Things We Lost in The Fire

11 4x11 - The Last Frontier


Notas iniciais
Oi, pessoal! Lembram há alguns capítulos que eu disse que voltaríamos a ver a Jo no capítulo 4x11? Então, algumas coisas mudaram na ordem dos capítulos, e agora a Jo vai voltar um pouco depois. Ah, a música que está no inicio é uma das “músicas tema” Sam e Alicia. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=mWRsgZuwf_8 Estou viajado e esse capítulo ta programado automaticamente... Falando dele, eu acho que esse capítulo é o capitulo de explicações... que explica coisas do passado, mas principalmente, apresenta o que vai acontecer nas próximas temporadas. Lá vai! Vocês devem ter reparado que coloquei esses capítulos acontecendo debaixo de neve... O motivo é porque enquanto eu estava escrevendo, tava na pior onda de calor DA VIDA aqui. E tudo o que eu queria era neve! beijinhos

Não quero decepcionar você

Mas meu destino é o Inferno

Embora seja tudo por você

Não quero esconder a verdade

Não importa o que criamos

Ainda somos feitos de ganância

Este é meu fim

Quando você sentir meu calor

Olhe nos meus olhos

É onde meus demônios se escondem

Não se aproxime muito

É escuro aqui dentro

É onde meus demônios se escondem

Dizem que é o que você faz

Eu digo que depende do destino

Está preso a minha alma

Eu preciso deixar você ir

Seus olhos, eles brilham tanto

Eu quero guardar a luz deles

Não posso fugir agora

A não ser que você me mostre o caminho

Imagine Dragons

Rhode Island, primeiro de fevereiro de 2009, manhã cedo.

–Bom dia, amor.

Sam abriu os olhos, um pouco incomodado com a claridade. Alicia estava parada em frente a ele, usando uma camisola curta com um robe, ambos de um tom verde claro. Ela segurava uma bandeja com o café da manhã – panquecas – e estava sorridente.

Sentiu uma onda de imenso amor por ela, seguida de uma culpa que era como cair num fundo de poço congelado.

–Oi – ele sorriu de volta. Sim, ele merecia se sentir mal. As últimas semanas tinham quase sido um paraíso, enquanto esperavam Alicia ter resposta da Enéade sobre a localização do mapa que ela deu para Castiel. Um paraíso que Sam não merecia. Alicia estava doce e compreensiva.

Depois que Zachariah os sequestrou em sonho e os fez viver a vida que não era a deles, ficou claro que eles estavam com problemas angelicais. Por isso não tinham arriscado sair daquele local protegido que era o condomínio quartel general de Alicia.

Shane a estava fazendo trabalhar triplicado devido aos meses de “ausência e negligência”, mas ela sempre encontrava tempo para Sam.

Alicia queria tudo. Ela não estava disposta a abrir mão do seu poder, nem de Sam. Zachariah tinha deixado claro que escolher Sam era abrir mão de seu destino e isso era o melhor e todos a sua volta pareciam pensar o mesmo. Bem, Alicia acreditava que era muito capaz de administrar as duas coisas. Sam, por outro lado, estava levando a sério o que o anjo tinha falado. O que ele queria era ajudar as pessoas. Nunca teve intenção de fazer o que tinha feito, o tempo todo, ele acreditou que estava fazendo o melhor. Mas agora, tinha se envolvido com o que quer que tenha acontecido naquela floresta. Ele desejava poder deixar o passado para trás, mas sua consciência não permitia. Sam sabia que precisava contar para Alicia exatamente a extensão de seu envolvimento com Ruby, mas toda vez que ele tocava no assunto, Allie pedia para eles deixarem isso para trás. E Sam era então covarde, com medo demais da reação dela. Chegou a se perguntar se Alicia sabia que ele e Ruby estavam envolvidos sexualmente e mesmo assim resolveu perdoar.

Sam tinha medo de si mesmo. Tinha medo que o desejo de vingança e o ódio voltassem e que ele fosse fraco novamente.

Precisava encontrar um jeito de contar para Alicia a verdade sobre aquele dia. Temia perde-la e assim perder a si mesmo. Não queria magoa-la, agora que estavam bem.

Mas estava cada dia mais pesado guardar isso.

–-

Mais tarde.

–Eu não ligo que é domingo, Alicia, você tem trabalho a fazer – resmungava Shane, do outro lado da porta.

–Eu estou me vestindo. – ela gritou, e revirou os olhos, indicando o quanto estava irritada – e aposto que é alguma coisa chata. Não é como se a Enéade estivesse aqui.

–Não estão, mas eles estão chegando para o almoço.

Alicia abriu a porta, mesmo estando semivestida.

–Puta que pariu, por que não me falou isso antes?

–-

Alicia tinha feito a lição de casa nos últimos dias, aprendendo a diferenciar cada um dos nove membros da Enéade. Todos eram altos, com pele morena e cabelos muito negros.

Atum era aquele que você sabia que era ele só de olhar e isso era parte do poder dele. Tinha cabelos compridos até o meio da costa. Shu tinha cabelos muito curtos e usava maquiagem colorida. Os cabelos de Tefnut eram longos e cacheados e ela tinha o rosto mais arredondado que os outros. Geb era um guerreiro, de expressão firme e muitos músculos. Nut era de expressão suave e muito magra e alta, como uma modelo. Osiris tinha os olhos em formato amendoado e uma longa barba negra. Isis era a mais bela, com cabelos sedosos e compridos. Set inspirava medo só de se olhar para ele e Alicia preferia não olhar para ele por muito tempo. Horus tinha o famoso olho de Horus tatuado em seu braço, cabelos curtos e cacheados. Nephthys tinha olhos amáveis, grandes seios e quadril largo e um sorriso sempre no rosto.

Alicia os recebeu, sem perguntar do mapa para não se mostrar ansiosa demais. Um enorme banquete os aguardava na sala.

–Nós temos o mapa – sorriu Nephthys – surpreendentemente, foi mais fácil lidar com os anjos do que podíamos imaginar. Grandes guerreiros de Deus ele são, se nem podem dar segurança a algo importante... E o melhor de tudo, o traduzimos.

–Então, onde é a sala de profecias? – perguntou Alicia, cansada de se conter.

–No Alasca – quem respondeu foi Set, provocando um arrepio gelado em Alicia. Os olhos dele não tinham vida nenhuma, eram buracos negros e frios – vou mandar vocês para lá.

–-

–Então, nós vamos para o Alasca? – repetiu Dean – mais frio do que já está aqui? Eu odeio frio!

–Não se preocupe, Dean. – falou Alicia, que estava mexendo em seu guarda roupa – Set irá simplesmente nos mandar para lá, não teremos que pegar nenhum avião.

–Eu não estou preocupado com aviões... Espera, Set, você está falando daquele Set, da morte?

–Esse mesmo. – respondeu Alicia, fingindo-se de tranquila, mas não estava.

–E vamos chegar até essa sala, arrombar e ver o que tem dentro, é isso?

–Isso mesmo! – ela se virou para ver Dean e Sam, sentados na cama. Ela segurava dois casacos na mão, um azul claro e outro branco.

–Isso é um plano de merda, Allie. – observou Dean.

–Pois é, eu sei. Qual casaco?

–Aquele preto – respondeu Dean– não é porque estamos indo para o Alasca que você precisa ir fantasiada de iceberg.

–Mas eu amo meu casaco azul iceberg!

Era melhor fazer piadas do que pensar na possível missão suicida. O que tinham era a localização da profecia. O que iriam encontrar lá, ninguém sabia.

–Vocês tem ideia se esse Set vai nos trazer de volta, ou vamos ter que sair de lá sozinhos? – perguntou Sam, sério.

Ninguém respondeu.

–Você sabe? – falou Alicia, para quebrar o silencio constrangedor – acho que teremos que usar roupas para um frio polar. Eu não arriscaria morrer congelada.

–-

A primeira coisa que Alicia sentiu foi frio. Ela abriu os olhos e tudo o que viu foi branco. Estavam em alguma montanha, parte das próprias Montanhas Rochosas, bem na região central do Alasca. Já era noite. E estava muito frio, mesmo eles tendo comprado roupas para esse tipo de clima. A de Alicia era azul clara e branca, propositalmente, para parecer um iceberg, nas palavras de Dean.

–Vocês estão bem? – ela perguntou, incomodada com o forte vento. Parecia até mesmo cortar o rosto.

–Eu me sinto como um bolinho fofo – resmungou Dean, ao mesmo tempo que Sam confirmava que estava bem.

–Ótimo, vamos fazer isso rápido. – ela olhou o mapa das suas mãos – eu acho que estamos no lugar certo.

–Seria realmente mortal se Set nos mandasse para o lugar errado...

–Dean, maneira nas piadas – pediu Sam. Ele pegou o mapa nas mãos de Alicia, tentando se localizar – eu acho que aqui tem um desenho dessas montanhas, certo?

–Sim. O problema é que não sabíamos de onde era as montanhas, estava escrito em enoquiano...

Sam começou a andar para lá e para cá com o mapa na mão, examinando com atenção as rochas congeladas, procurando aquela que era indicada pelo mapa. Ele começou a andar, e Dean e Alicia o seguiram, não antes do loiro sussurrar para ela: “você tem certeza que esse deus filho da puta nos colocou no lugar certo? Isso pode ser uma armadilha”.

Caminharam um tempo, todos incomodados com o vento frio. Mentalmente, Alicia xingava Set: por que ele não tinha pousado eles no local exato?

–Aqui – parou Sam de repente, fazendo os dois baterem nas costas dele. – é essa rocha. É a entrada para a caverna que guarda as profecias.

–Engraçadinhos. Chamavam de “Sala de profecias” e na verdade é uma caverna. – resmungou Dean.

–Shiu, Bolinho Fofo – cortou Alicia – deixa Sam falar.

Sam pegou do bolso a tradução do mapa, que eles tinham lido diversas vezes na casa.

–Então agora é a hora do sangue. Você está pronta, Allie? – Sam olhou para ela com carinho e preocupação.

–Sim, eu estou. – respondeu, tentando ser corajosa. Era só um pouco de sangue na rocha, a porta se abriria e levaria ela direto para a profecia certa.

–Espere um minuto, nós só entramos? É isso mesmo? – interrompeu Dean – porque eu me lembro, Iceberg, que mencionaram que talvez precisássemos lutar. Vocês não querem pensar num plano?

–Não temos como pensar num plano porque não sabemos o que pode nos esperar lá dentro. É entrar e ver. – disse Alicia. Dean estava insistindo que precisavam de um plano há um tempão. – por favor, ninguém morre. Ou eu mato vocês.

Ela retirou uma faca – tudo que eles podiam precisar estavam em bolsos externos dos volumosos casacos de neve. Sam segurou o pulso dela.

–Deixa que eu faço. Eu não vou machucar você.

Alicia sorriu. Sam pegou delicadamente a mão dela, retirando a luva. Alicia sentiu os dedos tremerem pela exposição ao frio. Ela não ia sangrar muito, todos os vasos sanguíneos se contraiam por causa da temperatura, reduzindo a circulação periférica. Esperava que não fosse necessário muito sangue.

Sam passou a lamina na palma dela, tão de leve que não fez nada. Um não desviava os olhos do outro, um olhar dizendo tantas coisas. Na segunda passada de faca, Alicia sentiu a mão arder e o sangue fluir. Abrindo e fechando a mão para aumentar o fluxo sanguíneo, ela colocou a mão na rocha gelada. Mas não sentiu frio, sentiu calor, e uma luz lilás partiu da mão dela, iluminando toda a rocha. A pedra começou a tremer e o calor ficou mais intenso, obrigando Alicia tirar a mão.

O corte já tinha se fechado. A rocha partiu ao meio e parou de se movimentar, liberando espaço para eles.

–Vamos – ela falou, admirada com a magia que emanava dali, que a atraia mais que tudo. Ela começou a andar para dentro, sem olhar para trás, sentindo que alguma coisa a chamava. Archotes na parede explodiam em chamas, iluminando o caminho dela.

Sam e Dean se apressaram a segui-la, ficando aliviados que a passagem permaneceu aberta. Era uma caverna comprida e por onde ia, diversos vasos de todos os tipos, tamanhos e provenientes de varias culturas ocupavam as paredes.

Alicia virou a esquerda, olhando para cima. Ela não alcançava a prateleira de pedra mais alta, onde alguma coisa a chamava. Ela desejou que pudesse voar.

–Sam, me levanta.

Ele a pegou pela cintura com facilidade, e assim, Alicia tocou o vaso de argila com inscrições. Ele brilhou em luz violeta, e mesmo sendo um vaso de aparência pesada, ele não sentiu o peso. Ela o pousou no chão. Com facilidade, retirou a tampa.

De dentro, retirou os pergaminhos, muito antigos. Assim que abriu, percebeu que a escrita era em hieróglifos, mas Alicia sabia que não teria nenhuma dificuldade em ler. Era mágica, a mágica dela, a história dela. Só podia ser lido por ela.

Ela tocou as palavras e sentiu uma forte tontura. Sam a impediu de cair.

–Eu estou bem – garantiu – esperem aqui. Eu posso sentir o que está escrito no pergaminho. Não importa o que aconteça comigo, não façam nada. Eu vou ficar bem.

Alicia fechou os olhos e começou a tocar símbolo por símbolo. Imagens começaram a surgir na sua cabeça, contando uma história... A história do mundo.

Nenhum deles percebeu que de dentro do vaso de argila, saiu uma fumaça negra muito discretamente, que logo se dirigiu em busca de um corpo, para poder cumprir sua missão.

–-

Dean e Sam ficaram parados, nervosos. Alicia passou a maior parte do tempo de olhos fechados, os dedos percorrendo os símbolos. Ela tinha uma expressão concentrada, mas as vezes sorria ou parecia sentir dor. Em alguns momentos, lagrimas escorreram pelos olhos dela, até que ela começou a soluçar. Em outros, ela murmurava coisas em línguas estranhas.

Então ela caiu no chão. Ela abriu os olhos e começou a rir histericamente.

Dean e Sam se abaixaram, preocupados. Ela começou a chorar e eles ajudaram ela a se sentar. Os dois se sentiam muito preocupados e nervosos, não conseguiam entender o que estavam acontecendo.

Alicia inspirou profundamente e depois expirou, soprando o ar pela boca.

Os Winchester olhavam para ela com curiosidade, medo e expectativa.

–É a história de como o mundo volta a forma original. – ela falou, com a respiração ainda ofegante – por minhas mãos. É terrível e maravilhoso, é o fim e o começo. Eu vou contar. Calma.

“No inicio, o Universo foi criado. E todos os seres que os habitam também. Todos convivendo na mesma dimensão, em relativa paz. É claro que isso não durou muito tempo, e as guerras e os conflitos começaram. Como, por exemplo, alguns seres da criação terem se mostrado monstruosos. Ou, um pouco mais tarde, Lucifer. Foi assim que escolheu-se dividir o universo em sete dimensões, ou reinos. Vocês já me ouviram ser chamada de Rainha dos Sete Reinos. É porque eu tenho o poder para unifica-los. O Apocalipse destrói, eu os uno. É por isso que eu tenho que vencer anjos e demônios, porque eles não querem a união. Na Terra, ficaram os humanos, junto com alguns tipos de deuses que possuíam características humanas e alguns outros monstros. No Céu, ficaram os anjos, que eram os soldados de Deus. O Céu era a habitação Dele. No Inferno, foram colocados todos aqueles da Terra, que se rebelavam contra Deus. O Purgatório é uma prisão, para almas e criaturas sem rumo definido. É de lá que veem os monstros. Monstros são coisas que deram errado na criação. Mas, além dessas quatro, outros seres habitam, todos poderosos ou não, habitam outras dimensões. Essas dimensões não tem nomes exatos em nossa língua, mas acho que posso traduzi-las como as dimensões do Tempo, a da Magia e a do Sonho. Cada uma delas tem seu grupo de Seres; elas seriam dimensões análogas a Terra. Tem uma lista de tudo que é encontrado em cada dimensão, mas eu nem sei por onde começar a falar. Foram para essas três que foi tudo que não se encaixava bem em Humano, Anjo, Demônio ou Monstro, criaturas que preferiram não tomar partido na guerra de anjos e demônios, mas não eram humanos, aberrações ou prisioneiros. As vezes, eles conseguem vir à Terra. Outras, somos nós que temos contato com eles... Como bruxas usando magia que não provem de demônios, ou mesmo quando sonhamos... São mundos que funcionam completamente diferente dos nossos, não sei bem como explicar...”

–Mas essa é uma revelação e tanto. Eu estou trancada há séculos com esses pergaminhos e sempre quis saber o que tinham neles. – uma voz feminina falou.

Era uma moça loira com olhos azuis, usando um vestido vermelho totalmente inapropriado para o clima.*

–Foi uma loucura, mas eu consegui um corpo a tempo de ir e voltar para a festa. Então, vamos lá. A razão por eu ter sido injustamente trancada durante todos esses séculos é para evitar que a história da rainha dos sete reinos seja revelada. Mas olha só, quem está aqui, a própria rainha de merda.

–OK, vou fazer a pergunta que está na cabeça de todo mundo – falou Dean – quem porra é você?

–Ah, que rude da minha parte, eu não me apresentei. Eu sou Eisheth, a esposa de Lucifer – ela falava olhando fixamente para Sam. – querido, se eu não tivesse ficado presa nos últimos séculos, eu diria que eu tenho conheceria de algum lugar. Você é tão familiar.

–A esposa de Lucifer? – repetiu Sam – essa não seria Lilith?

Eisheth bufou.

–Tantos anos e a vadia ainda leva a fama. Claro, eu fiquei presa. “Vou te amar mais por isso, Eisheth”, ele disse. “Você vai proteger uma coisa muito importante, que foi muito difícil para eu colocar as mãos, Eisheth. Todo mundo quer isso, Eisheth. Essa é a história que eles querem saber há séculos e um profeta acabou de escreve-la”. E eu fui trancada num vaso de argila por milhares de anos! Por amor a ele; eu cai por aquele imbecil.

Eisheth, seja lá quem fosse, estava bem histérica.

–Hmm – interrompeu Alicia – nós não estamos entendendo nada.

–Ah, me desculpe – ela deu um sorriso descontrolado – Eisheth é a anja idiota que caiu por causa de amor a Lúcifer. E consequentemente foi desprezada por ele quando ele tomou a segunda esposa, a humana Lilith.

Falou humana com um tom de desprezo absoluto. Certo, Eisheth era louca. Eles a haviam liberado sem querer, mas o que ela queria?

–Ah, não se preocupem comigo. Vou deixar vocês irem, mas em troca, me prometam uma coisa: Lucifer já está de volta a terra? Não, né? Não deixem o imbecil sair da caixa. E se ele sair, matem ele, lentamente e dolorosamente. Maldito.

Ela ficou parada por um tempo, e Sam, Dean e Alicia se entreolharam. Simplesmente não sabiam o que fazer com a... Anja caída? Demônio? Que estava completamente histérica. Talvez fosse melhor que ela estivesse tentando matar eles, assim eles saberiam o que fazer...

–Você é a filha de Asmodeus, não é? – perguntou Eisheth, por um momento mais calma, depois voltou ao tom histérico – você pode acreditar que ele teve sete filhos com essa vadia e apenas dois comigo? Mas eu sou a dona da linhagem de Reis do Inferno, e meu segundo filho sempre foi adorado aqui na Terra, ele é quase um Deus. Ele deu poder aos humanos. Meus pobres bebês, nunca souberam o que aconteceu comigo. Enquanto os filhos de Lilith não são grande coisa. Asmodeus, por exemplo. Lucifer o odeia. Tudo o que ele quer é o poder do pai, quer ser Lucifer, quer ser Deus. Aliais, acho que é por isso que ele te pôs no mundo. Para ferrar com Lucifer.

–Quem são seus filhos? – perguntou Alicia. Ela achou melhor manter a mulher falando enquanto pensavam em como cair fora dali. Set nãos os levaria de volta para casa logo?

–Baphomet, é claro. Rei do Inferno. E Samhain, o Poder Demoníaco na Terra. Sempre foram grandes, os dois. Baphomet criou a linhagem de almas que são marcadas para assumir o Inferno. Samhain, meu filho mais novo, aprendeu a conquistar e ser amado e temido pelos humanos como nunca antes. É por isso que é tão poderoso. Almas humanas tem muito poder.

Nenhum deles quis mencionar que eram responsáveis pela morte de Baphomet e pelo exorcismo de Samhain, que tinha ganhado mais 600 anos no Inferno. Mas ela continuou os encarando, claramente esperando que dissessem alguma coisa. Alicia resolveu falar, então.

–Hmm... Eu sabia que era mentira aquela história que Baphomet foi o primeiro humano a vender a alma. Ele é... Hm, grandioso demais para ser só humano. Era obvio que tinha que ser filho de alguém como você.

Eisheth sorriu, parecendo ao mesmo tempo deliciada com o comentário e furiosa com a ideia que achavam que Baphomet era um humano.

–Aposto que Lilith, aquela vadia, espalhou esse boato. Só porque os filhos dela não deram grande coisa. Eu devia estar impedindo vocês de levarem isso, mas eu não me importo. Só quero procurar meus bebês. E por favor, mantenham o idiota do meu marido trancado.

Ela lançou um longo olhar a Sam, observando ele dos pés a cabeça.

–Você realmente me parece familiar, querido. Adeus.

Ela sumiu. Por uns segundos, nenhum deles fez nada, absorvendo tudo o que tinha acabado de acontecer.

–Eu não sei estou mais chocada pela profecia ou pela esposa abandonada de Lucifer. – Alicia falou finalmente.

–A esposa – respondeu Dean – definitivamente a esposa. Não posso lidar com alguém chamando aqueles demônios psicopatas de “meus bebês”.

Sam ajudou Alicia a se levantar do chão.

–Você está bem?

–Atordoada, mas já estive pior. Eu deveria me preocupar com o fato que a doida acha que te conhece?

–Ela é apenas maluca — respondeu Dean – me responde, estamos no meio do Alasca, como inferno vamos embora daqui?

Alicia não respondeu, estava enrolando os pergaminhos e enfiando eles de volta no vaso. Ela ia levar tudo com ela. Havia coisas escritas no vaso e ela não queria descobrir que isso era importante quando estivessem em casa e deixado o vaso para trás.

Alicia não sentia o peso do vaso, enquanto o carregava de volta para o lugar que Set tinha deixado eles. Eles tinham concluído que deveriam voltar para lá se quisessem ir embora.

Felizmente deu certo. Ao atingirem o local, em seguida foram magicamente transportados de volta. Aterrissaram em meio a sala de estar, onde a Enéade estava espalhada nos sofás e poltronas, Shane nervosamente parado próximo à porta.

–Ela conseguiu! – gritou, assim que eles pousaram no meio da sala.

Todos os olhos estavam em Alicia. Ela inspirou fundo, sabendo que o que faria agora traria consequências. Talvez fosse melhor dizer uma semiverdade e enrola-los do que soltar a real: ela nunquinha ia assumir aquela responsabilidade. Esquece. Alicia queria caçar e ser humana, ponto. Será que havia alguma maneira de refazer o feitiço que sua mãe tinha feito?

–Eu estou bem chocada com o que li. – ela falou, tentando parecer nervosa e confusa –por mais que eu ouvisse muita coisa, eu nunca estaria preparada para algo assim. Eu vejo que cometi alguns erros nos últimos meses. Eu preciso treinar mais, me preparar mais, sabe, para atingir todo meu potencial. É por isso – Alicia deu um suspiro – que eu peço um tempo. Vou me retirar para treinar e estudar com atenção essa profecia.

Você não pode mentir para a Enéade.

–Você está escolhendo ser humana – declarou Isis, séria.

–Eu posso ver seu coração – falou Osíris – eu sei que está mentindo. Sei que está fazendo uma escolha movida por sentimentos. Você quer permanecer ao lado desse garoto e não assumir suas responsabilidades.

–Eu tenho o direito de escolha, não tenho? – ela falou, furiosa – é sempre que disseram para mim. Que eu fui Nascida em Batalha. Vocês sabiam disso?

Ali, todos sabiam o que isso significava. Nascido em Batalha era literalmente alguém que tinha nascido durante uma luta – isso dava a pessoa um grande destino, mas ela sempre teria opção de escolher não ter esse destino. Era a representação do livre árbitro.

–Eu tenho escolha – continuou falando Alicia, exasperada – e eu não vou escolher ser a Rainha dos Sete Reinos. Não é isso que eu quero para mim.

–Você está escolhendo o Apocalipse! – um irado Set se manifestou e Alicia sentiu muito medo – você está escolhendo deixar anjos e demônios destruírem o mundo para resolverem seus problemas internos.

–Set, controle-se – falou Isis. Ela olhou para Alicia com profunda decepção – eu acreditava que você era mais corajosa. Que você era a prometida. Nunca imaginei que amor iria fazer você fazer escolhas tão erradas.

–É a minha escolha. – repetiu Alicia. – e eu quero todos vocês fora da minha casa. Agora.

Como magica, todos desapareceram. Shane estava a beira de lagrimas.

–O que vamos fazer sem você? O que você vai fazer sem eles?

–Eu não sei. Você que veio atrás de mim e insistiu com essa ideia desse começo. Nunca perguntou o que eu queria.

–Nós não vamos parar, Alicia – disse Shane – eu acredito em você. Eu sei que você é tudo isso que sempre demostrou ser. Eu acho que você está confusa. Mas eu sei que você vai voltar. E estaremos aqui, te esperando, para te ajudarmos a conquistar a glória.

–Shane, só me responda uma coisa: você ou alguém sabe o conteúdo dessa profecia?

–Eu não sei. E acho que a Enéade também não sabe. Estavam todos esperando que vocês nos contasse.

–Ótimo. – sorriu Alicia – prefiro que isso morra. Eu estou indo embora.

–Mas você vai voltar.

–Acredite no que quiser, Shane. – respondeu ela, já abrindo a porta da sala. Sam e Dean a seguiram, desorientados.

A última coisa que esperavam é que Alicia tivesse feito o que fez.

–-

–Deixe-me perguntar apenas uma vez – falou Dean, enquanto os Winchester observavam Alicia retirar tudo dos armários e colocar em malas. – você está falando sério quanto a isso?

–Quero voltar a caçar, Dean. Estou farta dessa guerra.

–Allie – falou Sam. Ele não tinha dito uma letra desde que saíram da sala. – obrigado.

Alicia o encarou por uns segundos e depois voltou a fazer sua mala. Sim, ela estava fazendo isso por ela e por Sam. O mundo podia estar próximo do fim e por isso mesmo, era agora que ela ia escolher ser feliz com o Sam. Podia ser egoísmo, mas se todos iam morrer, que diferença fazia um pouco de egoísmo?

No fundo, Alicia não estava tão certa de sua escolha. No fundo, ela não conseguia confiar completamente em Sam, com suas mudanças de humor e comportamento esquisito, e isso doía. Mas ela estava escolhendo ignorar esse sentimento e crer que daria certo. Era de Fé no amor deles que ela precisava. E Sam precisava ter fé também.

–Hã... – falou Sam – você quer falar sobre a profecia?

Ela fechou a mala.

–Eu quero esquecer sobre essa profecia. Vamos embora.

Notas finais
The Last Frontier, a última fronteira, é como o Alasca é conhecido. *Eisheth: http://cf.foreveryoungadult.com/_uploads/images/PLL_2x5_hanna.jpg Eisheth reconhece Sam como receptáculo de Lucifer, mas ninguém sabe disso ainda. Falando da Allie: ela não gostou nem um pouco do que viu na profecia e prefere esquecer tudo isso. Mas alguma coisa vai empurra-la pra esse caminho de novo. Alicia não curte ser o que ela é, e embora ela esteve tentando aceitar a si mesma, agora que ela viu a dimensão da sua tarefa, mais o que os anjos andaram falando para ela sobre caminhos perigosos, ela preferiu fugir, de novo, dessa vez metaforicamente: abandona todo seu papel e escolhe o que já conhece, que é ser caçadora, juntamente a Sam e Dean. Allie também se preocupa muito com Sam e acha que se ficar ao lado dele irá salvá-lo... Comentem! bjs