Theres No Winter Without Summer

24 Capítulo Vinte e Três


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem?
Bom, primeiro boas vindas pras leitoras novas, Breh Targaryen e Luubs. Sejam bem vindas!
Segundo, obrigada pelos reviews do capítulo passado.
Agora vamos para o capítulo!

Robb saiu do castelo a passos firmes até chegar à entrada do Bosque Sagrado. Ordenou aos seus Guardas Reais que permanecessem ali e seguiu sozinho pelas árvores sentinelas até chegar ao represeiro que o encarava. Pelo menos os olhos não o acusavam, como os de todos os outros. Fraco, eles achavam? Gritava em seus olhos quando eles repousavam em Robb que o Rei era fraco. Como eles ousavam chamá-lo de fraco depois de tudo que ele passou? Apoiou as mãos na árvore, deixando as costas curvas para encarar os olhos de lágrimas vermelhas. Que conselhos eles tinham para ele? Não poderiam trazer Mykhaela de volta? Dois meses sem notícias, sem saber de nada. Se ela estava viva, se estava bem. Não conheciam as águas do sul e do leste e o pouco que conhecia de Iberia era pelo que Mykhaela falava, pelo mapa que ela trouxe consigo, mostrando a Robb a cidade onde nascera, perto do mar, e a enorme extensão de seu reino, infinitamente maior do que Westeros.

Mas conhecer as extensões de Iberia não fazia sentido se ele não poderia ir até lá para trazê-la de volta, para livrá-la de um casamento com Theon. Rezar não parecia fazer efeito algum também. Questionava-se sobre a existência de seus deuses, dos deuses de seu pai. Eles ainda estavam olhando por ele? Ou já haviam abandonado todos os homens? Aquelas perguntas não tinham resposta, e ele não queria respostas, queria a esposa e o filho de volta. Era sua família que ele pedia, nada mais. Andou pelo bosque se afastando da árvore e dos deuses, caminhando pela borda de uma lagoa de água quente que borbulhava da terra. Fechou os olhos e sentiu o calor que vinha do vapor das águas.

"E se alguém aparecer, Robb?"

"Ninguém vai aparecer" Robb sorriu, dando a volta no corpo dela e afundando a cabeça em seguida. Mykhaela abraçava o corpo nu submerso na água quente até ver a cabeça de Robb surgir novamente na superfície.

"Você tem certeza?"

"Meus guardas não deixarão ninguém entrar enquanto estivermos aqui" Robb abraçou o corpo dela, envolvendo-a num beijo apaixonado. Assistiu o sorriso brotar nos lábios dela quando abriu os olhos e logo encontrou o esverdeado que o guiava naquele último ano. Há exatamente um ano ele havia pedido a mão dela naquele bosque e foi o melhor ano de sua vida.

"Você sabe que não me impressiona com águas mornas, Stark. Em Iberia até o mar é quente" Ela riu enroscando os braços no pescoço do marido e arrumando os cachos molhados que lhe caíam na testa.

"O que posso fazer pra te surpreender então?"

"Não há meio de você superar minha surpresa de um ano atrás. A última coisa que eu esperava naquele dia era você me pedindo em casamento"

"Arrependimentos?"

"Nenhum" Mykhaela sorriu de forma sincera e envolveu a cintura de Robb com suas pernas. "Você?"

"Nunca"

Robb mordiscou o queixo de Mykhaela enquanto a assistia arfar e fechar os olhos quando o sentiu dentro dela. Os dedos dela agarrando-se em seus cachos, aprovando cada movimento seu, era uma das sensações preferidas de Robb. Ouvir a voz dela chamando seu nome, os mamilos dela enrijecerem-se em sua boca, a pele dela arrepiar-se e os músculos tencionarem-se apenas para seus toques. Tudo sobre Mykhaela era tão bom e novo e apaixonante. Mesmo depois de um ano, a cada dia sentia ela mais presente, mais conectada a ele. Sugou o lábio dela enquanto a água mexia-se em volta deles seguindo os movimentos de Robb dentro dela, ouvindo a voz doce com aquele sotaque gostoso chamando-o, aprovando-o. Sentiu as pernas dela pressionarem-se em seu quadril, a cabeça pender para trás e os lábios abrirem-se gritando gemidos incoerentes junto ao seu nome quando o corpo dela, trêmulo, atingiu o prazer e Robb devorava-lhe o pescoço, deixando sua semente entrar nela. Mykhaela colou sua testa na de Robb, encarando os olhos azuis com um sorriso no rosto e permaneceram assim por alguns minutos, apenas mergulhados nos olhos um do outro.

Robb foi retirado da lembrança quando ouviu um farfalhar de folhas e passos que se aproximavam. Virou o corpo a tempo de ver Talisa surgindo entre as árvores com um vestido amarelado de gordura. Ela fez uma reverência e ele, em silêncio. Era bom ver que uma pessoa não o olhava de forma acusatória.

"Sinto muito pela sua esposa, Vossa Graça"

"Obrigado" Robb disse após limpar a garganta e olhou em volta. "Estava me procurando?"

"Não, eu vim procurar o filho de Marnie, é uma das cozinheiras. O filho dela vive sumindo" Talisa sorriu pequeno e olhou para seus próprios pés, sem jeito. Havia tanto tempo desde a última vez que se falaram. "Enfim, eu fico feliz que você e seu filho estejam bem, Robb"

"Gostaria de estar feliz também" Robb juntou as sobrancelhas num olhar perdido e sua cabeça balançou negativamente de forma instintiva.

"O que você está fazendo é muito nobre, Robb. Pensando em seu povo ao invés de pensar em você mesmo. É por isso que essas pessoas te coroaram"

"Ainda assim não me sinto melhor por isso"

"Eles perderam a rainha, mas você perdeu sua esposa, ninguém espera que você se sinta bem"

"Eu não ligo pro que as pessoas esperam, Talisa. Eu só queria ter certeza de que ela está bem. Eu só queria ter podido impedi-la de fazer isso, de tomar aquela decisão por mim e me deixar vivo, mas sofrendo como o inferno"

"E como ela estaria se você tivesse morrido, Robb?"

"Sofrendo, como eu tenho certeza que ela está agora. Pelos deuses, ele tem a ela, tem ao meu filho e eu não posso fazer nada. De que me vale ser rei?"

"Você não tem que pensar nisso. Não pode mudar o passado e tem uma criança que depende de você, Robb. Siga em frente pelo filho de Mykhaela"

"Pelo meu filho, Talisa" Robb corrigiu, um pouco incomodado. Eddard era tanto filho dele quanto de Mykhaela e, a seu ver, muito mais dele do que de Jon.

"Claro, me desculpe" Talisa abaixou o olhar. "Tenho que ir, Robb. Espero que você fique bem logo"

Robb a assistiu fazer uma reverência e sair a passos apressados pelas árvores, gritando pelo garotinho.

-x-

A sala comum da torre de Robb estava vazia a não ser por Bran e Alyssa. Rickon e os garotos Frey estavam do lado de fora brincando de guerra de neve, atividade que Bran não podia compartilhar. E também já não tinha idade para aquilo, era praticamente um homem feito e Robb insistia em arrastá-lo para todas as reuniões do conselho como se estivesse o treinando para substituí-lo. Era raro ter um momento de sossego e lá estava ele, com um livro em mãos enquanto Alyssa bordava um vestido longo branco com fios de ouro. Ela tinha o olhar triste e melancólico desde que Robb retornara sem a irmã dela. De repente se sentiu abandonada naquele país estranho com um monte de gente que não era da sua família. Até de Bran ela pareceu se distanciar um pouco, mesmo assim ele era o único com quem ela se sentia bem o bastante para conversar.

"O que foi?" Ela disse levantando o olhar para Bran quando ele fechou o livro com força e bufou.

"Estou cansado de ficar aqui, lendo"

"Quer que eu chame Hodor?"

"Não, não precisa" Bran fechou a cara. "É humilhante ter que ser carregado para todo lado. Não sou mais uma criança, sou um homem feito quase"

"Não tem que se envergonhar"

"Se não tenho que me envergonhar tenho que ter orgulho?"

"Não foi isso que quis dizer" Alyssa levantou-se e deixou o vestido de lado, caminhando até Bran e sentando-se no sofá ao lado dele. Acariciou o rosto pálido do príncipe e beijou-lhe os lábios.

"Me desculpe, não quis ser rude com você" Bran enrolou uma mecha dos cabelos de Alyssa entre seus dedos. "É só que é tão frustrante"

"Eu sei, Bran, mas você não pode deixar isso te abater toda hora. Você mesmo disse, é quase um homem feito. Já está na hora de se acostumar com isso"

"Eu nunca vou me acostumar com isso" Bran juntou as sobrancelhas numa expressão contrariada, como uma criança, e Alyssa sorriu docemente para ele.

"Queria que minha irmã estivesse aqui"

"Eu também"

"Acha que ela vai voltar um dia?"

Bran suspirou, lembrando-se das reuniões do conselho. A maioria duvidava que Mykhaela estava viva e a outra parte achava que se ela estivesse, nunca retornaria. Para alguns ela até perdera a honra de ser rainha quando se vendeu para Theon. Robb parecia sempre apático quando o assunto era Mykhaela e Bran nunca era levado muito a sério nessas reuniões, mas sempre que podia, levantava a voz para defender a rainha. Afinal de contas, por muitas vezes, ela foi uma segunda mãe para Bran. E apesar de todas as chances estarem contra a volta de Mykhaela, Bran não quis deixar Aly ainda mais triste e apenas sorriu pequeno.

"Ela vai voltar, Aly. Eu te prometo"

E ele sabia, no momento em que proferiu as palavras, que nunca poderia cumprir aquela promessa. Mesmo que tivesse pernas boas e fortes como as de Robb, não poderia ir até Mykhaela para trazê-la de volta. Nem o irmão mais velho tinha aquele poder. Alyssa assentiu de forma triste e beijou os lábios de Bran mais uma vez, voltando à poltrona em que se sentava assim que ouviu a porta abrir-se e Lady Catelyn entrar acompanhada de duas criadas.

"Está na hora de se arrumar para o almoço, Bran"

"Eu tenho quinze anos, mãe. Não posso decidir quando quero almoçar?"

"Não enquanto eu estiver aqui" Catelyn arqueou ambas as sobrancelhas.

"Não enquanto eu não tiver pernas" Bran disse num tom enfezado e Catelyn soltou um estalo de desaprovação.

-x-

Jon esfregou os olhos de forma sonolenta. A manhã estava fria como qualquer outra, mas sentia em seus ossos o cansaço cada vez mais presente. Olhou em volta e sentou-se na cama, colocando os pés no chão de pedra. Foi mais uma noite com um sono incômodo, como todas as outras daqueles últimos meses. Tinha responsabilidades maiores agora. Ser Lord Comandante era muito mais trabalhoso do que esperava. Não que Jon fora pego de surpresa com todas as tarefas, já que acompanhava Mormont nos últimos anos. Mas tomar decisões era algo que ele não tinha com que se preocupar quando era apenas intendente. Era um cansaço mental muito grande.

Além de tudo não podia deixar de se preocupar com uma velha amiga do passado. Tentava não pensar em Mykhaela, em honrar o pedido do Velho Urso. Mas como ignorar tudo o que ela representou para ele? Não era mais sobre amor, sobre estar junto. Era sobre a segurança dela, sobre seu bem estar. Era muito maior do que qualquer juramento, Jon não podia simplesmente afogar o carinho que sentia por Mykhaela e escondê-lo. Então as noites eram mal dormidas porque ele simplesmente não conseguia não ser assim.

E pior, o irmão sofria. Jon sabia que sim, Jon viu nos olhos dele. Não conseguia imaginar-se na situação de Robb, de ter que ver a sua esposa entregar-se a outro homem. Mesmo que fosse apenas para provar seu amor por ele, mesmo que fosse um ato desesperado para não vê-lo morrer, Jon não podia imaginar o sentimento de impotência de Robb naquele momento. Encarar os lords, encarar a vergonha de voltar pra casa e contar a todos seus infortúnios; Robb sempre fora forte, mas até quando podia aguentar aquela pressão?

Fantasma repousou a cabeça nas coxas de Jon e o olhou de forma compreensiva. Nunca precisava verbalizar as coisas para o lobo gigante entender o que quer que se passasse na mente do Patrulheiro. Seus olhos vermelhos sempre encaravam Jon como um espelho de si mesmo, de todos os sentimentos em seu peito. Mas não adiantava mergulhar-se em preocupações que ele não podia resolver. Esperava que um dia Mykhaela mandasse notícias, mas nada podia fazer além de esperar. Havia muito tempo que o papel de cuidar dela não era mais dele e demorou para Jon entender, mas assim que compreendeu sua vida passou a ser mais fácil. E mais fria e solitária e distante. E a máscara de Lord que sempre via em seu pai, que agora via em Robb, caía sobre sua face também. As responsabilidades sempre nos mudam, o tempo também. Não importa quando, hora ou outra a fruta amadurece e cai da árvore, parte-se no chão e semeia novas formas de vida. Era assim com todos e com eles, lords ou bastardos, não seria diferente.

Notas finais
Capítulo totalmente Stark haha.
Quis colocar um momentinho Bran e Aly porque acho muito fofo o relacionamento que criei pros dois na minha mente.
E Jon, será que ele desistiu mesmo de Mykhaela pra sempre ou está só se enganando?
Espero os reviews de vocês!
Beijos