Notas iniciais
Oie gente que eu amo demais... Quero pedir desculpas pela demora desse capitulo, infelizmente andei tendo muitos problemas com o trabalho e isso tirou meu tempo 100% Eu não desisti da fic Também quero agradecer a todos que deixaram comentários, isso me deu uma motivação para continuar. Prometo que o próximo capitulo não vai demorar tanto. Beijos e boa leitura.

Naquele momento eu percebi que tudo havia mudado.

Uma fração de segundos, um sentimento irreal.

O medo de ser engolida pelo desejo grita, já não consigo mais disfarçar.

Gostaria de crer que a vida será melhor meu amor,

Gostaria de crer que só existe o céu acima de mim.

Mas todos sabemos a verdade, eu sei a verdade.

(June Oliveira)

Mansão do Duque Thomas D. Milton – Londres

Naquele momento David aguardava na grande sala de espera da mansão do Duque uma resposta para sua proposta de negócio, ele queria uma grande quantia em dinheiro e a certeza de que nenhum mal fosse feito a Kimberly Jones, não porque ele se importava com ela, mas porque se algum mal fosse feito aquela jovem seria por ele, em um canto da grande mansão ele viu Andrea com uma expressão entediada, ele parecia apertar as mãos com força como se estivesse ansiosa com alguma coisa, provavelmente queria ir embora ou queria um pouco de atenção, típico de jovens noivas, mas Thomas não era o homem que gostava de perder tempo com essas coisas, ele tinha por Andrea o mesmo que tinha por sua conta bancaria, ele só estava interessado no lucro.

O Duque podia ser um nobre, mas também era um homem acostumado a jogar sujo, ele queria acabar com o poder do Conde Vlad e voltar a ser o homem mais influente daquela cidade, Londres era o pequeno berço da sociedade naquele momento, e qualquer um que controlasse Londres seria digno de medo, e medo era poder em sua opinião.

David estava ansioso pela resposta, ele era um homem ambicioso, ele havia aprendido que o dinheiro era a resposta para todos os problemas e queria que Kim entendesse isso, por algum tempo ele lutou contra a verdade, mas depois de ver o seu objeto de desejo nas mãos do Conde Vlad ele entendeu, Kimberly era a garota de rua que lutou para viver com dignidade, ela era tudo aquilo que ele nunca seria, ela era forte e verdadeira, decidida, confiante, ela era um exemplo e ele sempre seria o homem vulgar das docas, o homem incapaz de amar.

Ele sabia que queria Kim porque no fundo invejava ela, pelo caráter, pela dignidade, por ser uma pessoa livre da influencia de Londres, aquilo sempre alimentou o desejo que sentia, agora as lembranças da festa estavam vivas em sua memória fazendo o seu corpo latejar com cada flash, o perfume dela ainda estava em suas roupas, o gosto da pele ainda estava em seus lábios, ele não sabia como as coisas ficariam ali com o Duque, mas de uma coisa tinha certeza, iria até o fim para conseguir o que queria, com aquele pensamento acabou se lembrando da época em que ainda era jovem e não entendia muito bem como as coisas funcionavam.

Flash Back On

David Turner não era um homem acostumado a perder, durante toda a sua juventude aprendeu que os homens são responsáveis pelo seu destino e por aquilo que desejam, seu pai lhe ensinou isso.

Aos 20 anos assumiu os negócios do pai, ele era dono de todos os cassinos clandestinos de Londres, assim como alguns de Paris, com o dinheiro David investiu em um negócio que considerava muito mais lucrativo, as casas nas docas, barracos na verdade, um lugar podre com um preço muito alto.

Seu pai lhe ensinou que não se deve ter piedade quando se trata de dinheiro, e que todos sabem exatamente no que estão se metendo quando resolvem pedir algum favor, eles só esperam conseguir sair ilesos das cobranças.

–Muito bem David, qual você escolhe? – Disse o homem de terno caro usando uma cartola que somente os nobres mais importantes da cidade costumavam usar, sua capa era pesada e caia até os tornozelos, na ponta da bengala uma cobra de prata brilhava sorrateira para os presentes, seus cabelos negros caiam um pouco sobre o rosto que permanecia com um olhar ansioso e pervertido, ele tinha uma barba farta, suas roupas eram nobres, mas estavam sujas, sujas de sangue.

–Mas.... – Disse o rapaz de 16 anos olhando para as filhas do devedor de seu pai, o menino era forte para sua idade, sinal de muito trabalho pesado, provavelmente devia gastar sua energia carregando peso, qualquer um poderia dizer que ele trabalhava em um estábulo transportando feno, mas seus músculos vinham de outra coisa, vinha do treinamento de box que o pai insistia que ele fizesse, vinha dos corpos que precisava carregar até o rio, vinha das caixas contendo ouro roubado, as meninas choravam abraçadas, elas sabiam que o destino que as aguardavam era pior do que a morte, a mais velha encarava o rapaz como se fizesse um pedido silencioso, por um momento ele desviou o olhar e ela teve esperança, esperança dele ao menos tentar interceder por elas, afinal, o que as duas haviam feito contra eles? Que mal elas haviam feio? Mas seu pai havia, o pai estava quase desacordado no chão em meio ao sangue, ele havia perdido nos jogos e agora iria pagar e sua família também, as coisas funcionavam dessa forma, as coisas sempre acabavam assim, David já estava começando a se acostumar com o sangue, o sangue fazia parte do seu dia a dia.

–Não existe “Mas”, David, quando você quer alguma coisa não pode deixar nada ficar no seu caminho, você está vendo esse homem ridículo no chão? Eu avisei a ele que se não conseguisse o dinheiro as coisas acabariam mal, e agora alguém vai pagar, você precisa entender que a vida em Londres é assim, nós estamos em uma das cidades mais evoluídas do mundo, eu trabalhei muito para chegar onde chegamos, espero que quando eu morrer você possa assumir meu lugar com firmeza. – O homem falou colocando a mão no ombro do garoto que encarou mais uma vez as meninas em pânico, por fim sorriu malicioso imitando o mesmo sorriso do pai.

–Eu quero as duas, acho um desperdício deixar uma de fora. – O garoto falou com determinação e seu pai soltou uma gargalhada orgulhosa encarando seus capangas que sorriram também, as duas jovens apertaram os olhos que escorriam em lágrimas, elas sabiam que aquilo não iria terminar nada bem, nunca terminava, a dor e a morte eram duas coisas inevitáveis.

–Viram isso? Esse é o meu garoto, o poder está no sangue dos Turner, ele vai me representar quando não estiver mais aqui, vejam isso e aprendam, ele vai ser um grande homem. – David se sentiu estranhamente feliz, agradar seu pai era a coisa mais difícil do mundo, mas agora ele sabia qual era o caminho que devia seguir.

Flash Back Off

Aquele garoto de 16 anos que teve medo da realidade lembrava muito Kim, ele era jovem e não queria acreditar que as coisas eram tão ruins daquela forma, mas ele aprendeu, ele aprendeu como devia agir, como deveria ser para continuar vivendo e Kim teria que aprender também, de um jeito ou de outro todos acabam encontrando o seu lugar.

–Muito bem senhor Turner, o senhor vai ter o que deseja. – Disse Cristian encarando o homem a sua frente que parecia perdido em seus pensamentos por um momento.

–Espero que saiba no que está se envolvendo. – David falou fitando o homem com seu olhar insinuante.

–O senhor pode até não acreditar, mas a nossa família está acostumada com certos métodos de conquista que a maioria das pessoas de Londres ficaria apavorada. – Cristian olhou sugestivo para David que sorriu de forma cumplice, ele sabia perfeitamente como essas coisas funcionavam.

–Pois bem, então vocês vão ter o que querem, mas já digo desde já que preciso de homens prontos para morrer em nome dessa coisa, o Conde Vlad não é um homem fácil de enfrentar, vou precisar de armas e apoio de todos para levar esse plano á diante. – David sabia que Vlad não era um homem comum, ele sabia que para derrotar o Conde ele iria precisar de muitos homens, mas acima de tudo ele iria precisar de alguém com o conhecimento para derrotar aquele demônio.

{...}

Em algum lugar próximo a mansão do Conde

Josep havia levado uma carruagem com eles para caso fosse necessário carregar algum corpo, por sorte, Vlad havia encontrado um lugar seguro para ficar, e por mais incrível que fosse ele não tinha se alimentado do sangue de Kim, Josep estava com Vlad á muitos anos, isso era mais que um trabalho para ele, devia sua vida ao Conde, ele tinha ficado preocupado quando seu mestre mostrou interesse por uma garota das ruas, ele sabia muito bem como aquelas pessoas viviam, mas depois de algum tempo vendo o trabalho duro de Kim na mansão sem qualquer interesse financeiro ele compreendeu que para ela a única coisa que importava era estar próxima ao Conde.

Quando os homens se aproximaram da caverna onde o casal se encontrava encontraram os dois aos beijos e muito próximos, Kimberly tinha o vestido rasgado, partes do corpo expostos e usava o casaco do homem para se proteger, aquilo era muito intimo, mostrava que os dois haviam tido alguma coisa naquelas horas de isolamento, todos entenderam isso e agora Josep se sentia mal por ter chegado naquela hora.

A carruagem balançou quando a roda atingiu algumas pedras no caminho, as estradas que levavam para a mansão do Conde eram traiçoeiras, um lugar perigoso para se viver e Vlad sabia muito bem disso, foi justamente por essa razão que comprou aquelas terras, por que era um lugar que poucas pessoas iriam querer conhecer, Kim olhou para fora e viu que estava quase chegando em casa, aquilo a fez sorrir triste, pela primeira vez em mais de 10 anos ela se sentia em casa, mas os risos abafados do lado de fora a incomodavam, aqueles homens estavam comentando sobre o que havia acontecido, “malditos sejam” pensou, a sociedade de Londres era mesmo muito podre, nobre ou não todos estavam mais interessados em falar da vida alheia do que fazer alguma coisa útil.

–Você está bem? Percebi que passou o caminho todo em silencio. – Disse o Conde colocando sua mão sobre a mão dela, mas Kim a puxou de volta de forma triste, ela permanecia encolhida perto da janela abraçada ao casaco do Conde.

–Eu vivi muitos anos nas ruas, eu roubava para sobreviver, eu fiz isso por muito tempo, mas nunca, nunca me senti tão envergonhada como agora, amanhã de manhã toda Londres vai achar que eu fiz o que jurei nunca fazer. – Kim falou triste enquanto uma lagrima escorria de seus olhos.

–O que? – Ele se limitou a perguntar, não queria deixá-la mais chateada.

–Jurei que nunca seria uma acompanhante, jurei que nunca me venderia, que encontraria um amor que pudesse ser meu. – Aquilo partiu o coração do Conde, ele sabia que era sua culpa, Kimberly era uma jovem recatada, por mais que sua vida tivesse sido difícil ela nunca se vendeu.

–Sabe Kim, eu venho de uma terra muito longe daqui, lá as pessoas não se importam com a vida dos outros, lá ninguém condenaria você por amar seu Lorde. – Disse o Conde encarando a jovem que ficou totalmente ruborizada, ele apenas sorriu carinhoso. –Nem julgariam o Lorde por amar sua serva. – Vlad se sentou ao lado dela colocando sua cabeça em seu ombro, acariciando seus cabelos com gentileza.

–Parece ser um lugar lindo. – Kim falou se sentindo um pouco mais esperançosa, as palavras do Conde eram lindas demais.

–Gostaria de conhecer? – O Conde falou e Kim deu um salto sentando-se reta e encarando o mesmo com olhos assustados.

–Isso é...isso é sério? – Disse ela tentando não ter esperanças demais.

–Claro, acho que seria perfeito, só preciso providenciar algumas coisas e depois partiremos, você irá conhecer a minha terra. – Vlad falou tranqüilo enquanto Kim se sentia a pessoa mais feliz do mundo.

Notas finais
O próximo capitulo terá mais do nosso casal querido, e ai será que eles vão conseguir sair de Londres????