These Gray Eyes
21 Capítulo 21
Notas iniciais
POV Percy
Depois do trabalho eu fui pra aula, mas felizmente eu só tive uma depois do almoço então eu mandei um sms pra Annie avisando que iria pra casa mais cedo. Ela me respondeu dizendo que depois da aula ia passar no escritório do Quíron pra resolver aquela questão da mãe bruxa e depois ia pra casa.
Cheguei em casa e como previsto eu estava sozinho. Bufei e sentei entediado no sofá. Quando se está solteiro, até que é legal estar sozinho, mas quando você começa a namorar, isso se torna insuportavelmente chato porque você só pensa em estar com essa pessoa.
Isso é um porre cara.
Eu liguei a televisão e ziguezagueei pela casa, abri a geladeira e fucei ali procurando alguma coisa pra beber. Cara quanto tempo eu não tomo uma cerveja? Peguei a latinha na mão, e é claro, pensei em Annabeth e em como seria muito melhor dividir essa cerveja com ela. Bufei de novo e coloquei a cerveja no lugar. Quando ela chegasse eu tomava.
Fui até o meu quarto e peguei um livro da matéria pra ler. Eu precisava me concentrar nas provas que estavam por vir. Pra me prevenir, eu já peguei o óculos dentro da gaveta. E adivinha?
Oh meu pai, até quando ela tá longe ela me enlouquece!
Voltei a sentar no sofá com o livro no colo, com a televisão ligada e concentrado na leitura eu nem vi o tempo passar.
– Percy? – Meu pai me assustou assim que abriu a porta. Eu levantei os olhos do livro sentindo aquela tontura momentânea e sorri pra ele.
– Eae? – Ele fez uma cara confusa, jogou a chave em cima do aparador e esticou a cabeça pra olhar na cozinha.
– Cadê a Annie? – Ele perguntou.
– Passou no escritório do Quíron pra resolver aqueles assuntos de ontem, daqui a pouco ela tá ai. – Foi eu terminar de falar que ouvi o barulho do carro na frente de casa. – E ela chegou. – Meu pai riu.
– A sua cara, só falta ir abanando o rabinho. – Eu revirei os olhos e dei um peteleco na sua orelha. – Cacete! Isso dói.
– É pra doer. Ohh e a história de ser o P.A. da Sra. Grace? – Ele bufou.
– Vocês que inventaram isso, eu não sei de nada.
– Larga de ser frouxo homem. Dá uns cato na coroa, que pra falar bem a verdade, nem é tão coroa assim. Eu acho que ela ainda pode ter filho. Não que isso seja uma dica ok? Nada de irmãozinho, firmeza? – Ele revirou os olhos e ouvimos a porta se abrir. Automaticamente meus olhos foram naquela direção e eu ouvi meu pai rir.
– Olá. – Ela fechou a porta carregando sua mochila e foi indo na direção do quarto. Eu fiz uma cara emburrada e peguei seu pulso quando ela passou por mim. – O que?
– Eu não ganho nenhum beijinho? – Ela riu e se inclinou, me dando um selinho xoxo.
– Eu já volto cabeça de alga, só vou deixar a bolsa no quarto.
– Rum. – Ela riu e foi pro quarto. Eu olhei pro meu pai e ele estava tentando segurar a risada. – Qual é a graça agora?
– Acredite, é bem engraçado. – Eu bufei e me levantei, coloquei o livro na mesa de centro junto com meus óculos e fui até a cozinha pegando a cerveja que eu pensei em abrir mais cedo. Abri a latinha ouvindo aquele barulho característico e tomei um gole.
Ah eu senti falta disso.
– Voltei. – Eu a puxei pela cintura e ela riu me beijando de verdade. – Hmm isso me lembra velhos tempos. – Ela lambeu os lábios e eu sorri e entreguei a cerveja pra ela.
– Velhos hábitos nunca mudam loira. – Eu pisquei pra ela e ela riu, tomando um gole da cerveja. – Quer uma pai? – Eu gritei da cozinha.
– Não, to bem. – Dei de ombros. Fomos pra sala. Eu me encostei no batente da porta e Annie se encostou em mim enquanto assistíamos o que passava na tv e dividíamos a cerveja.
– Hm, como foi lá? – Eu perguntei, assim que a cerveja acabou. Ela suspirou.
– Am, e-eu não consegui manda-la pra cadeia. – Eu sorri e acariciei seus cabelos.
– Eu te entendo, mesmo ela merecendo estar lá, ela é sua mãe afinal de contas. – Ouvi ela suspirar e meu pai concordar comigo.
– Então, eu fiz uma proposta, Quíron achou justo e ela até que levou numa boa, melhor que morar embaixo da ponte eu diria.
– E qual é? – Meu pai perguntou.
– Ela moraria aqui, e vocês se mudariam pra casa do meu pai comigo. – Eu parei por um instante e a soltei.
– Como é? Ofereceu a nossa casa? Com que direito fez isso Annabeth?! – Eu me exaltei, a assustando tanto quanto meu pai que se levantou do sofá.
– Hey Percy, o que é isso?
– Porque fez isso? A casa que eu vivi durante anos com a minha mãe, que serviu de lar pra você todo esse tempo? Vai ser tratada assim? Como um nada?
– Não! Deuses eu não disse isso! Percy, eu só, e-eu achei que vocês iriam gostar de ir morar comigo.
– Mas nós já estamos morando juntos Annabeth! Nessa casa! O que ela não é boa o suficiente pra você princesinha? – Ela se encolheu e eu encarei aqueles olhos cinza que eu tanto amo e que refletiam horror, surpresa, espanto e principalmente desespero. Ela enxugou as lágrimas, que só agora eu havia notado que caiam, com força e fechou as mãos em punho.
– Você enlouqueceu? De onde tirou isso Percy? Você sabe que eu não sou assim! Você me conhece cacete. – Eu não percebi em que momento começamos a gritar, mas eu abaixei o tom.
– Eu achava que conhecia. – Ela me olhava chocada e com muita, muita raiva.
– Vai pro inferno Perseu! – E de repente ela não estava mais ali.
Eu respirei fundo e senti a mão do meu pai no meu ombro. Eu me virei pra ele e senti um tapa na nuca.
– Mas que porra...
– O que deu em você? Bateu com a cabeça? – Eu me acalmei e o olhei enquanto ele me dava mais um tapa. – Você está usando drogas é isso? Ta ficando maluco! Porque fez isso com ela?! Vocês se amam seu idiota, depois de tudo o que passaram juntos, depois do que ela passou a vida inteira! – Eu escondi a cabeça entre as mãos.
– O que foi que eu fiz? – Ele bufou e se afastou.
– Anda caralho, vai logo atrás dela antes que eu pegue uma cinta e resolva fazer o que eu nunca fiz, bater em você. Eu vou arrumar as malas.
– Malas?
– É lógico, vamos nos mudar!
– Mas...
– Eu realmente acho que você andou se drogando, esse sempre foi o sonho da sua mãe, o meu também. Morar em uma casa melhor, em um bairro melhor. Sempre suamos muito filho, Annie acreditou em nós, ela é um anjo e só quer o melhor pra todo mundo. Não vê que ela nunca pensou que te magoaria com isso? É a casa que o pai dela fez pra ela, diferente de nós essa é a única lembrança boa do pai. Ela não tem família além da gente e o que nós temos nessa casa velha que tanto suamos para pagar o aluguel?
– A-as lembranças... – Ele negou.
– Sally sempre estará conosco filho, em qualquer lugar. Vamos ser felizes Percy, você com a mulher que ama e eu com meus dois filhos. – Eu puxei meus cabelos e chutei o sofá.
– Eu sou uma mula! – Ele riu e revirou os olhos.
– Vai logo atrás dela! – Assenti e sai porta a fora correndo.
Tateei os bolsos a algumas esquinas dali e percebi que não tinha pegado nem o celular e nenhum dinheiro, a única coisa que eu tinha era um passe de ônibus meio amassado. Bufei, eu chegaria lá só amanha. Mas é o que temos pra agora. Corri mais umas ruas para pegar o ônibus que passava perto da casa dela.
Não tive que esperar muito tempo e já estava dentro do ônibus. Encostei a cabeça na janela e suspirei. Onde eu tava com a cabeça?
Fechei os olhos por um momento pensando se ela iria me desculpar por ser um babaca e quando abri, já estava no bairro dela. Olhei pra fora vendo as pessoas ricas que moravam ali. Avistei um cara gordo e ruivo entrar em um bar acompanhado de vários homens suspeitos. Levantei em um salto, metendo a cabeça naquele poste de segurar.
– Filho da puta. – Puxei a cordinha pra parar o ônibus e olhei pela janela, onde o cara estava. Quando o ônibus parou, eu saltei e corri naquela direção.
Graças aos deuses, eu estava namorando e resolvi me vestir razoavelmente bem, porque não me deixariam entrar ali vestindo qualquer coisa.
O Sr. Dare estava em uma mesa acompanhado dos caras perto do bar, eles riam e fumavam charuto. Fui até o bar e me sentei continuando a observa-los.
– Posso ajuda-lo? – Uma garçonete perguntou. Eu nem olhei pra ela, apenas a afastei com um gesto. – Senhor não pode ficar aqui se não consumir nada. – A mesma garçonete disse acompanhada de um segurança. Eu bufei, porque gente rica tem dessas coisas?
– Tá, tudo bem eu já estou indo. – O cara se aproximou de mim. – Hey, eu disse que já estou indo, não preciso de escolta.
Acho que um segurança tirando um cara de um bar chique chama a atenção, porque o ruivo olhava pra mim com uma cara sarcástica.
– Deixe o moleque! Ele está comigo.
E eu to encrencado.
...
Fale com o autor