Notas iniciais
Oie gente linda, quero agradecer a todos os comentários que estou recebendo, obrigada mesmo pelo carinho e continuem comigo. Como não postei sabado passado resolvi postar hoje para compensar a demora. Boa leitura.

“Mas a Morte não pode voar, ela não consegue tirar os pés do chão, ela é triste e sombria, precisa pagar pelas vidas que ceifou.”

“A Morte é um anjo sem asas incapaz de ver a face de Deus diretamente, porque ela é mais uma de suas obras para dar fim a sua criação.“

“Uma punição.”

(June Oliveira)

Casarão Drácula – Sul da Inglaterra

A propriedade de Vlad era imensa, no entanto não tinha uma visão tão bela quanto a maioria, a pesar da propriedade ter uma grande plantação de papoulas, o resto era resumido em vales pantanosos, os cavalos se locomoviam com dificuldade naquela parte, assim como as carruagens também, justamente por esse motivo que o dono daquele lugar não pensou duas vezes para vender.

Vlad havia oferecido um grande valor naquele local, ele prezava muito a discrição e se realmente iria viver em Londres por um tempo precisava de um lugar seguro e livre de enxeridos, normalmente as pessoas sempre ficam curiosas com a chegada de alguém novo.

Não havia muitos empregados no local, ás pessoas queriam muito trabalhar para o novo Conde de Londres, mas infelizmente o Conde não parecia interessado em muita gente perambulando por suas propriedades.

Josep era o criado pessoal do Conde, ele havia contratado apenas o necessário para manter a casa em ordem, uma cozinheira já idosa que provavelmente não traria problemas, um rapaz para cuidar dos estábulos, jovem porém discreto, e uma mulher com um pequeno problema de audição, para limpar os cômodos da casa, assim teria o mínimo de problemas.

As horas estavam passando e Vlad ainda não havia retornado, Josep sabia de suas necessidades por sangue, ele sabia que o patrão costumava dar longas caminhadas toda vez que chegavam em um local novo, afinal durante toda a viagem ele ficava sem se alimentar, já que não podia beber o sangue dos tripulantes.

Houve um pequeno murmúrio de vozes no andar abaixo, Josep correu até as escadas e para sua surpresa se deparou com Vlad carregando nos braços uma jovem.

–Ela está ferida, peça para alguém ferver água, traga também os remédios que temos, eu vou levá-la aos meus aposentos. – Vlad passou por Josep que fez uma expressão de desgosto, não era nada bom para Vlad ter alguém sangrando em sua presença, principalmente se ele não parecia disposto a matar essa pessoa.

–Poderia deixá-la no quarto das empregadas senhor, eu mesmo poderia resolver esse problema. – Josep falou tentando impedir Vlad, mas o Conde apenas parou a dois passos da escada e encarou Josep sem dizer uma só palavra. – Como quiser senhor. – O servo percebeu que não havia uma forma de questionar aquilo e foi obedecer as ordens de seu mestre.

Vlad subiu a longa escada de madeira pura e caminhou por um corredor que parecia não ter fim, até chegar em um quarto bem distante dos outros, lá dentro tudo parecia escuro, nebuloso e sem vida, mas perfeito para ele.

Com cuidado ele depositou o corpo inerte sobre os belos lençóis de seda brancos, o que era um grande contraste com toda a escuridão do local, as cortinas eram de um veludo negro e a tapeçaria lembrava a cor do sangue.

Ele olhou para aquele rosto tão angelical, uma menina tão jovem e cheia de vida, ele não conseguia entender o, porque daquele homem estar perseguindo um ser indefeso, não era honrado.

–A água senhor. – Disse Josep entrando junto com a senhora da cozinha que fez o sinal da cruz ao ver a jovem cheia de sangue sobre a cama.

–Obrigado, agora podem ir. – Vlad falou e Josep pareceu tenso, durante muito tempo seu mestre nunca mostrou interesse real em outras pessoas, pois no fundo ele sabia que seria impossível revelar seu segredo a quem quer que fosse, mas ali, naquele momento, diante daquela cena o homem percebeu que seu patrão podia estar correndo um grande perigo.

–Meu senhor, desculpe a intromissão, mas não seria melhor que Anastácia fizesse isso? Não acredito que deva se envolver demais. – Josep falou se aproximando, mas Vlad não deu ouvidos a ele, apenas sentou-se ao lado da cama.

–Saiam. – Disse o Conde encarando o servo que respirou fundo resignado aceitando sua derrota.

–Senhor, se me permite a ousadia. – Disse a velha Anastácia quase inaudível, parando de falar para observar a expressão de Vlad, ele pareceu aborrecido, mas por fim fez sinal para que ela continuasse.

–O senhor deve sair por um momento, ás vestes dela precisam ser retiradas e não acredito que seja certo o senhor fazer isso, a jovem pode ficar constrangida ao despertar, será muito desagradável para ela. – A senhora tinha um bom coração, por isso não julgava a jovem na cama como apenas uma garota das ruas, ela mantinha o rosto corado por dizer aquilo ao Conde, mas Vlad entendeu que ali em Londres ele não podia agir por sua conta, era necessário respeitar os costumes locais, e se a senhora estava dizendo que uma jovem não podia ser despida por um homem desconhecido então ele iria aceitar, mesmo contra sua vontade.

–Tudo bem Anastácia, mas seja breve. – O Conde saiu do quarto por um minuto sendo acompanhado por Josep que permanecia com uma expressão perturbada.

–Vamos lá meu caro amigo, me diga o que está pensando. – Vlad falou com um sorriso no rosto que nem de longe parecia feliz.

–O senhor não devia se envolver assim com alguém tão estranha, ela é apenas uma garota das ruas, isso não vai acabar bem. – Josep falou se aproximando colocando a mão sobre o ombro do Conde.

–Sei que está preocupado, mas precisa confiar em mim, em todos esses anos nunca falhei com você. – Disse Vlad feliz por seu servo ser realmente um amigo leal.

–Não me preocupo comigo senhor, me preocupo com a sua segurança. – Josep falou sério, mas naquele momento Anastácia saiu do quarto olhando para os dois com uma expressão de pena.

–Está tudo bem com ela Anastácia?

–Está sim meu senhor, é que, bem, ela tem tantas marcas pelo corpo, deve ter tido uma vida muito difícil, isso está marcado em cada cicatriz, ninguém ganha essas marcas de graça, ela deve ter muitas histórias para contar. – Anastácia saiu descendo as escadas de forma entristecida.

Vlad entrou no quarto sem esperar mais, Kimberly estava deitada agora com o corpo coberto por um grande cobertor dourado, aquilo deixava sua pele ainda mais pálida, principalmente por ter o rosto emoldurado por longos cabelos negros, sua expressão era de alguém que vivia um pesadelo apesar de toda a beleza ela nunca se sentiu uma pessoa abençoada, o Conde andou lentamente ao redor da cama até sentar ao lado da menina que parecia começar a expressar um sinal de consciência, ele se apressou em limpar o sangue e fazer o curativo de forma cuidadosa, isso era uma coisa que havia aprendido com o tempo, ele percebeu que Anastácia já havia limpado o corpo da jovem para tirar a maior parte da sujeira, já que ela tinha um grande corte no ombro era necessário que seu corpo estivesse limpo para evitar as infecções.

Em alguns minutos a bacia com água estava tingida de vermelho, para Vlad cuidar de pessoas feridas havia sido uma espécie de treinamento no decorrer dos anos, ele precisava aprender a controlar sua cede por sangue e principalmente manter a calma diante de pessoas normais, claro que ele era muito mais controlado que os outros vampiros que havia criado no passado, sem falar que seu coração permanecia nobre mesmo depois de ser possuído pelas trevas, Vlad nunca deixou de ser quem era, mesmo assim precisava aprender a controlar sua cede, isso era o mais importante e estar ao lado de feridos era a melhor forma para isso, muitos diziam que ele era um homem bondoso que amava e protegia seus servos, mas ele não se via dessa forma, se via apenas como um homem desesperado tentando superar seu demônio interior.

Os panos limpos sobre a mesa também pareciam refletir o vermelho presente naquele local combinando com a tapeçaria, Vlad respirou fundo, para ele nada era mais tentador do que aquilo, podia sentir aquela pele macia, podia se inebriar com o aroma de vida saindo do sangue, seu coração que já não batia estava quase o sufocando, era como se fosse voltar a bater a qualquer momento, uma necessidade estava crescendo dentro dele.

Foi então que ela acordou.

Kimberly sentiu o corpo dolorido, porém leve, sua ultima lembrança era ter sido salva por um anjo, não sabia ao certo o que havia acontecido, a imagem de David também flutuava em sua mente, gritou como nunca havia gritado, se debateu com força até sentir mãos firmes a mantendo parada, sentiu uma respiração ofegante em seu pescoço e aquilo eriçou os pelos de sua nuca, tudo tremeu e girou, e finalmente ela despertou para uma realidade que não era a sua, um quarto luxuoso, grossas cortinas e uma cara tapeçaria, o conforto de uma cama confortável, e um homem que não era nada seu, um homem de olhar profundo que não conseguia desviar os olhos, um homem tão forte quanto seus medos naquele momento, um homem que parecia feito de pedra mantendo-a firme e parada, um homem que podia fazer seu coração doer mais que as feridas em seu ombro.

Um homem que era seu anjo.

Vlad respirou fundo o aroma de Kim, ele percebeu que ela começou a despertar e lutou para mantê-la firme no lugar, o curativo era recente e não podia sofrer mais danos, Kim parecia atormentada até que finalmente parou de lutar, ele sentiu um arrepio vindo dela e aquilo despertou um desejo a muito tempo adormecido, por um segundo quase sentiu vontade de sorrir, não um sorriso vazio como havia feito nos últimos séculos, mas um sorriso real.

–Não tenha medo. – Ele disse de forma calma, por alguma razão Kim não pareceu tranqüila, e quando tentou se mover percebeu que estava nua, aquilo a deixou mais apavorada do que qualquer outra coisa, seu rosto ficou tão vermelho quanto os panos sujos de sangue.

–Onde estão minhas roupas? – Perguntou quase sem voz, estava fraca, havia perdido muito sangue e ainda permanecia confusa.

–Tudo será resolvido, só preciso que confie em mim. – Vlad se levantou indo até a porta, ele precisava pedir para que Anastácia trouxesse algo que fosse mais condizente com a beleza da jovem, ela precisava se vestir e não seria com aqueles trapos novamente.

–Eu confio. – Kim falou sem nem ao menos entender o, porque, e suas lágrimas brotaram como se uma dor muito antiga vivesse em seu coração. – Não devia, mas confio.

Vlad sabia que ali estava o que sempre procurou entre as nações, entre os países, entre os mundos, ali estava o seu verdadeiro e único amor.

Notas finais
E agora, como vai ser essa convivência entre eles?