Notas iniciais
Olha só, Trinta capítulos de TNWWS. Quero agradecer todo mundo que acompanhou. Vi muitas fics de asoiaf abandonadas por aqui que mereciam reviews e leitores e eu só posso agradecer por vocês lerem e mandarem reviews pra mim. Obrigada mesmo!
Agradecimentos do post de hoje vão pra nathy stark. Seja bem vinda, flor. Espero que goste e obrigada pelos reviews e pela recomendação lindíssima. Agradeço de coração.
Como vocês me conhecem há essa altura, sabem que depois de um capítulo calmo vem tempestade!
Boa leitura.

Quando abriu a porta do quarto ficou levemente surpreso por vê-la ali, mas a deixou entrar de forma cordial e educada. Os guardas da rainha permaneceram do lado de fora em seus mantos acinzentados. Jon ofereceu vinho a Mykhaela, que parecia achar impossível recusar a bebida nos últimos tempos. Ele encheu apenas metade da taça e entregou a ela, observando suas maneiras. Mykhaela usava calças grosseiras de lã e uma túnica fina de linho. Os cabelos estavam presos no alto da cabeça e desciam trançados até o meio de suas costas.

“Eu vim te agradecer” A rainha disse após um silêncio desconfortável. “E pedir desculpas também”

Jon juntou as sobrancelhas e esperou ela continuar. Não sabia muito bem o que responder.

“Eu sei que tenho agido meio maluca ultimamente” Ela passou os olhos pelo quarto, claramente desconfortável. “Aconteceu coisa demais nesse último ano. E meus problemas são com Robb, não com você. Eu não deveria descontar em você”

“Não tem problema, Mykhaela”

Ela finalmente criou coragem para olhar Jon e sorriu. Ele parecia bem mais velho desde a última vez que tinham se visto. Não visualmente. Quando olhava para os olhos nevoados ainda via seu velho Jon, aquele que a levou para passear pelo Castelo Negro e se escondeu no armário com ela. Mas o peso de suas sobrancelhas sobre os olhos, a voz mais firme, a postura. Tudo a lembrava uma figura senhorial. Ela sabia que ele havia deixado todas as suas responsabilidades para trás apenas para estar em Winterfell quando ela voltasse. Dentre todas as pessoas que conheceu em Westeros, Jon foi aquele com que mais se sentia segura e bem; ele nunca a havia decepcionado.

“E obrigada! Por trazer Eddard e Arya pra casa. Por cuidar deles. Eu nunca vou poder te agradecer o bastante por manter meu pequeno a salvo quando eu não pude”

“Você não precisa agradecer, Mykhaela. Eddard é tão importante pra mim como pra você”

“Eu sei. Ele cresce e fica a cada dia mais parecido com você, Lord Comandante”

Jon sorriu, passando a mão pela barba por fazer.

“Não sei o que Mormont estava pensando quando me passou esse cargo”

“Não seja modesto, Jon. Você o mereceu” Mykhaela andou até a mesa para colocar a taça vazia e vislumbrou os pertences de Jon arrumados num canto. “Você está indo embora?”

“Sim, já fiquei tempo demais. Resolvi meus problemas pessoais e os da Patrulha. Já é tempo de voltar”

“Vou sentir sua falta. Prometo que levarei Eddard para te visitar logo”

Jon sorriu quando sentiu os braços de Mykhaela ao redor dele. Sentiu-se novamente como nos velhos tempos, quando tudo o que ela procurava era aventura e sua inocência nunca havia sido tocada – nem mesmo por ele. Mykhaela tinha cheiro de flores nos cabelos e Jon inspirou-o, sentindo-se confortável naquele abraço. Ela era a pessoa que sabia de todos os seus segredos, eternamente sua melhor amiga.

“Mykha?” Ele falou contra os cabelos dela.

“Jon?”

“Por que você está vestida desse jeito?”

Ela riu e apoiou o queixo no peito dele para olhá-lo nos olhos sem separá-los do abraço.

“Eu voltei a treinar espada”

Jon sorriu e beijou a testa dela. Mykhaela escorreu os dedos pelos cabelos negros ondulados. Fazia tempo que não sentia a textura daqueles fios entre seus dedos. Ficou na ponta dos pés e depositou um beijo na bochecha de Jon.

“Não vá embora sem se despedir”

“Pode deixar”

Ela separou os dois e fez uma reverência.

“Lord Comandante”

Com um riso jovial abriu a porta de madeira e deixou o cômodo de Jon.

-x-

A madeira era pesada e seus braços estavam doloridos, mas não demonstrava a ninguém. Estava mais irritada do que satisfeita àquela altura.

“Não sou uma criança para treinar com espadas de madeira” Sua voz saiu espaçada pela respiração ofegante enquanto ela bloqueava golpes de Rickard e desviava de Arthur.

“Você ficou muito tempo sem usar a espada, Mykhaela” Arthur disse sem muita paciência. Ouvia reclamações daquele tipo há uma hora.

“Isso não quer dizer” Ela foi interrompida por um golpe duro de Arthur, deixando seu ombro latejando de dor pelo golpe de madeira. “Ai!”

“Viu? Você está lenta” Arthur continuou avançando na direção dela, sem se importar se o braço de Mykhaela doía ou não. Rickard estava entediado e mal prestava atenção no que fazia. Do mezanino de pedra e madeira que dava vista ao pátio, Robb observava tudo em silêncio.

“Eu falarei com o conselho logo, mas antes disso quero saber de vocês” Mykhaela saltou de uma pedra para outra, curvando o corpo para trás e desviando dos golpes de Arthur. “Phillip deu navios para guardar a costa do Norte, isso vocês já sabem. Vamos precisar de alguém para liderar isso e sugeri que fosse um de vocês”

“Como assim?” Rickard disse quando Mykhaela tirou a espada de madeira da mão dele com um golpe.

“Um castelo na costa e um de vocês será nomeado Lord Davies”

“Lord?” Arthur juntou as sobrancelhas.

“A família de vocês é de Westeros e vocês prestaram serviços ao reino. É justo”

“Quem exatamente você está nomeando lorde?”

“Nenhum. Quero que vocês decidam” Mykhaela bloqueou a espada de Arthur enquanto Rickard se sentava na borda da fonte de água quente e bebia água de um odre.

“Não quer tomar a decisão, Vossa Graça?” Arthur disse com um leve tom de sarcasmo. Robb prestou mais atenção à conversa dos três, que ainda não haviam visto o Rei observá-los.

“O que quer dizer com isso, Arthur?”

“Você nunca foi boa com escolhas”

Mykhaela fechou a cara e golpeou com mais força, mas Arthur bloqueou facilmente o ataque.

“Você vai aceitar ou não?”

“Está oferecendo a mim, então?”

“Você é o mais velho, Arthur. O direito seria seu, mas estou dando a vocês a chance de escolherem juntos”

“É uma rainha muito justa mesmo”

“Por que você está sendo tão imbecil?”

Mykhaela tentou golpeá-lo mais uma vez, mas Arthur largou a espada no chão e se afastou. Ela então parou, descansando os braços do peso, a respiração ofegante e o rosto vermelho brilhando de suor.

“Rickard deve ficar com isso”

“Está desprezando um cargo importante, Arthur?” Rickard zombou.

“Phillip se casou com Yara, você não aguenta ficar na presença deles. Eu não aguento ficar na presença dela” Arthur apontou Mykhaela. “É uma questão de lógica”

Robb estreitou os olhos, estranhando o rumo da conversa.

“Como assim não aguenta ficar na minha presença?”

“Não dá, Mykhaela. Desde aquela noite em Correrrio, eu não consigo mais” Arthur passou as mãos pelo rosto, limpando o suor que escorria de seus cabelos castanhos claros.

“Eu já pedi desculpas” As vozes ficaram mais baixas.

“Eu não consigo mais olhar pra você e não te ver daquele jeito. É maior que eu”

“Você poderia se casar com uma boa mulher, Arthur”

“E toda vez que eu olhar pra ela ver você como naquela noite?”

“Como assim ela naquela noite?” Mykhaela olhou para trás e viu Robb a três passos de distância deles. Seu rosto corou e seu coração falhou por alguns segundos. “O que aconteceu?”

“Nada aconteceu” Arthur disse sem paciência, desviando os olhos.

“Você tocou minha mulher?” Robb avançou na direção de Arthur e agarrou-o pelos colarinhos. Rickard levantou-se ficando em alerta. Arthur por sua vez encarou Robb com uma expressão insolente e desafiadora. No começo, quando eles tinham se casado, Arthur gostava de Robb. Ele era um rei. Ele entendia Mykhaela casar-se com um homem melhor do que ele. O que, naquela época, Arthur não suportava, era Mykhaela amar Jon, um bastardo, e nunca olhar para ele. Mas tudo isso acabou desde que Mykhaela havia chegado a Iberia prisioneira de Theon, violentada, machucada e totalmente diferente daquela garota que ele deixou no Norte quando partiu. E quando Robb a fez chorar porque seria pai de um bastardo, Arthur gostou menos ainda dele.

“Isso não te interessa”

Mykhaela olhou apreensiva para a espada na cintura de Robb, mas ele estava com tanta raiva que não se lembrou da arma ou de mais nada. Seus punhos fecharam-se para encontrar o rosto de Arthur e seu rosto estava vermelho.

“Robb, pelos deuses, pare com isso” Ela tentava separar os dois com a ajuda de Rickard. “Guardas! Aqui!” Mykhaela gritou e alguns minutos depois três homens com seus mantos acinzentados da guarda real separaram os dois. O nariz de Arthur estava torto e sangrava enquanto Robb tinha um corte no supercílio de onde escorria sangue.

“Eu não quero você perto dela” Robb lutava contra a resistência dos braços de seus guardas enquanto Rickard segurava Arthur. “Me soltem!” O rei ordenou aos homens e Mykhaela entrou na frente dele quando avançava novamente na direção do outro.

“Não foi culpa dele, Robb!” As mãos da rainha seguraram os braços de Robb e ele colocou os olhos sobre ela. “Fui eu! Eu tinha descoberto sobre você e Talisa. Foi minha culpa, não foi culpa dele”

“Você dormiu com ele?”

“Não! Se acalma, por favor”

“Eu quero você longe dele” Robb encarou Arthur com ódio por cima da cabeça de Mykhaela.

“Tudo bem, então vamos” Ela puxou o marido pela mão, querendo tirar os dois do mesmo ambiente. Não queria uma cena, muito menos em frente aos guardas de Robb. Não precisava de mais motivos para ser considerada inapropriada para seu posto de rainha.

Robb andou na frente, os passos pesados e raivosos. Mykhaela tentava acompanhá-lo logo atrás e por fim vinham dois de seus guardas. Ele subiu as escadas com pressa e depois de entrar no quarto, bateu a porta de madeira com força. Mykhaela já não dormia ali, agora ela possuía sua própria torre e os filhos a acompanharam na mudança. Foi estranho entrar no quarto novamente, onde antes era o seu lugar especial com Robb, onde eles podiam se amar e ser eles mesmos.

“E então? Do que ele estava falando?”

“Eu estava em Correrrio quando soube sobre você e Talisa” Mykhaela fechou os olhos. Aquele episódio era algo tão vergonhoso pra ela e ela não queria nunca ter que dividi-lo com ninguém. “Eu já havia bebido muito vinho, eu queria ver um amigo, eu fui até o acampamento dos meus homens e encontrei Arthur”

“Você dormiu com ele, não é?” Robb estreitou os olhos, seu rosto mostrando a raiva contida.

“Eu queria te machucar. Eu queria fazer você sentir o que eu estava sentindo. Eu queria que você soubesse que não tinha passado o tempo todo sonhando em voltar pra você. Que eu tinha te esquecido tanto quanto você havia esquecido de mim” A voz dela entregou os sentimentos que ela não queria. “Mas Arthur é honrado demais, você sabe. Ele não levou as coisas adiante”

“E o que ele quis dizer com ver você daquele jeito?”

“Bem, podemos dizer que meu vestido tenha ficado no chão da tenda dele por algum tempo” Mykhaela sorriu sarcástica, fria, do jeito novo que ela sempre fazia. Não queria se mostrar fraca na frente dele. Não podia.

“Se queria me machucar, porque não me contou isso antes?”

“Arthur me ama, Robb. Sabe como eu me senti mal por tê-lo usado pra me vingar de você? Eu brinquei com os sentimentos dele sem pensar em ninguém mais além de mim”

“Você teria? Ido até o fim com ele?” Robb perguntou com a voz baixa após um longo silêncio, sem olhar pra ela, de costas. Não sabia se queria ouvir a resposta antes de fazer a pergunta, mas quando as palavras deixaram seus lábios teve certeza de que preferia nunca saber daquilo.

“Estou falando coisas e você não entende. Parece que nunca vai entender. Não importa, Robb” Mykhaela virou-se e saiu do quarto. Encarou os olhares dos guardas como se eles a acusassem. Caminhou a passos pesados até sua torre e no caminho pediu para chamarem Osha e prepararem seu banho.

-x-

Mykhaela tinha a cabeça pendida para trás enquanto Osha tentava tirar a lama de seus cabelos. Já era a segunda vez que ela enxaguava os fios avermelhados de Mykhaela. A rainha fechou os olhos enquanto a água morna ainda fazia um grande efeito em seus músculos tensos e doloridos. Parecia que seu corpo nunca estaria totalmente curado. Abriu os olhos e encarou as cicatrizes finas em seu braço, lembrando-se do pai e suspirando de forma dolorida.

A porta abriu-se de forma repentina e Mykhaela levantou o olhar, encontrando orbes azuis que a observaram com certa ansiedade. Sobressaltada, Mykhaela se levantou, sentindo a água escorrer depressa por seu corpo nu até encontrar novamente a banheira. Osha levantou-se logo atrás dela, fazendo uma meia reverência ao rei.

"O que quer?"

Robb suspirou, molhando os lábios antes de falar.

"Osha, nos deixe, por favor"

Mykhaela estendeu o braço na direção da aia assim que ela fez menção de se mover e então Osha parou novamente em seu lugar, meio perdida.

"O que quer?" Ela repetiu a pergunta de forma fria. Robb observou o corpo dela inteiro arrepiado pelo vento frio que produzira quando entrou no cômodo. Limpou a garganta a clareou a mente.

"Disse que poderia lhe procurar quando quisesse mais filhos"

Mykhaela o encarou surpresa e Robb caiu novamente em silêncio. Parecia ser a única forma de poder conectar-se novamente com a esposa. Mostrar pra ela o amor que construíram e que ainda permanecia em seu peito era a última esperança de Robb. E que maneira melhor de fazer isso senão fazendo amor com ela? Mas ela o desarmou com o risinho de escárnio que soltou em seguida.

"Acabei de lhe dar dois filhos, não é o bastante?"

"Não"

Robb foi incisivo e firme. Não daria a ela a chance de mexer suas pecinhas nos jogos de palavras para vencê-lo e dobrá-lo facilmente como fazia nas últimas semanas. Ela não o iria desarmar com palavras e ele não iria sair do cômodo irritado após não poder rebater as acusações dela. Não seria assim dessa vez. Sentiu um breve vacilo nos olhos dela quando Mykhaela respondeu.

"Estou cansada"

"Não parece cansada"

"Osha ainda tem que terminar de lavar meus cabelos"

"Acho que posso fazer isso por ela"

Ele parecia impenetrável como uma rocha. Mykhaela suspirou, sentindo-se vencida. Este dia chegaria, não é? Afinal de contas ela era casada com ele e Robb podia muito bem reivindicar seus direitos de marido.

"Pode ir, Osha" Mykhaela virou-se para a aia, que reverenciou ambos e saiu, fechando a porta pesada da sala de banho de Mykhaela.

A rainha permaneceu de pé, imóvel, enquanto Robb aproximou-se da banheira e se despiu. Não olhou realmente para ele, continuou com os olhos vidrados na porta de madeira desde que Osha a havia fechado. Sentiu as pequenas ondas baterem em suas pernas quando Robb entrou na banheira e a pele dele na sua quando as pernas dele escorregaram pelas dela enquanto ele se sentava. E então as mãos dele agarraram-se logo abaixo os joelhos dela, puxando-a levemente para baixo. Mykhaela cedeu ao pedido e se sentou, ainda de costas para ele.

Robb puxou-lhe para mais perto e Mykhaela podia sentir o peito dele colado em suas costas. Suas mãos envolveram os cabelos dela e tiraram todo o resto de sabão que ainda havia, jogando-os de lado em seguida.

"A cor de seu cabelo mudou" Observou Robb enquanto dedilhava a coluna dela. "Ele está maior também"

Mykhaela limpou a garganta, mas a voz saiu rouca do mesmo jeito. Abraçara os joelhos que estavam colados em seu peito.

"Eu os havia cortado um pouco antes de viajar para Westeros da primeira vez, mas eles sempre foram assim" Sentiu os dedos dele desfazendo os nós em seus ombros, uma massagem exatamente como ela precisava. "E o sol de Iberia sempre queimou meus cabelos. Eles nascem escuros, mas o sol deixa as pontas avermelhadas"

Robb a ouviu concluir e apoiou o queixo no ombro dela. Mykhaela sentiu a barba por fazer roçando-lhe a pele e uma agonia forte no peito. Encolheu-se mais. Robb a puxou para mais perto e beijou seus ombros enquanto suas mãos desataram o abraço de Mykhaela no próprio corpo e liberaram os seios dela para si. Robb encheu as duas mãos com eles, apertando-os de forma gentil. Em suas costas Mykhaela já sentia o membro viril de Robb desejando-a e fechou os olhos. Cada toque dele era como facas entrando em seu corpo. Mordeu o lábio para conter o choro preso em sua garganta, mas seus olhos a traíam e derrubavam insistentemente as lágrimas. A dor da lembrança ainda era fresca.

Robb soltou um pequeno suspiro enquanto se roçava em Mykhaela, suas mãos satisfatoriamente cheias com os seios dela e seus lábios sentindo o gosto salgado de sua pele. Havia mais de um ano, mas ele ainda a amava e desejava como o inferno. O corpo ainda era tão sedutor, a pele, bronzeada pelos meses na terra natal, exalava o cheiro doce de sempre e os seios tão cheios e tão firmes como se lembrava. Sentia os músculos dela enrijecendo e lembrava-se de como ela se remexia contra ele enquanto lhe dava prazer. Permitiu-se sorrir contra os cabelos dela e então a puxou pela cintura, virando-a de frente para ele, pronto para invadir a sua boca.

Porém não encontrou os olhares de aprovação e de desejo que esperava. Encontrou medo nas orbes esverdeadas, marejadas pelas lágrimas que lhe caíam sem parar pelo rosto. Juntou as sobrancelhas sem entender. Mykhaela encarava o peito de Robb, envergonhada demais para olhar pra ele. Estava tão quebrada que não podia ao menos ficar imóvel para que o marido tivesse o prazer dele sem chorar como uma idiota. Mordia os lábios com força para não soltar o soluço preso. Não iria derrubar mais lágrimas por causa daquelas lembranças, havia prometido a si mesma. Mas todos os toques de Robb em sua pele faziam os fantasmas ganharem vida e o cheiro de sal irritar seu nariz. Fechava os olhos e via as mãos de Theon nela, a língua dele em seu corpo, a urgência com que a invadia e os urros de prazer ecoavam em seus ouvidos como se ela visse a cena nascer em sua frente.

Robb ainda segurava a cintura dela, Mykhaela ainda se sentava em suas coxas, mas todo o prazer havia esvanecido. Segurou então o rosto dela entre as mãos e fez a esposa olhar em seus olhos. Quando encontrou as íris esverdeadas, os lábios dela se separaram e deles escapou um soluço dolorido de choro. Quis perguntar o motivo, mas tinha medo. Todo diálogo com ela era tão perigoso ultimamente.

"Eu te machuquei?"

Mykhaela fez que não com a cabeça. Não sabia o que falar, como falar. Iria ofendê-lo dizer que enquanto ele a tocava ela só podia pensar em Greyjoy a machucando? Como Robb reagiria? Quis dizer o que se passava em seu coração, mas o choro havia bloqueado sua garganta. Viu as sobrancelhas de Robb juntas, viu que ele não sabia o que fazer. Não importava todas as explicações que queria dar a ele, tudo remetia apenas a um nome.

"Theon"

Ela soltou e parecia que havia liberado um demônio dentro dela. Mas ele ainda apertava com todas as forças o seu peito, fazendo-a sofrer, fazendo-a lembrar, fazendo doer. E ele continuava ali, dentro da mente dela, com todas as palavras que lhe dissera, todas as ameaças.

"Ele não pode mais te fazer mal, Mykha" Robb disse as palavras sem realmente pensar. O que mais diria a ela? Que ela estava protegida com ele? Ele não pode a proteger da última vez, porque o faria agora?

Mykhaela sentiu os braços de Robb envolverem-na num abraço carinhoso, protetor. Escondeu o rosto no peito dele e se permitiu chorar como nunca havia se permitido. Permitiu que doesse a garganta e os olhos. Chorou alto e dolorido, nua e vulnerável nos braços do marido. E era de alguma forma reconfortante ter os braços dele em volta dela, apertando-a de forma protetora como se quisesse dizer que nenhum mal a atingiria ali. Ela não conseguiu calcular o tempo em que chorara daquela forma, mas quando não havia mais forças, o choro diminuiu aos poucos. Robb sentiu Mykhaela acalmar-se em seus braços enquanto a água, já fria, produzia nele uma sensação muito pior. Tantos sentimentos ela guardava dentro de si e o tempo todo ele apenas a acusou de estar diferente. Ninguém nunca saberia o que ela havia passado. Ninguém nunca saberia como isso a afetava. Mas ele queria que ela soubesse que estaria sempre ao seu lado para secar suas lágrimas.

Robb agarrou uma toalha de linho e envolveu o corpo de Mykhaela enquanto se levantava. Secou a água gelada do corpo dela e a levou para o quarto. Abriu os baús da mulher e vestiu-a com uma camisola de linho. Deitou Mykhaela na cama e a cobriu com as peles quentes. Os olhos dela doíam demais para ficar abertos e quando Robb deitou-se ao seu lado, vestindo apenas seus calções, ela já os tinha fechado. Acariciou os cabelos úmidos enquanto a fogueira que acabara de alimentar os aquecia ainda mais. Permitiu-se perder em pensamentos, em culpa, em ódio. Não tinha ao menos o direito à vingança. Não podia ao menos matá-lo por fazer sua esposa sofrer daquele jeito. Ela o fez sozinha. Ela teve que fazer tudo sozinha.

Não havia muito tempo desde que a respiração de Mykhaela se tornou ritmada e tranquila em seu sono pesado quando Jon foi anunciado por um criado e entrou nos aposentos da rainha. Quando procurou pelo irmão e disseram que ele estava na torre da esposa, esperava encontrá-los em qualquer situação, menos naquela. Ficou com raiva pelos dois. Então já haviam se entendido? Robb não podia segurar-se e ela logo se entregou a ele? A distância dela que parecia tão grande quanto a própria Muralha sumiu de repente e os dois já se permitiam uma foda?

"Se soubesse que interromperia um momento íntimo não teria vindo" Jon disse por trás da voz fria e rouca que adotara desde que assumira o posto de Lord Comandante.

"Não é nada do que está pensando" Robb disse num sussurro, levantando-se da cama e agarrando seu gibão de veludo. Mykhaela soltou um suspiro leve. "Ela está realmente machucada, Jon. Praticamente chorou até dormir nos meus braços"

"Por que?" Jon quis saber, sem entender. Ainda achava que o irmão arranjava desculpas como se ele não fosse inteligente o suficiente para deduzir que haviam transado.

"Greyjoy. Eu não sei o que ele fez a ela, mas realmente mexeu com a mente de Mykhaela"

"Sei muito bem o que Theon fez com ela e você também" Jon disse de forma menos estúpida.

"Não é total culpa dela como ela age. Eu nunca vi ninguém chorar como ela chorou" Robb disse de forma meio vaga enquanto terminava de calçar as botas. "Vamos para minha sala. Não quero acordá-la agora"

Robb apontou a porta e deu uma última olhada para Mykhaela, saindo do cômodo em seguida. Os guardas reais o seguiram e Jon permitiu-se ficar alguns segundos para trás. Desarmou o olhar pesado de Lorde Comandante para se permitir olhar para ela como o velho Jon Snow. Era tão linda, mas mesmo dormindo suas expressões eram tão tristes. Queria poder abraçá-la, mas já não partilhavam desse direito há muito tempo. Como num flash lembrou-se da única palavra que ela usou para respondê-lo numa noite a tanto tempo atrás, quando ele afirmou que ela o havia esquecido. Nunca. Engoliu a frustração. Eu também nunca te esquecerei, minha Mykha. Limpou a garganta e suspirou, vestindo novamente a máscara de Lord Comandante e saindo do quarto, fechando a porta atrás de si. Até quando os deuses brincariam com eles como se fossem inquebráveis? Já não haviam percebido que não restava quase nada para se partir?

Notas finais
Considerações finais:
x Jon e Mykha porque eu não sou obrigada a ficar muito tempo sem os dois interagirem! haha. Mesmo ela tendo sido bem idiota com ele, Jon a tratou como se nada tivesse acontecido e omg, posso me casar com o Jon?
x Arthur com raivinha e causando confusão? Sobrou pro Robb novamente e dessa vez eu entendo a raiva dele.
x Mykhaela totalmente vulnerável, vocês gostaram disso? Sentiram falta de um tiquinho de sentimentalismo da parte dela? Eu, honestamente, sinto muita dó dela. Apesar de se fazer de forte, todo o abuso que passou nas mãos de Theon precisa ser liberado de alguma forma, porque faz muito mal pra ela guardar esses sentimentos.
Agora fica a pergunta que não quer calar: será que Robb e Mykha se resolverão enfim? No próximo capítulo a gente descobre!
Beijos e obrigada gente!