Notas iniciais
Oi meninas, tudo bem?
Gostaria de desejar boas vindas a Lyanna Stark e agradeceu ao review de todas vocês.
Espero que gostem do capítulo.

Mykhaela abriu os olhos, passando a mão pelo rosto. Olhou para cima, vendo a claridade que aumentava do lado de fora. Robb ajeitou-a, sua mão segurando a cintura dela perto dele. Ela tirou a cabeça do ombro dele e estalou o pescoço, tentando achar alguma posição confortável, inutilmente. Os músculos estavam tensos demais devido ao frio e o chão duro não ajudava muito. Dois homens de Greyjoy tomavam conta deles durante a noite, sempre alertas. Não queriam sofrer o mesmo destino do homem que deixou Robb escapar na noite anterior.


"Está se sentindo melhor?" Robb sussurrou para ela, beijando sua mão.


"Um pouco" Mykhaela mentiu. Não queria que ele se sentisse pior ainda por ter sido o responsável dela estar ali. Passou a mão na testa, onde um corte estava sujo de sangue seco, e então nos cabelos, grudados em vermelho com mais um corte no couro cabeludo.


"Ele não-" Robb não conseguiu completar a pergunta. Aquilo martelava em sua cabeça a noite toda. Não tinha coragem de perguntar, mas o corroía por dentro pensar naquilo. As horas que Mykhaela passou longe dele, as horas em que foi levada de seus braços para Greyjoy foram torturantes. E então ela voltou machucada, os olhos segurando as lágrimas. Ele só queria poder defendê-la.


"Não" Mykhaela entendeu a sugestão na voz do marido e negou logo. "Eu estou bem, Robb"


"Você não deveria estar aqui"


"Shh, não fale disso" Mykhaela beijou de forma gentil os lábios do marido. "Tente dormir um pouco"


"Eu não consigo"


"Você precisa"


Robb fechou os olhos ao sentir a mão da esposa em sua face, deitando sua cabeça no ombro dela. Mykhaela abraçou o corpo de Robb como se ele fosse uma criança, ninando-o até que o cansaço foi maior e Robb se deixou levar pelo sono. Mykhaela permaneceu acordada, olhando para o céu cada vez mais claro através da janela pequena na parede em que estavam encostados. Ele já estava pintado de cinza claro nevoento quando ouviu passos e pendeu a cabeça para baixo novamente. Era Greyjoy. Ele olhava para a cena sem seu sorriso zombeteiro, com um olhar indecifrável.


Viu a mão de Robb fechada protetoramente no ventre de Mykhaela e a forma com que descansava a cabeça no peito dela, como um menino inocente. Pousou os olhos então na mulher dele. Tinha a expressão cansada e as maçãs do rosto saltavam pela magreza, as bochechas fundas. Continuou a olhar para ela por algum tempo, em silêncio, tentando imaginar em que cenário Robb a conheceu, como foi o casamento deles. Se aquele amor com que se abraçavam foi construído com o tempo ou nasceu antes do casamento. Não saberia disso, nunca saberia. Não era mais o irmão de Robb nem nunca mais seria. Fechou os olhos e respirou fundo, como que acordando desse transe. Não importava mais as possibilidades, não era mais o velho Theon, amigo de Robb, irmão de Robb.


"Você precisa me dizer onde seu filho está"


"Não vamos dizer, Greyjoy" Ela encarou as orbes dele com ódio, então se virou de forma doce para o marido, acariciando seus cachos ruivos. "Robb"


Ele despertou de forma lenta, então seus olhos se focaram em Theon. Endireitou-se ao lado de Mykhaela e segurou a mão dela, assumindo seu posto de protetor.


"O que quer dessa vez?"


"Vamos seguir viagem para o Sul em duas horas"


"Winterfell?"


"Não é da sua conta, Stark"


"Por que veio avisar então?"


"Essa viagem será sua última. Pedirei sua cabeça quando chegarmos"


"E Mykhaela?" Robb pareceu não se importar com a sua sentença de morte naquele ponto.


"Ela carrega um herdeiro seu e esconde o outro. Ela irá me dizer onde está o outro. Eu não vou te matar até você me dizer e isso será muito pior do que a morte rápida que darei a seu marido"


"Nós veremos quem morrerá primeiro, Greyjoy" Mykhaela disse de forma casual, mas ameaçadora. Theon se limitou ao silêncio e virou-se para sair.


Os dois homens que faziam guarda os levantaram do chão e amarraram suas mãos, levando-os para fora. A neve fresca fazia suas botas afundarem e era difícil andar enquanto eram arrastados pelos soldados. Chegaram até o abrigo dos cavalos onde eles já estavam selados e prontos. Ouviram vozes gritar ordens uns aos outros e então souberam que teriam que dividir um cavalo. Robb concordou em andar para que Mykhaela usasse o animal, que só tinha uma sela, mas Mykhaela o convenceu de que poderiam montar juntos e, se o animal estivesse cansado demais, revezariam as caminhadas. Por fim Robb sentou-se na sela e Mykhaela a sua frente, com ambas as pernas de um lado enquanto Robb a segurava de forma protetora com o braço em volta de sua cintura. Era frio e desconfortável. Caminhar para a morte deveria mesmo ser assim, pensou Robb.


Continuaram seguindo pela estrada do rei no sentido Sul, mas em algum ponto do caminho rumaram para entre as árvores da Mata dos Lobos. Mykhaela perdeu as esperanças ali. Se retornassem à Winterfell havia uma boa chance de os homens do Norte já terem tomado a cidade de volta e, assim, derrotarem Greyjoy e seus homens. Mas não seria assim e tudo ficou mais difícil. A barriga de Mykhaela ficava cada vez mais pontuda enquanto suas costelas começavam a se sobressair. Robb insistia em dar a ela toda a comida que recebiam, mas Mykhaela nunca aceitava. Não fazia sentido que seus filhos não tivessem o pai e a comida já era escassa. Robb precisava comer. O frio era o que mais castigava. Os cavalos mal tinham comida, muitos morreram e os prisioneiros não tinham prioridade. Robb e Mykhaela seguiam caminhando; suas pernas doíam infinitamente enquanto andavam dias inteiros na direção do oceano. Não havia nada de bom naquilo e nada do que Greyjoy fazia tinha sentido. Por que ele não retornara a Winterfell? Por que não os levou de volta?


-x-


O som dos cascos do cavalo na neve cessou de repente. Logo a frente, um ponto negro e baixo se aproximava devagar. Fantasma correu na frente, freando as patas na neve quando chegou até a pessoa que caminhava na direção deles. Jon andava logo atrás e apertou os olhos para ver quem era. Assustou-se então e correu até a irmã.


"Arya! O que está fazendo aqui?" Segurou-a pelos ombros e reparou que ela levava nos braços, entre as peles pesadas, seu filho.


"Theon. Ele levou Mykhaela e Robb. Ela me pediu pra vir até você"


"Como assim? Como ele achou vocês?"


"Ele foi até lá, com Robb. E depois foi embora, mas aí Robb conseguiu fugir e veio até nós. Eu dormi e então acordei com os gritos, abri a porta do quarto e Theon estava levando Robb e Mykhaela. Ele não me viu e Mykhaela disse pra eu vir até você" Arya disse de uma vez, a voz falhando pela fraqueza e o frio.


"Você andou até aqui?"


"Não. Eu roubei um cavalo, mas o deixei no meio do caminho. Os passos iriam entregar onde fui"


"Você deve estar congelando" Jon passou as mãos pelos braços de Arya numa tentativa de esquentá-la. "Faz tempo que eles se foram?"


"Eu já contei uma noite desde que saí de lá"


Jon fechou os olhos, tentando pensar no melhor a se fazer. Estava a menos de meio caminho da Vila da Toupeira. Insistiu com Lord Comandante para lhe dar alguns dias numa viagem breve, que manteve em segredo. Achava que iria até o bordel em que deixara Mykhaela, a irmã e o filho e encontrá-los a salvo.


"Nós vamos voltar. Estamos há algumas horas de viagem da Muralha e vocês precisam se aquecer"


"E Mykhaela, Jon? E Robb?"


"Um homem sozinho não pode derrotar todos eles. Vou mandar um corvo para Winterfell quando chegarmos. A essa hora os soldados do Norte já devem ter voltado. Quem precisa realmente de ajuda agora são vocês" Jon suspirou, pegando o filho dos braços da irmã.


Arya concordou. Não sabia quanto tempo mais Eddard resistiria ao frio e à fome. Não sabia o quanto ela mesma resistiria aquilo. Seus braços doíam demais por ter que carregar a criança. Fantasma os rodeava de forma protetora e Jon colocou Arya em seu cavalo, seguindo caminhando com o filho nos braços.


Já era quase noite e Jon resolveu montar acampamento. Não sabia quanto tempo mais aguentariam. Arya finalmente se sentiu aquecida dentro da tenda pequena. Pelo menos não havia vento ali. Dividiu com Jon a comida que ele trouxe para viagem, que foi esquentada numa fogueira pequena do lado de fora. Jon molhou um pedaço de pão no ensopado, deixando bem mole e alimentou o pequeno Eddard. A criança comia com vontade e Jon se sentiu muito mal por ver o filho naquela situação, por vê-lo passar fome e frio e por não poder abraçá-lo e prometê-lo que veria a mãe novamente. Ele próprio não tinha grandes esperanças de voltar a ver o irmão ou a mãe de seu filho.
Arya caiu num sono pesado naquela noite. Pela primeira vez em muito tempo se sentiu protegida e se deixou levar pelo cansaço. Estava aquecida, alimentada e protegida por Jon. O irmão negro embalava o filho nos braços, observando o garotinho se aquecer e seus olhos caírem, sonolentos. Ele encarou Jon com os olhinhos esverdeados fixamente por algum tempo. Não parecia realmente um olhar doce de criança. Era um olhar triste. Eddard chamou pela mãe, agarrou o indicador do pai e fechou os olhos. O coração de Jon apertou-se enquanto não podia dar ao filho o que ele mais queria. Eddard só queria estar com a mãe. Jon o deitou no amontoado de peles ao lado de Arya e observou o filho se encolher numa bolinha. Não pode evitar a ardência em seus olhos e tentou afastar as lágrimas com as costas da mão, mas foi inútil.


Ele não queria ficar parado, sem fazer nada. Queria empunhar sua espada e correr até Mykhaela e o irmão, salvá-los e cortar a cabeça de Theon. Queria poder salvá-la, mas não podia. Sabia que ela havia mandado Arya e Eddard a ele para que cuidasse dos dois. Era o papel dele no meio daquela bagunça toda. Proteger o filho, proteger a irmã. Mas quem realmente corria perigo era Mykhaela e ele não podia protegê-la. Um soluço subiu por sua garganta e ele tentou controlar as lágrimas novamente. Se afastou das duas crianças e andou até a porta da tenda. Mas não iria sair, não iria abandoná-los. Não era mais um garoto apaixonado que faria loucuras. Era um homem, um pai, um irmão. E era o papel dele proteger as duas crianças.


-x-


O sol apontou no horizonte naquela manhã fria para iluminar uma cidade destruída. A Vila de Inverno e o castelo de Winterfell estavam perdidos em escombros, corpos moribundos e mortos, montes de madeira queimando em fogo e cinzas esbranquiçadas que manchavam as pedras. Os mantos cinzas eram poucos, mas resistiam. Caminhavam para todos os lados, olhando atentos e gritando ordens.


As mulheres olhavam pelas janelas, apreensivas, e as crianças ainda estavam escondidas debaixo das camas e das mesas. Do lado de dentro dos portões do castelo, o olhar curioso de Osha passou pelo campo de batalha do dia anterior. Não sabiam quem lutara e quem ganhara, apenas ouviram e esperaram. Ela espreitou-se entre uma carroça quebrada, um cavalo morto e duas cabeças de soldados de Greyjoy, espiando a cena. Quando avistou um rosto conhecido, saiu para que ele pudesse vê-la. Era um dos Guardas da Rainha, Harwin.


"O que aconteceu?" Osha perguntou, olhando para o pés, então para o cavaleiro.


"Os homens do Norte finalmente voltaram e acabaram com os homens das Ilhas de Ferro, malditos sejam"


"E o Rei?"


"Está desaparecido desde muito tempo. Greyjoy sumiu com o rei poucos dias após o ataque"


"E a Rainha?"


"Eu não sei"


"Não é guarda da Rainha?"


"Sei o que sou, garota selvagem" Harwin cuspiu de lado, sem muita paciência. "Mas estava lutando contra os malditos quando eles invadiram o torneio do príncipe. A Rainha nunca apareceu depois disso"


"Já estamos seguros?" Osha perguntou com o tom de voz baixo, olhando para os lados.


"Sim, sim. Winterfell é do Norte agora. Todos os vermes estão mortos, menos Greyjoy"


"É seguro para a corte voltar?"


"Sim, temos quase sete mil homens do Norte agora. Você sabe onde está a Rainha?"


"Não. Mas sei onde estão os outros"


"E onde eles estão?"


"Me diga, é seguro mesmo eles voltarem?"


"Ninguém os atacará aqui" Um homem desconhecido falou e Osha olhou para trás para ver quem era. Vestia cota de malha e tinha o elmo nas mãos grandes. Seus olhos verdes olharam para Osha com certo desprezo. "Onde estão eles?"


"E quem é você?" Era Osha quem se dirigia a ele com desprezo agora e o homem cuspiu, sem paciência. Foi Harwin quem a respondeu.


"Este é Lord Glover, Osha. Agora diga"


Osha, ainda desconfiada, olhou para os dois homens e apertou o manto esfarrapado no corpo.


"Vou trazê-los aqui"


Antes que qualquer um deles pudesse responder ela correu rápida demais para ser vista, sumindo como uma sombra. Os homens estavam machucados e cansados demais para seguí-la e ela desceu até a cripta correndo o mais rápido que podia no escuro.


O salão comum do castelo de Winterfell estava sujo e bagunçado quando Catelyn coxeou, suja e desarrumada, para o lado de dentro. Lord Glover, que liderou a proteção às fronteiras do Norte a recebeu com um olhar frio e perdido, sua placa de peito amassada pela luta da noite anterior. Atrás de Lady Stark vinham Sansa, Beth Cassel, Alyssa Orleans, Bran, Hodor, Rickon, os garotos Frey e Meistre Luwin. Osha procurava pelas criadas restantes ao redor do salão, como uma barata tonta. Catelyn encarou o Lord com um olhar duro, mas por dentro temia as notícias que ele lhe daria.


"O meu filho, Lord Glover?"


"Temo que não sabemos seu paradeiro, Lady Stark. Quando chegamos Greyjoy havia partido com ele"


"E minha irmã?" Alyssa deixou a voz sair, rouca, mas Lord Glover a olhou sem responder.


"Diga, meu senhor, onde está a rainha e o príncipe?"


Foi Harwin quem respondeu dessa vez.


"Também não se sabe, mas eles fugiram antes da primeira luta terminar"


Catelyn assentiu, passando os dedos pelos nós dos cabelos e tentando ser sensata. Já havia passado por tanto terror, não sabia porque os deuses insistiam em fazê-la sofrer tantas vezes. Todas as mortes anteriores já não foram o bastante? Tirar-lhe o pai, o tio, o marido e a pequena filha Arya já não era demais para ela suportar? Agora acharam justo que perdesse outro filho, que perdesse o neto e a nora? Limpou as lágrimas que quiseram descer de seus olhos e virou-se para Harwin.


"Quero que mande homens que estão fortes o bastante para buscar por Robb, Mykhaela e Eddard. Deixe aqueles que não podem viajar ainda, mas que estão em bom estado, para guardar a cidade e o castelo. Lord Glover, junte todos os Lordes que encontrar imediatamente para nos reunirmos em um conselho" Os homens assentiram e Lady Catelyn virou-se para o filho nos braços de Hodor. "Bran, você é o rei regente de Winterfell agora"

Notas finais
E agora, quem poderá defender Robb e Mykhaela?
E Jon, tomou a decisão certa?
Será que os soldados do Norte conseguirão impedir que Greyjoy mate o rei e a rainha? Será que Bran assumirá o trono de verdade?
Não percam os próximos capítulos de There's No Winter Without Summer. /narradora fail.
Espero reviews.
Beijos gente!