Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês, espero que gostem.
Bem vindas especiais pra Natalia e obrigadão mais uma vez pela recomendação.

Mykhaela acordou naquela manhã se sentindo mal. Uma dor incrivelmente forte em seu estômago a cegava e ela levantou-se da cama num pulo. Robb a observou preocupado enquanto se vestia, fitando suas ações. Ela apoiou-se com a mão numa das paredes de pedra, curvando-se sobre o estômago. Sentiu ânsia, mas não havia nada ali para expelir. Correu até a bacia de metal que jazia numa mesa perto da janela e expeliu um líquido amargo.


"Está bem?" Robb se aproximou, tocando a base das costas dela.


"Sim" Observou enquanto ela limpava a boca com uma toalha de linho que jazia ali.


"Quer que eu chame Meistre Luwin?"


"Não! Ele é um meistre e saberá do que se trata" Ela olhou para Robb envergonhada.


"Tudo bem. Vista-se, vamos colocar algo nesse estômago"


Robb tocou-lhe o ventre e sorriu, depositando um beijo nas bochechas coradas dela. Mykhaela retribuiu o sorriso e tentou não corar enquanto se despia e colocava um vestido de veludo azul claro, apesar de Robb olhar pela janela afim de deixá-la mais a vontade. Fizeram a higiene da manhã e colocaram seus mantos da Casa Stark, seguindo juntos até a mesa comprida do desjejum.


Para o desagrado de Lady Catelyn, Jon sentava a mesa com todos os Stark. Ele tinha o olhar baixo, para o prato de comida mal tocado, e parecia estar sob algum tipo de dor. Mykhaela ficou preocupada, mas preferiu não perguntar nada. Sentia que cada palavra sua poderia causar mais estragos a ele e definitivamente não queria que Jon se machucasse ainda mais.


"Como passou a noite, querida?" Lady Catelyn se dirigiu a Mykhaela com um olhar satisfeito. Robb a repreendeu com o olhar pela falta de discrição e Jon fitava o casal com um olhar acusatório. Mykhaela demorou-se alguns segundos e respondeu com as bochechas coradas.


"Não muito bem, Lady Stark. O vinho não se descansou bem em meu estômago"


"Sinto em ouvir, Vossa Graça. Chamou Meistre Luwin, Robb?"


Mykhaela olhou rapidamente para Jon, que encarava seu prato com um sorriso no canto dos lábios. Mykhaela quis rir, mas então se deu conta de que não havia motivos para achar aquilo engraçado.


"Não, mãe. Mykhaela preferiu descansar"


"Pois deveria ter chamado. Que desfortuna se sentir mal justo nesta noite"


"Mykhaela terá muitas noites para se sentir bem, mãe" Robb disse com frieza na voz, terminando a conversa ali e se levantando.


"Minha senhora, pode me acompanhar ao Bosque Sagrado?"


Mykhaela fez que sim com um sorriso no rosto, agradecida por Robb terminar aquela conversa desconfortável. Jon, sentindo-se deslocado ao ser deixado sozinho com Lady Catelyn e os irmãos pequenos também se levantou, seguindo-os até a saída. Assim que as portas se fecharam Mykhaela virou-se para Jon.


"Está se sentindo melhor?"


Ele encarou o casal envergonhado pela noite passada.


"Sim, Vossa Graça" Jon estava sem muito humor para continuar em Winterfell. "Me pergunto quando poderei retornar à Muralha, Vossa Graça" Jon olhou para Robb dessa vez.


"Vamos lá, Jon. Não precisa dessa formalidade quando estamos em família"


"Lord Comandante deve estar sentindo falta de meus serviços e não espero deixá-los acumularem-se por muito tempo"


"Pode partir no final da outra semana. Quando estiver confortável gostaria de uma audiência com você"


"Quando quiser, Vossa Graça" Jon fez uma reverência e se virou, indo em direção às escadas que davam acesso aos quartos. Mykhaela suspirou e olhou para Robb, que a encarou de volta.


"Não seria melhor deixá-lo ir logo?"


"Não até ele entender completamente nossos motivos"


"Não estamos o fazendo sofrer ainda mais, mantendo-o aqui?"


"Jon precisa entender, minha senhora" Robb falou num tom de voz sério, sua expressão tão dura como uma fortaleza de pedras e Mykhaela resolveu apenas assentir.


Pararam em frente ao carvalho velho com o rosto de lágrimas vermelhas olhando para eles. Fora ali que Robb propôs noivado a ela, era um lugar que marcaria sua vida e ela apreciava isso. Dava-lhe calafrios, mas apreciava. Afinal, aqueles deuses, sejam os novos ou antigos, eram estranhos a ela. Em Iberia seus deuses eram cultuados em construções imensas perto do mar, não em bosques e jardins. Mas precisava se acostumar com aqueles deuses, pois eles passaram a ser os seus deuses também.


"Precisamos conversar sobre a criança" Robb falou por fim após um longo silêncio.


"Se me permite, meu senhor, gostaria de falar primeiro" Robb acentiu com a cabeça e Mykhaela continuou. Sentia que aquilo era o melhor a se fazer. "Entendo o sacrifício que faz ao assumir o filho de seu irmão. Entendo também que está mentindo para sua família, para seu reino todo. Não acho justo que além de tudo dê a um filho ilegítimo a herança do trono. Não posso lhe pedir que o faça. Lutou uma guerra contra um rei ilegítimo, seria cuspir em sua honra pedir que faça o mesmo. Não importa o que aconteça, meu senhor, essa criança não tomará o lugar de seu verdadeiro filho, o verdadeiro herdeiro, que ficarei feliz de lhe dar o quanto antes"


Robb esperou longos minutos pensando nas palavras dela. Era um assunto delicado, afinal, ela não esperava uma criança qualquer, esperava seu sobrinho. Neto de seu pai. Sabia que era o certo a se fazer quando propôs casamento a ela, mas com o passar dos dias se preocupava com o destino que aquilo tomaria. Ficou feliz então que Mykhaela o entendesse tão fácil, entendesse que seria difícil para ele trair seus valores para dar um direito a uma criança que não o merece. Ficou feliz de não ter que proferir as palavras, era bom que ela tivesse as falado e que entendesse o lado dele. Robb nunca maltrataria a criança como sua mãe fazia com Jon. A criança seria criada como dele e nunca saberia que seu pai era outro a não ser o Rei do Norte. Encheria sua mesa com comida, seus pensamentos com sabedoria, seus músculos com a força de um soldado. Daria a ele a educação que seu pai lhe deu, e que deu a Jon, a Bran, a Rickon. Ele não sabia porquê, mas sentia que Mykhaela esperava um menino. Seria mais difícil assim, privá-lo do trono, mas Robb gostava da ideia de ter em seus braços um menino para chamar de seu. Era egoísta, pois não era seu menino. E pensou no irmão, que nunca poderia segurar a criança e chamar de sua. Mas era uma escolha de Jon, não era?


"Fico feliz que me entenda tão bem, Mykhaela"


"Vocês Stark são fáceis de ler" Ela sorriu, tocando-lhe o rosto e sentindo a barba ruiva mal feita. "Seus olhos entregam tudo"


Robb sorriu, beijando a mão da esposa e segurando os dedos pequenos dela entre os dele. Ela era doce e podia entender perfeitamente porque o irmão arriscou tudo para estar junto dela. Não era boba como as outras garotas de sua idade, que desejavam bom casamento e isso bastava. Ela atravessou meio mundo, enfrentou dificuldades, apenas para conhecer coisas novas sob a desculpa de procurar um marido. Acabou casada e não vendo muita coisa, pensava ele, mas viu nos olhos dela que não se arrependia de suas decisões. Sua grande aventura, afinal, não era ver o mundo. Era encontrar seu mundo e ele sabia que o munda dela era Jon. O fogo que brilhava nos olhos esverdeados de Mykhaela fariam qualquer homem tremer os joelhos e jurar amor por ela. Era fácil de conversar, sentava com seus cavaleiros como se fossem sua família; mas ao mesmo tempo andava com uma leveza de donzela e tinha um riso sonhador de menina. Entendia perfeitamente Jon. Era uma princesa que desistiria de seu reino e seu nome por ele, um bastardo que nada tinha a lhe acrescentar. Quantas donzelas conhecera que tinham mais apreço à vida do que à fortuna? Gostou de a ter por perto. Ensinaria boas coisas à Sansa e, quem sabe um dia, se ela retornasse, à Arya.


Robb retornou ao castelo para cumprir suas tarefas. Mykhaela o deixou quando ele adentrou a entrada principal do castelo para ir até o abrigo dos soldados falar com Arthur. Ainda não se falavam muito desde a última briga, mas não podia ignorá-lo para sempre. Ajeitou a coroa desconfortável na cabeça e subiu as barras do vestido de veludo para que não sujassem de barro. No caminho foi atacada por um monte de pelo branco, que pulou, apoiando as patas em seus ombros a fazendo desequilibrar.


"Fantasma!" Jon arfou, correndo até eles, com medo de que o lobo a tivesse machucado, mas encontrou Mykhaela rindo e afagando o pelo do pescoço dele.


"Hey, sumido" Ela disse para o animal como se ele pudesse a entender e Fantasma lambeu o rosto da rainha.


"Fantasma, não" Jon falou com um tom de voz autoritário e o animal abaixou as orelhas, afastando-se de Mykhaela.


"Não tem problema" Ela riu, analisando o vestido e o cabelo sujos de barro.


"Ele poderia te machucar, não tem noção da força"


"Ele só estava com saudades" Ela puxou as mangas da túnica de Jon por baixo do gibão de couro fervido que ele usava e abaixou o rosto, limpando a baba de Fantasma que estava em sua bochecha.


"Eca, Mykha, não limpa isso em mim" Jon riu de forma sincera, afastando-a com o braço livre.


"Achei que aguentasse mais que isso sem reclamar, senhor irmão negro" Mykhaela olhou para Jon, zombeteira, e ele a encarou com um falso olhar ofendido. De repente era como nos dias em que estavam se conhecendo e tudo era motivo para um rir do outro. Mykhaela sentiu saudades daquela época, onde podia ser apenas a jovem aventureira, e não a senhora, rainha, mãe que era agora. Olharam-se com expressões saudosistas.


"É melhor entrar e se limpar, Vossa Graça" Jon acabou com o silêncio finalmente, limpando a garganta em seguida e desviando o olhar dela. Mykhaela puxou o ar para seus pulmões e abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida por Vento Cinzento que parou ao seu lado de forma protetora, olhando para Fantasma com certo autoritarismo.


"Com licença, Lord Snow" Mykhaela reverenciou Jon com olhos tristes e entrou no castelo, sendo seguida de Vento Cinzento.


Tentou tirar a lama de suas botas sem muito sucesso e por fim desistiu, entrando no castelo mesmo assim. Caminhou a passos rápidos até seu quarto, tendo acesso à sua sala de banho particular. Pediu para um criada levar água quente e ficou sentada ali, olhando para a janela enquanto aguardava o retorno da loira que a servia desde que chegou. Despiu-se e entrou na água quente demais, descansando a cabeça enquanto a jovem tirava o barro dos cabelos e dos ombros dela e lhe escovava os cabelos castanho avermelhados em seguida. Agradeceu à jovem e disse que ela podia se retirar, afundando a cabeça na água, prendendo a respiração o máximo que podia. Quando retornou à superfície viu grandes orbes azuis a fitando em silêncio. Corou e quase levou as mãos para cobrir seu corpo, mas logo se conteve.


"Desculpe-me, minha senhora. Não quis ser invasivo"


"Não precisa se desculpar, meu senhor" Mykhaela disse num tom de voz baixo e doce. Ele era seu marido, não havia motivos para esconder seu corpo. Robb caminhou até a borda da banheira e se sentou no chão, ao lado dela após beijar-lhe a testa.


"Soube que Fantasma lhe cobriu de lama" Ele sorriu por trás dos olhos sérios que tinha.


"Sim, ele o fez" Ela riu e tirou a mão da água, encontrando a dele e entrelaçando os dedos ali. Apoiou-se no punho de Robb e ajoelhou-se na banheira, deixando os seios emergirem na água. Robb olhou-os, mesmo que sem querer, por alguns longos segundos e voltou a olhar o rosto dela. "Pode me entregar a toalha, meu senhor?"


Robb sorriu e levantou-se, pegando a toalha de linho que jazia perto da banheira. Estendeu a mão para Mykhaela, que levantou-se, deixando a mostra seu corpo nú, que Robb não olhou. Ele apenas a envolveu na toalha e beijou-lhe a testa mais uma vez.


"Não quero que se sinta mal com isso, minha senhora, mas não me sinto no direito de tocá-la enquanto meu irmão não entender que não a tomei para mim porque sempre fico com tudo. Quero que ele entenda que faço isso por ele"


"Não me sinto mal, Vossa Graça. Sinto que escolhi o homem mais honrado de todos para ser meu senhor" Mykhaela sorriu para Robb, que retribuiu-lhe com olhos graves.


"Temos que conversar com Jon. Eu a espero na sala do rei assim que estiver pronta"


O jovem rei assistiu Mykhaela concordar e com uma breve reverência saiu do cômodo, deixando-a sozinha. Abraçou o corpo, sentindo em cada uma de suas células a traição a Jon. Sentira em todo seu corpo que não era mais só dele, que não fora só ele que a vira nua, que depositou os lábios nela. Tampouco queria conversar com ele, fazê-lo entender. Queria apenas que ele parasse de amá-la para não ter que se machucar mais, mesmo que aquilo significasse que ela mesma estaria machucada para sempre.


-x-


Quando foi anunciada e entrou na sala do rei, já estavam ali Robb e Jon, sentados em silêncio. Viraram os olhos para observar a entrada da rainha e se levantaram para fazer uma reverência. Mykhaela sentou-se ao lado de Robb, sentindo-se deslocada. A sala de Robb a lembrava da sala de seu pai; e apesar de ter sido criada para ser da realeza, não se sentia como uma. Foi Robb que irrompera o silêncio, a voz tão séria quanto seus olhos.


"Jon, quero te pedir, antes de tudo, que desarme sua ironia. Agora, nesta sala, somos apenas Robb, Jon e Mykhaela. Juro pelos deuses que se ouvir um Vossa Graça saindo de sua boca lhe soco o nariz aqui mesmo"


Jon não pôde evitar sorrir com o pedido do irmão. Ele o conhecia bem demais. Segurou-se para não responder com um zombeteiro 'Se isso lhe agradar, Vossa Graça'.


"Não quero te deixar partir sem saber que entende o que fiz. Muito menos quero tocar em Mykhaela sem saber que você não me odeia"


Jon sorriu sem muito humor, os olhos nevoados encarando Robb como se Mykhaela não estivesse ali.


"Percebe o poder que acaba de me dar?"


"Acredito que você é sensato demais para usá-lo indevidamente. Hora ou outra precisarei de mais herdeiros" Robb continuava firme como uma fortaleza.


"Não entende, Robb? Eu não quero que a toque, mas não há nada que lhe impeça. É sua senhora, não precisa pedir minha permissão"


"Jon, me escute. Mykhaela não é minha senhora apenas e você sabe muito bem que tudo é mais complicado do que uma união feita frente aos deuses. Sabe que ela fez isso pra te proteger"


"Bom, eu não pedi que me protegesse" Jon encarou Mykhaela agora, os olhos flamejantes de raiva.


"Também não me pediu filhos e mesmo assim eu o dei" A jovem rainha disse magoada.


"Não, você não me deu filhos. Você fugiu de mim e entregou minha criança a meu irmão" Jon elevou o tom de voz, irritado.


"Você não percebe que o fiz por você? Quantas vezes terei de lhe dizer, Jon? Não importa que preço eu pagasse se você ficasse bem"


"E se ele não fosse meu irmão? E se fosse um qualquer? Deixaria que eu sumisse no esquecimento, que um desconhecido tomasse minha criança como dele? Me negaria o direito de saber que tenho uma criança? Apenas para que você sinta que fez a coisa certa?"


"Diga-me, Jon. E se fosse o contrário, o que faria?"


"Eu lhe daria uma chance de lutar! Você não me deixou escolher, Mykhaela. Você decidiu que eu não seria seu marido nem pai do seu filho. Você dorme toda noite sentindo que fez o certo, que me salvou; mas me deixa aqui consumido pela culpa de lhe ter deixado sozinha, de lhe ter privado de escolher. Seu casamento, todo o seu futuro mancha minhas mãos. Se você for infeliz aqui a culpa será inteiramente minha"


"Acredita mesmo que eu a faria infeliz?" Robb disse claramente ofendido.


"Isso não é sobre você, Robb. Isso é sobre eu e ela. Sobre o quanto eu a amo e fiz feliz. Sobre o quanto ela pertence a mim e não a você. Sobre o quanto ela me ama e o quanto dói em mim saber que não posso fazê-la feliz. Saber que ela escolheu a infelicidade para me salvar. Ela não ama você. Não é você que ela quer ao seu lado todo dia. Não me importa se você é meu irmão, se é honrado, se é o rei do norte ou que quer que seja. O que me importa é que cada dia que ela passa ao seu lado é um dia que ela não estará ao meu. É um dia que ela vai desejar que tudo seja diferente, é um dia que eu não poderei mudar nada, absolutamente nada para fazê-la feliz. Então eu não me importo se você a tratará bem, se a dará pequenos Starks legítimos, se a encherá de presentes e de ouro. A única coisa que me importa é que ela me ama e não pode estar comigo e a culpa é minha"


Jon limpou as lágrimas idiotas que desciam por seu rosto com a costas das mãos. Não queria chorar na frente deles. Eles pareciam tão petulantes como um casal de rei e rainha deveria parecer. Querendo lhe enfiar goela abaixo os seus motivos. Querendo que ele se curvasse e agradecesse por terem o traído. Querendo sua permissão para estar dentro dela. E ele era ingrato. Ele deveria dizer 'muito obrigado, Robb, por mais uma vez ficar com tudo o que eu queria. Fique com minha garota, fique com minha criança, fique com minha felicidade. Pois tudo o que é bom no mundo é seu por direito e tudo o que me resta é agradecer pela honra de estar ao seu lado enquanto você toma tudo de mim. Afinal, quantas crianças bastardas podem crescer com os filhos legítimos como você cresceu, Jon Snow?'.


"Jon, me ouça" Mykhaela se levantou, andando até ele e ajoelhando a sua frente, segurando suas mãos. "Não se sinta culpado por uma escolha minha. Você me esquecerá com o tempo e eu não serei nada mais do que uma lembrança ruim. Eu apenas aceitei o pedido de Robb porque sabia que deste modo poderia te deixar o mais próximo possível de nosso bebe"


"Vocês insistem que eu lhes agradeça por isso? Não vou. Nem nunca irei"


"Não quero sua gratidão, nem seu perdão. Não tenho o direito de pedí-los. Eu só quero que você entenda porque eu fiz isso"


"Pra me salvar, você diz. Mas que sentido faz?"


"Pra te salvar, pra me salvar, pra salvar, acima de nós dois, o nosso filho" Mykhaela levou as mãos de Jon até seu ventre sem realmente se importar se Robb se ofenderia com aquilo ou não. Naquele momento os sentimentos de Robb eram os que menos lhe importava. Jon afastou as mãos dele do corpo dela e empurrou sua cadeira pra trás para se afastar.


"Vocês querem que eu entenda seus motivos? Eu entendo, mas não os aceito. Era isso que queriam, não é? Pois agora têm. Podem se recolher à sua suíte nupcial. Pode aproveitar de seu prêmio que fez tanta questão de esfregar na minha cara"


"Eu não faço questão de nada, Jon"


"E me convidou ao seu casamento por que?"


"Porque era melhor que soubesse por nós do que pela boca de outra pessoa"


"Poderia ter mandado uma carta"


"Não seja infantil, Jon"


Foi tudo muito rápido quando Jon se levantou e por cima da mesa de mogno fez sua mão fechada em punho encontrar o rosto de Robb.


"Pelos deuses, Jon!" Mykhaela arfou e ajudou o marido a se levantar do chão.


"Toma minha mulher, meu filho e me insulta? Não ligo se é rei ou não, Robb. Não aceito que me ofenda"


"Você sabe que posso te condenar por isso"


"Vá em frente"


"Parem! Parem os dois! Se esse casamento significa acabar com a relação entre vocês prefiro que ele se desfaça!" Mykhaela disse de maneira firme e decidida. Não parecia mais a jovem indefesa que Jon sempre vira através de seus olhos sonhadores. "Vamos lá, os dois. São irmãos e não devem brigar assim. Muito menos em frente a uma mulher. Uma mulher grávida! Pelos deuses, parecem duas crianças a brigar pelo doce. Falam como se eu fosse um brinquedo que ambos querem!"


Jon e Robb olharam para ela com olhos impressionados. Nunca nenhuma mulher falara com eles daquele jeito. Nenhuma mulher ousava falar com um homem daquela maneira.


"Jon, eu sinto muito que se sinta assim. Sinto muito mesmo, mas eu me casei com seu irmão, eu saí do seu lado quando descobri que estava grávida e não me arrependo. Ou não se lembra de quando disse a mim que não me queria sua esposa e não queria meus filhos? Por que briga por isso agora? Não é uma questão de amor, é uma questão de orgulho. Você nunca quis colocar no mundo uma criança Snow, pois bem, coloco no mundo sua criança sob o nome de Stark. Seu filho nunca será tratado como você foi, não era esse seu maior medo?"


Jon continuou em silêncio, sem argumentos para rebater o discurso dela.


"E Robb, entenda-o. São filhos do mesmo pai, quase com a mesma idade, e você sempre teve tudo enquanto Jon apenas observava. É claro que isso mexe com a vaidade dele. É por isso que ele não aceita que você tenha casado comigo, não importa se o fez para o bem dele. Vocês podem, se não for um grande sacrifício para os senhores, apertarem as mãos como dois irmãos e aceitarem que estas são as circunstâncias e que não irão mudar?"


Os irmãos se olharam em silêncio, envergonhados por serem humilhados por uma garota tão jovem. Estenderam as mãos e trocaram um aperto ressentido, mas forte. Compreenderam a posição dela no meio daquilo e como a fazia mal saber que os estava separando. Não importava o que acontecesse dali pra frente, a vida de ambos girava em torno daquela mulher tão intrigante que dividia o cômodo deles.

Notas finais
E aí, o que acharam da discussão deles? Quem está certo? Todos? Nenhum? Me digam o que acharam! Beijos