Theres No Winter Without Summer
41 Capítulo Quarenta
Notas iniciais
O capítulo de hoje é o penúltimo e da próxima vez que virem atualização da TNWWS, será o último capítulo e o epílogo e fim!
Sim, triste. Mas se o tempo me deixar, continuarei escrevendo outras coisas e gostaria de vê-los por lá quando eu postar.
Enfim, vamos ao capítulo de hoje. Assim que eu conseguir, respondo as review mas já vou deixando um super obrigado pra todo mundo que tá acompanhando e comentando sempre!
Boa leitura.
Mykhaela viu pela primeira vez em muito tempo felicidade relampejar pelos olhos do marido. As torres arredondadas erguiam-se no horizonte e Rickon sorriu. Robb incitou o cavalo a andar e Mykhaela seguiu logo atrás, seu coração cheio de saudades e ansiedade. Winterfell era uma visão linda à primeira luz da manhã, principalmente com a neve recém caída cobrindo o chão congelado. Ainda estavam longe, mas só de ver a capital do Norte o coração deles aqueceu-se um pouco. Naquela noite, para sua surpresa, Robb a chamara até sua tenda e Mykhaela caminhou pelo pavilhão real até ser anunciada. Robb vestia calções de lã e uma túnica de linho aberta, enquanto terminava uma taça de vinho com um grande gole.
“Você quer vinho?” Ele ofereceu, olhando para ela por cima da curva de sua taça.
“Não, obrigada” A rainha juntou os olhos e então percebeu pelo olhar de Robb que ele havia tomado vinho demais naquela noite. “Jantou com Tyrion?”
“Sim” Robb depositou a taça em cima da mesa e andou até Mykhaela, segurando em sua cintura e colidindo o seu quadril com o dela.
“Está bêbado”
Robb a ignorou, segurando com força o rosto dela e beijando-lhe os lábios. O gosto de vinho invadiu a boca de Mykhaela, mas não por muito tempo. Robb logo desceu os lábios pelo pescoço dela, enchendo as mãos com os seios da esposa. As mãos dele rapidamente desfizeram os nós de seus calções e sua túnica não demorou a fazer companhia a eles no chão. Em seguida ocupou-se com o vestido de Mykhaela e com a esposa nua, carregou-a no colo até sua mesa de mapas, não se importando em afastá-los. Rodeou o quadril com as pernas dela e deixou escapar dos lábios da esposa uma interjeição de surpresa quando a invadiu com força.
“Quero colocar um filho em você hoje” Ele disse enquanto investia contra ela e Mykhaela nada respondeu, limitando-se a suspirar contra a pele do ombro dele, onde a ferida de flecha cicatrizava. “Diga meu nome, Mykhaela”
A rainha o fitou, seus olhos um mar de mistério e desprezo. Robb investiu com força mais uma vez e manteve-se dentro dela, segurando em seu rosto.
“Qual o problema?”
“Caso não tenha notado, não estou com vontade”
“Mas eu estou” Robb beijou-a. “Minha rainha”
“Sou sua rainha agora?”
“Você sempre foi minha rainha”
“Tem me ignorado a viagem toda”
“Eu estava com raiva” Ele voltou a investir no mesmo ritmo de antes, mordiscando o queixo dela e ofegando de prazer.
“Estava?”
“Você é minha rainha” Ele arfava e apertava o corpo dela contra o dele. “e minha esposa” As mãos de Robb prenderam-se nos cabelos dela. “e a melhor escolha que eu já fiz”
Mykhaela riu e sentiu a respiração ofegante de Robb contra o pescoço dela, e enquanto ele atingia o prazer tudo o que ela ouvia era a voz dele chamando seu nome de forma desajeitada. Robb beijou-lhe os cabelos antes de cair num sono pesado, mas ela não conseguia dormir. Em todo o mês que levara a viagem de volta a Winterfell, Robb não a quisera por perto em nenhum momento. E então em sua última noite na estrada, ele chama por ela e dorme em seus braços. Não desejava distância, mas não o queria daquele jeito. Porém, não importava o que ela queria. A guerra a mudou e mudou a ele também.
-x-
Mykhaela acordou cedo naquela manhã, com os ossos doendo. O inverno naquele reino era muito mais gelado do que aqueles que havia enfrentado a vida toda em Iberia. Vestiu uma capa de pele de urso por cima das camadas de vestido de lã e veludo rosado e estava prestes a sair do quarto quando a porta se abriu. Ela olhou surpresa para o batente da porta de sua câmara real, onde um sobressaltado Jon recebia o olhar raivoso de dois guardas reais.
“Deixem ele entrar” Ela disse e Jon fechou a porta em suas costas. Ela ouvia a respiração acelerada dele, alta, preenchendo o silêncio e Jon aproximou-se a passos largos, segurando o rosto dela com ambas as mãos. Mykhaela encarou os olhos nevoados até que Jon curvou-se e beijou seus lábios com desespero. Ela segurou as mãos dele e sentiu a boca gelada de Jon colidir contra a sua uma porção de vezes.
“Nunca mais faça isso comigo. Nunca mais, entendeu?”
A rainha abriu os olhos com um sorriso contido nos lábios e encontrou as sobrancelhas de Jon juntas numa expressão de dor e alívio simultâneos.
“Do que você está falando?”
Uma mão dele escorregou pelo rosto dela, deixando um traçado gelado na pele quente.
“Da última vez... Você estava longe e era cativa de Greyjoy, mas estava viva. Eu não-“ Ele suspirou, tentando achar as palavras. “Você não pode fazer isso, não tem esse direito, Mykhaela. Prometa que não vai morrer antes de mim. Prometa que não vai mais se colocar em situações de risco. Prometa que nunca mais vai me fazer pensar que você morreu”
Mykhaela sorriu e passou a mão pelos cabelos de Jon, tirando os flocos de neve que derretiam entre os cachos escuros.
“Eu sinto muito que tenha pensado isso. Eu não queria te fazer sofrer, Jon”
“Eu achei que iria enlouquecer. Eu sabia que não era verdade, mas só de pensar na possibilidade...” Ele não terminou a frase e a apertou mais perto de si, não deixando alternativa a Mykhaela a não ser beijá-lo mais uma vez.
“Eu estou viva, Jon. Eu estou aqui. Em Winterfell. Nós todos estamos”
Mykhaela abriu os olhos e sorriu ao lembrar-se da cena. O inverno já havia passado e havia muito tempo desde que os lábios de Jon haviam pressionado os seus. Havia muito tempo desde que havia o visto. Anos. O intendente a olhou com dúvida e ela sorriu, terminando de passar as ordens para a recepção de Lord Tully. O homem fez uma breve reverência enquanto se distanciava e Mykhaela saiu da casa de hóspedes para o pátio, atravessando-o em direção à Torre Grande. Os garotos treinavam espada e os grunhidos e ofegos de esforço eram audíveis. Mykhaela parou um minuto para observar. Cedrik e Bryan avançavam um contra o outro com espadas de madeira enquanto Ned observava de braços cruzados. Quando viu a mãe, largou sua espada e andou até ela, passando a mão pelos cachos negros que caíam em seus olhos.
“Você precisa cortar esse cabelo, Eddard” Mykhaela sorriu enquanto Osha se aproximava, vindo da torre principal.
“Mãe” Eddard suspirou, suas maçãs do rosto corando. “Eu queria conversar com você, quando você tiver tempo”
“Tudo bem, filho” Mykhaela juntou as sobrancelhas, mas então sentiu um par de bracinhos fecharem-se ao redor de suas pernas e um gritinho infantil chamar por ela. “Lyanna, você deveria estar com a sua irmã” A pequena garotinha de cabelos castanhos encarou Mykhaela com seus icônicos olhos azuis e Eddard a pegou no colo, balançando o corpo da irmã mais nova a fazendo rir.
“Ela estava gritando e não queria ficar lá de jeito nenhum, senhora” Osha explicou.
“Por que não ficou com Marissa, Ly?” Eddard disse tentando desviar da irmã, que estendia as mãos para alcançar os cachos que gostava de puxar.
“Eu queria a mamãe” Lyanna fez um beicinho e Mykhaela rolou os olhos. A pequena de quatro anos era mimada a todo tempo pelos irmãos e por Robb. Após tanto tempo com as crianças crescidas, com o nascimento da Stark mais nova, todos se derreteram por ela.
“Eu tenho obrigações a cumprir, Lyanna. Você só tinha que ficar quietinha até a hora do almoço. Seu tio Edmure está vindo”
“Mas mamãe!” Ela piscou os olhinhos azuis e não havia como resistir àqueles olhos. Mykhaela sorriu e Eddard colocou a irmã no chão, que correu para junto de Bryan e Cedrik. Os dois haviam terminado a luta sem que Mykhaela visse qual dos dois vencera. Os elmos fora retirados e ambos chacoalharam o suor para longe dos cabelos ruivos.
“Antes do jantar, Ned. Eu estarei em meu quarto” Mykhaela sorriu para o filho e virou-se para continuar seu caminho. Eddard era um jovem bonito e forte, de dezesseis anos. Tinha muito de Jon em si, era quase assustador, mas quando se tratava de personalidade, tinha muito de Robb também. Dela apenas tinha os olhos. Era verdadeiramente um Stark, mais Stark do que ela havia imagino que seria.
O sol havia se posto há algum tempo quando Mykhaela ouviu batidas na porta e deu permissão para entrarem. Eddard estava limpo, vestido e fez uma reverência dura à mãe, enquanto Sor Almond fechava a porta do quarto de Mykhaela. O filho sentou-se na ponta da cama e ela sorriu, observando-o brincar com os dedos nervosamente.
“O que quer conversar, Ned?”
“Mãe” Ele começou, olhou para ela e abaixou os olhos novamente. “Mãe, porque eu tenho que ir pra Muralha?”
O coração de Mykhaela apertou-se, vendo a confusão no olhar dele. “Filho, você já sabe o motivo. Eu fiz uma promessa aos deuses para você sobreviver”
“Eu sei. Mas eu sou o filho mais velho. Eu deveria ficar aqui e ser o herdeiro do meu pai”
“Ned, filho, eu sinto muito” Mykhaela estendeu a mão para segurar a dele. “Mas Bryan é herdeiro de seu pai”
“Não é por Winterfell, mãe. Eu só não quero ir”
“Deve ter um motivo, Ned”
Ela observou o filho corar e olhar para as mãos novamente, brincando com os dedos de forma semelhante a Robb. Por um momento ela ficou preocupada, mas então algo relampejou nos olhos de Ned, um tipo de olhar que ela não via há muito tempo.
“Ned, isso é sobre uma garota?”
Ele foi rápido em virar o olhar pra mãe, temeroso, ansioso, envergonhado.
“Como você sabe?”
“Uma mãe sabe” Ela sorriu e arrumou os cabelos dele. “Quem é?”
“Mãe!”
“Ora, eu quero saber”
“Eu não vou dizer”
Mykhaela suspirou e sorriu, rendendo-se.
“Tudo bem, tudo bem”
“Eu tenho mesmo que ir?”
“Você é um homem feito, mas também é um príncipe. Podemos esperar mais alguns anos, meu amor, mas hora ou outra você terá que ir. Eu sei que não é justo e que eu fiz uma promessa por você, não te deixando escolha. Meu floquinho de neve, você não sabe como eu desejei que você tivesse uma escolha, que tudo fosse diferente” Ned franziu o nariz ao ouvir o apelido infantil que a mãe usara e Mykhaela sorriu. “Eu sinto muito, Ned. Mas você é um Stark, e quando chegar a hora, terá que cumprir com o seu destino”
“Eu realmente a amo, mãe”
A intensidade com que Ned olhou nos olhos de Mykhaela a lembrou de Jon, de quando eram apenas dois adolescentes brincando com fogo, apostando no amor e não pensando nas consequências. Ned, como o pai, não poderia ter aquilo, nunca poderia e aquilo a matava. Ela queria dizer que fizera aquilo para protegê-lo, porque na época fazia sentido e ela queria ter a oportunidade de segurá-lo nos braços. Casar-se com Robb era a única chance de isso acontecer. Ela queria poder ter dado uma vida diferente a ele, mas ela fez o melhor que podia, não fez? E sem Robb não teria Bryan, Marissa ou Lyanna. E ela não imaginava uma vida sem eles. Sem nenhum deles. E doía saber que Ned nunca saberia o que era isso. Ele nunca saberia o que é sofrer por um filho e amá-lo mais que à própria vida.
“Eu sinto muito, filho” A rainha acariciou o rosto do filho e ele abaixou os olhos.
“Sabe o que é pior?” As orbes gêmeas deles se encontraram. “Mesmo que eu não tivesse que ir para a Muralha eu não poderia ficar com ela”
“Por que diz isso?”
“Ela não é ninguém de importante e o príncipe de Winterfell não se casa com ninguém de importante”
“Nós somos realeza, meu amor. É o preço que pagamos” Ela suspirou no mesmo momento que a porta se abriu e Robb entrou no quarto com o olhar cansado.
“Está tudo bem?” Ele juntou as sobrancelhas e Ned levantou-se.
“Está sim, pai” O filho limpou a garganta enquanto dizia.
“Estou muito atrasado para o jantar?”
“Não, podemos esperar. Você é o rei, Robb” Mykhaela disse, ajeitando o tecido de suas saias.
“Eu vou ver se acho meus irmãos. Pai. Mãe”
Mykhaela sorriu e assistiu o filho deixar o quarto enquanto Robb sentava-se cansado na cama, ao lado dela.
“Algum problema?”
“Tyrion me deixa louco”
“O que ele fez dessa vez?”
“Deixou uma dívida gigante em prostitutas para a corte”
“É o preço que pagamos, Robb”
“Por uma assistência quase desnecessária da parte dele”
“Ele te ajudou a assaltar o portão certo em Porto Real”
“Qualquer portão era facilmente assaltado com a confusão que estava naquele dia. De qualquer forma, eu já tinha feito o acordo com ele”
“Os garotos gostam dele”
“Por que você acha? Ele leva os garotos com ele”
“ELE O QUE?” Mykhaela levantou-se, o rosto vermelho.
“Eles já são grandinhos, Mykhaela”
“Bryan tem quatorze anos, Robb! Quatorze! Cedrik tem treze! São crianças”
“São garotos com vontades, mas eles poderiam ser mais discretos”
“Você age como se isso fosse normal!”
“Eles são garotos, Mykhaela. Se não fosse elas, seriam as criadas, as damas de companhia de Marissa”
“Você levava as damas de companhia de Sansa para os cantos escondidos do castelo?”
Robb sorriu e isso fez com que pequenas rugas emoldurassem seus olhos azuis.
“Algumas”
“Eu achei que fosse honrado, Robb Stark” Mykhaela sorriu e o marido segurou sua mão com delicadeza, encarando o anel de safiras que adornava um de seus dedos.
“Eu sou honrado” Robb riu e pegou a mulher pela cintura, colocando-a em cima de seu quadril. “Não sou?”
“Na maioria das vezes” O sorriso em seus lábios morreu quando Robb a beijou.
Após o jantar, Mykhaela chamou o Duende para uma conversinha.
“Lord Lannister, fiquei sabendo de algumas coisas que não me agradaram hoje”
Tyrion olhou-a por cima de sua taça de vinho e sorriu.
“E o que seriam essas coisas, Vossa Graça?”
“Suas visitas ao bordel. E suas companhias”
“Você quer dizer os jovens Ned, Bryan e Cedrik?”
“Eles são príncipes, não devem ser vistos em lugares como estes”
“Rei Robert costumava concordar com isso, por isso as trazia até o castelo. Devo fazer assim, Vossa Graça?”
“Talvez tenha esquecido, Tyrion, mas meus garotos são Stark, não Baratheon”
“Seus garotos? Cedrik também?”
Mykhaela respirou fundo, os olhos sem divertimento nenhum, diferente de Tyrion. Ela tratara o garoto muito bem durante os anos, mesmo quando Talisa mudou-se para Karhold para servir a Senhora Sansa, onde se sentiria melhor. Mas olhar para o garoto, sobressaindo-se e sentindo-se tão príncipe quanto seus filhos era sim um incômodo. Incômodo que ela suprimia ao máximo, mas que estava em seu olhar para qualquer um que prestasse atenção. O garoto era educado e gentil com ela, mas ele e Bryan rivalizavam em várias coisas, mesmo amando-se como irmãos e sendo muito mais próximos de que Ned alguma vez fora de Bryan. E quando era pequeno, vivia dizendo às amas como desejava que sua mãe fosse rainha e não Mykhaela. Todas essas coisas a incomodavam, mas ela as ignorava e tratava o garoto Snow como gostaria que tivessem tratado Jon. Ainda assim, era difícil.
“Cedrik é uma criança de treze anos”
“A criança sabe muito bem como usar sua espada, Mykhaela”
“Você é nojento” A rainha rolou os olhos e afastou-se, sabendo que não convenceria o Duende a se comportar. E, conhecendo os filhos, eles não a ouviriam também.
Antes de retirar-se para sua câmara, Mykhaela chamou Ned e ele veio sentar-se ao lado dela. Robb já havia deixado o salão de refeições e todos estavam distraídos com as primeiras palavras de Anya, o bebê mais novo de Alyssa e Bran.
“Eu tive uma ideia, filho. Quero saber sua opinião”
“Estou ouvindo”
“O que acha que viajarmos para a Muralha e visitar seu tio Jon? Apenas eu e você, e você pode dar uma olhada em como são as coisas por lá. Talvez mude sua mente. Se quiser podemos passar em Karhold para ver sua tia Sansa e seus primos, o que acha?”
“Estou com saudades do tio Jon. E de Robert e Beric também”
“Está decidido então. Iremos para a Muralha juntos”
“O pai concordou?”
“Ele irá concordar” Mykhaela sorriu e Ned a imitou. Tão parecido com o pai. Exatamente o mesmo sorriso, ela pensou. Jon ficaria feliz em vê-lo e talvez, com alguma sorte, Ned veria alguma felicidade em seu futuro como Patrulheiro.
Notas finais
Dei uma boa adiantada no tempo nesse capítulo, hein?
Gostaram de ver as crianças crescidas? E o que acharam de Lyanna, a Stark mais nova? Tudo está se encaminhando para um final feliz. Será? haha Descubra no próximo capítulo!
Obrigada por lerem, espero as opiniões de vocês.
Beijos.
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