Things We Lost in The Fire

3 4x03 - Goodness of the Heart


Notas iniciais
Oi! Tive um sonho em que, na 11 temporada de Supernatural, uma caçadora aparecia, ela e o Sam se apaixonavam e eles estavam noivos. No sonho, eu lia entrevistas com os produtores de Supernatural dizendo que eles achavam que já era hora de ter mais romance na série. Bom capítulo!

Eu tenho alma, mas não sou um soldado

Você sabe que tem que me ajudar a sair

Não me deixe no banho-maria

Você sabe que tem que me ajudar a sair

Você vai se levar para baixo

Mais uma vez de novo, última chamada para o pecado

Enquanto todo mundo está perdido, a batalha está ganha

Com todas essas coisas que eu fiz

Todas essas coisas que eu fiz

(Tempo, verdade, corações)

Se você puder esperar

The Killers

19 de setembro de setembro de 2008. Casa do Bobby; aproximadamente seis horas da tarde.

Eles tinham acabado de chegar e não sabiam muito o que fazer agora. Dean não estava completamente convencido que era um anjo, mas isso era um fato para Alicia. Fazia todo o sentido, um anjo salvar alguém do Inferno e as coisas que aconteceram com Dean e Pamela. A questão era: por quê? Será que anjos agiam por bondade do coração? E por que Dean, por que ele merecia ser salvo? Alicia sabia que se alguém merecia ser salvo do inferno, esse alguém era Dean Winchester, mas quem garantiria que o mundo todo pensava o mesmo?

–Então, não tem nada na geladeira – falou Sam, saindo da cozinha – vou até a cidade comprar algo para comermos. Vou usar o carro de Bobby.

Ele mostrou as chaves na mão. Dean pediu “um hambúrguer triplo com bacon, a maior porção de fritas que você encontrar com cheddar e três tortas, de maçã e caramelo”. Alicia disse a ele que não queria nada, mas assim que ele saiu, pegou as chaves do próprio carro e foi verificar seu apartamento.

Jo não estava lá. Alicia suspirou. Dean tinha sido uma porta no que se tratava no reencontro com Jo. Ele não sabia tudo o que ela tinha feito e sofrido por ele, o risco que tinha corrido. Alicia ligou para ela e o celular dela estava desligado. Ela só esperava que Jo não estivesse muito magoada.

–-

19 de setembro de 2008; 20 horas. Johhny Mac’s Dinner.

Sam tinha ido se encontrar com Ruby numa lanchonete. A volta de Dean era algo que Sam jamais esperaria e ele estava feliz demais de ter o irmão de volta, vivo. Mas era estranho, não dava para negar. Ele esperava que Ruby pudesse dizer alguma coisa.

Apesar de ser uma sexta, a lanchonete estava bem vazia. Talvez fosse por causa da chuva forte e do vento gelado. Além deles, havia apenas um grupo de adolescentes e mais três pessoas, sozinhas.

–Então – falou Ruby, depois que a garçonete posou a enorme tigela de batata frita com bacon e cheddar na frente dela – a pergunta de um milhão de dólares é: você vai contar ao Dean o que estamos fazendo?

–Sim, eu só preciso descobrir a maneira certa de fazer isso. – respondeu Sam. Ele estava cansado. A volta de Dean, as viagens, o acidente com Pamela, rever Alicia, tudo isso era demais para ele. Ruby parecia incomodada – olha, eu preciso de tempo. Isso é tudo.

–Sam, ele vai descobrir e se não for por você ele vai ficar furioso.

–Ele vai ficar furioso de qualquer jeito. Eu quero dizer, ele é cabeça dura sobre esse negocio de poderes psíquicos; ele apenas vai tentar me parar.

–Olhe. Talvez seja melhor nós darmos um tempo.

–Ruby, você...

–Eu não estou exatamente no fã clube do seu irmão. Mas ele é seu irmão e eu não vou ficar entre vocês dois. – Ruby fez uma pausa, considerando se deveria continuar ou não. – e tem Alicia.

Sam imediatamente fechou a expressão no rosto e cruzou os braços.

–O que tem Alicia?

Ruby suspirou. Não tinha muita paciência para esse assunto.

–Sam, não me aja como eu fosse boba. Você sabe, que quando estamos juntos, você as vezes me chama pelo nome dela...

–Não, eu não chamo. – Sam interrompeu, mas sabia que era mentira. Ele ainda não conseguia parar de pensar em Alicia.

–Sim, você chama e está tudo bem – falou Ruby – eu vi o jeito que você olhou para ela. Você ainda a ama, Sam, e você não pode controlar isso.

–Sim, eu posso. – respondeu Sam, num tom de quem encerrava o assunto. – Ruby, eu não sei se o que estou fazendo é certo. Eu nem ao menos sei se confio em você.

–Obrigada.

–Mas eu sei é que eu estou salvando as pessoas. E parando demônios. E isso me faz sentir bem. Eu quero continuar.

–Bem – sorriu Ruby – eu tenho um caso para você essa noite.

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19 de setembro, 20 horas.

Sam não tinha voltado com a comida e isso normalmente teria irritado Dean, mas dessa vez Dean estava distraído com outra coisa. Bobby tinha indicado a ele qual o livro ele poderia encontrar um ritual para invocar qualquer coisa. Então Dean desceu até o quarto de pânico de Bobby e montou o ritual. Ele estava ansioso para descobrir quem o tinha tirado do inferno e mais importante, por que. Não dava para esperar Sam ou Alicia. Alicia tinha saído logo depois de Sam e pelo que Dean conhecia dos dois, não duvidava nada que eles estavam fazendo as pazes nesse exato momento, completamente esquecidos de tudo.

Assim que finalizou o ritual, nada aconteceu. Dean teve que esperar por alguns minutos e já achava que tinha falhado quando o teto tremeu. A porta se abriu de repente e apareceu um homem usando um sobretudo. As coisas não poderiam ficar mais estranhas. Dean apertou a faca de matar demônios com força, em posição defensiva.

–Quem é você? – ele perguntou.

–Eu sou aquele que te segurou firme e te tirou da perdição.

–Obrigado por isso – e Dean usou a faca para perfurar o tórax do homem. A faca ficou presa e nada tinha acontecido. O homem olhou para a faca como se ela fosse apenas um inseto insignificante e a arrancou do peito.

–Nós precisamos conversar, Dean.

–Quem é você? – repetiu Dean, cada vez mais assustado. Ele era Dean Winchester e não sentia medo, mas aquela criatura era algo que ele nunca tinha encontrado antes.

–Castiel – respondeu ele simplesmente.

–Eu deduzi isso, mas o que é você?

–Eu sou um anjo do senhor – respondeu Castiel.

Tudo que Dean podia pensar era: Alicia estava certa.

–Sabe qual seu problema, Dean? – continuou Castiel – você não tem fé.

–Que anjo maravilhoso você é. Você queimou os olhos daquela mulher.

–Eu avisei ela para não espiar minha forma verdadeira. Pode ser demais para os humanos, assim como a minha verdadeira voz. Mas você já sabia disso.

–Você quer dizer na estação de gás e no motel. Aquele som horrível, era você falando? – Castiel concordou com a cabeça – cara, na próxima vez, abaixe o volume.

–Isso foi um erro meu. Algumas pessoas especiais podem entender e me ver na forma verdadeira. Eu pensei que você fosse um deles, eu me enganei.

–E que forma você está agora, hein. O que é isso, cobrador de imposto santo?

–Isso? Isso é um receptáculo.

–Você está possuindo algum pobre coitado?

–Ele é um homem de fé, na verdade rezou por isso.

Dean não conseguia acreditar. Durante anos, para eles, anjos não existiam. Então anjos não se importavam com o estado que o mundo estava. E agora um anjo tinha tirado ele do Inferno. Com qual objetivo?

–Certo – falou Dean, finalmente – e por que um anjo iria me tirar do inferno?

–Coisas boas acontecem, Dean.

–Não na minha experiência.

–Qual é o problema? Você não acredita que merece ser salvo?

–Por que você faria isso?

–Porque Deus mandou. Porque nós temos trabalho para você.

–-

20 horas. Bar em Sioux Falls.

Apesar da chuva, o Tre Lounge estava lotado. Era um dos bares mais finos de Sioux Falls e frequentado por humanos em sua maioria. Alicia ficou surpresa quando Shane mandou uma mensagem dizendo para encontra-lo lá. Encontrou-o em companhia de Andrew e Anabel. Andrew sorriu feliz ao ver Alicia, mas Anabel não demostrou nenhuma expressão.

–É verdade – falou Anabel assim que Alicia chegou – que os anjos retiraram Dean Winchester do Inferno?

Alicia podia ver os olhos azuis de Anabel brilhando de curiosidade.

–Não sabemos – respondeu Alicia honestamente. – quem retirou Dean do Inferno.

–Apenas um anjo pode ter feito isso. – falou Shane, em tom definitivo.

–É realmente o Apocalipse – falou Anabel – uma alma voltar do Inferno... Com certeza isso é um dos selos grandes. Eu estudo o Apocalipse há anos.

Talvez Anabel fosse mais velha do que aparentava.

–E nunca, em tudo o que eu estudei, havia menção sobre um terceiro lado. O Apocalipse foi planejado sem a sua presença, Alicia. Você não estará nessa guerra. Você nem ao menos é um lado.

–Isso não é verdade – falou Shane – há uma profecia sobre Alicia, muito antiga. O problema é que quando você estuda escritos de anjos e demônios, nunca vai ter referencias a existência de outras criaturas. Eles são muito egocêntricos.

–E é por isso que estamos aqui, Annie. – Andrew interrompeu Shane – porque nós existimos e queremos lutar, queremos ter um espaço no mundo. Eu estou cansado de ser renegado, de ser perseguido pelos Céus.

–Nós não somos perseguidos pelos Céus, And! – Anabel estava claramente irritada.

–Isso é verdade. Nós somos completamente ignorados pelos Céus. Nós não importados, não existimos... Alicia é a saída. A líder do novo mundo, em que haverá espaços para todos. – Andrew encarou Alicia, seus olhos da cor do céu vivos demais para o ambiente escuro – Alicia, Annie ouviu e foi procurar um grupo de anjos esta manhã. Eles estavam falando que Lilith romperia outro selo. Iam tentar impedir.

Anabel estava com uma expressão estranha. Alicia podia ver o quanto dois lados dentro dela estava batalhando. Por fim, ela disse:

–Estamos do seu lado, Alicia. Se todos os Selos forem rompidos, Lucifer caminhará sobre a Terra. Os anjos que eu ouvi... Eles estavam certos que todos os selos seriam rompidos e Lucifer voltaria. Arrisco dizer que é isso que os anjos querem. Você sabe que eles foram responsáveis pelo rompimento de algum dos selos menores nos últimos vinte anos. Nem anjos nem Lucifer dará atenção a nós ou a nenhum outro tipo de criatura. Demônios apenas ligam para demônios e anjos são centrados em si mesmo. Eu sei disso agora, depois do que eu ouvi hoje. Humanos são lixos, criaturas são marginalizadas e pessoas como nós... Misturados... Nós não existimos. Mas estamos ai, vivendo. Fazemos parte desse mundo e eu quero existir.

–Anabel, que selo que será quebrado?

Anabel fez uma inspiração profunda.

–Um dos mais importantes. O Levante das Testemunhas. – ela fez uma pausa, olhando para Andrew – talvez seus amigos caçadores estejam em perigos. As testemunhas vêm para eles, especificamente. Está escrito que elas viriam para os humanos na linha da frente. Acredito que isso se refere aos caçadores.

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22 horas.

Sam tinha acabado de exorcizar um demônio, que eles tinham prendido num prédio vazio próximo a lanchonete. Seu celular começou a tocar. Ele foi para um canto atender, enquanto Ruby limpava a sujeira – infelizmente o corpo que o demônio possuía já estava há muito tempo danificado e aquela pessoa não iria sobreviver. Era Alicia ligando e Sam pensou em não atender. Mas ficou curioso.

–Alicia? – ele perguntou – aconteceu alguma coisa?

–Sim, tenho motivos para acreditar que os caçadores estão em perigo. Um selo vai ser quebrado. Você ainda está em Sioux Falls? Estou voltando para a casa do Bobby verificar se Dean está bem.

–Estou — respondeu Sam, sem deixar de ficar surpreso. Alicia estava falando com ele normalmente. Ela não estava nem o ignorando de volta nem provocando, jogando joguinhos como sempre fazia. E ele meio que gostou disso. – você pode me buscar? O carro que eu peguei do Bobby está muito ruim.

O carro era velho e lento, mas estava funcionando. A verdade é que Sam queria ver Alicia. Estava se sentindo culpado pela maneira que agiu com ela.

–Claro. Onde você está?

Assim que Sam desligou, Ruby tinha parado de arrumar a bagunça. Ele precisava voltar a lanchonete ali perto. Alicia o buscaria lá. Ele não saberia explicar para ela o que estava fazendo num prédio abandonado. Nem o que tinha feito nas últimas horas.

–Então é verdade? – falou Ruby, olhando para Sam fixamente. Ela parecia assustada.

–O que é verdade?

–Um anjo resgatou Dean do Inferno?

–Nós achamos que sim. Outro selo vai ser quebrado agora?

Ruby ignorou a pergunta. Ela parecia apavorada.

–Ruby, você está com... Medo?

–Sam, eles são anjos. Eu sou um demônio. Eles não vão ligar que eu ajudei. Eles não vão ligar que eu ajudei. Eles batem primeiro, perguntam depois.

–O que você sabe sobre eles?

–Não muito. Eu nunca conheci um e eu não quero conhecer. Tudo que eu sei é que eles me assustam. Se cuida, Sam.

–Eu não tenho medo de anjos.

Ruby desapareceu.

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A viagem de volta a casa de Bobby era curta – o ferro-velho dele ficava há 20 minutos de Sioux Falls, mas estava chovendo, Dean não atendia o telefone e ela e Sam estavam sozinhos no carro.

Ela tinha encontrado Sam esperando em frente à lanchonete. Ele estava molhado, carregando vários pacotes de lanche. Ela não perguntou o que ele tinha feito nas últimas horas, mas assim que ele entrou no carro ele explicou que encontrou demônios e os caçou. Alicia não fez mais perguntas. Ela dirigiu rapidamente, em silencio, a chuva tão densa que ela não mal conseguia enxergar na estrada. O único som do carro era da voz de Gerard Way cantando as músicas de The Black Parede. *

Sam espiava Alicia dirigir com o canto dos olhos. Ela não estava falando muito e ele gostou disso. Sentia que ela estava respeitando o espaço que ele precisava. Mas não podia deixar de reparar em como ela estava linda, com um vestido de seda vermelha que ficava perfeito em todos os lugares certos do corpo dela. Sam estava curioso para saber o que ela estivera fazendo em Sioux Falls vestida daquela maneira e como descobriu sobre o selo, mas não fez perguntas.

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Felizmente, Dean se encontrava bem. Ele estava com um monte de livros abertos em volta dele, seu celular esquecido em cima da mesa da cozinha.

–Ah, finalmente vocês chegaram! – Dean sorriu aos vê-los. Sam e Alicia chegando juntos, provava que ele estava certo. – e que bom que trouxeram a comida. Achei que iam morrer de fome.

–Você invocou o anjo, Dean? – perguntou Alicia, a expressão séria.

Dean parou de sorrir.

–Como você sabe?

–Eu posso sentir. – ela respondeu simplesmente. Retirou as sandálias e começou a abrir a comida. Ela pegou uma embalagem de chips para ela e jogou uma embalagem de torta para Dean, que a pegou no ar.

–Eu ainda não acho que é um anjo – falou Dean, a boca cheia de creme de caramelo.

–Você viu Castiel? – perguntou Sam.

–Sim. Ele possuiu um pobre coitado. Disse que é um anjo e que Deus me salvou do Inferno porque tinham trabalho para mim – Dean falou todo como se fosse uma grande loucura, uma piada.

–Por que você acha que Castiel mentiria sobre isso? – falou Sam.

–As vezes ele é algum tipo de demônio. Demônios mentem.

–Por que esses anjos nunca nos ajudaram? Por que se eles estavam por ai, não ajudam os caçadores, os humanos?

–Eu não sei, Dean. Mas pelo que eu ouvi, um anjo é o único que pode tirar um ser humano do Inferno – falou Alicia – Castiel é um anjo. Ponto. Lide com isso. Temos dois problemas maiores agora.

–Dois? – perguntou Sam.

–Sim, o primeiro é que eu ouvi que selos seriam quebrados e isso envolveria a morte de caçadores... O segundo é que eu não sei onde Jo está, Dean, e ela não atende o celular. Ela é uma caçadora. E aliais, nós precisamos conversar sobre isso. Você sabe o quanto Jo se arriscou para ir até o Inferno e tentar salvá-lo? O quanto tempo ela passou no inferno nos últimos meses procurando por você? E você nem ao menos liga para ela?

Dean parecia surpreso. E culpado por não ter dado atenção a Jo. Ele achou que o que tinham tinha terminado um mês e pouco antes dele morrer, a última vez que se viram. Imaginou que Jo seguiria em frente. Nunca pensou que ela arriscaria a vida para salvá-lo. E agora ele não sabia se se sentia feliz por isso ou assustado com o tanto que Jo se importava com ele.

–Eu vou ligar para ela.

Enquanto Dean tentava ligar para Jo, Bobby ligou para Sam. Ele estava chegando em casa. Uma caçadora, Olivia Lowry, havia ligado para ele enquanto ele estava no hospital com Pamela, parecendo bem desesperada, e agora ela não atendia o telefone.

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Olivia morava em Hartford, há apenas 20km de Sioux Falls. A viagem até lá foi tensa. Novamente, foram no carro de Alicia. Dean não tinha conseguido falar com Jo e isso o deixou com raiva de si mesmo. Como ele pode ser tão insensível? E havia mais coisas irritando Dean. Como por exemplo, o Impala escondido. Precisavam assim que encontrassem alguns minutos irem busca-lo no deposito que Sam o deixou.

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20 de setembro. Casa de Olivia. Uma hora da madrugada.

Foi fácil arrombar a porta dos fundos da casa de Olivia. Era uma pequena casa branca. Bobby entrou na frente, com Sam, Alicia e Dean, todos com armas em posição.

–Olivia? – chamou Bobby. Eles passaram pela cozinha vazia. Foi na sala que encontraram o corpo de Olivia, coberto de sangue. Bobby voltou para a cozinha, sem poder olhar para o corpo da amiga morta.

–Sal – falou Sam, apontando para o chão. Em volta do corpo dela havia uma linha de sal. Alicia ligou o EMF, que começou a apitar muito alto.

–Atividade espiritual – Dean disse, olhando para o aparelho na mão de Alicia – usando bomba. Eu nunca vi um fantasma fazer algo assim para uma pessoa.

Bobby voltou à sala, o rosto pálido e a expressão preocupada.

–Eu liguei para alguns caçadores da área.

–Ótimo, podemos ter ajuda – Dean era um otimista, aparentemente.

–Mas eles não estão atendendo o telefone.

–Eu fui avisada – falou Alicia – que iria acontecer algumas coisa com os caçadores. O Levante das Testemunhas.

Dean pegou o celular e começou a ligar novamente para Jo. Ela realmente podia estar em perigo, ou morta.

–Levante das Testemunhas – repetiu Bobby – não tenho ideia do que isso possa ser, balls.

–Bem, se Bobby não sabe, então temos um problema – Alicia de repente começou a se sentir desesperada. Estavam em guerra e agora os bonzinhos estavam morrendo. – é um selo. Vamos pensar. Espírito vingativos em massa matando caçadores?

–É o que parece – Sam olhava pensativo pelo ambiente, tentando procurar alguma coisa que ajudasse, que indicasse o que poderia ser.

De repente, no grande espelho da parede, Sam viu a figura de uma jovem mulher, com cabelos curtos castanhos.

–Oi – disse a imagem, que saiu do espelho e se tornou material, bem ali na frente deles – já faz um tempo.

–Eu sinto muito – falou Sam, enquanto todos atrás deles posicionavam as armas, apontando para ela.

–Quem é você? – perguntou Dean. Sam a tinha reconhecido, mas os outros não.

–Dean Winchester. Sempre tão mandão. Você não me reconhece?

–Meg – falou Dean, chocado.

–Olá. Tudo bem, eu não sou um demônio.

–Você é a garota quem o demônio possuiu – observou Alicia.

–Meg Masters. É bom finalmente falar com vocês, quando eu não estou, você sabem, me afogando em meu próprio sangue. Está tudo OK. Sério, eu sou apenas uma garota colegial. Desculpa, eu era. Eu estava andando para casa uma noite e de repente eu fui envolvida por uma fumaça. A próxima coisa, eu era uma prisioneira... Em meu próprio corpo. Eu estava acordada. Eu tive que assistir enquanto ela matava as pessoas.

–Eu sinto muito – foi a vez de Dean se desculpar. O espirito de Meg estava parecendo bem simpático até agora, mas como eles saberiam se ela não partiria para um ataque violento? Ninguém sabia como lidar com isso.

–Ah, é? – falou Meg, sua expressão neutra mudando para algo mais maligno – vocês sentem muito que vocês tiveram que me jogar de um prédio?**

–Bem, nós pensamos que...

–Não, vocês não pensaram! Eu continuei esperando, rezando! Eu estava presa lá, gritando para vocês: “por favor, me ajudem!”. Você devia ajudar as pessoas, Dean. Por que você não me ajudou?

–Eu sinto muito – repetiu Dean novamente. Meg tinha pego no ponto fraco dele e ele estava quebrando.

–Pare de dizer que sente muito! – gritou Meg, e empurrou Dean no chão, começando a chutá-lo. Dean não reagia. Alicia atirou em Meg, mas as balas de sal não fizeram efeito. Seus poderes também não funcionavam em espíritos.

–Nós não sabíamos! – gritou Dean, tentando proteger o rosto dos chutes com os braços.

–Não, você apenas atacou. Alguma vez você pensou que havia uma garota aqui? Não, você apenas passou por cima, torturando e queimando. Você acha que é algum tipo de herói?

–Não, eu não acho.

–Você está certo – sorriu Meg. Era um sorriso sem felicidade e cruel. – você tem ideia do que é ser levada por ai por meses pelo mal puro... Enquanto sua família não tem ideia do que aconteceu com você? Eu tinha uma irmã mais nova, Dean. Ela rezou por mim, esperou por mim, se preocupou comigo. Você sabe como irmãos mais novos são, não sabe? Como eles fariam qualquer coisa por você. Ela nunca mais foi a mesma depois que eu desapareci. Ela apenas... Ficou perdida. E quando meu corpo estava abandonado, destruído... Quando me encontraram... Sabe o que isso fez a ela? Ela se matou! Por sua causa, Dean! Porque tudo que você pensava era em sua família, sua vingança, seus demônios! 50 palavras em latim e eu ainda estaria viva, minha irmãzinha estaria viva. Esse sangue está em suas mãos, Dean!

–Você está certa – Dean estava ofegante por causa dos chutes. Alicia não conseguia tirar os olhos da cena, as palavras de Meg cortando seu coração. Como ela odiava demônios! Como eles só existiam para destruir vidas... E não era culpa de Dean, mas o que mais partia seu coração, era que Dean acreditava que a culpa fosse dele.

Um barulho atrás dela trouxe Alicia de volta à realidade. Foi assim que ela viu que espíritos tinham vindo para Bobby também e agora ele estava sendo atacado por duas crianças, pequenas garotinhas gêmeas, que murmuravam palavras que Alicia não podia ouvir. Mas diferente de Dean, Bobby ainda tentava se defender – das palavras e da agressão.

Sam estava olhando para o topo da escada, que levava aos andares superiores. Dean tinha começado a tentar parar Meg, mas ele não lutava contra todas suas forças. Alicia se aproximou de Sam para ver o que ele estava vendo.

Jessica Moore.

Ela usava um longo vestido florido. Sua aparência era igualzinha a da vez que Alicia tinha visto ela, mas seu rosto era frio e seus olhos não tinham vida.

–Então, Sam – ela começou, descendo lentamente as escadas. Ele não conseguia piscar ou parar de olhar para ela – então você acha que pode me deixar morrer gritando no fogo, enquanto você seguiu essa sua vidinha ao lado de outra pessoa? Feliz e despreocupado, enquanto eu ainda lembro da dor, do terror... Que eu morri queimando por sua culpa, por você ter entrado em minha vida...

Enquanto isso, Bobby conseguiu se livrar de seus espíritos usando uma cadeira de ferro. As balas de sal não tinha efeito, mas o ferro felizmente teve. Agora, ele usava a mesma cadeira para acertar Meg, que desapareceu. Jessica ainda estava no topo da escada, descrevendo sua morte e atacando Sam por relacionar-se com Alicia. Alicia pegou a mão dele, e com ajuda de Bobby e Dean, o arrastaram para fora de casa. Ela sabia que ele estava a ponto de chorar, mas estava se segurando. Saíram correndo da casa com os berros de Jessica: “isso, vá embora com ela, é isso que você fez antes e eu morri!”.

–-

Os caçadores se esconderam no quarto de pânico de Bobby e começaram a pesquisa sobre o levante das testemunhas. Sam não disse uma palavra, nem se juntou a pesquisa. Alicia queria dizer alguma coisa para consola-lo, mas agora a urgência era maior: eles precisavam salvar a vida dos caçadores. Bobby estava avisando a todos que conheciam e ensinando como se defender: com ferro puro.

Alicia tinha percebido que um espirito vingativo não veio atrás dela. E ela tinha muitos mortos em sua lista.

Talvez fosse porque ela não fosse humana.

–Olha, é por isso que eu não posso crer em Deus – falou Dean de repente, frustrado e furioso – se ele não existe, ok. Coisas más acontecem com pessoas boas. É isso como é. Não tem motivo ou razão. Apenas mal horrível e aleatório. Eu entendo, eu posso lidar com isso. Mas se ele está ai fora, o que tem de errado com ele? Onde inferno ele está enquanto todas essas pessoas boas estão sofrendo? Como ele vive consigo mesmo? Por que ele não ajuda?

Ninguém disse nada. Alguns minutos de silencio se passaram, até que Bobby falou.

–Achei. São fantasmas que tiveram morte violenta e foram forçados a se levantar. Eles acordaram em agonia. São as testemunhas, que testemunharam o mal que acontece quando aqueles que querem ajudar falham. É um selo. Um sinal do apocalipse.

–Como podemos pará-lo, Bobby? – perguntou Alicia, objetiva.

–Tem um feitiço. Espero que possamos traduzi-lo corretamente, está em grego.

–-

Horas depois.

Felizmente, o feitiço funcionou. As testemunhas ainda tinham voltado mais vezes, acompanhados de outras pessoas que morreram por causa deles. A casa repousava em silencio, mas Dean sabia que não era o único que estava acordado. Faltavam os roncos de Bobby e ele podia ouvir Alicia andando pela casa. Sam talvez estivesse dormindo, depois de tomar uma garrafa de whisky. Jessica tinha voltado também e o estrago que ela fez era grande.

Ele se sentia vazio e infeliz, e muito culpado... Sempre tinha tentado fazer o melhor, mas o que tudo acabava era em mais dor e sofrimento para todas aquelas pessoas inocentes. Tinha voltado do Inferno, mas parecia que ainda vivia nele.

–Bom trabalho com as testemunhas – disse uma voz, que fez Dean dar um pulo de susto. Era Castiel.

–Você viu o que estava acontecendo?

–Eu vi. – respondeu Castiel simplesmente.

–Bem, obrigado por toda a ajuda angelical. Eu quase tive meu coração arrancado do peito.

–Mas não teve.

–Eu pensei que anjos eram guardiões. Asas fofas, aureolas.

–Leia a bíblia. Anjos são guerreiros de Deus. Eu sou um soldado.

–Ah, é? Então porque você não lutou?

–Eu não estou aqui para vigiar seu ombro. Nós temos preocupações maiores.

–Maiores? Pessoas morreram! Muitas pessoas boas morreram! E enquanto isso acontece, onde está seu chefe? Se há um Deus, onde ele está?

–Há um Deus.

–Eu não estou convencido. Se há um Deus, pelo que inferno ele está esperando? Genocídio? Monstros dominando a terra? A merda do apocalipse? Em que ponto ele levanta um dedo e ajuda os pobres coitados que estão presos aqui?

–O Senhor trabalha...

–Se você dizer “de maneiras misteriosas”, eu vou chutar você.

–A volta das testemunhas é um dos 66 Selos Maiores. – Castiel mudou de assunto – os 600 preparavam as circunstâncias. Os 66 abrem a jaula de Lúcifer...

–A jaula de Lúcifer? – repetiu Dean. Pareciam palavras sem sentido.

–Se o último romper, Lúcifer está livre novamente. É por isso que voltamos.

–Mas os anjos não romperam alguns dos selos menores? Ouvimos isso.

Castiel parecia honestamente surpreso.

–Nós anjos não rompemos selos. Estamos lutando para evitar isso. Demônios e outras criaturas estão rompendo selos... Você ouviu mentiras.

–Bom trabalho evitando que esse selo seja rompido e todos os outros.

–Nós tentamos. Há outras batalhas, outros selos, outros problemas. Algumas vezes iremos vencer, outras iremos perder. Seis irmãos meus morreram em batalha esse fim de semana, tentando impedir que Lilith quebrasse esse selo. Você acha que os exércitos do Céu deveriam seguir você por ai? Há muita coisa acontecendo. Você deveria mostrar algum respeito para mim. Eu tirei você do Inferno. Eu posso jogá-lo lá novamente.

Castiel desapareceu.

Alguém entrou tropeçando no quarto.

–Dean, você está bem? – era a voz de Sam.

–Então você não vê nenhum problema em acreditar em anjos e Deus?

–Não, nenhum.

–E no Diabo, você acredita?

Notas finais
*My Chemical Romance **Na fic: 1x13 – Shadows e na série 1x16 - Shadow Baseado em 4x01 – Lazarus Rising e 4x02 – Are you there, God? It’s Me, Dean Winchester. Relaxem que a Jo não morreu, ok. Ela já vai dar sinal de vida no próximo capítulo. Eu não sei quando sai o próximo capítulo, mas vai ser logo, no máximo uma semana. Como vocês notaram, eu pretendo escrever capítulos sempre com pelo menos 4.000 palavras. É muito legal ver como minha escrita está evoluindo com o tempo, mas isso só me dá vontade de reescrever a primeira temporada inteira. Eu comecei a escrever sem levar muito a sério, só pra ver no que dava. Eu nunca tinha terminado uma das minhas inúmeras histórias antes kk. Falando nisso, sabe o que eu acabei de escrever? O planejamento da décima temporada dessa história. Então se tudo der certo, ainda vai ter muito mais de mim escrevendo por ai. Comentários? :D me façam feliz.