Theres No Winter Without Summer
21 Capítulo Vinte
Notas iniciais
Desde que o corvo chegara a situação no acampamento ficou tensa demais. Mykhaela observava Theon gritar algo aos seus homens enquanto engolia um pedaço seco e duro de carne de vaca salgada junto a Robb. As pernas estavam inchadas, assim como a barriga e os seios, porém suas bochechas e costelas ficavam cada vez mais proeminentes. Robb também estava mais magro, disfarçado apenas pelos cabelos e barba grandes demais.
Mais a frente, no mar, estava uma pequena frota de navios e da embarcação principal chegara alguns homens de bote até a costa naquela manhã. E então o pequeno barco viajou a manhã toda levando todos os pertences e homens do acampamento para os barcos, a não ser os prisioneiros, que continuavam em celas pequenas. O sol já começava a abaixar-se no céu quando Mykhaela e Robb conseguiram ouvir a conversa de dois guardas que praguejavam baixo.
"Esse merda não sabe o que está fazendo. Vai fugir pra Pyke com os dois e então o que? Nossos irmãos morreram por nada?"
"Ele não vai voltar pra Winterfell porque os nortenhos tomaram o castelo de volta"
"E o desgraçado esperava que acontecesse algo de diferente?"
"Ele tem o rei e a rainha e agora Stannis dará o Norte para ele"
"Aposto minhas bolas que Stannis não dará porra nenhuma para o imbecil. Ele sacrificou homens de ferro pra matar o rei e a rainha por Stannis de graça"
"E como sabe que ele não vai pagar?"
"Ele quer os Stark mortos pra retomar o norte. E nós só temos dois Stark. Quando este morrer, outro assumirá o trono e ainda tem o príncipe que não conseguimos encontrar"
"Não ficaram homens procurando por ele?"
"Greyjoy os mandou voltar no instante que recebeu aquele maldito corvo com a notícia de que perdemos Winterfell"
"Mas se estamos vindo pra cá desde antes..." O homem não concluiu o pensamento.
"É claro que ele sabia que não conseguia segurar o Norte por muito tempo. Ele só nos mandou pra cá pra morrer como frangos velhos. Nossa sorte é que não ficamos na maldita cidade pra receber os nortenhos de volta"
"Balon Greyjoy deve ter mijado em todos os septos dos sete reinos pra merecer um herdeiro tão imbecil quanto esse"
"Imbecil ou não ele agora é nosso lorde e teremos que suportá-lo. Que o Deus Afogado tenha piedade da alma de Balon"
Robb e Mykhaela trocaram olhares silenciosos enquanto ouviam a conversa. Winterfell estava perdida e sem ela a única coisa que Greyjoy tinha era a vida dos dois. Era apenas uma questão de tempo até que seus pescoços não segurassem mais cabeça nenhuma.
-x-
A manhã estava nublada e fria quando pararam na costa de Pyke. As mãos rudes de um dos homens puxou Mykhaela pelo braço, Robb sendo puxado logo atrás. Foram levados até as masmorras onde separaram ela e Robb. Sentia a cada minuto que sua vida estaria para terminar ali e queria estar ao lado do marido o tempo todo que lhe restasse. Ao mesmo tempo rezava para que Arya tivesse conseguido fugir, para que Jon tivesse ajudado a ela e ao filho. Tudo o que importava era o bem dele, já que ela mesma não conseguiria proteger o pequeno que crescia dentro de si.
Apesar de ter sido criada junto ao mar, o cheiro de sal e ferro irritava o nariz de Mykhaela agora. As águas que os rodeava não eram mornas como as de Iberia. Não era nada parecido com o sentimento familiar que o mar lhe trazia. Agora o sal tinha cheiro de morte e horror. Contou dois ou três dias em que não recebeu uma visita. Na masmorra havia um odre com água e era apenas aquilo que lhe confortava o estômago desde que chegara à Pyke. Ninguém vinha falar com ela e o silêncio tornava os demônios em sua mente cada vez mais agressivos. Já não sabia se Robb permanecia vivo e quando dormia, sonhava com a morte deles várias vezes e de variadas formas. Não importava onde os sonhos começavam, eles terminavam em morte e sangue.
Fechou a mão contra o ventre quando a porta de ferro rangeu enquanto era aberta. Um guarda mandou Mykhaela levantar-se e ela se arrastou, de joelhos, apoiando a mão na parede, mas assim que tentou ficar de pé, seus joelhos cederam e ela encontrou o chão novamente. Colocou a mão na frente para proteger a barriga e sentiu um ardor incômodo nos braços e nas mãos, que agora sangravam. Quando o homem a levantou de forma rude, pode ver em seus olhos um traço de pena. Quis gritar que não precisava a olhar daquela forma. Era Mykhaela Stark, rainha do Norte e antes disso fora Mykhaela Orleans, princesa de Iberia e das Ilhas Médias. Não precisava da piedade de um guarda qualquer de uma ilha podre. Ilhas de Ferro eles dizem. Será que são tão burros e imbecis que não sabem que ferro enferruja perto do mar? Será que não sabem que hora ou outra o ferro ruiria?
Não conseguiu olhar muito bem enquanto era levada escadas acima. Se concentrava mais em tentar permanecer de pé, o que parecia uma tarefa quase impossível. Quando entrou num cômodo de uma das torres e então parou de andar, julgou seguro prestar atenção. Havia um sofá de madeira e acolchoado com um tom verde, uma banheira com água quente que espalhava um vapor pelo quarto e um par de mulheres em roupas simples.
"Lord Greyjoy ordena que se banhe" O guarda falou sem muita emoção na voz e se preparou pra sair, mas Mykhaela não largou de seu braço.
"Meu marido. Robb, onde está Robb?"
O homem limitou-se a olhar para ela, aquele olhar de pena que fazia doer seu orgulho e saiu do cômodo. Mykhaela quis segurá-lo, mas mal se mantinha em pé. Quando as criadas se aproximaram para ajudá-la a despir-se, percebeu o quanto sua barriga estava grande demais para o tempo de gravidez. Ou talvez estivesse magra demais, não sabia. Com a ajuda das mulheres caminhou até a banheira e tentou relaxar os músculos tensos e cansados. Estava longe demais de casa e longe demais de se sentir bem ou relaxada, mas o banho era uma pequena alegria. Não aguentava mais o cheiro que exalava e as moscas que criaram por ela uma amizade incômoda. Elas lavaram seus cabelos, esfregaram suas costas e todo o seu corpo. Quando se levantou, secaram as gotículas de água e a perfumaram com essências de flores que irritaram seu nariz. Mas parecia afastar o cheiro de sal e isso era bom. Quando uma delas terminou de escovar seus cabelos, percebeu a outra trazendo roupas limpas e ornamentadas. Era um vestido de veludo cinza claro com detalhes em branco e prata, botas limpas e novas de couro e um manto claro de pele de foca branca. Perguntou-se o motivo de tudo aquilo e, apesar de sentir-se bem em roupas limpas, aquilo a assustava mais do que deveria. Quando estava pronta, uma das criadas andou até a porta, abrindo-a.
O guarda a esperava do lado de fora e apontou para dentro do cômodo soltando um resmungo impaciente. Uma terceira mulher entrou, portando uma bandeja. Havia pão, vinho, peixes fritos, batatas coradas e um punhado de ameixas ressecadas. Quando a senhora rechonchuda apontou para a bandeja encorajando Mykhaela a comer, todas as lições de educação e boas maneiras foram esquecidas. A jovem rainha pegou tudo com as mãos, enfiando na boca o pão e logo colocando peixe e batata para dentro antes de engolir e bebendo grandes goles de vinho para empurrar tudo para baixo. Quando havia terminado com tudo e pegava algumas ameixas, o estômago revirava-se, dolorido. Depois de tanto tempo com fome, comera muito rápido. Mas ela não se importava. Queria garantir ao pequeno filho uma boa refeição após dias de fome.
Estava alimentada e banhada e agora o guarda com olhos de piedade a levava por entre as paredes de pedra, subindo escadas, passando por galerias e então por mais escadas de uma nova torre. Estava mais forte do que naquela manhã, sim, mas seu corpo ainda estava dolorido e desnutrido, e as voltas provocavam uma tontura nauseante em Mykhaela. Finalmente pararam em uma porta de ferro guardada por dois homens. Ela fora anunciada e quando entrou na sala, viu Greyjoy sentado no cadeirão de ferro com uma mulher ao seu lado. Ela não vestia saias ou adornos, mas sim calções e coletes de couro fervido e cota de malha. Decidiu que não se rebaixaria ao nível de imbecilidade de Greyjoy e fez uma reverência breve a ele.
"Lord Greyjoy"
Theon juntou as sobrancelhas e a analisou sem o sorriso superior de sempre. Apontou a cadeira a sua frente e Mykhaela caminhou graciosamente até ela, sentando-se em seguida.
"Lady Stark, está tão bem como nunca vi" E então estava lá, o sorriso estúpido.
"Obrigada, Lord Greyjoy" Mykhaela limitou-se a responder isso e permaneceu silenciosa, caindo os olhos sobre a mulher ao lado dele.
"Está é minha irmã, Lady Asha Greyjoy"
A jovem observou a irmã dele rolar os olhos para o título e fazer uma reverência brusca e desajeitada, a qual Mykhaela respondeu com um aceno leve de cabeça. Suas pernas tremiam, sem força para se levantar.
"Lady Stark"
"Lady Greyjoy"
"Asha, vá buscar Robb Stark e me deixe a sós com ela" Ele comandou de forma autoritária e a irmã relutantemente obedeceu, saindo da sala com clara insatisfação.
Após a porta de ferro bater, um silêncio irritante caiu na sala até que Theon levantou-se e o som de suas botas em seus passos lentos e ritmados preencheram os ouvidos de Mykhaela. Ela o seguiu com o olhar até Theon parar ao seu lado e inclinar-se, ficando com o rosto próximo do dela. Sentiu os olhos de cobiça dele adentrarem o decote do vestido e pararem em seus seios inchados e grandes. A mão dele tocou o rosto dela de forma suave e ameaçadora.
"Posso ver porque ele te escolheu" O hálito de vinho doce preencheu as narinas de Mykhaela, que prendeu a respiração. "Com certeza é muito mais bela que qualquer uma das Frey que se casou com ele. Aquela maldita família toda tem cara de fuinha" E então um sorriso diferente brotou nos lábios de Greyjoy. Não era de zombaria, era de cobiça.
"Acredito que não me chamou aqui para falar de minha beleza, Lord Greyjoy"
As mãos dele desceram do seu rosto e caminharam por seus braços até chegar em suas coxas, apertando-as. Os lábios descansaram-se nos seus e Mykhaela fez menção de se afastar, mas os dedos apertaram-se rudemente na pele dela. Uma ameaça silenciosa.
"Tem razão, Lady Stark" Ele sorriu contra a boca dela, ainda com os lábios colados nos de Mykhaela. "Mas porque não tirar uma certa vantagem da situação enquanto seu marido não chega? Esse pode ser nosso segredinho"
Mykhaela decidiu que não se permitiria chorar. Ela não daria a ele esse gosto. Sentiu os lábios dele escorregarem até sua bochecha e pararem na base de sua orelha, onde ele sussurrou.
"Robb sempre teve as melhores coisas, com sua mulher não seria diferente"
A rainha fechou os olhos, controlando as mãos trêmulas que agarravam com força os braços da cadeira enquanto as mãos de Theon escorregavam de suas coxas para o meio de suas pernas e a tocava onde só pertencia a Robb, onde uma vez pertencera a Jon. Mentalmente ordenou que as lágrimas voltassem atrás, que continuassem em seus olhos. Enquanto os dedos acariciavam-na habilmente, ouviu um barulho vindo da porta e tão logo ela abriu, Theon parou pomposamente de pé ao seu lado, como se não estivesse fazendo nada a não ser esperar. Mas quando Robb pousou os olhos na esposa e nos nós dos dedos dela, brancos de apertarem o ferro em suas mãos, sabia que Theon havia feito algo.
O guarda parou ao lado da porta fechada, a espada embainhada e uma lança nas mãos. Robb tinha os cabelos aparados e a barba feita, seu rosto agora liso mostrava a profundeza das maçãs de seu rosto. Theon estendeu a mão na direção de Mykhaela, que hesitou por um momento, mas segurou nela, apoiando-se para ficar de pé. Greyjoy envolveu seu braço no dela como um cavalheiro que acompanharia uma moça num passeio de fim de tarde e andou até Robb com o sorriso que nunca deixava seus lábios.
"Ajude-me a acompanhar sua esposa"
Foi tudo o que ele disse e Robb segurou o braço de Mykhaela de forma gentil. A porta abriu-se e os três passaram a andar pelos corredores do castelo como se fossem velhos amigos. Os dois homens acompanharam Mykhaela até o lado de fora da fortaleza, onde além das muralhas havia uma fileira de soldados os esperando e três cavalos selados sem levar ninguém. Robb ajudou Mykhaela a subir em um deles e em seguida subiu no seu. Theon liderou a marcha, os dois prisioneiros logo atrás, rodeados por guardas com suas lanças e espadas. Os cavalos seguiam a trote pela costa até chegar no porto mercantil, onde uma multidão se aglomerava.
Quando foi encaminhada para o elevado de madeira que se estendia sobre a multidão Mykhaela entendeu o que se passava. Havia uma viga grossa de madeira com um arco moldado no meio. A madeira era escura, úmida e manchada, mas o arco parecia confortável o bastante para sustentar um pescoço. E então já não era sobre conter as lágrimas. Elas não viriam nem que quisesse, pois o corpo estava paralisado com o terror e o medo. Eles banharam e alimentaram aos dois para levá-los a morte. Mykhaela olhou para Robb e sentiu o medo nos olhos dele. Ali era o fim de tudo.
"Quando eu era apenas um garoto os Stark vieram aqui, massacraram nossos irmãos de ferro e me levaram para longe de meu pai, mas eu retornei. Eu retornei e jurei em seu leito de morte que vingaria meus irmãos, que vingaria todos os homens de ferro que morreram nas mãos de soldados Stark"
Algumas pessoas gritaram em aprovação enquanto Theon falava e caminhava de um lado para o outro. O som das botas dele mais o som de seu próprio coração batendo acelerado parecia ensurdecer Mykhaela. Estava abraçada em seu ventre como se de alguma forma aquilo fosse proteger seu bebê.
"E agora eu o tenho aqui. O Rei no Norte, Robb Stark. Eu cuspo em seu título" Theon limpou a garganta e jogou no rosto de Robb um monte de saliva esverdeada. Mykhaela podia ver o marido tremer de ódio enquanto os guardas de Greyjoy o seguravam. "É por meu pai, Lord Balon Greyjoy, Rei das Ilhas de Ferro, que você morre aqui, Robb Stark. É por todos os homens que morreram sob o comando de seu pai que você morre aqui, Robb Stark. É pela liberdade do povo das Ilhas de Ferro que você morre aqui, Robb Stark"
A pequena multidão ovacionava Greyjoy e um pequeno coro de homens gritava. Eles não pareciam, porém, tão convecidos da causa de Greyjoy. Para eles aquele ainda era um estranho que cresceu longe e que voltara mais nortenho do que um homem de ferro. Não o aprovavam, muito menos suas atitudes. Mas ali estava o herdeiro de um homem que esmagou a rebelião de Balon Greyjoy e matou muitos homens. Parecia justo que agora Greyjoy o matasse frente ao povo de Pyke, ao povo das Ilhas de Ferro.
"O que está morto não pode morrer" Theon gritou batendo na placa de peito e as pessoas o imitaram, gritando em coro a frase. Fora o convite para que o guarda levasse Robb até a viga de madeira e empurrasse com força sua cabeça para se encaixar no arco.
Robb virou-se de lado para olhar pra Mykhaela uma última vez. Queria que a esposa fosse a última coisa que visse. A esposa e o filho dentro dela, filho que ele nunca conheceria o rosto, mas que amava. Pensou na garota Frey, sua primeira esposa. Naquele momento não se lembrava nem do seu nome, nem do seu rosto. Apenas sabia que ela não aguentaria metade do que Mykhaela aguentou até ali. Sabia que ninguém nunca seria tão forte como ela. Observou os olhos esverdeados encherem-se de lágrimas e os guardas lutarem com os braços dela enquanto se debatia inutilmente para tentar correr até ele. Ele a amava tanto. Quem mais lutaria por ele até o fim? Mykhaela e apenas Mykhaela Stark, sua senhora, sua rainha, a mãe de seu filho.
"Não encostem nele, não ousem machucá-lo" Mykhaela gritava aos guardas e ao longo da multidão muitos olhos de pena a encaravam. Ela não queria que tivessem pena dela. Quem eram eles para ter pena de Mykhaela Stark? "Me ouça, Greyjoy. Se machucá-lo eu vou te matar com minhas próprias mãos" As lágrimas embaçavam a visão, mas ainda podia ver o sorriso zombeteiro no rosto de Theon. Um guarda esbofeteou-a no rosto e Mykhaela se curvou sobre o ventre. Tentou recuperar a respiração e puxou o braço com força para limpar as lágrimas. Sentiu o ar frio e úmido entrar em seus pulmões e clareou a mente. "É uma princesa, Mykhaela e um dia será uma rainha ou uma importante senhora de uma casa. Não pode se comportar como uma selvagem, tem que ser uma lady. Não se lembra de suas aulas de boas maneiras? A política não passa de uma grande aula de boas maneiras"
Levantou-se novamente para encarar Theon quando a imagem de seu instrutor de políticas desapareceu de sua mente e as lições de quando era uma jovem menina reorganizaram-se dentro dela. Limpou a garganta e focalizou a visão.
"Se lhe agradar, Lord Greyjoy, também gostaria de compartilhar algumas palavras"
Theon estendeu a mão e parou o homem que segurava a grande espada acima da cabeça de Robb. O homem repousou a ponta da arma no chão, segurando-a pelo cabo. Greyjoy se aproximou e Robb perguntou-a com o olhar o que estaria planejando.
"Vá em frente"
"Robb Stark não é Rei do Norte" Mykhaela ganhou subitamente a atenção de todos, inclusive de Greyjoy. Era o que queria, que eles parassem para ouví-la e que então Theon parasse para ouví-la. "Quando veio a Westeros selar meu casamento com Robb Stark meu pai deu a Robb todo o seu reino. Robb Stark é Rei do Norte, de Iberia e das Ilhas Médias"
"E o que tenho a ver com isso?" Theon tinha a voz estúpida, mas Mykhaela sentiu a curiosidade nela.
"Meu irmão não tem jeito para política e meu pai passou a herança do trono para Robb Stark de Winterfell" Já não havia mãos segurando Mykhaela e ela andou até Theon de forma lenta e graciosa, parando na frente dele. Seu tom de voz diminuiu então, fazendo apenas Theon e quem estivesse próximo ouví-la. "Meu pai o odeia. Iberia e as Ilhas Médias são dele apenas porque meu irmão é imbecil o bastante para não poder governá-las, mas ele odeia o fato de Robb ter me roubado"
"Roubado?"
Mykhaela molhou os lábios de forma lenta e os olhos de Theon caíram para eles, tão convidativos.
"Ele se deitou comigo antes do casamento" E então um sorriso adornou os lábios de Mykhaela, fazendo Theon sorrir em seguida. "Se eu pudesse um dia retornar a Iberia e me casar perante minha lei e meus deuses, o trono passaria de volta para minhas mãos e eu e meu marido poderíamos governar até nossos últimos dias"
Com um suspiro ela concluiu e Theon juntou as sobrancelhas.
"Onde quer chegar com isso, Lady Stark?"
"Faça-me Lady Greyjoy. Fuja comigo para Iberia, tome o trono das mãos dele. Esse povo não te ama, Theon. Eles não o reconhecem como seu Lorde. Deixe essas pessoas estúpidas e sem valor aqui e vá para Iberia comigo, case-se comigo. Me faça sua, Theon" As palavras saíram da boca de Mykhaela de forma sedutora e ela sorriu por dentro ao ver nos olhos de Theon que ele considerava seriamente a proposta. Não havia mais nada para perder, havia?
"Mykhaela, não faça isso! Por favor, não faça isso!" Robb gritou de seu lugar, seu rosto coberto pelo choque.
"Façam ele se calar" Theon disse de forma autoritária e o homem que segurava a espada deu um pontapé nas costelas de Robb, que se reclinou de dor e se calou. "Está querendo me enganar, Mykhaela?"
"E como eu poderia te enganar? Você tem a mim e a ele, esses são seus homens com espadas apontadas para nós, não meus"
"Acha que eu quero ir pra um reino qualquer?"
"Rico como um Lannister, não é esse o ditado? Apenas porque Westeros não conhece Iberia, não conhece o que há no leste, o que há no sul. Nós conhecemos e nós dominamos tudo isso. Você dominará tudo isso, Theon" Mykhaela se permitiu olhar para Robb enquanto ficava na ponta dos pés e colava os lábios ao pé da orelha de Theon, sussurrando para que só ele ouvisse. O seu marido a pedia que não de forma silenciosa, o olhar suplicante. "Você terá tudo que é dele. Metade do reino de Robb Stark. Você terá a mulher dele, o filho dele, o reino dele. Será seu nome que chamarei a noite e não o dele. Não é tudo o que você quer? Acabar com ele?"
"E suponho que queira a vida dele em troca de tudo isso"
"Deixe que Robb volte pra casa sem a esposa, sem o filho, sem metade de seu reino e envergonhado como nunca" A jovem rainha se permitiu afastar-se para sorrir a Theon.
Ele era tão estupidamente fácil de ler. Cresceu um prisioneiro em Winterfell, se achando tão superior entre eles, tão importante como eles. Mas as melhores coisas sempre eram para Robb. As garotas queriam Robb, o castelo seria de Robb, as melhores roupas, as melhores armas. Tudo que deveria ser seu, era de Robb. Ele era um príncipe quando deixara as Ilhas de Ferro e naquele fim de mundo gelado não era mais do que um prisioneiro que achava que era igual a eles. Um nada a quem eles permitiam chamar de amigo, de irmão, mas que zombavam em suas costas por Theon acreditar mesmo que era um semelhante. Não era e nunca fora, e todos eles pagariam. E então ele tinha ali, em suas mãos, a melhor oferta que podia ter. Teria a mulher dele, o filho dele, o reino dele. E seria Rei Theon Greyjoy, faria uma dinastia e todos aqueles miseráveis que escarravam ao dizer seu nome nos portos e ruas de Pyke o temeriam e o invejariam. Afinal de contas ele era Theon Greyjoy.
Notas finais
1) Porque meu plano inicial era o Robb morrer exatamente nesse capítulo e eu poupei vocês disso
2) Porque se me matarem não saberão o resto haha (ja usei essa antes, mas é uma boa defesa)
Agora quero saber suas opiniões. Mykhaela fez certo? Acham que Theon vai aceitar? E se ele aceitar, o que acontecerá daqui pra frente?
Respostas no próximo capítulo. Espero as reviews de vocês.
Beijos.
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