Notas iniciais
Queria dedicar o capítulo para a Murrina, leitora nova e que fez meu dia mais feliz. E queria dizer que eu gostei demais de escrever esse capítulo e me diverti demais escrevendo ele. Acho que é um dos capítulos que eu mais gostei de escrever de toda a história. Espero que vocês gostem tanto quanto eu! Lá embaixo eu falo porque eu gostei de escrevê-lo.

Outra vez

Para carregar as cores de novo

Minha motivação

Um juramento que prometi defender

Para ganhar a honra

De volta para casa de novo

Nenhuma explicação

Vai importar depois de começarmos

Eu sou como o destruidor das trevas que está enterrado internamente

Minha verdadeira vocação

E saiba, meu amigo desventurado

Você vai descobrir

Uma guerra que você não pode vencer

Eu vou te fazer saber

Que eu me tornei...

Indestrutível

Disturbed

–Surpresa – falou “Dean”.

–Eu não... – começou Bobby, mas Dean, sorridente, simplesmente entra na casa. Jo sentia-se como se estivesse alucinando.

–Nem eu – falou Dean – mas estou aqui!

Alicia se sentia furiosa. De tudo que aqueles monstros já fizeram, aquilo passava completamente dos limites. Com um movimento da mão, ela empurrou Dean contra a parede, mantendo-o preso lá.

–Allie, sou eu! – ele gritou – me solte!

–Minha bunda que é você! – gritou Bobby de volta, já com uma faca na mão.

–Bobby, sou eu. Seu nome é Robert Steven Singer – falou Dean rapidamente, sem tirar os olhos da faca. – você se tornou um caçador após sua esposa ser possuída e... Você é a coisa mais próxima que eu tenho de um pai. Allie, quando você tinha 11 anos, você passou uma semana comendo apenas marshmallow e sorvete. Papai estava caçando um lobisomem no Oregon, lembra?

–Um metamorfo poderia muito bem dizer isso – respondeu Alicia. Mas, quando Bobby usou a faca de prata para fazer um corte no braço de “Dean”, a faca não queimou.

–Viu? – ele falou – pode me soltar agora?

–O que me garante que você não é um zumbi? – perguntou Bobby. Dean poderia ver que Bobby e Alicia ainda estavam muito desconfiados.

–Jo. Sou eu – ele falou..

–Bobby – falou Jo – ele não pode ser um zumbi porque zumbis não sangram.

–É verdade... – falou Alicia. Era verdade. Talvez, por mais impossível que parecesse, aquele fosse mesmo Dean. Cuidadosamente, Alicia o soltou. Dean escorregou lentamente.

–Dean! – Alicia o abraçou com força. Família. Casa. Dean. – você está de volta, você realmente está de volta... Mas como?

–Eu não tenho a mínima ideia – respondeu Dean. É claro que ele estava feliz de estar fora do inferno, mas não tinha desconsiderado a possibilidade de ser uma armadilha, uma ilusão provocada para tortura-lo. Jo estava lá e ele também estava muito feliz em vê-la, mas onde estava Sam?

Ele também abraçou Jo. Ela tinha esperado tanto para vê-lo e parecia cada vez mais impossível, que agora ela não sabia direito como agir. E abraçou Bobby também.

–Eu acordei num caixão – falou Dean.

De repente, Bobby jogou o conteúdo daquela garrafinha que ele sempre levava no bolso – água benta – em cima de Dean, molhando o rosto dele.

–Eu também não sou um demônio.

–Desculpe. Temos que ser cuidadosos.

–Dean. – falou Alicia – isso não faz o menor sentido. Você ficou enterrado por quatro meses. Mesmo que você pudesse escapar para fora do Inferno, seu corpo estaria...

–Eu sei, eu deveria parecer um figurante de Thriller.

–Do que você lembra? – perguntou Jo.

–Não muito. Eu me lembro de ser um brinquedinho dos Cães do Inferno, e depois... Luzes apagadas. Depois eu acordei enterrado, é isso. O número de Sam não está funcionando. Ele...

–Ah, ele está vivo – falou Bobby – pelo que eu sei.

–Pelo que você sabe?

–Ele está vivo – garantiu Alicia, com mais confiança que Bobby. Se ele estivesse morto, eu saberia.

–Mas não falamos com ele há meses – continuou Bobby.

–Vocês estão brincando? – falou Dean, chocado – vocês o deixaram sozinho? Alicia, o que você estava pensando?

–Ele desapareceu, Dean – falou Bobby – recusou qualquer contato com nós. Não é culpa de Alicia.

–Bobby, vocês deveriam ter procurado por ele!

–Nós tentamos. Os últimos meses não foram fáceis para nenhum de nós... Nós tivemos que enterrá-lo.

–Por que vocês me enterraram, aliais?

–Eu queria queimar e salgar – falou Alicia, sem olhar para Dean, encarando o chão. – mas Sam não quis.

–Bem, eu estou feliz que ele ganhou essa, então.

–Ele disse que você precisaria de um corpo quando ele te trouxesse de volta de alguma maneira. É isso tudo que ele disse. – falou Bobby.

–O que você quer dizer?

–Ele foi se afastando cada vez mais. Cada vez mais quieto. E depois parou de retornar minhas ligações. Eu tentei acha-lo, mas ele não queria ser encontra-lo.

–Ele sequer estava falando comigo depois que você... Morreu – disse Alicia.

Dean se sentia muito frustrado. Seu último pedido tinha sido para Sam encontrar Alicia e ficar com ela. Por que ele tinha fez justamente o contrário? E agora ele entendia porque estava de volta. Sam tinha feito.

–Droga, Sammy. Seja lá o que ele fez, é ruim. Ele me trouxe de volta, mas... Vocês precisam ver como estava tudo em volta ao tumulo. Todas as arvores arrancadas. E tinha essa... Força, essa presença, eu não sei, mas explodia em minha volta, era muito intenso. E depois tem isso.

Dean tirou a jaqueta e levantou a manga. Em seu ombro, havia em alto relevo, como uma cicatriz, a marca avermelhada de uma mão.

–É como se um demônio tivesse me puxado para fora. – ele abaixou a manga da camiseta. Bobby e Alicia se entreolharam. Ele, com a experiência de anos de caçadas, ela que já tinha visto várias coisas em todo mundo: eles nunca tinham visto algo assim antes.

–Você pensa que Sam fez um pacto – falou Alicia, tentando dizer as palavras sem emoção, mas por dentro aterrorizada com a ideia que Sam pudesse ter vendido sua alma.

–É o que eu teria feito – falou Dean, simplesmente. – precisamos encontrar Sam. Vocês tentaram algum feitiço de localização?

–Vários. – respondeu Alicia – ele está protegido.

–Como? – perguntou Dean, confuso.

–Sacos de feitiços, talvez? – disse Alicia. – é o que parece. Não sei desde quando ele mexe com feitiçaria, mas pelo visto está fazendo isso.

–Você tentou localiza-lo pelo celular?

–Tentei vários nomes – respondeu Alicia – nenhuma das minhas histórias deram certo.

–E Wedge Antilles, você tentou ver se ele comprou um celular com esse nome?

Dean era melhor em prever Sam do que ela, ela percebeu, chateada. Simplesmente não tinha pensado em Wedge Antilles e agora que Dean tinha falado, parecia obvio.

Dean pegou o telefone rapidamente e discou um número.

–Oi, eu perdi meu celular. Eu estava me perguntando se você poderia ligar o GPS para mim. – Dean fez uma pausa, ouvindo o que a mulher na linha dizia – O nome é Wedge Antilles. O número social é 2474. Obrigado.

Dean desligou o telefone e abriu o notebook de Bobby, que estava sobre a mesa. Enquanto entrava no site da operadora, reparou que havia uma grande quantidade de garrafas de álcool vazias espalhadas.

–Ei, Bobby? Do que se trata o estoque de álcool? Seus pais estão fora da cidade ou algo assim?

–Como eu disse – respondeu Bobby lentamente – os últimos meses não foram fáceis.

Alicia se perguntou o que Dean diria quando visse a quantidade de garrafas que tinha no apartamento em que ela estava vivendo com Jo. Todos ficam em silêncio, enquanto Dean acessa o serviço de GPS no site da empresa. Segundos depois, eles tinham um endereço.

–Sam está em Pontiac, Illinois. Bem perto de onde eu acordei. Grande coincidência, não?

–Mas ele não esteve lá o tempo todo – respondeu Alicia – só eu sei quantas vezes eu e Bobby reviramos Pontiac atrás dele.

–-

Jo preferiu voltar para Sioux Falls porque falou que teria um compromisso no dia seguinte e talvez precisasse viajar também, e a viagem de oito horas até Pontiac atrapalharia seus planos. Depois, ela sentia que aquele reencontro com Sam seria um momento muito familiar e as vezes ela não se sentia muito incluída.

Eles pegariam a estrada no novo carro de Alicia, nada mais nada menos que um Porsche 911 prateado.

–Como você conseguiu esse carro? – perguntou Dean, não conseguindo disfarçar a surpresa.

–Richard Suvimann – falou Bobby com um sorriso – um velho rico de Sioux Falls que se apaixonou pela Alicia.

–Isso não é verdade! – respondeu Alicia – o que aconteceu é que ele tinha um problema com o fantasma da ex-esposa. Claro que todos acreditavam que ele estava louco. Ele irritava a todos os caçadores falando que era um espirito, mas a questão é: as histórias que ele contavam parecia mais com delírios persecutórios do que com fantasma.

–Ele é uma piada entre os caçadores – falou Bobby.

–Quando cheguei à Sioux Falls, ele descobriu que eu caçava. Bobby logo me alertou que ele era um velho louco. Eu o ignorei, mas na terceira vez que ele veio me procurar com a história de fantasma, eu perdi a paciência e pensei: vou dar uma olhada só para ele me deixar em paz. E era realmente um fantasma, né Bobby?

–Eu não tenho culpa que o cara agiu nos últimos cinco anos como um doido completo.

–Nenhum caçador se incomodou de conferir a história – falou Alicia, sorrindo. – quando eu despachei a esposa falecida e ele finalmente teve paz para levar mocinhas de 20 anos à casa dele, ele me deu o carro, um apartamento e muito dinheiro.

Dean a olhava com uma cara estranha.

–O que foi?

–Você é uma mocinha de 20 anos.

–Cala a boca, Dean! Que nojo. – mas Alicia estava rindo. – ele tem tipo 100 anos, sério.

–-

Eles chegaram quase onze horas da noite em Pontiac. O endereço levou eles até o Astoria Motel.

Alicia estacionou o carro na frente.

–Então, qual é o plano para descobrimos qual é o quarto dele? – perguntou Alicia, olhando para Dean, que estava ao lado dela, e Bobby no banco de trás.

Dean observou a recepção do hotel. A porta estava aberta, expondo o interior e o jovem adolescente espinhudo com cara de tédio na recepção.

–Allie, você não tem uma blusa que exponha mais seus peitos?

Alicia encarou Dean, para ver que ele estava realmente falando sério.

–Você voltou do Inferno apenas para tirar uma da minha cara né?

Ela tirou a jaqueta e a camiseta, ficando apenas com a blusinha de alças finas que usava por baixo da camiseta.

–Então, qual vai ser a história? – ela falou e já emendou – que tal “acho que meu namorado está me traindo com uma vagabunda e estou aqui com meu pai e meu irmão, pelo amor de deus me ajude?”

–Parece uma boa história. Vamos.

Felizmente a história era realmente boa e somada ao decote de Alicia, eles mostraram uma foto de Sam e descobriram que ele estava no quarto 207.

O que Alicia não gostou é que Artie, o garoto da recepção, garantiu que o homem estava constantemente ali com uma mulher morena. Será que a história que Alicia tinha inventado não era apenas uma invenção? Ela nunca tinha considerado a possibilidade de Sam estar vendo alguém. Certo, tecnicamente ele tinha terminado com ela e pediu para nunca mais vê-la de novo, mas... Alicia tinha certeza que Sam não estava falando sério a respeito disso e logo voltaria para ela.

Mas que história de mulher era essa? Bem, ela logo descobriria.

Dean bateu na porta, com Bobby ao seu lado. Alicia ficou um pouco para trás no corredor, agora insegura se Sam queria vê-la ou não.

Foi ele quem abriu a porta, usando jeans e uma camiseta cinza. Alicia sentiu frio na barriga ao vê-lo. O cabelo dele estava mais comprido e seu rosto parecia de alguma forma mais velhos. Não era tanto tempo, ela sabia. Foram apenas quatro meses e eles já ficaram mais tempo distantes, mas agora Sam parecia tão diferente. Ela sentiu tanto alivio de vê-lo, ver que ele estava bem, pelo menos aparentemente.

–Ei, Sammy. – falou Dean. Ele entra no quarto, que estava todo bagunçado. Sam puxou uma faca e partiu para cima de Dean, que bloqueou o ataque. Bobby entrou no quarto e segurou Sam. Alicia continuou parada à porta, sem saber o que fazer.

–Quem é você? – gritou Sam, ainda lutando contra Bobby.

–Como se você não tivesse feito isso! – respondeu Dean.

–Feito o que? – Sam parecia honestamente surpreso.

–É ele. É realmente ele – falou Bobby – nós também passamos por isso.

Sam lançou um breve olhar para Alicia, como se não tivesse notado a presença ali até aquele momento, mas rapidamente voltou a atenção para Dean.

–O que... – começou Sam.

–Eu sei. Eu estou ótimo, não? – falou Dean, sorrindo. Bobby soltou Sam. Ambos os irmãos estavam com os olhos cheios de lagrimas e se abraçaram longamente.

Bobby foi fechar a porta do quarto, obrigando Alicia a entrar de vez. Ela continuou parada à porta, se sentindo cada vez mais irritada.

–Então – falou Dean – quanto custou para me trazer de volta? Sua alma ou coisa pior?

–Vocês acham que eu fiz um pacto?

–É exatamente isso que achamos – respondeu Bobby.

–Bem, eu não fiz.

–Não minta para mim – respondeu Dean, irritado.

–Eu não estou mentindo.

–Então o que agora, se eu estou fora e você também, o que aconteceu? Você é amiguinho de algum demônio agora? Eu não queria ser salvo dessa maneira.

–Olha, Dean, eu queria ter feito isso – Sam também estava irritado, frustrado, triste. – eu tentei tudo. Eu tentei abrir o portão do inferno. Inferno, eu tentei barganhar, mas nenhum demônio faria o pacto. Você esteve apodrecendo no Inferno por meses. Por meses e eu não pude parar isso. Eu sinto muito por não ter sido eu, Dean. Me desculpe.

Dean fez uma pausa.

–Você não precisa se desculpar, Sam. Eu acredito em você.

–Não me entendam mal – disse Bobby – eu estou feliz que a alma de Sam esteja intacta, mas isso nos leva a uma pergunta importante.

–Se não foram nenhum de vocês que me tiraram de lá, quem foi? – Dean fez a pergunta que todos estavam pensando.

Bobby foi com Alicia à uma pizzaria ao lado do hotel e voltaram com cervejas e pizza. Bobby tinha percebido que Sam estava ignorando Alicia propositalmente e que a garota estava extremamente magoada com isso. Ele sabia que ela acreditava piamente que Sam e ela ficaria bem, mas agora Sam estava mostrando que não tinha perdoado Alicia. Quando voltaram, Dean e Sam estavam conversando.

–Então – perguntou Dean – o que você esteve fazendo todos esses meses se não estava me desenterrando?

–Bem, depois que eu descobri que não podia salvá-lo, eu comecei a caçar Lilith, tentando conseguir vingança.

–Sozinho – falou Bobby num tom acusatório – quem você pensou que eu era, seu avô? E Alicia?

Sam finalmente olhou para ela, um olhar cheio de tristeza que Alicia sustentou o máximo de tempo possível, até que Sam desviou o olhar para responder a Bobby.

–Eu sinto muito. Eu deveria ter ligado. Eu estava uma bagunça.

Dean, que estava sentado na ponta da cama bagunçada, enquanto Bobby e Alicia estavam no sofá e Sam numa poltrona, pescou do meio dos lençóis um sutiã.

–É, eu posso sentir sua dor. – Dean fez o comentário irônico e Alicia sentiu uma forte dor no estomago. Então era isso. Sam estava realmente saindo com várias garotas ou uma garota e Alicia não sabia qual das opções era pior. Ela fez de tudo para manter a expressão neutra enquanto engolia o choro, seus olhos embaçando momentaneamente de lagrimas e um gosto amargo na boca.

–Esses dias – continuou Sam, que observava Alicia agora. A garota parecia impassível e isso o irritou – eu estava caçando alguns demônios e eles de repente desviaram do caminho e pararam aqui, ontem de manhã.

–Quando eu voltei – falou Dean.

–Você acha que esses demônios vieram aqui por sua causa? – falou Alicia, pela primeira vez desde que tinha entrado no quarto, tentando se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse a visão de Sam rolando na cama com alguma outra mulher. – mas por quê?

–Eu não sei, algum demônio poderoso me tira do Inferno e agora isso? Tem que estar conectado de alguma maneira.

–Como você está se sentindo? – perguntou Alicia. Sabia que Sam estava observando cada movimento dela e ela não queria parecer fraca. – você se sente como você mesmo?

–Sim, eu me sinto bem. Quantas vezes eu tenho que provar que eu sou mesmo?

–Nenhum demônio iria deixar você ir por bondade do coração – ela falou, séria. – eles estão com alguma coisa podre planejada.

–Ok – falou Bobby – nós não sabemos o que eles estão planejando. Nós temos uma pilha de questões e nenhuma resposta. Nós precisamos de ajuda. Eu conheço uma paranormal, há algumas horas daqui. Se é algo grande, talvez ela tenha ouvido o outro lado falar... Já que Alicia não soube de nada de diferente.

–Como assim, Alicia? – disse Sam, confuso, pela primeira vez falando dela.

–Ela tem se envolvido em muitas coisas sobrenaturais – contou Bobby. Alicia achou que o caçador estava tomando as dores dela e isso era muito legal da parte dele.

Sam não respondeu, se voltando para Dean. Ele retirou o amuleto de Dean do pescoço.

–Talvez você queira isso de volta.

Dean o colocou, sorrindo.

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–Então, onde está a minha baby? – perguntou Dean quando chegaram ao estacionamento nos fundos. O Impala 67 não estava visível em lugar nenhum e Dean começou a entrar em pânico.

–Hã – começou Sam –demônios estavam rastreando o carro. Era muito conhecido. Qualquer lugar que eu chegava havia um grande numero de demônios me esperando e, hm, querendo alguma coisa de mim. Eu tive que esconde-lo para poder caçar, está num deposito do papai em North Carolina.

–Você teve que esconder minha baby? – repetiu Dean horrorizado – como é que você pode?

–Eu estava sendo perseguindo, Dean! Você querendo ou não, o Impala é muito marcado e chama muito a atenção...

–Por que demônios estavam te seguindo? – falou Dean, sem entender nada – a vida toda caçamos com ela e não tivemos problema. Eu entendo que tem mais demônios depois que abrimos os portões do inferno, mas isso nunca tinha acontecido antes, é estranho.

–Os demônios pensam que Sam é o líder do Inferno na guerra que está para vir. – falou Alicia. Sam olhou para ela com uma expressão incrédula, que acrescentou, no mesmo tom neutro – é o que todos estão dizendo por ai.

Sam, líder do inferno. Só de pensar nisso Alicia queria rir. Claro que Azazel acreditou nisso, mas Azazel era lunático. Estavam falando do Sammy, pelo amor de Deus. O problema, claro, que outros demônios lunáticos também estavam acreditando nisso.

–Bem – falou Dean, ainda com uma expressão confusa – vamos no carro de Alicia mesmo. Não quero nem saber que carro você andou usando, Sammy.

Havia três carros no estacionamento, todos muito velhos.

Alicia liderou o caminho até a parte da frente do motel, onde seu carro ainda estava estacionando.

–Desde quando você tem um Porsche? – perguntou Sam, surpreso, e pela primeira vez dirigindo a palavra a ela.

–Desde Richard Suvimann – ela falou simplesmente, entrando no banco de motorista com meio sorriso. Que Sam se torturasse pelo menos por alguns minutos se perguntando quem era Richard Suvimann.

Não durou muito, porque quando pegaram a estrada rumo a Iowa City, há apenas três horas dali. Era um pouco depois da uma hora da manhã e chegariam no meio da madrugada à cidade. Teriam que ficar num hotel e esperar algumas horas até poderem procurar Pamela Barnes, a vidente amiga de Bobby.

Durante a viagem, Dean perguntou a Sam sobre Ruby e ele disse que ela estava morta. Alicia não tinha tanta certeza disso. Tinha verificado o hospital em que tinham deixado Ruby na noite que Dean morreu e o corpo tinha desaparecido misteriosamente.

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Eles foram a casa de Pamela logo que amanheceu. Ela os atendeu com um enorme sorriso, abraçando Bobby. Era uma mulher bonita, morena, de aproximadamente 30 anos. Após abraçar Bobby, ela deu uma boa olhada em Sam e Dean.

–Então, esses são os garotos? E Alicia. – ela sorriu para eles.

Alicia cruzou os braços. Ela ainda detestava videntes, mesmo que Missouri tenha ajudado ela.

–Olá – disse Dean, já sorrindo, flertando com ela. Alicia riu. Dean não perdia um minuto.

–Oi – falou Sam, timidamente. Isso fez Alicia sorrir também. Ali estava o Sam que ela conhecia: ele sempre ficava sem graça perto de mulheres bonitas.

–Dean Winchester – ela falou, quando entraram – fora do fogo e de volta para a frigideira, não? Isso torna de você um ser humano único.

–Se você diz – ele respondeu, todo conquistador.

–Então – cortou Bobby – você ouviu alguma coisa?

–Nenhum dos espíritos sabem me dizer o que aconteceu.

–Então, o que é o próximo?

–Tentar falar com essa coisa, eu acho.

–Você não vai... Invocar a maldita coisa aqui, vai?

–Não. Só vou tentar falar com ele.

Após a conversa entre Bobby e Pamela, eles foram para uma sala, com uma mesa redonda no centro e muitas prateleiras com potes, velas, plantas, cristais, livros e objetos de todo o tipo de cultura e religião.

Pamela pegou algumas velas brancas numa gaveta. Assim que ela se abaixou, apareceu uma tatuagem JESSE FOREVER.

–Quem é Jesse? – perguntou Dean imediatamente.

–Bem, não foi para sempre.

–Perda dele.

–Pode ser seu ganho – ela falou, piscando para Dean e se afastou.

–Cara, ela está tão na minha – falou Dean para Sam.

–Sim, ela irá comê-lo vivo – respondeu Sam, meio mal humorado.

–Ei, eu acabei de escapar da prisão. Pega leve comigo.

–Você está convidado também, resmungão – falou Pamela, passando por eles para arrumar as velas na mesa.

–Você não está convidado – resmungou Dean para Sam, baixinho.

Eles se sentaram à mesa, com seis velas acesas e deram as mãos.

–Eu preciso tocar alguma coisa que o nosso monstro misterioso tocou – ela colocou a mão embaixo da mesa.

–Wow, ele não tocou ai. – falou Dean e levantou a manga para mostrar a marca. Sam ficou chocado, olhando para Bobby como se pedisse explicações.

–Ok. – Bobby colocou a mão ali e todos fecharam os olhos.

–Eu invoco, conjuro e comando você a aparecer diante desse circulo – ela repetia constantemente – Castiel? Não, eu não me assusto fácil.

–Castiel? – repetiu Alicia, surpresa. Parecia como um nome de... Nome de anjo.

–É o nome – falou Pamela e Alicia percebeu que talvez ela estivesse certa. – ele está sussurrando para mim e pedindo para eu me afastar. – eu conjuro e comando você, me mostre seu rosto.

Pamela continuava repetindo, e um barulho terrível encheu todo o ambiente, acompanhado de um vento que vinha de lugar nenhum.

De repente, as velas apagam e caem e Pamela começa gritar horrivelmente; seus olhos se abrem, preenchidos de uma luz brilhante. Ela desmaia e a luz e o barulho parem.

–Chame 911! – gritou Bobby. Sam sai correndo da sala, enquanto Dean, Bobby e Alicia se abaixam para ver Pamela. Um liquido escuro escorria dos olhos dela. Ela os abre e há orbitas vazias.

–Eu não posso ver! Eu não posso ver!

–-

Bobby acompanhou Pamela até o hospital. Dean, Sam e Alicia foram até um restaurante próximo, mais para conversar do que fato conseguir comer. Menos Dean – Dean pediu bacon e torta.

–Ela está estável – falou Alicia, que falava ao celular com Bobby. – Fora de risco.

–E cega, por nossa causa – acrescentou Sam.

–E nós ainda não temos uma pista do que essa coisa é.

–Eu tenho – falou Alicia – eu acho que talvez possa ser um anjo.

Os irmãos olharam para ela, surpresa.

–Nós já sabemos que há anjos por ai, já lidamos com um dos selos que foram quebrados por um deles!* E tem todo o sentido um anjo, chamado Castiel, retirar uma alma do Inferno. Eu quero dizer, não é isso que anjos fazem? Ajudam as pessoas?

–Alicia, esse anjo queimou os olhos de Pamela – lembrou Dean.

–É, eu sei. Mas ele avisou a ela para se afastar, talvez não tenha sido culpa dele. Toda aquela luz brilhante que queima? Isso parece ainda mais com um anjo.

A garçonete apareceu com o bacon e a torta de Dean, e os cafés para Sam e Alicia. Enquanto Dean comia o bacon, Alicia pegou o prato de torta de maçã e começou a comer.

–Ei, isso é meu!

–Eu peço outra para você. Então, qual é próximo passo?

–Acho que poderíamos retornar a Sioux Falls e invocar essa coisa.

–Dean, você está louco. Você não pode invocar um anjo.

–Nós nem temos certeza que é um anjo, Allie. Está na hora de encarar essa coisa, face a face.

–Sam, faça alguma coisa! – disse Alicia, se voltando para ele.

–Eu acho que poderíamos tentar. – falou Sam, hesitante, e Alicia se perguntou se ele estava discordando dela só pelo prazer de discordar. – foi o que Bobby disse, ninguém faz nada de graça. Essa coisa irá vir atrás de Dean, cedo ou tarde. Acho que é melhor sermos prevenidos e chegarmos primeiro.

Sam fez uma pausa, e depois continuou.

–Você não precisa vir junto.

Alicia se levantou, furiosa.

–Vou ver se Bobby vai querer voltar com a gente ou se ele ficará aqui com Pamela.

–-

Bobby ficou em Iowa City. Era obvio que ele se sentia culpado pelo que tinha acontecido e queria garantir que Pamela ficaria bem. E claro, havia muitas perguntas a serem respondidas.

Seriam aproximadamente seis horas até Sioux Falls. Desde o comentário de Sam, a conversa tinha morrido entre o trio. Dean ligou o rádio do carro.

Começou a tocar Romeo and Juliet, do The Killers. Dean resmungou.

–O motorista escolhe a música, Dean – falou Alicia. Ela e Sam adoravam aquela música. Se ela ia se sentir como merda, que ele também se sentisse.

Juliet, when we made love you used to cry

You said I love you like the starts above

I’ll love until I die

There’s a place for us, you know the movie song

When you gonna realize

It was just the time was wrong, Juliet?

(...)

I can’t do everything, but I’ll do anything for you

I can’t do anything except be in love with you

And all I do is miss you and the way we used to be**

Notas finais
*3x05 – Bulletproof Heart **”Julieta, quando fazíamos amor, você costumava chorar / Você disse eu te amo como as estrelas acima/ eu vou te amar até eu morrer/tem um lugar para nós, você conhece a canção do filme/ quando você vai perceber/ que foi apenas o momento errado, Julieta?/ Eu não posso fazer tudo, mas eu faria qualquer coisa por você / eu não posso fazer nada exceto estar apaixonado por você / e tudo o que eu faço é sentir sua falta e o jeito que nós costumávamos ser” Essa música é linda e se vocês quiserem ouvi-la, recomendo: https://www.youtube.com/watch?v=NtmorUXAwiI Baseado em 4x01 – Lazarus Rising Esse episódio é um dos meus favoritos da série toda. Eu amo ele. Depois, adoro o Dean fazendo essas brincadeiras e adoro a interação dele com a Alicia. Mais de uma pessoa já me disse que acha que o Dean fica meio de lado e as vezes eu também sinto :/ (mas é porque eu amo o Sam e já tem um milhão de fanfics com o Dean por ai, quem excluido sempre é o Sammy), mas por também sentir isso, vou aproximar ambos aqui. Relaxa que não é triangulo amoroso, Sam e Alicia para sempre. Eu também amo escrever brigas dessa casal, sério. Me divirto demais. E confesso que também gostei de escrever Sam - A Vingança contra a Alicia, depois de tudo que ela, nas suas instabilidades, fez para ele. Comentários?