There is always hope for Love
10 Your Queen
Notas iniciais
A tempestade furiosa passou sem deixar vestígios,
O vento levou consigo tudo o que havia pelo caminho, e eu estava lá.
Parte de mim se foi perdida no furacão, parte de mim sangrou.
Agora não existem mais dúvidas, agora me sinto leve para voar,
As asas dos anjos vão me guiar, as asas dos anjos me levam para longe.
Me leva de volta para você.
(June Oliveira)
Casarão Drácula – Sul da Inglaterra
Anastácia veio correndo quando ouviu o barulho da carruagem se aproximando, ela sabia que as coisas não seriam muito fáceis para ninguém, estava muito preocupada com os rumores que havia ouvido sobre a festa e tinha medo que Kim estivesse correndo perigo, sem falar que havia um assassino pelas redondezas.
Kim olhou ao redor e apesar da vergonha procurou Peter com os olhos para lhe entregar o bilhete de Andréa, ela havia feito uma promessa e não podia deixar de cumprir, claro que o Conde não ficou muito feliz de ver sua querida acompanhante ao lado de outro homem, mesmo que fosse por alguns minutos, Vlad estava percebendo que não queria perder Kim de forma alguma, só de pensar que ela poderia se interessar por outra pessoa aquilo partia seu coração.
–De quem é isso? – O rapaz perguntou um pouco confuso.
–De uma jovem apaixonada que o conheceu no mercado. – Kim falou ainda ruborizada, ela achava lindo o amor de Andréa mais sabia que havia muitos perigos pela frente, principalmente para Peter e por alguma razão estranha ela se importava com ele, não queria que ele sofresse, ou pior, fosse morto pelo Duque.
–E como você está? – Perguntou Peter sem olhar diretamente para Kim.
–Como acha que me sinto? Mas não se preocupe, as coisas vão ficar bem, elas sempre ficam. – Kim sorriu descrente das próprias palavras. – Tome cuidado com essa jovem, ela é doce e especial mais existem problemas no caminho.
–Se ela é doce e especial já vai valer a pena. – Peter sorriu guardando o bilhete no bolso com certo interesse.
Os outros homens que Josep havia conseguido para ir com eles na busca ao Conde foram embora sem dizer mais nada, ele pagou a todos com uma bolsa de ouro, farta o suficiente para que permanecessem com suas bocas fechadas.
–Oh meu Deus Senhorita Jones, o que houve? Acho melhor chamar o medico da cidade, ela precisa de cuidados urgentes – Disse Anna encarando a jovem toda ferida e com as roupas em ruínas, por um momento Kim teve vontade de chorar, ela realmente estava ferida, mas sabia que as coisas podiam ser piores se por acaso Vlad não tivesse se sacrificado para protegê-la.
–Eu estou bem Anna, não se preocupe, só preciso de roupas limpas. – Kim falou tentando conter as lágrimas.
–Aposto que não foi algo tão desagradável assim. – Elizabeth falou cruzando os braços e encarando Kim por algum tempo, tempo suficiente para ruborizar a jovem.
–Espero que esses comentários sejam enterrados no momento em que a senhora entrar na casa. – Disse Josep repreendendo a empregada.
–Senhora? Ela passa uma noite fora com o Senhor e já vira a Senhora da casa? Vocês sabem exatamente o que ela é com essa atitude e não tem nada haver com se tornar a Senhora da mansão. – Beth fitou Kimberly com um ódio visível nos olhos, por fim sem dizer mais nada se virou e foi embora, Elizabeth desejou durante muitos meses ser a mulher que conquistaria o Conde, até porque era mais velha e experiente, isso faria com que ela fosse capaz de suprir qualquer necessidade dele, mas nunca Beth iria pensar que uma garota de 16 anos seria capaz de tomar seu lugar, principalmente uma garota tão ingênua e cheia de pudores.
–Venha querida eu vou ajudá-la com seus ferimentos. – Disse Anastácia com um ar maternal.
–Obrigada. – Foi tudo o que a jovem conseguiu dizer, ela ainda se sentia estranha com toda a intimidade que havia criado com o Conde em tão pouco tempo, aquilo realmente era novo para ela, depois da morte de sua mãe ela nunca encontrou alguém que pudesse trazer aquele sentimento de paz e proteção, mas com o Conde ela tinha isso.
–Kimberly, quando estiver melhor quero que vá ao meu escritório, precisamos ter uma conversa. – A voz do Conde soou calma, porem firme, Kim sabia que a conversa poderia ser amorosa ou talvez ele fosse dizer que havia se arrependido por tê-la convidado para conhecer seu mundo.
–Como quiser meu Senhor. – Disse Kim com a voz baixa, ela ainda tinha muitas duvidas sobre o que estava por vir.
–Vlad, me chame apenas de Vlad. – O Conde falou com um pequeno sorriso nos lábios, Kim ficou corada sem saber o que fazer ou dizer, por fim sorriu tímida enquanto Anastácia parecia que ia explodir de felicidade ao seu lado, ela queria muito ver Kim feliz com o seu amor.
–Como quiser, Vlad. – Pronunciar o nome do homem que amava sem sentir-se culpada por isso foi algo que Kim não esperava estar a sua disposição, aliás, nada do que havia acontecido parecia fazer parte de alguém como ela, mas ainda tinha muitas perguntas sobre quem ou o que Vlad era e precisava das respostas.
–Meu Senhor, eu sei que não é de minha conta, mas não acha que está sendo precipitado demais? – Josep falou encarando o homem com um olhar de preocupação.
–Eu sei que está tentando me proteger, mas ás vezes é necessário ser mais corajoso do que cauteloso, eu só quero ter a oportunidade de ser feliz outra vez, eu já esperei muito tempo Josep, não vou permitir que ninguém tire isso de mim, nunca mais. – Vlad falou com um sorriso terno que a muito tempo não surgia em seu rosto, Josep pensou em contestar, mas não conseguiu, ver a felicidade de seu amo era tudo para ele, naquele momento ele só pedia a Deus que as coisas permanecessem daquela forma, em paz, mas ele sabia que isso não iria durar para sempre.
Dentro da mansão Kim ainda parecia inebriada com o perfume do Conde no casaco negro que a envolvia, ela podia sentir os lábios dele sobre os seus, podia sentir suas mãos firmes apertando cada parte de seu corpo mantendo-a presa contra seu corpo, ela podia sentir o calor que perseguia todo o seu sangue a deixando arrepiada e sem perceber Kim começou a sorrir sozinha como se sonhasse acordada com algo bom demais para ser verdade.
–O que foi, viu o passarinho verde? – Disse Anna sorrindo enquanto enchia a banheira para que Kim pudesse se limpar de toda aquela sujeira, elas estavam no quarto de Kim, quarto esse que fez uma imensa falta na vida da jovem na ultima noite, por um momento ela chegou a pensar que jamais voltaria para lá, para a casa do Conde e de certa forma, sua casa.
–Ah Anna, foi tão bonito, o Conde foi um cavalheiro comigo. – Kim falou ainda sorrindo enquanto colocava o casaco dele sobre a cama.
–Mas vocês? Vocês?? – Disse Anna ficando rubra enquanto Kim tentava entender onde a amiga queria chegar, por fim ela ficou tão vermelha quando uma maçã e se apressou em dizer a verdade.
–Não, não, não, o Conde não faria isso, ele não iria se aproveitar da situação ou de mim, ele é um homem bom. – Disse Kim pensou seriamente até onde essa bondade iria verdadeiramente, ela ainda estava confusa sobre tudo o que havia acontecido no dia anterior, na festa, com David, com o atentado a carruagem, ela ainda não conseguia entender porque o Conde queimava no sol, porque aquelas coisas estavam acontecendo, a única coisa que ela tinha certeza é que permaneceria ao lado dele até o fim, jamais iria deixá-lo seja lá qual fosse a sua natureza.
–Claro que ele é um homem bom Senhora, mas nunca se esqueça do principal. – Disse Anna fazendo uma pausa e encarando Kim com seriedade até ter a certeza absoluta de que a jovem estava focando em suas palavras. – Ele é um homem.
Por alguns minutos Kim analisou aquilo, no fundo ela sabia que Vlad era um homem como todos os outros, mas ele tinha algo de diferente, e não era apenas o seu cavalheirismo, ele era nobre, mas também era mortal, e não podia aparecer no sol como a maioria.
–Não se preocupe Anna, eu prometo que vou me cuidar, as coisas vão dar certo. – Kim sorriu para sua amiga e se preparou para tirar as marcas daquela noite, mas as lembranças com o Conde nunca iriam sumir.
{...}
Mansão do Duque Thomas D. Milton – Londres
David ficou até conseguir uma parte do seu combinado pelo Duque, ele queria ter a certeza de que o homem não iria quebrar a aliança repentinamente.
–Você acha que podemos confiar naquele homem? – Disse Thomas para o irmão enquanto servia uma taça de licor ao mesmo.
–Sinceramente não acredito que está me perguntando isso, você sabe que não devemos confiar em ninguém, nunca. – Cristian falou com um sorriso frio nos lábios, marca dos homens da família.
–Você entendeu o que quis dizer, eu não acredito que esse David seja capaz de derrubar o Conde Vlad, aquele homem não parece ser humano. – Os dois se olharam por um tempo, aquilo por mais tolo que pudesse parecer ainda sim fazia muito sentido, eles também estavam ouvindo boatos por toda a cidade sobre as cavalgadas noturnas do Conde, claro que em uma cidade como Londres era normal os nobres passarem suas noites em casas noturnas longe de suas cansativas esposas, mas alguma coisa dizia que um mistério muito sombrio existia ali.
–Sinto que vamos descobrir muito mais do que estamos preparados para lidar, mesmo assim, devemos continuar com nossas tramas, ou a presença do jovem Conde pode estragar muito os nossos negócios, eu pensei sinceramente que ele iria querer se associar a nós com a produção do Laudano, sinceramente é um mercado muito promissor. – Cristian falou bebendo um pouco mais de seu whisky.
–O mercado da morte. – Disse Andréa com uma expressão séria surgindo no batente da porta com sua pele branca e vestido de renda.
–Querida Andréa, você é uma bela visão, mas como já conversamos antes, mulheres não devem participar das conversas de negócios de seus maridos, ou noivos. – Thomas falou com um grande sorriso que só significava falsidade para a jovem Andréa.
–Só vim avisar que estou voltando para casa, é obvio que meu noivo precisa resolver seus negócios e não tem tempo para passar comigo. – Andréa não fazia questão de ficar com o Duque, mas era necessário um certo teatro para manter as coisas em ordem.
–Veja irmão, o que fazer em uma situação como essas? Minha noiva está ofendida. – Thomas falou encarando Cristian que sorriu enquanto um empregado entrava todo afobado pela sala principal.
–Perdoe-me pela invasão, mas os senhores pediram para avisar quando o Conde e sua acompanhante chegassem na mansão, eles foram vistos sãos e salvos entrando pelos portões da mansão Drácula pela manhã. – O homem falou tomando folego, era obvio que havia corrido por toda a propriedade para ser o primeiro a avisar os nobres.
–Obrigado pela sua informação. – Cristian deu algumas moedas para o homem que saiu correndo feliz. – Thomas porque não agrada sua noiva com um passeio por nossa bela Londres, poderia aproveitar e fazer uma visita ao Conde e sua adorável dama. – Cristian falou encarando o irmão que sorriu, era uma ótima forma de confrontar Vlad sabendo que ele devia estar muito fraco devido a tudo o que havia acontecido.
–Acho que isso seria perfeito para nossa tarde. – Disse Thomas sorrindo para Andréa que se iluminou pensando na possibilidade de reencontrar o seu mais novo amor.
–Eu acho que posso aproveitar esse momento para conversar mais com Kimberly, ela parece ser uma dama especial. – Disse Andréia tentando disfarçar sua atenção para que Thomas não entendesse mal sua alegria.
–Não seja tola minha querida, aquela jovem é tudo, menos uma dama. – Ele disse sorrindo amargo deixando a jovem irritada, odiava quando Thomas difamava as mulheres da cidade sem motivo aparente.
–Assim como alguns cavalheiros também. – Disse de forma ríspida saindo sem olhar nos olhos do noivo, ele fez menção de ir atrás dela mais seu irmão fez um movimento com a cabeça dizendo para ficar, não valia a pena começar uma briga agora, eles tinham objetivos maiores.
{...}
Jardim principal — Casarão Drácula
Quando Kim terminou de se arrumar foi até o Conde que esperava por ela no escritório, mas Vlad percebeu que o dia estava lindo demais, ele precisava sair um pouco para tentar expressar ao máximo os seus sentimentos, Kimberly era o amor de sua vida e sempre seria, mas ela ainda não estava pronta para toda a verdade, mesmo assim ele precisava insistir.
O jardim era de uma beleza fora do normal, margaridas formavam uma nuvem branca de um lado enquanto belas violetas davam o destaque do outro, as rosas eram a verdadeira paixão do Conde, havia flores de todas as espécies, sem contar nas confortáveis poltronas com almofadas espalhadas por todos os lados, havia uma ponte de madeira que fazia a travessia de um pequeno lago no centro do jardim, onde peixes dourados como as belas carpas dominavam as aguas cristalinas.
–Eu ainda não havia parado para ver a beleza desse jardim. – Disse Kim de forma tímida enquanto acompanhava os passos do Conde.
–Nada nesse lugar pode ser comparado com a sua beleza, eu nunca encontrei alguém que fosse capaz de me prender dessa forma, mas você é e por isso desejo que venha comigo para meu mundo. – Vlad falou ficando frente a frente com a jovem que não sabia o que dizer.
–Nossos mundos são tão diferentes, não acredito que a sociedade....... – Kim tentou continuar, as Vlad a calou colocando seus dedos suavemente sobre os lábios dela fazendo pequenas caricias que a fizeram esquecer as palavras.
–A sociedade que você conhece não se parece em nada com a minha, eu estou propondo um passeio por lugares desconhecidos, eu estou propondo que me conheça verdadeiramente, eu sei que talvez isso a deixe apavorada, mas se for corajosa e se entregar a esse sentimento eu prometo que conhecerá um lugar onde terá uma coroa e não apenas um titulo. – Disse Vlad enquanto acariciava o rosto indo até o pescoço da jovem a fazendo fantasiar com todas aquelas palavras que mais pareciam formar um sonho.
–Que mundo é esse Vlad?
–Romênia, lá você será a rainha de várias terras e do meu coração. – E antes que Kim pudesse dizer algo Vlad a beijou ali mesmo no jardim, diante de quem quer que fosse, ele acariciou seus cabelos e a puxou para perto encaixando seus corpos de forma vigorosa, nada no mundo iria atrapalhar seus planos, ele levaria Kimberly para a Romênia e lhe entregaria a coroa de rainha, ninguém iria tirar isso dele, nem mesmo a carruagem que se aproximava a todo vapor dos portões de seu casarão naquele momento.
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