Theres No Winter Without Summer
32 Capítulo Trinta e Um
Notas iniciais
Obrigada pelos reviews e por sempre estarem aqui comigo! Hoje o capítulo mostra o início do último grande conflito :((( Mas tudo tem que ter um fim né? É a vida.
Espero que gostem. Boa leitura.
Mykhaela acordou no dia seguinte com os olhos doídos e inchados. Uma parte de si estava aliviada por dividir seus sentimentos com alguém. Uma outra parte culpava-se por deixar o lado vulnerável falar mais alto e se mostrar tão fraca. Porém todas as partes de si concordavam com uma coisa que ela deveria fazer, mas estava atrasando o tempo todo. Fez a higiene matinal sozinha, colocou um vestido de veludo cinza com detalhes prateados. Precisava agir como uma rainha naquele dia e resolveu vestir-se como uma. Colocou no pescoço um colar de ouro e obsidianas negras e caminhou até o quarto dos filhos. Eles ainda dormiam, mas Mykhaela pediu a uma criada para chamar a ama de leite para eles quando acordassem, pois estaria ocupada. Encontrou Osha subindo as escadas em direção ao quarto dela.
“Vossa Graça. Achei que ainda dormia” A aia fez uma reverência desajeitada como sempre fazia.
“Tudo bem, Osha. Preciso que me faça um favor”
Ela escutou tudo com atenção e partiu escadas abaixo para cumprir o que lhe foi pedido. Mykhaela foi até a sala do rei e esperou, um pouco nervosa. Sabia que ninguém a incomodaria ali, já que Robb havia viajado naquela manhã para caçar, com alguns senhores do norte que o visitavam em Winterfell.
Quando a porta abriu, Talisa viu Mykhaela virando-se da janela para olhá-la. Estava nervosa com aquele confronto. Não havia encontrado a rainha desde que ela voltara e por isso agradecia. Já não bastavam os olhares de desaprovação que recebia em todos os lugares que passava. Não havia saído de Volantis para ser cozinheira num castelo, mas mesmo com o casamento de Robb, ela não conseguiu partir e deixá-lo para trás. Ainda tinha esperanças, no fundo.
“Sente-se” Mykhaela disse de forma imparcial, apontando a cadeira na frente da mesa, dando a volta na poltrona de Robb e sentando-se em seguida. Talisa apoiou a mão no ventre grande. “Está de quanto tempo?”
“Oito meses, Vossa Graça”
Mykhaela sentiu o aperto subindo em seu peito. Era uma coisa saber que Robb seria pai do filho de Talisa, outra totalmente diferente era ver com seus próprios olhos a criança dentro da mãe e saber que Robb já esteve dentro dela também. Mas não podia deixar que aquilo a afetasse. Não, não podia.
“Por que ainda está trabalhando nas cozinhas?” Mykhaela passou a mão pelo veludo do vestido que caía por suas pernas, tentando acalmar-se com o toque suave.
“Desculpe-me, não entendi a pergunta, Vossa Graça”
“Você não trabalhará mais nas minhas cozinhas” Mykhaela tomou um tempo para respirar e viu medo nos olhos de Talisa.
“Senhora. Minha rainha, por favor, eu preciso desse trabalho para criar meu filho”
“Eu não terminei, Lady Talisa” Mykhaela foi menos gentil do que esperava e a mulher a sua frente abaixou os olhos. “Você espera um filho do rei. Um bastardo, sim, mas ainda assim um filho de Robb, um Stark. Deve estar cansada e inchada o tempo todo” Talisa fez que sim com a cabeça. “Você não trabalhará mais nas cozinhas, Lady Talisa. Há um quarto para você em minha torre e há um artesão na Vila de Inverno fazendo um berço para seu filho. Há costureiras trabalhando em roupinhas para ele e amas de leite caso precise”
Talisa ficou em silêncio por alguns minutos, tentando processar as informações que recebera. “Eu não entendo. Você deveria me odiar”
“Nunca disse que gosto de você” Mykhaela sorriu. “Seu filho é um Stark e será criado como um. Ele pode não ter o nome de um Stark, mas crescerá Stark como todos os meus filhos”
“Obrigada, Mykhaela. Obrigada” Talisa sorriu pequeno. Tudo o que ela queria era proteger o filho. Saber que ele teria uma vida tão boa, que ele teria irmãos, era tudo o que ela precisava. Sua preocupação quando descobriu a gravidez não era a censura das pessoas sobre ela, era a extensão disso atingindo seu filho. Ela só o queria feliz. “Eu sei que o que fiz foi errado. Robb é seu marido, não meu. Eu sei que não deveria”
“Deixe os erros do passado no passado, Talisa. Vamos viver o presente”
Talisa levantou-se e reverenciou Mykhaela, saindo em seguida e sendo acompanhada pela aia da rainha até seu novo quarto. Tinha uma cama de penas, peles quentes e espessas, uma lareira, uma mesa, um baú com roupas novas de alguém que frequenta a corte e uma janela que possuía vista para o Bosque Sagrado. Quando foi chamada para uma audiência com a rainha achou que Mykhaela aproveitaria a ausência de Robb para expulsá-la de Winterfell. Mas Talisa estava enganada sobre a esposa de Robb.
-x-
Quando chegou da viagem de caça, Robb estava cansado. Os lords que o acompanhavam chegaram ao castelo e foram direto aos aposentos destinados a eles, querendo banho e descanso, mas Robb obrigou-se a caminhar até a sala comum da torre de Mykhaela para ver os filhos. Sempre que passava um tempo longe dos pequenos morria de saudades. Sabia que o local estaria cheio com as senhoras e filhas que os homens haviam trazido com eles e que Mykhaela tinha que dar atenção a todas. Não que fosse muito difícil, já que as senhoras lutavam para ter atenção da rainha todo momento e ser escolhida como favorita. Porém, quando abriu a porta de madeira não esperava encontrar a cena que seus olhos captavam. A maioria das senhoras estava distraída por um cantor que tocava uma música qualquer enquanto Mykhaela amamentava Marissa. Ao lado da rainha, em um vestido rosado que uma vez pertenceu a Mykhaela estava Talisa com Bryan no colo, que chorava sem parar.
“Papai!” Eddard correu até ele com dois brinquedos de madeira nas mãos. Robb ergueu a criança nos braços e depositou um beijo em sua bochecha, sorrindo para o filho, ainda um pouco atordoado. A criança balançou as perninhas, pedindo para descer do colo do pai e Robb o fez prontamente.
“Pelos deuses, Robb, controle Ned” Mykhaela falou num tom cansado, guardando o seio em seu vestido e entregando Marissa a Talisa enquanto pegava um choroso e estridente Bryan do colo dela. Eddard corria em volta da sala, esbarrando nas senhoras e puxando os vestidos delas, pisando nos pés de algumas e gritando “Stark” “Winterfell” e “Rei do Norte”. Ele aprendera as palavras naquela semana durante os banquetes. O rei pegou o filho nos braços, que resmungou e só se acalmou sob a promessa de Robb levá-lo para andar a cavalo mais tarde. “Talisa, segure-a assim e apoie as mãos nas costas dela” Mykhaela ensinava e Talisa ouvia as instruções com cuidado, aprendendo e fazendo igual, enquanto Bryan, agora calado, sugava o leite materno do seio de Mykhaela.
Robb cumprimentou educadamente as senhoras após o choque inicial e aproximou-se de Mykhaela e Talisa. Sentiu-se estranho como o inferno, ali, entre as duas.
“Lady Talisa” Ele fez um meneio e Talisa o imitou, tímida. Robb virou-se para Mykhaela e segurou em sua nuca, depositando um beijo na testa dela. “Como está?”
“Bem. Como foi a caça, meu amor?” Mykhaela disse, consciente de que as impressões deveriam ser mantidas. Aquelas senhoras tagarelariam com as mulheres de fidalgos menos importantes quando chegassem em casa sobre todos os detalhes do que viram em Winterfell. O amor do rei e da rainha nunca deveria ser posto em dúvida, era algo que ela tinha aprendido há muito tempo. Os homens do reino deveriam desejar ser tão honrosos e fortes como o rei e as mulheres tão doces e belas como a rainha.
“Trouxe uma boa pele pra você” Robb sorriu pequeno, segurando a mãozinha do filho entre seus dedos. “Posso conversar com você?”
“Claro” Mykhaela sorriu de volta, andando na frente de Robb na direção da porta. “Talisa, pode trazer Marissa, por favor?”
“Claro, minha rainha”
“Quero falar com você a sós” Robb sussurrou só para Mykhaela ouvir, mas ela ficou em silêncio, continuando seu caminho.
No penúltimo andar da torre Mykhaela virou no corredor e entrou no quarto das crianças. Quando abriu a porta, Bryan já estava adormecido em seus braços e ela colocou-o no bercinho, Talisa a imitando em seguida colocando Marissa no berço rosado. Robb continuou com Eddard nos braços, observando as duas.
“Obrigada, Talisa” Mykhaela deu um meio sorriso à mulher, que se retirou em seguida. Logo uma criada apareceu no quarto. “Por favor, Shaya, dê um banho em Eddard” A criança reclamou e esperneou quando deixou o colo de Robb para ser entregue à criada, mas as reclamações infantis ficaram para trás e Robb seguiu Mykhaela até o quarto dela. Quando entrou no quarto, a rainha livrou-se da pesada capa e sentou-se com um olhar cansado.
“Você parece cansada” Robb continuava de pé perto da porta.
“Por incrível que pareça ser anfitriã é cansativo, Robb. O que queria conversar?”
“Eu acho que você sabe” Robb suspirou, desconfortável. “O que Talisa estava fazendo lá, usando seu vestido, cuidando de nossos filhos?”
“Você viu o tamanho dela? Não está em condições de trabalhar nas cozinhas. Acordar cedo e amassar pães pra você comer quando acordar de seu sono sossegado”
“Eu não estou te entendendo. Está há semanas me torturando por causa disso e agora a coloca para te fazer companhia?”
“Isso não é sobre você, Robb. Nem sobre mim. Quer eu goste ou não há um filho seu para chegar ao mundo e essa criança nada tem a ver com os erros que cometemos. É apenas uma criança e merece ser bem cuidada”
“Eu concordo com você, Mykhaela. Mas colocar Talisa junto da corte não me parece certo”
“Eu tenho que conviver com essas pessoas mais do que você, então eu decido” A rainha suspirou cansada. “Você aceitou meu bastardo quando eu precisava, Robb. Agora eu aceito o de Talisa. Jon é tão seu irmão quanto Bran, Arya, Sansa e Rickon, essa criança será irmã de Eddard, Bryan e Marissa”
“Isso é sobre Jon, então? Eu deveria saber”
“Por que você está sendo tão irracional? É seu filho! Seu! Você deveria estar contente”
“Não é isso. Eu só estou confuso” Robb juntou as sobrancelhas, frustrado, enquanto Mykhaela levantava-se e andava até ele, segurando suas mãos.
“O passado machuca, Robb. Vamos viver o presente”
“Eu tenho que te contar uma coisa” Robb disse após um breve beijo nos lábios dela.
“Tenho a sensação de que não vou gostar disso”
“Há mais lords vindo até Winterfell. Eu os estou convocando. Pra guerra”
“Você o que?”
“Você está a salvo agora, eu sei, mas não posso esquecer o que Stannis fez. Ele quer nos ver mortos, Mykha. Em algumas semanas vou marchar com as forças do Norte rumo a Porto Real”
“Não, você não vai” Ela disse por impulso, os olhos cheios de lágrimas. “Robb, eu acabei de ter todos a salvo junto a mim. Não faça isso”
“Se eu não for até o Sul ele virá até nós, ele vai me destronar, Mykha. Ele está juntando as forças no Sul também”
“Não, Robb, você não entende” As lágrimas deixavam os olhos dela e as mãos trêmulas seguraram o rosto do marido. “Eu acabei de te ter de volta. Eu não vou te perder, Robb Stark. Não vou”
“Eu tenho que fazer isso, Mykha”
“Stannis logo terá o que é dele. Você não pode marchar para o Sul”
“O que você quer dizer com Stannis logo terá o que é dele?”
“Você tem que guardar suas forças, Robb”
“Pra que?”
A rainha fechou os olhos, lembrando-se de uma ilha distante, ao sul.
“Dragões”
Robb ficou alguns segundos sem responder nada, perguntando-se se havia ouvido direito. Quando viu que a expressão de Mykhaela não mudou, percebeu que ele tinha ouvido a palavra dragões e que ela não estava brincando.
“O que você quer dizer com dragões?”
“Robb você não pode ir”
O ruivo sorriu, segurando o rosto da esposa entre as mãos, tentando tranquilizá-la.
“Mykhaela, dragões não existem há muitos anos”
“Você não entende” Ela suspirou, frustrada. Ele não acreditava nela e não o culpava. Se não tivesse visto as criaturas com seus próprios olhos, não acreditaria também.
“O que?”
“E se você morre, Robb?”
“Será pelo meu reino. De qualquer forma, eu não vou morrer, eu prometo”
“Você não pode prometer isso. Você não sabe”
“Eu já venci uma guerra antes”
Mykhaela afastou as mãos de Robb dela e bufou irritada. Deu as costas pra ele e andou pelo quarto, tentando achar as palavras pra fazê-lo entender.
“E se você morre, Robb?” Ela perguntou novamente.
“Nada vai acontecer, Mykha-“
“Me responde, Robb. E se você morrer?” A rainha o interrompeu.
“Bran assumirá o reino no meu lugar até Bryan ser maior de idade”
“Bryan, hm? Então você lembrou dos seus filhos”
“Eu estou fazendo isso por eles, Mykhaela! Pra eles crescerem num mundo seguro”
“Um mundo seguro não existe, Robb”
“Stannis não vai me deixar ficar com o Norte. Ele e aquele deus estúpido dele são mais fortes do que você pensa”
“Não, você não está entendendo. Você cresceu na sua familiazinha feliz, com seu pai, sua mãe e seus irmãos. Você não sabe como é crescer órfão, Robb”
“Do que você está falando?”
“Da minha mãe! Eu tinha quatro anos quando ela caiu naquela cama, Robb. Quatro! Eu não me lembro da voz da minha mãe, eu não sei como é o sorriso dela. Eu não conheço minha própria mãe. Eu não sei se ela ia acobertar minhas rebeldias pro meu pai ou ser ainda mais dura do que ele. Eu não sei, Robb. A mulher que eu conheci não falava, não expressava nenhuma emoção. Ela só existia. Phillip sempre teve meu pai pra ser o modelo dele, pra ensiná-lo a usar a espada, a ser um príncipe e um rei mas eu não tive ninguém. Você não sabe como é, Robb. E se você morre? Quem vai ser o exemplo de Ned, de Bryan ou do filho de Talisa se ele for um menino? Ned tem quase três anos, Bryan tem meses! Eles não vão saber como é seu rosto, Robb. E eu não quero isso pros meus filhos”
“Rickon mal se lembra do meu pai também, mas ele fez o que tinha que fazer pelo reino. Era o papel dele”
“E em nenhum momento do caminho você desejou que ele tivesse ficado aqui? Que ele estivesse vivo, em Winterfell? Em nenhum momento você desejou ter os conselhos do seu pai?”
“É claro que sim!”
“Então, Robb! Você tem uma escolha. De fazer diferente”
“Isso não é apenas sobre mim, Mykha. Eu não posso deixar meu tio Edmure sozinho em Correrrio com uma guerra quase estourando nos portões dele”
“Eu sempre sonhei em encontrar um homem que eu amasse e que me amasse de volta. E assim teríamos uma família e meus filhos cresceriam com o pai e a mãe, e eu me sentiria completa pela primeira vez”
“Uma pena que o homem que você amou já havia feito um juramento de não tomar esposa e gerar filhos”
As palavras saíram da boca dele sem pensar no momento de raiva. Assim que elas deixaram seus lábios ele se arrependeu profundamente. Seu saldo com Mykhaela já estava negativo e ele acabara de perder mais pontos. Por que ele tinha esse dom de estragar as coisas com palavras impensadas? Por que ele sempre tinha que trazer o fantasma de Jon à tona? Ele estava longe, na muralha, mas parecia sempre assombrá-lo. E a expressão dela quando ouviu as palavras. Aquilo o machucou mais do que tudo o que Mykhaela disse a ele desde que voltou. Ele era o culpado de todo o sofrimento dela. Poderia enganar-se achando que foi Theon que a deixou tão quebrada, mas era ele que fazia mal à Mykhaela esse tempo todo.
“Você sabe, Arthur ainda não voltou para Iberia. Não é tarde demais”
“Mykhaela, eu sinto muito” Robb deu dois passos na direção dela, mas ela se afastou.
“Uma palavra e eu vou embora”
“Eu não quero que você vá. Mykha, me desculpa. Eu não quis dizer aquilo”
“Sim, você quis. Você sabe, Robb? Talvez da próxima vez que eu ver Jon eu deva mesmo ir aquecer a cama dele. Você vai me acusar disso de qualquer forma”
“Eu não disse- Droga, eu não quis dizer isso” Robb segurou a cintura de Mykhaela e a abraçou forte, não deixando escolha para ela a não ser abraçá-lo de volta. “Eu quero ficar aqui, com você. Mas eu não posso. Eu não posso ser rei apenas nas horas boas, você sabe disso. Melhor do que eu e do que qualquer um. Você nasceu realeza, minha Mykha”
“Eu sei que você tem que ir. Mas não me peça pra não lutar contra, Robb. Eu não quero deixar você ir”
“Eu vou voltar” Ele beijou os cabelos dela, inalando o perfume de flores e canela que subia dos fios castanhos. “Eu prometo”
Notas finais
xRobb e sua insegurança sobre o Jon. Ok, temos que admitir que não é infundada. Jon é e sempre será uma grande parte da vida de Mykhaela, mas precisa de tudo isso? Ela ta casada com você, Robb! Mas já deu pra perceber que as brigas estão um pouco mais atenuadas, né? Mykhaela está cedendo o gelo.
Espero os reviews de vocês!
Até o próximo capítulo.
Beijos.
Fale com o autor