There is always hope for Love
2 My Fake Angel
Notas iniciais
“Caminho sempre nos mesmos lugares como se vivesse presa em algum lugar e percebo que estou presa dentro de mim, ás mil faces de uma alma podem enlouquecer você com o tempo e todos nós sabemos que não temos muito tempo.”
“As folhas secas estão caindo porque o outono finalmente chegou, mas vivo em um inverno sem fim.”
“O vento frio já esta cravado em meus ossos.”
(June Oliveira)
As velhas Docas – Londres
O píer velho fazia um barulho assombroso quando o vento passava por suas instalações, o mar batendo tímido na madeira danificada também ajudava muito nesse processo, aquela era uma parte de Londres que poucas pessoas gostavam de freqüentar, apenas os ladrões e assassinos viviam ali, incluindo as prostitutas, claro.
Kimberly conseguiu um velho barraco de madeira para viver depois da morte de sua mãe, claro que tudo na vida tinha um preço e nesse caso não era diferente, David Turner era o proprietário de quase todas as casas decadentes daquele local, e apesar da qualidade das propriedades, o preço para se viver ali era altíssimo.
David era um homem cruel, não media esforços em nome do dinheiro e de uma falsa posição na sociedade, ele se dizia nobre, mas todos sabiam que não passava de um assassino de aluguel que conseguiu suas riquezas com a morte de tantos outros.
–Você está atrasada. – Disse uma velha senhora para Kim que voltava assustada para sua casa.
–Sinto muito Sarah, eu tive alguns problemas no caminho, existe um forasteiro em Londres e acho que ele é mais perigoso que os ladrões locais. – Kim falou sentindo seu coração batendo com força contra o peito, por alguma razão naquele momento ao lado daquele nobre ela percebeu que existia muito mais do que apenas um mistério no olhar, aquele homem trazia mistérios em suas mãos, provavelmente um passado sombrio que deveria permanecer escondido.
–Ele já está lhe esperando. – Sarah a velha senhora das docas falou com um ar de medo que qualquer um podia conhecer, aquilo fez Kim se arrepiar, o nobre que impediu seu roubo a colocou em uma situação de grave risco.
–Vou precisar de mais tempo. – Kim falou respirando fundo e olhando para sua barraca onde viu a silhueta de um homem mexendo em suas coisas.
–Você sabe o que ele quer, se fizer isso ele vai deixá-la em paz, talvez até lhe dê alguns luxos, todos aqui sabem o que ele procura. – Sarah se sentia mal por dizer aquilo a uma menina tão jovem, ela mesma á muitas décadas atrás sonhava com um casamento e um bom marido, mas o homem que jurou amor eterno a ela simplesmente a abandonou depois de levar sua pureza, ela viveu como prostituta desde então, ficou conhecida, famosa, mas nunca curou seu coração, agora velha e sem clientes se tornou apenas a Velha das Docas, alguém que todos conhecem, mas ninguém se importa.
–Isso nunca. – Kim falou decidida encarando Sarah que sentiu orgulho da jovem.
–Então boa sorte.
Kimberly entrou em sua cabana que estava com a porta arrombada, ela caminhou lentamente como quem procura por um criminoso nos cômodos, olhou para a velha mesa e viu uma garrafa de vinho sobre a mesma, junto a ela uma taça suja, taça esta que não pertencia a ela.
–Vejo que você ficou na rua até tarde, não é do seu costume fazer isso, saiba que esses horários são perigosos para garotas como você. – Disse uma voz quase sussurrante ao ouvido de Kim que sentiu um horror percorrer sua espinha, ela sentia náuseas quando aquele monstro se aproximava dela.
–Senhor Turner creio que tenha vindo receber o pagamento da semana. – Disse a jovem tentando manter o foco da conversa em outra coisa, o homem apenas sorriu lentamente enquanto andava a poucos centímetros dela rodeando-a como um animal antes de atacar.
–Se estamos falando sobre negócios significa que conseguiu dinheiro para me pagar, devo dizer que é uma das minhas melhores clientes em questão financeira, é claro. – Disse o homem debochado enquanto acariciava lentamente os cabelos de Kimberly provocando um arrepio apavorante na jovem, ela quase podia sentir seu coração saindo pela boca.
–Bem, eu, eu não consegui o dinheiro hoje, mas queria negociar um prazo apenas até amanhã, sei que posso pagar se me der uma oportunidade. – Kim falou tentando não gaguejar, mas era difícil, o homem a sua frente era muito intimidador.
–Eu sei que é capaz, a questão é que não trabalho dando oportunidades ás pessoas, não foi assim que me tornei um homem poderoso. – Turner encarou Kim profundamente e ela viu algo que a deixou com vontade de sair correndo.
–Por favor senhor Turner, eu prometo que vou trazer o dobro, eu juro. – Kim começou a se afastar sem perceber, tudo o que queria era que ele parasse de tocá-la, aquilo era muito ruim, sentir aquelas mãos ásperas ferindo sua pele.
–Você podia resolver isso de uma forma muito mais simples. – David a puxou pelo braço com força, Kim soltou um grito apavorada, o homem riu alto sabendo que não haveria nada que mudasse aquele momento, David havia esperado muito por aquilo, na verdade ele não queria chegar aquele extremo, a maioria das mulheres que ele conhecia costumavam se entregar por um pouco de ouro e uma boa refeição, mas Kim era diferente, ela preferia passar fome, ficar sem um centavo do que ser obrigada a se vender como um objeto, e isso era o que mais divertia ele, ver que no meio de todo aquele lixo e podridão de Londres ainda existia alguém de valor, valor este que ele desejava obter como bom empreendedor que era.
Ele a jogou sobre a velha mesa de bruços, Kim sentiu o homem colando ao máximo seu corpo ao dele e estremeceu no meio de gritos e pedidos de ajuda, mas ninguém iria interferir, ninguém se importava.
–Me deixe em paz, eu não sou uma prostituta. – Disse a jovem sentindo as mãos daquele homem asqueroso deslizando por suas pernas rasgando suas meias, procurando passagem entre os velhos tecidos sujos.
–Eu sei disso, mas podemos resolver esse problema. – David tentou puxar Kim de uma só vez para si, mas a jovem conseguiu se equilibrar melhor que ele e empurra-lo sobre uma velha cadeira, ela aproveitou o espaço entre eles para correr porta a fora, claro que ela sabia que David não iria desistir, provavelmente ele passaria a noite toda correndo atrás dela e aquilo poderia custar a sua vida, ou a sua liberdade. Todos no píer já haviam ouvido histórias sobre pessoas que desapareceram sem deixar sinal e que foram enviadas para casas secretas para se tornarem escravos ou brinquedos sádicos dos nobres ou de qualquer um que tivesse dinheiro para pagar por esse luxo, com ela não seria diferente.
Kimberly nunca imaginou que o píer pudesse ser tão longo, por mais que ela corresse não parecia chegar em lugar nenhum, ela não queria olhar para trás, estava com medo, era como se ela conseguisse sentir a presença do seu perseguidor.
{...}
****Perto dali ****
Vlad estava preocupado com tudo o que havia acontecido até o momento, ele não conseguia tirar a imagem da jovem de sua mente, ela lembrava muito alguém que já havia partido, seus criados já haviam levado todos os seus pertences para sua nova propriedade, ele não estava preocupado com o luxo que possuía, ele era rico, qualquer coisa que fosse quebrada poderia ser reconstituída, a única coisa que não se reconstrói é a alma.
Durante horas ele ficou caminhando pelas docas, percebeu que a Inglaterra era um lugar perfeito para uma alma que não pode caminhar por muito tempo no sol, afinal, aquele país era uma terra de nevoa e frio quase o ano todo, não haveria maiores problemas para esconder sua real aparência. No fundo aquele lugar lembrava muito sua querida Transilvânia.
No meio de todo aquele silencio ele pode perceber as criaturas da noite caminhando perdidas por todos os cantos, mendigos procurando por migalhas de pão, crianças sujas procurando por alguma coisa que ainda não estivesse estragada para comer, mulheres ansiosas por uma oportunidade de roubar um nobre cheio de ouro. A vida noturna de Londres era como em qualquer outro lugar da Europa, só que um pouco mais fria.
Naquele momento ele ouviu um grito, sua audição favorecida reconheceu imediatamente aquele timbre, ele sabia quem estava em perigo e não pensou duas vezes, deixou as sombras tomarem conta dele e partiu em direção a ela.
Kim percebeu que não iria muito longe e que ninguém iria ajuda-la, por todas as pessoas por quem passou ninguém quis abriga-la, todos ali tinham medo do senhor David, sabiam que ele era um homem cruel e cheio de amigos mais perigosos ainda.
–Você não vai conseguir fugir para sempre. – A voz de David soou bem próxima de Kim, aquilo a assustou e ela acabou tropeçando em algumas madeiras empilhadas para servir de lenha.
–Quer saber, eu não tenho medo de você. – Kim falou entre dentes sentindo um ódio enorme percorrer seu coração, ela estava cansada, estava cansada de ser obrigada a viver fugindo, se escondendo, ela não merecia uma vida assim, ela não tinha culpa que o destino havia pregado uma peça nela.
–Vejam só, a nossa querida Kim tem coragem, muito bem garota, agora você realmente me impressionou, então você não é apenas uma rata de rua, acho que é mais corajosa do que a maioria dos meus amigos. – David falou rindo alto enquanto Kim se rastejava entre os pedaços de madeira.
–Sabe de uma coisa? Eu sou mesmo, sou mais corajosa que a maioria aqui e quer saber, eu não ligo de morrer lutando. – Kim pegou um pedaço de madeira e o segurou como se fosse um bastão, os olhos de David brilharam com a possibilidade de um confronto, ele foi para cima dela sem se importar, Kim acertou com força a madeira nas costelas dele o que o fez recuar um pouco, mas David era um homem acostumado a brigar com valentões e assassinos, ele não iria perder para uma garotinha.
Sem que ela soubesse como, David a golpeou com força a derrubando sobre um pedaço de madeira pontudo, seu corpo atravessou na altura do ombro, David riu, sabia que o ferimento não era suficiente para matá-la, o que ele iria aproveitar muito, seu sorriso alto podia ser ouvido em todo o píer, ele começou a andar na direção dela que parecia atordoada pela dor e pelo medo, Kim fechou os olhos tentando ter apenas bons pensamentos, começou a rezar para um anjo, se ninguém ali era capaz de protege-la talvez um anjo do senhor fosse.
David gritou alto enquanto Kim fazia sua prece, ela não podia imaginar que Deus realmente fosse atendê-la, mas antes de perder a consciência devido o ferimento ela pode ver um rosto recém conhecido se aproximando dela. O Conde Vlad.
Fale com o autor