Theres No Winter Without Summer
10 Capítulo Nove
Notas iniciais
Estou abandonada e só ;;
/drama
Espero que, quem ainda ler, goste!
Beijos
Estavam parados frente aos portões de Winterfell com suas capas bordadas com o lobo Stark e as coroas que brilhavam em suas cabeças. Jon estava ao lado de seu cavalo, junto de Fantasma, que tinha os pelos da cabeça acariciados por Mykhaela. Vento Cinzento não estava muito feliz com a atenção que o lobo irmão recebia, mas mantinha-se ao lado de Robb fingindo alienar-se a tudo aquilo. Jon fez uma breve reverência e desejou boa saúde ao casal, subindo em seu cavalo. Demorou-se alguns segundos nos olhos esverdeados de Mykhaela e lhe jogou um pequeno sorriso sincero, reconhecendo que deixava ali o sentimento que nutria por ela e lhe dava permissão para ser feliz ao lado dele. Duvidava e desejava internamente que ela não encontrasse com Robb a felicidade que sentia ao seu lado, por mais egoísta que parecesse.
Mykhaela acompanhou Robb às audiências que ele ouviu pela tarde toda e quando o sol se pôs, após tantos pedidos e a confirmação de que ser rainha não era nada do que ela imaginava, ela só queria um bom banho quente, uma boa refeição e cama. E assim o fez, logo após o banho desceu para comer junto de Lady Catelyn e seus filhos e então subiu para o quarto. Robb não estava no jantar pois tinha assuntos a resolver, então Mykhaela vestiu sua camisola e deitou-se sozinha na cama, encarando o teto. Suspirou enquanto encarava pela primeira vez sua atual situação. Estava casada. Era um rainha. Em que parte de seu caminho fora desviada para isso? Achou ironia dos deuses, então, que partira em fuga daquilo apenas para encontrar o mesmo destino. Não podia fugir de seu destino, daquilo que seu nome impunha. Percebeu então como estava se enganando achando que seria feliz com seu amor verdadeiro. Estava claro o tempo todo. Nascera uma princesa e princesas não foram feitas para amar. Foram feitas para governar, para achar o homem certo, para ser senhora de alguém. Não queria ser senhora de alguém, mas agora era. Nunca tivera outra escolha, apenas se enganara de que sim. Seu pai em breve chegaria para selar laços políticos com Robb. Laços que seu casamento formou. Nascera para aquilo. Era definitivamente uma princesa. Pensou então em sua mãe. Será que ela e seu pai amavam-se quando se casaram? Provavelmente não. Provavelmente o amor fora construído com o tempo, nascendo do amor mútuo pelos filhos. Então pensou que queria dar a seus filhos a sensação de família que tinha com seus pais, quando era criança, quando sua mãe ainda vivia. Sim, era isso que iria fazer. Ouviu os passos de Robb aproximando-se do quarto e apressou-se em levantar-se e tirar a camisola. Deitou na cama e olhou para o próprio corpo. Logo estaria redonda como um melão maduro e não tão atraente aos olhos. Queria que ele a tivesse ainda daquela forma. O corpo imutável de menina nunca tocada — mesmo que ambos soubessem que não era assim. Os cabelos soltos caíam selvagens nos olhos dela e Robb parou de respirar quando adentrou o quarto e a viu daquela forma, o olhando tão sedutora.
Ele tinha sua honra Stark e seu respeito pelo irmão, mas ainda assim era um homem. E aquela era sua esposa, certo? Sua senhora. Deveria se sentir tão culpado por não sentir culpa nenhuma em desejá-la? Limpou a garganta e caminhou a passos lentos até a cama.
"Minha senhora..." Sua voz morreu enquanto ela se ajoelhava no colchão e segurava nos ombos dele, os olhos manhosos.
"Sei que não posso lhe dar filhos agora" Ela sussurrou enquanto tirava-lhe o gibão. "Mas também sei que o que fez por mim merece um agradecimento" A boca dela agora colada em sua orelha fazia com que o corpo de Robb se arrepiasse por inteiro enquanto as pequenas mãos desfaziam os nós de sua túnica. Robb subiu a mão até a nuca da esposa, fazendo-a olhar nos olhos dele. Era tão desejável que corroía seu ser. Tão linda que não duvidava que todo homem em todo reino a desejaria. E ela era dele. Somente dele.
Pela primeira vez a beijou sem pudores, tracejando seus lábios com a língua e invadindo-lhe a boca. Sentiu o gosto dela, doce como vinho de verão, e as mãos que tracejavam seu torso, dedilhando seus músculos. Mykhaela se sentiu estranha, mas sabia que daquele ponto não podia mais voltar atrás. Desceu a mão até os calções dele e desatou-o até que caísse nos calcanhares de Robb. O rei deitou sua rainha na cama, colocando-se por cima dela. Beijava-lha o pescoço, a clavícula e descia até o vale dos seios dela, tracejando a lingua até alcançar um de seus mamilos, fazendo-o sumir entre seus lábios. Ouviu-a gemer timidamente e seu ego inflava-se em saber que era para ele. Havia tanto tempo desde que o rei tocara uma mulher. Estava extasiado pela sensação da pele macia dela colada na pele dele. Desceu os beijos pelo ventre dela, abrindo-lhe as pernas e dedilhando a pele macia e lisa de seu sexo. Observou com satisfação o quadril dela erguer-se em direção à ele e seus músculos enrijecerem contra seu corpo. Lambeu-lhe as coxas sob arfadas de aprovação e finalmente rendeu-se aos desejos dela, sugando-lhe com cuidado e devoção. Mykhaela reconhecera o quanto Robb era habilidoso com aquilo, fazendo-a se sentir como se flutuasse pelo quarto. Escorregou as mãos pelos cachos ruivos dele, agarrando-se a eles como se sua vida dependesse daquilo. Robb sentiu quando o corpo dela começara a tremer em seus lábios e subiu os beijos novamente, chegando à boca dela. Mykhaela mordiscou o queixo áspero pela barba mal feita e desceu as mãos pelo abdomên musculoso, chegando até seu membro rijo. Robb estremeceu sob o toque quente dela, que fazia movimentos de sobe e desce e devorava seu pescoço enquanto isso. Agarrou-se a um seio dela com uma mão e com a outra à sua cintura. Ela sentia cada parte dele a desejando e ela mesma se pegava desejando sentir Robb junto dela. Escorregou a mão do membro dele e subiu arranhando suas costas enquanto ele a puxava pelas coxas e a fazia sentar em seu quadril. Encaixou-se entre as pernas dela e se moveu lentamente, com medo de machucá-la. Ela sorriu para ele, tão doce, achando que ela ainda não estaria acostumada com um homem dentro de si. Empurrou-lhe o peito e Robb bateu com as costas no colchão de plumas. Subiu em seu quadril remexendo-se ali, as mãos espalmadas no peito dele. Robb segurou em sua cintura enquanto ela se movimentava habilmente no quadril dele, fazendo movimentos circulares ocasionalmente, o que o fazia delirar. Arqueava o quadril para sentir-se cada vez mais dentro dela, cada vez mais a possuindo. Era sua e apenas sua. Puxou-a para perto de si, sugou-lhe os seios, beijou-lhe a boca, agarrou-se aos cabelos dela enquanto chamava por seu nome e a invadia com seu prazer. Mykhaela continuava a se mexer no quadril dele, mesmo com seu corpo tremendo com seu ápice alcançado. Ele era tão deliciosamente desejável. E era tão errado que o tivesse amado daquele jeito. Robb puxou o corpo pequeno e suado de Mykhaela ao seu lado, que caiu exausta, recebendo do marido beijos carinhosos. Aninhou-se ao peito dele, começando a sentir um pouco de frio, mas cansada demais para se levantar e se vestir. Brincou com os poucos pelos que Robb tinha no peito enquanto ele acariciava gostosamente sua cintura. Era tão errado, mas era tão bom.
-x-
Mykhaela estava no quarto de Bran, penteando-lhe os cabelos, quando Rickon chegou pulando e falando alto, Cão Felpudo ao seu encalço. Bran rolou os olhos para o irmão e perguntou o por que de tamanha euforia.
"É o Rei! O seu pai, ele está chegando!" Rickon abriu a janela, deixando um vento frio entrar no quarto.
"Feche isso, Rickon!" Bran gritou, nervoso.
"Acalmem-se os dois" Mykhaela disse séria. "Obrigada Rickon. Nós já desceremos. Pode chamar Hodor aqui?"
"Sim!" Ele exclamou, correndo para fora e gritando que chamaria Hodor e partiria para conhecer a Guarda do Rei e lutar com todos eles.
Mykhaela riu e olhou para Bran, com compreensão nos olhos. Se apegara muito ao pequeno e entendia que ele se irritava às vezes com o irmão, por não poder correr e lutar como ele. Dividira seus sonhos com Mykhaela, de ser um cavaleiro da Guarda Real de Robb. Ela jogou a capa nas costas dele, ajeitando-a no corpo pequeno. Gostava de pensar que quando tivesse filhos com Robb, eles seriam muito parecidos com Bran e Rickon. Hodor logo apareceu na porta, colocando o pequeno Lord em suas costas para o carregar para a entrada do castelo. Mykhaela colocou sua própria capa por cima do vestido de veludo escuro e acompanhou os dois até a entrada. Robb sorriu para ela assim que parou ao lado dele.
"Está nervosa?" Ele disse para apenas ela ouvir, segurando sua mão junto à dela.
"Não" Mykhaela respondeu sincera, acariciando o ventre crescido com a mão livre. "Tenho certeza que ele vai gostar de você"
Observaram a caravana do Rei chegar com o estandarte da Casa de Orleans. Um Touro Negro e Duas Carpas, uma dourada e uma prateada, pulavam sobre um fundo azul escuro. Os cavaleiros da Guarda Real pararam em um semi círculo e logo surgiram em garanhões o Rei e o Príncipe. Atrás vinham Lord Edric Davies e Rickard em corcéis negros. Desceram de seus cavalos e andaram até ao aglomerado da corte que os esperava. Ambos os lados fizeram suas reverências formais e ouviu-se vários 'Vossa Graça' para todo o lado, que Mykhaela já não sabia dizer se eram para ela, para Robb ou para seu pai e irmão. O Rei Moryn analisou o casal central com os olhos amendoados. Era alto, musculoso e tinha um sorriso muito bonito.
"Não irá dar um abraço ao seu velho pai?"
Mykhaela sorriu como uma criança, soltando a mão de Robb e apertando os braços ao redor do corpo do pai, que beijou-lhe o topo da cabeça.
"Senti saudades"
"Eu também, filha" Ele sorriu satisfeito para a menina, as sobrancelhas grossas davam sobriedade ao olhar dele. Passou os braços pelos ombros dela e caminhou até Robb. "Então este é seu rei?"
"Ele está usando uma coroa, não está?" Mykhaela respondeu com um sorriso nos lábios e o pai a olhou sem muito divertimento.
"Continua a mesma menina mal criada de sempre"
"Sou uma rainha mal criada agora" Ela continuou sorrindo e Robb ficou apreensivo pela maneira que ela falava com o pai.
"Alguém controle-a, ficará ainda mais insupotável" Ouviram a voz grossa de um rapaz que estava parado ao lado de Arthur, que se juntara a eles com seus homens e Moryn gargalhou alto. Mykhaela olhou feio para o jovem e posicionou-se entre o pai e o marido.
"Robb Stark de Winterfell, Rei do Norte" Robb disse estendendo a mão para o pai de sua senhora, que a apertou em seguida.
"Moryn Orleans de Lumiar, Rei de Iberia e das Ilhas Médias" Ele soltou a mão de Robb e sorriu. "E pai da Rainha mal criada" Gargalhou junto a Robb sob um olhar de desaprovação de Mykhaela. "Vejo que não se demora, rapaz" Ele analisou a filha, dirigindo-se a Robb que ficou um pouco constrangido, mas tentou não demonstrar. "Está tão redonda como um melão das Ilhas de Verão, Mykhaela"
"Não, eu não estou!" Respondeu a jovem rainha, ultrajada.
"Não discuta, irmã" O príncipe finalmente se juntou a eles, caminhando a passos curtos e pomposos. "Ou ele irá lhe comparar à Velha Arny"
Risadas estrondaram pelas pedras de Winterfell e o povo de Westeros permanecia em silêncio sem entender nada.
"Cale-se, Phillip" Mykhaela rolou os olhos de uma maneira que lembrou a Robb de Arya, e sentiu saudades da pequena irmã perdida. "Esta é Lady Catelyn Stark e seus filhos Sansa, Bran e Rickon"
Reverenciaram-se e Sansa sorriu de forma abobalhada para Phillip, fazendo Robb perder a paciência. Jon observava tudo de longe, com Fantasma deitado em seus pés. Robb o havia chamado a Winterfell para buscar homens que chegariam do Sul. Aquele não era o trabalho de Jon, mas Robb era o rei e até Lord Comandante tinha que o obedecer. Entraram todos no castelo e foram encaminhados até o grande salão, onde as mesas estavam cheias de vinho e comida. Para desagrado de Lady Catelyn, Jon sentou-se à mesa da corte a pedido de Mykhaela, que conversava animadamente com uma garota de cabelos castanhos claros de mais ou menos treze anos. Era tão linda quando Mykhaela e Jon pensou que a jovem rainha deveria se parecer muito com a garota naquela idade. Terminaram de comer e os soldados foram enviados para os abrigos, as criadas retiraram as mesas do caminho e duas donzelas com harpas entraram para tocar música para eles. Serviram vinho de Iberia, presente do pai de Mykhaela e bolos com calda de morangos. Jon achou engraçado o jeito com que Bran olhava para a jovem ao lado de Mykhaela, tão abobalhado quanto um garoto de sua idade poderia ficar frente a uma garota tão linda.
"Está há quantos meses esperando?" Moryn perguntou do outro lado da mesa para Mykhaela e Jon a olhou apreensivo.
"Quatro, pelas nossas contas" Mykhaela sorriu sem muita sinceridade, alisando a barriga.
"Meistre Luwin diz que obebê está maior que o normal, mas isso significa que virá forte" Lady Catelyn disse com gosto e Moryn sorriu satisfeito para a senhora.
"É metade lobo e metade touro. Tenho certeza que virá mais forte que todos os bebês do reino"
Robb, Mykhaela, Jon e Arthur trocaram olhares cúmplices. Todos sabiam que a criança não era maior do que o normal por ser touro e lobo, e sim porque tinha mais que quatro meses de desenvolvimento.
"Cheguei atrasado para a união de vocês mas espero que se case frente a nossos deuses"
"Por favor, papai. Como poderíamos casar frente a nossos deuses tão longe do Templo de Casamento?" Mykhaela não gostava da ideia. O seu casamento frente a seus deuses pertencia a Jon, por mais impossível que fosse.
"Deixe-me dar um banquete de casamento ao menos! Como os de Iberia, com a dança matrimonial"
"Se lhe alegrar, Vossa Graça" Robb disse com um sorriso cordial no rosto.
"Você não precisa" Mykhaela encontrou os olhos azuis do marido com certa pena no olhar. Sabia que seu pai era um homem assustador e difícil de lidar. Tinha o coração mole, mas era severo como ninguém.
"Será um prazer, minha rainha" Robb segurou a mão dela com a sua, fazendo Jon desviar os olhos. Já não lhe bastava ter que assistir a um casamento de Mykhaela, agora teria que ver o segundo.
"Terá que aprender os passos logo, então. Phillip, dance com sua irmã para mostrar ao rei"
"De jeito nenhum, pai. Phillip irá pisar nos meus pés como sempre e eles já estão inchados pela gravidez" Mykhaela arqueou ambas as sobrancelhas com certo deboche na voz.
"Dançará sozinha então?"
"Rickard dançará comigo" Ela sorriu para o jovem que se sentava ao lado de Jon.
"Será um prazer, Vossa Graça"
Rickard respondeu com o mesmo tom de deboche de Mykhaela e Jon pensou que ela deveria ter herdado o traço do garoto. Já havia ouvido falar dele, Mykhaela sempre contava histórias de sua infância que os dois protagonizavam. Rickard era seu melhor amigo, irmão de Arthur. Agora era o Segundo em Comando na Guarda Real, abaixo apenas de seu pai, Lord Davies. As tocadoras de harpa interromperam a música que tocavam para começar uma nova. Todos à mesa viraram-se para acompanhar o casal de amigos que, de mãos dadas, estavam no centro do salão. Arthur olhava meio enciumado de seu lugar e Jon achava aquilo divertido. Nunca gostou do tal guardião de Mykhaela. O Rei de Iberia levantou-se e caminhou para perto deles, chamando Robb e o resto das pessoas os seguiram, menos Jon. A garota de Bran ficou bem perto de Mykhaela no centro do salão, observando-a com admiração.
Mykhaela riu para o amigo, que lhe dizia algo. Jon sentiu uma ponta de ciúme, pois aquele sorriso se parecia muito com os que ela dava a ele. Fazia muito tempo que não o via. Ela estendeu a mão no ar, parando-a muito próxima da de Rickard e rodavam em volta um do outro. Ela parou de costas para ele e Rickard repousou uma mão na cintura dela, aconchegando-se na curva de seu ventre crescido e sorrindo ao sussurrar algo em seu ouvido. Jon achou bastante inapropriado, mas permaneceu quieto em seu lugar. Ele segurava a mão de Mykhaela pelo braço estendido dela e faziam passos com os pés que se repetiam enquanto formavam um quadrado. Ela girou no ar para longe dele, seu vestido de veludo formando ondas macias em volta de seu corpo. Logo voltou de encontro ao rapaz, que a segurava perto de si e curvava o corpo dela para trás de forma sensual enquanto o rosto lhe encarava os seios. Ele disse algo só para ela novamente, os olhos maldosos e Mykhaela riu, beliscando o braço do jovem. Aquela cumplicidade incomodava Jon, pois pensava que apenas ele a dividia com ela.
A jovem rainha espalmou a mão no ar novamente, quase tocando a de Rickard enquanto conversavam distraídos do público que os assistia. Mykhaela já havia ensaiado aquela dança com Rickard vezes demais para ter que realmente prestar atenção nos passos.
"Não é a única a virar adulta realmente sabia?" Ele disse a ela enquanto a erguia no ar e girava com o corpo dela para cima.
"O que quer dizer?" Mykhaela sorriu, voltando ao chão e segurando no ombro dele.
"Vou me casar assim que retornar para Iberia"
"O que?" Ela riu surpresa, virando-se de costas para o jovem novamente, que a encaixou em seus braços repetindo os passos anteriores. "Com quem, posso saber?"
"Com Valerya Visseu" Ele disse com certo cuidado e a jovem rainha parou os passos na hora, para encarar os olhos do amigo.
"Você está mentindo!" Mykhaela disse audível para todo o salão, que caiu em silêncio, a não ser pelas harpas.
"Mykhaela, é uma boa família e seu pai arranjou o casamento"
"É verdade?" Ela olhou para o pai, que crispou os lábios em repreensão. "E você aceitou?" Ela se voltou para Rickard novamente.
"Mykhaela, cuidado com a criança" Robb a alertou, mas ela ao menos olhou para ele.
"Eu não espero que aceite de bom grado" Rickard começou a dizer, mas ela o interrompeu.
"Desfaça o pedido! Diga que mudou de ideia"
"Seria uma desonra!"
"Fique aqui comigo, não se case com ela, Rickard. Não ouse juntar-se àquela família"
Robb sentia uma ponta de ciúme e embarassamento. Queria que Mykhaela ouvisse suas palavras e parasse de gritá-las para o salão todo. Afinal, era seu marido e ainda estava ali. Jon, por sua vez, se focava agora na garota de Bran, que se encolhia em seu canto, o rosto cheio de lágrimas.
"Isso é maior que você, Mykhaela"
"É claro que é maior que eu! Você bem sabe que é muito maior que eu!" Mykhaela disse com a voz trêmula pelas lágrimas que saíam de seus olhos esverdeados sem muito controle.
"Não posso voltar atrás" Rickard disse decidido.
Mykhaela empurrou o peito do amigo, que cambaleou para trás, com uma violência cega.
"Mykhaela..." O pai a alertou, mas ela ignorou, pegando na mão da garota e saindo do grande salão com raiva nos olhos. Virou-se e gritou com toda a força de seus pulmões à Rickard:
"Nunca mais fale comigo"
Ela deixou o salão, que tinha agora uma atmosfera silenciosa e pesada. Aos poucos as pessoas, chocadas e sem saber muito bem o que havia se passado, começaram a se dispersar. Lady Catelyn chamou as criadas para mostrar aos convidados o caminho até os aposentos dos hóspedes, enquanto os Stark saíam do salão ainda confusos. Jon continuou sentado na mesa, tentando entender o que se passara ali. Terminou seu vinho e se levantou, o último a deixar o salão. Andava pelo corredor exterior do castelo quando avistou Mykhaela sentada sozinha em uma das pontas. Sentou-se ao lado dela e observou enquanto ela puxava as mangas do vestido para limpar as lágrimas. Abraçou-a pelos ombros e observou enquanto ela escondia o rosto em seu peito, agarrada ao manto negro dele.
"O que te aflige, criança?" Perguntou com os lábios encostados nos cabelos dela. Observou quando ela olhou nos olhos dele com um sorriso no canto dos lábios.
"Criança, Jon? Por favor, você já dormiu comigo"
Jon não pôde evitar sorrir com a observação dela e acariciou suas bochechas molhadas, tirando os rastros de lágrimas.
"Quer falar sobre isso?"
"Todo mundo deve ter entendido errado" Suspirou. "Por favor, guarde isso para você" Suplicou com os olhos e segurou nas mãos de Jon, que concordou com um aceno de cabeça. "Foi há quase três anos"
Mykhaela corria entre as árvores tão rápida quanto o vento. Seus pés quebravam os galhos secos quando pisava neles e sua respiração era acelerada, mas ritmada. Sabia que Rickard logo a alcançaria, pois havia crescido demais nos últimos meses, com músculos de homem capazes de levantar grandes coisas e pernas que davam passos três vezes maiores que as suas. Passou a mão pela cintura, certificando-se de que sua espada permanecia ali. A arma de metal era sua melhor amiga, depois de Rickard, no alto de seus dezesseis anos. Escondeu-se atrás de uma árvore para recuperar o fôlego quando ouviu o grito fino que vinha de algum lugar próximo. Tentou descobrir de onde vinha, mas fora breve e tudo estava silencioso novamente. Rickard a alcançou e Mykhaela pediu que ficasse em silêncio. Ele observou enquanto a amiga se afastava em direção ao rio que cortava o bosque. Resolveu seguí-la quando ela já sumia de seu campo visual.
"O que você ta fazendo?" Ouviu a amiga gritar e correu mais depressa até ela. Quando parou a seu lado viu a mesma cena que fez a amiga parar em choque. Jaden Visseu tinha os calções abaixados até os calcanhares, deitado por cima da jovem Alyssa, assustada e chorando, com seu vestido de lã puxado para cima até sua barriga. "Afaste-se dela!" Mykhaela ordenou, desembainhando sua espada.
"Mykha, cuidado" Rickard disse, ainda chocado pela cena.
"Eu mandei se afastar dela!" A jovem princesa gritou e Jaden sentou-se ao lado de Alyssa, nas pedras do rio.
"O que vai fazer com isso?" Jaden riu para a espada apontada na direção dele. "Bordar?"
"Cala a boca!" Mykhaela gritou, olhando para a irmã que tremia, sangue escorrendo de seu pequeno corpo pelas pedras. "Alyssa, vá com Rickard até o velho abrigo de armas"
A pequena se levantou, arrumando o vestido enquanto tremia e abraçou Rickard com as pequenas mãos sangrando em pequenos cortes.
"Mykhaela, o que vai fazer?" Rickard soou preocupado. Não queria deixar Mykhaela ali, sozinha com Jaden, mas também sentia que deveria tirar Alyssa dali o mais rápido possível. Observou quando Jaden tentou se levantar e tirar a espada da mão de Mykhaela, colocando a mão na própria bainha para tirar a sua, mas Mykhaela era rápida demais e chutou-o no meio de suas pernas, marcando o solado da bota no sexo exposto do rapaz. Rickard sabia que ela ficaria bem e pegou Alyssa no colo, que agarrou-o com seus dedinhos feridos, tremendo de medo.
Quando ouviu os passos de Rickard longes o suficiente, quebrando os galhos e não mais pisando em pedras, Mykhaela andou até Jaden, os olhos flamejantes de ódio.
"Por que tanta raiva, alteza? Ela é só uma bastarda. Bastardos não têm honra"
"Ela é minha irmã!" Exclamou com ódio, empurrando sua espada em direção à barriga de Jaden, que se remexeu de dor. Mykhaela mexeu o aço nas vísceras de Jaden, que expelia sangue pela boca. Retirou a espada dali, manchada de sangue pela primeira vez, e a lavou no rio, embainhando-a novamente. "Espero que apodreça no inferno!" Mykhaela cuspiu e virou-se de costas para Jaden, deixando o rapaz ali para morrer.
"Aquela garotinha..." Jon disse com choque na voz, enquanto via o olhar de Mykhaela perder o brilho pelo ódio. Nunca pensou que a viria daquele jeito.
"Ele sobreviveu, não sei como. O encontraram na floresta e ele disse que foi atacado por saqueadores que fugiam. Mas todos sabemos quem espalhou por Lumiar que Alyssa perdera sua honra. Ele fugiu, quando estava recuperado. Seu pai colocou guardas em seu encalço, nunca pude realmente matá-lo" Ela completou com raiva, limpando as lágrimas que desceram em seguida. "Não há um dia de minha vida que não penso em achá-lo e matá-lo"
Jon se deixou mergulhar no silêncio sem saber muito bem o que dizer a ela. Viu que era da irmã que nascera a intensidade com que defendia quem quer que ofendesse um filho ilegítimo na sua frente. Entendeu o tom de voz ofendido que jogou a Lord Yoren quando questionou a presença de Jon em sua mesa, ou quando não deixou Lady Catelyn o expulsar da mesa mais cedo. Era porque na mesa de Mykhaela sempre se sentara uma bastarda, sua irmã, e ela não permitia que a tratassem de forma diferente.
"Quando minha mãe morreu eu me tornei a senhora da casa. Nunca permiti, em nenhum banquete, que mandassem minha irmã se sentar em outro lugar que não fosse ao meu lado" Seus olhos estava vagos, ainda raivosos. "Ela era tão nova e lhe foi tirada a inocência de forma tão cruel. Você sabe, ela nunca foi tratada de forma diferente no castelo, mas lá fora, no mundo real, as pessoas não a reconheciam como princesa. Não a tratavam como uma. E ela é, Jon. Uma princesa. Pelos deuses, é muito mais uma princesa do que eu. Sabe fazer bolos e bordar, eu mal sei pegar uma agulha. Ela praticava canto com minha septã enquanto eu corria com Rickard para Arthur nos ensinar a usar a espada"
"E agora ela é uma bastarda sem honra para os olhos do reino. Quem se casaria com ela?" Jon clareou a verdade que lhe rodeava com conhecimento de causa. Era assim com ele. Quem entregaria a filha a um bastardo?
"Sim. E sempre foi sonho dela se casar numa tarde de verão no Templo de Casamentos" Mykhaela engoliu seco, brincando com os dedos longos de Jon.
"E seu amigo se casará com a irmã dele?"
"Sim! Você entende minha revolta? Como meu pai foi capaz de propôr algo do tipo? Quando deveria matar aquela família inteira"
"Mas o rei não pode matar lords em nome de uma bastarda"
"Rei! Pouco importam os títulos. Eu era princesa e não hesitei em enfiar minha espada na barriga dele"
"Porque você não tem o coração frio da realeza. Tem o coração bom como só você tem, Mykha" Jon tomou coragem e lhe tocou o peito onde o coração batia.
"Ele estava lá, Jon. Ele viu o terror nos olhos dela. Como pode?"
"Como pode dizer não ao rei?"
"Dizendo, oras!" Mykhaela olhou Jon, consternada. Ele desistiu, viu que não a faria olhar aqui com bons olhos.
"Não deve mais pensar nisso. O importante é que sua irmã está a salvo" Mykhaela suspirou, ainda segurando a mão de Jon entre as suas. Ele tinha cheiro de neve e couro e ela sentia-se em casa quando sentia o perfume dele.
"Queria poder te beijar agora" Ela disse num tom de voz baixo, encarando os olhos nevoados de Jon, que sorriu sincero.
"Também queria" Suspirou. "Mas a única coisa que posso lhe oferecer são meus ombros"
"É injusto" Ela disse vagamente enquanto colava as costas no peito de Jon e passava os braços dele a sua volta. "Que te quero por inteiro e só posso ter os ombros"
Jon beijou-lhe os cabelos e acariciou o ventre, onde descansava seu filho.
"Não pense assim, amor. É um preço pequeno a pagar pela felicidade de nosso filho" Jon suspirou, inalando o cheiro dos cabelos dela e fechando os olhos. Era o que ele dizia a si mesmo todos os dias quando acordava. E quando pensava em sua criança e em tudo o que ele passou e seu filho não passaria, via verdade nas palavras. Era um preço pequeno. Um sacrifício que faria todos os dias pelo pequeno Snow no ventre de Mykhaela.
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