Notas iniciais
Olá meninas, tudo bem? Espero que gostem do capítulo de hoje. É especial pra Ana, que deixou uma recomendação linda e que me emocionou. Obrigada meeeeeeeeesmo pelas palavras, fiquei tão feliz que não me cabia aqui. haha *-*
Beijos.

Já havia falado com Lord Mormont, mas ele insistiu em despedir-se de Mykhaela ao amanhecer, quando partiram. Para dificultar tudo, obrigou Jon a comparecer também. Estavam parados nos portões do Castelo Negro enquanto os homens de Mykhaela estavam nos cavalos, esperando-a. Ela acariciava o pelo alvo de Fantasma e se despedia do lobo com um beijo no topo da cabeça dele. Fantasma choramingava para a jovem, que parou em frente a Lord Mormont e Jon, fazendo uma reverência e agradecendo pela hospitalidade. O Comandante desejou boa viagem e segurança à princesa, que agradeceu, ainda sem olhar para Jon até que se olharam por um segundo e Mykhaela virou o rosto, caminhando para longe dele até seu cavalo. Arthur ajudou-a a subir no corcel negro e subiu no próprio cavalo, ao lado dela. Partiram, Mykhaela tinha a visão embaçada pelas lágrimas quando virou-se para trás para ver, quem sabe pela última vez, Jon Snow, o irmão negro que roubou seu coração, agora em pedaços.


Viajavam haviam semanas rumo ao Sul quando recebeu a carta. Havia uma breve saudação com a letra de Jon no verso, dizendo que chegara à Muralha alguns dias depois dela partir. Abriu a carta ansiosa, do lado de fora da barraca que lhe pertencia. Estava acampada em algum ponto da Mata dos Lobos. Leu todas as palavras cuidadosamente, várias e várias vezes. Arthur estranhou as feições dela desde que recebera o corvo. Amassou o papel entre os dedos e deixou as lágrimas lavarem seu rosto. O conselheiro lhe perguntava insistentemente o que havia de errado. Sim, Mykhaela estava melancólica nos últimos dias, mas não a vira derrubar uma lágrima sequer o tempo todo. Ela parecia determinada com a viagem, querendo avançar mais ao sul a cada dia. Ela andou para longe do acampamento, entregando a carta a Arthur, que a seguiu. Estavam longe o bastante para seus homens não os ouvirem e assim achava que seria melhor. Arthur terminou de ler a carta e olhou para ela com dúvida.


"Por que choras? Não entendo"


"Meu pai não se demorará a chegar aqui. Com a autorização do Rei do Norte, virá com sua frota pelo mar"


"Qual o problema, Vossa Graça?"


Mykhaela silenciou-se, derrubou mais lágrimas e tocou seu ventre com ambas as mãos. Arthur não precisava de mais nada para entender, mas demorou alguns minutos para digerir a informação. Assim que esses minutos passaram, virou para Mykhaela consternado.


"Você não tem mesmo juízo algum, não é Mykhaela?"


Ela o olhou com raiva, mas limitou-se a ficar calada.


"Eu sabia que havia algo entre vocês, mas achei que ao menos respeitaria sua honra!"


"Isso não interessa agora. Quando meu pai chegar aqui será difícil esconder"


"Difícil? Será impossível! Como explicará para ele que espera uma criança de um bastardo?"


"Não fale assim dele"


"É o que ele é, um bastardo sujo e sem honra"


"Eu disse pra não falar assim dele" Ela gritou.


"Eu não entendo o que via naquele bastardo"


"Isso é algo que não te diz respeito"


"Por que saiu de seu reino para vir aqui desgraçar sua vida, Mykhaela? Com tantos homens bons em Iberia, por que vir tão longe?"


"Homens bons? Como quem? Como você?"


"Sim, como eu"


"Você possui tanto nome quanto Jon"


"Não me compare aquele bastardo, Mykhaela. Não tenho posses e meu nome de nada vale em seu reino, mas ele já foi importante aqui em Westeros"


"De que vale o seu nome? Eu não quero nem nunca quis me casar com você"


"Criança ingrata. Tudo o que eu fiz foi dedicar minha vida a você, ensiná-la a usar a espada quando colocou em sua cabeça dura que queria aprender a lutar"


"Você era meu protetor, Arthur. Esperava o que de mim?"


"Não torne isso uma questão de nome e dever. Você preferia meu irmão a mim! Sempre me desprezou apesar de eu cuidar exaustivamente de você"


"O que quer dizer com isso?"


"Acha o que, Mykhaela? Que quando você e Rickard fugiam juntos para as cavernas eu não os seguia para ter certeza de que estava a salvo? Eu tinha um juramento com seu pai de te manter a salvo"


"Isso ainda não explica sua sugestão anterior"


"Acha mesmo que eu nunca vi os beijos que você e Rickard trocaram?"


"Por favor, Arthur, era coisa de criança. Eles só provaram que nunca daríamos certo juntos. Caso não se lembre Rickard me enganou para vigiar os corredores enquanto ele espiava as senhoras se trocar"


"E fui eu que te contei a verdade"


"Sim e eu passei semanas chantageando Rickard com essa informação" Ela esboçou um leve sorriso. "Não vê? Vocês dois são irmãos para mim, Arthur, tanto quanto Phillip"


"Não viu que esse tempo todo sinto por você amor maior que de irmão?"


"Arthur, eu não preciso disso agora"


"Precisa do que então? Dele?"


"Você acha que eu saí de lá porque? Jon nunca quis filhos"


"E mesmo que quisesse você sabia que ele perderia a cabeça por isso"


"Sim" Ela soltou um soluço dolorido.


"Então você perderá a sua por ele? Que feitiço esse bastardo jogou em você, Mykhaela?"


"Pare de chamá-lo assim!" Mykhaela gritou e sua voz ecoou entre as árvores. Ela não suportava mais a presença de Arthur e passou a caminhar para longe dele.


"Aonde vai?"


"Preciso pensar"


"O acampamento não é por aí"


"Eu sei"


Mykhaela continuou seu caminho entre as árvores enquanto chorava incessantemente. Pensava em Jon e no que aconteceria a ele quando seu pai descobrisse. Pensava no que aconteceria a ela e à sua criança. A caminhada durou um longo tempo e logo escureceu. Mykhaela já não sabia onde estava, perdida entre as árvores, no frio e à mercê dos animais da noite. Sentou-se em uma pedra e abraçou o corpo, chorando ainda, os soluços ecoando ao seu redor, sentindo-se perdida como uma criança. Ouviu um cavalo se aproximando e se sentiu aliviada por Arthur vir a seu encontro levá-la de volta ao acampamento. Estava perdida, com fome e sozinha. Mas quando o cavalo parou na sua frente Mykhaela não viu o familiar rosto angular de Arthur. Se encolheu com medo. Não deveria ter andado tanto. Agora era uma mulher sozinha perdida no meio de uma floresta. Um alvo fácil frente ao homem desconhecido. Ele desceu do cavalo e se aproximou dela.


"Está tudo bem?"


Ela balançou a cabeça negativamente, soltando um soluço e irrompendo os olhos em lágrimas.


"Alguém te fez mal?"


Novamente sua voz falhou e ela apenas conseguiu responder balançando a cabeça. Ele parecia preocupado e pediu permissão para se sentar ao lado dela, que concedeu.


"Você precisa de ajuda?" Ela tentou controlar as lágrimas e respondeu a ele que sim com a voz rouca e embargada.


"Eu estou perdida"


"Você é de onde?" Ele percebeu um leve sotaque na voz dela.


"Um reino ao sul do mar Dothraki" Ela limpou as lágrimas com as costas das mãos.


"E o que faz aqui tão longe?"


"Meu pai me mandou para Westeros"


"Por que?"


"Para achar um senhor para mim"


"Você é uma lady, então?"


Ela balançou a cabeça negativamente. "Sou uma princesa" Mykhaela sabia que não deveria dividir tanta informação assim com um estranho, mas que mal faria? Ele não a conhecia, não conhecia seu pai.


"E o que faz sozinha aqui?"


"Eu saí andando e me perdi de meus homens. Estamos acampados em algum lugar por aqui"


"Eu posso te ajudar a voltar, não deve ser muito longe"


"Obrigada" Ela soluçou novamente e sorriu para ele.


"Desculpe-me a intromissão, mas seu choro não me parece de alguém que esteja apenas perdido"


"Minha vida está acabada" Ela confessou antes mesmo de pensar, e depois corou.


"Por que diz isso?"


"Eu fiz algo errado e meu pai não me perdoará por isso. E agora ele está vindo para cá e eu não tenho como concertar isso. Ele pedirá minha cabeça"


"Seu pai? O que pode ter feito de tão grave?"


"Não era pra ter acontecido, mas era mais forte que nós dois. E quando nós vimos já tinha acontecido e estávamos envolvidos demais e eu não queria encarar a realidade, aquilo nunca poderia ir pra frente. Mas não, eu não quis enxergar e nós continuamos levando tudo como se as consequências nunca viriam. E ele me disse que nunca queria ser pai, não queria colocar outro bastardo no mundo como ele, mas então isso aconteceu e agora eu espero uma criança dele. Eu não pude falar pra ele, não mesmo, ele seria condenado por deserção. E então eu saí da Muralha e continuei minha viagem e tudo bem, eu ia arrumar um jeito mas então meu pai me mandou uma carta dizendo que eu estava me demorando demais e que ele viria para cá e esperava me encontrar casada até lá, mas tudo o que ele vai encontrar é sua filha grávida, sem um senhor. Ele vai me matar por tamanha desonra, eu sei que ele vai. E então ele vai caçar Jon até matá-lo e não é culpa dele"


O homem tomou algum tempo para digerir as palavras dela que foram despejadas nele como uma onda gigante. Analisou com cuidado as palavras.


"Um irmão negro é o pai de sua criança, você diz" Ela confirmou com um aceno e ele continuou. "Você o chama de Jon, um bastardo"


"Sim"


"Jon Snow?"


Mykhaela demorou-se alguns segundos em choque. Havia entregado informação demais, havia entregado que Jon era um bastardo do Norte. Agora esse estranho sabia que Jon traiu seu juramento.


"Como-" Ela segurou a respiração, o medo congelando seu corpo. "É claro, estamos perto de Winterfell" Disse mais para si do que para o homem.


"Não se preocupe. Não direi a ninguém"


"Por favor, não diga" Mykhaela estava tão desesperada que não poupou esforços. "Eu tenho ouro, se você quiser. Muito. E posso pedir para que meu pai traga mais de Iberia, meu reino. Mas por favor, não diga nada a ninguém"


"Eu não quero seu ouro, fique tranquila. Seu segredo jaz comigo"


Ele observou a jovem soltar um soluço alto enquanto mais lágrimas invadiam seus olhos. Não gostava de ver garotas chorar, não sabia como agir.


"Venha, você precisa se aquecer"


"Você vai me levar de volta?"


"Amanhã quando acordar. Agora não temos como saber onde seus homens estão e você congelará se continuar aqui fora. Vamos, eu te levarei para minha casa"


O homem tirou sua capa e colocou sobre os ombros de Mykhaela. Era grande demais para ela e estava tão quente que não pôde recusar. Não sabia porquê, mas sentia que podia confiar no estranho. Subiu no cavalo dele com sua ajuda e ele segurou-a enquanto apressava o animal pelo caminho. Passaram por construções de pedra até chegar nos portões de Winterfell, que abriram-se para ele todo o caminho até o castelo. Mykhaela se sentia estranha pisando no mesmo lugar que Jon crescera, carregando a criança dele, mas tentava afastar aqueles pensamentos que a fariam chorar de novo. O homem desceu de seu cavalo e ajudou Mykhaela a descer, apontando o caminho até o castelo enquanto um criado recolhia o animal.


"Sua casa, você disse"


"Sim" Ele sorriu levemente enquanto adentrava o castelo de pedra junto dela.


"Você é o irmão dele" Mykhaela arfou, finalmente entendendo a suposição rápida do homem. "Você é o Rei do Norte, Robb Stark de Winterfell" Os olhos dela estavam abertos de espanto e ele riu.


"Você pode me chamar apenas de Robb"


"Obrigada, Vossa Graça" Ela fez uma reverência exagerada, sentindo-se finalmente segura ali, com a família dele. Jon sempre disse sobre o homem de honra que seu irmão era e Mykha sentia que podia confiar plenamente nele.


"Por favor, Robb" Ele sorriu e apontou uma escada. "Venha, vou te levar a um quarto confortável"


Mykhaela caminhou junto a Robb em silêncio e ele abriu uma porta, dando visão a um quarto amplo e confortável. Era também absurdamente quente, as pedras mornas o bastante para não precisar de uma lareira. Deitou-se entre as peles e fechou os olhos, doloridos pelas horas de choro. Suspirou profundamente se perguntando se Jon já havia dormido ali. Sonhou com ele, com um reino de verão e frutas saborosas, pêssegos suculentos como os das Ilhas de Verão onde passava os meses mais quentes quando criança. Sonhou num mundo onde nomes não valiam nada, nem Muralhas. Um mundo onde ela e Jon podiam ficar juntos e ter crianças felizes. Um mundo que nunca existiria.