There is always hope for Love
7 Your arms are my Salvation
Notas iniciais
“A que nunca pareceu tão doce, o céu nunca pareceu tão próximo de mim antes, porque teu rosto era a ultima coisa que veria, porque seu rosto era minha proteção.”
“Me segure em suas mãos, me mostre o caminho até seus braços, se um dia a morte vier até mim, quero que ela tenha os seus olhos.”
(June Oliveira)
Estrada principal – Londres
Do lado de fora da carruagem havia um penhasco apavorante, Kim tentava não focar sua visão para aquela queda tão perto de si, por alguma razão ela morria de medo de altura, não conseguia nem ao mesmo subir em uma arvore, se olhasse para baixo teria vertigens.
–Você está bem? O cocheiro está indo rápido demais? – Perguntou Vlad preocupado vendo a expressão de pânico surgindo nos olhos da jovem.
–Não meu senhor, está tudo bem, eu só estou um pouco ansiosa. – Kim sorriu fraco e Vlad apenas colocou sua mão sobre o joelho dela, o que no final das contas acabou sendo muito positivo porque aquele gesto a fez esquecer de tudo.
–Vai ficar tudo bem, eu sinceramente não gosto dessas festas também, tudo é muito maçante de qualquer forma, mas existem algumas obrigações que precisamos cumprir. – Vlad falou respirando fundo e passando a mão pelos cabelos, ele estava tão bonito que Kim sentiu seus batimentos cardíacos acelerarem, o problema foi que ele percebeu também, e sorriu de um jeito que ela nunca havia visto, um sorriso lateral capaz de deixar qualquer dama fora do eixo.
–Eu pensei que, pensei que um Nobre não fosse obrigado a fazer nada, que todos vocês tem poder para fazer o que quiserem. – Kim falou tentando desviar os olhos do Conde enquanto seu rosto ruborizado não voltava ao normal, aquilo fez Vlad sorrir vaidoso, ao menos ele sabia que Kim se interessava por ele.
–Nem sempre, na verdade, nem mesmo príncipes podem fazer o que querem, ao contrário, quanto mais poder você possui mais sofrida será sua vida, você será obrigado a sacrificar pessoas que ama, será obrigado a tomar decisões cruéis, será obrigado a desconfiar de todos, e muitas vezes isso não é o bastante, muitas vezes você não vai conseguir proteger as pessoas que ama. – Vlad se lembrou da esposa, se lembrou do filho, se lembrou dos amigos, aquilo era tão doloroso que ele não conseguia disfarçar seu sofrimento e sem perceber Kim estava segurando sua mão com gentileza.
–O senhor não está mais sozinho. – Ela não sabia o, porque de dizer aquelas palavras, não sabia para onde estava indo com aquele atrevimento, a única coisa que sabia era que seu peito doeu profundamente com as palavras do Conde, como se ela já o conhecesse e o tivesse perdido antes por culpa dessas obrigações.
–Não quero falar sobre isso Kimberly, são assuntos dolorosos demais, você não precisa passar por isso. – Ele queria dizer, “de novo”, mas achou que poderia ser algo confuso para ela, apenas manteve o foco das coisas do jeito que estavam.
Depois daquilo Vlad apenas sorriu discreto para a menina e voltou a ficar em silencio, ela precisava confiar nele e não ficar sabendo sobre suas dores no passado, ainda não era a hora para aquilo.
Kim mantinha as mãos firmes sobre o colo numa tentativa de manter o controle da situação, ela sabia que coisas ruins poderiam acontecer naquela noite, mas não podia deixar de atender um pedido do Conde, afinal, ele havia sido bom para ele durante os últimos meses, ele havia livrado ela do terrível David, e isso não tinha preço, David era um homem perigoso e ela jamais teria conseguido resolver aquilo sozinha, muitas vezes em sua vida desejou ter seu pai de volta, durante muitas vezes sonhou com um homem bom que pudesse protegê-la dos perigos das docas, mas esse homem nunca chegou, esse homem ficou apenas em seus sonhos, até agora.
O salão era amplo de uma forma que Kim nunca havia imaginado, as belas obras de arte davam ao local um luxo fora do comum com suas esculturas e pinturas renascentistas, os lustres de cristais pareciam brilhar de forma viva para os convidados e por todo o lado a sociedade de Londres caminhava luxuosa.
–Eles estão olhando para você. – Disse Kim no momento em que colocou o pé no portão principal, quando o jovem responsável pelas apresentações falou em alto e bom tom o nome de Vlad todos pararam um minuto para olhar o novo morador do local, Vlad estava impecável, sua roupa preta com o símbolo do dragão vermelho dava a ele um ar de poder que muitos desejavam mais jamais conseguiam.
–Não querida, eles estão olhando para você. – Vlad sorriu ao perceber que um grupo de jovens donzelas parecia estar tão indignado ao ponto de sair no mesmo momento em que eles chegaram, todas as jovens usavam as mesmas cores, lilás, rosa, salmão, branco, bege, palha, enfim, todas as cores que marcavam a sua pele branca e a sua pureza, era um habito da sociedade, mas Vlad sempre achou isso falso e hipócrita, á maioria das jovens ali já haviam vivido aventuras suficientes para escandalizar qualquer um na corte, mas Kim não, mesmo usando aquele vestido sedutor, mesmo usando as mesmas cores que ele, ainda sim, Kim tinha uma inocência nos olhos que ele jamais viu igual, aliás, havia visto sim, em uma única mulher, sua amada.
–Seja bem vindo Conde. – Disse o Duque se aproximando com os olhos fixos no decote da jovem o que deixou Kim ruborizada. –Sua dama de companhia é muito intrigante, porque não a deixa com as jovens moças de Londres enquanto falamos de negócios. – O Duque sorriu pensando em como faria para comprar uma noite com aquela mulher, obviamente Vlad devia ter contratado a jovem para serviços depois da festa.
–Sinto desaponta-lo Duque, mas não pretendo me afastar da minha acompanhante, essa noite. – Vlad falou passando o braço ao redor da cintura de Kim e a puxando para mais perto o que a fez sorrir tímida, mas feliz.
–Caro Conde, creio que vai entender que alguns hábitos não devem ser rejeitados, principalmente os bons modos, acredito que não vai querer desapontar o aniversariante de hoje em sua própria casa. – Thomas falou calmo, mas sua voz tinha um tom de ameaça, Vlad percebeu e Kim também, ela havia vivido nas ruas, sabia como as coisas funcionavam ali.
–Ora Thomas, o rapaz acabou de chegar e você já está amedrontando o garoto? – Disse um homem que parecia ser bem mais velho que Thomas, talvez uns 50 ou 60 anos, usava um terno claro e parecia muito bonito na opinião de Kim, assim como parecia mais simpático também.
–Esse é o Marques Cristian D. Milton, meu caro irmão mais velho que pensa que ainda manda em mim. – Thomas falou revirando os olhos o que fez Kim rir.
–Algumas coisas devem ser respeitadas, como por exemplo, as cordialidades com os novos visitantes, sejam bem vindos, Conde, e a senhorita. – Cristian pegou a mão de Kim e a beijou com gentileza.
–É um prazer conhece-lo Marques. – Disse Vlad de forma mais amigável, ele realmente parecia ter gostado mais daquele homem, como sempre na vida havia pessoas boas e ruins.
–Bom, mas deve concordar sobre uma coisa, o Conde não pode se negar a uma pequena reunião de negócios, eu sei que esse não é um dos seus costumes, mas posso garantir que se participar disso essa noite será muito bem aceito por toda a sociedade britânica, claro que um homem como o senhor não parece desejar essa aceitação, claro que o senhor é jovem, mas quando tiver a minha idade vai entender melhor como as coisas funcionam. – Cristian sorriu amigável para Vlad que sorriu de volta, não por ter aceito o que Cristian disse, mas por achar graça na comparação da idade, ele era extremamente velho em relação ao Marques, mas para sua sorte sua aparência era de um homem jovem de uns 32 ou 35 no máximo.
–Esta tudo bem meu senhor, eu vou aproveitar para admirar o local e a musica. – Kim falou com um sorriso forçado, ela sabia que seria assediada pelos homens e provavelmente ignorada pelas mulheres, mas estava disposta a fazer isso se fosse para proteger seu protetor, por fim de aproximou de Vlad com a intenção de falar baixinho apenas para ele o que causou ainda mais interesse no Duque. –Não demore, por favor. – Disse em um pedido quase desesperado e por fim sorriu fingindo que havia dito algo atrevido e saiu.
–Vejo que o senhor encontrou uma dama muito interessante em nossas terras. – Thomas falou observando Kim enquanto ela caminhava lentamente até uma mesa onde havia alguns docinhos.
–Ela tem sido de grande ajuda em minha mansão. – Vlad falou de forma calma, mas era obvio que não estava gostando nada desse interesse.
–Talvez ela possa trabalhar para mim em um dia desses, seria visto como um gesto de boa fé de vossa parte. – O Duque mantinha um olhar interessado enquanto Kim sumia de vista.
–Eu sinto muito, mas esta jovem não está á venda. – Vlad havia viajado muito por várias partes do mundo, e ele sabia quando um homem era perigoso ou não, e com certeza Thomas era um homem perigoso, talvez ele não devesse ter dado aquele vestido a Kimberly, mas suas intenções não eram ruins, na verdade, ele apenas deu um vestido que tinha as cores da casa Drácula, era uma forma de mostrar a força do brasão de sua família, mas nesse momento Kim estava em destaque entre aquelas pessoas e ele não podia fazer nada para protegê-la.
–Vejo que o senhor é um homem difícil de negociar, talvez depois de ouvir algumas propostas queira mudar de idéia. – Thomas falou pegando uma taça de champanhe que estava sendo oferecida pelo garçom.
–Meu caro Duque, eu não vim aqui hoje para negociar, vim apenas prestigiar o vosso aniversário, nada além disso, além do mais eu gosto de ajudar pessoas menos afortunadas, eu dou um abrigo, trabalho honesto e ajudo elas a seguirem suas vidas, só trouxe Kimberly hoje porque não estava interessado em ninguém empurrando uma noite para mim. – Vlad sorriu também pegando uma taça e fazendo uma reverencia a fim de encerrar o assunto.
–O senhor não pretender se casar Conde? – Disse Cristian rindo pegando uma taça também.
–Não digo que não irei me casar nunca mais, só não quero fazer isso agora, eu perdi minha esposa recentemente. – Vlad achou necessário espalhar aquilo, ele sabia que provavelmente amanhã de manhã todas as pessoas de Londres iriam estar sabendo dessa sua história trágica e talvez ele tivesse um pouco de paz.
–Oh, meu caro Conde, sinto muito por isso, eu realmente não sabia, o senhor é tão jovem, ela devia ser muito nova também. – Cristian parecia chateado, mas Thomas não parecia muito interessado em conversar sobre aquilo.
–Bem, meu caro amigo pode até não estar interessado em casamentos, até porque eu mesmo estou noivo e devo dizer que isso é muito tedioso, as jovens de Londres são muito sem sal, mas talvez o senhor não conheça muito bem como as coisas funcionam por aqui, eu gostaria de falar sobre sua plantação de papoulas, tenho alguns homens interessados em comprar a próxima safra, o senhor deve saber que através delas é possível extrair o láudano, isso é um negócio muito lucrativo aqui. – Thomas falou aquilo estendendo o braço em um gesto de apresentação indicando a Vlad o escritório no final do grande corredor logo após a escada, era um cômodo enorme, feito para aquele tipo de momento, havia uma grande estante com garrafas de vinho reservadas, vários sofás confortáveis para receber mais de dez pessoas, e as janelas tinham grossas cortinas de veludo negro cobrindo qualquer chance de um curioso tentar ver o que acontecia ali.
–Não fale sobre esses assuntos aqui, já falamos sobre isso Thomas, mantenha a discrição. – Cristian lançou um olhar sério para o irmão e Vlad percebeu que aquilo seria muito mais perigoso do que aparentava.
O Conde respirou fundo, achava maçante essas conversas sobre negócios, por isso sempre fazia questão de deixar esse trabalho para Josep, no entanto, agora estava em um terreno estranho, e aquele homem estava começando a deixa-lo nervoso, talvez fosse melhor acabar logo com aquilo e sair daquela confusão.
{...}
Mansão do Duque Thomas D. Milton – Londres
A musica estava alta, Kim percebeu que as jovens olhavam para ela de forma revoltada, mesmo assim uma dela se aproximou da mesa de doces ao seu lado.
–Vejo que você é nova nesses eventos, pertence a alguma família daqui ou é de outro lugar? – A jovem perguntou deixando Kim um tanto constrangida.
–Eu sou inglesa, atualmente estou morando na casa do Conde. – Kim respondeu de forma simples, o que acabou deixando a jovem ruborizada.
–Meu nome é Andréa, qual o seu? – Kim ainda estava meio apreensiva, mas aquela jovem de cabelos loiros parecia ser simpática.
–Meu nome é Kimberly, eu não acho que seja uma boa idéia conversar comigo. – Kim sabia o que todos ali estavam pensando sobre ela, mas Andréa não parecia se incomodar.
–Sabe Kimberly, nossa sociedade é muito critica, veja, eu estou noiva do Duque porque meu pai acha que ele é um homem de futuro, na verdade eu estou sendo vendida, eu não o amo, não queria me casar tão cedo, mas estou sendo forçada a viver isso, no fundo eu admiro mulheres como você. – Andréa parecia muito triste, sua pele branca, seus olhos azuis sem brilho, ela era linda, mas parecia uma estátua de mármore.
–Mulheres como eu sofrem a vida toda, vivemos nas ruas, somos humilhadas por todos, somos olhadas de cima como se fossemos lixo, aqui mesmo, agora, eu estou sendo vista dessa forma por algumas damas que devem estar horrorizadas pelo fato de você estar falando comigo.
–Eu não me importo, eu só quero fazer mais uma pergunta. – A jovem fez uma pausa encarando Kim com o rosto corado. – Qual é o nome do rapaz que cuida dos cavalos do Conde? -Aquela pergunta pegou Kim de surpresa.
–Peter, ele tem cuidado bem dos animais, mas porque quer saber? – Kim perguntou e Andréa sorriu meio nervosa, por fim, pegou um bilhete de sua luva e entregou a ela.
–Nós nos vimos alguns dias atrás perto do comercio principal, ele estava atrás de cenouras para seus cavalos e eu estava indo a igreja, é o único lugar que me deixam ir, bem, nós nos vimos e bem, eu não sei dizer o que aconteceu, só sei que uma senhora gorda me empurrou para pegar rabanetes e antes de ir ao chão estava nos braços dele, foi lindo, gostaria muito que entregasse esse bilhete para ele.
–Vou fazer o possível, não se preocupe. – Kim sorriu para Andréa e ficou feliz por alguém ali estar conversando com ela como uma pessoa normal.
–Vou te dar um conselho Kimberly, eu sei que não é nobre, e sei que não faz parte desse mundo, por isso muitas pessoas vão tentar fazer mal a você, não apenas os homens, mas as jovens também, todas elas estavam ansiosas pela chegada do Conde, e quando perceberam que ele não é muito ligado aos costumes britânicos isso deixou todas elas ofendidas, por isso cuidado, você parece uma pessoa gentil, é bom ter alguém para conversar que não seja fútil. – Andréa sorriu para a mais nova amiga e Kim entendeu perfeitamente o que ela estava dizendo, do outro lado do salão as jovens olhavam invejosas e indignadas para ela.
–Obrigada por se preocupar, eu vou me cuidar mais, e já que me deu um conselho eu vou dar um a você, Peter é um bom rapaz, meio estranho e totalmente devoto dos cavalos que cuida, mas é um bom rapaz, espero que saiba o que está fazendo, porque pelo pouco que pude ver no Duque ele não é um homem muito bondoso, se souber desse interesse vai dar um jeito de prejudicar o rapaz, então eu espero que saiba o que está fazendo. – Kim falou encarando Andréa com seriedade, aquela jovem menina podia até ser diferente das outras, podia até ter um bom coração, mas ela não tinha nenhuma experiência de vida, não sabia como o lado podre de Londres funcionava, mas ela sabia, ela havia vivido anos nas docas, sabia muito bem como aquilo terminava, com Peter levanto um tiro e caindo sem vida do alto do píer.
–Eu vou tomar cuidado com tudo, tenho certeza que os homens do Duque estão por toda a parte vendo meus movimentos, por isso preciso de ajudas inesperadas, ele jamais iria pensar que eu pudesse pedir ajuda a você. – Andréa sorriu e olhou ao redor, as moças mantinham uma expressão de total desaprovação, mas ela não se importou com aquilo, o que realmente importava era a amizade de Kim.
–Tudo bem então, vou entregar seu bilhete. – Kim sorriu assim como Andréa, por fim a jovem achou que era melhor procurar Vlad, estava começando a ficar preocupada por alguma razão, ela saiu caminhando no meio do salão, todos olhavam para sua beleza infinita.
Quando cruzou o grande salão de dança uma musica começou a tocar e uma mão firme a puxou pelo braço, ela sentiu os dedos firmes do homem apertar sua pele com tanta força que o local ficou branco.
–Quase não reconheci você nesse vestido, mas algumas coisas nunca mudam, você pode até parecer uma dama vestida assim, mas ainda é uma prostituta pra mim. – A voz fez Kim sentir um arrepio na coluna e um frio no estomago, não uma sensação boa quando o Conde se aproximava, mas uma sensação de medo, o homem a colou no próprio corpo deixando sua mão deslizar até as nádegas da jovem que tentou se afastar mais não conseguiu.
Kim tentou se desvencilhar mais não conseguiu, o homem a puxou para o salão e eles começaram a dançar como se tudo estivesse bem, mas ela sabia que não estava.
David Turner estava ali.
O homem tinha um lenço em volta do pescoço, mesmo assim era possível ver o inicio de uma cicatriz próximo a orelha que devia ir até o ombro, tinha um lado da face deformada, e aparentemente mancava a perna esquerda, ele parecia muito pior do que sempre foi.
–Eu fui deixado lá para morrer pelo seu Conde, acho que está na hora de me pagar o que deve. – Disse ele apertando Kim pela cintura com força, ele sempre fazia aquilo, a jovem odiava, mas David não se importava com isso.
–O Conde está aqui, ele vai terminar o que começou se não me soltar agora. – Kim falou reunindo toda a sua coragem, ela não queria saber o que havia acontecido, ela não queria saber o, porque daqueles ferimentos todos, ela só queria voltar para a mansão e esquecer aquele pesadelo.
–Eu gostaria de ver o Conde tentar alguma coisa contra mim, eu sei um segredo dele que talvez ele me venda você em troca do silencio. – David riu diabolicamente enquanto puxava Kim para longe das pessoas em direção a uma sacada do lado leste da grande mansão, a sacada era um local de descanso e privacidade da Mansão, um local que era protegido por uma grande cortina de veludo negro, David sabia que ninguém iria segui-lo até lá, era sua melhor oportunidade.
–O Conde é um homem bom, ele jamais iria fazer isso, ele valoriza as pessoas que estão ao seu redor, ele jamais faria isso. – Kim encarou David com coragem, ele ignorou suas palavras e apenas a prendeu contra a parede, ela odiava aquele contato, odiava aquele corpo prensado ao seu, sentir o membro do mesmo roçando seu corpo, era nojento, era asqueroso, mas David ria como o demônio, e nesse momento ele parecia mesmo com um demônio.
–Eu não dou á mínima para o que você pensa sobre o Conde, a única coisa que eu sei é que quase perdi a vida e que você ainda me deve, e vendo você vestida desse modo só aumenta ainda mais meu desejo de cobrar isso. – David empurrou Kim sobre uma mesa de mármore que ficava no local, também havia algumas cadeiras de designer Italiano e a vista do local dava para um belo jardim um pouco a frente da entrada da casa, ninguém podia dizer que Thomas não tinha bom gosto, sua casa era impecável e o luxo era grande.
–Pare com isso, você sabe que não pode fazer isso, eu tenho alguém que se preocupa comigo agora, eu vou gritar e você verá. – Kim tremia muito, principalmente quando o homem a puxou com força se colocando entre suas pernas, ele apertou com força suas coxas sentindo a maciez de cada detalhe, da mesma força foi até os seios e beijou a parte exposta pelo espartilho. – Fique longe de mim. – Kim se debateu e tentou gritar, mas David a puxou pelos ombros com força fazendo com que a jovem o fitasse.
–Não adianta gritar, você acha que alguém aqui se importa com você? Acha mesmo que as pessoas lá fora vão vir aqui defendê-la? Acha mesmo que seu Conde vai dedicar sua fortuna a uma garota das docas? – David sentia uma ira imensa ao falar sobre o Conde, era algo fora do normal, para ele torturar Kim era uma forma de prejudicar o homem que quase o matou.
–Ele vai me proteger. – Kim gritou quase como um pedido de socorro, ela precisava acreditar naquilo, porque se David conseguisse o que queria ela jamais poderia realizar seu sonho, entregar-se apenas ao homem que amava.
–Pare de acreditar nisso. – David falou dando um forte tapa na face de Kim.
–Eu acredito. – Kim gritou ainda mais alto.
–Sempre será uma vadia das docas.
–Me solte. – Kim gritou apavorada ao perceber que David começava a rasgar seu lindo vestido.
–Você ouviu a jovem, agora solte-a. – Vlad surgiu passando pelas grossas cortinas de veludo negro que mantinham o casal escondido dos outros, Kim se encheu de esperança naquele momento, Vlad mantinha os punhos cerrados, era visível sua raiva naquele momento, seus olhos pareciam tomar uma outra tonalidade e por um momento sua pele pareceu ficar mais escura que o normal, mas David não parecia preocupado.
–Você a quer? Só que dessa vez eu estou preparado para isso, eu descobri o que você é, quando me deixou para morrer naquele cais, quando bebeu o meu sangue diante dos meus olhos, você só cometeu um erro, você não me matou na hora, eu fui salvo por um grupo de monges que passavam por ali no momento, eu jurei vingança, e não vou desistir até conseguir isso, eu sei que você é o assassino que surge nas noites sem lua, eu sei que você é o monstro que eles procuram. – David falou mantendo Kim ainda presa em seu corpo, ele beijou o pescoço da jovem deixando Vlad furioso com aquela cena, ele estava provocando o Conde para que ele revela-se sua verdadeira face diante dela, mas o Conde tinha séculos de vida, havia aprendido a se controlar diante da raiva, ele só perdia o controle diante de uma coisa.
Sangue.
–Se acha mesmo isso então porque está aqui essa noite? Porque está me ameaçando, e principalmente, porque ainda insiste em fazer mal a minha criada? – Vlad falou dando um passo para frente enquanto David dava dois para trás, só que para seu desespero ele chegou ao final da sacada tendo apenas o apoio impedindo sua queda.
–Não dê mais um passo Conde, se fizer isso eu serei obrigado a tomar uma decisão difícil para nós dois. – David falou puxando Kim pelos cabelos e olhando para baixo, mas Vlad sabia que não podia deixar as coisas daquele jeito, por fim se lançou sobre David e o mesmo atirou Kim do alto da sacada.
Tudo aconteceu rápido demais, Kim caindo da sacada, lentamente em direção ao chão, seu vestido esvoaçando com o vento, seus cabelos balançando em harmonia com a cena, e Vlad voando, isso mesmo, voando em sua direção como se sua capa fosse feita de infinitos morcegos, algo que ela nunca havia visto antes, algo aterrorizante, mas ele estava ali pulando em sua direção para salva-la, indo até ela o mais rápido possível.
Para Vlad aquele era o momento mais decisivo de sua vida, ele tinha uma segunda chance de proteger o grande amor de sua vida, ele precisava ir até o fim, precisava tomar uma atitude, e quando suas mãos tocaram os dedos de Kimberly tudo ficou claro em sua mente, ela devia ser protegida e amada por ele até o fim.
Ambos chegaram ao chão, juntos, Kim nos braços de Vlad, ela tremia, ela sabia o que havia visto ali, ele era o demônio que todos procuravam, mas naquele momento ele era seu anjo, como na noite em que a salvou, ela não queria falar sobre aquilo, principalmente ali no meio das ruas de Londres, eles precisavam fugir, sair correndo antes que alguém os visse daquele jeito.
Vlad correu até a carruagem e mandou seu cocheiro ir o mais rápido que os cavalos agüentassem, em poucos minutos eles já estavam indo pelas estradas montanhosas que levavam para o grande vale onde a Mansão de Vlad ficava localizada.
–Senhor tem algo errado. – Disse o cocheiro.
–O que pode estar mais errado? – Vlad falou de forma irônica enquanto Kim permanecia em seus braços, ela não queria explicações naquele momento, não queria falar nada, queria apenas esquecer as mãos de David por seu corpo e acreditar que havia algo de bom naquela história toda.
–Senhor acho que..... – Mas o cocheiro não conseguiu terminar, um estrondo fez com que uma das rodas caísse e tombasse a carruagem com força no chão, o cocheiro se esforçou para soltar os cavalos enquanto Vlad saltava com velocidade para fora da mesma, no instante em que tudo desabava penhasco abaixo.
Fale com o autor