Notas iniciais
Oi meninas, tudo bem com vocês?
Quero dar boas vindas aos novos leitores. Menta, que ainda não chegou alcançou, BeCaldas e ViickCallegaro.
E agradecer aos que estão aqui desde o começo, Ana Amino, maris e nataliasilveira.
Também quero deixar um beijo especial pra Viick que me deixou uma recomendação muito fofa, obrigada ♥.
Obrigada mesmo lindas. Espero que gostem do capítulo!

Mykhaela entrou no quarto de forma despreocupada, deixando sua capa pendurada ao lado da porta e se jogando na cama. Robb estava sentado sobre as peles com cara de poucos amigos. Sabia que era infundado. Ou talvez não era, não sabia. Mas não lhe agradou nada a cena que viu naquela tarde.


"Mykhaela, o que está errado?"


"O que quer dizer? Rickard?"


"E Jon"


"Jon?"


"Vi a forma como estava abraçada nele e não gostei"


Mykhaela corou e olhou nos olhos azuis do marido, ajeitando-se na cama.


"Ele só estava me consolando, Robb"


"Ainda assim, não é apropriado abraçá-lo daquele jeito"


"Não confia em mim?"


"Não confio em sentimentos e sei o quanto gosta de Jon"


"Eu confio em honra, Robb, e cumpro aquilo que comprometo-me. Sou sua senhora, não a senhora de Jon"


"Você fala de honra, eu falo de sentimentos"


"Eu já disse-" Mykhaela começou, mas foi interrompida por Robb.


"Não falo dos seus sentimentos por Jon, falo dos meus sentimentos por você"


Mykhaela foi pega de surpresa com aquela declaração e com a forma com que as íris azuis olhavam para ela.


"Nada nunca acontecerá entre eu e Jon, Robb" Segurou a mão do marido de forma amável, aproximando-se dele e tocando-lhe o rosto com a outra mão. "Eu sou sua, meu senhor. Apenas sua" Completou, beijando os lábios do marido.


"E sobre Rickard?"


"Ele se casará com a irmã de um homem que odeio. Um homem que fez mal à minha família"


"O que fez esse homem?"


"Minha pequena irmã. Ele a violentou, Robb, quando ela era apenas uma criança. Ela ainda é apenas uma criança. O sangue dele é o único que jaz em minhas mãos e em minha espada"


"Você o matou?"


"Tentei, mas ele sobreviveu e fugiu. De qualquer forma, ele não pode se casar com ela. Ele está traindo tudo aquilo que é certo e honroso"


"Pela tarde toda, minha senhora, achei que dividia seu coração com um terceiro homem" Robb colou a testa dele com a dela. "E agora vejo que isso seria muito melhor do que a verdade que me contou"


"Eu só não consigo acreditar que Rickard e meu pai fariam isso" Algumas lágrimas deixaram os olhos esverdeados da rainha, que logo foram afastados pelas mãos de seu rei.


"Nós podemos acolher sua irmã aqui, se quiser"


"Com todo o respeito, meu senhor, mas outro bastardo para sua mãe maltratar enquanto Jon não está?"


"Este é seu castelo, não de minha mãe. Este é seu reino e é senhora dessa casa. Ninguém será maltratado se não for de seu agrado" Robb dedilhou o contorno do rosto de Mykhaela com carinho e ela sorriu para ele, apertando os dedos nos cachos ruivos de Robb e beijando seus lábios com amor.


-x-


O clima do castelo de Winterfell estava tenso naquela manhã. O jejum foi quebrado com silêncio mortal. Mykhaela comeu pouco, sem humor para continuar ali.


"Coma mais, minha senhora. Precisa alimentar o bebê" Robb disse com carinho, acariciando o ventre de Mykhaela.


"Estou sem fome" Mykhaela disse com a voz rouca, jogando um pedaço de pão preto no prato e se levantando. "Com licença"


Robb observou enquanto Mykhaela saía e bufou frustrado.


"Nem mais um passo, Mykhaela!" Ouviu Maryn se levantar, a voz grossa ecoar o salão e o olhar severo em direção à filha. Mykhaela girou em seus calcanhares para encarar o pai.


"Sou uma rainha e está em meu reino. Não manda mais em mim" Robb observou nas sobrancelhas da esposa a mesma severidade do olhar do pai.


"É sangue do meu sangue. É minha filha, é a princesa de Iberia até que morra, Mykhaela, e irá me respeitar"


"Não sou princesa de um reino que faz laços com os Visseu"


"Essa decisão é maior que seus desejos pessoais, Mykhaela"


"Ela é tão filha sua quanto eu, senhor meu pai" Mykhaela aproximou-se da mesa sob os olhares assustados de todos que assistiam a cena. "Eu não me importo com o que qualquer um aqui pensa, ela não será tratada diferente apenas porque não é filha de minha mãe" Gritou, seus olhos passando pelos de Lady Catelyn por alguns segundos e Jon apenas queria levantar-se e aplaudí-la, mas conteve-se.


"Não toque no nome de sua mãe! Não ouse colocar o nome dela em meio a discussão tão suja, criança mimada"


"E se tivesse sido comigo?"


"Mykhaela, já chega" Rickard disse de seu lugar, segurando em seus braços a pequena Alyssa, que chorava. "Está constrangendo sua irmã"
Mykhaela ignorou-o, esperando ainda resposta do pai.


"Do que lhe vale a realeza se não pode proteger quem ama?"


"A realeza é muito maior que os interesses pessoas, criança. Aprenda isso se quer ser uma rainha justa"


"Deseja falar de justiça?"


"Já chega, Mykhaela. Nos constrange frente à família de seu senhor"


"Não, senhor meu pai. Você me constrange" Mykhaela virou-se para sair novamente quando ouviu a voz austera de seu pai dizer o nome.


"Arthur"


O homem que estava parado frente à porta segurou Mykhaela pelo braço, empurrando-a a força até o pai. Jon levantou-se, inconformado pela falta de delicadeza que tratavam uma mulher grávida, e quando Robb ia juntar-se a ele Rickard fez um aceno negativo com a cabeça, como quem dizia que era melhor não se meter. Jon e Robb sentaram-se em silêncio enquanto Arthur levantava a manga do vestido de Mykhaela, mostrando uma fileira de pequenas cicatrizes, parecidas com pequenas minhocas finas em elevação a sua pele alva.


"Por favor" O pai a olhou sem emoção na face, estendendo a mão. Mykhaela tinha lágrimas nos olhos e puxou com a mão livre uma faca que estava escondida na faixa que adornava sua cintura. Jon a reconheceu do dia em que Mykhaela ameaçara Arthur quando ele os viu aos beijos. Ela entregou a faca para o pai, que a desembainhou e desferiu um pequeno corte no braço dela, ao lado dos tantos outros já cicatrizados. "Diga"


Mykhaela abaixou os olhos, humilhada, e limpou a garganta. Voltou a encarar as orbes amendoadas do pai, o olhar tão sombrio e severo quanto o dele.


"Sou uma mulher e não devo levantar a voz frente a um homem. Que os deuses me perdoem sob os olhos justos do Rei"


"Os deuses a perdoam e a marcam para lembrar-se de seu lugar" O Rei disse por fim, limpando a faca nas próprias vestes e a entregando a Mykhaela. "Pode se retirar"


Todos os nortenhos permaneciam chocados com tamanha atitude. Mykhaela saiu a passos raivosos do salão, batendo a porta à suas costas. Fora humilhada frente aos Stark em seu próprio reino. Não se importou em sujar o vestido bonito no barro enquanto caminhava decidida até o pátio. Sor Rodrik fez uma reverência quando a viu ali, mas ela pareceu não se importar muito com modos ao se reverenciar de forma distraída ao homem à sua frente. Agarrou um arco, pegou uma flecha que jazia junta de tantas outras ao seu lado e mirou no alvo que se estendia a metros dela. Lembrou da voz de Rickard ao pé de seu ouvido. Relaxe o braço, inspire o ar e o solte com cuidado enquanto dispara sua flecha. E a risada de zombaria que ecoava pela floresta quando ela errava. A infância ficou para trás, a falta de habilidade com armas também. Sor Rodrik encarou chocado a rainha quando esta acertou de forma hábil o alvo. Vira poucos homem que sabiam usar o arco como ela. Pegou flecha por flecha, atirando-as em uma rapidez inumana contra o alvo, até acabarem-se. Caminhou até ele para retirar as flechas e voltar a atirá-las.


"Seu braço estava torto, Stark"


Virou-se para encarar Rickard, que tinha seu usual sorriso de canto, zombando dela.


"Que os deuses lhe ajudem, Rickard, pois só não o encho de flechas como este alvo por ter segurado Jon e Robb em seus lugares. Não sei o que viraria aquilo se tivessem se intrometido" Suspirou, girando os cabelos habilmente entre os dedos até prendê-los num nó no alto da cabeça, sentindo o vento em sua nuca nua. Havia deixado a capa na sala de desjejum e não pretendia voltar até lá tão cedo.


"Seu marido não gostou nada da atitude de seu pai e saiu à sua procura. Eu sabia que estaria aqui, acredito que ele não a conheça tão bem"


"Não pego em um arco ou em uma espada desde que saí de Iberia, Rickard"


"Com armas tão boas à sua disposição, como não treina?"


"Não sou mais uma jovem irresponsável, sou uma rainha. Quase uma mãe" Alisou a barriga. "Espera mesmo que eu treine com os homens?" Ela rolou os olhos para o amigo, que com um pedaço de tecido rasgado conteu o sangramento em seu braço.


"Entende porque não pude recusar? Seu pai não aceita que você o desafie em seu próprio reino, imagine eu, num lugar onde ele é o rei?"


"Sei que não faria isso comigo. Sei que é culpa dele e de seu maldito conselho, mas quando soube fiquei cega de raiva"


"Eu sei, Mykha. E te entendo perfeitamente. Eu mesmo não suporto a garota. Tem cara de peixe morto, quem gostaria de foder aquilo?"


Mykhaela soltou uma risada alta, abraçando forte o amigo.


"Não tive oportunidade de fazer isso" Ela disse enquanto sentia os braços musculosos de Rickard envolverem seu corpo.


"Acho que seu marido não gostaria disso" Ele riu e se fechasse os olhos, Mykhaela poderia jurar que estavam no bosque do castelo. Se ignorasse o frio e a falta do perfume das flores também. "Nem seu verdadeiro namorado"


Mykhaela empurrou o peito do amigo, olhando-o assustada.


"O que disse?"


"É mentira?" Rickard continuava com o sorriso superior em seus lábios.


"Foi Arthur?"


"Ah, então anda se confidenciando com meu irmão e não comigo?"


"Rickard, eu falo sério!"


"Sabe que sou um bom observador"


"Um bom observador de saias. Vamos lá, me diga!"


"É verdade, Mykha, eu só observei. Os olhares que trocam e o quanto o senhor seu marido fica vigiando o olhar de vocês dois toda hora. Mas não se preocupe, não é algo que a maioria das pessoas viria. É que eu conheço esse seu olhar abobalhado de tempos antigos"


"Ah, conhece?"


"É o mesmo olhar que tinha para mim quando te beijei" Ele tocou o nariz dela.


"Ah, cala a boca" Mykhaela afastou a mão dele de si e rolou os olhos. "Sempre vai me torturar pelas duas semanas que fui apaixonada por você?"


"Até o fim de nossos dias, princesa" Rickard riu e recolheu as flechas, colocando-as debaixo do braço.


"A criança..." Mykhaela confessou com a voz baixa enquanto via Jon e Robb se aproximando. "é dele" Completou e Rickard deixou suas sobrancelhas arquearem, espantado com a nova informação, mas logo se recompôs.


"Está bem?" Jon pegou o braço dela que estava com a faixa desajeitada que Rickard amarrou em volta do ferimento, examinando com cuidado e sem realmente se importar com as aparências. Rickard examinou o olhar de desaprovação de Robb, que segurou-a pela cintura.


"Quer que Meistre Luwin lhe dê algo para a dor?"


"Não, estou bem. É só um pequeno corte" Relutante, Mykhaela puxou o braço de volta.


"Ele não pode te machucar. Não aqui" Jon ainda estava consternado, seu pescoço vermelho de raiva e seus olhos nevoados flamejantes.


"Jon tem razão. Esse é seu reino e ninguém tem o direito de tratá-la assim" Robb dividia do mesmo tom de voz irritado do irmão.


"Não é nada pelo que já não tenha passado antes. É só uma superstição antiga e idiota de que uma mulher não pode levantar a voz para um homem. Se eu conhecesse o homem que criou essa punição cortaria sua adorável masculinidade com essa lâmina idiota"


Rickard riu, acompanhado de Jon e Robb passou a mão pelo braço da esposa.


"Deve estar com frio"


"Não, estava aquecida enquanto atirava flechas até Rickard me interromper"


"Sabe atirar flechas?" Robb a olhou com curiosidade sob as íris azuis, um sorriso no canto do rosto.


"Melhor do que você, Stark" Riu contra os lábios de Robb, que tocaram os seus e Jon soltou uma audível interjeição de irritação. "Melhor do que você também, Snow" Mykhaela afastou-se de Robb para dar dois tapinhas no peito de Jon enquanto caminhava até o arco e o posicionava. Rickard a entregou uma flecha e ela lembrou-se das palavras do amigo, agora ditas em voz alta.


"Relaxe o braço, inspire o ar e o solte com cuidado enquanto dispara sua flecha"


Desarmou o braço e olhou para ele com cara de poucos amigos.


"Eu sei como atirar uma flecha"


"Eu só quis lembrá-la" E a risada que ela tanto sentiu falta ecoou em seus ouvidos. Mykhaela voltou a posicionar a arma e atirou a flecha, que voou certeira até o centro do alvo.


"Seu braço estava torto, Orleans" Rickard observou novamente e Mykhaela virou-se para ele com raiva. "Eu não disse?" O jovem completou olhando para Jon e Robb e os três homens a sua frente trovoaram gargalhadas.


"O que foi?"


"Como eu não tinha reparado antes?" Robb falou com uma serenidade risonha que Mykhaela nunca ouvira em sua voz. Parecia mais um menino do que um rei, suas expressões relaxadas, sem a sombra de sua austeridade de realeza em seus olhos.


"Também não sei como nunca vi" Jon os acompanhou em mais uma risada e Mykhaela ficou irritada por eles não compartilharem o motivo de tanto divertimento.


"O que foi que não viram antes?" Ela perguntou frustrada e Rickard riu enquanto atirava uma flecha praticamente no mesmo lugar que a dela.


"O modo com que seu lábio inferior treme quando está nervosa"


"E o que tem de engraçado?"


"Nada, só acho adorável" Rickard beliscou o queixo da menina e andou para recolher as duas flechas do alvo.


"Talvez seja por isso que tenha prazer em me irritar tanto"


"Talvez" Ele gritou por cima do ombro com um sorriso nos lábios e Mykhaela olhou feio para Jon e Robb que ainda sorriam às custas do lábio trêmulo dela.


Robb pegou seu arco e uma flecha, parando ao lado de Rickard quando aproximaram-se o rei, Arthur, Sor Davies, Bran — no colo de Hodor -, e Rickon. Mykhaela encostou-se no cercado de madeira ao lado de Jon.


"Eu poderia socá-lo se quisesse" Disse o moreno por baixo de um pequeno sorriso divertido.


"Não, eu já vi que não importa discutir com ele" Deu de ombros. "Se eu quiser convencê-lo a deixar minha irmã ficar, terei que ser uma boa menina"


"Sua irmã? No mesmo castelo que Lady Catelyn?"


"Robb disse que Lady Catelyn não pode maltratar ninguém se não for do meu agrado. Ele diz que este é meu castelo"


"Jura?"


"Sim"


"Onde estava você minha infância toda, então?" Os dois riram e Jon tocou a mão dela de forma discreta.


"Mykhaela" Ouviram a voz do rei Moryn aproximando-se e Jon afastou sua mão.


"Sim"


"Deveria estar com Lady Catelyn e as outras moças, não em meio aos homens" Os olhos do rei de Iberia analisaram Jon com cautela, que sustentou o olhar com tom de desafio.


"Claro" Reverenciou o pai e virou-se para Jon. "Até mais, Lord Snow"


"Até mais, Vossa Graça" Jon disse com um sorriso, alisando a barriga de Mykhaela antes dela partir. Pensou em quando chegou à Muralha, na maldade que vinha por trás do Lord Snow quando o chamavam assim e em como era totalmente diferente com ela. Ela não tinha ideia disso e o chamava assim apenas porque o considerava sim um homem digno de tal título. E doía o quanto ele tentava esquecer-se dela nos últimos meses, mas seu sentimento em nada mudava.

Notas finais
E aí, o que acharam da superstição machista do pai da Mykhaela?
Minha cena preferida desse capítulo é a que Mykhaela conversa com Jon, Robb e Rickard, porque eles são os homens mais importantes da vida dela, até mesmo que o pai e o irmão.
Me digam o que acham.