Theres No Winter Without Summer
30 Capítulo Vinte e Nove
Notas iniciais
Demorei um pouquinho pra postar né?
Estou cheia de trabalhos da faculdade e está um pouco difícil escrever, então meus capítulos estão acabando e eu to ficando meio preocupada. Esse feriado consegui escrever um pouco então resolvi postar hoje. Sei que é chato isso (principalmente porque estava quase morrendo esperando capítulo novo de Jar of Hearts e entendo o drama de leitor), mas assim que conseguir me organizar eu volto a postar semanalmente.
Queria desejar boas vindas à Khaleesi Malfoy Snow.
Vamos lá, espero que gostem. Boa leitura.
A entrada da Mata dos Lobos estava abarrotada com soldados de Iberia enfileirados em duas colunas gordas com um espaço central vazio. Viravam-se na direção das árvores, a oeste, a direção do mar. Naquela manhã fria e nevoenta completava-se meio ano da morte do Rei Moryn Orleans e havia as homenagens de sua cultura que Mykhaela fizera ao pai. Todos estavam virados ao mar, ao país, esperando pela rainha. Arthur estava virado para os soldados, numa posição impenetrável e pomposa, seus olhos firmes e duros; já Alyssa estava do lado direito, na frente de uma das colunas de soldados. Mykhaela andava ao lado de Robb pelo centro, parando, finalmente, à frente da coluna esquerda e Robb tomou seu lugar ao seu lado, entre as irmãs, com apenas o corredor vazio a suas costas. Rickard explicara a ele a cerimônia no dia anterior, já que Mykhaela falava muito pouco com qualquer um naquela semana. Quando ela e Alyssa se encontravam no mesmo cômodo, o clima era palpável, de tão pesado. Robb não culpava a jovem cunhada.
A porta de madeira foi aberta com violência e Alyssa pisava com força no chão enquanto os olhos da sala viraram-se para ela. Robb almoçava na companhia de Mykhaela, os filhos, os irmãos e a mãe.
“Como você ousou?” Alyssa tinha raiva nos olhos direcionados à irmã. De alguma forma lembrava Mykhaela a Robb, de forma até assustadora.
“Olhe suas maneiras, Alyssa” Mykhaela disse em tom de desafio.
“Como você teve coragem de mentir pra mim?” Quando ela parou na frente da irmã todos puderam ver seus olhos cheios de lágrimas que escorriam por sua face.
“Vamos conversar em outro lugar”
“Não! Você escondeu a morte do papai! Você não tinha o direito, Mykhaela. Não tinha!”
“Eu não queria te machucar, Aly” Pela primeira vez em muito tempo Robb viu Mykhaela totalmente desarmada.
“Eu tinha o direito de saber! Eu sou bastarda, mas ele é tão meu pai quanto seu!”
“Eu nunca disse que não!” A rainha disparou ofendida.
“Eu não sei em quem você se transformou, Mykhaela. Mas eu odeio essa nova você”
Robb viu nos olhos da esposa o quanto aquilo a machucou e quando Alyssa saiu do cômodo, bateu a porta com força. A rainha fez Alyssa dizer como havia descoberto e por fim a garota disse que passava pelo acampamento dos homens de Iberia quando um deles desejou seus pêsames a ela. Mykhaela quis saber quem era o homem, mas Alyssa disse que nunca diria, nem sob tortura. Sabia que Mykhaela não seria gentil com ele.
O silêncio instaurou-se e Arthur virou-se na direção do mar também. Mykhaela encarava as árvores à sua frente, assim como sua irmã. Era a voz da rainha que puxava o hino de Iberia, uma canção que Robb desconhecia as palavras, então limitou-se ao silêncio. O coro de homens atrás deles era forte e alto, mas a voz de Mykhaela e Alyssa nunca desaparecia entre as vozes masculinas. Robb permaneceu calado, observando enquanto Mykhaela derrubava lágrimas, mas o rosto continuava imutável e sem expressão. Alyssa soluçava vez ou outra, limpava as lágrimas com as mangas longas do vestido que usava, tremendo de frio. As irmãs usavam finas sedas em vestidos leves de verão, mas pesados ao olhar. Negros e lisos e brilhantes. Os cabelos delas estavam presos de maneira semelhante, coques altos e cheios enquanto alguns poucos fios lhes caíam às faces. A música morreu nos lábios dela e o silêncio deu vez a um coro de vozes masculinas que entoou o nome do seu falecido rei três vezes. O estandarte Orleans se agitava com o vento, de forma feroz, acima das cabeças de todos.
Arthur virou-se novamente para eles, posicionado entre duas árvores. Mykhaela desenrolou da faixa em sua cintura o punhal que trazia consigo, Alyssa fazendo o mesmo. Elas o desembainharam e num movimento rápido e firme, lançaram os punhais na direção das árvores, fazendo-os cravarem sua lâmina nas árvores de sentidos opostos. Parecia algo com que elas haviam ensaiado muitas vezes. Robb piscou, meio impressionado. Rickard havia falado sobre aquilo, mas ainda se impressionava com a habilidade com que Mykhaela usava uma arma.
"Quem vem?" Arthur falou na língua comum e Robb acordou de seus pensamentos. Andou até Arthur e tirou de uma bolsa de seda dois punhais de aço cravejados com pedras preciosas.
"Robb Stark de Winterfell"
"Pelas leis dos Reinos de Iberia e Ilhas Médias, Robb Stark de Winterfell é, a partir de hoje, guardião de Mykhaela Stark e Alyssa Shore"
Arthur tirou as duas armas das mãos de Robb e despejou nelas um óleo esverdeado, embainhando-as novamente e as devolvendo. Robb as levou para as duas irmãs, entregando a elas e assistindo as duas envolverem seus novos punhais em suas faixas nos vestidos. Os soldados viraram-se para o corredor central enquanto Mykhaela caminhava por ele sem olhar para ninguém, tão silenciosa quanto chegou. Robb andou logo atrás, acompanhando Alyssa, o braço dado à pequena. Ela tremia de frio. Mykhaela subiu em seu cavalo e foi à frente de todos, desaparecendo até chegar aos portões de Winterfell. Robb desmontou a tempo de vê-la entrar no castelo e Rickard andava logo atrás. Entregou o animal para o cavalariço e apressou o passo na direção da esposa. Ela parecia tão calma e fria na frente de todos, mas assim que o conforto das paredes de pedra de Winterfell a esconderam de seus soldados, caiu num choro dolorido nos braços de Rickard. Robb estava a dois passos dela quando a viu separar-se do amigo e limpar as lágrimas com as costas das mãos.
"Uma rainha não deve chorar assim" Ela falou por fim e caminhou a passos largos na direção de sua torre. Rickard separou os lábios para dizer algo, mas acabou por silenciar-se.
"Vai se aquecer, Aly" Robb disse para a jovem e ela sorriu a ele por cima das lágrimas, afastando-se para seguir até seu cômodo.
–x-
A noite caiu sem que Robb visse Mykhaela o dia todo. Não se viam mais com tanta frequência desde que ela mudou seus aposentos para outra torre. Mas lá estavam eles reunidos numa sala privada com uma mesa comprida. Robb sentava-se numa ponta e Mykhaela ao seu lado, comendo em silêncio um guisado de peixe. O cardápio todo foi montado com frutos do mar e o jantar era em homenagem ao pai dela. Na mesa sentavam-se os Stark, Jon, Alyssa, Meistre Luwin, Arthur e Rickard. As conversas eram baixas e distantes demais dos ouvidos de Robb, que não ousava incomodar Mykhaela e suas muitas taças de vinho. Lady Catelyn foi a primeira a se retirar, junto de Rickon e alguns minutos depois Meistre Luwin também se foi.
“Não acha que já bebeu demais?” Arthur disse de um lado da mesa enquanto Mykhaela despejava mais do líquido em sua taça. Ela o olhou com desprezo enquanto virava um pouco do conteúdo em sua boca.
“Tem um pirata escondido em algum lugar?” Rickard disse por baixo de um sorriso e Mykhaela engasgou com a risada que saiu de seus lábios. Parecia música, há tanto tempo não se ouvia a risada dela.
“Você nunca vai esquecer, não é?” Ela rolou os olhos e Robb observou Alyssa rindo baixo e Arthur balançando a cabeça negativamente.
“O que?” Bran quis saber e Arya também.
“Vamos lá, conte” Rickard desafiou Mykhaela e suas bochechas ganharam um tom de vermelho mais forte.
“Tudo bem. Era meu aniversário de quinze anos e meu pai daria um baile para me apresentar à sociedade, pois eu já tinha idade pra me casar. É claro que eu odiei a ideia, mas não houve modo dele desistir de tudo. Então eu passei o dia nas praias privadas de Lumiar, bem longe, onde as rochas escondiam a vista dos guardas nas muralhas do castelo. Havia um navio ancorado perto da costa, sem brasão, só uma bandeira negra. Um navio pirata”
“Pra encurtar sua descriçãozinha apaixonada, ela conheceu o filho do capitão do navio e convenceu-os a não saquear a cidade, convidando todos para a festa dela” Rickard interrompeu e Bran arregalou os olhos.
“E aí? O que aconteceu?” Arya quis saber.
“Me deixe terminar, Rickard. Eu voltei ao castelo e coloquei o vestido que meu pai me comprou, arrumei meu cabelo e escondi o Aiden Barba Ruiva em meu quarto, com duas garrafas de rum”
“Aí você vê onde nasceu a coisa dela por ruivos” Rickard olhou para Robb que soltou uma risada leve, já divertido com a história toda.
“Então minha grande entrada ao baile em minha homenagem foi com um jovem pirata nos meus braços. Bêbada como um velho marinheiro cheirando a rum”
“E a cara que o pai fez” Alyssa riu.
“A cara que todo mundo fez” Arthur rolou os olhos.
“O pai enlouqueceu, estava furioso. Mas o salão já estava cheio de piratas sujos e bêbados, comendo e bebendo como animais. E minha primeira dança foi com ele, Aiden Barba Ruiva”
“Uma sombra no rosto, não se pode chamar aquilo de barba”
“E Phillip ficou parado lá, sem saber o que fazer, porque ele deveria dançar comigo, até que Alyssa agarrou-o pelos punhos e dançou com ele”
“Seu pai te puniu depois?” Bran perguntou.
“Ah sim. Acho que foi a pior coisa que fiz, ele quase morreu do coração quando me viu entrando com um pirata qualquer”
“E você a acha amarga agora, Robb” Rickard observou bebendo mais um pouco.
“A festa não teria sido nada divertida não fosse pelos piratas em cima das mesas”
“Com certeza ninguém nunca se esquecerá dessa”
“Conta mais” Bran pediu enquanto Mykhaela servia-se de mais uma taça.
“Hmm, vamos ver. Teve a vez que o pai quase matou Rickard”
“Indevidamente, é claro”
“Nós passamos o dia no mar, escondidos, e demos infinitos nós nas cordas da frota de Ulysse, um capitão gordo e chato que sempre nos dedurava. Quando voltamos para o castelo já estava muito tarde e meu pai havia me proibido de ir ao porto, não lembro bem o porque. Enfim, estava muito tarde e Rickard dormiu no meu quarto, comigo”
“Quantos anos você tinha?”
“Treze. Bem, no dia seguinte acordei sentindo uma dor estranha e me sentei na cama. Quando puxei o lençol para sair, vi que havia sangue na cama, vindo de mim. Gritei, puxando minhas saias pra cima e Rickard acordou assustado, ao meu lado. Arthur aqui guardava minha porta e entrou no quarto ao ouvir o grito, vendo o sangue, minhas saias pra cima e Rickard quase sem roupa”
Jon e Robb ficaram um pouco sem cor, Alyssa soltou um risinho e Bran e Arya apenas queriam ouvir o resto da história.
“Deixa eu explicar isso melhor” Rickard interrompeu. “Em Lumiar é calor, muito calor, como vocês Stark nunca sentiram. Mesmo a noite. Então eu dormi apenas em meus calções, não sem roupa”
“Eu disse quase”
“Mas soou como se eu estivesse sem usar nada”
“Ok, tanto faz. O que importa é que Arthur fez um escândalo, chamou meu pai, meu irmão e o pai deles e até conseguirmos explicar tudo, Rickard já estava para ser levado à forca”
“Seu pai achou que ele havia tomado sua honra?” Jon perguntou, tentando entender.
“Sim, Rickard é dois anos mais velho que eu e a esse ponto já vigiava as senhoras nos banhos de mar. Mas na verdade eu só havia me tornado mulher. Demorou um tempo até todo entenderem e ele não perder a cabeça”
“Eu realmente achei que iria morrer naquele dia. Não deveria ser eu quase morto por tocar a adorável princesa”
A sugestão na voz de Rickard fez Mykhaela olhar para Jon e seus olhos se encontraram, mas ela os desviou logo em seguida para a taça, terminando o restinho de vinho que havia ali.
“Bom, esse vinho está me dando sono. Boa noite” Mykhaela apoiou-se na mesa para se levantar, mas bamboleou ridiculamente pelos degraus do elevado. Robb levantou-se para ajudá-la e ela, mesmo relutante, acabou por aceitar. Não estava conseguindo mesmo se manter em pé sozinha de forma decente. Quando estava subindo os degraus da torre dela, Robb sentiu-se confortável para falar.
“Fazia tempo que não ouvia sua risada”
“Eu era feliz naquela época. Tudo era diferente”
“Nunca vou poder me desculpar o bastante por Talisa e o bebê-“
“Meu principal problema era que Aiden Barba Ruiva partiu no dia seguinte” Ela o interrompeu. “Acontece que desde que saí de Iberia deixei de ser uma menina, Robb. Os adultos não são felizes como as crianças”
“Nós éramos felizes”
“Não fale como se fosse minha culpa”
“Eu estou me esforçando pra tudo voltar a ser como era”
“Então pare, porque não vai voltar”
Robb parou no topo das escadarias e empurrou Mykhaela contra a parede de pedra, segurando seu rosto entre as mãos.
“Não me diga pra desistir. Não me diga que não sente mais nada”
“Para, Robb” Ela fechou os olhos, em parte incomodada com a proximidade, em parte com as palavras.
“Eu não vou. Você sabe que eu não vou. Eu te amo” Os lábios dele pressionaram-se contra os dela e dessa vez ela não se afastou, mas tampouco correspondeu. Apenas continuou imóvel sentindo Robb beijá-la com amor. Mas para Robb a simples indiferença dando lugar à imediata repulsão foi um sinal de avanço. Quando separou os lábios dos dela viu Mykhaela olhá-lo com tédio.
“Já terminou?” Robb a olhou confuso. “Boa noite, então” Ela disse olhando-o com desprezo e virando o corredor em direção a seu quarto. Robb demorou algum tempo para reagir à indiferença dela. Como a doce Mykhaela com quem se casou virou aquela pessoa tão fria e amarga?
Notas finais
Quis colocar um pouco da juventude da Mykha e da amizade dela com o Rickard, que eu não consigo explorar tanto quanto queria. Eu adoro imaginar esse lado rebelde da Mykha, uma parte do que ela ainda era quando chegou na Muralha e conheceu o Jon e que ela acabou perdendo ao longo do caminho enquanto suas responsabilidades cresciam.
E claro, não podia faltar uma dose de frieza da Mykha em relação a Robb, só pra não perder a oportunidade hahaha.
Também aproveitei o feriado pra brincar um pouquinho de photoshop e fiz uma capa nova pra TNWWS. Não ficou lá essas coisas mas só pra mudar um pouco a carinha haha. Daqui a pouco volto pra original, como sempre.
Espero reviews de vocês!
Beijos.
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