínima ideia – falou Dean. Eles ficaram em silencio por um tempo, ambos pensando nos últimos acontecimentos.

–Posso fazer uma pergunta? – falou Alicia, sem olhar para Dean. – esses últimos meses, como Sam está com você?

–Nós estamos brigando o tempo todo – falou Dean, com sinceridade.

–Eu honestamente já não entendo mais qual é o problema de Sam. Brigando sempre com as pessoas... Primeiro John, depois comigo, agora com você. Por que ele não para, Dean? – falou Alicia, e Dean pode ver o quanto ela estava magoada – eu estou tão cansada disso. Tão, tão cansada. Não podemos viver em paz pelo menos entre nós?

–Você sabe o que ele diz sobre os recentes acontecimentos, Allie. “Há sangue de demônio em mim, estou tentando fazer isso algo bom”.

–Quantas vezes ele te prometeu que ia parar de andar com Ruby, Dean?

–Inúmeras. E ele parou, Allie. Desde Samhain ele não fez mais nada.

–Mas ele continua completamente alterado. Juro que as vezes acho que ele está possuído. Uma hora é o Sam, outra hora é um imbecil arrogante reclamando que quer fazer suas próprias escolhas... Que pisa em cima de mim de proposito, mas volta e pede desculpas.

–Por que o aceita de volta?

–Porque eu o amo ele. Eu sempre vou aceitar ele de volta. Eu o conheço, Dean. Você sabe que ele não é assim.

–As vezes não sei mais quem Sam é. Como você disse, parece que ele está possuído.

–Existe a chance dele estar? – suspeitou Alicia – quer dizer, algum tipo de demônio pode estar no corpo dele e nós nem temos ideia.

Dean a olhou, parecendo muito infeliz.

–Seria mais fácil pensar que não é ele, mas eu acho que é uma versão piorada de Sam. Como se as piores coisas nele tomassem o controle completamente.

–Eu estou preocupada pelo que Zachariah, aquele imbecil, disse. – confessou Alicia.

–Ele contou a vocês que só vocês podem se salvar de si mesmos?

–Alguma coisa assim. Dean, eu não sei o que eu quero. Você sabe a pressão que está em cima de mim aqui para abandonar meu lado humano ou que merda seja. Isso eu sei que eu não quero. Mas eu também quero parar o Apocalipse e se só eu tenho esse poder... Por que você confia em mim, Dean? Se eu fosse uma caçadora, eu me caçaria.

–Eu não vejo você agindo como doida – respondeu Dean, imediatamente – honestamente... Eu não gosto de ver você andando com essas pessoas... Acho que é perigoso e eu temo por sua segurança, temo que você perda o controle. Mas Allie, isso é quem você é. Você nasceu assim e houve aquele feitiço. E havia aquilo que papai disse... Sobre você ser nascida em batalha. Sobre você ter escolhas. E eu sei que você fez um monte de escolhas erradas, mas eu admiro que você esteja tentando parar com isso. Eu vejo o quanto eu e Sam somos importantes para você. Não vejo você perdendo a cabeça ou mudando seu comportamento. Isso me dá mais segurança... Eu não temo perder você para o lado das trevas. A cada dia que passa, mais você me dá motivos para confiar em você. Não, eu não entendo tudo o que você está fazendo, mas confio em você.

–Obrigada, Dean.

–Allie, eu fico triste por tudo o que você passou na vida. Mas você é uma garota forte. Eu sei que Zachariah disse sobre o caminho que você estar indo é perigoso...

–É isso que me preocupa. Por que é perigoso? Por qual caminho que eu estou indo?

–Allie, eu penso que o que esses anjos querem é impedir que o Apocalipse aconteça. Você lembra o que papai disse sobre Sam...

–Sobre como teríamos que mata-lo. – falou Alicia, com desgosto.

–Exatamente. Acho que esse passeio com demônios do Sam é o caminho errado pelo qual ele estava indo. E ainda está. Ruby fez alguma coisa com ele, Allie. Ela o transformou e eu não sei o que fazer para reverter. Ela é uma bruxa, não duvido nada que tenha usado magia negra. Sam está completamente alterado, mentindo, agressivo. Mesmo com toda a vontade de fazer as próprias escolhas que ele sempre teve, o que está acontecendo agora... Eu posso ver o ódio que ele sente de tudo, o quanto ele está instável e perturbado... Eu vejo a maneira que ele caça, o prazer que ele sente em matar... Não é normal. Por isso não consigo mais confiar nele. Eu sinto que Sam ainda está escondendo coisas.

–Zachariah deu a resposta. Eu tenho que impedir Sam de seguir esse caminho.

–Talvez o caminho perigoso pelo qual você está indo é se afastar de Sam.

–Sam me afasta. O tempo todo. É realmente difícil...

–Eu sei, Allie. Ele também me afasta.

–Eu vou salvá-lo, Dean. Se eu posso fazer isso, eu vou salvá-lo. Vou voltar a caçar com vocês. Ficaremos juntos. Não vou dar ouvidos aos pitis de Sam. Nós vamos ficar juntos. Acho que agora ele entendeu o quanto isso é importante. Não posso lidar com a ideia de termos que... Termos que...

–Só tem um problema. Zachariah quer que os anjos imbecis vençam essa guerra. Afastando você e Sam dela...

–Segundo as lendas, eu sou a única que pode derrotar Céu e Inferno. E Sam, segundo os boatos, é o próximo líder do Inferno, escolhido pessoalmente por Azazel...

–Se vocês caírem fora, deixa espaço livre para o Céu fazer o que quiser – concluiu Dean, angustiado. Não queria perder sua família, mas não suportava a ideia daqueles babacas ganhando qualquer coisa que seja, nem que fosse o bingo das vovós do bairro.

–É por isso que precisamos ouvir a Profecia. Preciso saber exatamente com o que estou lidando, o que eu estou fazendo. E eu não tenho uma escolha? Eu não preciso lutar com isso esquecendo da minha humanidade. Eu posso lutar com vocês ao meu lado. Essa é a minha escolha.

Notas finais
Baseada em 4x17 – It’s a Terrible Life. *Essa dieta é citada no episódio, e sim, ela realmente existe! :O Eu acabei não abordando muito isso até agora, mas lembra que durante a quarta temporada o Sam e o Dean brigaram muito? Sim, isso também está rolando agora.