There is always hope for Love
15 Make my heart a better Place
Notas iniciais
E os cacos foram espalhados por todos os lados, partes minhas outras nem tanto.
Pedaços do tempo perdido que não pode mais se unir, somos os cacos meu amor, não podemos fugir.
Quando a chuva terminar eu vou ver a luz, o sol vai nascer forte no seu peito meu amor, o Sol sempre vai voltar. É hora de unir os cacos meu amor, é hora de nos unir ao que somos de verdade.
(June Oliveira)
Casarão do Duque Thomas Milton – Londres
Thomas rompeu pela porta principal como um animal selvagem, o vento forte da tempestade entrou como um raio por todos os lados, as flores voaram de um lado para o outro, assim como o lindo lustre de cristal balançou violentamente, as empregadas que estavam por ali ficaram assustadas quando viram a expressão no rosto do homem e correram, o mais rápido possível, elas estavam com medo do lustre despencar, ou pior, do Duque descontar sua ira sobre elas, uma delas foi em direção ao escritório de Cristian para pedir ajuda.
—Senhor, desculpe, mas seu irmão acabou de chegar e parece furioso. – Disse uma senhora apertando um espanador nas mãos, por mais que fosse tarde, na casa dos Milton era sempre assim, os empregados eram obrigados a trabalhar até altas horas da noite. –Ele invadiu a casa derrubando tudo, o vento vai levar seus moveis embora.
—Do que está falando mulher? – Disse Cristian no momento em que ouviram os barulhos vindos da sala. –Deixe de ser exagerada, os moveis não vão a lugar nenhum. – Disse o Marques ficando de pé tentando entender a loucura que estava acontecendo.
—Não sei dizer senhor, ele chegou e começou a derrubar as coisas, parecia furioso com o mundo, tentamos falar com ele mais nos tocou praticamente, está possuído. – Disse a mulher fazendo o sinal da cruz.
—Deixe de bobagens, eu vou falar com ele. – Cristian odiava quando a criadagem falava sobre superstições em sua casa. –No mínimo deve ter bebido além do necessário, avise as outras para se recolherem, não quero ninguém vendo este espetáculo. – Cristian falou sério encarando a senhora que não pensou duas vezes e correu para a ala dos empregados, não queria de forma alguma ficar presente naquele momento.
O Duque olhou para seu casaco em tons pastéis estava manchado de sangue, do seu sangue, do sangue de Andrea, aquilo o deixou ainda mais furioso, Andrea nunca havia sido desrespeitosa com ele antes, nunca havia dado sua opinião de forma tão abusada, aquilo o fazia perder seu controle totalmente, odiava quando mulheres davam suas opiniões infames e cansativas, seu pai havia lhe ensinado a ser assim, ah as memórias de sua infância, elas o fazia rir amargo entre raiva e lágrimas frias, ele pensou na lembrança que mais marcou sua personalidade, a lembrança que o fez ser o homem que era hoje.
Flash Back ON
A casa dos Milton ainda era a mesma, as escadarias de madeira de lei, o assoalho feito do melhor verniz que existia até o momento, tudo era feito para durar eternamente, assim como a supremacia dos Milton.
—Venha aqui Thomas, enquanto seu irmão estiver fora viajando quero que você tome conta dessa casa, sua irmã tem demonstrado um desejo desconcertante pelo filho do lenhador perto das estradas pantanosas, eu quero que fique de olho e não os deixe estreitar laços entendido? Não devemos sujar nosso sangue com esse tipo de pessoas. – Disse o homem que limpava sua arma com um brilho diferente nos olhos, Leopoldo era conhecido por seu coração de pedra, sua esposa havia morrido anos atrás, Thomas nem mesmo havia conhecido a mulher, apenas Cristian como irmão mais velho conhecia aquela história.
—Mais e se ela não me obedecer? O que devo fazer nesse caso? – Disse um Thomas ainda jovem e confuso.
—Faça o que todo homem deve fazer, imponha-se, coloque-se entre eles, e mostre do que os Milton são feitos. – Leopoldo jogou a arma nos braços do filho de 15 anos e sorriu orgulho ao ver que o jovem lembrava-se bem como engatilhar a arma, primeiro a pólvora, depois a bucha e por fim acender o curto barbante. –Não tenha misericórdia, mate os dois se for necessário.
—Mais Cristian vai me odiar se souber que matei Angelina. – Thomas falou sentindo um aperto no peito, Cristian e Angelina tinham quase a mesma idade, depois vinha Thomas como o caçula da família.
—Está enganado meu jovem. Ele vai ficar orgulhoso. – Leopoldo abraçou o filho como havia feito outras vezes com Cristian, ele havia ensinado a mesma coisa quando uma prostituta do cais apareceu gravida do filho. Cristian matou a jovem com a criança em seu ventre, nada que um Milton não pudesse fazer.
Flash Back OFF
Thomas voltou do seu devaneio devido a uma rajada forte de vento que bateu com força a velha porta de madeira, quando viu um grande espelho perto de ornamentos dourados e vasos de flores vindas do oriente para enfeitar a casa do Duque, aquilo nada tinha de importante no momento.
Um ataque de fúria tomou conta do silencio do casarão, Thomas pegou uma estátua de origem Grega e atirou com toda a força contra o enorme espelho da sala principal, gritou como um louco e arrancou o casaco com toda a força atirando com tudo na lareira ao lado, deixando o mesmo queimar como o ódio em seu coração.
—Deus. Mais o que é isso irmão? – Disse Cristian ao ver os olhos de Thomas ardendo, se não fosse tão descrente iria começar a fazer orações, ele correu até as grandes portas de madeira e sozinho conseguiu fechar ambas, depois voltou-se para o seu irmão que parecia outra pessoa.
—Fique fora disso, estou cansado dessa noite, já tive problemas demais com aquele maldito Conde, problemas demais com Andrea e suas libertinagens e delírios de uma jovem recatada e oprimida, estou cansado desses planos malignos do senhor Turner. – Disse Thomas respirando fundo e passando a mão pelos cabelos.
—Em primeiro lugar você está sendo ridículo, como ousa estar dando esse vexame na frente dos nossos empregados, está ofendendo o nome da nossa família. – Cristian falou olhando com certo desprezo para o próprio irmão. –E em segundo lugar, você não devia ter ido essa tarde a casa do Conde, ele é um dos inimigos mais inteligentes e perigosos que encontramos até agora, nós não somos criminosos Thomas, nós pagamos homens para isso, assim como David, assim como tantos outros, você não deve ficar se envolvendo diretamente nisso. – Cristian falou tentando se aproximar do irmão, mas o mesmo o empurrou e foi em direção a uma linda cristaleira.
—Eu só quero beber, apenas me deixe aqui sentado com meus demônios, só quero beber e esquecer todos esses problemas, e se possível chame as prostitutas, quero me divertir o máximo que puder, pelo que percebi hoje não terei uma vida de casado muito animada. – Thomas falou de forma amarga enquanto virava a garrafa de whisky pela garganta.
—Não precisa se preocupar com isso irmão, quando se casar não precisa ficar por muito tempo com Lady Andrea, apenas o suficiente até o pai da moça morrer, depois disso você pode fazer o que quiser, pode mata-la, pode manda-la para um convento, ou simplesmente pode deixa-la trancada em uma de nossas mansões, ninguém irá se opor quanto a isso. – Cristian falou frio e Thomas entendeu o porquê de ser como era, talvez fosse o sangue da família, talvez o mal habitasse dentro deles.
—Quando escuto esse tipo de coisas lembro totalmente do nosso pai. – Thomas falou sério e Cristian riu, ele se lembrava do pai de uma forma muito mais amigável do que o irmão mais novo.
—Nosso pai foi um grande homem Thomas, um visionário, ele me ajudou em muitos momentos da minha vida, e me ensinou o que era ser um homem de verdade. – Cristian falou com um largo sorriso.
—Matando prostitutas? – Thomas falou debochado e Cristian não diminuiu o sorriso, apenas respirou fundo pegando uma garrafa para si também.
—Sim meu caro irmão, matando prostitutas com quem ninguém se importa, e quer saber de uma coisa? Eu gostei, e gostei muito e faria quantas vezes fosse necessário, e se você não consegue nem ao menos colocar uma rédea na sua noiva, talvez seja um sinal de que não deva monta-la. – Cristian riu debochado fazendo Thomas cerrar os punhos.
—Não fale dela assim. – Thomas estava confuso, ainda não tinha tomado um partido nessa situação, sua mente estava nublada.
—Eu só lhe digo uma coisa, se ela ainda não lhe causou problemas, pode ter certeza de que vai, nós dois sabemos a verdade, não existe amor nessa união, nós só queremos o dinheiro do pai dela e eu vou me assegurar de que ele sofrerá um lindo tomba dessa mesma escada na qual bebemos, então irmão, é melhor se decidir. – Cristian saiu levando a garrafa e a pouca tranquilidade do irmão.
Mansão de Lady Andrea – Londres
A noite estava incerta, a tempestade rugia do lado de fora do quarto de Andrea, seus pais estavam discutindo no andar de baixo, era possível ouvir sua mãe gritando desesperada com ele, dizendo para romper o acordo que havia feito com o Duque Thomas, mas o mesmo dizia que era impossível, que jamais poderia desfazer a sua palavra, ele era um homem de honra e se havia prometido Andrea ao Duque então iria ser assim.
—Por favor, Jonathan, por favor, não a condene a uma vida de sofrimento, você viu como ela chegou aqui esta noite, não podemos deixar que isso se repita. – Disse a mulher em prantos tentando conter as próprias lágrimas. -Ela é nossa única filha homem.
—Eu conversarei com ele, nosso acordo não envolve esse tipo de coisa, mas depois que eles se casarem Thomas será o marido dela, e não poderei opinar mais do que a lei me permitir. – Disse o pai de Andrea tentando parecer firme e inabalado, mas seu coração estava sofrendo tanto quanto o da esposa, mas acordo era acordo e palavra era palavra.
—Somos os pais dela, devemos protegê-la do mal e não coloca-la nos braços dele, somos ricos Jonathan, podemos ir embora dessa maldita cidade. – A mãe de Andrea falava andando de um lado para o outro, era possível ouvir o barulho dos seus saltos batendo com força no piso de madeira.
—E ir para onde? Para a Espanha? Dinamarca? Para o sonho das Américas? Não acredito que exista um lugar no mundo onde o senhor Thomas não nos possa encontrar, e quando isso acontecer será o fim.
Andrea permanecia de joelhos ao lado da cama fazendo suas orações, seu corpo doía, mas ela precisava rezar, tinha medo de ser mal compreendida por Peter, e se ele achasse muita ousadia de sua parte mandar aquela carta? E se ele jamais fosse falar com ela sobre seus sentimentos? Aqueles pensamentos corroíam sua alma, principalmente depois do que aconteceu ao sair do casarão do Conde Drácula horas atrás.
Flash Back ON
A carruagem andava rápida pelas estradas pantanosas que ligavam o casarão a cidade de Londres, o vento forte balançava a mesma de um lado para o outro e Andrea estava com medo de pegar a tempestade ainda na estrada. Thomas ainda parecia muito desgostoso com tudo o que havia acontecido com Vlad, claro que ele não esperava de forma alguma ser bem tratado, mas não imaginou que o Conde poderia ser tão grosseiro com o símbolo máximo de poder da Inglaterra, o Duque na verdade sempre foi muito mimado, e Cristian seu irmão só piorava as coisas.
—Você não devia ter sido tão rude com o Conde, ele estava em sua casa, não se ofende um homem na própria casa Thomas. – Andrea falou com seus pensamentos longes enquanto olhava pela janela.
—Não deveria estar apoiando aquele homem sem escrúpulos, ele está fazendo os homens de negócios de Londres de tolos, já devia ter colaborado com a venda de sua produção de papoulas até mesmo abaixo do preço para nos satisfazer, não entendo o desejo dele de nos subestimar. – Thomas falou apertando o punho de uma forma que podia ouvir seus ossos estralando.
—Se os homens de negócios de Londres são tolos o suficiente para enfrentar um homem com tamanho poder aquisitivo não sou eu, nem o Conde que diremos o contrário. – Andrea não conseguiu reagir, um forte tapa lhe acertou o rosto com força da mesma forma que mãos lhe pressionavam contra a carruagem deixando seus braços marcados.
—Qual o seu problema Andrea? Você sabe que não é ninguém para me recriminar, vamos nos casar em breve e estou fazendo isso apenas por uma união comercial estável com seu pai, então se não quer que nosso futuro seja marcado assim como seu corpo, sugiro que se cale e permaneça assim. – Thomas falou perdendo o controle, ele sentia uma fúria enorme dentro de si, não era como David, viciado em violência, mas não iria deixar uma mulher lhe ofender daquela forma.
—Pare com isso seu animal, como pode se intitular de nobre se não sabe tratar a própria noiva? – Andrea não sabia onde vinha a sua coragem, ela não era assim antes, talvez o medo do que poderia estar por vir a fazia reagir assim.-Eu jamais aceitei me casar com você, se não fosse por esse maldito acordo eu estaria livre e feliz.
—Noiva esta que não se dá ao respeito, pensa que não sei das suas tramas, sua oferecida. – Disse aquelas palavras cruéis acertando mais um tapa no rosto da jovem que gritou mais nenhum dos homens que escoltavam a carruagem fez menção de ouvir. –Pensa que não sei que deseja aquele empregado em segredo? Se quer tanto assim viver na imundice vou providenciar uma cama de feno para você nos meus estábulos.
—Você é um monstro. – Disse a mulher entre dentes. –Se acha que prefiro outro homem a você é por sua própria culpa.
—Se está se oferendo dessa forma para um estranho devia começar por seu noivo, afinal tenho lhe respeitado como se fosse uma dama, mas pelo que vejo hoje você não passa de uma meretriz. – Aquelas palavras foram demais para Andrea, ela usou toda a força que tinha e acertou um forte tapa no Duque, seu anel de noivado fez um corte na face do mesmo que ficou perdido em um misto de espanto e dor.
—Acha que é o único que pode ferir as pessoas? Acha mesmo que você é o único que pode fazer isso? Espero que o Conde e Lady Kimberly sejam muito felizes e bem longe dessa cidade maldita. – Andrea levou outro tapa agora muito mais forte, ela bateu com força na carruagem enquanto Thomas tentava não perder a razão, ele não podia mata-la, não ainda, tinha que se casar para herdar as fortunas do pai dela, Andrea era filha única, quando seu pai morresse todo o dinheiro iria para o marido dela, e no caso esse alguém era Thomas, por isso ele não podia deixar que nada desse errado, pelo menos até o momento do sim.
Andrea terminou a viagem encostada em um canto da carruagem sentindo seu corpo doer, um filete de sangue escorria de sua boca como um aviso silencioso, também sentia dores em suas costelas e no estomago, Thomas permaneceu em silencio olhando para o lado de fora, ele não queria que ela visse o sangue escorrendo de seu ferimento também, não queria dar aquele pequeno gostinho de poder a uma mulher, se David fosse homem o suficiente para fazer o prometido eles não teriam mais problemas com o Conde Vlad por muito tempo e Andrea não teria mais motivos para sonhar.
Flash Back Off
Um barulho estranho vindo da janela acabou tirando Andrea de suas orações, ela se levantou com cuidado e foi até a mesma segurando uma vela nas mãos, quando olhou pela mesma não pode acreditar. Deus havia ouvido suas preces.
Uma carruagem estava do lado de fora, o Conde em pessoa estava presente e sentado no banco do cocheiro, era muito estranho ver um nobre naquela posição, Peter estava parado ao lado da carruagem com os braços abertos usando um terno muito elegante para um simples trabalhador, o próprio Conde havia emprestado a roupa para ele.
—Andrea, eu vim buscar você. – Disse Peter com os braços abertos. –Julieta, oh Julieta, por que és tão bela? Nem mesmo a lua pode ofuscar sua coroa de estrelas que ilumina a face do anjo primaveril que me enfeitiçou ...enfeitiçou...
—Com seu sorriso de estrela e perfume de sândalo... – Disse o Conde baixo para Peter completar.
—... –Enfeitiçou com seu sorriso de estrela e perfume de sândalo. – Peter sorriu para Andrea que ria sem parar, aquela não era a poesia original, mas ninguém jamais havia recitado qualquer coisa para ela.
—Eu já vou meu senhor. – Com muita rapidez Andrea colocou em uma pequena mala tudo o que encontrou pela frente, algumas coisas indispensáveis para uma dama e jogou um casaco aveludado por cima da camisola de seda branca, colocou luvas e um chapéu por conta do frio da noite e um cachecol que amava mais nunca usava porque Thomas achava muito feio para uma dama delicada.
Andrea desceu correndo as escadas arrastando a mala pesada mais com um grande sorriso no rosto, seus pais que haviam ficado em silencio vieram correndo de seus quartos para ver do que se tratava aquela gritaria.
—Andrea o que significa isso? – Disse a mulher no momento em que Andrea abria a porta e Peter rompia para dentro pegando-a em seus braços e a beijando sem nenhum pudor ou medo. –O que pensa que vai fazer menina? – Os olhos de sua mãe se encheram de lágrimas, no fundo a mulher estava sentindo uma grande comoção, talvez aquela fosse a resposta para seus problemas.
—Eu vou ser feliz mãe. – Disse Andrea dando um abraço apertando na mãe que chorou entendendo que talvez nunca mais a veria filha novamente. –Eu vou ser feliz, preciso ser, não se preocupem comigo, eu prometo que vou mandar noticias quando tudo estiver arrumado. – Andrea apertou o cachecol contra o pescoço e ao mesmo tempo apertou firme ás mãos de Peter, ela jamais o soltaria novamente.
—Você tem certeza disso? – Disse a voz mais grave do pai da jovem que segurava a emoção e um misto de indignação com gratidão. –Sabe que seu noivo irá querer lavar a honra com sangue, e por mais que eu possa exigir um duelo em seu nome ele não há de aceitar. – O homem falou sentindo medo, medo de perder seu maior tesouro.
—Tenho pai. – Disse a jovem fazendo uma pausa para olhar nos olhos do homem e mostrar que era verdade. – Não quero que duele com aquele homem viu, Thomas não luta de forma justa, se ele disser que virá atrás de mim, então que seja, vou assumir meus atos. Adeus papai, espero que cuide da mamãe como ela merece, todos nós devemos ser felizes. – Disse Andrea abraçando o homem que por mais relutante que podia parecer estar, ainda sim, estava feliz por deixar sua filha livre daquela situação.
—Eu prometo que vou cuidar dela e vamos nos casar assim que chegarmos na Romênia. – Disse Peter e o casal olhou para fora vendo a imagem do Conde que se destacava na noite.
—Espero que cumpra sua promessa rapaz, o que esta fazendo hoje pode ter consequências gravíssimas. – Jonathan falou sério apertando a mão do jovem que entendeu onde ele queria chegar, Thomas iria até o inferno para limpar sua honra.
—Vamos. Ainda preciso avisar a tripulação do meu navio que pretendemos partir ainda pela madrugada, não temos tempo a perder. – Vlad falou com sua voz grave e imponente chamando a atenção de todos.
—Senhor Conde, proteja-os. – Disse a mãe de Andrea com os olhos cheios de lágrimas e o Conde entendeu, naquele momento sua família estava ficando maior.
Andrea correu para dentro da carruagem mesmo sentindo dores em seu corpo, ela sorriu para Peter com uma expressão de amor que o rapaz jamais havia visto antes, naquele momento ele teve a certeza de que havia feito á escolha certa, e mais uma vez ali estava o Conde Vlad, com sua presença, proteção e poder, lhe dando todo o apoio que jamais ganhou do mundo ou de sua pobre família, o Conde era naquele momento como um pai para ele e jamais esqueceria sua atitude nobre.
—Eu lhe prometo uma vida cheia de amor, e quando estivermos diante de Deus também ei de jurar. – Peter falou beijando as mãos macias e delicadas de Andrea que deixou uma lágrima escorrer entre as muitas outras que já havia derramado.
—E eu juro lhe fazer o homem mais feliz e completo de todo o mundo e jamais irei deixa-lo ou sair de sua presença, pois nada no mundo me fará mais feliz do que estar em seus braços. – Disse Andrea beijando as mãos pesadas e calejadas do jovem trabalhador, dois muitos tão diferentes agora unidos pela força do amor.
Vlad sabia que estavam perdendo um tempo precioso, mas quando viu a forma deficiente que Andrea andava ou sentiu o cheiro de sangue vindo dos ferimentos em seu rosto, percebeu que havia tomado a melhor decisão, não havia nada mais covarde para um homem do que agredir mulheres e crianças, e se Thomas viesse atrás de sua família iria mostrar a ele sua misericórdia, assim como havia feito com David.
Cemitério principal – Londres
I've heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don't really care for music do you?
It goes like this — the fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled King composing Hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
O sol já estava querendo apontar no horizonte, um homem com ares de poucos amigos cavava sem parar uma cova no velho cemitério da cidade enquanto o Padre fazia suas orações em Latim. Kimberly teve muita dificuldade para convencer o homem a fazer um enterro tão rápido e sem muitas explicações, a única coisa que ela conseguiu usar para convencer o homem foi á frase:
“O Conde tem muito dinheiro, saberá recompensar bem a sua igreja Padre.”
Depois disso tudo foi acertado. Josep estava na mansão, mesmo com os estragos causados pelo bando de David Turner, ainda sim, Josep estava seguro até o momento da viagem, seus ferimentos estavam se curando lentamente, mas graças a ação rápida de Peter para cauterizar a ferida e estancar o sangramento agora ele tinha chances de sobreviver sem nenhuma infecção. Vlad também havia pagado três homens da cidade para fazer guarda em sua casa até que tudo fosse resolvido, ele ficou de acompanhar pessoalmente Peter até a casa de Andrea e nada poderia ter deixado Kim mais feliz.
—Você está ajudando um homem a resgatar um amor, essa é a atitude mais nobre que eu já vi alguém fazer. – Disse Kim cheia de orgulho do seu Conde.
—Se faço isso hoje é porque compreendo a necessidade do amor na vida de uma pessoa, você me ensinou isso, você é a pessoa mais nobre que conheço. – O Conde sorriu beijando os lábios da menina que sentia uma alegria tão grande que mal cabia no peito, ela estava livre, David estava morto.
Hoje nós entregamos a Deus a alma desta mulher, Elizabeth, conhecida pelos amigos por Beth, teve uma vida sofrida, cheia de amarguras e rancor, mas hoje todos os seus pecados serão esquecidos, todas as suas lágrimas serão enxugadas e toda a sua dor não passará de uma lembrança distante, essa é a promessa que Deus nos oferece, quando morremos somos levados até ele, somos envolvidos por seus anjos e mantidos em segurança até o dia do julgamento final, quando o Salvador retornará a Terra.
Que Deus tenha piedade dessa alma.
Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty in the moonlight overthrew you
She tied you to a kitchen chair
She broke your throne, she cut your hair
And from your lips she drew the hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
O Padre terminou suas orações enquanto o caixão de madeira simples era colocado na sepultura, Kimberly estava ao lado de Anastácia que não conseguia parar de chorar, por mais que Beth não fosse uma mulher perfeita, ainda sim não merecia ter aquele fim triste.
—Ela não está sozinha Anna, estamos aqui com ela. – Disse Kim acariciando o ombro de Anna numa tentativa de reconforta-la.
—Eu sei, mas a vida é muito injusta, Beth sempre sofreu, sempre foi humilhada e tratada como alguém qualquer, ela nunca teve o amor que desejou, esse foi o maior sofrimento dela. – Anna falou jogando uma flor que havia pegado no jardim sobre o tumulo.
—Talvez tenha razão Anna, mas veja, você esta aqui agora, chorando por ela, talvez de onde ela estiver vai compreender que isso também é uma forma de amar. – Kim falou sorrindo para a amiga que sorriu de volta, por mais que as coisas estivessem difíceis Kimberly sempre conseguia encher o coração de Anna com amor.
—Vejo que você é um anjo afinal. – Anna abraçou Kim enquanto a chuva continuava caindo sobre elas.
Maybe I've been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you
I've seen your flag on the Marble Arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
—Não sou um anjo Anna, eu só quero ir pra casa. Só quero permanecer abraçada ao homem que amo, só quero provar para o mundo que não existe classe que defina um amor verdadeiro – Kimberly falou deixando suas lágrimas caírem também, ela tinha uma família agora, ela tinha um amor, só precisava olhar para os céus e dizer obrigado, ela iria conseguir ser feliz, de um jeito ou de outro.
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