There is always hope for Love
8 My secrets are yours
Notas iniciais
Em um mar de escuridão a luz é como um pequeno navio em meus pensamentos.
Guiada pela minha fé visualizo um farol dentro do seu olhar.
Palavras são ditas todo o tempo, mas nunca vão explicar esse vazio.
Alguns vazios são tão grandes que nos devoram por completo.
Mas eu estou bem amor, eu sou parte do meu vazio pessoal.
(June Oliveira)
Convento Sagrado Coração – Londres
10 anos atrás....
O convento era antigo, um lugar assustador para alguns, e inspirador para outros, as obras de arte do local eram impecáveis, a Madre superiora do local exigia sempre a perfeição para aquele ambiente, ela dizia que isso aproximava as pessoas de Deus, muitos achavam a Madre cruel, até mesmo fria e calculista, mas a verdade era que sua rigidez era apenas uma fachada para a sociedade e para o Clero, no fundo ela tinha uma alma boa e por isso sempre abrigava pessoas sem lar nas paredes daquele lugar santo, principalmente mulheres desafortunadas.
A pequena menina de cabelos negros e pele branca, corria o mais rápido possível, a noticia que havia recebido das freiras era muito cruel, sua mãe estava morrendo, Kimberly nunca pensou que esse dia chegaria, ela sabia que no dia em que sua mãe morresse, ela seria mandada para um orfanato, e todos sabiam como os orfanatos de Londres eram, ou você vivia o bastante para se tornar um ladrão ou uma prostituta, ou você morria antes de completar um mês no lugar.
Desde a partida de seu marido, Sarah não conseguia mais se manter, ela nunca conseguiu entender o, porque do marido ter feito aquilo, ele era um pescador, vivia mais tempo nas docas do que em casa, com o tempo ele que era um bom marido e trabalhador passou a beber diariamente, e começou a deixar a maior parte do que ganhava nos bares próximos do cais, depois de alguns meses nessa vida, ele arranjou outra mulher, uma prostituta local chamada de Consuella, muitos tentaram alerta-lo, seus amigos de verdade, mas ele estava enfeitiçado por ela, quando Kimberly começou a crescer e precisar de mais cuidados tudo ficou ainda mais complicado, ele não queria deixar seu dinheiro com a esposa, afinal, Consuella era uma mulher muito cara.
Antes de Kim completar três anos John, seu pai foi embora, ele levou tudo o que tinha e vendeu a casa assim como seu barco, ele iria viver com Consuella em Paris, nunca mais foi visto, mas muitos dizem que depois de um ano Consuella o trocou por um nobre, um Duque que passou a financiar seus luxos da forma que ela sempre desejou e John acabou morrendo na sarjeta, mas isso ninguém sabia dizer se era mesmo verdade ou não.
Já Sarah ficou com toda a responsabilidade de mãe, ela tinha a pequena Kimberly para alimentar, e sua filha era tão pequena para o mundo, em um ato de desespero Sarah pediu abrigo ás irmãs, ao menos até que sua tosse passasse, ela passou a trabalhar nas ruas de Londres fazendo todo o tipo de trabalho e depois de seis meses vendendo pães caseiros na rua em um período de forte inverno tudo ficou difícil, ela adoeceu de uma forma perigosa e como não tinha dinheiro para os remédios acabou se tornando algo ainda pior, ela sabia que iria morrer, o médio já havia dito isso, as freiras juntaram suas humildes economias e pagaram uma consulta para ela, na esperança de que um milagre fosse feito, mas o doutor não podia fazer mais nada, mas Sarah era uma mulher cheia de esperança.
–Sinto muito Sarah, mas é Tuberculose, eu lamento. – Disse o médico com um olhar realmente preocupado.
Alguns meses depois Sarah estava tossindo sangue, suas costas doíam muito e ela não tinha forças para se levantar mais da cama, essa era a parte que mais odiava, ela sempre se orgulhou por ser uma mulher esforçada e que trabalhava muito mais que a maioria dos homens, ela não tinha dinheiro para os remédios, seu fim era iminente, mas definhar naquela cama era o pior de tudo.
–Existe alguma coisa que possamos fazer por você Sarah? – Disse a Madre olhando de forma piedosa para a mulher.
–Em toda a minha vida eu juro que nunca esquecerei o que já fizeram por mim, mas a única coisa que gostaria era que cuidassem de Kimberly, mas sei que os homens da lei não vão permitir isso. – Sarah tossiu com tristeza pensando que sua filha poderia não sobreviver no orfanato.
–Vamos fazer o possível para visitá-la, isso vai intimidar os maus tratos, eu prometo que faremos a nossa parte. – A Madre era uma mulher de grande coração, e ela realmente cumpriu sua parte.
Kimberly não gostava de ver sua mãe com aqueles panos ao redor cheios de sangue, mas não ver sua mãe, era ainda pior, ela queria muito poder estar em seus braços novamente, ser aninhada com carinho, sentir-se protegida do mal, mas ela sabia que isso nunca mais iria acontecer.
–Mamãe? – Disse Kim com seus olhos amorosos se aproximando da mãe, mas Sarah fez um gesto para que ela não ficasse muito perto, a Tuberculose era contagiosa.
–Kim, eu quero que me prometa uma coisa. – Disse a mulher entre a tosse e a dor.
–Claro mamãe. – Kim jamais negaria alguma coisa a sua mãe.
–Quero que seja uma moça boa, quero que se case com um homem bom, um homem com honra, um homem que não abandone você nos momentos difíceis. – Sarah falou de forma terna sabendo que Kim era muito criança para entender a importância de suas palavras.
–Eu não preciso de um marido, eu tenho você. – Kim disse para a mãe e aquilo encheu os olhos da mulher de lagrimas, ela sabia que não poderia ficar muito tempo com sua garotinha especial.
–Kim escute, todos os homens são sombrios, alguns são mais perigosos que outros, eles são egoístas e mimados, a maioria só pensa em si mesmo, mas quando amam uma mulher de verdade, eles morrem por ela, quero que encontre esse homem, o homem que vai dividir os medos dele com você, o homem que vai abraçá-la quando se sentir perdida, você precisa me prometer isso, vivemos em uma sociedade perigosa, mulheres só são respeitadas quando tem o nome de um marido para apresentar, então me prometa, não vai viver como ás moças do cais, não vai se vender como a maioria, não vai perder a fé no amor. – Sarah parou para respirar um pouco, cada palavra agora lhe causava dor e falta de ar, mas era extremamente importante dizer cada uma delas. – Nunca perca a fé no amor querida, prometa pra mim. – Sarah encarou a filha pela ultima vez, o suor frio escorrendo da face, a certeza do fim em seus olhos.
–Eu prometo. – Kim falou sem saber ao certo sobre o que sua mãe estava falando, naquele momento ela apenas viu Sarah olhar para ela e para a freira que chorava ao lado da criança emocionada com tudo e dizer “adeus minha princesa”, antes de finalmente morrer.
{...}
Em algum lugar próximo a estrada principal – Londres
O cheiro fresco de água estava por toda a parte, o chão parecia muito mais úmido do que devia estar, ela podia ouvir as gotas finas caindo do teto até o chão, provavelmente em uma poça formada depois de muito tempo, por alguma razão não conseguia entender onde estava, o sol já devia estar alto no céu, no entanto aquele ambiente era feito de pura escuridão.
A lembrança da mãe foi algo que fez Kim se curvar em uma posição fetal, ela podia chorar por dias naquele momento, quando se está perto da morte sua mente trás as lembranças mais dolorosas de seu passado.
Morcegos voavam sobre sua cabeça, o medo começou a tomar conta de seus pensamentos e as lembranças de horas atrás invadiram com tudo a sua mente, não apenas o que havia acontecido com a aparição de David na festa, mas aqueles olhos, aqueles olhos que ela nunca conheceu, algo maligno havia tocado a alma de Vlad e agora ela fazia parte disso, querendo ou não era sua história. Seu corpo estava um pouco dolorido, mas ela sabia que devia ser pior, ela devia ter morrido, com esse pensamento mais um flash invadiu sua mente.
“A carruagem caindo de um penhasco, os gritos desesperados do cocheiro que não teve a mesma sorte dos cavalos, ele despencou em meio a madeira e as pedras do barranco, Kim podia se lembrar perfeitamente da imagem do homem lutando pela vida sabendo que nada poderia ser feito, aquela era a única lembrança que ela tinha no momento em que seus olhos começaram a abrir, os cavalos correndo assustados, o barulho dos cascos batendo firmes contra o cascalho do velho desfiladeiro, os braços do Conde que pareciam muralhas apertando firme seu corpo contra o dele, e o mais importante, os olhos, os olhos do Conde ficaram estranhos, havia algo de demoníaco ali, e naquele momento ela viu quem ele realmente era, o monstro de Londres.”
Sua mãe sabia que homens não eram bons, sabia que ela encontraria problemas ao longo de sua jornada, mas ela falou sobre um homem que colocaria sua vida em primeiro lugar, que seria capaz de se doar por completo, um homem de honra.
–Não se assuste. – Disse uma voz cansada um pouco mais no fundo daquele lugar, Kim sentiu um arrepio, aquela voz era muito familiar, só parecia um tanto quanto assustadora.
–O que você é? – Disse a voz de Kim muito mais fraca que o normal, aquilo partiu o coração de Vlad, ele nunca quis envolver a jovem nisso.
–Ainda sou eu Kimberly, ainda sou o seu Conde. – Vlad falou calmo, mas ainda permanecia nas sombras, Kim estremeceu com aquela frase, “seu Conde”, isso era tudo o que ela queria, só não sabia qual seria o preço a pagar.
Vlad fez tudo o que pode para salvar Kim da morte, depois que conseguiu escapar da queda eminente ele procurou o mais depressa possível um lugar que fosse bom para se esconder, o sol estava quase nascendo e não podia correr o risco de enfrentar sua luz naquelas condições. David iria pagar, isso era o que mais lhe dava força no momento, David Turner iria implorar pela vida e desejar nunca ter voltado para atormentar Kim, Vlad sempre odiou homens sem honra, homens que matavam mulheres e crianças e principalmente homens que usavam sua força para abusar dos mesmos.
A imagem de David segurando Kim contra seu corpo daquela forma vulgar, a forma que ele havia beijado o pescoço dela diante de seus olhos, ele iria pagar muito caro por isso, principalmente porque era ele que devia tocá-la daquela forma, era ele que devia beijá-la daquele jeito, porque Kim o desejava e isso era visível, ela queria estar ao seu lado, ela queria ser tocada por ele, Vlad podia sentir o desejo dela ardendo em seus olhos, ele sabia, ele só não sabia se ela iria continuar sentindo a mesma coisa por ele depois de descobrir a verdade.
–Onde estamos? Porque meu senhor está escondido? – Kim sabia que ás vezes a melhor coisa é não perguntar nada, mas as coisas já estavam estranhas o suficiente, ela precisava saber a verdade ou pelo menos tentar entender.
–Não sei se esta pronta para isso. – A voz de Vlad foi ainda mais macabra, era como se ele estivesse sofrendo e aquilo a deixou assustada, por mais bizarro que fosse não podia nem sonhar em perder seu salvador, Kim não conseguia enxergar seus olhos, nem seu rosto, mas sabia que algo estava muito errado, será que seus medos eram verdadeiros?
–Meu senhor, me diga, porque estamos nesse lugar? Preciso entender porque não estamos indo para vossa mansão, o sol já deve estar alto no céu, seria perfeito. – Kim se levantou com cautela, viu que suas roupas estavam rasgadas e sentiu-se constrangida, um forte enjôo encheu seu estomago, ela se lembrou de David tocando em seu corpo, aquilo a fez bambear e sua cabeça doeu assim como seu coração.
–Não se aproxime mais. – A voz de Vlad ficou alta, o som rebateu nas paredes úmidas do que parecia ser uma gruta e Kim apenas caiu no chão sentindo seu corpo estremecer por completo.
Vlad percebeu o medo nos olhos de Kim, seu coração parou por um minuto, era como ver os olhos de sua amada esposa no dia em que descobriu a verdade, mas depois do medo veio á aceitação, aquele era o momento mais esperado por ele, se Kim fosse capaz de entender sua dor e maldição seria a prova final de que ela deveria pertencer a ele nesta vida também, assim como em todas as outras.
Com lentidão Vlad saiu da escuridão dando passos lentos em direção a um único raio de sol que entrava discreto por uma fresta na parede de pedra fria, sua face foi aparecendo do outro lado e Kim segurou a respiração colocando a mão sobre a boca para não gritar, ele não se parecia humano, ele não se parecia em nada com seu Conde, mas ainda sim no fundo seus olhos ainda eram os mesmos.
Ele estendeu a mão e tocou o sol, no mesmo instante sua pele começou a queimar liberando uma fumaça que tomaria conta de tudo rapidamente, Vlad afastou a mão e olhou para Kim que parecia apenas uma estatua de pedra encarando seu mestre.
A jovem se levantou forçando ás pernas a obedecer, ela caminhou com calma até ficar bem no rumo da luz, seus cabelos ganharam brilho assim como sua pele branca, por um momento Vlad pensou estar diante de um anjo, e tudo o que ela queria era entender o significado de tudo aquilo, mas se Vlad era mesmo o monstro de Londres, ainda sim, ela estava em divida com ele, Vlad a salvou de um monstro muito pior, David havia matado mais homens do que ela sabia contar, a única diferença era que seu monstro interior tinha a mesma face do externo, David não era amaldiçoado, ele era mal, apenas mal.
–Dói? – Disse ela estendendo a mão ainda com medo e tocando a mão de Vlad que já havia voltado ao normal, ele sorriu descrente, Kimberly era mesmo o anjo que esperava, ela acariciou a pele sem perceber o quão intimo aquele gesto parecia aos olhos da sociedade, mas Vlad não se importava com aquela sociedade, ele vinha de um mundo antigo, de um mundo onde apenas o amor importava, ele não era um Conde, ele era um Príncipe.
–Não mais do que ver o medo em seus olhos. – O Conde estendeu a mão e tocou a face da jovem que não havia sofrido um arranhão ao cair da carruagem, Vlad havia usado toda a sua força, todo o seu poder para garantir que Kim ficasse bem, mas ele não teve muita sorte, seu corpo foi ferido, ele perdeu muito do sangue que havia adquirido recentemente e isso era um problema, ao ter os ferimentos curados por seus poderes tudo estava mais precário do que nunca, ele estava fraco, por isso não podia invocar uma tempestade para cobrir o sol como costumava fazer durante o dia para sair em publico, ele não podia sair dali até o anoitecer e aquilo era um problema, as pessoas já deviam estar procurando por eles.
–Me desculpe. – Kim sentiu uma enorme tristeza por temer aquele homem e só então percebeu que ainda segurava a mão do Conde. – Ah meu senhor, sinto muito eu não quis.... – Ela tentou soltar a mão dele sentindo-se envergonhada, mas o Conde a manteve firme onde estava e sem que ela pudesse recusar ele a pressionou contra seu peito em um abraço protetor e amoroso, Kim tentou resistir, mas chorou como á muito tempo não chorava, chorou por tudo, pela dor, pelo sofrimento de anos de miséria, pela morte da mãe, pelo abandono do pai, pelos abusos de David, chorou por estar diante de um homem tão especial e saber que nunca seria a mulher certa para ele.
–Eu estou aqui minha Princesa, tudo vai ficar bem agora, eu só peço que espere até o sol se por. – Vlad apertou firme a jovem em seus braços confortando Kim de seu sofrimento.
–Não há nada que possamos fazer para que o senhor possa sair daqui? – Kim falou enxugando as lágrimas e encarando Vlad que fez uma expressão sombria.
–Preciso de sangue para me fortalecer, e não vou fazer isso com você. – Vlad quase disse “novamente”, mas tinha medo de que Kim ficasse em choque ao descobrir sobre a reencarnação, por isso achou melhor manter aquilo em segredo por enquanto, uma revelação de cada vez.
–Mas o Duque deve ter mandado homens atrás de nós, tenho certeza disso, quando viram a forma que fomos embora e provavelmente os cavalos devem ter voltado para a mansão, animais costumam fazer o caminho de volta quando algo da errado. – Kim falou pensativa, ela estava muito preocupada com Vlad e isso deixou o Conde emocionado.
–Não se preocupe, o máximo que vão descobrir é que a carruagem caiu e que nossos corpos não estão lá. – Vlad falou enquanto começava a desabotoar o pesado casaco negro com o símbolo do dragão nele.
–O que está fazendo? – Kim confiava no Conde, ela sentia que ele era um homem especial, mas seu senso de sobrevivência lhe ensinou a ficar sempre em alerta, e quando um homem começa a tirar a roupa nem sempre é algo positivo.
–Você está muito exposta dessa forma, não quero que se sinta constrangida quando alguém nos encontrar, assim como não quero ninguém admirando o que é meu. – Vlad falou com um sorriso torto que deixou Kim sem ar, como ele podia fazer piadas em um momento como aquele?
Vlad tirou o casaco e colocou sobre Kim cobrindo seu corpo, na verdade ele próprio não queria ser tentado diante daquele corpo de pele macia, e tão convidativa, ás vezes seu lado negro falava mais alto, e assim como a sede de sangue outras coisas se tornavam incontroláveis, ele não queria cometer um erro.
{...}
Mansão do Duque Thomas D. Milton – Londres
Todos haviam ficado curiosos com a forma que o Conde saiu da festa com sua acompanhante, mas de fato, ninguém sabia dizer o, porque daquilo, algumas pessoas apenas alegaram ver o Conde correndo para a carruagem com uma jovem e eles pareciam muito apressados, mas por sorte ninguém chegou a ver a queda do alto da sacada, aquilo sim teria sido um grande problema, ninguém além de David e o próprio Conde sabiam a verdade sobre aquela noite.
Logo depois de ser avisado que a carruagem do Conde havia partido Thomas ficou curioso, teria sido pelo assédio a jovem que o acompanhava? Será que Vlad se importava tanto assim com ela? Mas de tudo o mais curioso foi o fato dos cavalos terem retornado para seus estábulos horas depois, aquilo era preocupante e o mais correto era mandar homens a procura do Conde, no entanto, Thomas se sentia inclinado a não tomar nenhuma medida de socorro.
–Você precisa mandar um grupo de busca pelo menos, se aconteceu alguma coisa de ruim com eles as autoridades vão achar que você pode estar envolvido com isso, afinal o Conde foi visto em sua companhia na maior parte da festa e todos sabem muito bem como os Milton resolvem seus problemas. – Cristian falou para o irmão que mesmo não gostando daquilo foi obrigado a concordar, ele sabia que a sociedade iria acabar cobrando dele essa falta de ajuda, os Milton sempre foram conhecidos por darem um jeitinho em seus problemas, isso era até bem visto enquanto se tratava de conseguir uma escritura, ou uma noite de amor com uma garota importante da sociedade, mas nunca contra um nobre poderoso, principalmente um que eles não conheciam muito bem.
Ele reuniu um grupo de cinco homens e os mandou a procura do casal, algumas horas depois eles retornaram dizendo que a carruagem havia caído do penhasco, que apenas o corpo do cocheiro havia sido encontrado, e que havia pegadas do casal em outra direção e não na continuação da estrada.
Com aquilo Thomas concluiu que Vlad devia ter aproveitado o momento para aproveitar a companhia e a situação ao seu favor e mandou apenas um mensageiro até a mansão para avisar os empregados da casa, afinal, ele não ia ficar tendo gastos com o Conde que provavelmente devia estar nos braços de sua amante.
–Deve tomar cuidado com aquele homem. – Disse Cristian de forma tranqüila enquanto olhava pela janela.
–Eu acho que Vlad é apenas um garoto que está pensando com a cabeça errada, ele é arrogante e mimado e está querendo se aparecer para as jovens de Londres. – Disse Thomas com desdém enquanto enchia um copo com whisky.
–Na verdade meu caro irmãozinho, você acabou de se descrever. – Cristian falou com um sorriso brincalhão que apenas deixou seu irmão irritado.
–Não seja ridículo. – Thomas falou encarando o irmão com um olhar gélido.
–Você pode achar que Vlad não sabe o que está fazendo, mas eu acho que ele é muito mais esperto do que parece, acho que ele não vai participar do nosso esquema com as papoulas porque tem muito mais dinheiro do que diz ter, acho até que ele é muito mais nobre do que pensamos, ele apenas está escondendo isso por alguma razão.
–E o que sugere para mim irmão? – Thomas falou meio debochado.
–Que procuremos por um ponto fraco nele, ele precisa ter alguma fraqueza. – Cristian falou pensativo e naquele momento as portas do escritório se abriram revelando um homem extremamente deformado.
–Creio eu saber qual seria esse objeto de estima senhores. – David falou com um imenso sorriso que congelou a espinha dos homens presentes.
{...}
Em algum lugar próximo a estrada principal – Londres
Kim acabou adormecendo ao lado de Vlad, a noite chegou silenciosa e aquilo fortaleceu o homem ao seu lado, eles teriam que andar um longo percurso de volta, mas ao menos estavam vivos, e juntos, Vlad sabia que quando falasse a verdade talvez Kim ficasse furiosa, talvez ela perdesse a confiança quanto ao seu amor, mas ele a amava não apenas por ela ser a reencarnação de sua esposa, mas por ela ser a pessoa corajosa que era, ele sabia que separar as duas era quase impossível, mas precisava fazer isso, precisava dizer a ela o quanto a amava e o quanto ela era especial, ele faria isso assim que retornassem para a mansão.
Ela sentiu alguma coisa incomodando sua mão dentro da luva e percebeu o que era, o bilhete de Andréa para Peter.
–Anda recebendo bilhetes na sua primeira aparição em publico? – A voz de Vlad surgiu vindo da porta da caverna, Kim sentiu uma pontada de ciúme e sorriu.
–É de Andréa.
–Agora estou ainda mais confuso. – Disse o homem cruzando os braços e sorrindo malicioso deixando Kim constrangida.
–Andréa é noiva de Thomas, mas seu casamento é arranjado, ela está apaixonada por Peter, o vosso servo, ela quer se encontrar com ele, mas acho que Andréa vai colocá-los em perigo. – Kim guardou o bilhete novamente e Vlad entendeu a preocupação, Lorde Thomas não era o tipo de homem que levava desaforo pra casa.
–Prometo ajuda-los a fugir se for necessário. – Vlad falou de forma terna, caridoso, e totalmente desinteressado, ele realmente só queria ajudar e aquilo fez o coração de Kim transbordar, ela correu até o homem a sua frente e o abraçou com um forte impulso, seus olhos se cruzaram por um tempo tão longo quanto o próprio tempo, suas mãos tocaram a face do homem da mesma força que Vlad mantinha as suas segurando firme a cintura da jovem.
–Meu senhor eu....eu não devia, eu não posso.... – Kim percebeu o quanto estavam perto, ela iria se afastar envergonhada, mas não foi possível, o homem não permitiu que ela ficasse nem um centímetro mais longe e sem se importar com etiquetas e pudores ele a puxou em um beijo arrebatador, seus lábios com força sobre os dela, suas mãos mantendo seus corpos encaixados de tal forma que Kim quase não conseguia respirar, ela tremia por inteiro e Deus como ela sonhou com aquilo.
–Senhor nós viemos...................salva-lo. – Disse a voz de Josep fazendo Vlad se assustar no momento em que vários cavalos se aproximaram da entrada da gruta, todos ali carregando tochas, muitos homens da cidade, eles foram recrutados por Peter quando o homem de Thomas chegou á mansão avisando sobre um acidente, por alguma razão Josep tinha certeza que Vlad devia estar em uma caverna ou gruta ou algo do tipo, aquilo deixou os homens meio desconfiados, mas agora vendo o Conde com sua acompanhante as coisas pareciam fazer mais sentido, todos com uma expressão divertida no rosto, era óbvio que o Conde aproveitou o “desaparecimento” para passar bons momentos nos braços de sua acompanhante, e não havia como negar já que as roupas da jovem estavam praticamente em farrapos, era um sinal de que a tarde havia sido muito divertida, Josep se envergonhou por ter colocado seu mestre daquela situação, mas para Vlad aquilo não era ruim, ao contrário, mas para Kim, sua reputação fora totalmente jogada na lama, todos iriam pensar que ela havia se entregado ao Conde naquele momento, tantos problemas, tantos medos, tantos monstros para acabar dessa forma, ela jamais iria conseguir um marido dessa forma e o Conde jamais ficaria com ela, a vida era mesmo muito cruel.
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