Theres No Winter Without Summer
42 Capítulo Quarenta e Um
Notas iniciais
Não vou me alongar, aqui vai o último capítulo. O epílogo será postado no domingo provavelmente.
Espero que gostem e aproveitem a leitura.
Beijos!
Os portões de Castelo Negro estavam abertos e a primeira coisa que Mykhaela viu foi a neblina da manhã gelada. Desde que havia saído dali, grávida e assustada, não havia voltado. Pelos deuses, fazia tanto tempo. Quando Sor Beren a ajudou a descer do cavalo, Mykhaela ajeitou as saias e Ned caminhou ao lado dela até a fileira principal de homens. Todos os patrulheiros estavam lá para recebê-la e eles ajoelharam quando o seu Senhor Comandante o fez e reverenciaram a rainha e o príncipe. Mykhaela parou frente a Jon e fez um sinal para ele se levantar, e os homens então o imitaram.
“Vossa Graça, meu príncipe”
“Lord Comandante” Mykhaela fez uma reverência, mas Ned não repetiu as palavras dela, abraçando Jon sem cerimônias.
“Tio Jon, é bom te ver”
“É bom te ver, Ned. Venham se aquecer, espero que tenham feito boa viagem” Jon gentilmente tomou o braço de Mykhaela e a guiou para dentro do castelo, Ned caminhava logo atrás e os intendentes começaram a dar instruções ao pessoal que Mykhaela trouxera junto. Quando entraram na sala de Jon a lareira queimava fortemente e eles foram servidos com vinho, queijo e pão preto.
“Era pra ser uma viagem apenas minha e de minha mãe” Ned falava, visivelmente contrariado.
“Seu pai tem razão, filho. Não podemos viajar sem guardas, não é seguro”
“Esse pedaço da estrada é tranquilo, mas nunca se sabe” Jon tomou um gole longo de vinho e trocou um olhar com Mykhaela por cima da taça.
“O que achou da Muralha, Ned?” Mykhaela sorriu para o filho, desviando o olhar do de Jon.
“Não sei, ainda não a vi de cima”
“Podemos resolver isso agora mesmo” Jon sorriu e Eddard animou-se.
Mykhaela os assistiu partir e encaminhou-se para o quarto que lhe foi destinado, na Torre do Rei. Ironicamente, o mesmo quarto que ocupara da primeira vez que estivera lá. Deitar-se naquela cama lhe trouxe milhares de memórias sobre seus dias ali com Jon, seus sentimentos intensos e infantis em relação a ele, todos os seus sonhos e Mykhaela perguntou-se se aquela menina imaginaria que voltaria a deitar-se ali como rainha. Despiu as roupas da viagem e pediu a uma das aias que a acompanhou para preparar um banho quente. Quando foi até o salão comum para almoçar, estava vestida de veludo cinza e o manto com o lobo gigante da casa Stark estava preso com um broche prateado em forma de coroa.
“Sam!” Ela exclamou de forma animada e abraçou o Patrulheiro, que corou intensamente com isso.
“Rainha Mykhaela”
“Pelos deuses, faz anos que não o vejo. Como está?”
“Estou bem, Vossa Graça” Sam olhou para os pés e Mykhaela o puxou pelo braço para sentar-se ao lado dela. Quando Jon e Eddard apareceram, ela já havia comido e conversava com Sam sobre a filha mais nova, Lyanna.
“Mãe, você tem que ver o mundo de lá de cima”
“Eu já estive lá em cima, Ned. Você gostou?”
“Eu praticamente podia ver Winterfell” Ele disse exageradamente, pegando um pedaço de pão e mordendo, fazendo Mykhaela rir. Serviram a ele e Jon ensopado de peixe e algas logo em seguida.
“Olhe suas maneiras, Eddard” Mykhaela disse e Jon olhou para ela, sorrindo.
“Ele é um homem feito, Mykhaela. Não precisa o ensinar como comer”
“Ele ainda é meu príncipe, então eu o ensinarei o quanto quiser, Jon” Ela sorriu, ajeitando os cachos de Ned, fazendo com que o filho desviasse, encabulado.
“Mãe! Por favor”
“Tudo bem, eu te deixarei em paz” Mykhaela levantou-se e os guardas prepararam-se para segui-la. “E vocês, podem descansar”
“Rei Robb pediu para não deixa-la sozinha”
“Rei Robb não está aqui” O tom de voz de Mykhaela não deixou levantar-se objeções e os guardas posicionaram-se atrás de Ned para guarda-lo. Ela não estava a vinte passos de distância da sala comum quando Jon chamou por seu nome, andando a passos rápidos logo atrás dela.
“Eu preciso conversar com você”
“Claro” Mykhaela disse, inconscientemente afastando-se um passo dele.
“Podemos ir para minha sala?”
Ela acenou que sim e eles caminharam em silêncio até a torre de Jon. A porta da sala foi trancada enquanto Mykhaela sentava-se e aguardava o que quer que Jon quisesse falar com ela. O silêncio tornou-se incômodo, então ela resolveu falar.
“O que passou a manhã fazendo com Ned?”
“Ele viu a Muralha de cima e eu o expliquei algumas coisas, andamos algumas léguas para leste e depois voltamos. Ele vai treinar com os novos recrutas agora no pátio de armas. Achei que seria bom para ele”
“E então? Sobre o que queria conversar?”
“Como vão as crianças?”
“Bem, eles vão bem. Ned está com dúvidas em relação a sua vinda para a Patrulha, como eu disse na carta que te enviei”
“Você pode desfazer isso, Mykha. Eu não quero atrapalhar a vida do garoto apenas para tê-lo ao meu lado”
“É mais complicado que isso, Jon, e você sabe” Mykhaela esfregou as mãos, desconfortável, e então tirou as luvas, colocando-as em cima da mesa.
“E a pequena Lyanna?”
“Teimosa, como sempre. Ela queria vir de qualquer jeito. Me chamou até aqui para perguntar sobre meus filhos ou tem algo a mais para me dizer?”
“Por que está aqui?”
“Não fui clara em minha carta? Ned estava com dúvidas sobre a Patrulha”
“Você poderia o ter mandando com os irmãos. Ou sozinho com guardas. Por que veio?”
“Não me quer aqui?”
“Não é isso”
“Então o que é?”
Jon levantou-se e pegou Mykhaela pela mão, fazendo-a levantar-se também. Encostou a rainha na mesa e se aproximou, segurando o rosto dela entre as mãos ásperas.
“Eu quero você aqui” Ele a olhou com intensidade. “E aqui” Beijou-a nos lábios e voltou a olhá-la. “E aqui” Apertou a cintura dela, agarrou sua coxa direita e a levantou, posicionando-se entre as pernas de Mykhaela. “Principalmente aqui”
“Jon” Foi tudo o que ela conseguiu dizer enquanto encarava os olhos dele.
“É um crime eu te querer?” Ele disse enquanto colava a testa na dela, seu quadril remexendo-se contra o de Mykhaela. “É. Mas isso não me faz te querer menos”
“Seu irmão...”
“Eu não ligo pro meu irmão” Jon segurou as coxas de Mykhaela e a sentou em sua mesa. “Você era minha antes”
“Você não pode”
“Posso” Jon praticamente a interrompeu e beijou seus lábios em seguida, dedilhando o espartilho de Mykhaela e desfazendo-se dele.
“É errado” Ela tentava convencer-se falando aquilo em voz alta, enquanto suas mãos tiravam a camisa de couro fervido de Jon e a túnica de lã por baixo, revelando a pele do comandante.
“Não é” Jon disse enquanto beijava os lábios dela novamente, dessa vez realmente sentindo seu gosto, enquanto se livrava das camadas de roupa dela.
“Você é louco” Mykhaela sorriu, apoiando os cotovelos na mesa, reclinando-se para trás enquanto Jon descia sua língua por entre suas coxas e fazia sua mágica ali. Ela enrolou os cachos negros dele em seus dedos e gemeu seu nome baixinho, sentindo a barba por fazer roçar sua pele fina. Não se demorou muito e subiu os beijos por seu ventre, abdômen e seios, até encontrar sua boca. Mykhaela segurou o membro de Jon em sua mão, fechando os olhos, deliciando-se por tocá-lo, até que o guiou para dentro de si e sentiu como se todas as partes de seu corpo fossem explodir quando ele finalmente a invadiu. Pelos deuses, achou que nunca mais o sentiria daquela forma. A boca de Jon soltou um gemido longo contra a dela e ele movimentou-se desesperadamente dentro dela. Mykhaela sorriu vendo-o lutar contra o próprio corpo e instinto, mordendo o lábio e fechando as pernas ao redor do corpo dele. Jon tentava segurar-se, mas havia tanto tempo e ele sabia que não ia conseguir. E tê-la ali, na sua mesa de Senhor Comandante, tornava tudo deliciosamente perigoso e imoral “Não segure, Jon” A rainha sorriu e Jon apertou o corpo dela enquanto a preenchia com seu prazer acompanhado de um gemido longo e brevemente alto.
“Eu quero você” Ele ofegou, ainda de olhos fechados, tomado pelo êxtase que não sentia há anos. Tomou Mykhaela mais uma vez, no chão, em frente à lareira, enquanto ela segurava a tapeçaria entre as mãos e ele encarava a coluna dela, o quadril de Mykhaela movendo-se em círculos contra o seu. Deliciou-se ao ouvi-la gemer e sentir o corpo dela tremer em suas mãos. Jon a beijou por muito tempo, nu e aninhado a ela em frente à lareira, até que a rainha saiu para banhar-se e vestir-se para o jantar. Quando entrou em seu quarto, tomada pela excitação do que havia acabado de acontecer, encontrou Ned sentado na cama encarando o chão, a cabeça apoiada nas mãos.
“Filho, está tudo bem?”
Ele olhou para cima com o rosto sujo de terra. Suas vestes estavam sujas também e as mãos do filho tremiam.
“Não, não está”
O rosto de Mykhaela congelou e seu coração pareceu parar de bater. Ele nos ouviu. Foi a primeira coisa que pensou. Pelos deuses, ele ouviu a mim e Jon.
“O que aconteceu?”
“Sor Allister, mãe”
“O que tem ele?”
“Ficou me chamando de Príncipe Bastardo. Disse que eu vim até aqui para servir meu Lord pai, o Senhor Comandante”
As faces de Mykhaela ficaram vermelhas e quentes, ela podia sentir.
“Sor Allister possui o péssimo hábito de ridicularizar os recém chegados, Ned. Você, especialmente, por ser um príncipe. Falarei com ele no jantar”
“Não! Eu não quero que fale com ele. Quero que me fale a verdade” Ned gritou, levantando-se.
“Olhe seu tom”
“Eu pareço exatamente como tio Jon, mãe. Todos veem isso, todo mundo me fala isso o tempo todo”
“Você parece exatamente seu avô, Eddard Stark. Por que acha que herdou o nome dele?” A voz de Mykhaela tornara-se embargada.
“Todos se parecem com meu pai. Bryan, Marissa. Até o Cedrik, mãe, e ele é um bastardo. Todos eles de cabelos vermelhos e eu de cabelos negros”
“Eu tenho cabelos escuros, Ned. Tem os meus cabelos”
“Ele ficava dizendo que você e tio Jon saíam por aí, aos risinhos. E que ele colocou-me em sua barriga enquanto ainda estava aqui, isso é verdade, não é, mãe? Eu sou um bastardo. Você foi para a cama de Jon Snow e me gerou. Enganou meu pai, bem, Robb, quem eu achei minha vida toda que era meu pai. Enganou-o com o bastardo do irmão dele!”
A acusação na voz do filho doía, mas as lágrimas nos olhos dele doíam mais. O desprezo dele ao encarar a possibilidade de ser o filho bastardo de Jon a doeu muito. Engoliu o choro e andou até o filho, esbofeteando-o no rosto.
“Como ousa me acusar assim, Eddard? É minha honra de que está falando”
“É de minha vida que estou falando! Do meu pai!”
“Seu pai é Robb Stark, Eddard. Eu não sei que ideias malucas esse homem colocou em sua cabeça, mas trate de desconsiderá-las. Você é filho de Robb Stark, neto de Eddard Stark e Príncipe de Winterfell. Não ouse dizer o contrário”
“Então porque eu sou o único diferente?”
“Eu não sei, Eddard. Jon parecia-se mais com o pai dele do que Robb, isso fez dele mais legítimo que seu pai? Arya parecia-se mais com seu avô do que Sansa, isso faz de Sansa uma bastarda?”
O filho olhou para baixo, sua respiração ofegante e as lágrimas caindo no tapete.
“Responda-me, Ned!”
“Não”
“Nunca mais desconfie de minha honra, entendeu? Nunca mais” As palavras doíam em seu peito ainda mais, considerando o que fizera com Jon mais cedo.
“Eu sinto muito, mãe”
“Vá se limpar e se trocar. O jantar será servido em breve” Foi tudo o que ela disse e o filho acenou afirmativamente com a cabeça, partindo em direção à porta. Quando Eddard saiu, Mykhaela limpou as lágrimas e chamou sua aia para preparar-lhe o banho e trazer água para fazer chá. Quando estava limpa e vestida, bebeu a infusão de chá da lua e engoliu a desonra que tão ferozmente negou para o filho.
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Jon estranhou o silêncio desconfortável de Mykhaela e Ned durante todo o jantar. Ned sorrira pouco para as piadas dos Patrulheiros ao seu redor e Mykhaela parecia completamente inconsciente do que se passava ao seu redor, apenas remexendo seu prato e mal tocando a comida. Havia vinho da Árvore trazido pela rainha e os homens estavam aproveitando a boa safra que não era o usual em Castelo Negro, resultando num tanto de bêbados cantando ao redor do fogo do Salão Comum. Ned pediu licença para a mãe e retirou-se com uma expressão carrancuda. Quando Mykhaela despachou os guardas para acompanharem o filho, Jon olhou para Sam pedindo com o olhar para que ele se retirasse da mesa. Os seus irmãos estavam distraídos com alguma música obscena que era cantada em voz alta e Jon não achou que ouviriam ou prestariam atenção neles.
“Está tudo bem, Mykha?”
A princípio Jon achou que ela não ouviu, pois não obteve resposta por um longo tempo, mas quando tomou fôlego para repetir a pergunta, Mykhaela olhou para ele.
“Eu só estou tentando não matar Allister Thorne”
“Por que?”
“Por que você mantém esse homem no treinamento? Ele é rude”
“Eu não preciso que ele seja gentil, preciso que ele ensine os recrutas a lutar”
“Também precisa que ele coloque na cabeça de Eddard ideias de você ser o pai dele?”
Dessa vez fora Jon quem demorou um longo tempo para responder.
“O que ele fez?”
“Você sabe como foi ter que olhar nos olhos do meu filho e mentir pra ele? E falar que Robb é pai dele, agir ofendida pela desonra daquilo que ele me acusava?”
“Eu vou falar com ele” Jon fez menção de se levantar, mas Mykhaela segurou seu pulso. O simples toque dela fez com que o corpo todo de Jon se arrepiasse. Deuses, ele pensou, já não estou velho demais para isso? Ela olhou-o nos olhos de forma intensa, perdida, como uma criança olharia para o pai ao pedir ajuda.
“Ele não pode saber, Jon”
Mykhaela estava tão distraída que não percebeu a tristeza no olhar de Jon. Ele não pode saber, mas como eu queria que soubesse. Como eu gostaria de poder chama-lo de filho e de ouvi-lo me chamar de pai. Mas pela reação de Ned no jantar Jon sabia que o filho não aceitaria a verdade. E o culpava? Quem queria ser bastardo? Quem queria ser menos que nada?
“Eu não vou dizer nada que te comprometa, Mykhaela” As palavras saíram mais duras do que Jon desejara e ele observou-a lutar para não derrubar as lágrimas.
“Isso não é sobre mim, Jon. É por ele. Foi sempre por ele”
“Eu não vou machucar meu filho assim, Mykhaela. Pode ter certeza” Jon puxou o braço de volta e o calor da pele de Mykhaela deixou seu corpo. Andou até a Torre do Rei e os guardas reais anunciaram Jon à câmara de Ned. O garoto estava sentado ao lado da janela, observando a neve que caía furiosamente lá fora. Uma vela estava praticamente transformada em poça de cera ao lado dele, a única fonte de luz do quarto. Ele não se virou para olhar Jon, mas o Senhor Comandante podia ver pelo reflexo na janela os vincos na testa do filho.
“Veio para me contar a verdade?” A voz dele continha mágoa, confusão e raiva.
Não, pensou Jon. “Sim” Ele respondeu, passando a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer roçar seus dedos. “Sua mãe está muito triste com você, Ned. Como pode acreditar em tamanhas besteiras?”
O filho virou-se para encará-lo, e Jon observou que Ned já não precisava levantar os olhos para olhar para ele. Tinham praticamente a mesma altura. Ele era um homem e Jon sentiu-se orgulhoso de ter gerado um filho tão forte, tão determinado. Filho, Jon suplicou mentalmente, não torne isso mais difícil do que é.
“Não parecem besteiras nesse momento” Os olhos esverdeados mediram cuidadosamente cada centímetro do rosto de Jon. Era assustador o quanto aqueles olhos eram iguais aos de Mykhaela, tão bonitos e profundos, escuros e cheios de mistério. Ela enxergava dentro da alma de Jon ao olhá-lo nos olhos, mas ele nunca conseguia decifrar direito o que ela pensava ao mergulhar no esverdeado profundo. Jon podia sentir Eddard analisando cada pedaço do seu rosto. Sobrancelha, olhos, nariz, boca... céus, ele tem até o mesmo formato da minha barba.
“Você sabe o quanto Robb ficaria decepcionado com você ao ouvir isso? Você é o primogênito dele, Ned. Eu vi nos olhos do meu irmão o quanto ele te amava quando te segurava no colo, o quanto ele tinha orgulho de você” E como eu me orgulhava de te segurar no colo, filho. Minha pior desonra, meu melhor erro.
“Talvez você e minha mãe o enganaram. Talvez ele tenha sido tão enganado quanto eu”
“Você acha que eu faria isso com meu próprio irmão? Você faria isso com Cedrik, Ned?” Jon desviou os olhos, apenas esperando as palavras. Cedrik não é meu irmão, ele é apenas um bastardo. Mas as palavras nunca vieram e Jon sentiu-se aliviado por isso.
“Nunca!”
“Eu amo Robb. Ele é meu irmão. Eu nunca o enganaria dessa forma. E sua mãe o ama também, Ned. Ela saiu do reino dela, tão distante, e escolheu Robb para ser seu marido. Se ela não o amasse, o que justificaria?”
Ned olhou para baixo, pensativo. Jon respirou um pouco mais aliviado. Será que ele acreditava nas mentiras que Jon contava? Estava tão acostumado com elas, sua vida toda era uma grande mentira. Tinha sangue Stark, sangue dos antigos reis do Norte e dos Primeiros Homens. Mas era um tipo bastardo de sangue. Não era sangue real, não era sangue de príncipe. Era sangue falso. E usava um nome falso. Era Snow, não Stark.
“Isso faz sentido”
“Quando sua mãe chegou aqui, disse para mim que estava fugindo dos casamentos forçados, que queria ver o mundo, viver aventuras. Mas ela não viu muita coisa, pois se apaixonou pelo seu pai e sacrificou tudo por ele. E seu pai é grato por ela ter feito isso, pois ele não saberia o que fazer se não a tivesse em sua vida. E ela deu você a seu pai, Ned. E seu pai tem muito orgulho de você, você é o melhor presente que ele já ganhou. Nunca duvide disso”
O garoto curvou os lábios num meio sorriso, sem saber que pela primeira vez na noite, havia ouvido um discurso verdadeiro. Porque mesmo que em sua mente ele enxergava Robb, não era em Robb que Jon pensava ao falar aquelas palavras. Era nele, Jon Snow, Senhor Comandante da Patrulha da Noite, uma grande farsa, desertor, quebrador de juramento, pai de um bastardo que fez ao desonrar uma princesa. E então Jon pensou que era mesmo melhor que Ned nunca soubesse suas verdadeiras origens. Jon era um bastardo, mas seu pai era honrado, justo e ele tinha orgulho de ser filho de Ned Stark. Se fosse Eddard, não gostaria de ter a si mesmo como pai.
“Eu deveria me desculpar com minha mãe”
“Amanhã. Deixe-a descansar hoje. E descanse você também, pense em tudo que eu te falei”
“Boa noite, tio Jon”
“Boa noite, filho”
Quando entrou em sua sala observou uma silhueta nas sombras. Ela virou-se para a porta, olhando-o ansiosamente. Havia chorado, ele podia notar os olhos vermelhos quando ela se aproximou.
“Conversou com ele? O que ele disse, Jon?”
“Ele acreditou em mim, eu posso ser bastante convincente” Jon sorriu tristemente enquanto enchia uma taça de vinho para si. Ofereceu a Mykhaela, mas ela recusou com um meneio.
“Eu sinto muito por você ter que ter feito isso”
“É uma mentira que dizemos a nós mesmos todo dia, qual a diferença?”
“Obrigada” Ela olhou nos olhos de Jon e suas palavras foram tão sinceras que aquilo partiu o coração dele. Mykhaela faria qualquer coisa para proteger seus filhos. Os amava com uma intensidade que Jon nunca havia visto. Ele nunca havia tido esse tipo de amor. Quando os braços dela fecharam-se ao redor de seu corpo, Jon descansou o queixo na cabeça dela e correu os dedos por entre as longas mechas castanhas. “Eu não sei o que eu faria sem você”
“Não. Eu não sei o que faria sem você. Você é meu sol, Mykha. Sem você eu não vivo”
Ela sorriu, beijando apaixonadamente os lábios dele, como da primeira vez, com a mesma intensidade, com a mesma paixão e com o mesmo fervor. E ele sentia-se como um jovem patrulheiro novamente, beijando os lábios de uma garota.
“Não mesmo, Snow. Não há inverno sem verão”
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