Theres No Winter Without Summer
39 Capítulo Trinta e Oito
Notas iniciais
Também quero pedir desculpas pela demora, eu sei, foi demais :( Acabei viajando e não deu tempo de postar antes. Eu também estou meio empacada no último capítulo da história há um bom tempo e isso me desanima. Estou com medo de postar tudo antes de conseguir acabar o último. Mas vou tentar deixar as coisas prontas o mais rápido possível.
Falando em final, ele está próximo. A fic acaba no capítulo 41 (queria acabar no 40, tenho mania com números, mas tinha mais coisas pra escrever haha). Vou sentir falta de vocês, mas pra quem gostou e quer mais, estou com um projeto novo e pretendo postar assim que tiver alguma coisa pronta.
Chega de falatório, vamos ao capítulo. Boa leitura!
As asas vermelho escarlates bateram furiosamente no ar, fazendo uma corrente de vento bater no rosto deles. Daenerys sorriu grandemente e correu para seu dragão, acariciando a cabeça escamosa que ele abaixava para ela alcançar. Mykhaela viu a mão de Sor Jorah finalmente relaxar descansada no botão da espada que tinha na cintura e sorriu. Se Daenerys aceitasse aquilo como uma forma de confiança, então tudo caminhava para dar certo. A khaleesi passou o resto do dia a mimar seu dragão e a cuidar dos outros, menos receptivos. Era quase hora do jantar quando a porta da cela de torre que Mykhaela ocupava se abriu e Sor Jorah entrou, olhando em volta de forma menos desconfiada.
“Rainha Mykhaela” Ele disse, agora de forma mais respeitosa. “Vossa Graça deseja recebe-la para o jantar”
“Agradeço o convite, Sor Jorah”
Ele deu a entender que desejava falar mais, mas buscava coragem ou incentivo, Mykhaela não sabia exatamente o que. Seus olhos sondaram o cavaleiro até que os azuis dele encontraram os esverdeados dela.
“Gostaria de te agradecer, Mykhaela” Ele abaixou o olhar, claramente desconfortável. “Se não tivesse vindo até nós, receio que não teríamos chance alguma”
“Faço isso pelo bem dos reinos, Sor Jorah”
Ele a observou com um olhar complacente e longo, reverenciou-a em seguida e saiu do cômodo, dando espaço a duas aias que entraram com vestes novas e água quente para um banho. Quando entrou no Grande Salão de Pedra do Dragão, Dany a esperava, sentada no lugar de destaque da mesa. Estavam sozinhas, apesar da grande quantidade de comida. As entradas foram servidas e Mykhaela comeu um pouco, a fome fazendo-se ouvir por seu estômago.
“Drogon permaneceu normal pelo resto do dia” Dany disse após bebericar um pouco de vinho doce. “Você estava dizendo a verdade, afinal”
“Confia em mim agora?”
“Nós acolhemos seus homens, estão acampados no pátio. Eles estavam ansiosos esperando vê-la, mas dissemos que você está bem. Após o jantar pode ir ao encontro deles para acalmar seus receios.” Daenerys tomou um longo gole de vinho. “Ao conversar com seus homens não pude deixar de notar o quão corajosa você é para eles”
“Meus homens são generosos em seus elogios”
“Dizem que você sabe usar a espada e tem um talento especial para usar o arco”
“Não tenho talento especial algum. Só recebi treinamento de armas quando era jovem”
“Homens nem sempre gostam de mulheres que sabem manejar armas. Já somos perigosas o suficiente sem esse tipo de habilidade”
“Bobagem. Uma mulher pode empunhar uma arma tão bem quanto um homem”
“Meus irmãos de sangue não concordam. Dizem que devo permanecer segura durante a batalha”
“Eles tem um ponto, khaleesi.”
“Eu quero que me ensine a usar a espada e o arco. Quero ser uma guerreira como meu irmão Rhaegar”
“Eu posso te ensinar. Mas não temos tempo suficiente para aprender muito”
“Não importa. Quero aprender tudo o que posso no tempo que temos”
“Será dolorido e difícil. Mas posso te ensinar o que sei”
“Agradeço, Mykhaela”
“Isso significa que minha proposta inteira está aceita? Você poupará o Norte e o deixará nas nossas mãos? Nas mãos dos Stark?”
“Sim. Mas até eu ganhar esta guerra, você me pertence, Mykhaela. Você será livre para voltar pra casa quando Westeros for minha. Até lá, lutará ao meu lado”
-x-
A batida na porta interrompeu Jon de seus deveres. Fantasma rodeava, inquieto, a mesa de Jon e isso já era distração o bastante. Murmurou a permissão para entrar e viu a grande figura dar passos pesados e desajeitados até ele, fazendo uma meia reverência.
“Lord Comandante”
“Diga, Sam” Jon coçou a barba, claramente cansado e incomodado. O amigo baixou os olhos.
“Isso chegou de Winterfell” Sam repousou na mesa uma carta amassada por suas mãos grandes e Jon reconheceu a caligrafia de Meistre Luwin. Pela expressão de Sam, sabia que não eram boas notícias. Jon passou os olhos pela letra e viu a saudação curta do meistre. Bran havia se casado com Alyssa Shore e Jon ficou feliz pela garota. Se identificava com ela e o alegrava a ideia de tê-la em sua família. Havia curtas notícias da guerra, sem muita importância. E, por fim, o motivo da expressão preocupada de Sam. A esse ponto, Fantasma já estava inquieto em frente à lareira da sala de Jon.
“Por que diabos Luwin quer saber se Mykhaela está aqui?” Aquela pergunta assustou Jon mais do que deveria. Será que haviam descoberto o segredo deles? Será que sabiam que Eddard era filho dele, que Mykhaela o amou e ele amou a ela?
“Continue lendo” Sam murmurou, as grandes bochechas vermelhas.
“Isso não faz sentido”
“O que?”
“Eles não a acharam? Como podem mandar uma carta de luto se não a acharam? Ela pode estar perdida”
Nada do que aquela carta dizia fazia sentido. Ela estava perdida, simplesmente perdida. Como Meistre Luwin o mandava uma carta de luto? Como eles colocavam o reino em luto pela rainha se ela estava apenas perdida? Não procurariam por ela?
“Há meses, Jon. Ela partiu do acampamento do Rei Robb há alguns meses já e não retornou. Nem ela, nem nenhum homem dela. Ela viajava com um grupo pequeno e-“
“Cala a boca! Ela não tá morta. Não tá” Sam pulou com o susto ao ser interrompido pelo grito grosseiro de Jon. Fantasma arranhou as pedras da parede com violência. Jon não admitiria que ninguém dissesse que ela estava morta. Não, ela não estava. Sabia que não estava. Não podia estar.
“Eles colocaram o Norte de luto. As buscas acabaram”
“Buscas? Que buscas? Não havia nada sobre buscas nessa carta” Sam corou violentamente e olhou para baixo. Jon ficou cego de raiva e levantou-se, chacoalhando o amigo pelos ombros. “Me diz, Sam. O que mais você sabe? Me fala, eu estou mandando.”
“Por favor, Jon. Eu só fiz isso por você”
“Isso o que?”
“Meistre Luwin mandou notícias de Winterfell há algum tempo atrás falando do sumiço de Mykhaela. E das buscas. Eu só não te mostrei porque-“
“Diga logo, Sam!”
Sam juntou toda a coragem que conseguiu para olhar Jon nos olhos. Suas bochechas gordas estavam coradas e ele suava muito.
“Se você soubesse que ela estava em perigo, ia largar tudo pra ir atrás dela” Jon ficou sem fala, apenas encarando o amigo, soltando os ombros dele. “Você prometeu ao Velho Urso, Jon”
“Eu sei o que eu prometi” Jon murmurou e ficou em silêncio por um tempo. “Como você sabe?”
“Ele pediu alguns conselhos ao Meistre Aemon. Antes de morrer, disse das suspeitas dele sobre você e Mykhaela. Não sei até que ponto é verdade, mas alguma parte daquilo é. Você muda quando falam dela, sempre muda. Eu sabia que se você soubesse que ela estava em perigo de novo largaria tudo pra salvá-la e eu não podia deixar você fazer isso, Jon. É Lord Comandante agora. Não pode quebrar seus votos”
As palavras de Sam fizeram Jon pensar em muitas coisas ao mesmo tempo. Será que era tão óbvia assim a deserção dele? Será que suas atitudes quando se tratava de Mykhaela eram tão intensas que ele não era capaz de escondê-las? E quem não suspeitaria? Quando voltou do casamento de Robb, ficou meses de luto pelo amor perdido, enlouquecia só de pensar em Robb a tocando e toda vez que falavam sobre a gravidez de Mykhaela e o nascimento do Príncipe de Winterfell, Jon mudava. Ficava calado, suava frio, seus olhos atentos. Parecia que todos ali sabiam que a criança no ventre de Mykhaela era sua. Não foi diferente quando ela foi capturada por Greyjoy. Todo o tempo que ela passou longe fez com que Jon ficasse mais calado do que o normal. Ele dera todos os sinais pra quem quisesse ver. A proximidade dele com Mykhaela quando ela ainda estava em Castelo Negro. Os passeios, as saídas no meio da noite, os jantares juntos. Tudo o tempo todo, ele deu todos os sinais e era preciso apenas ser observador para perceber. Até mesmo quando um patrulheiro novo comentou o quanto desejava afogar a cara nos peitos da rainha e a foder tão forte até parti-la ao meio. Principalmente naquele dia. Jon não viu nem ouviu mais nada. Ele apenas caiu sobre o jovem rapaz, que não deveria ter mais do que quinze anos, e só parou de acertá-lo com os punhos quando alguns de seus irmãos o puxaram para longe. Jon disse que estava preservando a honra da rainha de seu irmão, mas a quem queria enganar? Nenhum homem falaria de Mykhaela com tamanha desonra na frente dele.
“Você está enganado”
“Sobre o que?”
“Eu não quebraria meus votos. Mykhaela é esposa de Robb”
“Mykhaela é rainha e a Patrulha não se mete em assuntos dos reinos”
“Você não entende. Ela é” Jon se interrompeu, seu olhar e pensamentos perdidos, longe.
“A mãe do seu filho?”
Jon não respondeu, apenas encontrou o olhar de Sam por alguns segundos e andou pela sala, passando a mão pelo rosto, nervosamente. Ela é muito mais do que rainha, quis dizer. Ela é Mykhaela, que antes de Stark era Orleans, e que, na verdade, deveria ser Snow. Mykhaela que era doce, tanto no gosto quanto nas maneiras. Mykhaela que era impulsiva, que sentia tudo intensamente, que chorava ou ria quando sentia vontade, sem se importar com o que pensassem. Mykhaela que o beijou de volta em um castelo abandonado da Patrulha, e que sonhava com ele tanto quanto ele sonhava com ela. Mykhaela que era teimosa, uma menina; mas a noite, quando ele a visitava, virava uma mulher em seus braços, arranhava sua pele, lambia seus lábios e gemia em seus ouvidos. Mykhaela que fez dele um homem e o deixou fazer dela uma mulher. E claro, ela era mãe de Eddard, a coisa mais preciosa que Jon já havia feito em sua vida toda. Ela era responsável pelo sentimento de Jon quando segurou o filho em seus braços pela primeira vez. Ela era tudo aquilo que ele mais abominava e amava em si mesmo. Ela era tudo isso, muito antes de ser rainha.
“É verdade, então? Príncipe Eddard é seu filho? Pelos deuses, Jon, seu irmão sabe?”
“É claro que ele sabe! Casar com ela foi ideia dele”
“Então você escreveu pra ele daqui? E pediu pra ele te ajudar?”
“Não! Sam, claro que não. Quando eu cheguei em Winterfell para o casamento do meu irmão eu não tinha ideia que ele estava casando com ela.”
“E os outros? E o príncipe Bryan e a princesa Marissa?”
“Pelos deuses, Sam, são filhos do Robb” Será que pensa que sou tão desonrado assim?, pensou Jon.
“Me desculpe” Sam abaixou o olhar. “Você ainda a ama?”
“Não”
“Jon”
“Não importa. Ela está casada com ele, ela ama meu irmão. Ela é a rainha e eu sou um patrulheiro. Não importa” Jon agarrou o odre de vinho em sua mesa e bebeu dali mesmo uma grande quantidade.
“Eu sinto muito, Jon”
“Me deixe sozinho, Sam”
Quando Sam saiu da sala, ouviu o barulho de muitas coisas sendo jogadas, coisas quebrando e se partindo. O intendente de Jon olhou assustado para a porta, mas Sam disse para que ele não o incomodasse. Do lado de dentro, o Senhor Comandante chorava. Morta. Não, ela não pode estar morta. Mykhaela, por favor, não.
Era madrugada quando Jon saiu a passos leves de sua cama e caminhou até a Torre do Rei. Ele não conseguia dormir e duvidava que o sono viesse. Tomou o mesmo caminho de que se lembrava. Costumava adorar andar por aqueles corredores, sabendo que entraria na câmara dela e a teria só pra ele. A poeira tomava conta da cama do quarto que há muito não fora usado. Se fechasse os olhos, ainda poderia vê-la nua, sentir seu cheiro e ouvir sua risada. Se tentasse bem, poderia ouvir os tímidos gemidos dela ao pé do seu ouvido. Você não tem o direito de me deixar, Mykhaela. Não porque foi atrás dele. Não por ele.
-x-
As barras de aço reforçado quase cediam quando entraram no espaço oval no centro das grandes celas. Fendas no alto das paredes altas deixavam uma pequena quantidade da luz do sol entrar. As criaturas soltavam uma fumaça espessa e escura de suas narinas, irritadas, mas também cansadas. Dessa vez não havia um grande público. Daenerys e seus irmãos de sangue estavam atrás de Mykhaela, de costas para as grades que antes prendiam Drogon. A Rainha do Norte fechou os olhos e entoou as palavras, murmurando-as baixo. O cristal queimou seu peito e ela mordeu o lábio para não soltar nenhuma interjeição de dor. Ninguém deveria saber que os seus poderes vinham do cristal que carregava no pescoço. As asas dos dragões tentaram bater no espaço escasso, sem sucesso. Os poderes que os dominavam os faziam lutar contra, mas Mykhaela não estava sozinha. Ela ouvia muitas outras vozes sussurrando junto com ela, e quando as barras se partiram e o aço tilintou no chão, os dragões de Daenerys já haviam passado novamente ao seu poder. Drogon espalhou a água salgada nos irmãos usando as asas e eles brincaram juntos de forma que pareceria violenta a qualquer outro, mas Daenerys sabia como a dinâmica entre seus filhos funcionava. Ela sorriu e andou até Mykhaela, dando palminhas enquanto saltitava de maneira graciosa até a iberiana.
“Meus filhos estão de volta”
“Eles são agora seus, como sempre devem ser” Mykhaela sorriu pequeno. Ela não estava tão feliz quanto Daenerys. Ela não tinha os filhos de volta.
“Quando eu ganhar essa guerra” Daenerys encarava os filhos como se não houvesse coisa mais preciosa no mundo. “o Norte será dos Stark e você voltará para os seus filhos”
“Nosso acordo está feito então?”
“Sim”
“Que bom Daenerys. Robb deve estar se aproximando de Porto Real, montando o cerco”
“Nós partiremos em breve também. Agora que tenho meus dragões de volta, não há por que esperar”
“E em meio a tanta confusão, seus homens se lembrarão de não atacar o exército nortenho? Você sabe, há coisas que, na guerra, são facilmente esquecidas. Ordens, acordos, feitiços”
Daenerys olhou para Mykhaela após a sugestão na voz dela e suspirou, vendo que ali, a iberiana tinha tanto poder sobre os seus dragões quanto ela. Não gostava daquilo, mas então lembrou-se de algo que Mykhaela disse durante um dos jantares. Equilíbrio. Ela está equilibrando nossas forças. Ela quer que eu saiba que meu poder de destruir o Norte, apesar de grande, pode ser facilmente retirado de minhas mãos por ela.
“Tenho boa memória, e meus homens também”
Ambas sorriram e admiraram os dragões brincando. Aos poucos as coisas pareciam encaixar-se no lugar certo. Num lugar gelado e muito a Norte dali, o som de passos se aproximando fez a criança levantar a cabeça e desviar a atenção de seus cavalos de madeira.
“Vovó, onde está a minha mãe?”
Lady Catelyn suspirou e acariciou os cachos negros do neto.
“Ela está no céu, Ned. Com a lua e as estrelas”
Notas finais
Um pouco de Jon, pra quem estava sentindo falta do nosso Patrulheiro favorito. O que acharam de Sam saber de Mykhaela?
No próximo capítulo, se vocês quiserem um spoiler adiantado, aqui vai: guerra. Quem vai vencer?
Até a próxima, gente.
Beijos.
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